Ludwig
von Mises acreditava que o tópico do polilogismo era importante o bastante para
ser abordado ainda na introdução de Ação Humana:
O marxismo afirma que a forma de pensar de uma pessoa é
determinada pela classe a que pertence.
Toda classe social tem sua lógica própria…. Este polilogismo,
posteriormente, assumiu várias outras formas.
O historicismo afirma que a estrutura lógica da ação e do pensamento
humano está sujeita a mudanças no curso da evolução histórica. O polilogismo
racial atribui a cada raça uma lógica própria.
Embora
ele estivesse escrevendo em 1949, Mises já havia notado para onde as tendências
estavam se encaminhando: o pensamento polilogista — a crença de que há uma
multiplicidade de irreconciliáveis formas de lógica dentro da população humana,
subdivididas em algumas características grupais — viria a se tornar uma
característica predominante da ciência social moderna.
E,
de fato, praticamente toda a atual política moderna se baseia de alguma forma
nessa ideia. Falamos sobre interesses
grupais não apenas quando nos referimos a classes, mas também nas áreas de
raça, sexo, religião, aptidões, aparências e muito mais. Mesmo políticas ambientalistas podem ser
entendidas nesses termos: que a própria natureza funciona de acordo com uma
lógica distinta da lógica da população humana, de modo que estamos explorando a
natureza a todo o momento e sequer sabemos disso.
Um
ponto adicional sobre o polilogismo: acredita-se não apenas que exista uma
variedade de formas de estrutura lógica no mundo, como também que essas formas
de lógica criam um conflito, baseado na exploração, que é a base da sociedade e
que necessita urgentemente de uma correção através de alguns meios
externos. Assim, todas essas formas de
polilogismo geram uma suposta necessidade de alguma ação social (estatal) para
acomodar essas variedades de pensamento.
Os exploradores devem ser destruídos, mesmo no caso do meio
ambiente. Tão predominante é essa
abordagem, que ela praticamente define toda a ciência social que é praticada atualmente
no meio universitário.[1]
Tornando-se
ciente de tudo isso ao ler Mises, o leitor pode ficar extremamente surpreendido
ao ler a apresentação de Hans-Hermann Hoppe sobre as teses centrais da teoria
de classes marxista e sua conclusão sumária: “Afirmo que todas elas, em sua
essência, estão inteiramente corretas.”
Como
podemos explicar a aparente suavidade de Hoppe em relação à ideia marxista
quando se sabe que Mises é tão completamente contrário a ela? Há uma resposta: o que Hoppe fez foi depurar
o marxismo de suas presunções epistemológicas e reter apenas sua análise do
mundo material. Isso nos permite
absorver do marxismo várias constatações importantes ao mesmo tempo em que
desconsideramos todo o seu polilogismo, o qual tanta retórica pérfida gerou no
passado e continua gerando no presente.
Um
exemplo clássico do uso do polilogismo pode ser encontrado no livro Karl Marx and the Close of His System,
de Eugen von Böhm-Bawerk [2], de 1896. Böhm-Bawerk oferece uma argumentação
meticulosamente detalhada, que se estende por mais de 150 páginas, mostrando
que Marx jamais conseguiu explicar completamente por que é que os bens não são
precificados de acordo com a quantidade de trabalho contida neles, mas, ao
contrário, o lucro do capital se dá em proporção à quantidade de capital
investida. Tivesse Marx tentado explicar
isso, como ele sempre prometeu que faria, imediatamente ficaria óbvio que toda
a sua teoria da mais-valia é inteiramente contraditória em relação aos fatos
reais.
Este
é um erro fatal na obra de Marx, pois ele não permite ao leitor testar de
maneira lógica ou empírica sua alegação a respeito da mais-valia extraída pelo
capitalista e não repassada aos trabalhadores.
