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Insolvência, falta de liquidez e a “naturalidade” do sistema de reserva fracionada

Existe
uma insistência, digamos, “inútil” (e equivocada), de alguns liberais na defesa
do chamado “sistema com 100% de reservas” contra o atual sistema de reservas
fracionadas.  Já escrevi um texto sobre
esse assunto, no qual explico o que é cada um e as vantagens do atual sistema
sobre o de reservas cheias (pode ser lido aqui).
O que eu queria comentar rapidamente neste novo texto é: 1) a questão da
insolvência e 2) a sua “naturalidade” em termos de mercado.

Começando
do segundo, imagine que estamos em um mundo com padrão ouro e 100% de reserva
(se você não sabe o que é 100% de reserva e reserva fracionada, sugiro a
leitura deste texto).
 Nesse mundo imaginário, as pessoas pegam
suas barrinhas (ou moedas) de ouro e depositam em bancos com mega cofres.  O banco, em troca, dá ao depositante um
“certificado de depósito de ouro”.  Como
carregar ouro é um “custo” e tanto (ouro é pesado, de difícil manuseio), as
pessoas muito provavelmente preferirão utilizar esses certificados de papel
(bem levinhos) no lugar do ouro físico.  Sendo
assim, esses certificados passam a ser usados como “substitutos de moeda” e
apenas raramente alguém aparece no banco para trocar os papeis por ouro físico.

Dada
a situação descrita, não precisa ser muito gênio (na época que realmente isso ocorreu,
acho que até precisou) para perceber o seguinte: eu, dono do banco, tenho um
cofre cheio de ouro que ninguém vem pegar (ou vem esporadicamente); eu poderia
ganhar dinheiro deixando um pouco de ouro no cofre, o suficiente para arcar com
essas demandas por resgates esporádicas, e emprestar o resto.  As pessoas continuariam confiando ouro ao meu
banco, já que elas continuam sacando tranquilamente no momento que assim
desejarem, e, por outro lado, eu ainda ganharia juros pelos empréstimos feitos
com o ouro “ocioso”.  Para atrair mais
depositantes, ainda posso, no lugar de cobrar tarifas para custear meu mega depósito
de ouro, pagar um juro “módico” aos depositantes ou até mesmo isentá-los das
tarifas.

A
historinha acima retrata o surgimento da “reserva fracionada” — o banco deixa
de manter todo o ouro depositado estocado, ele passa a emprestar uma parte e
apenas uma pequena fração fica realmente guardada. Veja que, caso o banco “acerte” no montante de
reserva, os clientes com seus certificados de depósitos continuam tendo exatamente
o mesmo serviço que tinham antes no sistema de 100% de reserva.  Eles podem sacar a qualquer momento seu ouro,
sem custo algum.  Por outro lado, o dono
do banco obtém mais ganhos emprestando parte das reservas e, dependendo desses
ganhos, ainda pode repassar uma parte aos depositantes.

Isso
é o que se costuma chamar em economia de “melhoria de Pareto” e, como toda
melhoria de Pareto percebida, tenderá a ser realizada se os agentes forem
livres para negociar — ou seja, o próprio livre mercado tende a “produzir” o
sistema de reserva fracionada (para aqueles austríacos que insistem nessa
questão de compatibilidade entre livre mercado e reserva fracionada, sugiro a
leitura do próprio Mises ou, mais rápido, porém menos proveitoso, um textinho
meu
 sobre o que Mises achava nessa questão).

Tudo
isso nos leva ao outro ponto.  A tal da
“insolvência” do sistema de reserva fracionada.  Um dos argumentos usados a favor das reservas
cheias é o seguinte: no sistema de reserva fracionada, os bancos não têm como
arcar com todos os resgates; eles se tornam insolventes, o que significa um
“fator de risco” ao depositante que naturalmente preferirá bancos que mantenham
100% de reserva.  Sobre a questão do
risco das reservas fracionadas, em tese, em um livre mercado os consumidores
poderiam escolher se querem bancos de um tipo ou de outro.  O problema é que, geralmente, os defensores do
sistema de “100% de reserva” são contrários a qualquer banco com reserva
fracionada, acusando o mesmo de “fraudador”, “insolvente” dentre outras coisas.
 O irônico é que, em um sistema de livre
mercado, o risco maior muito provavelmente seria depositar em um banco de
reserva cheia, pois, devido à dificuldade do mesmo em gerar lucro com esse
serviço, ele teria uma possibilidade maior de quebrar (ele teria que cobrar
tarifas altas por um serviço que, para fins práticos, é o mesmo que em outro
banco que paga para o sujeito usá-lo).

Em
relação à insolvência e ao risco da reserva fracionada, primeiro é importante
entender o que significa insolvência.  Quando
uma empresa tem mais dívidas do que ativos (ou, seu patrimônio não é suficiente
para arcar com as dívidas que tem), diz-se que ela está “insolvente”.  Em um banco, os depósitos de seus clientes são
como uma espécie de “dívida” do banco junto ao cliente.  Nas reservas fracionadas, se todos os
depositantes vierem resgatar seu ouro, o banco não terá condição de pagá-los
com as reservas guardadas.  Por isso diz-se
que os bancos, nesse sistema, são inerentemente insolventes.  Isso é um erro.

Para
perceber o porquê, vamos imaginar um cidadão comum que tem um pequeno montante
de dinheiro na carteira e também uma conta corrente com milhares de reais cujo
saldo pode ser acessado via cartão de débito. Em uma bela madrugada, nosso cidadão acorda e
sente uma fome terrível.  Ele mora em uma
cidadezinha do interior, que não tem muitas opções e muito menos deliveries 24 horas (só há um que aceita
apenas dinheiro). O sujeito então liga e
faz o seu pedido, que após 20 minutos está na sua porta.  Nosso faminto então saca o cartão de débito e
eis que recebe a triste notícia do entregador: só aceitamos dinheiro.  O pobre não tem como pagar o pedido, não
porque não tenha dinheiro (no sentido de ter riqueza, ativos suficientes), mas
sim porque não tem o “ativo correto” à sua disposição naquele instante — no
caso, moeda.

Veja
a diferença importante aqui: o sujeito não é falido, não está quebrado etc.  Ele só não tem moeda (um ativo específico)
naquele momento; ele não tem “liquidez”. Seria correto chamar o cidadão do
exemplo de “insolvente”?  É claro que
não.

Um
banco de reserva fracionada enfrenta quase o mesmo problema do nosso faminto,
mas em escala bem maior. Ele tem um monte
de “entregadores” na sua porta exigindo dinheiro (e nenhum ativo além desse).  Embora o banco tenha na maioria das vezes
ativos bem superiores aos valores pedidos por esses entregadores, ele não tem,
em quantidade suficiente, exatamente o ativo pedido: moeda.  Isso não é insolvência.  O que o sistema de reserva fracionada tem,
pela sua própria natureza, é a presença de risco de liquidez que um sistema com
reserva cheia não teria, pois todo o ouro depositado (ou papel-moeda
depositado) está guardado esperando pelo resgate.

Outro
ponto ligado ao risco de liquidez — que, embora se aproxime da verdade, não é
bem assim –, é a questão da incapacidade do banco em pagar os resgates naquele
momento de corrida bancária.  Dependendo
do grau de confiança do banco em questão, ele pode pagar o primeiro da fila,
mas oferecer outros ativos em troca da moeda que acabou de dar para este
cliente.  Com a moeda recebida desse
cliente, ele poderá pagar um outro cliente, e poderá fazer o mesmo procedimento
até “esgotar” os pagamentos.

Certamente,
após o procedimento o banco estará bem mais “pobre” (vendeu vários ativos),
decorrência normal da maciça perda de clientes; porém, ele conseguiu arcar com
o resgate de todos e, muito provavelmente, fortaleceu sua credibilidade no
mercado, não deixando nenhum depositante sem resgate.

No
mundo real, o mais comum (e provável) seria os grandes bancos, por meio da
criação de fundos garantidores, matarem rapidamente o nascedouro de corridas
bancárias, fornecendo os fundos necessários aos primeiros bancos atingidos (em
troca de ativos menos líquidos desses bancos).  A vantagem desse sistema sobre o arranjo
alternativo de deixar cada banco “se virar” é que o risco de saques em um
determinado banco (que pode inclusive estar falido) se espalhar e virar uma
grande corrida bancária é menor.  A
desvantagem é que pode existir um incentivo torto para a prática de más
políticas quanto às reservas se o banco “ajudado” não tiver de arcar com os
custos da ajuda — pelo menos, a maior parte deles, por isso a questão do
pagamento com ativos menos líquidos é crucial.

Outro
fator complicador (talvez o principal), caso a corrida bancária se generalize,
é o valor da própria moeda. Ela tende a
se valorizar frente aos demais ativos (deflação), já que as pessoas estão demandando
mais moeda e a oferta está caindo (dado os resgates, o multiplicador monetário
diminui, diminuindo a oferta de moeda), o que significa que bancos estariam na
posição de ver seu passivo “aumentar” (a moeda que é devida aos clientes está
cada vez mais cara) e seus ativos diminuir (o valor em termos de moeda está
caindo) — em um momento em que eles precisam exatamente vender o segundo e
acabar com o primeiro (ou parte dele).  Bancos
que até então só possuíam problemas de liquidez passam a, de fato, estarem
insolventes.

O
importante aqui é perceber que a natureza do sistema de reserva fracionada não
é a “insolvência”, mas sim uma tomada maior de um dado tipo de risco, no caso,
o risco de liquidez (de ficar sem moeda suficiente em um dado momento), o que,
em condições normais, trará abalos sérios à confiança do mercado nessa
instituição financeira, abalo que até pode vir a se transformar em
“insolvência”, mas que inicialmente não representa o mesmo tipo de problema
apresentado pelo atual sistema monetário.

