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O livre mercado e a segurança no trabalho

Não
é incomum ver a imprensa relatando, sempre com bastante furor, algum caso de
acidente de trabalho em que alguns trabalhadores ficaram gravemente feridos ou
até mesmo acabaram morrendo.  Sempre que
isso ocorre, descreve-se com minúcias o ambiente da tragédia como sendo de
completa irresponsabilidade e insensível desconsideração para com a vida humana,
sempre com o objetivo de forçar alguma credulidade.

Embora
seja impossível não sentir a máxima empatia por todos aqueles que perderam suas
vidas ou se feriram gravemente, bem como não levar em consideração o completo
horror que devem ter sofrido os sobreviventes, é necessário também identificar
o real objetivo destes relatos: fazer um ataque gratuito e totalmente
equivocado à busca do lucro [exemplo
extremamente recente aqui
],
e clamar por novas intervenções governamentais que sobrepujem os supostos
malefícios trazidos pela busca do lucro.

Quase
sempre, as soluções apresentadas são um aumento do orçamento do Ministério do
Trabalho, bem como poderes adicionais a esta entidade e a todas as outras
agências governamentais relacionadas à questão do trabalho, não obstante o fato relatado
comprove a total inutilidade e incompetência destas burocracias, bem como das
regulamentações governamentais, para impedir justamente estes tipos de
acidentes.  O corolário é sempre o mesmo:
não importa quão abismalmente falhas tenham sido as intervenções governamentais
até o momento, a solução é sempre dar mais poderes ao governo e aos burocratas.

Em
primeiro lugar, é preciso acima de tudo compreender que a segurança no trabalho
nunca é uma questão de preto no branco. 
É impossível aplicar fórmulas simplificadas para esta área.  É impossível determinar a partir de qual
momento há uma divisão clara entre, de um lado, a total segurança de um
trabalhador e, de outro, sua completa insegurança.  Afinal, por mais perfeita que seja a
situação, sempre haverá algo a mais que, em teoria, pode ser feito para
aprimorar a segurança no trabalho. 
Sempre será possível, ao menos em teoria, efetuar qualquer atividade com
mais segurança em relação à maneira com que tal atividade é atualmente
realizada.  E isso raramente, para não
dizer nunca, é mencionado. 

A
esperança é que, à medida que o tempo passe, a acumulação de capital se
intensifique e o progresso econômico se acentue, todas as atividades serão
realizadas com mais segurança do que são hoje, assim como praticamente tudo
hoje é realizado de maneira muito mais segura — desde construções civis a
viagens aéreas — do que era no passado, quando prevalecia uma menor
intensidade de desenvolvimento econômico. 
Porém, dada a própria natureza incontornável da mortalidade humana, será
sempre impossível fazer com que os perigos sejam completamente abolidos, e a
segurança total seja absolutamente garantida.

Por
exemplo, hoje, há um crescente uso de melhores e mais eficientes sistemas de
frenagens nos automóveis e em outros veículos motorizados.  No futuro, esperemos, caso o mercado seja
mantido livre e os governos não imponham novas regulamentações e tributações,
será possível haver, a custo reduzido, sistemas de frenagens automáticos controlados
por radares geridos por computadores. 
Porém, vale ressaltar que, mesmo com tais sistemas de freios, ainda
assim haverá riscos de colisões, pelo simples motivos de que ainda será
possível ocorrer uma falha nos computadores.

Segurança
e perigo existem e se manifestam em vários formatos distintos.  E, em todo e qualquer lugar, um aumento na
segurança e uma redução nos riscos irá ocorrer somente a custos
crescentes.  Melhorias na segurança que
não tragam custos adicionais ou que tragam apenas aumentos insignificantes nos
custos serão implementadas imediatamente — não há motivos para imaginar por
que isso não ocorreria –, tão logo se esteja ciente de sua existência.  Afinal, não implementar tais melhorias é o que
realmente seria custoso — em termos dos inúmeros danos que uma empresa poderá
sofrer caso não o faça.

Além
do problema dos custos, uma questão ainda mais complicada é o fato de que
segurança e perigo são conceitos avaliados distintamente pelas pessoas.  Há motoristas que, ao verem o semáforo
amarelo, entendem aquilo como um sinal de que devem acelerar para poder avançar
antes que ele fique vermelho, ao passo que há outros motoristas que respondem à
luz amarela reduzindo a velocidade com o intuito de parar o carro.  Há trabalhadores preparados para ganhar a
vida fixando rebites de alta temperatura em vigas de aço localizadas a mais de
100 metros do solo, e há trabalhadores que consideram o simples deslocamento de
suas casas até seu local de trabalho uma experiência geradora de grande
angústia.

