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A filosofia da miséria e o novo nacional-desenvolvimentismo do governo brasileiro

Dentre
todas as inúmeras concepções erradas e falsas doutrinas que assombram o
pensamento econômico, há uma que se destaca e que pode ser considerada, sem
rivais próximos, a mais destruidora e nociva de todas elas: a ideia de que
vivemos em um mundo de abundância, um mundo em que não há escassez.

Tal
ideia se resume a crer que o principal problema de uma economia não é a criação
de riqueza — isto é, a produção de bens e serviços.  O problema seria simplesmente estimular o
consumo de maneira igualitária.  Por
exemplo, peguemos o inevitável exemplo da “saúde gratuita e de qualidade para
todos”.  Seus defensores apenas exigem
que todas as pessoas possam consumir esse bem gratuitamente.  Nenhum deles jamais se preocupa em explicar
como tal bem será produzido e distribuído de maneira racional e gratuita entre
todos os seus consumidores.  A produção e
a criação não fazem parte da súmula de preocupações destas pessoas.  É como se serviços de saúde, remédios e todos
os tipos de tratamento médico, desde cirurgias até engessamento de braço,
fossem bens amplamente disponíveis na economia, bastando apenas que haja uma
“distribuição correta” de dinheiro para que eles possam ser consumidos
igualmente por todos.

Essa
visão de mundo parte do princípio de que bens e serviços surgem do nada e estão
ali, inertes na natureza, apenas esperando serem descobertos e consumidos — e
para que isso ocorra, basta o governo tributar, imprimir dinheiro e gastar. 

Porém,
como perfeitamente pode compreender qualquer ser que se disponha a fazer uso de
sua razão, nenhum bem ou serviço surge pronto do nada.  Todos eles precisam ser criados e
trabalhados.  Um carro não surge do
nada.  É preciso trabalhar o aço, o
alumínio, a borracha e o plástico que irão formá-lo.  E esses quatro componentes também não surgem
do nada.  Eles precisam ser extraídos da
natureza ou fabricados.  O mesmo é válido
para todos os outros bens de consumo que você possa imaginar, de laptops a
aviões, passando por parafusos, palitos de dente e fio dental.  Todos precisam ser trabalhados.  De nada adianta o Banco Central imprimir
dinheiro ou o governo aumentar seus gastos — aumento da quantidade de dinheiro
ou aumento dos gastos do governo não podem abolir a realidade da escassez; não
podem driblar e contornar o problema da produção, fazendo com que os bens
finais surjam como em um passe de mágica.

Vejamos
um exemplo simples que, em sua essência, revela como é extremamente complexa a
estrutura de produção de uma economia.  Imagine
uma simples empresa que venda presuntos. 
Tudo o que você precisa fazer para adquirir seus produtos é ir até a
gôndola de um supermercado, pegar a iguaria com a marca dessa empresa, ir até o
caixa e pagar.  Um cidadão comum dificilmente
faz uma pausa para pensar em todo o processo produtivo por trás daquele simples
presunto.  Muitos creem que fazer um
presunto é algo simples.  Muito pelo
contrário. 

Em
primeiro lugar, a empresa que fabrica presuntos precisa ter instalações
adequadas para mantê-los bem conservados enquanto estiverem estocados. 
Isso significa ter um armazém com um bom sistema de refrigeração.  O
sistema de refrigeração necessita de manutenção e reparos constantes.  Isso
significa custos com mão-de-obra.  Esse sistema precisa também de peças de
reposição, e tais peças são geralmente feitas de aço.  E como se obtém o
aço?  Compra-se de uma siderurgia.  E como a siderurgia fabrica o
aço?  Como o aço é uma liga de ferro e carbono, é preciso antes escavar
minas para achar ferro.  Portanto, a siderurgia tem de comprar ferro das
mineradoras, e as mineradoras têm todo o seu processo de produção.  Vamos
parar por aqui, pois, caso contrário, poderíamos nos estender infinitamente.

Após
ter sido produzido pela siderurgia, o aço precisa ser transportado para a
empresa de refrigeração que irá montar todos os insumos para fazer o
equipamento de refrigeração.  O transporte normalmente é feito por uma
empresa terceirizada.

Observe
que ainda estamos falando apenas do sistema de refrigeração que vai conservar o
presunto.  Só aí já vimos várias etapas da cadeia produtiva; vários
processos de produção, sendo que cada um desses processos tem várias etapas.  Agora vamos falar mais especificamente do
presunto.  O presunto, obviamente, não
surge do nada.  Quem o traz?  Uma empresa de transportes.  Ela o
traz de onde?  De um frigorífico.  E
onde o frigorífico arrumou a matéria-prima (porcos) que se transforma em
presunto?  Em um abatedouro.  Quem fornece para o abatedouro?  Um
suinocultor.  Qual a função do suinocultor?  Criar os porcos. 
Como se cria porcos?  Com milho e soja.  Onde ele arruma milho e
soja?  Com agricultores.  E estes precisam de fertilizantes, que
precisam ser manufaturados por vários outros processos de produção, e assim por
diante.

Ou
seja, aquele simples presunto que você compra no supermercado só chegou àquela
prateleira após passar por várias etapas de uma intrincada cadeia produtiva. 
E todo esse longo processo não pode ser contornado, driblado, evitado ou
abolido por meras políticas governamentais. 
Tampouco políticas sociais ou redistributivas podem fazer com que haja
presunto farto para todas as pessoas de uma economia.  Tudo precisa ser trabalhado e produzido para
que venha a existir.

Quando
se entende essa realidade de que vivemos na escassez e de que tudo precisa ser trabalhado
e produzido para que possa existir, é fácil concluir que, sempre e em todo
lugar, haverá trabalho a ser feito.  Seja
na fabricação de um bem de consumo, seja na prestação de algum serviço.

E
é justamente a ignorância tanto desta realidade — a de que vivemos na escassez
— quanto de sua consequência direta — que tal escassez significa que há uma
infinita necessidade de trabalho e produção — o que está por trás de
absolutamente todas as políticas danosas que frequentemente são implementadas
com o objetivo de “estimular a economia” ou “proteger os empregos”. 

É
essa ideia de que não há escassez — e que, logo, há um número fixo de empregos
na economia — que está por trás de políticas inflacionistas, assistencialistas,
regulatórias e de aumento gastos governamentais. 

E
é também essa ideia que está por trás de todas as políticas protecionistas.

“As importações destroem empregos!”

Como
todos que se dão ao trabalho — e ao desgosto — de acompanhar o noticiário
econômico bem sabem, o governo brasileiro vem adotando políticas protecionistas
de vários tipos, que vão desde o aumento de tarifas de
importação
até a surrada prática da substituição de importações (com
a participação do BNDES, por favor
). 
A ideia que sustenta tais políticas é uma só: impedir que os chineses e os
coreanos — que se atrevem a nos vender a preços baixos produtos que queremos
comprar — destruam empregos aqui no Brasil, ou, o que dá no mesmo, impedir que
“nossos empregos” sejam exportados.

É
importante fazermos uma análise mais detalhada desta recente e vigorosa
ascensão protecionista e nacionalista, pois a própria existência do livre
comércio — e de toda a prosperidade por ele trazida — depende disso.

