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Anarquia na Somália

No início deste ano, a rede estatal inglesa BBC publicou uma série de artigos celebrando os 20 anos da queda do estado na Somália.  Embora os artigos expressassem a típica repulsa ao termo "anarquia", a série foi surpreendentemente equilibrada para um veículo da grande mídia tradicional.  Desde a queda do estado, a Somália inegavelmente progrediu de acordo com vários critérios, apesar (ou, alguns diriam, por causa) da ausência de um governo central forte.

Economistas familiares com a tradição do anarquismo de livre mercado levaram a análise ainda mais longe, argumentando persuasivamente que a Somália está melhor sem o estado do que quando tinha um.  A desdenhosa resposta estatista padrão — "Se vocês gostam tanto de anarquia, por que não se mudam para a Somália?" — é típica de quem não entende a teoria anarcocapitalista.  O anarquista de livre mercado não afirma que a ausência de um estado é condição suficiente para a bem-aventurança.  Antes, esse livre-mercadista afirma que, por mais próspera e cumpridora das leis que seja uma sociedade, acrescentar a este arranjo uma instituição que pratica o roubo e a violência organizada irá apenas piorar as coisas.

A BBC repercute os 20 anos de anarquia

Como dito inicialmente, o tratamento dado pela BBC à questão somali foi notavelmente equilibrado.  Um dos artigos começa dizendo,

O senso comum afirma que segurança e estabilidade são as precondições necessárias para o desenvolvimento econômico.

Desde 26 de janeiro de 1991, a maior parte da Somália não tem nem um nem outro; entretanto, a economia não apenas tem se mantido resiliente, como também alguns setores apresentaram um crescimento extraordinário.

Em particular, a indústria de telecomunicações expandiu-se acentuadamente:

O especialista em telecomunicações somali Ahmed Farah diz que a primeira antena de telefonia celular foi erguida na Somália em 1994, e hoje é possível fazer ligações via celular de qualquer lugar do país.

Há nove operadoras disponíveis e elas oferecem uma ampla variedade de serviços, de mensagens de texto a acesso à internet.

Não foi apenas a indústria de telecomunicações que se expandiu.  Um outro artigo da série esquematiza as melhorias ocorridas em alguns do principais índices ao longo dos últimos 20 anos de (relativa) anarquia:

Somália: Como a vida mudou?

Índice

1991

2011 (ou mais tarde)

Expectativa de vida

46 anos

50 anos

Taxa de natalidade

46

44

Índice de mortalidade

19

16

PIB per capita

$210

$600

Mortalidade infantil

116 mortes <1 ano, por 1.000 nascimentos

109 mortes <1 ano, por 1.000 nascimentos

Acesso a água potável

35%

29%

Taxa de alfabetização

24%

38%

Exceto pela queda na taxa de natalidade (que é algo ambíguo) e pela queda no acesso a água potável (que é definitivamente algo ruim), os números acima demonstram um incrível progresso em várias frentes.  Ouso dizer que se uma intervenção da ONU ou do Banco Mundial em algum país africano totalmente controlado pelo estado tivesse gerado os resultados acima, tal feito seria trombeteado e glorificado a plenos pulmões e com incessantes propagandas.  (Para evitar confusão: grupos de ajuda internacionais estão atualmente trabalhando na Somália, e eles podem ser parcialmente responsáveis pelas melhorias ilustradas na tabela acima).

A BBC anseia por um governo perfeito

Não obstante o inegável progresso, o primeiro artigo da BBC lamenta a situação anárquica:

Por um lado, podemos nos maravilhar com o fato de que os empreendimentos continuam na Somália; por outro, é fato que as coisas poderiam estar muito melhores.

A ausência de tributação e de regulamentações pode significar uma certa liberdade contra interferências.  Porém, os empreendedores têm de pagar empresas de segurança para garantir a proteção de seus bens, e têm de remunerar diferentes facções caso queiram fazer qualquer tipo de comércio.

Essa situação arriscada não desestimula todos os investimentos, porém estes seriam muito maiores caso existisse uma autoridade estável.

[O especialista em telecomunicações] Ahmed Farah crê que as operadoras de telefonia celular gostariam de ideia de um governo efetivo.

"Elas teriam segurança, teriam estabilidade e poderiam operar harmoniosamente", diz o especialista em telecomunicações.

"Portanto, sem nenhuma dúvida, a indústria de telecomunicações da Somália precisa de um governo".

Porém, com o atual governo somali [que controla somente algumas poucas áreas importantes da capital Mogadíscio], que é respaldado pela ONU, não é possível ter nenhuma ideia de quando este dia virá.

O senhor Farah e o laudatório repórter da BBC cometem nesse ponto a falácia do Nirvana, a qual compara coisas reais a alternativas irrealistas e idealizadas.  No caso, ambos contrastam um imperfeito resultado de mercado no mundo real com um idealizado resultado que seria produzido por um governo benevolente que só existe nos livros-texto.  A realidade é que, mesmo que uma única organização consiga suprimir todos os seus rivais e conquiste a soberania sobre o território somali (organização essa chamada estado), os empreendedores ainda assim terão de "remunerar diferentes facções caso queiram fazer qualquer tipo de comércio".

Particularmente cômica é a reclamação de que os empreendedores atualmente têm de pagar empresas de segurança privadas para assegurar a proteção de seus bens.  Ora, uma polícia e um sistema judiciário estatais não funcionarão à base de gorjetas — ambos também terão de ser financiados, só que por meio da tributação involuntária.  Assim como ocorre com qualquer monopólio, o fornecimento estatal de um "sistema de justiça" será muito mais caro — tudo o mais constante — do que esse mesmo serviço sendo fornecido por meio de agências privadas e concorrentes.