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Como funcionaria um sistema bancário genuinamente livre

O sistema bancário de reservas fracionárias

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48 comentários em “Insolvência, falta de liquidez e a “naturalidade” do sistema de reserva fracionada”

  1. Para o free-banking ser honesto será necessário os títulos em circulação terem de ser verdadeiros, claros e honestos, e assim poderiam circular:

    1. verdadeiras notas/certificados e depósitos, com 100% de reservas.

    2. “promessas de pagamentos”, que teriam de ser distinguíveis (quer de “labelling” quer do contrato subjacente) das primeiras por não representarem uma “coisa depositada”, mas sim uma “promessa de entrega” da coisa depositada (dado não estar suportado por 100% de reservas, este título representa a boa vontade e a promessa de entrega da coisa depositada, não representa que a coisa existe depositada sem qualquer ónus ou risco).

    A minha tese é que neste estado de coisas “good money would drive bad money away”, precisamente o contrário da conhecida lei de Greshman, pela simples razão de que os títulos “promessas de pagamento” tenderiam a circular a desconto em relação aos primeiros (verdadeiras notas/certificados de depósitos). Teriam a sua função e presença com liquidez, mas não representariam moeda em si mesmo.

  2. Achei este texto um pouco confuso. A questão da diferença entre liquidez e solvência me parece bastante clara – já que iliquidez parece um desequilíbrio mais de curto prazo e a insolvência é um problema maior, de caráter patrimonial, já que o banco ou a pessoa não dispõe de ativos suficientes para honrar seus compromissos. Voltando ao texto, não compreendi bem porque o autor não acredita que a reserva fracionária cause insolvência. Ora, se nesse sistema o banco emite muito mais do que dispõe em reserva real, numa corrida bancária ele ficaria insolvente, já que o montante de seus ativos (créditos contra terceiros) perderiam o seu valor relativo naquele momento, o que caracterizaria uma situação de insolvência. Será que é por aí???

  3. Caro Sidney,\r
    \r
    Algumas considerações. \r
    A defesa de um sistema de reservas 100% não é inútil tampouco equivocada. \r
    Pelo seu outro texto, você defende reservas fracionarias como um bom liberal deveria defender a liberdade em qualquer outro âmbito. Free-banking não deve ser confundido com outlaw-banking, justamente o sistema de reservas fracionárias. \r
    \r
    A sua concepção de contrato de depósito tácito e implícito é nula. Se todos soubessem que o seu dinheiro será usado pelo banco, isso significa que em certo momento eu não poderia utilizar meu deposito, pois ele foi emprestado e está usado por outra pessoa. Eu, sabendo deste arranjo, não poderia sequer reclamar, pois o contrato era este. Se este fosse o caso, ótimo, não haveria problema.\r
    \r
    No entanto, não é isso que ocorre. O banco disponibiliza o meu depósito para mim e outros clientes. O meu depósito inicial acaba sendo usado por várias pessoas “simultaneamente”. Isso aumenta a oferta monetária e conseqüentemente os preços de bens e serviços. Esse é o ponto chave.\r
    \r
    Tal “contrato”, ainda que pudesse ser firmado por duas partes, seria nulo, pois impossível de ser cumprido. Portanto, ou é depósito à vista ou a prazo, as duas ao mesmo tempo é impossível.\r
    \r
    Fora a questão jurídica que muitos liberais parecem não entender, existe a questão econômica. Considerando que as reservas fracionárias fossem um negócio legítimo (o que não é), a expansão da oferta monetária que ela permite seria incapaz de conter a geração de ciclos econômicos de auge e recessão. A concessão de empréstimo sem uma prévia poupança (esta materializada numa captação por parte do banco de um deposito a prazo), gera uma expansão da moeda (ou substitutos de moeda) em circulação o que inevitavelmente gerará uma distorção e os ciclos econômicos.\r
    \r
    Quanto a sua definição de liquidez e insolvência, confesso que me parece um pouco confusa. Utilizando o seu mesmo exemplo, mas substituindo por uma empresa e um fornecedor de insumos, se a empresa não tem capacidade de honrar seus compromissos nas unidades monetárias acordadas, ela estará insolvente (a não ser que a empresa consiga entrar em um acordo com o fornecedor, digamos que este aceite em troca uma máquina usada, ou qualquer outro arranjo).\r
    \r
    Não quer dizer que seus ativos não tenham nenhum valor de mercado. Logicamente não. Mas não tendo a liquidez necessária para fazer frente aos seus compromissos se caracteriza uma situação de insolvência, na qual os credores poderão solicitar falência para que os ativos do devedor sejam realizados e os credores ressarcidos. Isso se chama insolvência de fluxo de caixa. Talvez a empresa não seja insolvente com relação ao seu patrimônio (ativos > passivos), mas não está solvente, pois não consegue honrar seus compromissos. Haverá que fazer alguma reestruturação de divida ou algo similar. \r
    \r
    Com relação aos bancos, acho que o que você se refere é o caso de maturity mismatching, isto é, descasamento de prazos. Este é um problema que qualquer negócio enfrenta, seja ele bancário de 100% de reservas ou uma padaria. E como exposto acima, se o devedor não conseguir converter seus ativos e devolver empréstimos ou pagar fornecedores, estará insolvente devida a sua falta de liquidez.\r
    \r
    A grande diferença é que um banco com reservas fracionárias consegue alavancar-se muito mais, pois este sistema permite que ele conceda empréstimos além do que lhe foi depositado à vista.\r
    \r
    Sobre o seguinte parágrafo: “O irônico é que, em um sistema de livre mercado, o risco maior muito provavelmente seria depositar em um banco de reserva cheia, pois, devido à dificuldade do mesmo em gerar lucro com esse serviço, ele teria uma possibilidade maior de quebrar (ele teria que cobrar tarifas altas por um serviço que, para fins práticos, é o mesmo que em outro banco que paga para o sujeito usá-lo).”\r
    \r
    Não há como comprovar que um banco seria mais suscetível a insolvência devido a uma fonte de receita distinta. O Banco de Amsterdam funcionou durante 200 anos com praticamente 100% de reservas e somente veio a falir quando deixou de lado esta prudente forma de atuar. Logicamente os bancos teriam que encontrar outras fontes de receita. Mas o que podemos concluir com certa segurança, é que dificilmente eles acumulariam tanta riqueza em comparação com um sistema de reservas fracionárias. \r

  4. Fernando, \r
    \r
    Sobre a parte “legal”, tanto é possível fazer que o sistema monetário atual é assim. Não há “impossibilidade” alguma em um contrato que diga que você passará R$100,00 ao banco, ele usará como achar melhor, mas que você pode, a hora que quiser, sacar R$100,00 de volta. Aliás, também não haveria problema algum se o próprio banco estipulasse que em “alguns momentos extremos” os saques podem ser controlados (isso, dependendo da confiança do banco, poderia implicar em “juros mais altos” para os clientes depositantes ou algum tipo de desconto, mas enfim… é outra conversa).\r
    \r
    Sobre a questão da insolvência, eu não neguei que problemas de liquidez podem gerar insolvência (veja o final do texto, ele “especula” uma situação dessas). O que eu disse é que, a princípio, são problemas diferentes (veja o exemplo do entregador) e que problema de liquidez não acaba necessariamente em insolvência (o exemplo do banco que paga o primeiro cliente da fila, mas depois oferece outro ativo em troca da moeda, aí ele pega essa moeda do primeiro e paga o segundo da fila e vai repetindo isso até pagar todos). E também disse que a natureza do sistema de reserva fracionada gera um risco maior do problema de liquidez (essa história de todos chegarem no banco e quererem moeda gerará, a principio, um problema de liquidez e não insolvência dado que o banco pode perfeitamente conseguir converter outros ativos menos líquido em moeda). Óbvio, que se ele não conseguir, você pode ter o que foi chamado de “insolvência de fluxo de caixa”, mas isso também não é insolvência no sentido convencional, dado que, por hipótese, ele tem condições de pagar todos os seus compromissos (com os ativos menos líquido da sua carteira que naquele momento ele não conseguiu converter em moeda suficiente – veja que eu não falo que ele não conseguiu moeda suficiente porque os ativos não valem o que precisa ser pago. Se fosse assim ele estaria insolvente. Ele não consegue trocar por alguma restrição de liquidez, tempo de transações etc..). \r
    \r
    Sobre a última parte, da lucratividade de um sistema de 100% de reserva, bem, até onde sei nenhum banco é obrigado a ter determinada reserva máxima. Qualquer um poderia abrir um banco em 100% de reserva e não o faz (pelo menos não em escala comercial… pode existir algum perdido por aí). Assim como o Banco de Amsterdã durou 200 anos, outros bancos de RF duraram 200 anos ou até mais. O fato de não existir nenhum grande banco, os exemplos de 100% de reserva serem bastante escassos, mostra na pratica o quão ruim (em termos de lucratividade) é esse sistema. As reservas fracionadas são “melhorias de Pareto” em relação ao sistema de 100% de reserva e naturalmente serão colocadas em prática.\r

  5. Fazendo coro ao Ulrich, também comento esta passagem do texto:

    “O irônico é que, em um sistema de livre mercado, o risco maior muito provavelmente seria depositar em um banco de reserva cheia, pois, devido à dificuldade do mesmo em gerar lucro com esse serviço, ele teria uma possibilidade maior de quebrar (ele teria que cobrar tarifas altas por um serviço que, para fins práticos, é o mesmo que em outro banco que paga para o sujeito usá-lo).”

