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O funcionalismo público e seus sindicatos

Um
fenômeno em comum vem varrendo os EUA e alguns países da Europa: as três
esferas de governo estão falidas ou à beira da falência.  O motivo? 
Uma combinação entre monopólios estatais e sindicatos dos funcionários
públicos.  Os sindicatos dos funcionários
públicos possuem um poder vastamente maior do que os sindicatos do setor
privado, pois as entidades em que eles trabalham são tipicamente monopolistas.

Quando
os empregados de um supermercado, por exemplo, entram em greve e fecham o estabelecimento,
os consumidores podem simplesmente ir comprar em outro lugar, e a administração
do supermercado é livre para contratar empregados substitutos (desconsiderando
momentaneamente a burocracia para tal). 
Em contraste, quando professores de escolas ou universidades públicas,
bem como motoristas de caminhões de lixo ou de ônibus municipais, fazem greve,
não há aulas, nem coleta de lixo e nem ônibus enquanto a greve durar.  Adicionalmente, a estabilidade no emprego das
várias classes de funcionários públicos, em conjunto com as regulamentações do
setor, faz com que seja extremamente custoso, senão virtualmente impossível,
contratar empregados substitutos para os grevistas.

Assim,
quando os burocratas governamentais entram em greve, eles conseguem paralisar
completamente, e por tempo indefinido, a “indústria” em que “trabalham”.  Os pagadores de impostos irão reclamar
asperamente da ausência de aulas, de coleta de lixo e de serviços de ônibus, o
que forçará os governantes a curvarem-se perante as exigências dos sindicatos
sob o temor de perderem o próprio emprego (via reeleição ou mesmo revolta
popular) em decorrência da insatisfação dos eleitores.  Esse processo é a principal razão por que, em
geral, as despesas dos três níveis de governo sobem ano após ano, ao mesmo
tempo em que a “produção” dos funcionários públicos declina.

Durante
décadas, pesquisadores observaram que, nas escolas públicas, quanto mais
dinheiro se gasta por aluno, pior é a desempenho dos estudantes.  Resultados similares prevalecem em todas as outras
áreas de “serviços” governamentais.  Como
escreveu certa vez Milton Friedman, as burocracias governamentais —
especialmente as sindicalizadas — são buracos negros econômicos, em que um
aumento nos recursos injetados gera “produtos” declinantes.  Quanto mais se
gasta em universidades e escolas públicas, menos qualificados são os
estudantes.  Quanto mais se gasta com
assistencialismo, mais pobreza é gerada, e por aí vai.  Isso, obviamente, é o exato oposto do que
ocorre na vida econômica normal do setor privado que opera sob concorrência, em
que aumentos nos recursos empregados geram mais
produtos e serviços de maior qualidade, e não menos.

Trinta
anos atrás, o economista Sharon Smith publicou um estudo mostrando que os
funcionários públicos americanos recebiam 40% a mais do que os empregados do
setor privado que desempenhavam funções semelhantes.  De lá pra cá, essa diferença salarial só fez
aumentar. E em todo o mundo.

O
enorme poder exercido pelos sindicatos dos funcionários públicos significa que
são eles que efetivamente exercem o poder de tributar.  Dado que os sindicatos
dos funcionários públicos podem facilmente forçar os políticos a elevar impostos para que a receita atenda às suas exigências de privilégios, são eles,
e não os eleitores, que controlam o crescimento da carga tributária dentro da
jurisdição política.  Eles são os maiores
beneficiários daquilo que se convencionou chamar de
“tributação sem representação” (não que a tributação com representação seja muito melhor).  É por isso que alguns estados americanos
possuem leis que proíbem greves comandadas pelos sindicatos dos funcionários
públicos. (Mas os sindicatos frequentemente fazem greve assim mesmo).

O
poder desses sindicatos deixa os políticos presos em um grande dilema: se eles
se curvarem e atenderem às exigências salariais dos sindicalistas, e elevarem
impostos para financiá-las, aumentam as chances de eles, os políticos, perderem
seus cargos nas próximas eleições.  A
“solução” para esse dilema tem sido oferecer ao funcionalismo aumentos
moderados nos salários, porém compensados com promessas espetaculares de benefícios
pós-aposentadoria, com pensões magnânimas. 
Isso permite que os políticos satisfaçam os desejos dos sindicatos ao
mesmo tempo em que empurram os custos de tal política para o futuro, quando
esses “saciadores de desejos” já tiverem se retirado da vida pública.