Lutando pela soberania

Farah e outros defensores de um estado central podem retorquir dizendo que, no atual arranjo, os custos de segurança são particularmente altos para os empreendedores somalis porque há uma constante luta entre diversas facções militares rivais ("os guerrilheiros") que estão tentando assumir e controlar o governo.  Isso é verdade, mas essa observação não prova aquilo que Farah pensa.  Farah e outros estatistas acreditam que é inevitável que grupos guerrilheiros briguem violentamente para adquiri o controle da nação, e que a paz doméstica só será conquistada quando um grupo (ou coalizão) conseguir sobrepujar todos os outros e, com isso, assumir o controle total.  Esta é a lógica que diz que o estabelecimento de um governo (supostamente) levará a menores gastos com segurança.

Há dois grandes problemas com essa visão.  Primeiro, alguns afirmam que essas milícias somalis brigam entre si de maneira tão cruel justamente por causa da intromissão de ocidentais que insistem em tentar impor um governo.  Em outras palavras, os vários clãs poderiam estar dispostos a coexistirem de maneira relativamente pacífica, sabendo que há um equilíbrio de poder e que nenhum grupo representa uma grande ameaça.  Porém, quando a ONU entra em cena com seu dinheiro e suas armas, e tenta colocar um grupo acima dos outros, as facções somalis excluídas partem para o ataque.  É uma questão de sobrevivência.

O outro problema com essa típica argumentação pró-estado — a saber, que grupos rivais entrarão em guerra civil até que um deles atinja uma óbvia superioridade sobre os outros — é que ela é exageradamente simplista e ignora a realidade.  Afinal, se não é possível haver um equilíbrio de poder entre os pequenos clãs da Somália, então como pode haver um em toda a Europa?  Ou, mais ainda, em todo o mundo?

Em outras palavras, para ser consistente, Farah e outros que clamam pelo estabelecimento de um governo na Somália — com o intuito de acabar com a guerra civil — deveriam também clamar pela criação de um governo central mundial para controlar todo o planeta.  Caso contrário, as várias facções existentes no globo iriam lutar continuamente entre si (algo que, obviamente, elas fazem o tempo todo).

Conclusão

Em outro artigo, já respondi àquela genérica objeção ao anarquismo, que alega, que em uma sociedade sem estado, os déspotas assumiriam o controle.  Particularmente sobre a Somália, recomendo o fantástico trabalho de Ben Powell et al. analisando a Somália antes e depois de sua transição para uma sociedade sem estado, e também comparando seu destino ao destino de outras similares nações africanas.  A conclusão é que — obviamente — a Somália sem estado não é nenhum paraíso, porém a ausência de um governo corrupto e brutal deu ao país uma vantagem não apenas em relação aos seus países vizinhos, como também em relação à própria Somália do passado.

A Somália conseguiu um notável progresso desde o colapso da brutal ditadura de Siad Barre em 1991.  Se as pessoas dos países mais desenvolvidos do mundo desejam ajudar aquela região pobre, podemos certamente enviar dinheiro e até mesmo visitá-los para oferecer serviços médicos e outros tipos de assistência.  Porém, se o Ocidente continuar tentando impor sobre os sitiados somalis a "dádiva" de um outro estado, a resposta apropriada deles deveria ser "Caiam fora já!"



autor

Robert P. Murphy

é Ph.D em economia pela New York University, economista do Institute for Energy Research, um scholar adjunto do Mises Institute, membro docente da Mises University e autor do livro The Politically Incorrect Guide to Capitalism, além dos guias de estudo para as obras Ação Humana e Man, Economy, and State with Power and Market.  É também dono do blog Free Advice.




  • Beto  03/07/2011 11:12
    É muito interessante mudar nossa visão sobre a África, continente mais pobre do mundo, talvez pelo fato de os europeus terem chegado lá e criado um estado artificial, que deu origem a gerações de governos corruptos. A livre organização daquelas tribos, ainda que sob uma leve supervisão internacional, ficou então impedida. Séculos depois, achamos que com mais intervenção de organizações centralistas (as internacionais) podemos resolver esse caos.
  • Mohamed Attcka Todomundo  17/04/2014 23:06
    no meu blog tem 2 artigos sobre somalia
    Lei na somália
    Sem Estado na Somália, e encantados
  • Angelo Noel  03/07/2011 11:55
    Ah! Se eles tivessem um Mises Institute...
  • Santiago Staviski  03/07/2011 13:00
    Era uma boa, criar um Mises Institute na Somália.
  • Johnny Jonathan  04/06/2012 16:53
    Bom, achei interessante isso, e fui "pesquisar" (na verdade, um mero wikipedizar mesmo): eles falam "somali", Árabe, Inglês e italiano.

    Bom, acho que um Mises Árabe é de interesse até pra além da Somália. Em muitas teocracias, ou regimes totalitários que falam árabe, podem, por ventura, ler os Artigos e mudarem o pensamento. O problema é que isso "deveria" ser feitos por "árabes" ou quem esteja nos países que falam essa língua.

    Já um Mises Somália pode começar com um domínio local, mas com artigos em inglês... se uma dia viera ter um Mises Itália, eles "nacionalizam" alguns artigos em italiano.
    E quando tiver somalianos sabendo bem sobre, tudo seria traduzido pra o somali, que é o melhor, ao meu ver.