    Tal fato — possibilidade maior de quebra — é verdadeiro porém irrelevante. Afinal, esta é exatamente a definição de insolvência. Qualquer empresa ou empreendimento irá quebrar caso o empreendedor não consiga fazer com que os consumidores utilizem seus serviços. Não há qualquer motivo para que tal lei não seja válida para bancos também.

    Ademais, em um sistema com livre entrada no setor bancário, a tendência seria de queda contínua no valor das taxas cobradas.

    A diferença principal entre as reservas cheias e as reservas fracionárias (deixando de lado a questão legal e a questão dos ciclos econômicos causados pelas reservas fracionárias) é que um sistema que pratica reservas fracionárias aufere facilmente lucros astronômicos (à custa da inflação de preços para aquelas pessoas que não fazem uso do setor bancário), ao passo que, em um sistema de reservas cheias, os lucros do setor bancário passam a ser iguais aos de qualquer outro setor — daí a enorme resistência dos bancos à ideia das reservas fracionárias, bem como sua reiterada defesa da existência de bancos centrais para defendê-los e protegê-los da concorrência, cartelizando o sistema.

  6. Sidney,

    No comentário do Fernando Ulrich, ele fala que o sistema de reservas fracionários causa os ciclos econômicos e na sua resposta você não comentou esse ponto.
    Se você acredita na teoria austríaca dos ciclos econômicos e reconhece que ele surge quando há um sistema de reservas fracionárias, então voce deveria concordar que a criação de dinheiro pelos bancos sem a existência de uma poupança genuína causará os chamados “malinvestments”, o que por sua vez vai gerar um boom e uma quebradeira generalizada nas empresas que afetará invariavelmente os bancos.
    Se voce concordar com o que foi exposto acima, a existência de reservas fracionárias cria uma situação que levará necessariamente a uma depressão econômica que inviabilizaria o cumprimento dos contratos de depósitos do banco. Sendo assim, a sua proposta seria algo totalmente inviável, como propor algo que com certeza daria errado. Se você não acredita que a existência de reservas fracionárias geram os ciclos econômicos então a discussão iria longe e ficaria bem mais complicada.
    Para finalizar, rejeito de antemão o argumento de que as reservas fracionárias não são inviáveis tanto que elas existem hoje. Sabemos muito bem que esse arranjo só sobrevive graças a privilégios concedidos pelos governos, normalmente através de Bancos Centrais.

  7. Leandro, \r
    \r
    não entendi o primeiro paragrafo da sua critica. Aquilo que vc negritou vale p/ qq negócio mesmo. O q eu quis dizer é que se um banco de reserva cheia pode quebrar facilmente pq só dá prejuízo (ou tem dificuldade em gerar lucro etc..), não é um bom negócio confiar seu dinheiro a ele, assim como não é um bom negócio investir em um setor que é sabidamente não lucrativo ou coisa do tipo.\r
    \r
    Sobre a questão da inflação, o que vc está chamando de inflação? Pq a transferência de riqueza entre agentes através da inflação é concretizada justamente qdo os preços começam a subir (sobe para um – p/ os que recebem moeda “no final”, não sobe para outro – p/ os que receberam moeda primeiro e por ai vai), ou seja, é o movimento dos preços que gera essas transferencias (limita a compra de quem não recebe moeda no começo em favor de quem recebeu no começo etc..). Nesse caso, bancos de RF não tem incentivos a gerar inflação (no sentido convencional de movimentos de preços). Eles emitirão moeda no exato montante de demanda dos seus clientes.\r
    \r
    Agora, se por inflação, vc quer dizer “emissão de mais moeda”, é verdade o que vc disse (sobre conseguir lucros altos e é justamente o que eu disse no texto. Gera lucros altos dando ao consumidor, na prática, a mesma coisa que as reservas cheias dão). Mas esse ganho não é “as custas” de ninguém, afinal, o depositante pode ganhar juros tbm (ou tarifas menores) por deixar seu dinheiro em um banco com RF. E do outro lado, quem empresta o recurso, está disposto a pagar juros por ele (é algo que ela valora). Supondo que o banco só emitirá moeda no montante da demanda desejada (sem alterar o “nivel de preço”), ele tbm saciará essa maior demanda por moeda de outra pessoa. Absolutamente ninguém perde. Isso para não falar da questão do menor uso de ouro para fins monetários e o “excesso” indo para mercados não monetários e produzindo “bens mesmo”\r
    \r
    Só para concluir, o problema “moral” da inflação e de se ganhar “as custas” de X ou Y (nesse processo de inflação) é que a moeda é de curso forçado (é um monopólio do governo). Não é um problema moral do sistema de reserva fracionada. Em tese, não há problema moral algum se as pessoas voluntariamente se dispõe a demandar a moeda de um banco Z que “de vez em qdo” redistribui riqueza com inflação (no sentido convencional). Muito provavelmente o banco vai falir ou perderá clientes, mas…. E é ai que talvez abra algum pequeno espaço para bancos de reserva cheia. \r
    \r

  8. Edik,\r
    \r
    Eu não respondi por dois motivos:\r
    \r
    1) não era tema do texto\r
    \r
    2) eu concordo a principio com vc (e com ele) sobre reservas fracionadas x ciclos austríacos. \r
    Agora, aqui existem alguns pontos. Uma ala de austriacos trabalha para tentar compatibilizar a TCA com reservas fracionadas, no entanto existe algo bem estranho nesse assunto. Apesar de existir opiniões contrárias, Mises não era a favor de 100% de reserva (era a favor de RF) e defendeu (criou parte) a (da) TCA (Hayek a mesma coisa). Logo, existe alguma coisa perdida aí. Mas, pelo que eu conheço de TCA, aparentemente existe essa incompatibilidade mesmo. \r
    \r
    É um problema teórico a ser resolvido. O que eu acho que não pode é dizer que “reserva fracionada” é imoral / ilegitima (qdo não é) para tentar sanar o problema, pq veja, um livre mercado irá gerar reservas fracionadas o que implicaria que o livre mercado geraria ciclos. O que o pessoal tenta fazer é dizer que “reserva fracionada” não é livre mercado, é fraude e isso é um erro. É uma tentativa de escapar da questão teórica que realmente precisa ser respondida (ou desenvolvida pelo menos). \r
    \r
    Outra coisa, o fato de gerar ciclos não necessariamente significa que é “economicamente inviável”. Depende de uma infinidade de fatores (como intensidade dos ciclos, que ativos um banco teria, se houve corrida bancaria etc..). Existiram vários ciclos e muitos sem “corrida bancária” (que pode ser inclusive controlada por fundos dos próprios bancos e por ai vai) \r
    \r
    Quanto a RF e BC, RF pode perfeitamente se sustentar sem BC. Ela não é lucrativa por causa do BC. Muitas vezes o BC atrapalha o seu funcionamento (estipulando reservas compulsórias, limitando a concorrência etc..). Mises, por exemplo, descreve no Ação Humana o funcionamento de um sistema de RF sem BC e trata da sua naturalidade no livre mercado (no meu texto tem um link p/ outro texto onde eu falo disso). \r
    \r

  9. Sidney,\r
    \r
    Dizer que “tanto é possível fazer que o sistema monetário atual é assim” é pouco convincente. O atual sistema monetário é assim por diversas razões, dentre as principais a presença de um banco central e um governo que permite o sistema bancário a operar fora da lei. Um contrato de depósito à vista é nulo caso ele estipule que o depositante tem acesso ao dinheiro a todo instante e ao mesmo tempo o banco pode emprestar o dinheiro.\r
    \r
    No sistema atual continua sendo impossível, a diferença é que se pode criar dinheiro do nada, e não necessariamente eu consiga fazer “uso” do dinheiro que eu depositei, é preciso apenas um cartão de debito ou talão de cheque e não o dinheiro fisicamente.\r
    \r
    Se fosse um padrão ouro essa aberração jurídica seria mais fácil de enxergar. Duas pessoas não podem utilizar a mesma barra de ouro simultaneamente. O que o sistema de reservas fracionarias faz é que eu use uma barra de ouro e outra pessoa um talão de cheque “lastreado” pela mesma barra de ouro e assim se multiplica a oferta monetária.\r
    \r
    O fato de hoje em dia não existir nenhum grande banco assim é porque não há como competir com outros bancos de reserva fracionária. Se uma das principais fontes de receita de um banco de 100% seria de serviços de “custódia” do dinheiro, como competir com aquele banco que não cobra nada? Os grandes bancos são cada vez maiores justamente por causa do conluio com o banco central e da permissibilidade de um sistema fraudulento.\r
    \r
    Por sinal, existem bancos assim, são pouquíssimos e pequenos, mas existem. Infelizmente não consigo lembrar do nome do último que eu encontrei (na Europa se não me engano).\r
    \r
    É claro que um sistema de reserva é muito mais lucrativo para os bancos, isto não é novidade. Para garantir esta lucratividade contínua é que foi criado a figura do banco central, pois sem este, os “grandes” bancos já teriam todos quebrados, conforme nos comprova nossa história de mais de 2000 anos, onde nenhum banco sequer permaneceu solvente neste sistema. O banco central veio justamente a aumentar a longevidade deste negócio ilegal e “altamente lucrativo”. \r
    \r
    Você disse muito bem, na prática, esse sistema de 100% é muito ruim, mas para os bancos, não para os depositantes.\r

  10. Já que apareceu meu texto linkado nos relacionados vou comentar…

    Eu sou da opinião de que tentar contrabalancear a demanda por moeda com emissão de moeda escritural sempre vai causar o problema do ciclo econômico. Na ausência dessa emissão haveria alterações nos preços relativos – as pessoas podem ter mudado sua preferência temporal e estarem mudando a estrutura temporal de investimento e consumo. Faz diferença poupar entesourando e poupar comprando bens futuros. O fluxo de poupança é sim alterado ao longo do tempo, e cada tipo de poupança é capaz de lastrear uma estrutura distinta de investimentos. Moeda nunca é neutra, e as emissões dos bancos vão distorcer esse processo de poupança e investimento ao longo do tempo.

