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Então apenas a ciência econômica não basta?

As
últimas tendências para tornar a ciência econômica mais “científica” se resumem
a tentar incorporar nela os resultados de outras disciplinas, como a psicologia
e a neurociência.  Sendo eu um economista
seguidor da Escola Austríaca, acho bem-vinda qualquer crítica à corrente
econômica convencional.  Entretanto,
alguns dos proponentes desses métodos modernos frequentemente se excedem quando
criticam as “falhas” dos princípios econômicos básicos.

Veja,
por exemplo, um recente artigo
da CNN que fala sobre “receios” e procrastinação, e explica por que nós
supostamente necessitamos de algo mais do que a economia ortodoxa para avaliar
e compreender os assuntos.  Eis um
trecho:

A teoria econômica convencional diz que as pessoas devem
postergar pelo maior período de tempo possível ações que trarão efeitos ruins,
pois algo pode acontecer durante esse ínterim que venha a melhorar o panorama.

Na vida real, a reação “vamos acabar com isso o mais rápido
possível” é a mais provável, disse Berns, professor de psiquiatria e ciências
comportamentais.  Ele oferece um exemplo
pessoal: ele normalmente paga suas faturas de cartão de crédito assim que elas
chegam, em vez de postergar até o último dia, ainda que isso “não faça nenhum
sentido economicamente falando”.

Essa
reação não é contra-intuitiva, irracional ou qualquer coisa do gênero, e eu não
preciso utilizar a neurociência para explicar por quê.  Há uma probabilidade positiva de que eu possa
perder a data de vencimento da fatura — por causa de um acidente de carro, de
uma greve nos Correios, de alguma doença prolongada, abdução por
extraterrestres, ou simplesmente por puro descuido.  A cada dia que eu adio o pagamento, aumenta a
probabilidade de eu ter de pagar juros de mora absurdamente altos.  Por outro lado, qual o benefício de eu
postergar a quitação?  Investir em um
título de 15 dias de maturação?

Para
a maioria das pessoas, o dinheiro utilizado para pagar uma fatura mensal de
cartão de crédito está depositado em uma conta-corrente, e é por isso que pagar
de imediato as contas do seu cartão de crédito faz perfeito sentido.  Por outro lado, “a teoria econômica
convencional” iria insinuar que as grandes instituições financeiras não pagam
suas contas o mais cedo possível apenas “para se livrar disso”, e também
insinuaria que as pessoas não se apressam para devolver livros que pegaram nas
livrarias (por causa das multas baixas ou mesmo nulas).  E adivinha só?  A teoria econômica convencional está
perfeitamente correta em fazer essas “previsões”.

Outro
trecho:

Em outras palavras, a simples informação de que você está
prestes a sentir dor “já parece ser uma fonte de sofrimento”, escreveu George
Lowenstein, especialista em economia e psicologia da Carnegie Mellon
University.

Será
que precisamos de uma ressonância magnética para concluir isso?  Já que o Dr. Lowenstein está tão empenhado em
explicar os mistérios do universo, talvez ele pudesse me ajudar com essa dúvida
atroz: há um garoto na minha vizinhança que corta gramas em troca de meros
pedaços de papel, também conhecidos como dinheiro.  Por que diabos ele faz isso?  Ao que tudo indica, a expectativa de poder
fazer mais gastos no futuro é uma fonte de alegria para o presente.  Isso não é surpreendente?  Talvez eu devesse pleitear fundos do governo
para pesquisar a fundo esse fenômeno generalizado que desafia e atordoa os
economistas convencionais.

Deixando
de lado o sarcasmo, meu objetivo já deve estar claro: economistas já sabem
desde há muito que a expectativa de prazeres e dores no futuro faz com que
prazeres e dores sejam vivenciados no
presente
.  Com efeito, sem tais
fenômenos, a ação humana não ocorreria de modo algum — isto é, o indivíduo
está sempre agindo no presente com o intuito de remover desconfortos e
dissabores futuros.  Böhm-Bawerk dedicou boa
parte de seu tratado sobre capital e juros a esse fato, obra essa que ele
escreveu ainda no século XIX.

É
verdade que os modelos econômicos convencionais fazem suposições ridículas
quanto a comportamento “racional”, e boa parte da literatura sobre economia
experimental e comportamental faz bem ao apontar essas falhas.  Entretanto, os modelos econômicos convencionais
não são o mesmo que princípios
econômicos ortodoxos.  É preciso evitar a
tentação de crer que os professores de jaleco branco atuais sabem mais de
economia do que os pensadores da “velha escola”.  Principalmente no que diz respeito à ciência
econômica básica, raramente há algo de novo sob o sol.