    Não sei, são possibilidades, mas acho que um Mises Somália é uma ideia bem interessante.
  • napolioni  03/07/2011 16:29
    Concordo que os somalis não devem permitir imposições de outros países;eles devem escolher caminho deles.
  • Rhyan  03/07/2011 23:17
    Lembrei-me do Rodrigo Constantino... o Murphy deveria ter dedicado esse artigo à ele.
  • Lutty  04/07/2011 00:13
    Além da questão das intervenções internacionais, seria interessante que mais empresas de segurança privadas se desenvolvessem, isso já aliviaria muito a questão das gangues.
  • wesley  02/12/2018 04:56
    qual a chance de alguem trabalhar em uma empresa privada e ganhar um salario se ela pode trabalhar em um exercito pirata e roubar o salario de quem trabalha e não pode se defender?
  • Joao Celidonio  04/07/2011 07:58
    Acho que o tempo, a evolução desses números da taxa de alfabetização,alguns acertos econômicos entre esses grupos rivais possam encaminhar a Somália para um futuro muito diferente e, quiçá, mais virtuoso que as democracias ocidentais que conhecemos.Torçamos para isso!
    Quem se habilita a ir até a Somália e ensinar o princípio da não agressão? hehe
  • Roberto  14/12/2015 02:31
    Os Muçulmanos tomaram a Somália, ela não é uma anarquia como dizem. E eles trouxeram a guerra novamente, depois que a ONU foi expulsa de lá.
  • Reno  07/07/2011 08:25
    Desculpem as perguntas, mas não entendo bem. \r
    \r
    No texo se diz: "o anarquista de livre mercado não afirma que a ausência de um estado é condição suficiente para a bem-aventurança". \r
    \r
    Qual seriam as condições adicionais? Uma população pacífica que respeita a propriedade e o cumprimento dos contratos? Como isso seria obtido? Através de exércitos livres e particulares? Mas isso já não há por lá?\r
    \r
    Como mostra o artigo, o desenvolvimento comparativo do país parece inquestionável, tanto em relação ao seu passado quanto aos seus vizinhos. Não entendo a resistência anarcocapitalista de acatar a sugestão de mandar seus militantes para lá, talvez até capitaneando a abertura de um Mises Institute. \r
    \r
    Abraços.
  • Felipe Barbosa  08/07/2011 10:02
    acho que a imigração em massa só acontece quando a tentativa de redimir a patria mãe acaba, seja por crime contra a humanidade, fome, perseguição politica ou religiosa, nada menos do que uma catastrofe faz uma pessoa abandonar seu país de origem, é o caso das comunidades japonesas, italianas e outras que vieram ao brasil

    o dia que o país se tornar inabitavel para quem produz, pra quem aprecia a liberdade, não descarto a ideia que muitos migrarão, afinal, se não somos descendentes de indios, nas américas somos todos filhos e netos de imigrantes.
  • Giovanni P  08/07/2011 14:55
    Reno,

    creio que uma das condições deve ser o nível de organização e desenvolvimento dos mecanismos de ordem privada do país. É natural que eles se desenvolvam gradualmente, assim como qualquer indústria de qualquer país. Do jeito que está, funciona para alguns, mas não para outros. E o desenvolvimento de certas atividades depende de outras, como num esquema de ESTRUTURA DE PRODUÇÃO qualquer.

    Assim como uma empresa de softwares não vai abrir uma filial em um país onde o suprimento de hardwares é ruim, empresas e pessoas que valorizam muito o suprimento de segurança por terceiros não vão se mudar para um país onde esses serviços ainda são prestados de forma insatisfatória.

    Não sei se a analogia está de todo correta, mas a linha de pensamento é esta. Ninguém nunca disse que o estabelecimento da anarquia levaria ao surgimento instântaneo de um sistema de segurança, seguradoras e contratos perfeito.
  • Reno  08/07/2011 16:20
    Giovanni,

    Acredito que o entendimento seja o de que, não havendo Estado, os sistemas de segurança e respeito aos contratos seriam proporcionados por homens e instituições livres, capazes de exercer sua auto-defesa e desencorajar o descumprimento dos contratos pela posse e manipulação legítima de armas.

    Por que essa lógica não se aplicaria hoje à Somália?

    Ao entrar no país, um indivíduo devidamente armado mostraria imediatamente a capacidade de se defender, não sendo agredido e proporcionando o cumprimento dos contratos com ele firmados. Sem Estado, um grupo armado de anarcocapitalistas poderia adotar essa organização descentralizada em qualquer ponto do território, proporcionando o surgimento automático de um sistema de segurança, seguradoras e contratos.

    Há alguma falha nesse raciocínio?

    Quais são os elementos que impedem essa iniciativa?
  • Leandro  23/10/2011 01:59
    Por que a lógica não se aplica à Somália?

    Em primeiro lugar, porque já existem tropas da ONU na Somália.

    Em segundo lugar, porque há sim um governo central na Somália. E há facções que lutam contra ele.

    Em terceiro lugar, porque os EUA, vira e mexe, mandam bomba no país.

    Em quarto lugar, porque o país é segregado por brigas étnicas e religiosas.

    Em quinto lugar, porque toda a população do país é pobre, decorrência de anos de desmando do governo Siad Barre.

    Em um cenário romântico como esse, qualquer investidor estrangeiro que se aventurar no país certamente irá destruir seu capital. E capital é algo, por natureza, escasso. Ninguém em sã consciência destruirá o seu voluntariamente.