Nos
estados americanos da Califórnia, Winsconsin e Indiana, assim como em vários
outros países, esse futuro aparentemente já chegou.  Segundo reportagem do Wall Street Journal,
os governos estaduais e locais dos EUA possuem atualmente nada menos que US$
3,5 trilhões de passivos a descoberto (passivos para os quais simplesmente não
há receitas).  Eles devem ou aumentar
impostos dramaticamente, como alguns já estão fazendo, ou cortar gastos
drasticamente, ou simplesmente eliminar as pensões dos funcionários públicos.

Os
sindicatos dos funcionários públicos estão primordialmente interessados em
maximizar os lucros do sindicato.  Consequentemente,
eles utilizam as regulamentações do setor público como ferramenta para proteger
o emprego de absolutamente qualquer burocrata estatal, não importa o quão
incompetente ou irresponsável ele seja. 
Afinal, quanto menos burocratas estiverem empregados, menor será o
volume das contribuições pagas aos sindicatos pelos seus membros.  Assim, é praticamente certo que os sindicatos
irão à justiça (também comandada por funcionários públicos sindicalizados) para
recorrer de qualquer tentativa de dispensa de qualquer funcionário público,
exceto talvez para aqueles acusados de comportamento criminal.  Isso significa que demitir um professor
incompetente, por exemplo, pode levar meses, ou anos, de disputas jurídicas.

Os
políticos já descobriram há muito que a resposta mais conveniente para esse
dilema é recompensar o burocrata incompetente dando-lhe algum serviço
administrativo que ele irá aceitar de bom grado, além de maiores salários,
bonificações e vantagens.  Isso resolve a
chateação causada por pais que estão reclamando que o professor de matemática
dos filhos não sabe fazer conta, ao mesmo tempo em que elimina a possibilidade
de eles, os políticos, serem processados pelos sindicatos.  É
por isso que as administrações de escolas e universidades públicas são aquelas
intumescidas monstruosidades burocráticas lotadas de professores que não sabem
ensinar e que, justamente por isso, ganharam a responsabilidade de
“administrar” todo o sistema.  Nenhuma
escola ou universidade genuinamente privada poderia sobreviver sob essa
política perversa.

Os
sindicatos dos funcionários públicos também são os paladinos da “sinecura” — a
prática sindical de obrigar o governo a contratar mais do que o número de
pessoas necessárias para fazer algum serviço. 
Se isso ocorrer no setor privado, os maiores custos salariais oriundos
de tal prática deixarão a empresa menos competitiva e menos lucrativa.  Ela pode até mesmo ir à falência, como
ocorreu nos EUA com as fortemente sindicalizadas indústrias siderúrgicas,
automotivas e têxteis.

Tal
fenômeno, porém, não ocorre no setor público, onde não há preocupações com
lucros e prejuízos e a maioria das agências é monopolista.  Sinecuras no setor público são vistas como um
benefício tanto para os políticos
quanto para os sindicatos — mas certamente não para os pagadores de
impostos.  Os sindicatos auferem mais
receitas quando há um maior número de burocratas empregados, e os políticos
ganham a simpatia dos sindicatos por terem nomeado ou permitido a contratação
de mais funcionários públicos.  Cada
emprego criado desta forma geralmente significa dois ou mais votos, dado que o
burocrata sempre poderá arrumar para o político o voto de pelo menos um membro
da família ou de um amigo próximo.  É por
isso que, na vasta literatura que mostra a eficiência superior das empresas
privadas em relação às empresas estatais, o governo quase sempre apresenta
maiores custos de mão-de-obra para as mesmas funções desempenhadas no setor
privado.

Cada
sindicato de funcionários públicos é uma máquina política de fazer uma
implacável e inflexível pressão por maiores impostos, maiores gastos
governamentais, mais sinecuras e mais promessas de generosas pensões — ao
mesmo tempo em que demonizam os cidadãos pagadores de impostos que se atrevem a
protestar contra o esbulho, rotulando-os de insensíveis inimigos das crianças,
dos idosos e dos pobres (os quais são supostamente “servidos” pelos burocratas
governamentais que os sindicatos representam).