Considere
esta notícia:

Em meio a uma invasão de importados, a indústria nacional
de calçados enfrenta dificuldades para manter empregos e até transfere sua
produção para outros países. Dois grandes grupos empresariais do Rio Grande do
Sul, principal pólo do setor no país, fecharam fábricas e levaram a produção
para a Nicarágua e para a República Dominicana. O objetivo é aproveitar acordos
comerciais desses governos com os EUA e criar unidades voltadas ao mercado
americano.

A Abicalçados (associação da indústria do setor) diz que
outras dez empresas podem tomar o mesmo rumo. A Argentina também recebe
empresas brasileiras, que planejaram a mudança devido às barreiras para vender
ao país vizinho. O grupo Schmidt Irmãos, que tinha uma série de fábricas no
interior gaúcho, transferiu a produção para a Nicarágua no ano passado. O
governo nicaraguense divulgou que o investimento da empresa brasileira será de
US$ 25 milhões. A unidade em uma zona franca da Nicarágua precisa receber até
máquinas e insumos vindos do Brasil, devido à escassa estrutura industrial do
país. Procurado, o grupo preferiu não se pronunciar.

Dona de marcas como a Ortopé, a empresa Paquetá, de 12.500
funcionários, fechou em agosto uma fábrica em Sapiranga (RS) e a transferiu
para a República Dominicana. Centenas de vagas de trabalho foram perdidas. A
empresa disse que tomou a medida para “manter a competitividade industrial e
continuar crescendo”. A valorização do real também influencia na decisão. A
federação dos trabalhadores do setor no Estado fala em risco de
desindustrialização e diz que há  debandada para locais que oferecem
salários mais baixos. A produção no acumulado do ano no país caiu. Até agosto,
a exportação de calçados brasileiros recuou 25% ante o mesmo período de 2010.
Enquanto isso, o volume de mercadorias importadas subiu 18%. A Indonésia quase
dobrou suas vendas ao Brasil.

Ou
seja, além dos chineses e dos coreanos, agora pelo visto também temos de nos
“proteger” dos nicaraguenses e dos dominicanos. 
E não precisamos ficar apenas nos exemplos diretos de perda de empregos
e transferências de indústrias para o exterior. 
Podemos pegar também o exemplo da transferência virtual de empregos.  Por exemplo, quem é da área de Tecnologia da
Informação sabe perfeitamente que sua maior concorrência não está aqui no
Brasil, mas sim na Índia, onde há técnicos plenamente capazes dispostos a
trabalhar por salários menores do que seus congêneres brasileiros (e
principalmente americanos).  Este é um
dos motivos de os salários desta área, como recentemente nos disse um leitor
que atua neste setor, estarem relativamente estagnados, por mais crescente que
seja a demanda por tais serviços.

E
isso é fácil de entender.  Ao passo que
um engenheiro de software americano exige um salário de pelo menos US$ 100.000
por ano, e um brasileiro se contenta com uns US$ 30.000 (R$ 52.000), um
competente indiano fica plenamente satisfeito com um salário de US$
20.000.  Fazendo uso de modernos
equipamentos de telecomunicação, este indiano poderá trabalhar desde a Índia
tão eficazmente quanto se estivesse fisicamente presente no Brasil ou nos
EUA.  Nos EUA, inclusive, há um fenômeno
que vem assombrando o establishment
médico daquele país (e que rapidamente pode aportar aqui no Brasil): o número
de radiologistas, segundo a imprensa, vem declinando significativamente.  Isso ocorre simplesmente porque as imagens
por ressonância magnética podem perfeitamente ser enviadas pela internet para
radiologistas da Ásia plenamente capazes de diagnosticar o problema, e que cobram
por isso apenas uma fração do que cobra o altamente cartelizado setor médico
americano.  Tem-se aí um ótimo exemplo de
como o livre mercado trabalha para manter os custos sempre baixos.

O
que nos interessa aqui é observar que não há diferença entre substituir um
trabalhador no Brasil por outro na Ásia, ou transferir uma fábrica para a
Nicarágua e para a República Dominicana, ou desempregar trabalhadores de
indústrias cujos produtos não conseguem concorrer com produtos importados mais
baratos — no final, o desemprego nestes setores aumentará. 

E
é aí que surgem os protecionistas com suas lamúrias sobre o livre comércio
gerar desindustrialização, perda de renda, miséria e estagnação econômica.

Donde
vem a pergunta: quais são realmente os fenômenos gerados pelo livre comércio?  Eles devem ser temidos?  Seriam eles um ataque ao nosso padrão de vida
e, consequentemente, justificariam intervenções governamentais concebidas para
controlá-los?

Para
responder a esta pergunta, temos acima de tudo de entender a lei das vantagens
comparativas e a distinção entre ‘valor’ e ‘riqueza’, algo que David Ricardo já
havia feito em seu “Princípios
de economia política e tributação
“. 
‘Valor’ deve ser entendido como a renda monetária, e ‘riqueza’ deve ser
entendida como os bens e serviços que a renda monetária pode adquirir.  Ou, colocando de outra forma, ‘valor’ é o dinheiro
utilizado em uma troca, e riqueza é aquilo que é recebido nessa troca.

Assim,
comecemos abordando o exemplo mais fácil: engenheiros de software brasileiros sendo
substituídos por asiáticos que recebem salários menores.  O motivo desta substituição estar ocorrendo é
óbvio: os brasileiros não estão dispostos — ou os custos trabalhistas são
maiores aqui, o que dá na mesma — a aceitar salários tão baixos quanto os de
seus concorrentes asiáticos.  Logo, o
custo de tal serviço é maior aqui do que na Índia. 

E
o fato de os brasileiros não estarem dispostos a aceitar esta redução salarial
implica que eles preferem ir para outras linhas de produção (isto é, outros
empregos) que, embora ofereçam salários menores do que aqueles que receberiam
nos empregos que acabaram de perder, não requerem reduções tão severas quanto
as que seriam necessárias para que eles se tornassem competitivos nos empregos
agora preenchidos por indianos.

Por
exemplo, supondo que os engenheiros de software ganhavam R$ 6.000 por mês e não
aceitaram reduções salariais, de modo que indianos e chineses foram contratados
em seu lugar, eles agora terão de se mudar para empregos que irão pagar,
digamos, R$ 5.000 ou R$ 4.000.  Estes
engenheiros, ao se mudarem para outros ramos da economia, irão levar todo o seu
conhecimento e aptidão para estes setores, aumentando a oferta e melhorando a
qualidade dos serviços.  E,
principalmente, a maior oferta de mão-de-obra nestes setores irá reduzir os
custos.  Caso o fenômeno que está
ocorrendo com radiologistas nos EUA ocorra aqui no Brasil, o efeito será o
mesmo: uma maior oferta de médicos em outras áreas da saúde, o que levará a uma
redução real (isto é, descontada a inflação gerada pelo aumento da oferta
monetária) dos preços — algo sempre bem-vindo.