    Logo, no presente cenário, tudo o mais constante, não há solução para a Somália. Defensores do estado terão de explicar como a imposição de um estado irá pacificar tudo, sem chacinas.
  • Colorado  25/01/2014 03:18
    "Logo, no presente cenário, tudo o mais constante, não há solução para a Somália."

    É de se imaginar milhões de libertários/ancaps do mundo todo emprestando quantias módicas como forma de convite a grandes empresas: "Instalem-se na Somália, nós os financiaremos". As empresas ganham uma quantia considerável de capital para investir, e quem investe nelas tem a chance de provar em definitivo seu ponto (além de ter seu investimento devolvido em caso de sucesso). A prosperidade da Somália será o argumento definitivo de que se precisa para vencer a guerra cultural contra o marxismo e o keynesianismo.

    O que acham?
  • Marcelo  25/01/2014 11:27
    Provocação bobinha e economicamente ignara.

    Pra começar, existe um governo estabelecido na Somália.

    Em segundo lugar, seria impossível um país se desenvolver plenamente sendo anualmente bombardeado pelos EUA.

    Em terceiro, desenvolvimento não é algo que ocorre magicamente da noite para o dia, "após a mera instalação de algumas empresas". Desenvolvimento é um processo longo e demorado. Como explicado neste artigo, o que gera desenvolvimento e prosperidade é divisão do trabalho, poupança, acumulação de capital, capacidade intelectual da população (se a população for burra, a mão-de-obra terá de ser importada), respeito à propriedade privada, baixa tributação, segurança institucional, desregulamentação econômica, moeda forte, ausência de inflação, empreendedorismo da população, leis confiáveis e estáveis, arcabouço jurídico sensato e independente etc.

    Por fim, troque os termos "Somália" e "grandes empresas" por "Cuba" e "grandes sociólogos" e você verá que dá no mesmo.
  • anônimo  25/01/2014 11:59
    "O que acham?"

    Que iletrados como você precisam estudar mais antes de proferirem tais besteiras. Se, de fato, tivesse um mínimo de estudo, saberia que a cultura da população é algo fundamental para o sucesso econômico. Mas deve ser mais um daqueles gênios do facebook que acham que anarcocapitalismo é só sobre anarquia, enquanto sequer sabem o que significa capitalismo...
  • anônimo  08/07/2011 12:50
    A observação de que "a imigração só acontece quando a tentativa de redimir a pátria mãe acaba" tem desdobramentos interessantes.

    Pelo que entendo, a ação humana sempre se efetiva no sentido de levar os indivíduos à uma situação melhor do que a que eles se encontram. Nesse caso, muitos indivíduos, então, preferem se submeter a um Estado e a pagar impostos em seu país de origem do que migrar para uma terra livre.

    Isso significa que eles avaliam que se submeter à um Estado não é algo tão ruim ou viver numa terra livre não é algo tão bom; caso contrário, pelo menos aqueles que possuem informação e recursos migrariam o mais rápido possível.

    Intrigante que essa avaliação pelos indivíduos se mantenha mesmo em países onde a presença estatal é mais opressora e massacrante, como o Brasil.

    Numa pesquisa rápida encontrei que a taxa de migração da Somália é negativa (www.indexmundi.com/pt/somalia/taxa_de_migracao.html). Em vinte anos de anarquia é interessante que não tenha se estabilizado ou revertido, atraindo gente ao menos dos países vizinhos.

    Um comportamento interessante para análise.

    Arriscam alguma opinião?
  • Leandro  08/07/2011 13:14
    A resposta está em sua própria pergunta, anônimo. Como você bem disse, a ação humana sempre se efetiva no sentido de levar os indivíduos a uma situação melhor do que aquela em que eles se encontram. Logo, qual seria a melhoria em o sujeito abandonar o local onde está toda a sua riqueza e se mudar para um local de histórico pavoroso e sem nada? E o pior: tendo de começar tudo do zero?

    Isso é uma piora não apenas subjetiva como também objetiva, e nenhum indivíduo racional empreenderia tal ato -- o qual pode ser visto aprioristicamente, sem nenhum dificuldade, como uma atitude na qual se troca uma dada situação por outra pior.
  • Giovanni P  08/07/2011 14:48
    Você não pode avaliar as ações dos indivíduos reais com base nesse princípio de que "a ação humana sempre se efetiva no sentido de levar os indivíduos à uma situação melhor do que a que eles se encontram"; primeiro porque ela é errada, na verdade o que vale aqui é a intenção do agente, mas ele pode se enganar e acabar caindo numa situação pior, o que não invalida a praxeologia; depois porque é impossível a você saber a escala de valor dos outros ou compará-la com qualquer coisa. O amor do cara pela terra natal ou a desutilidade da mudança podem ter um peso muito maior do que o valor de viver numa terra livre.
  • Reno  08/07/2011 17:06
    Leandro e Giovanni,

    A mensagem anônima foi minha, enviada por engano sem identificação.

    Concordo com vocês e isso é o intrigante. Falando das pessoas que têm acesso à informação, notamente aquelas que conhecem as idéias de Mises, todas elas, em todo o mundo, preferem estar num país oprimido pelo governo a ir para o mais antigo país livre do planeta.

    Durante algum tempo, pessoas migraram de Cuba para os EUA, da Europa para a URSS e vice versa, mas ninguém quer ir para a Somália que ocupa o 213º lugar no ranking mundia de migração em 2011, com uma taxa de -11,81% (www.indexmundi.com/pt/somalia/taxa_de_migracao.html). E não são apenas anarquistas esclarescidos que evitam o lugar. Ele perde mais pessoas do que ganha em relação aos seus vizinhos, igualmente paupérrimos mas todos com governos ativos: Jibute (posição 16 no ranking), Quênia (100), Iêmen (102) e Etiópia (115).