Talvez
ainda mais importante seja o fato de que a variedade de condições com que
segurança e perigo se manifestam não possui absolutamente nenhum limite
prático.  Em termos de empregos, sempre haverá
algum tipo de perigo na produção de absolutamente todos os tipos de bens ou
serviços, sejam bens e serviços produzidos atualmente ou bens e serviços que
virão a ser produzidos no futuro.  Da
mesma forma, sempre haverá algum tipo de perigo em absolutamente todo e
qualquer método ou combinação de métodos por meio do qual bens e serviços sejam
ou venham a ser produzidos.

Por
causa destes fatos, não apenas é impossível conceber e implementar todos os
tipos de regulamentações que seriam necessárias para que o governo de fato
decretasse o que é seguro e o que não é, como também qualquer tentativa de
fazê-lo será algo comprovadamente arbitrário, e que facilmente poderá ter o
efeito de paralisar por completo todo e qualquer tipo de julgamento racional da parte dos indivíduos — pois estes estarão agora
condicionados a obedecer a todas as regulamentações burocráticas, e terão de
obedecê-las sob condições variadas, condições estas que os próprios autores das
regulamentações não previram e nem poderiam prever, ou sequer compreendiam
corretamente.  Empreendedores se
transformariam em meros autômatos desprovidos do uso da razão, limitando-se a
fazer apenas as coisas que se encaixassem nos moldes prescritos por burocratas.

O
que é essencial para a segurança não é uma variedade de regulamentações
burocráticas, mas sim a livre e motivada inteligência humana, bem como o uso da
razão, o que inclui a consideração dos custos de obter maiores graus de
segurança.  Ironicamente, a imposição de
custos excessivos para se alcançar um maior grau de segurança em uma
determinada área pode fazer com que haja uma redução acentuada no grau de
segurança em outras áreas, pois agora haverá uma menor disponibilidade de meios
para estas outras áreas.  E isso é um
fenômeno óbvio, pois vivemos na escassez. 
Se recursos estão sendo maciçamente deslocados para uma área específica,
em decorrência de decretos governamentais, então inevitavelmente haverá uma
escassez destes recursos em outras áreas.  Para utilizar um exemplo extremo, o custo de
sistemas de frenagens automáticos, controlados por radares geridos por
computadores, provavelmente ainda é tão alto que, qualquer pessoa que não fosse
extremamente abastada e que tivesse de instalar hoje tal sistema em seu
automóvel, estaria se privando dos meios essenciais para preservar sua própria
vida em todas as outras áreas, como a aquisição de alimentos, de vestuário e de
abrigo.  A aquisição de tal sistema de
frenagem tecnologicamente avançado, sob estas circunstâncias, acabaria
paradoxalmente gerando consequências indiretamente fatais sobre este indivíduo.

Sempre
que a segurança adicional vier a um custo alto, ela estará restringindo a
capacidade de se fazer provisões para outras necessidades e desejos — inclusive
a segurança — em outras áreas da vida.  E
isso permanece válido até mesmo quando os maiores custos de segurança são
inicialmente impostos às empresas em vez de diretamente aos consumidores.  Isso porque os maiores custos não irão ser
eternamente financiados exclusivamente pela redução dos lucros; a partir de um
dado momento, estes custos terão de ser repassados ou ao consumidor na forma de
preços mais altos ou aos trabalhadores na forma de salários mais baixos.  De novo, trata-se de um fenômeno inerente ao
fato de vivermos na escassez.

Os
crescentes custos empreendedoriais observados nas últimas décadas, em decorrência
tanto de legislações trabalhistas e ambientais como também do aumento da carga
tributária e de todos os tipos de regulamentações, possuem um peso enorme na
piora das condições econômicas de grande parte dos assalariados e do cidadão
médio em geral.  Aqueles que buscam uma
explicação para fenômenos como a crescente necessidade de duas fontes de renda
por família não precisam procurar por outros motivos mais exóticos ou
profundos.

Diferentemente
das contraproducentes intervenções governamentais e das bagunças burocráticas,
um mercado livre e desimpedido é capaz de produzir um maior grau de segurança
em uma determinada área da economia de maneira consistente com a satisfação dos
desejos e necessidades em todas as outras áreas da economia, de modo a aumentar
a segurança geral de todos.  Isso porque
um livre mercado opera sempre levando em conta uma adequada avaliação dos
custos.  Ao agir assim, o livre mercado
leva em devida consideração as diferentes maneiras como os indivíduos avaliam
segurança e perigo.