E,
como explicado no início do texto, o fato de vivermos em um mundo de escassez
implica que sempre haverá, em todo e qualquer lugar, serviços (empregos) a
serem feitos.  Em teoria, não há por que
haver desemprego.  Logo, o fato de haver
desemprego no mundo real se deve às regulamentações governamentais, as quais
geram esse descasamento entre a demanda por trabalho, sempre infinita, e oferta
de mão-de-obra, naturalmente escassa (tal fenômeno foi explicado mais
detalhadamente aqui).  Consequentemente, se são as regulamentações governamentais
que atrapalham o remanejamento da mão-de-obra deslocada pelas forças de
mercado, então são elas que deveriam ser abolidas, e não o livre comércio.

Expandindo o raciocínio

Toda
a explicação acima pode ser expandida para a economia como um todo.  Basta generalizarmos a situação.  Assim, imagine que vários setores da economia
brasileira — automotivo, calçados, siderúrgicos, têxteis etc. — sejam
confrontados por concorrentes estrangeiros ofertando produtos baratos que os
consumidores brasileiros voluntariamente optam por comprar.  Tal concorrência desemprega vários
trabalhadores brasileiros, os quais terão agora de ir para outros setores.  Isso irá gerar uma redução na renda monetária
destes indivíduos.  Porém, e isso é o
mais importante, a redução na sua renda monetária sempre será menor do que a redução nos custos implantada
por seus concorrentes.  Ou, colocando de
outra forma, a redução nos custos será maior do que a redução na renda
monetária.

E
isso é fácil de entender.  Quando uma
empresa busca reduções de custo (a genuína concorrência no mundo atual se dá
por meio da redução de
custos e não da redução de preços nominais
) e consegue continuar produzindo
o mesmo tanto de antes com uma mão-de-obra menos dispendiosa — ou com insumos
mais baratos –, isso gera um aumento líquido na produção total de toda a
economia.  Reduzir custos de produção
significa, geralmente, encontrar uma maneira de produzir a mesma quantidade de
bens com menos mão-de-obra.  Isso faz com
que haja um aumento na produção total da economia, pois a mão-de-obra que foi
dispensada deste setor está agora livre para ir produzir mais bens em outras
áreas do sistema econômico. 

Vale
a pena enfatizar esse fenômeno:  o que
ocorre nestes casos é que a mão-de-obra e os insumos mais dispendiosos são
liberados de um setor (calçadista, automotivo etc.) e, com isso, podem ser
utilizados para expandir a produção de outros setores comparativamente mais
importantes.  Ao mesmo tempo, mão-de-obra
e insumos menos dispendiosos são retirados das linhas de produção
comparativamente menos importantes e direcionados para este setor em que houve
as demissões — e cujo tamanho agora foi reduzido.

Este
contínuo processo de substituição de mão-de-obra e materiais mais caros por
mão-de-obra e materiais menos caros gera um ganho econômico líquido,
equivalente a um aumento na produção, pois a produção de algo considerado mais
importante pelos consumidores está sendo aumentada em detrimento da produção de
algo considerado menos importante.

As
fronteiras geográficas que delimitam estes processos são irrelevantes.  O efeito de trabalhadores da indústria de
calçados gaúcha sendo desalojados por sapatos chineses é o mesmo de uma padaria
de bairro dispensar seus empregados porque uma grande rede varejista se
instalou na vizinhança e está roubando clientes.  Em ambos os casos, desde que haja plena liberdade de comércio e desimpedida mobilidade da mão-de-obra, haverá uma maior produção em
outros setores e uma consequente maior oferta de bens na economia como um todo.  É desta forma que as reduções de custo
trazidas pelo livre comércio beneficiam os próprios brasileiros. 

Logo,
vale repetir: se são as regulamentações estatais que atrapalham o remanejamento
da mão-de-obra deslocada pelas forças de mercado, então são elas que deveriam
ser abolidas, e não o livre comércio.

Apenas
quando se entende todo esse processo é que se torna possível entender como as
reduções de custos geradas pelo livre comércio aparecem como reduções reais de preços nos bens e serviços que
os brasileiros compram.  Tais reduções de
preços ocorrem porque as reduções nos custos são maiores do que o declínio nos
salários.  Em outras palavras, os
salários reais dos brasileiros — e
não os salários nominais — aumentam.  E
isso é algo totalmente visível.  O número
de horas trabalhadas necessárias para se adquirir bens e serviços vem caindo ao
longo dos anos, não obstante toda a inflação monetária e consequente aumento
nominal dos preços gerados pelo governo. 
Esse fenômeno representa bem o princípio ricardiano das vantagens
comparativas e da distinção entre valor e riqueza.

Não
obstante tudo o que foi dito, é claro que, se analisarmos exclusivamente a
situação de um grupo isolado da economia, principalmente o daqueles
assalariados que tendem a ganhar salários mais altos — como os engenheiros de
software, os radiologistas ou mesmo os operários sindicalizados da indústria
automotiva –, o declínio de sua renda é muito mais acentuado do que qualquer
eventual declínio nos preços de bens e serviços que os membros destes grupos
tendem a consumir.  Porém, da mesma
maneira, para cada um destes exemplos pode-se citar inúmeros contra-exemplos de
brasileiros que são beneficiados por reduções nos custos de serviços de
informática e serviços médicos e nos preços de automóveis e sapatos.  E sem terem sofrido nenhuma redução salarial.

Conclusão

A
divisão do trabalho é algo infinito, e o fato de vivermos em um mundo de
escassez significa que sempre haverá serviços a serem feitos.  Consequentemente, sempre haverá empregos para
todos.  O fato de isso não ocorrer hoje
se deve às várias intervenções do governo no mercado de trabalho — são os encargos
sociais (INSS, FGTS normal, FGTS/Rescisão, PIS/PASEP, salário-educação, Sistema
S) e trabalhistas (13º salário, adicional de remuneração, adicional de férias,
ausência remunerada, férias, licenças, repouso remunerado e feriado, rescisão
contratual, vale transporte, indenização por tempo de serviço e outros benefícios),
além do salário mínimo, que provocam esse descasamento entre demanda por
trabalho e oferta de mão-de-obra.

O
livre comércio por si só não gera desemprego. 
Muito pelo contrário: ele possibilita a expansão do emprego e o consequente
desenvolvimento de outros setores até então pouco ou nada explorados, além de
gerar redução de custos e aumento dos salários reais na economia.  As pessoas que são demitidas das indústrias
menos eficientes (que não conseguem concorrer com os produtos importados) e não
conseguem outros empregos devem debitar ao estado e às suas regulamentações
esse seu atual suplício.  O que elas não
podem fazer é utilizar justamente o governo para impedir que outras pessoas
voluntariamente adquiram os produtos de seus concorrentes.


também efeitos indiretos gerados pelo livre comércio.  Países que abrem suas economias expõem seus
empreendedores ao mercado global, algo que os obriga a ser eficientes,
inovadores e ousados.  De quebra, todo o
país é obrigado a melhorar suas referências em educação e a aperfeiçoar seu
ambiente burocrático, diminuindo impostos e regulamentações, e aprimorando sua
infraestrutura — um setor em que, caso o estado se retirasse de cena, haveria
grandes oportunidades para a livre concorrência fazer seu trabalho.

Por
trás do protecionismo está justamente a ideia de que os empregos são limitados
e de que não há a possibilidade de exploração de novas áreas da economia.  Fosse o governo habitado por seres
minimamente racionais em termos econômicos, todas as leis anti-emprego e
anti-empreendedorismo já teriam sido repelidas juntamente com todas as tarifas
de importação e todas as regulamentações anti-comércio.  E isso traria um benefício enorme para toda a
população, principalmente em termos de renda real.

