Ron Paul anunciou que, caso eleito presidente dos EUA, uma das suas primeiras medidas para acabar com o déficit orçamentário de mais de US$ 1,4 trilhão do governo americano seria a imediata abolição de cinco ministérios e a consequente demissão de aproximadamente 221.000 burocratas.
Recentemente, o jornalista da CNN Wolf Blitzer fez uma pergunta a Ron Paul exatamente sobre essa questão, e sua resposta revela uma ótima maneira de se testar se uma pessoa aceita ou não as premissas fundamentais da moderna macroeconomia keynesiana.
Como relatou o site Politico,
Em entrevista à CNN, Paul foi perguntado por Wolf Blitzer sobre como a eliminação de aproximadamente 221.000 empregos públicos dispersos em cinco ministérios iria estimular a economia. Paul respondeu: “Esses empregos não são produtivos”.
E então, empregos públicos são ou não são “empregos produtivos”?
Produtividade
Primeiramente, é preciso ressaltar que Ron Paul não está sugerindo que tais empregos são de baixa ‘produtividade’ no sentido econômico do termo, isto é, no sentido de produção por hora. Paul não estava apenas sugerindo que funcionários públicos são preguiçosos. O que Paul quis dizer é que empregos governamentais não fornecem bens de consumo ou serviços para a sociedade.
Imagine que um determinado país A envie um embaixador para o país B. Se fossemos mensurar a produtividade do embaixador em termos de sua produção por hora, o denominador dessa equação seria simplesmente o número total de horas que o burocrata trabalhou. Porém, pense na produção do embaixador. A rotina diária de um embaixador consiste basicamente em encontrar-se com diplomatas estrangeiros, fazer negociações, escrever relatórios e memorandos, e se envolver na supervisão de alguns projetos diplomáticos. A soma de todos esses encontros, relatórios e supervisão de projetos daria a medida da “produção” do embaixador. Um embaixador que completasse um maior número destas tarefas seria mais produtivo do que outro embaixador.
Isso nos dá uma ideia da “produtividade” do embaixador no sentido puramente economicista do jargão.
Empregos produtivos
A esta altura já deve estar óbvio que Ron Paul, ao sugerir que empregos governamentais não são produtivos, não está exatamente preocupado com a produtividade econômica destes empregos. Afinal, em um sentido puramente técnico, eles são tão “produtivos” quanto qualquer outro emprego.
Em vez disso, o que Ron Paul está dizendo — e nisso ele é acompanhado pela maioria dos economistas seguidores da Escola Austríaca de Economia — é que as tarefas realizadas por um embaixador (ou por qualquer outro funcionário público) não apresentam uma função de mercado. Tais serviços não seriam demandados por ninguém em uma economia de mercado.
Em sua essência, o governo cria do nada uma demanda para estes serviços: a existência de embaixadores é o que gera o trabalho realizado por embaixadores. Eles não levam seus serviços ao mercado para vendê-los a qualquer indivíduo que porventura queira voluntariamente comprá-los. Os governos nomeiam embaixadores para realizar serviços que nenhum consumidor quer comprar.
Compare estes serviços aos serviços realizados por um indivíduo para cujo trabalho há uma genuína demanda — por exemplo, um engenheiro mecânico. Engenheiros mecânicos são contratados por clientes que não sabem como atender de maneira mais eficiente as necessidades de seus consumidores porque não possuem a solução para um determinado problema mecânico — como, por exemplo, transportar grandes cargas do ponto A até o ponto B, aumentar a velocidade na qual o bem X é produzido etc. O engenheiro mecânico desenvolve uma solução para estes problemas em troca da uma remuneração que irá corresponder à quantia de dinheiro que o cliente espera poupar ao adotar essa nova e mais eficiente solução.
O centro da questão
Dado que embaixadores são pagos com dinheiro coletado de impostos, ao passo que engenheiros mecânicos são pagos com o capital que foi acumulado por indivíduos e empresas, os empregos públicos criam a seguinte situação:
- Governos contratam e começam a pagar embaixadores.