    Parace haver algo estranho.

    Eu não arriscaria opinar sobre o que é melhor para o país sem conhecer de perto a realidade local. Em virtude do seu histórico único, creio que a Somália deveria ser o primeiro da lista de pretenção de visitas de qualquer anarquista convicto.
  • void  23/10/2011 13:54
    Normalmente imigrantes não procuram lugares onde haja mais ou menos estado, mas onde tenham melhores condições de sair de um estado de menos satisfação para um de mais satisfação (acho que você conhece isso, não?), geralmente isso é determinado por uma avaliação pessoal das condições do local para o qual vão.
    Se alguém sai de Cuba para os EUA, não é por que nos EUA existe menos estado, mas por que lá existe menor opressão sobre a livre iniciativa, ou seja, melhor condição para investir, enriquecer e melhorar de vida. Só isso já é suficiente para invalidar a sua idéia sobre libertários (que não são anarquistas como os que você deve conhecer) terem de aceitar se mudar para a Somália.

    "Eu não arriscaria opinar sobre o que é melhor para o país sem conhecer de perto a realidade local. Em virtude do seu histórico único, creio que a Somália deveria ser o primeiro da lista de pretenção de visitas de qualquer anarquista convicto."

    Aqui você diz que não arrisca opinar sobre o que é melhor sem saber do contexto, mas na mesma frase fala com propriedade da Somália. Ok, não acho necessário conhecer de perto. Sabemos que aquele é um país em guerra civil, vários aspirantes a estado querendo a supremacia. Nenhum deles respeitando os princípios básicos de uma sociedade libertária. Isto é, as pessoas que nada tem a ver com a sanha estatista tem que lidar não com um único, mas vários estados tentando se estabelecer num mesmo território. Se tiver a boa vontade de conhecer o austro-libertarianismo (ou anarco-capitalismo como se convencionou chamar, mas que não é um termo aceito de forma unânime) verá que o ceonceito de estado e "terra livre" tem a ver apenas com o princípio da não agressão contra inocentes, e não com eliminação inadvertida de instituições.
  • Roberto  14/12/2015 02:26
    Caro amigo, o tempo de "anarquia" na Somália foi de 1993 a 2005, e nesse período houve SIM imigração para a Somália, de acordo com o próprio site que você indicou. Após a UCI - União das Cortes Islâmicas - reiniciarem a guerra civil em 2006, AÍ SIM a taxa de imigração desceu a 0.
  • Rafael  28/07/2011 12:45
    Caros amigos,\r
    \r
    Fervoroso acompanhante do site, confesso que com essa análise acabo por perder um pouco a fé na sua isenção.\r
    \r
    Tenho visto documentários acerca do que ocorre no país em questão e, Sres, está longe de qualquer explicação matemática ou econômica a barbárie em que vive. \r
    \r
    Lá o Estado seria, sim, necessário.\r
    \r
    Precisamos ler com mais reserva alguns textos aqui postados, o que, todavia, não retira a grandiosidade do conjunto da obra.\r
    \r
    Abraços.\r
    \r
    \r
    \r
  • Fernando Chiocca  28/07/2011 14:03
    Que ótimo Rafael.. então seria bem fácil para você apontar alguma falha no texto. Estes documentários,que devem ser super isentos e embasados em coisas relevantes, já que a ciência economica é irrelevante (SIC), devem ser super bons..

    Estamos esperando.


    Só acho que vai ser difícil explicar qual a necessidade de uma insitutição que roube de todos e crie barreiras para o desenvolvimento, ou seja, uma insituição exploradora bárbara, possa ajudar em qualquer coisa.

  • Leandro  28/07/2011 16:07
    Rafael, o estado sempre existiu na Somália. E foi derrubado em 1991 justamente por ter piorado todos os aspectos do país.

    É um tanto ilógico concluir que justamente esta instituição que gerou o caos tenha de ser restabelecida para trazer ordem às coisas. Seria isso uma espécie de milagre da transubstanciação?
  • ana  12/09/2011 18:21
    axo inutil toda esse falatorio a respeito da situaçao da Somalia.\r
    o fato é que algo tem que parar aquele sofrimento que cerca toda uma naçao.\r
    pelo amor de DEUS pessoas precisam se mobilizar e fazer algo.\r
    como Jesus q é pra mim o maior herói, pessoas precisam se levantar em favor desse lugar. como Martinho Lutero, ghandi, mandala e tantos outros. VAMOS FAZER ALGO E JÁ.\r
    teses e analises nao resolvem problemas, mas mobilizaçao e disposiçao sim.\r
    o fato de existir pessoas interessadas pelo assunto ja é alguma coisa.
  • Carlos  27/09/2011 20:56
    De que forma você quer que "algo seja feito" Ana?
    É através do voluntarismo para com os Somáli, ou é através de intervenções extrangeiras, via ONU ou OTAN?

    Só para eu ter uma idéia se você absorveu mesmo as palavras de Cristo, que não é um "herói", mas sim o filho de Deus vivo.
  • ana  23/10/2011 19:44
    Carlos, com o tempo que vcs ja gastaram discutindo sobre o artigo ja teriam tido alguma ideia util sobre o que fazer.\r
    \r
    vcs devem se sentir bem inteligentes com tantos comentarios influenciados por teses e mais artigos que vcs devem passar horas lendo.\r
    \r
    pode ter certeza que o meu tempo esta sendo util e algo está proximo acontecer a Somalia e a mtus países na mesma situaçao. i vcs com concerteza ainda estarao aqui pra fazer seus comentarios super inteligentes.\r
    \r
    boa sorte!
  • anônimo  27/10/2011 19:25
    Bom Ana, se você teve a disposição de vir até aqui e comentar, acho que não é tanta perda de tempo assim, não é?