Böhm-Bawerk adicionalmente escreve que o marxismo aparentemente encravou
no sistema a estratégia de desvirtuar qualquer tentativa de refutar sua
teoria. Toda discordância é rejeitada e
desprezada com argumentos ad hominem,
dizendo que o crítico é alguém irremediavelmente desvirtuado pelo pensamento
burguês. “Seria muito pedir que, se ele
quer introduzir interpolações subjetivas em seu sistema, estas devem ser
corretas, bem fundamentadas e não contraditórias? E essa demanda razoável e sensata Marx
continuamente não apenas ignorou como também contestou.” Esse foi o protesto de Böhm-Bawerk contra o
uso de afirmações polilogistas embutidas nas táticas de defesa marxista.
O
teórico marxista Rudolf Hilferding respondeu a Böhm-Bawerk de uma maneira que apenas
ressaltou o problema com o polilogismo: ele fez exatamente aquilo que
Böhm-Bawerk previu que um marxista faria.
Ele desdenhou a fonte e, incorrendo em um enfadonho e prolixo discurso,
ignorou todas as críticas a Marx da mesma forma que o próprio Marx o fez. Em relação à detalhada tentativa do grande Böhm-Bawerk
em atacar os detalhes da teoria marxista, Hilferding escreve:
Como porta-voz da burguesia, ele entra na discussão apenas
nos pontos que a burguesia tem interesses práticos em defender. Nas batalhas econômicas e
políticas da época, ele fielmente reflete o conflito de interesses das
camarilhas dominantes, porém evita a tentativa de considerar a totalidade das
relações sociais, pois corretamente sente que qualquer consideração desse tipo
seria incompatível com a continuada existência do modelo econômico burguês.[3]
Hilferding
ainda diz que o argumento de Böhm-Bawerk pode ser desconsiderado porque ele não
lidou com o marxismo “em sua totalidade” como um sistema integral de pensamento
que, é de se supor, deve ser aceito pela fé.
Enquanto Böhm-Bawerk fala sobre valores subjetivos, preços individuais e
sua relação com o capital investido, Marx, segundo Hilferding, “considera a teoria
do valor não como um meio de determinar preços, mas como o meio para descobrir
as leis do movimento da sociedade capitalista”.
Escreve
Hilferding:
Em vez de utilizar as relações econômicas ou sociais como o
ponto de partida de seu sistema, eles escolheram para representar esse ponto de
partida a relação individual entre homens e coisas. Eles consideram essa relação, desde uma
perspectiva psicológica, como uma que é sujeita a leis naturais e
inalteráveis. Eles ignoram as relações
de produção em sua determinação social, e a ideia de uma evolução das situações
econômicas é estranha à mentalidade deles.[4]
A
crítica de Hilferding pode ser resumida como sendo uma aplicação desse repúdio
polilogista: como um membro da classe dominante apegado aos métodos burgueses
de pensamento, Böhm-Bawerk simplesmente não é capaz de pensar da maneira
correta sobre essas coisas. O pensamento
marxista, o qual se resume inteiramente às leis da história e aos determinantes
sociais que conduzem o mundo material, é estranho a ele simplesmente porque sua
mente é incapaz de ver a verdade.
E
essa continua sendo a tática utilizada em vários argumentos políticos. É claro que hoje a retórica está em um nível
muito mais baixo, porém essa é a maneira usual na qual a discussão política
ocorre em nossa sociedade pós-marxista, em que as pressuposições polilogistas
conduzem o debate. Por exemplo, é
impossível os capitalistas entenderem a lógica do debate ambientalista, pois
eles estão fora de sintonia com a natureza e suas necessidades. Os brancos não podem sequer tentar entender
as demandas dos negros por privilégios e redistribuição, pois a experiência
negra e sua maneira de pensar são estranhas à experiência branca e sua maneira
de pensar. O mesmo é válido para
questões relacionadas a sexo, sexualidade, religião e capacidades físicas.