- Governos tributam o público para pagar embaixadores.
- O público, por conseguinte, tem sua poupança total reduzida, gastaram parte dela pagando mais impostos.
- Com a poupança reduzida, o público possui menos capital para investir em projetos de engenharia.
Assim, pagar funcionários públicos significa retirar recursos econômicos da produção de bens e serviços demandados pelo mercado e desviá-los para o financiamento de serviços para os quais não há nenhuma demanda de mercado.
Foi a isso que Ron Paul se referiu quando disse que empregos públicos “não são produtivos”.
A alegação keynesiana e o teste decisivo

Se não nos aprofundássemos mais neste exemplo, de fato não poderíamos dizer que a alegação keynesiana está errada. A questão a ser analisada não é simplesmente se os funcionários públicos irão eventualmente gastar seu dinheiro em bens de consumo. Eles irão.
O teste decisivo é ver até que ponto um indivíduo acredita que o consumo dos funcionários públicos irá devolver o dinheiro à economia de forma tão uniforme e eficientemente distribuída quanto era antes dos impostos. Será que o dinheiro pago aos funcionários públicos simplesmente passa através da máquina estatal e retorna aos indivíduos de uma economia exatamente da maneira como estava distribuído antes? Ou será que a distribuição total do dinheiro é alterada quando o dinheiro é confiscado dos indivíduos produtores — que o utilizariam como investimento — e redistribuído a funcionários públicos que o utilizarão para consumo?
Gastos governamentais sob a perspectiva austríaca
No exemplo acima, os seguidores da Escola Austríaca diriam o seguinte:
- Como o governo contratou funcionários públicos, indivíduos que de outra forma estariam realizando outras atividades irão agora efetuar uma função extramercado, para a qual não há demanda.
- Como o governo paga os funcionários públicos com dinheiro que foi retirado de indivíduos do setor privado, recursos que estavam sendo utilizado na produção de um determinado tipo de bem ou serviço será agora redirecionado para a produção de serviços extramercados para os quais não há demanda.
Consequentemente, há uma alteração na distribuição de recursos na economia.
E o que ocorre quando os funcionários públicos gastam seu dinheiro consumindo bens e serviços? Novamente, voltando ao exemplo acima, os seguidores da Escola Austríaca diriam o seguinte:
- O dinheiro que alguns indivíduos tinham a intenção de gastar em projetos de engenharia mecânica foi transferido para funcionários públicos.
- Estes funcionários públicos, antes de incorrer qualquer outra forma de consumo, irão adquirir alimentos, roupas, moradias, serviços de saúde e outras necessidades.
O consumo dos funcionários públicos não devolve o dinheiro para aqueles engenheiros mecânicos que seriam os recebedores originais do dinheiro que foi tributado. Ao contrário, esse dinheiro será desviado para produtores de alimentos, de roupas, imóveis, de serviços de saúde etc. Se o dinheiro, de alguma forma, acabar voltando para os engenheiros mecânicos, será apenas uma minúscula fatia dos gastos em consumo dos funcionários públicos. Ou seja, será apenas uma pequena fração da quantidade original que iria para suas mãos.
Os economistas seguidores da Escola Austríaca se referem a esse fenômeno como a não-neutralidade da moeda.
Conclusão
Concorde ou não com a afirmação de Ron Paul de que empregos públicos “não são produtivos”, o grau com que você concorda irá fornecer um valioso discernimento sobre até que ponto você acredita na visão keynesiana a respeito do dinheiro na macroeconomia.
A perspectiva austríaca argumenta que todos os empregos estatais retiram recursos do setor produtivo e os desviam para a produção de bens e serviços que jamais existiriam sob condições de livre mercado ou que existiriam em quantidade e volume muito menores.
Neste sentido, empregos públicos não são produtivos.