    No mais, as pessoas são livres para ajudar quem elas quiserem, e desde que seja de forma pacífica terá o apoio de qualquer um aqui.

    Um abraço.
  • ana  28/10/2011 01:02
    bom, recebo nos meus emails comentarios direcionados a mim e nao me importo de vim aqui responder.\r
    ler artigos eh util, mas ficar por diversas vezes discutindo a mesma coisa......humm.\r
    cada qual com sua mania.\r
    \r
    fica tranquilo.\r
    adeus.
  • Carlos Araujo  28/10/2011 22:21
    Bom, ninguem aqui gosta de discutir sempre os mesmos assuntos. Seria muito bom que as pessoas que postam aqui já soubessem o que a economia austríaca trata, mas infelizmente isso não ocorre.

    Como você sabe, o ensino no Brasil é dirigido pelo estado, e nunca que o estado irá colocar na pauta idéias que mostram a real natureza estatista. Por isso sempre que aparece algum novato no site, é presciso "bater na mesma tecla", para mostrar o que é o libertarianismo.

    E que bom que está sendo assim, sinal de que a audiência do site está aumentando. Infelizmente a repetição é o preço a se pagar pela deslavagem celebral.

    Abraço.
  • Roberto  15/12/2015 19:14
    Ana, muitos já estão fazendo algo pela Somália. A ONU distribui armas para a tribo que comanda a Puntlândia matar seus inimigos e dominar a nação como uma "democracia". A UCI - União Islâmica - já aterroriza a região norte e proíbe a comida e a água para as pessoas "infiéis" morrerem de fome caso não se convertam. As tribos se assassinam e atacam a Puntlândia. Todos eles pensam como você. Cada um ajuda do jeito que acha melhor. Você não acha que seria melhor um acordo de ideias antes de partir para a ação ineficaz?
    À altura desse comentário a Puntlândia já subjugou grande parte da região de Mogadíscio e está reconstruindo a região.
  • Tucker Carioca  27/09/2011 19:06
    Estou pasmo com esse texto, via o termo anarquista associado a somalia como um ataque visto as questões sociais e está sem lei(mas podemos considerar o clero e as guerrilhas estados) mas as melhorias são algo que deve ser observado.

    Instituto Mises na Somália[+1]
  • Madson Santos  23/10/2011 01:45
    Bom, já faz um ano que venho acompanhando o site, me identifiquei com a ideologia, e tento expandir o máximo possível tanto o site como o Partido LIber, mãããnnns, hoje fiquei com o pé atrás com Fernando e Leandro, que eu tenho como referência aqui, vocês não responderam as perguntas de RENO. Que me levou a crer que a existência de um estado minimo democrático é melhor do que a anarquia.

    Se puderem responder as perguntas do Reno, ficaria grato, pois em um debate com um amigo socialista fiquei sem respostas quando ele falou da Somália.

    Como leandro falou uma vez, um dos objetivos do site é munir os visitantes de argumentos irrefutáveis.

  • Fernando Chiocca  23/10/2011 01:57
    ?????

    Como vamos responder "as perguntas do RENO" se ele não fez pergunta nenhuma?

    Alias, a única coisa que ele parece insinuar é exatamente aquele que o artigo inteiro se dispõe a responder: "Se vocês gostam tanto de anarquia, por que não se mudam para a Somália?"

    Se é esta a resposta que procura, basta ler o artigo.

    E o seu amigo socialista disse o que que vc não soube responder?

  • Leandro  23/10/2011 02:03
    Respondido. A pergunta dele (se é que realmente houve alguma) era tão básica, que achei que seria até um desrespeito para com a inteligência de nossos leitores sequer esboçar uma resposta. Mas, devido ao seu pedido, trabalho feito.

    Abraço!
  • Pedro Ivo  23/10/2011 03:28
    Talvez o mais interessante, em casos como o da Somália, é ver como o estado está a "um empurrãozinho" de ruir em diversos lugares. Se na África é onde esta vulnerabilidade está mais ruidosa (há muitos países lá nesta situação), ela todavia nem é assim tão longinqua. O Paraguai esta em situação semenhante, e o Suriname e a Guiana são casos até sordidos neste sentido, pois o que ainda restou de estado é mantido por crime organizado.

    Concluindo: há lugares onde o estado já concluiu seu papel de desfiguração civilizatória, tendo abolido todos os laços sociais de voluntariedade, cooperação, divisão do trabalho, e de garantias à contratos e propriedade.

    Basta um empurrãozinho agora. O problema é quando este emporrão é dado pelas máfias chinesa, russa e coreana, como no Suriname.

    PS! Leandro, você está informado sobre situações como a do Suriname? Se está, me responda uma dúvida: em caso duma anarquia se instalar num desses lugares,por culpa de briga entre mafias, ou de um golpe que elas dêem num governo; você acha que duma situação destas pode emergir espontaneamente uma lógica de cooperação e libre iniciativa, contratos e defesa à propriedade? Aliás, esta pergunta fica para todos que quiserem especular sobre ela.
  • void  23/10/2011 13:00
    Perdão pela intromissão, vou deixar aqui minha opinião.