    Quem escreveu um paper muito bom sobre isso foi o tal do Phillip Bagus, sobre estrutura temporal de poupança e investimento. Na minha monografia (disponivel no meu site) eu discuti esse assunto num longo apendice, e recentemente eu escrevi um artigo ainda maior sobre isso para o QJAE, espero que aceitem…

  11. Sistema de reservas fracionadas é fraude porque com sua existência duas pessoas detêm a mesma propriedade, simples assim. A questão é que nós sabemos que como isso não é possível alguém tem que se ser roubado para que isso aconteça. Ou uma das duas partes (a que depositou ou a que pegou esse dinheiro emprestado) fica sem o dinheiro ou a sociedade em geral tem seu dinheiro roubado via inflação. Não há outra saída.\r
    \r
    Não quero entrar no mérito de como, para não gerar uma briga de minarquistas e anarco-capitalistas, mas sistema de reservas fracionadas é inerentemente ilegal e deve ser coibido numa sociedade honesta.

  12. Sidney,

    Eu achei o último parágrafo da sua resposta para mim incoerente com alguém que acredita na teoria austríaca dos ciclos econômicos. Você argumenta que os ciclos econômicos podem não ser tão graves assim, então não seria relevante para o assunto discutido. Mas se for assim, não haveria motivo para não sustentar que a manipulação do crédito sem poupança efetiva pelo governo causaria grandes desequilíbrios, ou corridas bancárias. Por que um ciclo econômico causado por RF seria pequeno e um causado pela manipulação da taxa de juro pelo governo seria grande? Se fosse assim eu poderia retrucar alguém que critica a manipulação dos juros pelo governo afirmando que ele nem sempre causa corrida bancária. Esse argumento é razoável para quem não acredita na TACE, mas do contrário parece uma forçada de barra.

    Para ficar claro o seu pensamento, eu pediria que voce esclarecesse qual a sua visão sobre os ciclos econômicos em relação ao instituto das reservas fracionárias:

    1)Independente da existência das reservas fracionárias causarem ou não ciclos econômicos, elas devem ser aceitas pelos motivos descritos no seu artigo. Assim o livre-mercado teria naturalmente esse componente instável caso a RF causasse mesmo ciclos econômicos intensos;

    2) Você não acredita que a existência da RF causa os ciclos econômicos, ou seria um efeito pequeno, que poderia ser contornado pela existência de um seguro bancário.

    Então peço que você se posicione entre as opções 1 e 2.
    Obrigado

  13. Edik,\r
    \r
    Primeiro, eu não acho que ciclos sejam relevantes para o assunto discutido pelo texto (nem fui eu que trouxe esse tema para a conversa, foi o Ulrich e depois vc me perguntando pq eu não respondi a objeção dele sobre isso). Nem citei ciclos econômicos no meu post.\r
    \r
    Segundo é correto que manipulação de juros pelo governo e ciclos nem sempre causam corridas bancarias (aliás, quase nunca causam corrida bancaria…. tal acontecimento é exceção e não a regra). Isso é um fato e eu nunca afirmei o contrário e acho que nem quem “acredita” na TACE cegamente poderia afirmar que qualquer manipulação de juros pelo governo ou qualquer ciclo leve invariavelmente (seja a causa direta) a (de) corridas bancárias. Quantos ciclos ocorreram pelo mundo no século XX, por exemplo, e quantos geraram grandes corridas bancarias? Ciclos não necessariamente implicam em corridas bancarias e variam bastante de “intensidade” (uns são espirros, outros são gdes depressões como 29 e acabam gerando pânico, corridas aos bancos etc..).\r
    \r
    Sobre as suas duas opções, a 2 me parece mais correta. RF, sozinha, sem um BC governamental, não deve causar ciclos (ou causa ciclos pequenos se vc acreditar que qq expansão de crédito gera ciclos, dado que a expansão será bastante controlada). Basicamente seria a mesma opinião de Hayek e Mises (ambos aceitam a TACE e não acham que RF cause estragos). \r
    \r
    Sobre a sua pergunta: “Por que um ciclo econômico causado por RF seria pequeno e um causado pela manipulação da taxa de juro pelo governo seria grande?”, as respostas seriam:\r
    \r
    Se RF não causa ciclos, só expansões de crédito que geram excesso de moeda (não encontram a demanda por moeda necessária a acomodação dessa expansão) causariam ciclos, logo uma expansão de crédito do governo pode não causar nada também (não seria por ser do governo que causaria ciclos). Essa é a visão de que um livre mercado de moeda (que provavelmente seria baseado em RF) acaba com os ciclos, pois tal mercado não tem incentivo a expandir o crédito além da real demanda dos consumidores (veja o capitulo do Ação Humana onde Mises descreve como seria um livre mercado de moedas), já o governo sim, teria e por isso é a real “fonte” dos ciclos.\r
    \r
    Já se vc aceita que RF causa ciclos, pelo fato do governo ter um incentivo bem maior em expandir o crédito, é de se esperar que as distorções causadas por ele sejam maiores do que as promovidas por um free banking baseado em RF, que teria incentivos bastante restritos em relação a mesma expansão. Por isso, mesmo aceitando que RF causa ciclos, o governo ainda faz o trabalho bem pior que o mercado. \r

  14. Sidney,

    Obrigado pela clareza da sua resposta, apesar de eu particularmente discordar.

    Jesus Horta de Soto, no seu livro “Money, Credit and Economic Cycles”, critica a RF usando como um dos argumentos principais o fato de ser causadora de ciclos econômicos. E ele refuta, as vezes com excesso de detalhes, todos os argumentos dos defensores da RF desde a Grécia Antiga, passando por Roma, Padres espanhois da Idade Média chegando até aos seus defensores nos dias atuais. Todos os seus argumentos pró RF contidos nos seu artigo e nos seus comentários são abordados nesse livro. Caso não o tenha lido, recomendo-o.

  15. Sidney,\r
    \r
    A sua comparação de sócios em uma empresa e sócios num mesmo depósito não pode ser aceita. Uma sociedade empresarial é muito bem definida, cada sócio tem uma determinada quantidade de cotas que lhe confere alguns direitos e obrigações conforme estipulado no estatuto social e acordo de acionistas. Se um sócio detém 45% de uma empresa ele não poderá vender 50% da empresa, somente a parte que lhe diz respeito.\r
    \r
    No negocio bancário e de depósitos à vista não é isso que acontece, duas pessoas “utilizam” o mesmo depósito para realizar compras no mercado. Um com o dinheiro material (ouro) e outro com o substituto de dinheiro (nota de banco, talão de cheque, etc.). E deve ser lembrado, substituto de dinheiro não é dinheiro em si, ele exerce a função de dinheiro sempre que lastreado em um dinheiro material. Nos últimos 2 mil anos prevaleceu o ouro. No sistema atual já estamos tão longe disso que ninguém sabe identificar o que de fato é dinheiro.\r
    \r
    Você afirma: “Um exemplo eu mesmo já dei: vc me dá R$100,00, eu vou usar o dinheiro como achar melhor, mas eu te garanto que a hora que vc quiser, eu lhe darei R$100,00 em nota. Que fraude há nisso? Que “insolúvel problema” de problema a nisso?”\r
    \r
    Você jamais pode garantir coisa alguma enquanto não mantiver 100% do depósito custodiado em equivalente quantidade e qualidade. Isso quer dizer que, sim, não é preciso guardar 100 reais em 5 notas de 20 e devolver exatamente essas 5 notas de 20 ao depositante. O dinheiro é um bem fungível. No entanto, deve-se poder entregar ao depositante a todo momento, 100 reais, sejam em 5 notas de 20 ou 2 de 50. \r
    \r
    Outro ponto importante, não podemos dissociar o debate das RF nos ciclos econômicos. Abordar um aspecto ignorando outro é evitar as conseqüências últimas do que se está defendendo.\r
    Por exemplo, você diz: “Se RF não causa ciclos, só expansões de crédito que geram excesso de moeda (não encontram a demanda por moeda necessária a acomodação dessa expansão) causariam ciclos…”\r
    \r
    O que o sistema de RF permite é justamente esta expansão do crédito além do que se foi depositado.\r
    \r
    Antes de incluir o governo na conversa, falemos somente de RF. O sistema de RF, sem banco central, pode causar ciclos econômicos sim, pois permite a expansão do crédito sem lastro em poupança real. \r
    \r
    Agora incluindo a figura do banco central, este permite uma expansão muito maior, pois pode funcionar como “lender of last resort”, entre outras questões.\r
    \r
    Quanto à questão de corridas bancárias, estas normalmente ocorrem após uma expansão creditícia sem lastro em poupança real, ou seja, após o período de auge do ciclo econômico. Uma corrida bancaria isolada, lógico que pode ocorrer, mas uma corrida generalizada somente com uma expansão creditícia por grande parte do sistema bancário.\r
    \r
    O que acontecia nestes momentos? Nos séculos passados, os bancos insistiam que os governos eximissem estes de cumprir com suas obrigações, isto é, resgatar em espécie. Assim surgiram as chamadas “Restrictions Laws” na Inglaterra no começo do século 19, quando os bancos eram permitidos a restringirem o resgate em espécie. Em suma, eram permitidos a operar à margem da lei.\r
    \r
    Só assim os bancos permaneciam “solventes”.\r
    \r
    Ou seja, por vários períodos da história houve bancos que operaram com reservas fracionárias, e o resultado foi justamente expansões creditícias sem lastro em poupança real, corridas bancarias e recessões. Tudo isso formou um enorme incentivo aos bancos pressionarem o governo por um arranjo “sustentável”, isto é, uma entidade que garantisse permanentemente, que os bancos não precisassem resgatar os depósitos em espécie. Assim nasceu o banco central.\r
    \r
    Portanto, os efeitos de um sistema de RF acaba gerando grandes incentivos a formação de um cartel, ou melhor, de uma entidade como o banco central, aquele que garante a “solvência” dos bancos e a “alta lucratividade” destes, neste sistema perverso.\r