Se um emprego público produz um bem de consumo ou serviço ele seria mais competitivo se fosse administrado por gestores mais competentes. Mas tem uns cargos publicos nada a haver mesmo, tais como:
– Analista Politico
– Arquiteto
– cobrador
– Agente Comunitário de Saúde
– Técnico e Analista Ministerial (sal +/- 4300,00) pra quê ????
Não dá pra entender pq o estado precisa criar um cargo de analista político. Houve uma explosão desse tipo de cargo voltado a area de humanas nesses últimos 10 anos, deve ser por causa do boom das comodities.
O melhor exemplo são os médicos que ganham sem trabalhar e muitas vezes com dois vínculos no mesmo horário.
Ele teria muito mais sucesso em diminuir o défcit se acabasse com os gastos dos EUA com defesa (que chega a quase U$ 1 tri por ano).
Vai demitir uma porrada de gente e economizar no máximo uns U$ 50 bi
Mas, ele é republicano, e os republicanos tem o rabo preso com a indústria bélica.
Mario, você sabia que dentro do partido republicano há várias pessoas que pensam diferente? Antes da eleição presidencial existe uma anterior muito importante dentro de cada partido… Só por que são republicanos não quer dizer que pensam exatamente da mesma maneira, as coisas não funcionam assim.
1) O autor argumenta; “Será que o dinheiro pago aos funcionários públicos simplesmente passa através da máquina estatal e retorna aos indivíduos de uma economia exatamente da maneira como estava distribuído antes? Ou será que a distribuição total do dinheiro é alterada quando o dinheiro é confiscado dos indivíduos produtores – que o utilizariam como investimento – e redistribuído a funcionários públicos que o utilizarão para consumo?”\r
Levando o raciocínio ao final, vemos que o serviço de um func. público desvia dinheiro de investimento para consumo, mas a via reversa também seria possível? Acredito que é possível. Então esse efeito de alteração de distribuição de dinheiro na economia seria parcialmente compensado, por que nem toda a renda retirada da economia seria para investimento e nem toda a renda destinada aos salários da função publica vai para o seu consumo. O texto deixa a transparecer que só haveria um tipo de distorção. \r
Acho que o problema maior é o fato de que o salario do func. publico decorre da imposição de tirar dinheiro do publico em geral. O governo, não gasta esses recursos tão bem quanto o setor privado. Por causa da demanda excessiva de serviço não pago diretamente ou subprecificado. \r
\r
2) O autor argumenta ainda que “Os governos nomeiam embaixadores para realizar serviços que nenhum consumidor quer comprar.” O serviço diplomático tem um certo “caráter” de Relações Públicas, ou seja, difundir conceitos, valores e ideias de algum pais; representar. \r
Por exemplo: algumas vezes, já vi jogadores de futebol veteranos difundir o clube que jogaram com o apelido de “embaixador do clube”. No poker, é muito comum as organizações de torneios contratarem ex-jogadores ou jogadores veteranos apenas “difundir” o evento.\r
É provável que uma parte -pequena- do serviço diplomático seria contratada pelo mercado. Kkk \r
Isso encaxaria com a primeira observaçõa. Haveria então uma demanda artificial pela maior parte do serviço diplomático. \r
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Sds
Vejam o vídeo; Top 10 Cidades mais ricas do Brasil. http://www.youtube.com/watch?v=aWBElF2YX8o&feature=related
Uma coisa curiosa. Brasilia tem a população de 2562000 pessoas. Fortaleza:2447000 Salvador:2676000 Belo Horizonte 2375000 Rio: 6323000
Observe a população de Brasilia é bem parecida com de Belo Horizonte,Salvador e Fortaleza.
Mas ! Quanto á questão é riqueza tudo muda muito. Brasilia é a terceira cidade mais rica do Brasil numa lista de 10 cidades. As capitais nordestinas não aparecem na lista.
Algo interessante Belo Horizonte é a quarta cidade mais rica com um PIB de 38 bilhões de reais. Mas ! Brasilia é a terceira com um PIB de quase 100 bilhões de reais. O Rio tem um PIB de quase 140 bilhões de reais.