Hoje
é normal pressupor que um indivíduo não pode sequer se atrever a falar sobre as
controvérsias de nossa época caso ele não pertença ao “grupo oprimido” sendo
discutido. Ainda assim, se uma mulher,
ou um negro ou um gay oferecer um ponto de vista que vai contra a agenda
política daqueles grupos poderosos que se pretendem porta-vozes desse coletivo,
tal pessoa será desprezada como sendo alguém que, por algum motivo, não possui
uma consciência mais elevada e que está irremediavelmente contaminada por uma
mentalidade obscurantista. Ela não é uma
mulher genuína, ele não é um negro genuíno, ele não é um gay genuíno, eles não são deficientes
físicos genuínos, ele não representa a genuína visão do Islã etc.
O
que está em jogo aqui é a determinação de toda uma base para qualquer tipo de
discussão intelectual. Se nós não
conseguimos concordar em seguir regras universais para estabelecer a veracidade
de alegações, então todas as discussões são reduzidas a uma série de demandas seguidas de ataques ad hominem a
qualquer um que resista a essas demandas.
O próprio Mises entendeu que, se quiséssemos evitar esse destino, teria
de haver algum entendimento e concordância quanto à regras da lógica. George Koether relata[5]
que Mises dizia a seus alunos que o primeiro livro de economia que eles
deveriam ler era um livro sobre lógica escrito por Morris Cohen, um livro que,
com efeito, é um dos últimos textos completos sobre lógica publicado para uso
universal nas salas de aula universitárias.[6]
Enquanto
isso, crescem as reclamações de que atualmente a lógica como uma disciplina
deixou de fazer parte do currículo do ensino médio ou até mesmo do ensino
universitário, o que significa que, após 16 anos de estudo formal, é difícil
encontrar algum estudante que saiba até mesmo as regras básicas sobre como
pensar.
Esta
é mais uma evidência de como esse aspecto específico do marxismo — seu ataque
radical ao núcleo do pensamento lógico, um assunto que (junto com a gramática e
a retórica) tem sido parte do “trivium”
desde a Idade Média — triunfou no pensamento convencional atual, chegando a
tal ponto que, caso algum professor seja suspeito de estar exigindo que seus
alunos apliquem lógicas universais e se recusem a aceitar o argumento do
‘interesse de classe’ como uma verdade autoevidente, pode ser excluído do meio
acadêmico meramente por ser defensor de opiniões “politicamente incorretas”.
A
abordagem feita por Hoppe sobre o marxismo, entretanto, abstém-se totalmente da
questão polilogista, preferindo abraçar os princípios lógicos universais como
sendo o método essencial com o qual reaplicar a teoria política marxista em um
contexto completamente diferente. Em
seus escritos sobre a teoria de classes, Hoppe discorre sobre toda a
lista familiar: a história é definida pela luta de classes; a classe dominante
possui um interesse em comum; o domínio de classe é definido pelas relações de
propriedade que envolvem exploração; há uma tendência à centralização do
interesse de classe; e a centralização e a expansão dos domínios exploradores
levam a uma inevitável tentativa de dominação global. O que Hoppe está abordando aqui não é o
polilogismo como tal, mas sim um aspecto mais restrito da política marxista e
suas alegações a respeito das forças sociais da história. E ele afirma que todas estão, em sua
essência, corretas. A base para essa afirmação
de Hoppe reflete sua visão da teoria marxista da exploração, a qual ele
considera correta em suas características analíticas, mas não em sua aplicação.
Hoppe
lida com o erro da aplicação da teoria marxista de maneira direta e
decisiva. A visão marxista diz que é
exploração o trabalhador trabalhar cinco dias e receber como salário o
equivalente a apenas três dias do valor do produto que criou. E, ainda assim, é uma verdade incontestável dizer
que os trabalhadores voluntariamente aceitam contratos salariais. Trata-se, portanto, de um tipo bastante
estranho de exploração, uma que é mutuamente benéfica para ambos os lados e a
qual é praticada voluntária e alegremente por bilhões de pessoas
diariamente. Os interesses do
trabalhador e do capitalista são concordantes: o trabalhador prefere receber
uma fatia menor de bens no presente do que uma fatia maior no futuro, ao passo
que o capitalista possui a preferência oposta.
