[N. do T.: o texto a seguir é de julho de 1994. Nele, Rothbard explica sucintamente: (1) por que manipulações cambiais – sempre propaladas por economistas brasileiros como maneira de estimular a economia – não funcionam; (2) por que o sistema monetário de papel-moeda é inerentemente instável; (3) por que acordos como o NAFTA são ruins. Observa-se também que Rothbard previu a crise mexicana de 1995, assim como o futuro da economia americana (hoje já uma realidade): completamente dominada por burocracias governamentais.]
Governos, incluindo especialmente o dos EUA, parecem ter uma incapacidade congênita de manter suas patas afastadas de qualquer parte da economia. Todo o governo, auxiliado e estimulado por sua gama de apologistas – que estão entre os intelectuais e os experts em todas as políticas governamentais -, gosta de se considerar a si próprio como um deus ex machina (um “deus fora da máquina”) que inspeciona seus objetos com benevolência e onisciência olímpicas, e então repetidamente desce à terra para corrigir as inúmeras “falhas de mercado” que os simples mortais, em sua ignorância, insistem em cometer.
O fato de a história ser um arquivo negro das contínuas falhas grosseiras da parte desse “deus”, e o fato de a teoria econômica explicar que sempre será assim, não causa impacto algum nos discursos políticos oficiais.
Toda nação-estado, por exemplo, está continuamente tentada a fazer intervenções para corrigir suas taxas de câmbio – que é a cotação de seu papel-moeda fiduciário em termos de inúmeros outros papéis-moedas fiduciários emitidos por todos os governos no mundo. A intenção sempre foi fixar essa taxa em termos da moeda de outro país.
Os governos não sabem, e não querem saber, que o único caso em que houve sucesso na fixação de taxas cambiais foi, não coincidentemente, na era do padrão-ouro. Naquela era, o dinheiro era uma commodity de mercado, produzida no mercado ao invés de manufaturada de improviso por um governo ou por um banco central. As taxas fixas de câmbio funcionaram porque as unidades monetárias nacionais – o dólar, a libra, a lira, o marco, etc. – não eram entidades independentes. Ao contrário, cada uma era definida em uma certa medida de peso em ouro.
Como todas as definições, tais como a jarda, a tonelada, etc., o propósito da definição era que, uma vez definida, ela estava fixa. Assim, por exemplo, se – como aconteceu no século XIX – “o dólar” foi definido como 1/20 de uma onça de ouro, “a libra” como 1/4 de uma onça de ouro, e “o franco francês” como 1/100 de uma onça de ouro, as “taxas de câmbio” eram simples proporções de pesos de ouro das várias unidades de moeda, de tal forma que a libra automaticamente seria igual a $5 dólares, o franco automaticamente seria $0,20 dólares, etc.
Os EUA abandonaram o padrão-ouro em 1933, sendo os últimos vestígios internacionais descartados em 1971. Depois que todo o mundo seguiu essa direção, cada moeda nacional se tornou uma entidade independente e separada de todas as outras. Assim, um “mercado” imediatamente se desenvolveu entre elas, da mesma forma que um mercado sempre vai se desenvolver entre diferentes bens trocáveis.
Se esses mercados de trocas fossem deixados a sós pelos governos, as taxas de câmbio iriam flutuar livremente. Elas iriam flutuar de acordo com a oferta e a demanda de cada moeda em termos das outras, e as taxas diárias iriam – assim como no caso de quaisquer outros bens – ajustar o mercado de forma que a oferta e a demanda se igualariam, e, assim, garantir que não haveria escassez ou excesso de qualquer uma das moedas.
Porém, como o mundo descobriu novamente desde 1971, papéis-moeda que flutuam entre si são insatisfatórios. Eles anulam as vantagens de se ter uma moeda internacional, virtualmente retornando o mundo à prática do escambo; e falham em fornecer uma barreira contra a inflação praticada por governos e bancos centrais, barreira essa que era fornecida pela obrigatoriedade que os governos tinham de redimir suas emissões monetárias em ouro.