Observe Basilia tem um riqueza mais de 2 vezes maior do que BH, sendo que suas populações são bem parecidas.
Brasilia tem 71% da riqueza do Rio e só 40% da população carioca.
Ainda compare á riqueza de Brasilia com as outras 10 cidades mais ricas.
CONCLUSÃO: Na minha opinião á Riqueza de Brasilia se explica pelo fato de ser Capital Federal e de possuir um número gigantestico de funcionários publícos bem remunerados, ganhando ótimos sálarios.
Não sei se Brasilia tenha outra fonte forte de riqueza forá desta para explicar tal exuberância,opulência.
Eu peço ao IBM uma opinião para ver se estou errado ou certo.
A RIQUEZA DE BRASILIA VÊM DE UM FUNCIONALISMO MUITO NÚMEROSO E BEM PAGO ?
Obrigado ! Gostaria de que alguém pudesse responder á mim essa pergunta.
Não sou econômista. Sou apenas um leigo que gosta de econômia e estatistica. Trabalhei diversas vezes como recenseador do IBGE.
Vejam este vídeo de nome sujestivo. “Sorria:você vive no país mais rico do planeta”
http://www.youtube.com/watch?v=rOTsKsXDHGY&NR=1 O vídeo da uma ideía da gastança de nossos politicos.
Uma experiência minha. Quanto via aqueles quadros de autores famosos como Leonardo da Vinci,Miguelanjo,Picasso,Portinari. Quadros de milhões de dóllares. Eu ficava abismato e me perguntava . Como podem valer tanto ?
Agora quando vejo a gastança com o Congresso,Assembléias legislativa e Câmara de Vereadoes. Mas ! Uma vez abismado e confuso me perguntou. Como podem gastar tanto dinheiro ?
È para deixar o cidadão “ABESTADO” como fala o deputado e humorista Tirica. Sò para exemplo o gasto da Assembléia Legislativa de MG, meu estado. A grana é tão alta, que muitas empresas nem de longe movimentão da dinheirama.
E todo mundo se pergunta como podem gastar tanto dinheiro. Tanto dinheiro!
armorgames.com/play/12491/shore-siege-2
Mais alguém aqui teve a impressão de que esse jogo em flash ilustra rapidamente a teoria austríaca????
(totalmente off-topic, eu sei)
Olá,\r
\r
Recentemente comecei a me interessar por economia e a visitar este site, o da Ordem Livre e Instituto Millenium. Meu interesse por política e economia se originou em um sentimento vago de que tudo está sendo regulado demais e os cidadãos são tratados como incapazes, sempre tutelados, e também pela percepção de que nossos impostos são muito altos, com pouca contrapartida. Tenho uma dúvida sobre este artigo: concordo que muitas funções públicas são criadas artificialmente, mas fiquei com a impressão de que vocês estão indo um pouco longe ao colocar tudo no mesmo barco. O Estado não precisa ser gigante e alguns órgãos são perfeitamente inúteis, mas acredito que a diplomacia seja necessária. O que a Escola Austríaca tem a dizer sobre que funções o Estado deve exercer ou não?\r
\r
Ana Beatriz
Concordo em boa parte do que foi dito no artigo mas senti falta de algumas ressalvas. Será que entendi corretamente?
Sem tais ressalvas fico com a impressão de que os seguidores da escola austríaca defendem um anarco-capitalismo, é o caso? Seria conveniente extinguir completamente o Estado e seus agentes?
Concordam que existem bens públicos não suscetíveis de serem ofertados pelo mercado? Como fazer com que a sociedade seja provida com bens e serviços cuja utilização não pode ser limitada a apenas alguns usuários? Como fazer com bens e serviços cuja utilização por alguns indivíduos não diminui a possibilidade de utilização por outros?
Ora, se alguns financiarem, por exemplo, iluminação pública, segurança pública e defesa nacional, todos poderão usufruir destes bens. Como será possível excluir os que se recusarem a pagar por eles? E pagar quanto? Como saber qual seria o preço correto já que os agentes obviamente tenderiam sempre a subestimá-lo? Como mensurar a utilização efetiva de cada um?