Por
fim, nunca é demais ressaltar que o desenvolvimento econômico da China, da
Índia, dos países do leste asiático e de todos os países considerados como de
terceiro mundo, em conjunto com sua total integração a um sistema de divisão
global do trabalho, é algo que deve ser fervorosamente desejado por qualquer
pessoa que genuinamente entenda os benefícios do livre comércio e reconheça
toda a prosperidade por ele gerada.  Tal
desenvolvimento econômico, se deixado livre, geraria, além de todos os
benefícios das vantagens comparativas, a máxima economia de escala possível em
cada setor da produção.  Mais ainda: cada
ramo da ciência, da tecnologia, da invenção e da inovação empreendedorial
passaria a ser buscado por um número cada vez maior de indivíduos inteligentes
e altamente motivados.  O resultado
inevitável seria um progresso econômico mais acelerado ao redor de todo o
globo, o que elevaria o padrão de vida de todos para um nível muito acima do
atual padrão vigente nos países mais ricos da atualidade — algo
desesperadoramente necessário nesses tempos de crise econômica aguda.

O
protecionismo nada mais é do que o medo dos incapazes perante a inteligência e
as habilidades alheias.  Tal postura,
além de moralmente condenável, por ser covarde, é também extremamente
perigosa.  Como já alertava Bastiat, se,
ao invés de nos permitirmos os benefícios da livre concorrência e do livre
comércio, começarmos a atuar incisivamente para impedir o progresso de outras
nações, não deveríamos nos surpreender caso boa parte daquela inteligência e
habilidade que combatemos por meio de tarifas e restrições de importações acabe
se voltando contra nós no futuro, produzindo armas para guerras ao invés de
mais e melhores bens de consumo que eles querem e podem produzir, e os quais
nós queremos voluntariamente consumir.

Como
disse Bastiat, quando bens param de cruzar fronteiras, os exércitos o
fazem.  O mundo seria incalculavelmente
mais rico e desenvolvido caso as pessoas lessem mais Mises e Bastiat, e menos
Marx e Keynes.

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136 comentários em “A filosofia da miséria e o novo nacional-desenvolvimentismo do governo brasileiro”

  1. Ótimo texto, Leandro.

    O que é mais irritante é ver que as mesmas pessoas que defendem “distribuição de renda”, defendem protecionismos. É incoerente ao extremo. Quer melhor distribuição de renda do que essa que está ocorrendo com todas essas empresas brasileiras levando bens de produção aos cantos da Nicarágua ou República Dominicana com “escassa estrutura industrial”?

    O livre mercado tenta naturalmente distribuir capital, são os governos que não permitem.

  2. Leandro, por gentileza, me explique esse treho:\r
    \r
    “O fato de vivermos em um mundo de escassez significa que sempre haverá serviços a serem feitos”\r
    \r
    Não entendo essa relação escassez de produtos / abundãncia de empregos citada acima.

  3. Rodrigo Constantino

    Excelente artigo, Leandro!\r
    \r
    Estamos conseguindo ressuscitar Colbert com força no Brasil, quiçá no mundo! Tempos preocupantes. O ranço mercantilista ainda sobrevive, com uma insistência assustadora. É um zumbi terrível…

  4. Leandro,

    James Buchanan chama a atenção para esses pequenos grupos capazes de garantir renda extraordinária através de protecionismo, regulamentação, etc. Como chegar em uma organização política resistente a esse tipo de “ataque”? É difícil convencer mesmo as pessoas não atingidas pela concorrência internacional de que riqueza se ganha com produtividade. Quer dizer, os incentivos políticos são muito fortes para uma erosão da liberdade.

    Abração e parabéns pelo ótimo texto.

    p.s. Enquanto lia o texto me lembrava continuamente de Bastiat, ao final o citaste oportunamente. Bem, não deixaste a desejar, és o nosso Frederico!

  5. Leandro, parabéns por mais esse ótimo texto!

    Esse tipo de leitura é o que precisamos disseminar para que o povo brasileiro compreenda que vive e trabalha (quase) única e exclusivamente para sustentar os ratos socialistas instalados em Brasília.

    Aguardamos mais textos sobre a realidade do estado brasileiro no Mises Brasil!

    Abraço!

  6. Caro Leandro

    Como sempre teu texto está ótimo. Muito bem escrito e com argumentos muito bons.

    Só gostaria de fazer um comentário a respeito das importações. Voce defende, e com toda a razão, que o protecionismo é ruim e tudo mais. Concordo plenamente, mas na pratica temos alguns problemas. A carga tributaria no Brasil é tão alta que se a competição fosse totalmente livre com o exterior em dois anos não existiria mais industrias no Brasil, salvo às abençoadas pela natureza como de minerio de ferro e processamento de alimentos.

    Muito se poe a culpa no industrial brasileiro, dizem que ele é incompetente e que não gosta de concorrencia. Não é verdade. Eu estive na China diversas vezes e as fabricas e metodos deles são menos eficientes que os nossos.A diferença chama-se CARGA TRIBUTARIA E LEGISLAÇÃO TRABALHISTA.

    Então nesse sistema que temos hoje um mercado aberto iria com certeza desindustrializar o país.Iríamos virar uma “economia de serviços” (que obviamente não existe).Claro que o correto seria atacar o problema em si, mas eu ao menos não vejo nenhuma chance de isso acontecer.

    Abraço
    João S

  7. “E isso é fácil de entender. Ao passo que um engenheiro de software americano exige um salário de pelo menos US$ 100.000 por ano, e um brasileiro se contenta com uns US$ 30.000 (R$ 52.000), um competente indiano fica plenamente satisfeito com um salário de US$ 20.000. Fazendo uso de modernos equipamentos de telecomunicação, este indiano poderá trabalhar desde a Índia tão eficazmente quanto se estivesse fisicamente presente no Brasil ou nos EUA.”
    – O que quer dizer com isso? Que um engenheiro de software americano se contente em trabalhar com um salario de US$ 20.000,00 por ano, como um indiano? Sendo assim, então a solução para a problema dos EUA e do Brasil seria reduzir o seu nível salarial a níveis chineses e indianos?