Todo
e qualquer aprimoramento na segurança do ambiente de trabalho serve, de uma maneira ou de outra, para
reduzir os custos, simplesmente porque gera uma
redução nos prejuízos e nos danos causados por acidentes.  Sempre que esta redução nos custos for mais
importante ou tiver mais valor do que o custo adicional a ser incorrido na adoção
e na manutenção daquilo que é necessário para obter um aprimoramento na
segurança, tal aprimoramento será implementado e mantido pelas empresas da
mesma maneira e com o mesmo entusiasmo que qualquer outro aprimoramento na
eficiência.

Ainda
mais importante, um livre mercado gera aprimoramentos na segurança mesmo para
aqueles caso em que tal medida não é compensada por aumentos na eficiência,
isto é, mesmo nos casos em que resultam na geração de custos adicionais
permanentes.  Tal é o caso quando os
aprimoramentos na segurança são desejados tão intensamente pelos assalariados,
que eles aceitam salários mais baixos do que seriam caso tal aprimoramento em
sua segurança não tivesse sido adotado. 
Quando isso ocorre, o aprimoramento na segurança novamente acaba por
reduzir os custos, revelando-se a medida mais lucrativa a ser adotada.

Todo
esse arranjo voluntário, guiado pelo sistema de preços, pela busca do lucro e
pela aversão aos prejuízos, traz melhorias muito mais significativas e mais
eficazes na segurança do que qualquer intervenção governamental possível de ser
concebida.

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67 comentários em “O livre mercado e a segurança no trabalho”

  1. Ao ler este artigo tive a impressão de que a segurança do trabalho não passa de um passivo (custos com acidentes de trabalho).

    Nesta situação o governo não precisaria estipular requisitos mínimos, pois todo capitalista seria inteligente o suficiente para prever que adotar alguns equipamentos ou metodologias trariam “mais valor”.

    Nesta teoria, é mais vantajoso (entenda-se mais barato) oferecer a segurança ao trabalhador do que arcar com acidentes de trabalho. E assim deveria ser, ninguém duvida.

    Mas não é isso que acontece. Me parece que o judiciário não tem muito apreço pelo “valor da vida” – diversas vezes 50 mil paga. Se ficou incapacitado, INSS banca.

    Tudo não passa de uma aritmética básica.

    Porém entendo ser ingenuidade acreditar que todo empresário prefere investir na segurança do que arcar com indenizações. Alguns preferem correr o risco, afinal a vida que está em jogo não é a deles, nem da família deles, mas “apenas” 50 mil, na velocidade do judiciário, quando o empregado for reclamar.

    Não vejo problema algum no Estado regular condições mínimas. Ex: para determinada profissão, exige-se luva e máscara. Infelizmente, se não for obrigado, sob pena de multa, alguns vão trabalhar sem isso.

    Afinal, porque alguém que vá cumprimir tais exigências seria prejudicado com a imposição destas? Só posso imaginar que esta pessoa não deseja cumprimir tais exigências na íntegra.

  2. Leandro,

    Este artigo me fez relembrar alguns conceitos básicos:

    Acidente de trabalho, assim como qualquer outro “acidente” é sempre resultado de atos e/ou situações de risco. Atos significa que um agente age com risco. Isso é quantificável. Situação é relativa ao ambiente e significa que o agente não faz ações de risco mas o ambiente onde a ação ocorre lhe é de risco. Isso também é quantificável.

    A produção de qualquer produto ou bem é necessariamente acompanhada de um processo (ato) em algum lugar (ambiente) e, portanto, está associado a um risco (não somente econômico, por exemplo, produzir mais que a demanda), mas também um risco físico (por exemplo, a fábrica de fogos de artifício explodir).
    Para cada classe de risco há uma série de medidas, algumas simples, outras nem tanto, para mitigar tais riscos. A mais simples delas será o seguro.

    O trabalhador que executa algum trabalho está sob um certo risco. Digamos que ele tenha que usar um protetor auricular, porque está em um ambiente com ruído acima de 80dB. Se não o fizer, estará se expondo a uma situação de risco e, provavelmente, terá problemas auriculares com o passar do tempo. Isso também é relevante na discussão: o fator tempo.

    Uma situação extremamente comum é o trabalhador não querer usar a proteção. Já vi muitos casos de o trabalhador não usar as proteções adequadas. Caberia ao empregador, neste caso, forçá-lo? Lembremos que se o custo do afastamento do empregado (eventualmente com a manutenção do seguro saúde pago pelo empregador) por um tempo recairá sobre o empregador.