O que o mundo ainda não percebeu é que há um sistema muito pior do que papéis-moeda flutuando entre si: refiro-me a esse mesmo sistema fiduciário, só que com os governos tentando fixar as taxas de câmbio. Como no caso do controle de preços, os governos invariavelmente vão fixar as taxas acima ou abaixo da taxa de livre-mercado. Não tem como acertar. Qualquer que seja o caminho seguido por eles, essa fixação feita pelo governo criará conseqüências indesejáveis, causará crises monetárias desnecessárias, e, no longo prazo, terminará falhando infamemente. Um ponto crucial é que a fixação das taxas pelo governo irá inevitavelmente ativar a “Lei de Gresham”: isto é, a moeda artificialmente desvalorizada pelo governo (colocada a um preço muito baixo pelo governo) tenderá a desaparecer do mercado (“uma escassez”), enquanto que a moeda sobrevalorizada pelo governo (colocada a um preço muito alto) tenderá a circular abundantemente, e ficar em “excesso”.
A administração Clinton, que parece ter um instinto natural para falácias econômicas, tem sido tão estabanada e inconsistente na política monetária como em todas as outras áreas. Assim, até recentemente, a administração, absurdamente preocupada com um aparentemente grave (porém inexistente na realidade) déficit no balanço de pagamentos, tentou desvalorizar o dólar – diminuindo sua taxa de câmbio[1] – para estimular as exportações e restringir as importações.
Entretanto, não existe maneira alguma de o governo poder descobrir e fixar algum tipo de taxa de câmbio ideal. Um dólar mais fraco estimula as exportações, certo; mas a administração eventualmente irá perceber que existe um inevitável aspecto adverso: os preços das importações serão maiores, e isso removerá toda a concorrência que iria manter baixos os preços domésticos.
Ao invés de aprender a lição de que não existe uma taxa de câmbio ideal além daquela determinada pelo livre mercado, a administração Clinton, como de costume, inverteu sua trajetória abruptamente, e orquestrou uma campanha multibilionária para que o Fed e outros grandes bancos centrais fortalecessem o naufragado dólar contra o marco alemão e o yen japonês. O dólar apreciou-se ligeiramente, e toda a mídia congratulou Clinton por ter fortalecido o dólar.
Porém vários problemas intratáveis foram ignorados nesses louvores ao presidente. Primeiro: bilhões em dinheiro do contribuinte, aqui e no exterior, foram destinados a distorcer as taxas de câmbio. Segundo: dado que as taxas de câmbio estão sendo fortalecidas de modo coercivo, tal “sucesso” não poderá perdurar por muito tempo. Quanto tempo até que o Fed fique sem marcos e yens, os quais são usados para manter o dólar apreciado? Quanto tempo até que a Alemanha, o Japão, e outros países se cansem de inflacionar suas moedas para manter o dólar artificialmente forte?
Se a administração Clinton insistir – mesmo em face dessas conseqüências – em tentar manter o dólar artificialmente alto, ela terá que lidar com a inevitável “escassez” (Lei de Gresham) de marcos e yens impondo controle de capitais e fazendo racionamento dessas moedas entre os cidadãos americanos.
Nesse meio tempo, um dos primeiros frutos amargos do NAFTA já apareceu. Como todos os outros modernos tratados de “livre comércio”[2] , o NAFTA serve como um canal secreto para regular moedas internacionais e taxas de câmbio fixas. Um dos aspectos não comentados do NAFTA é a ação conjunta que os governos fazem para fortalecer mutuamente suas taxas de câmbio. Na prática, isso significa uma sobrevalorização artificial do peso mexicano, que vem caindo acentuadamente no mercado, em resposta a inflação mexicana e a instabilidade política desse país.
Dessa forma, o NAFTA originalmente criou uma associação “temporária” de $6 bilhões em crédito para ajudar nas sobrevalorizações mútuas das taxas de câmbio. Com o peso naufragando rapidamente, os governos membros do NAFTA tornaram essa associação “temporária” de crédito permanente, e aumentaram o crédito de $6 para $8,8 bilhões. Além do mais, os três países do NAFTA criaram um novo North American Financial Group (Grupo Financeiro Norte-Americano), que consiste em fazer com que os respectivos ministros das finanças e presidentes dos bancos centrais “supervisionem questões econômicas e financeiras que estejam afetando os parceiros norte-americanos”.