Em suma, minha pergunta é: como contar com o mercado para a oferta de bens que, por suas características próprias, não podem ser eficazmente precificados?
Pedro,
Não é possível. Imagine uma fazenda que aumenta o rebanho em 4 vacas leiteiras por ano. E que o governo confisque 1 vaca por ano, essa vaca não iria para outra fazenda estatal leiteira, mas sim para o abate e a carne destinada ao consumo dos funcionários públicos.
Não é possível fazer o reverso (pegar uma vaca que seria comida e transformar em vaca leiteira) uma vez que o confisco (se imposto sobre capital por exemplo) é sempre sobre vacas que seriam leiteiras de qualquer forma.
“por que nem toda a renda retirada da economia seria para investimento e nem toda a renda destinada aos salários da função publica vai para o seu consumo.”
É possível que 100% dos impostos coletados sejam retirados de investimento e não de consumo. Bom em uma sociedade pobre o estado pode chegar ao ponto de confiscar o consumo forçando pessoas a situação de pobreza (pessoas parariam de comer carne, outras de andar de carro, de ter eletricidade em casa e por ae vai). Mas não é geralmente o caso.
2)
“Por exemplo: algumas vezes, já vi jogadores de futebol veteranos difundir o clube que jogaram com o apelido de “embaixador do clube”. No poker, é muito comum as organizações de torneios contratarem ex-jogadores ou jogadores veteranos apenas “difundir” o evento. “
Você está confundindo garoto propaganda com embaixador. O embaixador do Brasil na França não é garoto propaganda do Brasil ele é só mais um burocrata.
Achei o texto até bem ameno para um austríaco. Em minha ótica a falta de produtividade, vulgo inutilidade do setor público é resumida quando o governo para cortar gastos fecham os órgãos e entidade públicas. Ao fazer isso eles mesmo assumem que são um centro de gastos. Alguém aí ja viu uma empresa privada decretar que vai trabalhar só meio período pra economizar?
É impressão minha ou o problema da produtividade dos cargos públicos é mais grave do que o explicado no texto?
O dinheiro das empresas(que seria usado para aumentar a produção de bens e serviços para, consequentemente, vender para um número maior de pessoas) vai para o governo em forma de impostos.
Se o governo, além de consumir os bens e serviços existentes, ainda inibe o aumente de produção dos mesmos, isso não gera uma visão de oferta x demanda meio esquisita?
Quero dizer… além de não serem produtivos, ainda tornam os bens e serviços produzidos em nosso país mais caros?
“Presidente argentina critica no G20 o ‘anarcocapitalismo’ financeiro ”
Creio que ela não sabe o que falou
Prezado Fernando Chicota e demais,
Como já disse antes, sou leitor freqüente, mas de poucos comentários, que me filio a 99% das idéias do site. Contudo, ainda não consigo visualizar a ausência completa do Estado.
Diante disso, gostaria de fazer algumas colocações e pedir, se possível, que vocês desconstruíssem meu raciocínio para que eu possa “enxergar o outro lado”. Obrigado desde já.
1º Em comentário por você (Fernando) postado no artigo “Empregos públicos são produtivos?”, você responde a uma participante que questionas sobre iluminação pública, segurança pública e segurança nacional com a seguinte pergunta:
“Mora em SP? Já foi pra Alphaville? Nunca viu um condominio particular?”
E é ai que está minha dúvida: O Alphaville, assim como todos os condomínios particulares possuem uma “estrutura estatal”. Eles possuem o síndico (poder executivo), o conselho de administração (poder legislativo), a empresa de administração (consultoria), existe as multas (restrição de liberdade – coação – poder judiciário), a contratação de empresas tercerizadas da preferencia do síndico e etc. Para conseguir construir sua casa no terreno que você comprou, você tem que ter o projeto aprovado pelo conselho (alvará). Se eles não autorizarem, você não constrói. Logo, assim como o governo com os cidadãos, o Alphaville restringe a liberdade de seus condôminos.