Marx não enxergou isso porque foi incapaz de entender que é impossível
trocar bens futuros por bens presentes sem que haja um desconto no valor.
Mas
o que dizer quanto à teoria da exploração que realmente existe no mundo? Hoppe argumenta que ela é fornecida pela
abordagem austrolibertária da análise global, e pode ser entendida tão logo
compreendemos que a classe dominante é aquela que possui acesso aos poderes do
estado. Essa abordagem advém da nova
definição de exploração criada por Hoppe, a qual ocorre quando um indivíduo
exitosamente adquire o controle parcial ou total de recursos escassos que ele
não produziu, não poupou, não adquiriu por meio de contratos com seu
proprietário/produtor anterior ou dos quais ele não se apropriou originalmente. O estado pode ser visto como uma empresa
totalmente voltada para praticar a exploração nesse sentido do termo. Essa exploração cria vítimas, que podem
derrubar seus exploradores tão logo elas desenvolverem uma consciência da
possibilidade da existência de uma sociedade livre de exploração, na qual a
propriedade privada é universalmente respeitada ao invés de ser
sistematicamente violada por uma classe dominante.
O
que é interessante nessa abordagem hoppeana da teoria marxista, e sua
remodelação da teoria à luz da teoria austrolibertária, é que ela contorna
completamente o núcleo polilogista da teoria marxista. Não há necessidade de postular que os
exploradores e os explorados estão, de alguma forma, socialmente obrigados a
pensar de maneira distinta sobre princípios lógicos irreconciliáveis. Muito pelo contrário: a abordagem de Hoppe
assume a aplicabilidade universal de um único conjunto de princípios lógicos.
Eis
aqui o principal ponto de partida, um que esclarece a aparente diferença entre
Mises e Hoppe, e ressalta uma importante agenda ideológica para o futuro. De quais maneiras a reconstrução hoppeana do
marxismo se aplica aos desdobramentos modernos do marxismo? Tão logo removemos a suposição polilogista
que fundamenta as políticas atuais, podemos ver que várias relações de grupos
de interesse são de fato caracterizadas exatamente por esse tipo de exploração
descrita por Hoppe. E são precisamente
as leis e a legislação que tornam esses tipos de exploração possível. Leis que privilegiam uma raça, uma religião,
um sexo ou uma classe de aptidões sobre outras geram um grupo de vítimas e consolidam
uma forma de solidariedade grupal que antes poderia existir no máximo em forma muito
embrionária. Ao passo que diferenças
grupais podem ser resolvidas por meio de trocas, comércio e mercado, a entrada
do estado para “arbitrar” essa relação apenas amplifica e institucionaliza o
conflito entre grupos.
Isso
é verdade no que concerne, por exemplo, à sexualidade. Uma vez que o estado começa a subsidiar a
manifestação de uma determinada forma de preferência sexual, ele faz com que os
indivíduos possuidores de outras preferências sexuais tenham a correta
impressão de que estão sendo pilhados ou explorados de alguma forma, e o único
método de defesa é se organizar e se unir para impedir que tal exploração
continue. Isso pode se tornar ainda mais
explosivo quando envolve assuntos como raça, aborto em hospitais públicos ou
até mesmo religião, porém os conflitos também surgem em outras áreas, como
legislação ambiental e legislação pró-deficientes.
Da
mesma forma que a exploração subsidiada pelo estado levou Marx a perceber,
porém diagnosticar erroneamente, a natureza da exploração em sua época, várias
formas atuais de exploração estatal podem levar as pessoas a adotar credos
anticapitalistas baseando-se em um diagnostico errado quanto às raízes dos
conflitos envolvendo raça, sexo, religião, aptidões e meio ambiente. Não se pode dizer que grupos demográficos
estarão sempre em conflitos, pois trata-se de uma característica inerente a
eles; essa ilusão é criada pela ausência daquilo que Hoppe chama de
“capitalismo limpo”, em que todas as relações da sociedade são caracterizadas
por associações e trocas voluntárias.