Robert D. Hormats, vice-presidente do Goldman Sachs International, celebrou o novo acordo como sendo “um progresso lógico, que começou com o comércio e a cooperação de investimentos entre os três países, e evoluiu para uma cooperação monetária e fiscal maior entre eles”. Bom, essa é uma maneira de ver a coisa. Uma outra maneira é mostrar que é esse é só mais um passo feito pelo governo americano em direção a acordos que irão distorcer as taxas de câmbio, criar crises monetárias e escassezes, e desperdiçar o dinheiro do contribuinte e outros recursos econômicos.
Pior de tudo, os EUA estão marchando inexoravelmente em direção a uma economia regulada e planejada por burocracias governamentais regionais, e até mesmo mundiais, que estão fora de qualquer tipo de controle e que não precisam dar explicações a nenhuma das pessoas submetidas aos seus domínios em qualquer lugar do globo.
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[1] Na macroeconomia americana, ao contrário da brasileira, diminuir a taxa de câmbio do dólar significa dizer que uma menor quantidade de moeda estrangeira agora compra a mesma quantidade de dólar do que antes da desvalorização.
Ex: antes da desvalorização, o câmbio estava em R$2 por dólar – eram necessários 2 reais para comprar 1 dólar; após a desvalorização, o câmbio vai para R$1 por dólar – agora é necessário apenas 1 real para comprar 1 dólar. [N. do T.]
[2] Nos EUA, ao invés de considerarem o NAFTA como um “free-trade agreement” (acordo de livre comércio), os libertários se referem a ele como “government-managed trade” (comércio gerenciado pelo governo), pois sabem que esse tipo de acordo serve apenas aos interesses das grandes corporações que fazem lobby no congresso, e não aos interesses genuínos da população. O NAFTA determina as tarifas comerciais que são do interesse das corporações, protegendo algumas áreas e liberando outras. Assim como a ALCA, o NAFTA está longe de representar um verdadeiro livre comércio. [N. do T.]
Para mais sobre o assunto, leia os seguintes artigos: Livre Comércio versus Acordos de Livre Comércio e O Mito do NAFTA
Rothbard acertou em todas as suas análises.
Excelente trabalho, Dâniel.
Já era hora de bater de frente. Confesso que eu não teria a coragem para enfrentar o juiz, nem mesmo se tivesse todas as minhas contas em BitCoin. Você fez um grande serviço pela liberdade.
Como se fala? “Dâniel” ou “Daniél”?
Gostaria de aproveitar e divulgar meu blog:
http://www.aspone.blog.com
Sou servidor público e conto como é o dia-a-dia na repartição, sob um olhar crítico e libertário.
Parabéns Dâniel. Uma coragem – e competência – extraordinárias.
Parabéns Daniel! Viva a Liberdade de Expressão!
Para constar…
Recentemente houve, aqui no Paraná, um caso muito parecido ao do Dâniel – guardado, evidentemente, as proporções e o público interessado. Trata-se de uma ação inibitória promovida pelo presidente do TJPR contra o maior jornal daqui, a Gazeta do Povo. Para quem não conhece a história: dêem uma olhada aqui.
O caso tem algumas similaridades bizarras com o do Dâniel. O pedido de censura, o segredo de justiça, o fato de ambas as ações terem sido propostas por juízes e julgadas liminarmente por pares, etc.
Mas o mais bizarro foi o seguinte: em ambas as ações, houve desistência dos autores. As duas desistências tiveram fundamentos vagos, mas semelhantes entre si (presumo que a do Dâniel seja conhecida por todos, enquanto a do jornal pode ser lida aqui – estava no site do TJPR, mas foi estrategicamente retirada de lá). E o principal: aconteceram uma em seguida da outra – a do Fraga na terça-feira (se não me engano) e a da Gazeta do Povo na quarta.
Parece meio ingenuidade afirmar que é só coincidência. Talvez a repercussão que ambos os casos tenham tido perante seus respectivos públicos tenha forçado alguma providência por parte de um órgão de classe (AMB, por exemplo) ou do CNJ. Não sei. E tenho mais o que fazer, não vou ficar investigando isso.
Mas fica a informação para quem quiser usar para alguma coisa.