  8. Caro Leandro Roque e prezados debatedores,\r
    \r
    Achei o artigo muito bom. Tenho acompanhado os artigos do IMB e são de uma qualidade inquestionável. Muito provavelmente aqui se diz o que se fará no futuro deste país. Mas, por amor ao debate de idéias, me surgiram umas questões, que, devido ao meu desconhecimento econômico, não pude resolver por minha própria conta. Por isso faços as seguintes postagens, e se alguém puder responder, de acordo com as argumentações da escola austríaca, fico imensamente agradecido:\r
    \r
    1. Caso o crescimento econômico da China também esteja sustentado por uma taxa de câmbio artificialmente baixa (já que na verdade a China tem bastante meios de produção para ter uma moeda tão barata) e talvez por dados econômicos fajutos (a China é uma ditadura ferrenha, pode facilmente maquear os dados, sem que ninguém no mundo consiga comprová-los) seria ainda assim interessante querer competir com os chineses em regime de livre comércio? (Obs.: o que percebo é que “potências” ocidentais estão se desindustrializando em prol da China, vide os EUA, e afundando numa crise jamais antes vista – claro que a China não é a única culpada do desastre ameriano, eles próprios o são com as dívidas gigantescas, mas a China ajudou)\r
    \r
    2. Eu sei que o correto, internamente em cada país, é tentar ser o máximo liberal possível. Quanto mais liberal, mais a economia crescerá. Sem dúvida. Mas, no aspecto internacional, essa perspectiva me parece um tanto forçada. Um país estrangeiro, eventualmente, pode querer baratear os preços além de um certo “limite mínimo”, para tentar quebrar uma certa indústria de outro, através da manipulação de dados econômicos ou taxas de câmbio irreais, fazendo na prática um dumping subsidiado por um forte governo. Deve-se simplesmente desconsiderar isso?\r
    \r
    3. Sendo a economia chinesa sustentada num regime de redução de custos que beira ao trabalho escravo de sua população (são apenas dois dias de folga por ano, salvo engano), mesmo assim seria legítimo o Brasil, que, quer queira ou não, já atingiu um nível de desenvolvimento onde seria repelido pela população um trabalho tão ardente desta forma, querer competir de igual para igual com os chineses? (Não tenho dúvida que inteligência e habilidade de um povo geram desenvolvimento, contudo, redução de custos com trabalho “escravo” também gera)\r
    \r
    Desculpem-me meu desprezível nível de conhecimento econômico. Mas, foram dúvidas que me surgiram.\r
    \r
    Saudações!

  9. Leandro, não tem nenhum erro nesse parágrafo?:

    “Vale a pena enfatizar esse fenômeno: o que ocorre nestes casos é que a mão-de-obra e os insumos mais dispendiosos são liberados de um setor (calçadista, automotivo etc.) e, com isso, podem ser utilizados para expandir a produção de outros setores comparativamente mais importantes. Ao mesmo tempo, mão-de-obra e insumos menos dispendiosos são retirados das linhas de produção comparativamente menos importantes e direcionados para este setor em que houve as demissões – e cujo tamanho agora foi reduzido.”

    Estou com dificuldades de entendê-lo.

  10. José R.C.Monteiro

    Saudações, prezado Leandro, quando trabalhava em um empresa estatal e monopolista, houve uma votação feita pelo sindicato no intuito de saber qual era opinião dos “companheiros” sobre os referidos assuntos (estatização e monopólio), e para minha surpresa constatei que inúmeros colegas não sabiam a definição de ambas palavras, isso tudo até em nivel de diretoria sindical, é mole!
    Nem precisei continuar minha investigação com menos esclarecidos, dei-me por satisfeito com esse grupo, passando para o grupo dos mais-esclarecidos ratifiquei minhas suspeitas, nem imaginavam que com o fim do monopólio, e mesmo com a canga do “estado”, poderíamos vender a nossa mão-de-obra especializada para os novos investidores/capitalistas/empresas, fui chamado de traidor.
    Traidor? Eu,cara-pálida?
    Abraços,

  11. Excelente abordagem. Para mim, ademais, o protecionismo nada tem a ver com ideologia, nem com técnica de gestão, muito menos com preocupação social, ao contrário: é apenas reserva do quintal para que os “investidores de campanha” depenem as galinhas sem misericórdia.

  12. Bem, não achei outro lugar então vou colocar “no primeiro que vejo”.

    Alguém com mais tempo de site sabe me informar se existe um chat, no msn ou outro local, em que há rodas de conversa sobre economia e política sob visão austro-libertária?

  13. Caro Leandro Roque e demais debatedores,\r
    \r
    agradeço enormemente a didática resposta dada a um leigo acima escrita. Inclusive pela desconcertante rapidez com que foi conferida. Confesso que os argumentos são imensamente sólidos, com toda a questão de readaptação da economia, deixando-a mais competitiva e dinâmica, seguindo o princípio de que vivemos em estado de escassez. Ainda tenho muito a ler e estudar sobre tal assunto, mas tenho a convicção de que este é o caminho certo. As análises econômicas da escola austríaca sempre me parecem mais racionais do que outras, com começo, meio e fim. Até por isso tornei-me um fã deste site.\r
    \r
    Contudo, ouso mais uma vez intervir num único ponto: ainda tomando por base a “agressividade” asiática no comércio internacional, não seria mais cauteloso ao Brasil primeiro abrir o mercado interno (realizando um livre comércio interno), para, somente depois de mais fortalecido este, abrir totalmente o seu mercado para a compra e venda internacional, sem barreiras fiscais? (Obs.: digo isto imaginando um ponto de vista estratégico, dado que não se pode abstrair completamente o componente político, visto que o mundo atual não é liberal, e sim excessivamente intervencionista, inclusive os potenciais parceiros comerciais)\r
    \r
    Penso que talvez esse cuidado pudesse evitar que grupos internacionalmente cartelizados dominassem o mercado impedindo assim a posterior execução do próprio livre mercado. Isto é, impedindo sua própria queda. Eu sei que de todo modo há sempre novas áreas econômicas a serem exploradas pelo comércio, mas algumas áreas são, devido ao atual desenvolvimento tecnológico, estratégicas. Estratégicas inclusive em caso de uma eventual guerra, como é a energética (não podemos simplesmente desconsiderar essa possibilidade).\r
    \r
    Imaginei isso, pois, estudando a história dos Estados Unidos da América, fiquei com a impressão de que, no século XIX, quando eles fizeram a diferença e ultrapassaram a produção industrial da Grã-Bretanha (talvez esse tenha sido o local e a época de ouro para o experimento do livre comércio no mundo), não se nota a presença de grandes grupos internacionais vindo a querer açambarcar o mercado americano. Eles tiveram uma ampla liberdade interna para desenvolver novos empreendimentos e passaram, após, a serem mais competitivos que os britânicos. Inclusive, pessoas que começaram como pequenos empreendedores se tornaram grandes magnatas. Depois disso, tivemos uma grande era de domínio econômico americano no âmbito internacional, dessa vez com grandes grupos cartelizados.\r
    \r
    Resumindo: não seria mais estratégico ao Brasil primeiro transformar seu próprio mercado interno num livre mercado, para, somente depois de solidificado este, eliminar as barreiras fiscais ao mercado internacional?\r
    \r
    Agradeço a paciência! Perdão pelo excessivo “quê” desenvolvimentista-liberal- não-idealista.\r

  14. O certo é uma coisa; a Sabedoria com que fazemos as coisas traz bons resultados e riqueza na econômia. Da mesma maneira a Ignorância e Burrice só traz desastres e pobreza,perdas e infelicidade.

    O nosso Governo (Dilma e PT,etc) insistem em serem ignorantes e burros. A maior prova de burrice e insistir numa enorme carga de impostos, no Estado gigantestico que precisa sugar as riquezas do país para se manter. O pior é que de jeito nenhum, eles aceitão reduzir a carga tributária. Lula disse “_com 10% de impostos no PIB nada dá para fazer quase nada.” Então tá, precisa de mais de 30% para poder fazer as coisas.

    E desta maneira a coisa vai. Os carros no Brasil pagão de impostos perto de uns 50% de seu valor. Então ! Os carros importados saem mais baratos e os brasileiros passão a compra-los. Aí ! Lascão uma taxação enorme encima dos carros importados. Paises como Japão,Coreia protestão e entram em disputa comercial com o Brasil.