 

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17 comentários em “Então apenas a ciência econômica não basta?”

  1. A ciência econômica se encontra em fase experimental, em relação ao sujeito e objeto.

    O que ela funda a partir da experiência representada (ação, produção, mercado, Estado), e de quem é a inscrição do dinheiro?

    Sendo um reino dono de toda riqueza, o fundamento do dinheiro era o de inscrevê-lo como um imposto para o Estado.

    Marcos 12: 12 a 17, perguntaram a Jesus a questão do tributo: “… é lícito pagar tributo a Cesar ou não? Devemos ou não devemos pagar?

    Mas Jesus percebendo-lhes a hipocrisia, respondeu: Por que me experimentas? Trazei-me um denário para que eu o veja.

    E eles lho trouxeram. Perguntou-lhes: DE QUEM É ESTA EFIGIE E INSCRIÇÃO? Responderam: De Cesar.

    Disse lhes, então, Jesus: Dai a Cesar o que é de Cesar e o que é Deus o que é de Deus.”

    Mas veio a contradição do dinheiro ser o imposto do livre mercado para o Estado, inspirada na produção do dinheiro, em si, para quem assumiu o recebimento do seu custo de criação (ouro, prata, commoditie) e cobrá-lo dos demais Estados.

    Porém, esse custo de criação da moeda não prevaleceu.

    Analise o custo zero da moeda (capitalismo) sobre uma frase de Mises, escrita no Mises Equador:

    “El capitalismo no necesita ni la propaganda ni los apóstoles. Sus logros hablan por sí mismos. El capitalismo nos trae los bienes “-. El dinero, el método, y el proceso de mercado.

    É possível que “Sus logros”, por si mesmos, nos trás bens? Ora, o método é um processo de mercado para o capitalismo. Então, o representante do mercado é um certo impostor – porque os bens seguem para quem funda a inscrição do dinheiro.

    E tão interessante constatar que, por exemplo, o Estado brasileiro, que não é o titular da inscrição do capitalismo e sim devedor de títulos públicos, ser acusado de roubar dinheiro de impostos. Posto que assim faz porque não tem a hegemonia de criar o dinheiro de papel como um imposto da reprodução do estado fora dele (a realidade); e, ao pagar isso para o capitalismo americano e os banqueiros, deixa de fazer a origem do estado da riqueza apenas como situação social; beneficiando os imperialistas (em sua nova fase experimental de reservas fracionárias e internacionais – o imposto da riqueza nacional).

    Gostaria saber a opinião dos libertários: Quem deve fundar o dinheiro a fim de evitar que o capitalismo de mercado (financeiro) cobre o imposto pela inscrição do papel (fictício da economia?)

    – Ciência abstrata da moeda – matemática da produção

    – Produtores de ouro e prata

    – Governo mundial

  2. Essa de dar a Cesar o que é de Cesar bem demonstra o caráter retórico, sofístico, pretensioso, falso, dessa escxritura diialética par excellence lavrada por Agostinho, usando diversos nicks. Se é de Cesar, ninguém precisa dá-lo. É dele, e pronto.

  3. O planejamento em escala abrangente é uma impossibilidade epistêmica. Reparemos na gravura disposta: como se desenvolvem os canais da inteligência, dos nervos, neutrinos, e tudo o mais? Que critério poderia equacionar tantos meandros? Mas seria apenas na formação cerebral tamanha peculairidade? Absolutamente. A mesma evolução verifica-se em copas de árvores, em deltas de rios, nas nuvens, em vasos capilares, na corrente sanguínea, na formação das nações. Como calcular tudo isso, ainda mais com base no passado, para “prever o futuro”? Um fractal é incalculável; tampouco cabe em simples palavras. É conceito. É fenômeno atômico, sem dúvida, aliás, como tudo. Em caráter precário, diria que é uma manifestação energética, portanto ondulatória e por isso frequente, que se espraia para onde lhe for mais fácil, adequado, conveniente. Não porta nenhuma similitude geométrica, tampouco conserva a rigidez simétrica tão apreciada pelos físicos, embora apresente um padrão constante que permite sua identificação.
    Quanto mais planejada a economia, mais rápido ela fracassa. E quanto mais livre, mais todos obtém êxito. Conservo a impressão de que a ciência econômica não deve ser pragmática, mas de consciência. Apenas pela sua não-ação tudo pode ser feito.