Trata-se
do velho truque socialista sobre o qual Frédéric Bastiat escreveu em seu famoso
ensaio, A Lei: os
sindicatos veem os defensores da desestatização das escolas e do ensino não
como críticos legítimos de um sistema falido e imoral, mas sim como pessoas que
têm ódio das crianças.  Da mesma forma,
os sindicatos tratam os críticos do assistencialismo não como pessoas
preocupadas com a destruição da ética do trabalho e da família causada pelo
assistencialismo, mas como inimigos dos pobres.

Mas
a farsa está chegando ao fim.  No país
mais rico do mundo, os pagadores de impostos finalmente começaram a se dar
conta de que eles na realidade são os escravos, e não os mestres, do governo em
seus três níveis.  Os sindicatos dos
funcionários públicos foram fundamentais na falência da maioria dos estados
americanos, e os cidadãos não estão mais a fim de ouvir apelos por mais
impostos e mais gastos governamentais para socorrer parasitas.

A
tendência é que isso comece a ocorrer igualmente em todo o mundo.

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64 comentários em “O funcionalismo público e seus sindicatos”

  1. Aqui no Brasil é até pior do que nos EUA. Existem casos escandalosos de sindicatos de funcionários públicos que fazem greve todo ano. Sempre acobertados pela absurda interpretação dos tribunais (que felizmente está perdendo força) de que se não há lei limitando o direito de greve dos servidores então eles podem fazer o que quiser.

    Fora que esses sindicatos são um antro de aspirantes a políticos esquerdistas. Os caras só usam o sindicato para impulsionar suas carreiras políticas, isso fica muito óbvio quando você tem algum contato com essa gente.

  2. Mais um exemplo prático para confirmar a teoria:

    Líbia distribui dinheiro e aumenta salários de funcionários públicos
    http://www.valoronline.com.br/online/geral/93/390024/libia-distribui-dinheiro-e-aumenta-salarios-de-funcionarios-publicos?utm_source=twitter

    Em meio à crise na Líbia, o governo do país anunciou nesta sexta-feira que vai distribuir dinheiro à população. De acordo com a TV estatal, cada família receberá 500 dinares líbios (US$ 400) para cobrir o aumento nos custos dos alimentos nos últimos dias.

    O governo ainda informou que vai elevar em 150% os salários de algumas categorias de funcionários públicos.

  3. Conheço um alto funcionário da Receita Federal e diretor da Unafisco, que viaja tanto que cumula anualmente milhas para levar a família toda para a Europa, EUA. América do Sul, etc.

    Possui também um celular especial que, em tese, seria usado apenas a serviço mas é utilizado prioritariamente para finalidades pessoais, incluindo DDD e DDI e nós pagamos todas as suas mordomias.

  4. Indivíduo Racional

    É por isso que do ponto de vista eleitoral a estratégia do PT é imbatível: ao mesmo tempo em que mima os eleitores pobres com benesses, ele garante a vida fácil dos altos empresários com generosos empréstimos subsidiados via BNDES e, principalmente, concede altas generosidades para os barnabés parasitas vagabundos, com seus salários nababescos e aposentadorias típicas de ditadores vitalícios.

    Só aí já dá uns 50% do eleitorado.

    Os reais empreendedores, aqueles que pagam a conta disso tudo, não se sentem estimulados a sair de casa para votar em nulidades como zésserra ou em qualquer outro patife do mesmo estilo — que no final é tudo da mesma laia petista.

    Eleitoralmente, estamos no vinagre. Economicamente, estamos na salmoura.

    Enquanto não surgir um genuíno partido liberal-conservador, essa injusta distribuição de renda patrocinada pelo estado irá continuar se agravando.

  5. O problema nao sao os sindicatos. Nao ha nada de errado, em teoria, se certos empregados se reunem e voluntariamente concordam em criar uma associacao para representar seus interesses.\r
    \r
    O problema esta na lei, que cria incentivos e privilegios para a operacao dos sindicatos.

  6. Enquanto isso meu marido, que é engenheiro formado, não ganha nem 1/4 do que ganha o outro da receita federal, com celular grátis, que é seu parente próssimo.

  7. E a CPMF, hein? Tá voltando! Mas com outro nome, é claro…

    Ainda há alguma desconversa, joguinhos de aparências, mas está claro, claríssimo que o governo já está se articulando para recriar o imposto do cheque.

    Boa parte do dinheiro oriundo da nova receita será investido, como não poderia deixar de ser, na “valorização do profissional de saúde”. Alguém aposta algum tostão que a saúde pública irá melhorar um tantinho que seja?