    Outros procurão burlar as barreiras. Carro importado da Argentina,México,Uruguai não pagam IPI.

    No caso dos sapatos~,tecidos mesma coisa, taxão importação. Procurão burlar as barreiras.
    Mas ! Mesmo quando tudo dá errado e mais problemas aparecem do que soluções. Mesmo assim não deixam a Ignorância e Burrice de lado.

    Querem mais impostos,mais leis trabalhistas,mais protecionismo,mais gastança do Governo,mais intervenção,mais controle.

    Sendo que tudo que precisão é de Sabedoria.

    Mas ! São tão apegados a sua falsa Ideiologia,filosofia,ideías bestas para fazer isto.

  15. Aqui tem uma reportagem que diz quanto se paga de imposto por um carro novo no Brasil. g1.globo.com/Noticias/Carros/0,,MUL398494-9658,00-IMPOSTOS+CHEGAM+A+DO+VALOR+DO+CARRO.html
    Hoje quem compra um carro novo no Brasil está sendo no minímo um burro. Explico porque. De cara já deixa uma baita grana de impostos na mão do governo,depois paga ainda IPVA, parece que é de 2% a 4% ao ano, taxa de emplacamento,seguro caro,pois tem muito roubo no país. A gasolina ou alcool é muito caro. Estacionamento nas grandes cidades, o preço anda pela hora da morte. Muito congestionamento e falta de local para estacionar nas grandes cidades e até cidades menores. E por aí a coisa vai. Um matemático fez umas contas e concluio é muito mais barato andar de taxí ou alugar um carro eventualmente.

    Aqui tem uma reportagem sobre quanto se paga de imposto sobre cada produto. opiniaoenoticia.com.br/brasil/voce-sabe-quanto-paga-de-imposto-em-cada-produto/

    Todos nos sabemos dos sacoleiros do Paraguai que vão buscar muamba lá em “CIUDAD DEl LESTE”. Agora tem os “Sacoleiros de Miami” e até acreditem, os “Sacoleiros de Luxo”. Isto mesmo vão muito longe para comprar coisas de luxo. http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,sacoleiros-de-luxo-em-nova-york,655533,0.htm

    O Consumidor não é bobo não. Ele vai atrás do lugar que as mercadorias são mais baratas. E esse protecionismo do governo tachando vergonhosamente os carros importados só serviu para uma coisa. “ABRIR OS OLHOS DO CONSUMIDOR SOBRE O QUANTO PAGA CARO PELOS CARROS NACIONAIS”. A mesma coisa vale para sapatos,roupas e outros produtos nacionais.

    No país onde um ex-presidente é admirado por sua ignorância. Veja reportagem : http://www.robsonpiresxerife.com/blog/notas/a-burrice-de-lula-nao-causa-me-inveja-nenhuma/
    Só que isto é muito bonito para o povão. O feio é quanto o mesmo povão começa a se “lascar” por causa desta burrice. O país não cresce,o povo empobrece e vem o atraso da nação.

  16. Marco Antonio da Costa

    Olá Leandro Roque!

    Me chamo Marco, eu moro em Graz, na Áustria e viajo constantemente para tocar pelo país, sou músico. E hoje me perguntei por que vocês defendem que a doutrina econômica da escola Austríaca é a solução dos males sociais, porque estimulam o conceito de “liberdade” pela propriedade privada, livre mercado, nenhuma participação dos governos no mercado, etc. Em nenhum momento (ou raros momentos) se fala aqui nesse site de ecologia e da possibilidade da abundância, principalmente de recursos energéticos (energia elétrica). A lei do mercado prevalece à lei da natureza e à lei da ciência. Os argumentos nesse site são poderosos e extremamente racionais. Fica até difícil encontrar uma brecha para contra argumentar.

    É engraçado essa história da escola Austríaca de economia. Moro na Áustria e me pergunto várias vezes PORQUE os austríacos sustentam padrões de vida TÃO ELEVADOS, especialmente em comparação a os países vizinhos (República Checa, Eslováquia, Hungria, Eslovênica, Croácia, Itália) se aqueles outros países tem uma natureza e um clima similar, são muito próximos… Os padrões da Áustria se comparam com os -também vizinhos – Alemanha, Suíça – e Linchtenstein. Será o resultado da doutrina econômica austríaca posta em prática?

    O que eu vejo na prática por aqui é uma abundância de poder aquisitivo de uma forma GERAL na população e uma distorções nos valores do consumismo, uma falta de respeito com os recursos naturais mundiais e uma desprezo para as condições de trabalho dos “outsourced workers”. São porões lotados de produtos NOVOS em perfeito estado de conservação, televisores, computadores, camas, armários, sofás, diversos aparelhos eletrônicos. São as pessoas jogando isso tudo no LIXO da rua para os catadores de lixo da hungria irem coletar pra depois vender. Existem muitas pessoas com uma educação capenga, incompleta mas que exercem qualquer atividade e ganham muito bem por isso. Há também as pessoas com educação privilegiada que exercem atividades de relevancia mundial. Mas há essa lei do poder, essa ostentação estimulada pelas propaganda.

    Um conceito amplamente divulgado na educação e na mídia por aqui é o conceito da PÁTRIA, do nacionalismo, que, a meu ver só ajuda a aumentar o ódio entre os povos vizinhos. Racismo, Xenofobia, relações não amigáveis com os forasteiros são valores -implicitamente – imbutidos na cultura austríaca. Claro esses valores não podem ser EXPLICITAMENTE citados na sociedade Áustríaca porcausa do estigma pós-segunda guerra, mais de vez em quando eles aparecem públicamente. E os recursos naturais são – literalmente – destruídos, por exemplo, quando eles destroem as ruas, avenidas, autovias, calçadas, para CONSTRUIR denovo. A razão é a de que eles gastem todos os recursos da União Européia destinados a infra estrutura, por que se eles não gastarem e “aquecerem” a economia local, o dinheiro terá que ser gasto em outros países na EU. É melhor DESTRUIR as ruas e construir denovo. E a natureza agradece. Sim mas o país é um dos maiores defensores da natureza, com reservas de suas florestas e estritas leis ambientais… mas compra madeira brasileira sem querer saber se vem da amazônia ou de florestas tropicais em perigo de extinção. E as condições de trabalho aqui são muito boas… mas compram EM ABUNDANCIA produtos feitos na China onde não se sabe sob que condições os trabalhadores estão, se tem mulheres grávidas trabalhando, crianças, ou adolescentes trabalhando em tempo integral e ganhando o infimo para sobreviver. Não se sabe quantas pessoas DESPERDIÇAM VIDAS para que se perpetue a bonança daqui.

    Uma política do partido Verde da Áustria me disse que a “boa vida” dos países Europeus se dá principalmente devido a exploração dos povos nos países de terceiro mundo. Enfim, acredito que a teoria econômica austríaca foi um grande avanço no pensamento econômico-científico iniciado lá por meados dos anos 50, 60, mas, me pergunto se é que agora ela não tem que ser intrinsecamente REVISTA visto que, EXISTE a possibilidade de ABUNDÂNCIA. Como isso seria visto pelos teóricos da Escola Austríaca? Se não precisássemos pagar pela energia elétrica, por exemplo?