  4. Bem, Vitor, seria muito fácil você saber, bastando uma consulta a Wiki, Mas agradeço a oportunidade, vez que seguidamente sou colocado em xeque, como se eu estivesse em busca de alguma faixa de miss. Por isso suponho que seu questionamento seja apenas um desafio, no sentido de querer demonstrar que eu nem sei o que digo, apenas ajo como papagaio. Muito engraçado quando o senso comum pressupõe que a nova ciência deva ser muito mais complexa que a antiga, e portanto só mesmo cientistas altamente desenvolvidos são capazes de formular seus arrazoados. Felizmente não é assim. O que tornou a ciência hermética foi justamente a faina da concorrência, quando seu domínio significava poder sobre o semelhante. Não é meu caso. Não frequento o site para me afirmar, ou me exibir, ao contrário. Venho apenas para contribuir, oferecer subsídios colhidos em mais de trinta anos de pesquisas, devidamente registrados ponto a ponto, em troca do que por aqui posso colher, no intuito que meus descendentes vivam num mundo mais compatível com a realidade, não com ideais forjados. Graças a gentileza do Dr. Henry Maksoud, há exato 30 anos recebi um exemplar de Law, Legislation and Liberty, de modo que a Escola Austríaca frequentei já no primário. Mas muitas vezes pensei em simplesmente não mais acessá-la, porquanto quem não comungar exatamente com as idéias de Mises, essas lavradas já faz século, parece merecer hostilidade. Impressionante a falta de educação que paira neste nivel supostamente superior. Mesmo tentar evoluir tão precioso embrião é arriscado. A perfeição chegou no ápice. A surpresa é mais intensa porque penso estar no meio de gente jovem, de cabeça aberta, arejada, não disposta a repetir exatamente o que ensinaram seus bisavós. Tenho várioa approaches à cerca das evoluções atômicas, e os fractais, esses fenomenos totalmente desconhecidos pelos cercadinhos. Evolução atômica não é prerrogativa de bomba atômica. As tangentes ao ser humano ainda contam com essas diminutas partículas que acompanham, diria balizam as órbitas eletrônicas. Coube a Wolfgang Pauli apontar sua incidência, exatamente quando Mises com muita competência tentava brecar a faina lógico-positivista. No entanto, se a Teoria da Relatividade demorou uns vinte anos para ser a aceita na própria comunidade científica, e até hoje é ´praticamente desconhecida no mundo acadêmico, a teoria quântica, por fantasmagórica, assustadora, incrivelmente ainda não encontra compreensão. No nível quântico, não há nada além da energia e informação. Campo quântico é apenas outro nome do campo da consciência pura ou da potencialidade pura. Mas, dizia, os neutrinos foram assim batizados apenas depois de quarto de século. Nesta data eu entrava no primário, veja só como é recente, embora eu já tenha avançada idade. O problema todo foi a exigencia da prova cientifica, mesmo critério que leva todos a desconhecerem por completo a magnifica Teoria das Cordas. Isso tudo arrasa com a disposição que não exige prova nenhuma, exceto a crença estapafúrdia num tal Deus, de modo que as gentes preferem a ilusão do que a compreensão. Quando o mundo se revolvia em 68 ainda se descobriam outras propriedades atômicas além dos protons,e eletrons e neutrinos, o que chamaram de quarks. Depois ainda vieram os leptosn. Essas classificações buscam entender a espetacular formação e evolução da matéria, totalmente diverso do que se cogitava, de Platão a Marx, passando por Darwin. Meu TriPulante Niels Bohr recomendava observar que a compreensão dos fenomenos atõmicos ultrapassava em muito o campo particular da ciência física. Quando começamos a perceber as sutilezas, verificamos a vasta rede de interrelações que abarca a bisfera inteira. Isto faz dos seres vivos elementos primordiais dentro dessa vastidão interconectado o psi com o cosmos. Os neutrinos sofrem e proporcionam interações fracas e gravitacionais, como tudo. Aliás, a evolução do Universo se dá por efeitos gravitacionais, cujas ondas informam as circunstancias, assim tecendo a expansão do Universo, e por consequencia, a evolução do ser humano. O shape do DNA é helicoidal, exatamente pelas mesmas razões, e sua formação deve muito aos neutrinos. Antes da forma o ser humano é in-formado.. Por descreverem as oscilações dos neutrinos, Koshiba e Davis ganharam o prêmio Nobel 2002. Quanto a mim, espero receber meu Nobel postmortem, pela unificação das ciências, tão almejada por Einstein.

  5. Emerson Luis, um Psicologo

    É necessário graduação, mestrado, doutorado e pós-doutorado em economia para NÃO compreender certas realidades básicas que qualquer pessoa sã pode perceber intuitivamente.

    * * *

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