  16. Fernando,\r
    \r
    Ora, eu posso afirmar que aquele depósito é meu e eu “empresto” a outro. Que eu tenho total prioridade sobre ele (sobre os “demais usuários”). Não tem nada essencialmente diferente de uma empresa com “cotas” entre sócios ou com um sócio principal e outros com “menos poderes” etc..\r
    \r
    Outra coisa, eu não uso o “mesmo” depósito para fazer compras. Eu uso um tipo de moeda produzida pelo banco e ele empresta papel-moeda. Eu troquei papel-moeda por “moeda bancária”, moeda emitida pelo banco assim como troco moeda por pão, por ações etc.. E moeda bancaria é tão moeda quanto qualquer outra coisa que seja generalizadamente aceita. E só isso (essa aceitação generalizada) que faz algo uma moeda não o fato de ser ouro. Ouro foi moeda, mas nem toda moeda precisa ser ouro. Além disso, não teria problema algum eu “usar a mesma moeda” (óbvio, não fisicamente, o que seria impossível mesmo), basta dizer, como é em reserva fracionada, que entre o uso do banco e do depositante o depositante tem prioridade no caso de conversão de moeda bancaria em papel moeda, ou seja, o banco tem que se virar para arrumar os seus R$100,00 a hora que o depositante quiser.\r
    \r
    Sobre a sua critica ao meu exemplo de contrato, ela não procede. Como eu vou garantir os R$100,00 para vc não é, inicialmente, problema seu. O contrato diz que a hora que vc quiser eu te dou R$100,00 em papel-moeda (o como não vem ao caso e nem é alvo do contrato). Se vc julga que é “impossível” eu garantir os R$100,00 da forma X ou Y não assine o contrato, não abra a conta corrente etc.. Agora, o banco consegue garantir muito bem os seus R$100,00 através do expediente da reserva fracionada, basta vc ir à uma agência e sacar para testar (ele entrega o que te prometeu sem problema algum). E expansão do crédito além do que foi depositado não é a mesma coisa que “expansão do crédito acima da demanda dos indivíduos por moeda”. \r
    \r
    Sobre ciclos, eu ignorei ciclos porque, como eu disse para o Edik, eles são irrelevantes (seja porque não são causados por RF, seja porque em um free banking de RF ele serão pequenos). E além de serem pequenos, isso (ciclos) não é argumento para evitar que uma dada atividade econômica exista. Se, digamos, a indústria de PCs destrói a de maquinas de escrever, papel ou qualquer outra coisa ela não pode deixar de existir por isso. Se bancos com RF complicam a vida de diversos setores, ele não pode deixar de existir por isso. Se as empresas e agentes econômicos afetadas por ciclos acham que o custo do ciclo é maior que o beneficio do sistema de RF, demandem e só usem moedas de bancos com reserva cheia. Em um free banking isso seria possível (não adianta falar que atualmente não é possível porque vc só chegará a conclusão de que a culpa é da intervenção do governo no sistema de RF e não da própria RF). \r
    \r
    Sobre a descrição do que ocorreu no século 19, isso não é um problema de RF, é um problema da intervenção do governo no sistema de RF. E não é verdade que RF, particularmente, causa um “incentivo” para a formação de BC. 100% de reserva tbm ou até mais: como vc mesmo disse em outra msg, ela é péssima para os bancos, logo eles adorarão um BC que faça o que vc disse (dê chancela para expansão do crédito desenfreada). Nesse aspecto, as coisas não são muito diferentes no setor bancário, no setor de bananas ou de automóveis. Sempre os agentes procurarão levar vantagens através do governo.\r
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    Acho q por enquanto é isso….\r

  17. Sidney,\r
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    o depositante tem prioridade no caso de conversão de moeda bancaria em papel moeda, ou seja, o banco tem que se virar para arrumar os seus R$100,00 a hora que o depositante quiser.\r
    \r
    Acho que voce nao entendeu ainda o principio de reservas fracionarias. O banco nao tem como “se virar para arrumar o dinheiro”. O dinheiro nao existe. Ele pode, no entanto, ser criado por ordem do Banco Central, para salvar o banco em dificuldade. A consequencia, no entanto, eh inflacao. Muita inflacao: blog.mises.org/14962/7000-views-on-terrell/\r
    \r
    Agora, o banco consegue garantir muito bem os seus R$100,00 através do expediente da reserva fracionada, basta vc ir à uma agência e sacar para testar (ele entrega o que te prometeu sem problema algum).\r
    \r
    Isso nao tem a ver com reserva fracionaria. Os bancos tem conhecimento de estatistica suficiente para saber quanto cada agencia movimenta, em media, por dia. O problema surge quando ha perda de confianca no sistema bancario. Por isso, alias, existe uma lei especifica, punindo com prisao, quem divulgar informacoes que coloquem em risco a seguranca e estabilidade do sistema financeiro nacional.

  18. Sidney,\r
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    Vc não pode estar falando sério que é perfeitamente possível o banco resgatar em espécie ao afirmar que “agora, o banco consegue garantir muito bem os seus R$100,00 através do expediente da reserva fracionada, basta vc ir à uma agência e sacar para testar (ele entrega o que te prometeu sem problema algum).”\r
    Sabemos muito bem que hoje em dia existe moeda fiduciária emitida pelo governo e não há limites para o resgate em espécie, pois a “espécie” acabou virando por decreto governamental o papel-moeda impresso pelo BC (via casa da moeda).\r
    \r
    Por isso insisto, o sistema bancário só poderá manter-se solvente enquanto mantiver um coeficiente de 100% (ou na prática bem próximo a este).\r
    \r
    Nos seus argumentos vc parece partir do pressuposto que o arranjo que temos hoje em dia é perfeitamente natural e a única intervenção é a figura do banco central, dando a impressão que papel-moeda sem lastro foi uma “evolução natural do mercado”.\r
    \r
    Novamente, se deposito à vista uma certa quantidade de dinheiro material, a mesma quantidade não pode ser usada simultaneamente por duas pessoas. Somente com a emissão de um substituto de dinheiro, pode a mesma qtde de dinheiro se utilizada no mercado por dois agentes distintos. Neste momento, além de violar o direito de propriedade do depositante, se está dobrando a oferta monetária e não há como negar este fato.\r
    \r
    Ciclos econômicos são irrelevantes? Não são causados por RF? Você está rejeitando toda a TACE? A recente crise financeira foi causada por qual fator então? Somente o BC? Somente o governo? Não. Foi através de BCs com o potencial destrutivo das RF. Não se pode mensurar a intensidade de ciclos econômicos num sistema de RF sem banco central. A única coisa que pode ser dita é que seriam menores do que em um sistema de RF COM banco central.\r
    \r
    A indústria de PCs destruir a indústria de maquinas de escrever é um processo natural do mercado e em nada tem a ver com fraude ou crime. O papel-moeda prevaleceu sobre o ouro não porque o mercado assim o quis, mas sim porque os governos o decretaram. A mesma questão vale para o sistema de RF. Ele só sobrevive ainda hoje por causa da chancela dos governos e bancos centrais. E o seu poder “destrutivo” consiste no fato de que as outras indústrias e demais depositantes, veriam grande parte de seus depósitos virarem pó.\r
    \r
    O sistema de RF só permaneceu nos séculos passados graças aos privilégios concedidos pelos governos ao sistema bancário. O livre mercado SEMPRE levou este sistema a insolvência, pois ele é inerentemente insolvente. Ou seja, logicamente não é uma questão de competitividade entre produtos como vc tentou comparar.\r
    \r
    Vc diz: “Se as empresas e agentes econômicos afetadas por ciclos acham que o custo do ciclo é maior que o beneficio do sistema de RF, demandem e só usem moedas de bancos com reserva cheia.”\r
    \r
    As corridas bancarias evidenciam justamente esta demanda. E por isso os bancos quebravam. E por isso pressionaram para que o governo concedesse privilégios. E obvio que governos se aproveitavam deste arranjo.\r
    \r
    Vc continua dizendo que: “Em um free banking isso seria possível (não adianta falar que atualmente não é possível porque vc só chegará a conclusão de que a culpa é da intervenção do governo no sistema de RF e não da própria RF).”\r
    \r
    Uma pergunta para esclarecer? Vc é a favor das RF ou a favor de um free-banking que não criminalize o uso de RF? Uma coisa é afirmar que o sistema de RF é benéfico, outra é dizer que um free-banking não deveria criminalizar o uso de RF e que este arranjo levaria a um coeficiente de praticamente 100%. Ambos, na minha opinião, equivocados. O RF é benéfico somente para os bancos e um free-banking ao longo da historia levou justamente ao uso indiscriminado de RF.\r
    \r
    E como que o ocorrido no século 19 não é problema das RF? Os bancos se tornaram insolventes POR CAUSA da RF, não pela intervenção do governo. Esta veio justamente para garantir a SOLVENCIA de bancos com RF.\r
    \r
    Por fim, o que afirmei é que o sistema de 100% é ruim para os bancos no sentido de lucratividade. Logicamente este sistema frearia a lucratividade, mas não os tornariam insolventes. Portanto, pressionar o governo para a concessão de privilégios que tornem a indústria mais lucrativa, como fazem todos os outros setores, é uma coisa. Outra bem distinta é pressionar o governo a um privilegio que garanta a solvência de um sistema inerentemente insolvente. \r
    \r
    Aproveito para fazer eco ao Edik, a leitura da obra de Huerta de Soto, além de outras, é extremamente elucidante, no sentido de traçar toda a historia do dinheiro e das violações dos direitos de propriedade dos depositantes que deram formação ao sistema de RF. Infelizmente diversos libertários ignoram o argumento jurídico, pensando que estão defendendo a mais pura liberdade a uma atividade “benéfica” e “legítima”.\r