    Acho que se nesta "anarquia" ainda existir essas máfias cujas ações são de CARÁTER ESTATAL, ou seja, que ajam como estados, coibindo a livre iniciativa com a acumulação do capital, investimentos livres, divisão do trabalho, e propriedade, nada mudará. Afinal, quando um libertário ataca o estado, não está se atacando uma instituição que fornece alguns serviços (independente da qualidade destes), o que se ataca é a iniciação de agressão contra inocentes e suas propriedades. Portanto, mafias que controlam ou derrubam estados e assumem seu lugar SÃO O ESTADO. É a própria lógica da mudança do poder político, dos golpes de estado e mesmo das eleições.

    Pra emergir um ambiente libertário, com propriedade privada e tudo o mais haveria de ter um, com o perdão do termo, e não entendam errado, levante popular. As pessoas deveriam deixar de acreditar na legitimidade, ou no poder, das máfias e agir em defesa de suas propriedades. Se armar e se organizar para defender sua propriedade, criar empresas que forneçam estas defesas etc.

    Isto vale inclusive pros dias de hoje, aqui no Brasil, embora o perigo de se agir assim seja agora muito maior do que enfrentar as máfias russa, coreana, italiana e japonesa juntas.

    O que vai diferenciar essas organizações populares ou empresas dos grupos revolucionários criminosos de todas as formas é que suas ações sejam legitimimas, não tomando como exemplo as máfias e o próprio estado, quero dizer, desde que ajam como empresas tentando conquistar clientes, e que respeitem propriedades justamente adquiridas.
  • Mohamed Attcka Todomundo  23/10/2011 13:38
    acho a resposta do void ao Pedro Ivo pertinente.

    sei de umas coisas sobre o suriname, q tornam a coisa la complicadinha. era uma colonia holandesa. a holanda qeria a independencia dela, mas o suriname não qeria. entao os holandeses negociaram c/ o suriname uma condição pela aceitação da independencia: navios q chegem a holanda vindos do suriname ñ podem ter a carga inspecionada (tem + no acordo, mas só to falando disto, q é oq conheço). por isso lá o estado é fraco e as mafias fortes. o direito de propriedade, paradoxalmente, ta + garantido p/ atividades ilegais q p/ as legais. como a galera das mafias tem um direito de propriedade garantido, mas vivem da violação de propriedades alheias, eles se fortalecem dentro de uma particularidade do arcabouço legal, p/ depois usar este fortalecimento fazendo + do de sempre: estorção.

    portanto, concordo com o void. no suriname uma quadrilha (estado) foi substituida por outra.
  • Madson Santos  27/10/2011 02:03
    Fernando a pergunta era justamente essa que Leandro respondeu, sobre Libertários migrarem pra lá.

    Leandro obrigado pela resposta, muito esclarecedora.

    Do mais peço desculpa pela falta de discernimento da minha parte em não ter percebido que tal pergunta, ou melhor, resposta, era realmente básica, mas enfim, procurarei ler e pesquisar mais antes de fazer uma pergunta dessa, sair da zona de conforto de ter as respostas prontas proferidas de você e Fernando, e fazer perguntas mais relevantes.

    Abraços, e parabéns pelos dez mil...
  • Paulo Sergio  20/12/2011 02:50
    Esse é o motivo de ninguém querer migrar pra lá:
    (obs, cuidado, imagens fortes)
    www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=cYDJWbEOaB0

    E não são casos particulares, o genocídio de brancos já vem acontecendo há muito tempo,num nível que faz o pior traficante brasileiro parecer uma madre teresa, e a mídia não diz NADA.
  • Henrique  20/10/2012 15:59
    Então, qual parte de "guerra civil" vocês não entenderam?
  • Neto  20/10/2012 17:32
    Nenhuma.Só que por aquelas bandas nos países que TEM governo todo mundo também vive se matando.
  • Henrique  11/04/2013 20:53
    E você acha que tirar o governo vai acabar com a violência, ou aumentar? Ridículo.
  • Neto  12/04/2013 17:15
    Depende das pessoas que viviam debaixo deste governo.Como a maioria das pessoas da terra é bastante escrota, na maior parte dos casos a violência ia aumentar, mas não significa que tenha que ser assim pra todo mundo.
  • Julio Heitor  26/08/2013 19:24
    Este texto é o exemplo definitivo de que o ANCAP é a solução de todos os problemas.

    Fui no Blog do Rodrigo Constantino e lá havia um artigo rebatendo exatamente este. Ele nem sequer se deu ao trabalho de refutar as argumentações do artigo do IMB. Ignorou o fato de que o anarquismo da Somália não só não piorou as condições da população como também melhorou vários indicadores.

    Ele nem sequer mencionou a intervenção da ONU, que é a principal responsável pela guerra civil que ainda assola parte do país. Usa de desonestidade intelectual, omitindo fatos para fantasiar um vitória nas argumentações.

    É claro que o país ainda está em frangalhos e muitos serviços básicos ainda são para poucos, mas a situação ainda é melhor do que durante a ditadura. Argumentar que é necessário um estado central para resolver os problemas causados exatamente por um estado anterior é no mínimo uma piada de muito mal gosto. Levantar uma economia destruída não se faz em poucos anos.

    Alguns dirão: Ah, mas se fosse numa democracia as coisas seriam diferentes. Nada mais falacioso. A democracia apenas iria adiar/atrasar o crescimento do novo estado criado. Em apenas algumas décadas o totalitarismo já se instauraria novamente na região (assim como já ocorre no Brasil de forma disfarçada).