Alguém pode argumentar: “você mora no Alphaville se você quiser”. É verdade, mas com a extinção do estado a tendência natural não seria o surgimento das exigências privadas para suprir a ausência de legislação, ou melhor, a substituição da legislação publica pela legislação privada? Além disso, com o fim do estado a tendência não é o surgimento cada vez maior dos condomínios particulares (pois eles teriam a infra-estrutura necessária), logo, nós não teríamos mais a liberdade de escolha, pois todos teriam as mesmas, ou parecidas, exigências (restrições de liberdade).
Trazendo para o artigo, na completa ausência do Estado o que impediria o estatuto do Alphaville estabelecer que quem bebesse e dirigisse dentro do condomínio teria que pagar multa de R$XXXXX, ou, pior, que seria preso por 30 dias, pois como o poder de polícia não é mais exclusividade do estado, o condomínio poderia assumir tal responsabilidade? Alias, regras assim já existem. você só pode andar no condomínio até 20km/h, sob pena de multa de 50% do valor da taxa condominial (coação).
Imaginemos agora que os moradores de Alphaville precisam se locomover para fora do condomínio, logo eles precisam transitar por estradas privadas, estradas essas que também são utilizadas por outros condomínios. Pois bem, o proprietário das estradas, que recebeu um estímulo das empresas seguradoras que não querem pagar indenização decorrentes de acidentes, estabelece que naquela estrada ninguém pode passar de 60KM/H e que todos os motoristas que ali ingressarem devem fazer exame de urina para medir a dosagem de drogas e álcool no organismo, sendo que quem não fizesse o exame pagaria multa e seria preso por 24 horas. Os outros proprietários de estradas,também agraciados pelas seguradoras, achando a idéia boa, vez que o número de acidentes naquela estrada caiu para quase zero, e as indenizações também, começam a fazer as mesmas restrições. Onde ficaria nossa liberdade?
Por fim, o próprio Mises, no primeiro parágrafo do capítulo Intervencionismo do livro Seis Lições afirma:
“Diz uma frase famosa, muito citada: “O melhor governo é o que menos governa”. Esta não me parece uma caracterização adequada das funções de um bom governo. Compete a ele fazer todas as coisas para as quais ele é necessário e para as quais foi instituído. Tem o dever de proteger as pessoas dentro do país contra as investidas violentas e fraudulentas de bandidos, bem como de defender o país contra inimigos externos. São estas as funções do governo num sistema livre, no sistema da economia de mercado.”
E por diversas vezes ele afirma (ou dar a entender) que não defende a extinção do governo, mas sim a restrição de sua atuação, ou seja, o estado mínimo.
Diante disso, pergunto novamente, não é o estado um “mal necessário”, sendo que a briga deveria ser não para destruí-lo, mas sim para diminuí-lo?
Obrigado mais uma vez
Fernando, com todo respeito, suas palavras são uma piada, voce ta afirmando que uma sociedade totalmente livre, sem estado, seria perfeita, como se o ser humano em seu estado natural fosse um ser bom em 100% dos casos. Voce é contra as regulações do estado, entao me diz, sobre as leis de transito, hoje morrem milhares de pessoas no transito, na maioria dos casos por imprudencia, isso porque temos leis, sem elas voce acha que seria como? Seria um caos total, respeito zero. Sem o estado, como será a segurança publica, cada pessoa faria o que quisesse, se eu quiser te matar amanha, ta OK entao? O que impede das iniciativas privadas colocarem regras abusivas, do mesmo modo, ou piores que o estado? Não venha me dizer que ninguem iria consumir serviços de empresas abusivas, quando se é obrigado, não existe isso de oferta e procura.
O que me parece é que voce ta idealizando um mundo completamente utópico na sua cabeça, onde não haveria pessoas más intencionadas, como se o mercado controlasse todos os aspectos da sociedade, eu só posso é rir disso.