Pior entrevista do site, disparado. E olha que o Bruno se esforçou para extrair algum conteúdo do entrevistado, mas era mais ou menos como o William Buckley entrevistando a Mulher Melancia…
É claro que o código penal brasileiro é extremamente arcaico e autoritário no que diz respeito à liberdade de expressão, não precisa nem ser libertário para reconhecer. E é claro que nenhuma pessoa com bom senso concorda com os processos que o Daniel Fraga tomou. Isso posto, os vídeos desse cara são muito fracos quando não são uma completa piada e ele faz MUITO mais mal do que bem para as ideias libertárias…
Gostaria de dar meus parabens ao jornalista Dâniel Fraga, pela coragem que demonstrou defendendo a liberdade em sua forma unica de liberdade de expressão, liberdade economica, e assim defendendo a liberdade de toda a humanidade. Precisamos de uma liberdade de empreender, de ir e vir, de nos defendermos de todo o tipo de intromissão, coerção em nossas vidas, quer até nos desarmar sem conseguir desarmar os bandidos. O estado não nos dá proteção, no Estado do Rio 10.000 desaparecidos sem que a policia descubra quem os matou. Veja os número de mortes, roubos, estupros, não protege nossa propriedade particular, proteção aos terroristas dos movimentos sociais que invadem matam e destroem, nos dá educação de pessima qualidade, saude racionada, os medicos cubanos são escravos da dinastia do Fidel Castro e vão vir ao brasil para disseminar a ideologia ditatorial do socialismo comunismo, e promover trabalho escravo, o governo de Cuba e que recebe pelo seu trabalho e com eles virão um agente secreto para controlar os outros. Os politicos formam uma nova classe, assim como membros do executivo, assim como os membros do judiciario com salarios altissimos e recebem por varias diretorias de estatais. O povão e a classe media são um verdadeiro burro de carga do governo e recebe em troca a inflação. A gestão do PT é o progresso para tráz: pibinho, companhia de petroleo que dá prejuizo, infraestrutura caótica, se o governo tivesse o monopolio da areia dos desertos logo apareceria a escassez de areia,esbanja corrupção ex: mensalão. Um presidente que no poder tinha amante quando D. Mariza acompanhava o presidente em viagem oficiais internacionais a amante ficava,em outra viagem ia a amante e D. Mariza ficava. Este presidente era chegado num ditador, seus melhores amigos era Armadineja, Fidel Castro, Evo Morales. Não doentes eles enaltecem o SUS, doentes se internam e fazem seus tratamentos no Hospital Sirio Libanês, que o diga o Lula,a Dilma e o Genuino, e este ele se aposentar por invalidez existem milhões de brasileiros em piores condições que ele. As pessoas segundo a Constituição de 1988 são iguais perante a lei e tratadas desigualmente na realidade. Os pais que colocavam seus filhos em escola particular e liberavam uma vaga na escola publica para um aluno carente é atualmente punido com o injusto instituto legalizado das perversa politica de cotas, cujo unico critério é a cor da pele. Todos com pele não branca seriam beneficiados com previlegios onde podem exibir pouco conhecimento, pouca garra,preguiça, sendo então considerados os cidadãos inferiores, pasmem tudo isto chancelado pelo STF. Os ministros nomeados pelo governo quando empossados votam a favor do governo, chegando até terem ministro que defendem o governo e os seus membros, verdadeiros advogados do governo e de seus ex-ministros. Ou seja quem se esforça mais procura obter mais conhecimento e trabalhar, poupar, e com sua poupança investir criar empregos e desta maneira criar riqueza, mas sem intenção ajudar os outros,acaba promovendo sem querer o bem geral. A economia de mercado é baseada na cooperação pacifica de seus membros que são os comerciantes que odeiam a guerra porque atrapalha os seus negocios. Em suma o mercado é o maior criador de riqueza que os homens aprenderam a usar. Para isto precisamos de respeito a propriedade privada ganhada com nosso suor, e da liberdade de agir. O governo só serve para atrapalhar, usar a força contra nossa liberdade, a arrogancia do poder e a introdução indevida. Por isso precisamos da liberdade para acabar com as interferencias indevidas, se não lutarmos pela nossa liberdade logo surgira o estado terapeutico, e vai determinar até o que devemos comer. Devemos criar o dia da Liberdade onde todos que usam a tribuna da internet pode manifestar sua preferencia e combater as iniquidades e cobrar enquanto existir governos a cobrar as isonomias, sem castas digo cotas. Politicos tirem as suas mãos sujas da internet que é o meio de expressarmos nossos anseios. Façamos um pacto de união contra todos que interfiram na internet. O jornalista Dâniel Fraga já deu o 1º passo e daqui para a frente devemos manifestar contra qualquer tentativa de regulamentação de internet. Jornalista Dâniel Fraga parabens pela sua coragem moral.