    Por outro lado (já tive experiências também neste sentido) de o empregador não dar a mínima para segurança do empregado. No caso se tratava de estivadores; ora, por se tratar de uma mão de obra barata e abundante, o empregador simplesmente despedia o empregado, mesmo pagando qualquer coisa de multa e no dia seguinte já tinha outro no lugar. Neste caso o custo para o empregador pura e simplesmente era menor que oferecer quaisquer proteções aos empregados. Mas vejo que aqui há também a questão do respeito a propriedade alheia (isto é, sobre o corpo do empregado que está claramente em risco), o respeito ao direito a vida, único direito subjacente que os libertários parecem aceitar para se discutir qualquer coisa. Neste caso, como fazer com que o empregador realmente respeite esse direito e proveja as proteções mínimas? (Aqui teríamos que definir o que seriam essas proteções mínimas; engenheiros do trabalho adoram fazer essas contas e estabelecer o mínimo de segurança dentro de custos razoáveis (geralmente estipulados pelas empresas e conforme a legislação em vigor, mas deixa pra lá a questão da legislação e nos ater somente no cerne da questão), mas não sei até que ponto contratar um profissional desses seja interessante para o dito armador).

    Pensei em que o contrato de trabalho pudesse prever cláusulas de garantias ao trabalhador. Mas, mais uma vez, se trata de trabalhadores com pouca escolaridade, pouca informação até do que pode por em risco a sua vida. Neste caso, o que fazer? Deixar que realmente aconteçam mortes para que alguma providência seja tomada? E, se mesmo com as mortes os custos relativos ao empregador não forem tão altos que ele se sinta forçado a tomar providências? Gostaria de uma visão mais ampla do quadro de como o livre mercado possa ajustar tais situações.

    O texto do artigo em questão está muito bom, mas algumas dessas especificidades não foram faladas (talvez porque a realidade nos EUA seja diferente da nossa, ou talvez o articulista não quis aprofundar o assunto, sei lá).

    Abraços

  3. José R.C.Monteiro

    Saudações, trabalhei 25 anos em uma empresa estatal, segurança era fator primordial, e quase sempre havia medidas absurdamente desnecessárias, pobre empreiteiras e prestadores de serviços porque tinham que se manter na área, executando uma obra/trabalho, sob à egide de uma legislação elaborada por um “burrocrata” que nem conhecia do trabalho,e muitas vezes elaborava uma nova exigência. Empreiteiras faliram, trabalhadores ficaram desempregados, famílias sem amparo do chefe-do-lar. Desgraçados legisladores, fazedores de mendigos e alimentadores da crimininalidade, pois um desempregado tendo que alimentar a prole, faz de tudo, eu faria? Vocês fariam?
    Fico a pensar se a democracia é o modelo ideal para nossa nação.
    Aristóteles dizia que a democracia nada mais era que uma forma de governo, e que serveria em casos excepcionais, caso não existisse algumas condições [indivíduos iguais/auto-suficientes/aptidão para se defender/governo que jamais se intrometesse na vida privada/contratos solenes sem modificações/etc.] seria um regime “IMPRATICÁVEL”, ou melhor, seria uma doença degenerativa.
    Será que estarei errado em pensar que estamos caminhando a passos largos em direção da oclocracia?
    Mais uma vez mandaram bem, mataram à moda pau.

  4. É nestas horas que eu me lembro da minha época de milico.

    Foi lá que -apesar de contraditório- eu aprendi coisas que me deram base para chegar até o libertarianismo.

    Quando cheguei lá, vi aqueles figurões de farda, arrotando regras.

    O tempo pasa, e depois do acampamento você ve que aquilo ali é uma zorra!

    O pessoal tira serviço bebado, faz festa dentro do quartel, dirige os veículos militares bebados, toca zorra no alojamento…

    Simplesmente tudo porra louca.

    E se prescisar usar o fuzil, tá em prontidão.
    Se prescisar atravessar a cidade correndo debaixo de chuva pra fazer alguma coisa, tá em prontidão.

    E a coisa flui, e o serviço é feito. Sem estress.

    Competência não tem simplesmente NADA, mas NADA mesmo a ver com andar de terninho, arrumandinho, cheio de regras, com pastinha na mão e posando de máximo.

    Competência tem a ver com o resultado do serviço porra.

    Se ta bem feito, pronto acabou, e não me enche o saco.

    E lá você aprende a saber a hora que as coisas tem de ser feitas.