  8. É por essas e outras que cada vez mais direcionamos jovens competentes e promissores para setores burocráticos e estéreis.

    Confesso que já pensei inúmeras vezes em migrar para o funcionalismo público. Bons salários, estabilidade e jornadas de trabalho “suaves” seduzem qualquer um.

    Um país com uma imensa carência de MDO qualificada em todos os setores produtivos ironicamente direciona suas “melhores cabeças”(não é fácil passar por processos seletivos onde a concorrência é grande) para setores que emperram o desenvolvimento econômico.

    Me conforta saber que a economia não suporta grandes gastos em setores improdutivos por muito tempo. Resta saber até quando…

  9. Ih, cara… vcs não viram nada.\r
    \r
    Eu sou servidor da Justiça Eleitoral. Prestei concurso pra ganhar 4 mil reais líquidos.. Hoje, 5 anos depois, sem ter feito nada de mais além do meu trabalho diário, meu salário já é de 8 mil reais líquidos.\r
    \r
    Trabalho das 12 às 19. Nas eleições, ganho hora extra que chegam a quase dois salários mensais a mais naquele ano. Meu sindicato quer que a gente trabalhe apenas 6 horas por dia. Não trabalho nem sou incomodado nos sábados, domingos ou fora do horário de expediente. Gozo de prestígio da cidade em que moro.\r
    \r
    Sou formado numa faculdade de Direito de ponta no país. Tenho pós graduação e o escambau. Sou fluente em inglês e me viro no francês. Na iniciativa privada, não ganharia mais do que 5 paus líquidos por mês pra fazer coisas semelhantes ao que faço aqui.\r
    \r
    E vejam: a Dilma vai dar aumento pra gente da ordem de 56%!!!\r
    \r
    Consultem o PL 6613/2009 que vcs verão. Aprovado o salário mínimo, o próximo passo é aumentar nossos salários.\r
    \r
    Pra vcs verem o absurdo, procurem nos sites dos tribunais da União (Justiça Federal, Justiça Militar, Justiça Eleitoral e Justiça do Trabalho) a folha salarial de cada órgão, que é publicada.\r
    \r
    Exemplo: http://www.trf4.jus.br/trf4/upload/editor/ANEXO_VIII_TRF4_DEZ_2010.pdf\r
    \r
    Tem gente – que não é juiz nem promotor – que ganha mais de 20 mil reais por mês (bruto) e vai ter esse mesmo aumento. Vai passar a ganhar o que? 30 mil? Pra fazer o que?\r
    \r
    Infelizmente, a imprensa não sabe disso ou finge não saber.\r
    \r
    O Mises Brasil poderia dar uma compilada nesses dados das folhas dos tribunais e fazer um estudo.\r
    \r
    Duvido que algum servidor ganhe menos de 4 paus líqudiso por mês…

  10. Carga tributária brasileira supera a do Japão, México, Turquia e EUA
    (g1.globo.com/economia-e-negocios/noticia/2010/09/carga-tributaria-brasileira-supera-japao-mexico-turquia-e-eua.html)

    “… para o professor de Economia da Unicamp, Francisco Lopreato, o fato de a carga tributária brasileira ser alta é importante para que o país possa oferecer serviços para a população brasileira, como saúde universal, Previdência Social e programas de distribuição de renda. Ele observou que estes serviços não são prestados em alguns países, mesmo desenvolvidos”.

    Enquanto essa consciência sobre o parasitismo que o DiLorenzo diz não chega aqui, vamos ter que continuar aturando um profissional de economia desta estirpe…