  19. Alguns comentários,\r
    \r
    “….Sabemos muito bem que hoje em dia existe moeda fiduciária emitida pelo governo e não há limites para o resgate em espécie, pois a “espécie” acabou virando por decreto governamental o papel-moeda impresso pelo BC (via casa da moeda).”\r
    \r
    Ora, e daí que o governo emite papel-moeda? Vc vai na agência e consegue resgatar, não consegue? Vc disse que era impossível e não é. A chancela do BC, para essa questão de resgate muda no seguinte: se o banco sempre espera que o governo o “ajude”, ele guarda menos reserva, se ele não pode contar com essa ajuda ele vai guardar mais reservas, porque terá que se garantir por conta. Isso é tão somente uma questão de montante de reserva ótima, não de falha fundamental do sistema de RF. O que você precisa fazer é diferenciar é o “como um sistema de RF funcionaria sem governo” e como o sistema de RF funciona hoje sob a administração do BC. \r
    \r
    ” Nos seus argumentos vc parece partir do pressuposto que o arranjo que temos hoje em dia é perfeitamente natural e a única intervenção é a figura do banco central, dando a impressão que papel-moeda sem lastro foi uma “evolução natural do mercado”.”\r
    \r
    O sistema de RF é “perfeitamente natural”, como o próprio Mises explica no Ação Humana (e eu tentei fazê-lo no meu textinho). Reserva fracionada é melhoria de Pareto, e como toda melhoria de Pareto percebida tende a ser feita. \r
    Já dizer o mesmo sobre papel-moeda sem lastro é mais “difícil”, mas eu concordaria com isso sim. O papel-moeda bem administrado é um avanço em relação ao padrão ouro. Oferece o mesmo serviço custando papel no lugar de ouro. \r
    \r
    ” Ciclos econômicos são irrelevantes? Não são causados por RF? Você está rejeitando toda a TACE? A recente crise financeira foi causada por qual fator então? Somente o BC? Somente o governo?”\r
    \r
    Ciclos são irrelevantes para discussão do presente tema. E se eu estou rejeitando toda a TACE vc está dizendo que Mises e Hayek tbm porque ambos defenderam reserva fracionada e a TACE, isso para não falar de vários outros austríacos (detalhe: não estou rejeitando a TACE, veja minha msg para o Edik quando ele colocou as duas alternativas para mim)\r
    E discutir a recente crise financeira aqui só vai bagunçar mais o tópico e levar para um lado que não tem nada a ver com o assunto. Mas só respondendo a sua pergunta, sim, a crise financeira foi causada pelo governo. Veja esse meu texto sobre quebra de bancos e risco sistêmico: depositode.blogspot.com/2008/09/governos-so-bons-remdios-contra-o-risco.html \r
    \r
    ” Uma pergunta para esclarecer? Vc é a favor das RF ou a favor de um free-banking que não criminalize o uso de RF?”\r
    Os dois\r
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    ” Infelizmente diversos libertários ignoram o argumento jurídico, pensando que estão defendendo a mais pura liberdade a uma atividade “benéfica” e “legítima”.”\r
    Eles ignoram corretamente, porque não faz sentido algum. Não é fraude. Aliás, em termos de “ignorar” (no sentido de desconhecer), é uma benção que seja assim porque não convence ninguém (mesmo entre os austríacos, que são poucos considerando o universo “liberal”, existe um monte de gente que conhece e não aceita isso).\r

  20. Sidney,\r
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    1) Ok, não é impossível. Permita qualificar meu argumento. Em um sistema de livre moeda e banca, que em momentos da história operou parcialmente, e onde em grande parte prevaleceu o ouro como dinheiro material, é impossível que todos os depósitos à vista sejam resgatados sempre que o depositante solicitar.\r
    \r
    E daí que o governo emite papel-moeda? Acredito que vc no fundo não acredita que é “ok e daí” para o governo emitir uma moeda monopolística.\r
    \r
    “Isso é tão somente uma questão de montante de reserva ótima, não de falha fundamental do sistema de RF.”\r
    \r
    Uma das falhas fundamentais das RF é justamente que não se pode “calcular” o montante de reserva ótima. Não é uma questão probabilística. Não se pode prever a ação humana (nas palavras de Mises, probabilidades de caso e não de classe). Os efeitos desencadeados pelo uso de RF, descoordenação econômica e o conseqüente ciclo, não são passíveis de serem precisamente mensuradas em tempo e em quantidade a ponto de permitirem que bancos determinem o nível de reservas “ótimas”. É, portanto, teoricamente impossível e empiricamente comprovado pelos 100% de falências de bancos que utilizaram este sistema na historia da humanidade.\r
    \r
    Em todo o momento o que eu fiz foi diferenciar “como um sistema de RF funcionaria na prática na ausência de um governo”. Historicamente, todos faliram. A teoria já explicada exaustivamente em posts acima explica a razão para tal fato.\r
    \r
    2) “O papel-moeda bem administrado é um avanço em relação ao padrão ouro.” Estamos vivenciando justamente a prova de que: a) a tarefa de “bem” administrar o papel moeda é teoricamente impossível (ver a teoria da impossibilidade do Socialismo de Mises) e empiricamente comprovado pelas crises recorrentes dos últimos 100 anos entre outras; b) o papel-moeda veio “aperfeiçoar” as qualidades do ouro no sentido de facilitar o seu manuseio e porte, sempre que lastreado no dinheiro material, o ouro (ou outra commodity escolhida livremente no mercado).\r
    \r
    3) O primeiro link relacionado ao final do seu artigo refuta exatamente o que vc insiste em defender: que Mises era a favor das reservas fracionárias. O fato de sistema de RF “ser natural”, no sentido de que ele surje “naturalmente”, não significa que seja benéfico tampouco legítimo.\r
    \r
    Posso concordar quando vc reduz a causa final da crise atual aos governos. Considerando o seguinte: o governo controla emissão de moeda, permite a existência do banco central e a expansão monetária via RF. Se vc quer isolar o governo como causa ultima deste arranjo, OK, concordo. Mas sem as RF ciclos econômicos não poderiam ser formados. Simples emissão de moeda para financiar gastos do governo seria o que chamamos de inflação simples e esta não tem o poder de criar ciclos (inflação sim), pois não vai direcionada a concessão de empréstimos e investimentos pela iniciativa privada. \r
    \r
    4) Este é de fato o ponto que muitos austríacos preferem nem discutir, pois sabem o quão difícil é fazer com que defensores das RF entendam o que constitui fraude. Repito: um contrato de depósito à vista, que permita a mais de uma pessoa a disponibilidade do valor depositado em equivalente quantidade e qualidade a todo o momento é uma aberração jurídica e impossível de ser cumprida, conseqüentemente, é um contrato nulo.\r
    \r
    Por fim, o texto de hoje do Leandro Roque explica muito bem o quão “benéfico” é a criação de meios fiduciários permitidos pela reserva fracionada em um abiente de papel-moeda administrado.\r

  21. Ah, e sobre melhoria de Pareto, indo rapidamente a definiçao da Wikipedia:\r
    \r
    “Given an initial allocation of goods among a set of individuals, a change to a different allocation that makes at least one individual better off without making any other individual worse off is called a Pareto improvement. An allocation is defined as “Pareto efficient” or “Pareto optimal” when no further Pareto improvements can be made.”\r
    \r
    Está claro que as RF nao sao uma melhoria de Pareto pois a maioria dos agentes sao prejudicados pelo aumento de precos que esta causa.\r
    \r
    Pode-se dizer que a introducao de papel-moeda com lastro em dinheiro material foi uma melhoria de Pareto, mas nao RF.\r
    \r

  22. Sidney,\r
    \r
    Nao entendi a sua primeira colocacao. O sistema de RF permite que se expanda a massa monetaria alem do dinheiro material, isso significa inflacao, e o consequente aumento de precos.\r
    \r
    Com relacao ao seu segundo ponto eu poderia concordar caso estivessemos debatendo ha 2 mil anos atras. No entanto, como ja escrevi em diversos posts, toda a historia bancaria comprova que os bancos, ao contrario do seu “provavelmente”, emitiram substitutos de moeda em excesso, causando aumento de precos.\r
    \r
    Vc parece insistir em um arranjo que ja existiu e provou-se inevitavelmente instavel e insolvente.\r
    \r
    Num free-banking com RF, a possibilidade de multiplicar a oferta monetaria estah presente para quem quiser usar e o unico mecanismo de controle do mercado acaba sendo as corridas bancarias e a quebra dos bancos. \r
    \r
    O BC apenas potencializa a capacidade de expansao das RF. Portanto, nao, nao eh o BC que elimina esse mecanismo. Ele ja esta eliminado desde o momento em que se permite a atividade de RF. Como expliquei, o BC acentua a possibilidade de expansao de RF por permitir que bancos nao quebrem e continuem a expandir ad infinitum, salvo uma hiperinflacao e o total colapso do sistema monetario. Esse eh o mecanismo de controle do mercado no BC.