    Todo mundo pensa que a ordem vem de cima, mas simplesmente não é. A ordem brota espontâneamente de nós mesmos.

    De toda aquela baderna, a ordem surge naturalmente e a “missão” é cumprida, por um bando de doidão.

    E com uma eficiência que nenhum burocrata em seu armani jamais conseguiria.

    Essa coisa de “segurança no trabalho”, “dirigir sem 1ml de alcool no sangue”, entre outras é coisa de gente fresca que não sabe fazer o serviço direito.

    Receio que as gerações futuras sofram de uma pantofobia sem cura.

  5. Não me convenceu, pois basta estudarmos o que ocorreu no início da revolução industrial e da tendência do homem de explorar o outro ao máximo, pagando o mínimo (ganância)… Qualquer bom livro de direito do trabalho traz esta história da Inglaterra e outros países industriais no século XVIII e XIX e elucidam muito bem esta questão da exploração da mão de obra… ademais, para eles é vantajoso que a pessoa trabalhe o máximo possível, por isso uma jornada de 14 ou 16 horas é o ideal… e, tem pessoas que aceitam certos trabalhos por puro desespero de sobreviver e alimentar a família!!! \r
    \r
    E eu, que cursei direito, te digo que me submeteria à condições de trabalho crues para sustentar minha família se preciso fosse, o que muitos fazem…\r
    \r
    É uma ilusão achar que o mercado irá regular a segurança do trabalho, porquanto a segurança do trabalho é um custo para as empresas e estas querem se ver livres dos custos, quanto menos custo melhor!! Eu trabalho em uma empresa que deveria pagar periculosidade para alguns funcionários e não paga, pois espera que estes entrem no judiciário, procurando seus direitos… a grande maioria não entra com medo de perder o emprego… e, quando entra, a vida no trabalho vira um inferno… assim, só uma fiscalização séria mesmo… de qualquer forma, a fiscalização do governo é péssima e, os sindicatos no Brasil são todos pelegos, por causa do monopólio ou unicidade sindical (De acordo com este sistema de organização, somente é possível uma entidade sindical por categoria para uma mesma base territorial.)\r
    \r
    Em alguns rincões do Brasil, onde as instituições não funcionam, existe MUITO trabalho escravo sim senhor, uma quantidade imensa… eis um dentre muitos estudos http://www.scielo.br/pdf/ea/v14n38/v14n38a02.pdf\r
    \r
    De qualquer forma, ainda assim, com ou sem regulação do Estado ou privada neste ou naquele setor, continuará a máxima de que “Creio que, para serem felizes, os povos necessitam mais de homens íntegros do que de homens geniais.” E, posso te garantir que a maioria dos homens são geniais e não íntegros…\r
    \r
    Sds

  6. Espanha investiga empresa sobre chip para controlar funcionários
    Chip no celular emite um sinal que dispara um alarme em uma central quando detecta falta de movimento do trabalhador por um período de dez minutos.
    not.economia.terra.com.br/noticias/noticia.aspx?idNoticia=201111171044_BBB_80496327

    Nem 8 (falta de lei), nem 80 (legislar tudo).

  7. Klauber Cristofen Pires

    Tenho um leque de casos nesta área. Um deles:

    A B&W desenvolveu um sistema de segurança baseado na elasticidade dos parafusos que seguram o cabeçote de um motor, de modo que, havendo dentro do cilindro uma explosão (maior do que a necessária para fazer o motor funcionar), todo o cabeçote se ergue, expelindo os gases.

    Todavia, regulamentações estatais não aceitaram a nova tecnologia, de modo que uma válvula de segurança teve de ser improvisada no alto do cabeçote de cada cilindro. Uma válvula pequenina, apenas para servir “pró-forma”…

    Outro caso é conhecido do público – os para-choques foram há muito superados pelo sistema de deformação progressiva nos automóveis, mas as regulamentações obrigam as montadoras a continuar instalando-os…novamente, pró-forma – haja vista que na maioria são de plástico…

  8. Klauber Cristofen Pires

    Prezado Willian,

    Uma fabricante de motores marítimos como a B&W ou os fabricantes de automóveis tem um caríssimo patrimônio a zelar: a reputação.

    Sem reputação, sem vendas. Reputação é algo dificílimo de conquistar mas muito fácil de se perder. Bastam algumas notícias que mostrem que os carros são inseguros e lá estarão eles empacados nos pátios.

    Os processos que acabei de descrever são mais modernos e mais eficientes, mas a regulamentação estatal sempre – sempre – estará defasada em relação à inovação tecnológica.