    Abraço,

    Marco

  17. André Cavalcante

    Olá Leandro Roque.

    Parabéns pelo seu artigo. É bem instrutivo.
    Há duas coisas porém que gostaria que você me explicasse:

    A primeira é referente o deslocamento da mão-de-obra. Do jeito que colocas parece que se faz uma mudança assim, facilmente como num passe de mágica, mas para qualquer mudança deste porte devemos lembrar que é necessário treinamento, instrução e adaptação as novas condições de trabalho, o que requer tempo. Entremeios, as pessoas tem que sobreviver e aí entra o apoio social do governo ou outra entidade qualquer. O que gostaria de entender é como fica essa questão da temporalidade em relação as pessoas e com quem fica o custo deste deslocamento. Quais as estruturas sociais e econômicas necessárias para suportar isso?

    A outra questão é relacionada a primeira. Vou pegar o seu exemplo: desenvolvedor de software. Se ele não consegue competir com desenvolvedores da Índia, por exemplo, ele deverá se deslocar para outro setor, o qual necessitará então de reajustamento (note que ele não vai mais trabalhar como desenvolvedor de software, correto?). Aqui entra o ponto: este é um típico trabalhador altamente qualificado e que vai ter que se requalificar, o que requer tempo, mas as mudanças econômicas e, principalmente tecnológicas, são mais rápidas. Você citou que há escassez na oferta, mas justamente nessa área não há: software é algo que, uma vez criado, a sua reprodução é infinita. Como conciliar então estes avanços tecnológicos, com essas necessidades de requalificação e, na mesma balada, ainda ter se ajustar a áreas (restritas é verdade, mas cada vez mais em expansão) que de fato não são mais restritas pela escassez?

    Como ainda sou muito cru nestes assuntos, posso estar falando um monte de bobagem, mas espero sua resposta ansiosamente.

    Outra coisa seria como o Brasil poderia criar um plano para sair de onde está para esse futuro por ti delineado (mas isso fica para outra ocasião).

    Abraços.

  18. Texto perfeito!

    Só gostaria de fazer um adendo, essa situação do emprego infinito pode ser vista “in loco” em Cingapura atualmente. Como lá não existem restrições ao emprego e nem sequer salário-mínimo, o desemprego dificilmente supera 2% ao ano. E a maior parte desses 2% é composto de gente que NÃO QUER trabalhar.

    Agora, uma dúvida que sempre tive: seria interessante para o Brasil perder todas as fábricas de carros em nosso território? Porque com as regulamentações e impostos existentes nenhuma montadora sobreviveria o duelo com a concorrência estrangeira, principalmente a oriunda de países altamente liberais economicamente como a Coréia do Sul ou China. Ou seja, mesmo sem reformas estruturais você defenderia o livre comércio de veículos? O Brasil sentiria falta do ABC?

    Abraços,

  19. Leandro, você disse:
    “Reduza o fardo estatal e as montadoras estarão aptas a concorrer com os importados.”

    Certo, mas levando-se em conta que o PT JAMAIS reduzirá o fardo estatal, é fácil notar que as montadoras perderiam (têm perdido) mercado rapidamente na disputa com a concorrência estrangeira. Tenho achado até graça do fato de que até com o acréscimo de 30% de imposto sobre os carros importados, os carros chineses CONTINUAM mais baratos que os feitos no Brasil… Agora, imagine uma concorrência direta, sem imposto algum sobre importados ou bem baixo, essas fábricas fechariam completamente, e em pouco tempo.

    Concordo com você quando diz que “Concorrência não destrói empregos; concorrência cria empregos. O que destrói é governo, impostos e regulamentações.” Mas em um cenário em que não ocorrerão reformas estruturais, cabe a nós decidir se vale a pena ser o quinto maior produtor de carros (ineficientes e caros) no mundo, ou importar carros modernos e baratos, como faz o Chile.

    A minha esperança é um partido de direita se eleger no Brasil e tornar as montadoras mundialmente competitivas, via reformas, mas isso é algo praticamente impossível de ocorrer nos próximos 50 anos.

    O Brasil está em uma situação difícil: manter um parque industrial bastante grande e que, queiramos ou não, é o quinto maior produtor de carros do mundo ou importar carros modernos, bons e muito mais baratos para a população?

    Abs,

  20. www1.folha.uol.com.br/mercado/1062333-governo-estuda-dificultar-a-importacao-de-vinhos.shtml\r
    \r
    Pois é, pessoal. Vinho francês, português ou chileno? Vão preparando o bolso.

  21. Em primeiro lugar,eu quero elogiar o site,vocês pretam um grande serviço a comunidade mostrando como uma verdadeira economia liberal deve ser.
    Lendo esse artigo,fiquei com uma duvida e pensando numa coisa.
    Se a abertura de mercado estimula o desenvolvimento de um pais e td mais,eu gostaria de uma explicação do autor do topico sobre o paraguai,la não tem fiscalização nenhuma sobre importações,tem de tudo la de toda parte do mundo e com preços bem melhores que aqui e mesmo assim é um pais extremamente miseravel,até bem mais pobre que o Brasil. Por que isso????

  22. A teoria do livre mercado é tão fundamentalista quanto a do comunismo. O texto expõe brilhantemente os "benefícios" do livre-mercado, assim Marx desconstruiu o modelo capitalista. Mas as duas teorias excluem o componente humano, que desequilibra qualquer "sistema perfeito". Primeiro as pessoas se organizam socialmente, para depois começarem as interações econômicas. Não se pode propor uma comportamento econômico universal que ignore necessidades reais e o comportamento local. Uma aplicação do livre mercado em todo o mundo, como parecia ser o sonho de Milton Friedman, teria de desconsiderar diferenças culturais, preferências nacionais e direitos democráticos conquistados. Não se pode minimizar o custo social e humano de uma nação viver décadas com taxas explosivas de desemprego e com falta de assistência social para que a "teoria neoliberal" possa ser aplicada. Não há benefício futuro teórico que justifique essas medidas. É o mesmo erro que foi cometido pela esquerda de que os fins justificam os meios. Não se pode pensar o mundo unificado numa ideia de padrão de consumo e de comportamento que não se aplica a todas as sociedades. Nem tampouco pode se tentar isso à força – como foi feito no Chile. Uma nação, com líder democraticamente eleito, deve ter o direito de decidir a forma como seus recursos naturais serão utilizados e devem ter a opção de não integrarem um suposto mercado global, sem que isso implique em restrições diplomáticas. Além disso, o livre-mercado não funciona simplesmente porque ele nunca poderá ser livre. Na prática, ele só provoca uma concentração excessiva de renda e a criação de oligopólios e monopólios, que acabam jogando por terra a teoria de redução de preços seguida pela redução de custos. Outro fator é o excessivo capital especulativo e ascenção do capitalismo financeiro – que, nas melhor das hipóteses, beneficia meia dúzia de investidores. Em vez de governos, sujeitos ao escrutínio público, são as corporações que concentram poder – com os mesmos vícios corruptivos, mas com menor possibilidade de algum controle social. O desafio ainda é o de encontrar o modelo que, além de promover a livre iniciativa, seja capaz de levar o bem estar ao maior número possível de pessoas. Até o momento, só a tal intervenção estatal foi capaz de chegar próximo disso.