Parte
desse erro de diagnóstico leva as pessoas a abraçarem uma abordagem polilogista
da estrutura da mente humana. Porém, tão
logo a estrutura hoppeana da exploração e do conflito se torna clara, não há
necessidade de se recorrer a extensas explicações para abordá-los. O problema fundamental não está arraigado de
alguma forma na diversidade estrutural da lógica operacional do mundo; a
explicação para os conflitos na sociedade está embutida em uma causa muito mais
direta e simples: o próprio estado.
Desta
forma, portanto, a teoria hoppeana do conflito social tem o potencial não
apenas de acabar com as velhas políticas marxistas e seus efeitos destrutivos
para o mundo, mas também o de derrubar e extirpar toda a base polilogista das
ciências sociais desenvolvidas nos últimos cem anos — e todo o aparato de
intervencionismo estatal que resultou delas.
Quanto
a isto ser possível, tudo se resume à pergunta sobre o que é mais fundamental para
a visão de mundo marxista: seu polilogismo ou sua teoria da exploração? O principal objetivo do projeto hoppeano é
descartar o primeiro ao mesmo tempo em que retém uma versão do último, de forma
que esta possa ser utilizada contra o estado e seus interesses.
___________________________________________________
Notas
[1] Meu amigo B.K. Marcus resume toda a sua experiência
universitária como sendo “quatro anos de defesa do polilogismo”.
[2] Eugen
von Böhm-Bawerk, Karl Marx and the Close of His System (New
York: Augustus M. Kelley, 1949).
[3] Ibid.,
p. 121.
[4] Ibid.,
pg. 196.
[5] Austrian
Economics Newsletter 20, no. 3 (Fall 2000).
[6] Morris
Cohen, An Introduction to Logic and Scientific Method (New York: Read Books,
2007); originalmente publicado em 1934.
Esse conceito dele também serve para qualquer religião, seita, grupo e, pasme, até mesmo para o liberalismo e os libertários.
Em suma: ele rodou, rodou, floreou e, como sempre, falou o óbvio de forma rebuscada. Ele é mestre nisso.
Ótimo artigo !
Esse aritgo ajuda a entender melhor a teoria do HHH no artigo publicado ontem. Posso dizer que o artigo de hoje aclarou as nuances queno artgio de ontem eu não consegui compreender.
Eu faço faculdade de Sociologia. Boa parte do que aprendemos são autores que tentam atualizar o pensamento do Marx para a realidade atual, filtrando a parte que acham que Marx errou. Eu achava que aqui eu teria um descanso, mas parece que a praga do marxismo contamina todas as escolas de pensamento, mesmo naquelas em que a gente menos espera.
Ela não é uma mulher genuína, ele não é um negro genuíno, ele não é um gay genuíno, eles não são deficientes físicos genuínos, ele não representa a genuína visão do Islã etc.
Exatamente como foi feito pela marxista ex-prefeita de SP Luiza Erundina ao atacar as ideias do ex-prefeito Celso Pitta: “Ele é um negro.. mas tem alma de branco. Ele defende os brancos. Eu que defendo os negros.”
Este artigo me fez lembrar de um comentário que li em algum fórum de discussão, não lembro exatamente onde, mais ou menos assim: “Uma vez o Tucker e o Super-Homem confrontaram-se em um duelo, em que o perdedor seria obrigado a cuecas por cima das calças pelo resto da vida…” 🙂
O texto do Hoppe estava claro quanto ao seu não-historicismo (no sentido criticado por Mises, Hayek, Popper e cia). Mas é normal que façam confusão com o óbvio, daí a necessidade de esclarecimentos como o do Tucker.
Sem dúvida a crença de que um grupo particular de humanos possa compartilhar categorias lógicas diferentes dos outros grupos é algo tão auto-contraditório e absurdo que só posso considerar algum tipo de doença mental epidêmica. Perfeito o texto ao expor a questão. \r
\r
Quanto ao equívoco de Hoppe ao defender a veracidade do credo marxista sobre a história, continuo “extremamente surpreendido”. \r
\r
PS: cuidado com policiamento ideológico, minha gente. Só porque alguém não concorda inteiramente com você, não significa que seja seu inimigo.