  9. Comparar profissões ‘normais ‘ com trabalhos em que é impressindivel a existência de risco para que as pessoas tenham interesse é completa falta de noção. Além disso esses trabalhos requerem técnicas não industriais, ou seja, não são facilmente reprodutiveis. Ou vocês veem em cada esquina um atirador de facas?

    Alguns trabalhos de entretenimento, como o atirador de facas, o domador de leões ou qualquer coisa parecida, não pode ser utilizado como análise comparativa com outros trabalhos, como de um pedreiro ou de um soldador da industrial. Primeiro por que a intenção nunca é estar diante do risco. Nesse caso o risco é algo evidente mas sempre deve ser minimizado. No caso do atirador de facas, a busca pela diminuição do risco fadaria a profissão a inexistência. Ninguem quer ver um atirador de facas com uma mulher vestida de armadura.

    Enfim, poderia me alongar nas comparações aqui mas espero ter contribuido para o debate.

  10. Caro anônimo,

    Se você se chateou com o atirador de facas, utilize o domador de Leões como um melhor exemplo para o que falei anteriormente. Talvez assim você possa compreender. De qualquer forma, como sua intenção não é o debate, ainda aguardo que alguem lúcido comente o que eu disse de forma honesta.

  11. Pois bem,

    O atirador de facas, que tem o conhecimento técnico para tal, escolhe aleatóriamente alguem para servir de alvo? Acreditar que somente o atirador, e não a parceria entre as partes que faz o show acontecer não existe, é uma critério muito interessante. Mas talvez você não tenha compreendido realmente o que eu disse. No caso do Domador de Leões, que se arrisca na profissão, obviamente não seria interessante acabar com o risco e colocar um leão sem dentes. Isso não faria o menor sentido para a plateia, que paga pela possibilidade de ver o domador sem um braço.

    O Risco que existe nesse tipo de trabalho, ao meu ver – para ser honesto – não tem nada a ver com o risco que se tem em não utilizar o capacete num canteiro de obras.

    Portanto, a critica que o texto faz a regulação da segurança de trabalho e a sátira fotográfica feita está completamente descabida.

    Ainda aguardo outros. Luis foi insuficiente.

  12. “Ainda aguardo outros” hahahaha esta foi demais . O cara acha que os outros têm a obrigação de, sei lá, pegar ele pela mãozinha e levar para algum lugar. É cada um viu…

  13. “Cuide de sua vida(que parece ser patética).”

    Meu caro Luis, isso é ódio ou raiva a quem discorda de suas ideias? Tentemos manter o debate num nível mais interessante.

    O risco que um pedreiro corre ao não utilizar um capacete e o risco que um domador de leões ou um alvo do atirador de facas corre vão em direção opostas. Para o primeiro, da minimização do risco é o objetivo, pois o trabalhador, mesmo sabendo do risco, busca ao máximo minimizá-lo. Trabalhadores dessa categoria escolhem seus trabalhos normalmente a despeito do risco. Para os dois últimos, o risco é evidente e necessário, não devendo ser diminuido, pois negaria o objetivo do trabalho, que é executá-lo diante do risco iminente. É essa a mercadoria em jogo. O risco iminente. É isso que entretem a plateia. No caso dos pedreiro, o risco opera no exato oposto.

    Em seu comentário houve interpretações equivocadas. Em que parte dos meus comentários afirmei a necessidade do Estado? Em que parte do meu comentário afirmei que a “correção” para os riscos deveria acontecer? Apenas apontei como interpreto o risco diante do exemplo da foto e do que contem no texto. Enxergo-os de maneira completamente oposta, como expliquei acima. Releia o que você escreveu e veja apenas refleti sobre: ‘a lógica do risco de um trabalho “normal” é a mesma que a de um atirador de facas e seu alvo, ou de um domador de leões?’ Enfim, você foi completamente equivocado nas acusações.

    Bem, caso não queira discutir ideias, mas sim ofensas e pontuações fora de lugar, me avise. Se assim for, terminarei por aqui.

  14. Sinceramente,

    Alguém que vem a este site e coloca uma mensagem como anônimo, e xingando alguém que tenta realizar um debate, não merece nem ao menos uma réplica.

    Vamos ao que, de fato, foi escrito:

    Vinci:
    “Comparar profissões ‘normais ‘ com trabalhos em que é impressindivel a existência de risco para que as pessoas tenham interesse é completa falta de noção. Além disso esses trabalhos requerem técnicas não industriais, ou seja, não são facilmente reprodutiveis. Ou vocês veem em cada esquina um atirador de facas?