  23. Dias atrás assisti uma entrevista com Luiz Carlos Mello, diretor do Centro de Estudos Automotivos, com a Heloísa Menezes, secretária do Desenvolvimento da Produção do Ministério do Desenvolvimento, Industria e Comércio, e com o presidente da Anfavea.
    Eles estavam debatendo o novo regime automotivo.

    E essa senhora respondeu à Míriam Leitão que o setor automotivo recebe todos aqueles favores porque ele consome muito aço, plástico e etc. gera renda e toodos os argumentos que estamos acostumados. E ela diz isso como se esse setor não é o único, pelo menos é o principal capaz de fazer isso.
    Uma das dúvidas que eu tenho é: A quantidade consumida de todas essas matérias é tão significativa assim? Essa indústria gera toda essa renda, para ser tão importante para o governo brasileiro?
    Em comparação com outros produtos(como alimentos citado no texto) os automóveis geram mais empregos? Mais renda? Existe mais trabalho a ser feito para esse setor do que para os outros?

    Se alguém me responder eu agradeço.
    É só para compreender se o que o governo está fazendo tem algum sentido.

  24. Leandro,

    Primeiramente gostaria de parabenizar pelo site de altíssimo nível. Sou novo por aqui mas tenho lido os artigos quase que diariamente.

    Como você disse em uma resposta anterior:

    “Empregos são apenas a consequência de uma economia forte. Empregos são o sinal da saúde de uma economia, assim como um alto nível de energia pode ser um indicativo de um corpo saudável. O objetivo de uma economia saudável é a produtividade. Os empregos são a conseqüência positiva da produtividade.”

    Então como podemos explicar a situação atual brasileira de baixo desemprego mesmo com um estado intervencionista ao extremo e que dificulta muito a iniciativa privada?

    Obrigado,

    Lucas

  25. Chile, Peru, Colômbia e México decidem cortar tarifas comerciais

    SANTIAGO, 28 Jan (Reuters) – Chile, Peru, Colômbia e México decidiram no domingo (27) eliminar as tarifas sobre o comércio de 90% dos produtos até 31 de março, como forma de abrirem ainda mais seus crescentes mercados.

    Os quatro países, que compõem a chamada Aliança do Pacífico, um grupo voltado para o livre-mercado, já têm pactos comerciais com algumas das maiores economias mundiais, com tarifas preferenciais para estimular suas exportações.

    O presidente do Chile, Sebastian Piñera, disse que seu objetivo é eliminar totalmente as tarifas para produtos feitos nos quatro países, posição que contrasta com a dos países do Mercosul, que têm mercados mais fechados.

    “Isso significa que pelo menos 90% dos produtos serão liberados de qualquer tipo de tarifa no comércio entre nossos países”, disse Piñera a jornalistas durante uma cúpula de governantes latino-americanos e europeus no Chile, dominada por questões comerciais.

    “Haverá um cronograma para trabalhar nos restantes 10%, até chegarmos a 100%”, acrescentou.

    Grosso modo, a América Latina está dividida entre os países do Pacífico, que são defensores do livre-comércio, e as nações do Mercosul, no lado atlântico, mais relutantes em eliminarem barreiras comerciais.

    Tanto o Brasil quanto a Argentina, que dominam o Mercosul, vêm tomando medidas de estímulo à indústria local que são consideradas protecionistas pelos críticos.

    Mas, durante os dois dias de reunião de cúpula da Celac (Comunidade dos Estados Latinoamericanos e Caribenhos ), os dois países concordaram em retomar as negociações de livre-comércio com a União Europeia, o que seria um grande prêmio para a Europa no momento em que o continente emerge de uma grave crise.

  26. Olavo de Carvalho comentou uma vez que não adianta abrir as pernas para a economia de mercado ,se isto favorecer a NOM ,tem que se ter um meio termo. É por isso que precisa se ter cuidado antes de raciocinar em cima de doutrinas estáticas. Se você libera a economia das restrições nacionais, abre espaço para as internacionais. Os globalistas são meta-capitalistas, eles podem agir no sistema porque não estão sujeitos à este, mas nós estamos. E se você mantiver algum resquício de soberania nacional (não sei quanto), aquele ponto a NOM não mete o bedelho.

  27. Que artigo fenomenal, o tamanho me assustou um bocado, mas depois de o acabar de ler, fiquei muito mais rico intelectualmente. Parabéns Leandro.

    Já à uns tempos pensava porque tanta gente é contra o verdadeiro capitalismo, ok os que vivem do estado é fácil, agora o resto é algo que tinha dificuldade em perceber.

    E com este artigo compreendi realmente porque tanta gente não quer o verdadeiro capitalismo e defendem medidas proteccionistas. Pois só quem faz cada dia para ser melhor e se reinventar é que “gostam” e querem o verdadeiro capitalismo. E mesmo assim não é fácil, que a parte do reinventar é algo bastante complexo, ou será só a falta de habito actual, também pode ser isso.

  28. Giovana Depicoli

    Esse é com certeza o tópico mais complexo do debate econômico. Eu adoro a EA, acho muito mais coerente que os keynesianos, mas no quesito protecionismo devemos imaginar o quão volátil poderia ser uma economia baseada em serviços e agricultura, que é o que nas condições atuais aconteceria se o mercado fosse completamente aberto. Se formos analisar a situação real brasileira vemos que o que faz a nossa indústria não ser competitiva são os diversos empecilhos que ela tem que atravessar, por exemplo: as relações de trabalho, o custo Brasil (que em suma é um reflexo das péssimas condições de infraestrutura que possuímos, vide o preço da energia e do petróleo), impostos e o próprio protecionismo, que faz com que a própria indústria seja refém de outros setores industriais. O que quero dizer é que o protecionismo é o “remédio” amargo que tomamos por termos um governo extremamente preguiçoso e incompetente, que para roubar mais precisa proteger os mais ricos e espoliar os mais pobres. O governo jura que quer ajudar a “indústria” quando na verdade quer ajudar os grandes industriais, se ele realmente quisesse ajudar a indústria financiaria e colocaria em prática reformas estruturais que fizessem com que produzir no Brasil fosse barato, mas não, ele encarece TUDO, toda a cadeia produtiva e depois fala que se não fosse ele (o governo) e seu protecionismo nossa indústria iria desaparecer. O pior é que com todas essas amarras a indústria realmente não teria a menor chance. Daí vem meu professor keynesiano com um cunho marxista e fala que o problema é o dólar estar muito barato e que a solução é desvalorizar o real, simples assim… Mentalidade mercantilista, rasa… Se nossos custos fossem pelo menos iguais aos outros países, o que esta longe de ser, uma política cambial poderia até fazer efeito positivo… Realmente ir para a faculdade e escutar esse professor é torturante…

  29. Muito bom Leandro! Venho acompanhando seus artigos faz um tempo, e devo confessar que estou aprendendo muito. Você poderia, por gentileza, me fornecer sua opinião sobre o conceito “Natural rate of unemployment” do Milton Friedman? Na sua opinião, é um conceito válido capaz de ocorrer no livre mercado?

    Desde já agradeço e te desejo um ótimo dia!

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