  23. ” Ok, não é impossível. Permita qualificar meu argumento. Em um sistema de livre moeda e banca, que em momentos da história operou parcialmente, e onde em grande parte prevaleceu o ouro como dinheiro material, é impossível que todos os depósitos à vista sejam resgatados sempre que o depositante solicitar.”\r
    Não é “impossível” (lembre-se da história do banco converter outros ativos em moeda (no caso, ouro) que ele já usou para pagar outros agentes). Isso está no próprio texto. Segundo, justamente por todas as pessoas não sacarem ao mesmo tempo, deixarem o ouro lá e ficarem com os cartões do banco, cheques etc.. é que existe reserva fracionada, logo isso não é um problema realmente (elas não vão sacar todas ao mesmo tempo), aliás, é o contrário, a reserva fracionada que é a solução economicamente eficiente para esse comportamento dos depositantes (ela é o arranjo eficiente dado que as pessoas se comportam dessa maneira).\r
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    ” E daí que o governo emite papel-moeda? Acredito que vc no fundo não acredita que é “ok e daí” para o governo emitir uma moeda monopolística. “\r
    Não, mas, novamente, é um assunto diferente. Vcs misturam muitas coisas e tratam tudo como se fosse uma coisa só. Imagine que o governo emite moeda (considerando o multiplicador monetário) exatamente na mesma taxa de expansão da demanda por moeda. Qual a diferença em termos de inflação (de preços) e estabilidade do sistema de RF para um mundo onde cada banco emite sua própria moeda na taxa de crescimento da demanda da sua respectiva moeda? Nenhuma. \r
    O fato, por si só, do governo emitir moeda, ser o “dono da moeda”, para o assunto que estamos discutindo, não muda nada. Depende sim de como ele emite essa moeda (foi por isso que eu falei que a discussão cairia apenas na questão de reserva ótima, se o banco usaria menos ou mais reserva), e infelizmente ele não tem incentivos a fazer um bom trabalho. \r
    \r
    “Uma das falhas fundamentais das RF é justamente que não se pode “calcular” o montante de reserva ótima. Não é uma questão probabilística…. É, portanto, teoricamente impossível e empiricamente comprovado pelos 100% de falências de bancos que utilizaram este sistema na historia da humanidade.”\r
    100% de falências de bancos que utilizaram este sistema na história da humanidade? De onde vc tirou isso? Bem, para reserva fracionada esse seu “fato” está bem longe de ser verdadeiro, agora, para 100% de reserva é um belo teste empírico de como o negócio não serve (100% ou 99,99999% faliram e, mais importante ainda que a porcentagem de falência, faz “trocentos anos” que nem apareceram mais). \r
    \r
    E sobre o calculo de reserva ótima, os bancos fazem isso todo santo dia ao redor do mundo e corridas bancárias são bem raras. Na verdade, qualquer agente, empresa, até uma padaria faz “cálculos” de uma infinidade de quantidades ótimas (funcionário, pães, refrigerante, bolinhos, coxinhas) todo santo dia. \r
    \r
    ” Em todo o momento o que eu fiz foi diferenciar “como um sistema de RF funcionaria na prática na ausência de um governo”. Historicamente, todos faliram. A teoria já explicada exaustivamente em posts acima explica a razão para tal fato. “\r
    Eu não vejo vc diferenciando. Toda hora vc chama BC, governo, moeda monopolista para falar de RF como se essas coisas fossem a própria RF e não são. Sobre pq RF sem governo desapareceu, bem vc tem que analisar porque desapareceu. 100% de reserva tbm faliu, sumiu, evaporou e nem teve cheiro de volta. No caso de RF “faliu” porque o governo se intrometeu destruindo as barreiras de limite de expansão do crédito (os motivos vão de rent-seeking à teoria econômica errada). Se vc observar, qualquer setor da economia “sem governo” desapareceu (o governo regula tudo) ou já “faliu” alguma vez. Mas os que têm realmente algum apelo junto ao consumidor sempre acabam voltando, mesmo regulados.\r
    \r
    “O papel-moeda bem administrado é um avanço em relação ao padrão ouro.” Estamos vivenciando justamente a prova de que: a) a tarefa de “bem” administrar o papel moeda é teoricamente impossível (ver a teoria da impossibilidade do Socialismo de Mises) e empiricamente comprovado pelas crises recorrentes dos últimos 100 anos entre outras;\r
    Isso não tem nada a ver com “teoria da impossibilidade do socialismo”. Bancos privados poderiam administrar seus respectivos papeis-moedas (moeda não é necessariamente ouro). Vc novamente coloca como se “administração estatal da moeda” fosse a mesma coisa que reserva fracionada ou mesmo papel-moeda. Mistura tudo de novo.\r
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    ” b) o papel-moeda veio “aperfeiçoar” as qualidades do ouro no sentido de facilitar o seu manuseio e porte, sempre que lastreado no dinheiro material, o ouro (ou outra commodity escolhida livremente no mercado).”\r
    Concordo, mas 1) isso não implica em 100% de reserva, implica apenas que os papeis são conversíveis em ouro – RF não necessariamente significa, na prática, papeis não conversíveis em ouro ou commodity 2) nada diz que sempre e necessariamente tem que ser assim. Se algum emissor consegue “quebrar” o lastro, o próprio papel-moeda passa a ser uma “moeda primária”. Ele pode conseguir isso simplesmente ganhando muita confiança – as pessoas já aceitam tanto, por tanto tempo aquele papel, sabem que seu valor, mesmo não sendo legalmente conversível em ouro não deve se alterar pq o emissor é responsável, que para elas continua tudo na mesma. Elas confiam no papel – no seu valor frente ao ouro, por exemplo, e na manutenção desse valor pelo emissor.\r
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    ” O primeiro link relacionado ao final do seu artigo refuta exatamente o que vc insiste em defender: que Mises era a favor das reservas fracionárias. O fato de sistema de RF “ser natural”, no sentido de que ele surje “naturalmente”, não significa que seja benéfico tampouco legítimo.”\r
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    Não fui eu que coloquei aquele link (foi sugestões de textos do IMB). Aquele é um texto do Prof. Salerno usando principalmente trechos do TMC. Eu fiz um texto bem menorzinho com trechos do Ação Humana (mais novos que o TMC) onde as conclusões são totalmente diferentes (inclusive com trechos do próprio Mises falando sobre a naturalidade das RFs). Se vc se interessar: depositode.blogspot.com/2010/05/mises-sobre-reserva-fracionada.html \r
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    ” Posso concordar quando vc reduz a causa final da crise atual aos governos. Considerando o seguinte: o governo controla emissão de moeda, permite a existência do banco central e a expansão monetária via RF. Se vc quer isolar o governo como causa ultima deste arranjo, OK, concordo. Mas sem as RF ciclos econômicos não poderiam ser formados. Simples emissão de moeda para financiar gastos do governo seria o que chamamos de inflação simples e esta não tem o poder de criar ciclos (inflação sim), pois não vai direcionada a concessão de empréstimos e investimentos pela iniciativa privada. “ \r
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    OK. Concordo. Sem RF não pode existir “ciclos austríacos”, mas isso é diferente de dizer que a RF, por si só, sem governos regulando e interferindo causa ciclos (ou ciclos relevantes, grandes etc.. dependendo da posição sobre se qq emissão de moeda fiduciária gera ciclos ou só excesso de emissão). \r
    Sobre 4), impossível de ser cumprido, pela nonagésima vez, não é. Nesse exato momento bilhões desses contratos estão sendo cumpridos. E vc pode testar o cumprimento indo sacar um dinheirinho para se preparar e pagar um almoço para mim em POA…hehehehehe\r

  24. “Não é “impossível” (lembre-se da história do banco converter outros ativos em moeda (no caso, ouro) que ele já usou para pagar outros agentes). Isso está no próprio texto. Segundo, justamente por todas as pessoas não sacarem ao mesmo tempo, deixarem o ouro lá e ficarem com os cartões do banco, cheques etc.. é que existe reserva fracionada, logo isso não é um problema realmente (elas não vão sacar todas ao mesmo tempo), aliás, é o contrário, a reserva fracionada que é a solução economicamente eficiente para esse comportamento dos depositantes (ela é o arranjo eficiente dado que as pessoas se comportam dessa maneira).”\r
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    O que voce esta descrevendo aqui como solucao economicamente eficiente seria perfeitamente realizado pela caderneta de poupanca: voce deixa o seu dinheiro sob custodia do banco, que se encarrega de empresta-lo, e paga uma pequena porcentagem em troca desse emprestimo. Observe que isso pode ser feito sem criacao de moeda, bastando para isso que o dinheiro do depositante em caderneta de poupanca fique com so fundos indisponiveis mes-a-mes ou sueitos a uma penalidade em caso de retirada fora da data de vencimento (como, alias, era antigamente).\r
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    Dito simplesmente, quem deposita seu dinheiro em conta corrente, tem a espectativa de que todo valor depositado permaneca guardado e a disposicao. Cada caso considerado individualmente, sim, isso acontece, porque como voce mesmo disse, normalmente ninguem tem problemda de ir ao banco e retirar todo seu dinheiro. Mas quando se trata da totalidade dos depositos, mesmo se ai juntassemos todos os ativos do banco, nao haveria possibilidade de nenhum banco pagar 100% dos depositos.