    Alguns trabalhos de entretenimento, como o atirador de facas, o domador de leões ou qualquer coisa parecida, não pode ser utilizado como análise comparativa com outros trabalhos, como de um pedreiro ou de um soldador da industrial. Primeiro por que a intenção nunca é estar diante do risco. Nesse caso o risco é algo evidente mas sempre deve ser minimizado. No caso do atirador de facas, a busca pela diminuição do risco fadaria a profissão a inexistência. Ninguem quer ver um atirador de facas com uma mulher vestida de armadura.”

    Eu:
    Antes de nos perdermos em interpretações quaisquer é bom bebermos melhor as palavras. Texto escrito não tem tom de voz ou quaisquer outras nuances da expressão corporal que bem caracteriza a comunicação humana, nem tampouco podemos partir de nossas premissas para assumir as premissas alheias (num texto escrito onde não conheço o oponente).

    Entendi a lógica do Vici e é racional. Para um site que sempre chama a atenção sobre racionalidade, ainda espero um réplica que contribua para o debate, e não somente acusações. O Luiz até tentou:

    Luiz:
    “Dizer “não tem nada a ver” é seu argumento?

    Tem tudo a ver. Ambos são riscos que a pessoa assume voluntariamente, em troca de um pagamento.”

    Eu:
    Mas depois descambou em acusações novamente. Evitemos isso e vamos ficar somente nos argumentos.

    Eu:
    A lógica do texto está em que, em um sistema completamente livre, leia-se sem Estado regulamentador, o próprio mercado se incumbiria de fomentar a segurança no trabalho concomitante com os custos relacionados em obter tal segurança. Dito isso, um pedreiro seria, forçosamente, levado pelo patrão a usar capacete, cabos anti-queda e outros equipamentos de segurança porque o custo relativo a um acidente e/ou a substituição da mão-de-obra (qualificada no caso), seria maior que o custo em se evitar o acidente (imagine um seguro de vida na casa dos milhares de reais a ser pago pelo empregador a família do empregado em caso de morte no trabalho). Em última análise, não é preciso regulamentação para o caso da segurança. De fato o texto faz uma paródia com o caso do atirador de facas, indicando que o risco é inerente a toda atividade profissional.

    É aqui que a lógica do Vici entra: para um pedreiro (e provavelmente para o empregador, consoante a lógica do texto), o interesse é a diminuição do risco; para o atirador de facas (leia-se a moça que lhe serve de alvo), o interesse é o aumento do risco. De fato, isso sugere que as comparações não podem ser feitas, ao menos não diretamente.

    Nesta, estou com o Vici, ainda aguardo mais réplicas, mas por favor, sem ataques, a não ser às ideias e nunca às pessoas.

    O que ainda não está claro na minha mente é como aconteceria a relação entre empregador/empregados para a diminuição do risco em certas áreas, notadamente em profissões com poucas exigências e especialização, e quais as “armas” que os empregadores teriam para negociar contratos que, de fato, lhe fossem “seguro (por exemplo, contrato com um seguro de vida na casa dos milhares de reais do meu exemplo acima). Não tenho dificuldade nenhuma em perceber que um engenheiro faria um tal seguro (seja pessoal, seja coletivo, para um obra por exemplo) seja porque tem mais conhecimento, seja porque tem mais capacidade de negociação.

    Obrigado pela atenção e abraços

  15. Vocês ( vinci e André ) partem do princípio que os trabalhadores são seres coitadinhos e precisam da proteção de alguém superior ( estado ) para protegê-los dos malvados capitalistas inescrupulosos buscadores de lucros, e que eles são incapazes de realocar sua mão de obra para outras áreas que não aquelas que estão no momento. Um pedreiro deve ser sempre pedreiro, não poderia nunca ser um marceneiro trabalhando para si ao invés de trabalhar para um malvado empregador. Essa é a visão socialista – que pessoalmente acho repugnante – que não aceita que as pessoas são seres capazes de se adaptar ao meio e que são soberanas de si mesmas.

    Quanto ao fato de se comentar anônimamente, seu comentário, André, não faz sentido, pois este site não exige cadastro para que sejam feitos os comentários. Quem garante que eu sou o mesmo catarinense que comentou acima, e não outro? O que me impediria de me identificar, de repente como vinci, e dizer que estava errado?