  11. Marcelo Werlang de Assis

    Poizé, meus caros!\r
    \r
    As pessoas não são bobas; a ação humana visa sempre a passar de um estado de menor satisfação para um estado de maior satisfação…\r
    \r
    A estrutura de incentivos na sociedade brasileira é essa que todos relataram. Torna-se, assim, burrice trabalhar na iniciativa privada (muito trabalho, remuneração aquém, compromisso com resultados) enquanto há alternativas muito mais recompensadoras nas burocracias do setor público (remuneração excelente, trabalho “light”, pouco ou nenhum compromisso com a eficiência).\r
    \r
    Trabalhei, no ano passado e no início deste ano, como estagiário de uma Vara Tributária da Justiça Federal. Lá, pude perceber fielmente tudo quanto se expôs por aqui. O fluxo de processos é espantosamente demorado (no mínimo, demora-se um ano para serem resolvidos), e não há preocupação alguma com a eficiência. Inclusive, em algumas vezes, vi advogados reclamarem (ou, ao contrário, mostrarem-se desesperados), através de petições espontâneas, do absurdo tempo de espera. Cada processo que eu colocava concluso para o juiz aguardava uns três meses para ser resolvido (e os processos urgentes, de três dias a uma semana). Os valores de algumas causas são incríveis; uma delas chegou a 80 milhões. E, para piorar, a Fazenda goza grandes privilégios, como o prazo em quádruplo para contestar e o prazo em duplo para apelar (e pode apelar MUITAS vezes, além de poder usar todo tipo de ação e recurso com efeitos retardatários, embora isso não seja seu privilégio exclusivo).\r
    \r
    A demanda pelos serviços da Vara só se justifica por causa dos tributos: as partes entram com ações não para modificarem seu estado conjugal, para obter ressarcimento de danos materiais ou morais (acidentes e ofensas, por exemplo), para (re)afirmarem o direito de propriedade, para resolver imbróglios e diferenças, para adquirir uma interpretação definitiva de um contrato, etc., mas simplesmente para evitar (ou se recuperar de) danos como a inclusão no CADIN, para obrigar as autoridades competentes a expedirem as certidões negativas de débito (ou aquelas positivas com efeito de negativa), para se ressarcir de montantes indevidamente pagos a título de IR, para ser reconhecida a inexigibilidade de cobrança de anualidades e mensalidades dos “Conselhos Profissionais”, para pleitear a reinclusão no SIMPLES, etc. Enfim: as pessoas vão lá não para aumentar o seu estado de satisfação, mas simplesmente para impedir que este se deteriore.\r
    \r
    Sei lá, mas acho que o salário que eu ganhei (R$ 700,00 mensais: 600,00 de salário mais 100,00 de vale-transporte) era muito alto perto do serviço que eu fazia, que consistia em fazer triagem dos processos eletrônicos (cada escaninho virtual corresponde a uma fase do processo), realizar algumas intimações e escrever certidões. A rotina era maçante, o programa “e-Proc” muitas vezes funcionava com lentidão, mas aprendi muito lendo os documentos (despachos, sentenças, petições, contestações, apelações, etc.) e compreendendo o funcionamento de um órgão público.\r
    \r
    Nada tenho contra as pessoas que foram os meus ex-colegas. Todos honestos, todos camaradas, todos prestativos, todos competentes. Sem exceção. Juro que é verdade. Apenas o sistema é pernicioso. Se a Vara funcionasse como uma “profit-seeking enterprise” (ou seja, se não fosse uma burocracia), não se receberiam tantos processos (isso ocorre porque, simplesmente, a demanda é abismal e não há concorrência), e buscar-se-ia maior produtividade (realmente servir o cliente, realmente olhar cada caso com atenção especial), equilibrando-se a oferta e a demanda através do mecanismo de preços. Não seria necessário ser tão formalista (o dever e a virtude dos burocratas, segundo o saudoso Mises, significam ser obediente a códigos, leis, regulamentos, sentenças, despachos/decisões e atos ordinatórios), deixando-se, assim, de realizar etapas desnecessárias e começando-se a verdadeiramente pensar no usuário dos serviços prestados. Num sistema assim, o trabalho dos meus ex-colegas, certamente, seria muito menos maçante e mais recompensador. \r
    \r
    Bem, se a Vara fosse uma empresa concorrendo no mercado e mantivesse tudo como está, faliria com enorme rapidez. \r
    \r
    Pelo menos, pretendo comprar livros do Mises e do Rothbard com a grana que recebi (na verdade, com o que sobrou dela). :)\r
    \r
    Então, o único jeito de modificar a sociedade brasileira é mudando a sua estrutura de incentivos, adotando-se o anarco-capitalismo ou, em hipótese pior (mas nem assim indesejável), um governo limitado (e aqui há um detalhe: menos tributos, menos ações nas Varas Tributárias!).\r
    \r
    De fato, no Brasil, é preciso ter muita força de vontade para não cair na tentação de se tornar um “servidor público” e seguir firme na iniciativa privada, a qual é o que sustenta toda a festança do setor estatal.\r
    \r
    Grande abraço!!! \r
    \r
    \r

  12. Se você quer ser político e não está afim de confusão (como ser processado por demitir um professor incompetente), recomendo que saia da política e faça algo que não lhe renda dor de cabeça.