Marx dá de 10 a zero em Mises ou em qualquer libertário. E isso eles não admitem! Não existe um único libertário ou fanático do livre mercado que se equipare à grandeza intelectual de Marx. Marx continua atual. Mises passou a vida inteira se queixando de que estava “pregando no deserto”. E vai continuar por muito tempo…
Não é um problema intelectual, é um problema moral mesmo. Admirar uma pessoa pela sua popularidade é sinal de pura má intenção.
Esse papo de meio ambiente e aquecimento GLOBAL e tudo mentira, pois o que esta acontecendo, e que o sol esta se expandindo e com isso esta tendo aquecimento global no mundo inteiro. Eles aproveitam para falar todo o tipo de besteira, pois muitos não têm a informações certas. Como eles sabem que a maioria no Brasil são pessoas ignorantes, eles fazem uso do oportunismo para falar mentiras obre meio ambiente.
O que acontece de fato e que tem muito capitalista que aproveita qualquer oportunidade para lucrar. (Isso e evidente)
“quanto mais uma pessoa admira Marx, menos essa pessoa estudou ou mais tempo essa pessoa passou na área de humanas de uma universidade federal.”\r
\r
“A única coisa grande em Marx era sua barba. Aliás, ter a barba grande é a única razão para achar que Marx tinha alguma inteligência (quem assistiu o filme Planeta dos Macacos vai entender a anedota). “\r
\r
“como alguem que fez faculdade de sociologia, a unica recomendacao que eu posso te dar eh: saia dai e va fazer algo util, na area de exatas ou saude. “\r
\r
Ainda bem que os seguidores dos austríacos não abusam da retórica ad hominem…
Esse negócio de que Marx era um gênio é piada. Eu afirmo com todas as letras: Marx era burro! Burro mesmo, sem brincadeira. Por exemplo, Marx passou uma década estudando matemática financeira e não conseguia entender juros compostos. Marx passou duas décadas estudando cálculo diferencial e escreveu os “Manuscritos Matemáticos”, que são ridículos, abaixo do nível de qualquer aluninho de engenharia de primeiro ano. Marx passou a vida inteira estudando Hegel e não entendeu porra nenhuma (tanto que ele achava que a “Ideia” de Hegel corresponde às ideias, no sentido psicológico — o que faria arrepiar os cabelos do cu de Hegel!).
O amiguinho, Engels, chegava a ser pior. No Anti-Dühring, por exemplo, ele afirma com todas as letras que paridade não é uma propriedade dos números, mas do sistema de representação numérica! Mais do que isso: afirmou também que era uma “contradição” dizer que a raiz quadrada de A é o mesmo que A^(1/2)… Karl Marx, “o gênio”, deu aval a isso.
Entre tantos outros erros bizarros, na teoria do valor de Marx, dois merecem destaque. O primeiro (que no texto aparece depois) é relativo à diferença entre “trabalho simples” e “trabalho qualificado”. Marx sabe que trabalhos diferentes são remunerados de forma diferente. Então, ele “argumenta” que o “trabalho qualificado” funciona como um “trabalho simples” potencializado, multiplicado. Como se o trabalho de Picasso fosse a mesma coisa que o trabalho de dez mil pintores de parede. Resolver a coisa desta forma, como foi observado por Böhm-Bawerk, já seria incorrer numa petitio principii. No entanto, a coisa é pior. Antes de chegar a este ponto, Marx já havia “estabelecido” que o determinante do valor é o TRABALHO HUMANO ABSTRATO, que é o trabalho humano enquanto tal, desprovido de todas as suas qualidades. Ora, se você desprezou as diferenças qualitativas, como agora pode aparecer diferença entre trabalho simples e qualificado? Pela teoria do valor de Marx, trabalho simples tem que valer exatamente a mesma coisa que trabalho qualificado, pois o valor independe das qualidades dos trabalhos concretos, porra! Ou seja, a existência de diferenças salariais PROVA que a Marx está errado.