Parabéns ao pessoal do Mises Brasil por essa entrevista. Sem dúvida o Daniel Fraga realiza um ótimo trabalho em defesa do livre mercado. Sou católico, mas não vejo problema algum em elogiar o Daniel em sua defesa das liberdades individuais. Assim como o Stefan Molyneux, que tb é ateu e merece elogios.
Dâniel, interessantes constatações temos aqui. Senão, vejamos:
1) “Se você afirma que uma “divindade” existe, cabe a você provar, do contrário incorrerá na falácia da inversão do ônus da prova.”
2) “mas nada muda a possibilidade de que o universo possa ter surgido do nada”
3) “Fé é acreditar em algo que não existe.”
Coloquei na ordem que apareceu nos comentários. Antes de mais nada, quero deixar claro que não tenho nenhuma intenção de te converter a qualquer forma de teísmo, apenas refutar seus argumentos.
Vou começar com a “3” por ser uma questão semântica simples: O Aurélio apresenta sete definições para a palavra, e acho que nesse contexto, duas se enquadram:
“Crença religiosa” e “Asseveração de algum fato”.
Nenhuma delas envolve a existência ou não daquilo em que se crê. Você pode ter fé na ciência, inclusive, e sua fé pode estar errada, porque a ciência evolui, novas descobertas são feitas, e algumas das novas invalidam descobertas antigas, as quais toda a comunidade científica da época divulgou como sendo fato.
No entanto, essa é vantagem da ciência, a base central de que nenhum conhecimento obtido até o momento é necessariamente a verdade. Nada que se sabe é necessariamente definitivo. Essa é uma premissa básica da ciência, embora a maioria das pessoas que afirme crer na ciência – inclusive muitos cientistas – não pareçam acreditar nesse fato. Claro que a fé em algum fato científico se embasa no melhor conhecimento que a ciência pôde obter num determinado momento, mas isso não faz com que a fé na ciência deixe de ser a “Asseveração de algum fato”, ou seja, não deixa de ser fé.
Sobre a assertiva “1”, antes de mais nada, concordo que o ônus da prova incorre a quem afirma alguma coisa. No entanto, você parece não perceber que há duas afirmativas que deveriam ser provadas verdadeiras, e não uma:
a – Existe(m) Deus(es);
b – Não existe(m) deus(es).
Como nenhuma das duas pode ser provada de maneira definitiva, não há razão em se crer em qualquer das duas. Isso não quer dizer que não possa haver motivos e fundamentos lógicos para se escolher POR MOTIVOS PURAMENTE EMOCIONAIS uma das duas posições. Cada um escolhe aquela que faz com que ele se sinta mais confortável, embora algumas possam ser embasados em conhecimentos melhor embasados, verificados cientificamente, testados cientificamente, e outros por motivos que não passaram pelo crivo do método científico. No entanto, como nenhum conhecimento, nem o científico, é definitivo, não
Assim sendo, o ateísmo é tão irracional quanto qualquer religião. Se estou errado, favor provar de maneira irrefutável que a assertiva “b” é correta.
Por fim, falemos da assertiva “2”. Repetindo: “mas nada muda a possibilidade de que o universo possa ter surgido do nada”. Novamente, temos duas hipóteses:
a – O universo surgiu do nada;
b – O universo teve um ponto de partida.
É possível provar definitivamente qualquer uma das duas? Como já foi exposto, nem mesmo a ciência é definitiva em nada, que dirá a opinião de um ou de alguns cientistas, que ainda não foram provados cientificamente? Cabe a cada um escolher o lado que fizer com que se sinta mais confortável com a própria consciência.
Após tudo isso, ou você entende que o ateísmo é uma religião como todas as outras, ou você precisa estudar lógica básica.
Abraços.
Olá Daniel. Antes de tudo parabéns pela entrevista, foi muito interessante.