  25. Sidney,\r
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    Segue o épico: \r
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    1) Vc insiste na função probabilística e não mensurável de que as pessoas não sacam ao mesmo tempo, o que só ocorre após uma recessão e descrença no sistema bancário de RF. Esse comportamento dos depositantes não significa que o banco pode se apropriar dos depósitos à vista e emprestá-los a bel prazer. Assim como uma pessoa que deixa o carro no estacionamento por um mês não espera que alguém utilize o seu veiculo ainda que não esteja em sua posse. Não é uma solução economicamente eficiente, pois o banco acaba por “confundir” os agentes econômicos emprestando dinheiro como se houvesse acontecido uma poupança por parte do depositante. Isso que causa ciclos, uma expansão creditícia sem lastro em poupança real. Se o banco se dá conta que alguns depositantes não utilizam seu dinheiro por algum tempo considerável, este deveria solicitar a autorização dos depositantes para que seu dinheiro depositado pudesse ser emprestado. Sempre sabendo que durante este período tais depositantes ficaram impossibilitados de utilizar este dinheiro, seja por bilhete de banco, certificado de depósito (o qual diria que o depositante só pode resgatar após tal data), ou talão de cheques, pois ele está em posse de um terceiro.\r
    Agora a questão de vender ativos para honrar depósitos, ok, isto é possível e usual, talvez quando um banco opere com um coeficiente próximo a 100% ou quando ele descasa prazos. No entanto, como já dito em outro post, é um problema de gestão que qualquer empresa sofre, não somente um banco. E até aqui não mencionei BC nem governo.\r
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    2) No seu terceiro parágrafo vc implicitamente inclui a questão de governos e BC, sendo que vc acusava a mim por cometer esta confusão. Por que não temos praticamente nenhum banco com 100% hoje em dia? Pela concessão de privilégios por parte dos governos e da conseqüente criação do BC. Ou seja, nenhum incentivo para operar um banco com 100&. Por que corridas bancarias são bem raras hoje em dia? Governo e BCs.\r
    Não podemos confundir o cálculo de estimativa de demanda que qualquer empresário faz para guiar a sua produção, com o cálculo probabilístico de que cada depositante solicitará ao banco que arque com as suas obrigações e resgate em espécie. Se um milhão de pessoas vierem a minha padaria, e eu não tenho capacidade de atender a todos, ou eu aumento o preço ou vendo até o limite total de minha produção. Simples, não tenho nenhuma obrigação além desta. Se a maioria dos depositantes vêm ao meu banco, e eu opero com uma baixa porcentagem de reservas, eu quebro, pois deveria resgatar todas as solicitações dos depositantes.\r
    E sim, vc está correto, não tenho como provar 100% de falências em todos os bancos que operaram com RF. A vasta literatura sobre o historia bancaria mostra que a esmagadora maioria faliu, mas não que todos faliram. Reitero que o que vivemos atualmente de pouco serve, pois é um sistema com BCs e moeda monopolística. Mas curiosamente, no recente relatório americano do Financial Crisis Inquiry Commission http://www.fcic.gov/, foi concluído que a maioria dos grandes bancos estavam a beira da falência em 2008. Por que será?\r
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    3) Já analisei em praticamente todos os posts por que o sistema de 100% sumiu (ele não faliu). Pois governos concederam privilégios aos bancos de RF (que operavam assim sem governos e sem BCs) e contemporaneamente, criaram a figura do BC. \r
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    É preciso reiterar que o sistema 100% não é insolvente por definição. Óbvio que um banco com 100% de reservas pode quebrar por má gestão. Mas ele não nasce insolvente como um banco que opera com RF. Este permanecera operando enquanto houver “confiança” e ninguém resgatar depósitos. Como sabemos, cedo ou tarde este dia chega. Mais uma vez, este parágrafo não contempla governo nem BC.\r
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    4) Sim a teoria do socialismo não se aplica a emissão privada de moeda (ouro, papel ou cascalhos). Sobre esta, temos o exemplo dos bancos ingleses no início do século 19, e os debates da Currency and Banking School que acabou culminando na lei de Peel de 1844, na qual os bancos não poderiam emitir seus papéis-moeda sem lastro em dinheiro material. Infelizmente esqueceram-se de incluir os depósitos nesta lei e as crises econômicas e bancárias continuaram. \r
    Vale ressaltar o seguinte, não sou a favor de uma lei governamental que decrete o ouro como único dinheiro, não. Que haja livre eleição de moeda, mas não RF.\r
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    5) Não tem como não meter governo e BC neste seu parágrafo. Somente BCs e governos conseguiram quebrar este lastro. Jamais entidades privadas. Se as pessoas confiarem cegamente que um emissor privado de papel-moeda sem lastro algum em dinheiro material será um bom gestor, manterá o poder de compra de seu papel-moeda e não se deixara levar pela “possibilidade” de enriquecer criando mais papel-moeda para seu uso próprio, OK, ótimo. Estas pessoas que decidam o que for melhor para elas. Eu sei que EU NÃO CONFIARIA NESTE ARRANJO JAMAIS! E dificilmente aceitaria nas trocas da minha empresa.\r
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    6) Salerno também fala de Ação Humana, Nationaloekonomie, TMC e outros pós AH.\r
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    7) A permissão da existência de RF em si não causa o ciclo. O que causa é o banco operando neste sistema e diminuindo cada vez o coeficiente de reserva. Isto é como discutir se o que causou a crise atual foi a ganância. É óbvio que foram pessoas de carne e osso que tomaram decisões de emprestar e investir e especular, movidos em grande parte por pura ganância. No entanto, o que permitiu que ela fosse “liberada” com todo o seu potencial foi o crédito fácil e barato em abundância decorrência das expansões monetárias em um ambiente de RF com BC. Se não houvesse o BC sim ela seria bem menor.\r
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    E pela nonagésima e uma vez, não. Contratos assim não estão sendo cumpridos, pois são nulos por definição. O que está havendo é bilhões de pessoas trocando papel-moeda, registros contábeis, talões de cheques, pensando que assim que quiser o seu dinheiro estará na sua conta corrente a todo o momento com o mesmo poder de compra. Nem menciono o ouro, pois elas pensam que ouro é somente jóia. Mas não pensarão assim por muito tempo…\r
    Providenciarei com o maior prazer um almoço em POA, o qual será trocado (pago) passando o meu cartão de débito no estabelecimento a definir, o qual enviará uma ordem ao banco que transferirá a quantidade de unidades monetárias escriturais da minha conta corrente a do estabelecimento. Unidades que, na crença do dono do restaurante, estarão logo após disponíveis para resgate. Contanto que o a grande maioria dos depositantes continue pensando que seu dinheiro está disponível a todo o momento, não levantando a bunda do sofá para resgatá-lo!\r

  26. Segue abaixo algumas frases do Sidney:

    “O papel-moeda bem administrado é um avanço em relação ao padrão ouro. Oferece o mesmo serviço custando papel no lugar de ouro.”

    “nem toda emissão de moeda gera inflação (no sentido de aumento generalizado de preços), basta imaginar uma situação onde a demanda por moeda sobe na mesma proporção que as emissões do BC”

    “E além de serem pequenos, isso (ciclos) não é argumento para evitar que uma dada atividade econômica exista”

    Essas frases mostram idéias de alguém que defende mais a Escola de Chicago do que a Escola Austríaca. E a discussão aqui partiu do princípio de que as pessoas admitiam a Escola Austríaca como verdadeira, se não for o caso, acredito que essa discussão perde o sentido.

    Eu não sou um especialista na obra do Mises, portanto não posso garantir se ele defendia ou não os bancos atuarem com reservas fracionárias, mas posso afirmar que ele não o faz nos trechos colocados no referido blog. E isso é uma questão de interpretação de texto, e não de conceito econômico

  27. “Naturalidade” do sistema de reserva fracionária me parece uma piada, um tanto quanto de mau gosto.

    Por esse ponto de vista, a revenda de música pirata seria algo, como posso dizer, ah, uma “naturalidade” também. A revenda de xeror de livros também seria uma “naturalidade”.

    Ora, não é “naturalidade” coisa nenhuma. O nome disso é ilegalidade, imoralidade. Só não é assim quando o dono dos direitos autoriza a reprodução da obra ou da canção.

    Para o sistema financeiro a mesma coisa: reproduzir, duplicar dinheiro sem lastro é imoral tanto quanto revender um cd pirata. Só não é ilegal porque legislação não há. Mesmo assim, não deixa de ser imoral.

    Quanto à insolvência ou falta de liquidez, pela “naturalidade” do raciocínio do autor (Sidney) a tal RF não apresenta problema algum porque, se falta dinheiro para o cliente sacar, é só aguardar um pouquinho que o banco estará vendendo um dos seus prédios para lhe devolver a quantia. Realmente, é de uma inteligência elevadíssima.

    Acho até interessante o IMB postar artigos assim aqui, digamos, surreal, pois dá uma certa despertada no cérebro, você lê e fala, puxa os caras sabem ser irônicos, quando querem escrever besteiras eles o fazem. Será que é para nos testar?!

    Discussões querendo argumentar a moralidade das reservas fracionárias ou mesmo que elas permitem lucros maiores e custos mais baixos é querer dourar a pílula. Tenha paciência!

  28. Por esse ponto de vista, a revenda de música pirata seria algo, como posso dizer, ah, uma “naturalidade” também. A revenda de xeror de livros também seria uma “naturalidade”.\r
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    Ora, não é “naturalidade” coisa nenhuma. O nome disso é ilegalidade, imoralidade. Só não é assim quando o dono dos direitos autoriza a reprodução da obra ou da canção.\r
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    Para o sistema financeiro a mesma coisa: reproduzir, duplicar dinheiro sem lastro é imoral tanto quanto revender um cd pirata. Só não é ilegal porque legislação não há. Mesmo assim, não deixa de ser imoral.
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    Anderson,\r
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    Voce tem ideia da confusao em que vc esta se metendo, misturando questao de emissao de moeda e “pirataria” ?

  29. Emerson Luis, um Psicologo

    O grande problema não são as reservas fracionárias – em um livre mercado poderíamos escolher entre bancos que as praticam e bancos com 100% de reservas.

    O verdadeiro problema é a estatização do setor, que corrompe todo o sistema.

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