O segundo erro está na exatamente na exposição do conceito de trabalho humano abstrato e sua relação com o tempo socialmente necessário à produção. O problema que Karl Marx enfrenta é simples: se o trabalho humano incorporado à mercadoria durante a produção é a fonte de valor, então o trabalho de um preguiçoso deveria valer mais do que o de um trabalhador ágil. Logo, segundo Marx, o que importa não é o trabalho concreto, mas o trabalho humano abstrato, que seria medido pelo tempo socialmente necessário.
Pois bem, isso é nonsense total! Numa abstração NÃO se pode acrescentar nenhuma propriedade ao objeto. O processo de abstração é de desconsideração de certos aspectos. Se eu falo do ser humano, abstraindo da sua altura, eu não posso dizer que o ser humano é um animal que mede 1,70m. No trabalho humano abstrato, só há duas possibilidades: i) o tempo de trabalho foi abstraído ou ii) não.
No segundo caso, não se pode falar em tempo socialmente necessário. Se, no processo de abstração, o tempo não foi abstraído, então o tempo de trabalho considerado tem de ser NECESSARIAMENTE o tempo de trabalho concreto!
No primeiro caso, se o tempo de trabalho FOI abstraído, então o trabalho humano abstrato deve ser considerado sem referência a NENHUM tempo de trabalho! Não cabe falar em tempo socialmente necessário também.
Resumindo: o conceito de “tempo socialmente necessário” — seja lá a forma que seja usada para calculá-lo — não passa de uma gambiarra teórica. Não foi deduzido: foi simplesmente postulado para resolver um problema que o fundamento da teoria não consegue atingir. Trata-se de um jogo de palavras, em que o leitor passa de “abstrato” para “socialmente necessário”, sem dar-se conta de que isso não faz o menor sentido. Ou o tempo é abstraído ou não: se sim, então não cabe falar em tempo nenhum; se não, o que vale é o tempo de trabalho concreto. QED.
O Rodolfo tem condições de rebater os argumentos daqui?
Quanto ao texto: não, teoria de classes é nonsense! Não existe unidade de interesse em classes.
Pois é (sendo repetitivo) é tão limitado que 128 anos depois ainda tentam refutá-lo! E sem sucesso! Se o melhor argumento que possuem é chamar alguém de “burro”, então não se pode esperar muita coisa, apenas desespero de causa. É só uma pequena amostra da incapacidade dos liberais. Passaram recibo e ainda assinaram! É curioso que Marx ainda desperte tanto ressentimento, a ponto de pessoas supostamente “estudadas” pensarem com o fígado…
‘Nas ciências sociais é muito fácil ficar de conversa mole. Agora, matemática básica, ginasiana, não admite isto’
Exato!!E é uma pena que existe até gente que ganha dinheiro com essa encheção de linguiça, é fácil porque um moleque de 16 anos não tem muita experiência pra notar essas coisas.Eu me lembro do tempo que perdi fazendo faculdade de comunicação social, sempre que eu tava quase chegando intuitivamente nessa mesma conclusão os professores ‘teóricos’ já tinham uma tonelada de mais encheção de linguiça na manga pra contra argumentar.
Concordo com as criticas do Bernardo referentes a Marx, mais encontrei alguns deslizes em seus comentarios que gostaria de compartilhar.\r
\r
“A inteligência é a capacidade de apreensão da verdade. Por isso, nem faz sentido se falar em “inteligência artificial”.\r
\r
\r
Essa premissa realmente é de uma profundida incrivel, primeiro defina-se o que é a verdade?\r
Se for meramente a capacidade lógica de defenir o meio-termo de um silogismo aristótelico e sua conclusão, isso não siginfica absolutamente nada.\r
Definir a inteligência apenas em relação a fatores genêricos, como uma mero cálculo de premissas silogisticas está longe de ser um definição correta do que seja a “verdade” dentro da filosofia, e muita menos quando você extrapola para o ambiente humano e social.\r
Nem mesmo mais na lógica se utiliza mais essa concepção arcaica do que seja verdade, há varios sistemas lógicos que tentar dar conta disso hoje de maneira muita mais fecunda e complexa.\r
\r
Jeffrey Tucker: “Meu amigo B.K. Marcus resume toda a sua experiência universitária como sendo ‘quatro anos de defesa do polilogismo'”.