Gostaria de poder entender melhor seu ponto de vista sobre processos por danos morais e similares. Pelo o que eu entendi na entrevista você é contra esse tipo de ação, mas como então seria coberto alguns casos, por exemplo:
– Uma empresa suja o nome de um cliente erroneamente, por exemplo, e este descobre que seu nome está com restrição no momento de fechar uma compra em uma loja qualquer. E ao contactar a empresa culpada por ter feito a restrição a mesma nega o feito.
outro exemplo,
– Um sujeito utilizando o mictorio de um banheiro publico, sem perceber, tem sua parte intima (mostrando o rosto dele também) fotografada e divulgada na internet.
De acordo com sua linha de raciocínio sobre processo por danos morais como seriam julgados esses exemplos.
Obrigado e parabéns novamente.
Eduardo.
Sim, é possível provar que algo não existe. Dependendo do que for (ou não for), é difícil, admito, mas que é possível é possível. Por outro lado, provar a existência, em não raras vezes, não é também tarefa das mais fáceis.
Pois bem, por ora, deixemos isso de lado.
Meu comentário se justifica porque, faço questão de obsevar, você se contradiz. Achei isto, no mínimo, curioso (para ser legal com você): você sentencia, com a certeza dos “sábios”, que é impossível provar que algo não existe (o seu “Não, não é” deixa claro). Mas, milagrosamente, ou melhor, magicamente, acha que comprovou justamente a inexistência dessa possibilidade. Repare bem: você disse que não existe a possibilidade de se provar que algo não existe. Que fonte de sabedoria!
Parece-me, é uma impressão, que o mundo de fantasia em que você acha que um crente em Deus vive na verdade é o seu.
Que maravilha esse debate entre ateus militantes e fideístas! É o encontro de Karl Marx e Santo Anselmo!
E o pior é que tudo começa com um comentário anônimo, sem relação com a entrevista, de um sujeito que, aliás, escreve “aliais” e “chegar nessa conclusão”…
“Muito diferente de você falar: “Não existe unicórnio rosa.” Jamais você vai ter certeza absoluta disso, pois de repente, em algum lugar que você não olhou, tem um.”
Discordo Eduardo, depende da natureza da proposição.
Sem querer colocar mais lenha nesta fogueira que se desenrolou, – até porque sei que a existência de Deus não pode ser provada por um processo intelectual – vou discordar aqui de você.
Se a proposição em questão for de ordem lógica, ela independe de qualquer constatação empírica. Sabemos que não existe triângulo cuja soma de dois lados seja menor que a do terceiro; não precisamos medir todos os triângulos para provar a não-existência desta hipótese. A percepção deste fato é apriorística.
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O mesmo vale para se provar a existência de algo. É uma constatação lógica saber que não se pode rastrear uma sucessão de causas e consequências até o princípio de tudo. Não se pode explicar racionalmente a própria existência da matéria e da energia. Há, então, algo que existe intangível à nossa capacidade cognitiva. Daqui se tira que não se pode afirmar que algo se algo é ininteligível ele, per se, não existe.
Daí para reconhecer que existe Deus, e principalmente identificar o correto Deus é um passo intransponível pela via do processo intelectual humano. A certeza absoluta neste quesito é fornecida pela fé.
Parabéns ao Dâniel Fraga pela ótima entrevista. Espero que continue com os videos defendendo a liberdade!
Cito Millor Fernandes: “Quando o primeiro espertalhão encontrou o primeiro imbecil, nasceu o primeiro deus”
O dinheiro se tornou uma abstração pura: um símbolo que nada simboliza no mundo concreto.
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Libertários cristãos, (ou ateus com um mínimo de decência), tremei:
https://www.youtube.com/watch?v=RwnJMBY6wLE
Com aliados como esse, quem precisa de inimigos?
Bom texto
Excelente entrevista Daniel. Muito bom ver pessoas da tecnologia versadas nas ideias da Liberdade!!
Excelente entrevista, gostaria de ver o Dâniel Fraga de volta à ativa.
Vendo essa questão da crítica do Rothbard ao câmbio fixo, lembrei do caso da Bolívia atualmente. O governo já está apavorado, porque as reservas internacionais estão caindo. Luis Arce vai precisar falar com o Daniel Ortega sobre como a Nicarágua conseguiu fazer explodir o nível de reservas internacionais.
Eles terão de ou aumentar as reservas internacionais ou deixarem flutuar de vez. Em tese, com papel flutuante, acaba-se o problema das reservas internacionais.
Vão ter que conversar com o FMI.