    Para os céticos, aguardem: Em 20 ou 30 anos, veremos uma somália muito mais desenvolvida e cada vez mais dificil de se instaurar um estado e um tal de Rodrigo Constantino de boca calada.



  • anônimo  26/08/2013 19:53
    Esse é um problema comum, infelizmente. A maioria das pessoas têm dificuldade em entender que certas questões são complexas e a solução não é algo simples, mas sim algo que leva tempo. E justamente por causa desta complexidade elas descartam estas soluções e se apegam a explicações que fazem a questão parecer simples e de fácil solução.
  • Tiago RC  27/08/2013 13:26
    "Alguns dirão: Ah, mas se fosse numa democracia as coisas seriam diferentes."

    Só um adendo: quando os colonizadores deixaram a Somália, eles puseram uma democracia no lugar. Em menos de 10 anos se transformou numa ditadura violenta. Ou seja, o que você previu na verdade já aconteceu.

    "Para os céticos, aguardem: Em 20 ou 30 anos, veremos uma somália muito mais desenvolvida"

    Não sei não... não teria tanta fé nisso. Há alguma coisa errada com a Somália. Muita violência. Não é como se eles tivessem abolido o estado por compreenderem ideais libertários. Um outro estado só não surgiu imediatamente após a queda do precedente simplesmente porque nenhum dos "pretendentes" tinha poder de fogo suficiente para subjugar os outros, e não porque a população é uma grande fã da liberdade ou algo do tipo.
    Isso sem falar que as leis costumeiras da Somália são muito protecionistas (estrangeiros não podem possuir terras lá, por ex.). Ou esses costumes mudam, ou eles se privarão severamente de investimento estrangeiro, algo fundamental para se desenvolver nos nossos tempos.
  • Julio Heitor  27/08/2013 14:33
    Thiago RC,

    "Não sei não... não teria tanta fé nisso. Há alguma coisa errada com a Somália. Muita violência. Não é como se eles tivessem abolido o estado por compreenderem ideais libertários. Um outro estado só não surgiu imediatamente após a queda do precedente simplesmente porque nenhum dos "pretendentes" tinha poder de fogo suficiente para subjugar os outros, e não porque a população é uma grande fã da liberdade ou algo do tipo."

    Concordo com você. HAvia me esquecido que as mudanças começam na mente das pessoas. Se elas não conhecem ou não almejam a liberdade, o simpels fato de não haver um estado não significa que irão prosperar.

    Abraços!
  • Aprendiz  15/12/2015 12:48
    Do jeito que as coisas estão acontecendo por lá, uma mudança em direção ao anarcocapitalismo fica difícil, pois cada vez mais a presença do islamismo cria grupos irredutíveis.
    É certo: a luta da ONU pela "causa humanitária" só atrapalha a vida da sociedade em que ela se instala. Já não bastasse a intervenção estatal, desde de 1945 (se não me engano) existe a ONU para interferir também (um elefante incomoda muita gente, dois elef...).


    Tenho uma dúvida caros escritores do IMB e quero pô-la em situação hipotética, num país com o tamanho do Brasil: o estado está cada dia mais fraco, pois está endividado população questiona a eficiência de seus serviços; o conhecimento libertário começa a se espalhar pela sociedade; há um grupo espalhado por todo o país que defende a liberdade e quer a sociedade livre; há outros grupos que, vendo a fragilidade do estado, começam a tomar conta de alguns pontos do território (como em alguns morros do Rio).

    Sendo assim, me vem à cabeça: se o estado está saindo de cena e há gente querendo impor uma ação estatal e gente querendo uma sociedade libertária, para se fazer esse último não vai ser necessário uma luta armada? Sei que temos artigos que respondem várias questões, como esse e esse, mas ainda tenho essa dúvida. Talvez os artigos tenham resolvido essa minha questão e eu não entendi, mas peço para que alguém me estenda a mão e me ajuda a visualizar uma solução.
  • João Vitor  29/09/2013 01:41
    Olha, galera. Acho que o autor precisa saber diferenciar anomia de anarquia. Não acho um argumento válido utilizar a "morte" do Estado na Somália como um fator colaborativo para as "melhoras" por lá. É preciso tomar muito cuidado com esse simplismo.
  • Max Evangelista  30/08/2014 02:36
    Corrija-me se estou errado.

    Os estados africanos são tão miseráveis que uma nação sem estado não lhe faz diferença.
  • Emerson Luis  27/03/2016 10:01

    Resumindo: a Somália é um Estado cujo governo diminuiu pela fragmentação?

    * * *
  • mentat  16/10/2017 16:18
    www1.folha.uol.com.br/mundo/2017/10/1927313-atentado-terrorista-mostra-que-estabilidade-na-somalia-era-ilusoria.shtml
  • Aristóteles  16/10/2017 16:54
    Rapaz, bastou criar um estado oficial na Somália que a coisa cagou toda, hein?

    Impressionante.

    Aliás, eis aí a prova mais cabal da superioridade do anarcocapitalismo: ele funciona melhor que arranjo estatal até mesmo em países de quarto mundo como a Somália.

    Se, depois dessa, ainda houver nêgo dizendo que estado é necessário para manter a paz e a ordem, pode trazer o prêmio "orelha de jumento".
  • Ronaldo  04/06/2018 16:46
    A Somália foi anarquista por pouco tempo. Faz muito tempo que ela não é mais anarquista.

    O que acontece na Somália é o mesmo que acontece no Rio de Janeiro e na Venezuela, é um estado que perdeu o controle de tudo por conta de sua natural incompetência.


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