HAHAHA!
Eu criei até um slogan pra minha instituição federal de doutrinação:
UFES (Unicamente Fomento ao Estatismo Socialista) – Onde o Universo de ideias é ‘O Capital’.
“O que constitui a alienação do trabalho? Primeiramente, ser o trabalho externo ao trabalhador, não fazer parte de sua natureza, e por conseguinte, ele não se realizar em seu trabalho mas negar a si mesmo, ter um sentimento de sofrimento em vez de bem-estar, não desenvolver livremente suas energias mentais e físicas mas ficar fisicamente exausto e mentalmente deprimido. O trabalhador, portanto, só se sente à vontade em seu tempo de folga, enquanto no trabalho se sente contrafeito. Seu trabalho não é voluntário, porém imposto, é trabalho forçado. Ele não é a satisfação de uma necessidade, mas apenas um meio para satisfazer outras necessidades. Seu caráter alienado é claramente atestado pelo fato, de logo que não haja compulsão física ou outra qualquer, ser evitado como uma praga. O trabalho exteriorizado, trabalho em que o homem se aliena a si mesmo, é um trabalho de sacrifício próprio, de mortificação. Por fim, o caráter exteriorizado do trabalho para o trabalhador é demonstrado por não ser o trabalho dele mesmo mas trabalho para outrem, por no trabalho ele não se pertencer a si mesmo mas sim a outra pessoa”.
Ironicamente o Marxismo pouco tem de novo, sendo principalmente uma distorção de idéias libertárias que estavam bastante populares no meio para o final do séc. XIX, e um apelo à solução estatista. Os libertários atuais podem aprender muita coisa com ele e seus erros. A visão marxista é muito próxima da visão anarquista, apenas com confusão das causas e efeitos, polilogismo e dogmatismo. Poderiamos dizer que o marxismo historicamente foi uma versão “comercial”, aguada e distorcida, que vendeu supostos ideais muito populares na época, tornando mais apalatáveis para os espíritos autoritários. E levou todo um sentimento libertário, antiestatista, individualista e igualitário (em direitos!) a um fim que se provou a antítese da Anarquia, o Estado Absoluto! Ele também popularizou o coletivismo ao ponto de dificilmente se encontrar, fora dos Estados Unidos, um anarquista que não seja anarco-comunista ou algo do tipo. Porém ainda existem heróis que disseminam o individualismo, o princípio anarquista original.
Em que livro Karl Marx desenvolve a idéia do polilogismo.
Se isso é verdade, eu quero ler, por que a economia clássica já foi refutada, e eu também tô com vontade de dar risada.
Alguem sabe o(s) livro(s)
?
Eu achei.
É ” A Ideologia Alemã “.
Todo sistema de crenças possui alguns elementos de verdade, até mesmo o marxismo!
Engraçado que, para os marxistas e neomarxistas, o membro do “grupo explorador” não pode falar do “grupo explorado” (a não ser que seja concordando), mas o inverso pode. Por exemplo, um homem não pode criticar o feminismo, mas uma mulher pode falar sobre os homens.
* * *
O Olavo de Carvalho descreve o marxismo como uma “cultura”, mais especificamente:
…uma “cultura”, no sentido antropológico, um universo inteiro de crenças, símbolos, valores, instituições, poderes formais e informais, regras de conduta, padrões de discurso, hábitos conscientes e inconscientes, etc. Por isso é autofundante e auto-referente, nada podendo compreender exceto nos seus próprios termos, não admitindo uma realidade para além do seu próprio horizonte nem um critério de veracidade acima dos seus próprios fins autoproclamados.
Considero essa uma descrição perfeita para o marxismo.