  16. Essa discussão é muito parecida com a da obrigatoriedade de contribuir para previdência, os defensores acreditam que uma legislação nesse sentido faria com que os trabalhadores sem qualquer prejuízo teriam melhores condições de trabalho ou então um fundo para aposentadoria(que na verdade não é fundo nenhum e sim um sistema de pirâmide), mas desconsideram que existem custos para esses benefícios e que diminui o número de empregos e joga os salários para baixo, por mais cruel que isso possa parecer é melhor que o trabalhador tenha a opção de ganhar mais pra correr certos riscos.

    ao meu contarreneo catarinense, aqui parece ter essa mentalidade(apesar de cada vez menor, principalmente por causa das escolas) de que se existe um acordo entre duas pessoas, não cabe a ninguém intervir, não tem tanto clamor por leis pra proteger disso ou daquilo é uma coisa que eu sempre tive orgulho mas que infelizmente estamos perdendo.

  17. Certo André, creio que boa vontade, honestidade, boa fé e responsabilidade são algumas das qualidades mais fundamentais que uma pessoa deve ter, e que infelizmente, a atual geração, da qual faço parte mas não compartilho os mesmos ideais, deixou de lado, em prol da incessante busca pelo prazer próprio e o desejo de aparecer para os outros, além da absoluta repulsa em arcar com qualquer tipo de responsabilidade.

    Quanto à parte do contrato, meu comentário foi mais uma crítica para a burocracia, e não os contratos em si. Peço desculpas se não me fiz claro o bastante. Os contratos são válidos sim, sem dúvida nenhuma, não foi meu objetivo afirmar diferentemente.

    Abraços!

  18. Caracas.

    Quanta ignorância! Desde quando um contrato precisa ser escrito para ser válido ou para ser chamado de contrato? Onde diabos se defende um tamanho absurdo aqui neste site?

  19. Guiherme Predebon

    Sem duvida o livre mercado se mostra como uma alternativa plausível principalmente tendo em vista sua implementação na maioria dos países que tem uma economia estável, mas ao ler o texto e as argumentações anteriores não consigo me desater da questão humana, pois não é fácil dizer não não a um a uma fonte de renda quando se esta realmente passando necessidade como a fome pro exemplo.

    Lembrando que os que realmente passam fome não vão expor seus ideais em discussões, por mais que os senhores tenham embasamento teórico e grande sabedoria em assuntos políticos/econômicos acredito não terem realmente passado fome ou outras varias formas de desespero real que um pai de família passa para dizer que simplesmente procure outro emprego, não é assim que funciona aqui em baixo. Na verdade é como foi colocado acima “é melhor ganhar qualquer coisa do que ficar parado” não estou dizendo que os empregadores são cruéis e inescrupulosos atras de seus lucros, mas que é inevitável que se queira diminuir custos dentro de um processo produtivo e realmente não estou convencido que o empresario vai por livre e espontânea vontade investir em segurança seu trabalhador mesmo que isto esteja afetando sua credibilidade pois como consumidor sei que o que importa de verdade é o preço baixo, não me interessa que tipo de produção determinado produto teve e sim o menor preço que podemos pagar. E acredito menos ainda que o empresario vai ter responsabilidade ambiental mesmo porque a maioria deles nem sabe o isto significa ou como no caso dos ruralistas que defendem a todo custo a ampliação das fronteiras agrícolas para dentro de unidades de conservação e mananciais que eles próprios ou sua próxima geração tanto vai precisar para continuar produzindo. do ponto de vista de um planejamento estratégico do próprio segmento isto é contraproducente.

    realmente não estou convencido de que neste momento o livre mercado sem nenhum tipo de regulação seria a melhor opção.

    Não há um meio termo? não seria possível simplesmente diminuir as intervenções do estado? me parece que a implementação do livre mercado no momento é pertinente só as abertura das fronteiras comerciais, deixando as questões trabalhistas e ambientais etc.. para um segundo momento.

    Uma comparação que interessante é da família onde o existem regras para criança se desenvolver em um ambiente saudável, um bom pai deve dar parâmetros para que a criança desenvolva a responsabilidade mas se não houver liberdade não há desenvolvimento, uma criança superprotegida tem dificuldades em se encaixar na sociedade assim como uma criança sem regra nenhuma também não se encaixará.

    lembrem se, o estivador “citado acima” que a meu ver é o mais vulnerável em termos de condições de negociação, neste momento não vai se manisfestar aqui e nem teria condições para tal pois partiu de um ponto bem atras dos senhores que aqui defendem suas ideias!

    espero ter contribuído com minha duvida sobre a possibilidade do meio termo neste assunto!

    Obrigado aos demais por compartilharem tão educadamente suas opiniões, muito construtivo!

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