    Quanto aos sindicatos, como reduzir o poder deles?

  13. Miguel A. E. Corgosinho

    A primeira condição para o exito do anarquismo, como ponto de partida da propriedade privada, é interromper toda apologia à posição central ao padrão preços do dinheiro que acaba com a nacionalidade.\r
    \r
    No momento, o Estado, os servidores públicos e os sindicatos ostentam a defesa de resultados do trabalho, porém, sem saber que são incapazes de estruturar a distribuição geral dos nossos valores, exclui a produção de conceitos reais. Entretanto, os libertários não podem desejar aboli-los, pela força do capitalismo internacional, em conjunto com as operações da moeda bancária – que os supririam também do nível da retomada. \r
    \r
    Existe apenas um meio de encurtar essa agonia econômica: abolir a reserva de valor de onde se forma os próprios interesses de pauperização das sociedades; a fim de que a moeda se torne uma competição entre as forças produtivas, concentradas nas causas do desenvolvimento; em cujo sistema se defenda o espaço do valor (da livre criação de atividades) ao exame das teorias do poder de todos.\r
    \r
    Um período da lei estabelecida da sociedade coloca os interesses de medir as causas do desenvolvimento do lado de fora da disputa financeira; a saber: uma esfera comum do valor tem os conceitos básicos das atividades de produção, quanto a passagem identica ao consumo, para dar conta da ciência monetária que cria o equilíbrio das suas próprias relações.\r
    \r
    Num mundo competitivo, a esfera de valor se reduz basicamente entre os produtores e consumidores, e uma atividade acarreta a existência na outra. No que concerne a certa medida de intensidade social, o tempo forma o padrão de valor com o papel isento do Estado, ao mesmo tempo, que justifica as distinções de convergência social à uma formação do padrão de preços.\r
    \r
    Resta a opção em que os libertários querem pertencer a essa elite estatal, formada pelos banqueiros que dominam o valor da propriedade privada, emitindo e cobrando a moeda sem nada fazer pela sociedade.\r

  14. Alexandre M. R. Filho

    “é interromper toda apologia à posição central ao padrão preços do dinheiro que acaba com a nacionalidade.”\r
    \r
    Alguém entende essa cara? Corgosinho, qual seu nome completo?

  15. O pior nem são professores ou médicos da rede pública. Pelo menos eles ainda atendem diretamente a população e até que trabalham. O problema maior é o burocrata a autarquia tal ou do ministério tal. Esse é bem pago, mas não faz falta.

  16. Lendo parte desses comentários, chego a conclusão que vivo em outro mundo, pois moro no Acre sou Agente de Polícia Civil, e esses servidores que vocês dizem ganhar uma fortuna, aqui no Acre só existe uma cúpula ou melhor um bando de puxa saco, pois o servidor que produz ganha um salário miserável.

  17. Camarad Friedman

    Servidores federais farão marcha em Brasília e ameaçam greve:

    [..]Após a marcha, os servidores participarão de uma assembleia para decidir se entrarão em greve geral.

    Nesta segunda-feira cerca de 300 representantes da Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef) em 20 Estados, incluindo o Distrito Federal, aprovaram por unanimidade a realização de greve por tempo indeterminado a partir do dia 18 de junho.

    Essa proposta será discutida e votada na assembleia geral marcada para amanhã. Se aprovada, a greve geral dos servidores será a primeira desde 2003.

    A principal reivindicação é por reajuste salarial linear a todos os servidores, como forma de recompor as perdas salariais provocadas pela inflação. Eles querem também que o governo defina uma política salarial para os servidores federais. Essa política é necessária para que todo ano não tenhamos que negociar tudo de novo, explicou Sergio Ronaldo da Silva, diretor da Condsef.

    Fonte: www1.folha.uol.com.br/poder/1100342-servidores-federais-farao-marcha-em-brasilia-e-ameacam-greve.shtml

  18. Vejam aonde chegamos? – TRT proíbe demissões de jornalistas da Editora Abril, e ainda impõe multa diária:

    ultimainstancia.uol.com.br/conteudo/noticias/65330/trt+suspende+as+demissoes+na+editora+abril.shtml

    Do jeito que vai, daqui a pouco será proibido demitir.

  19. Emerson Luis, um Psicologo

    Reivindicar o monopólio da moral (“quem discorda de nós é mau”) e querer debater apenas intenções e não métodos é bem típico dos “progressistas”/esquerdistas.

    * * *

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