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A economia do mercado negro em uma página

O
que é o mercado negro?

1. Não se trata de uma estrutura física
e nem de um lugar.  Tampouco se trata de
algo subterrâneo e escuro.  O termo
pejorativo “mercado negro” é utilizado para descrever as atividades de compra e
venda que ocorrem fora do campo de ação (ou, se preferir, jurisdição) das
autoridades.  Tipicamente, os bens e
serviços transacionados incluem, dentro outros, drogas, sexo, eletrônicos, softwares,
filmes, música e serviços para a construção civil.

2. Mercados são simplesmente processos
que envolvem a interação entre compradores e vendedores.  Quando o papel do governo fica estritamente
restrito à proteção das pessoas e da propriedade privada contra agressões e
roubo, os processos de mercado ocorrem sem impedimentos.  Oportunidades de consumo são maximizadas à
medida que empreendedores direcionam recursos para a produção de bens e
serviços, tendo como objetivo o lucro a ser obtido com a satisfação dessa
miríade de desejos dos consumidores.

3. Quando os governos interferem nos
processos de mercado por meio de impostos, regulamentações e proibições, eles
vão além de sua função de proteger os indivíduos e a propriedade privada contra
agressões e roubos.  Privilégios
monopolísticos garantidos pelo governo na forma de carteis ou patentes não
protegem os direitos de propriedade; eles os agridem.  O objetivo do intervencionismo governamental
é controlar o comportamento produtor e consumidor dos indivíduos.  Em outras palavras, burocratas e suas
autoridades centralizadas querem determinar o que você pode fazer com seu próprio
corpo e quais as coisas você pode ter — tudo, obviamente, para o seu próprio
bem.

4. Isso coloca aqueles que fazem
cumprir o intervencionismo do governo em uma posição difícil, particularmente
em relação à proibição da maconha, do haxixe ou da cocaína, e de serviços como
atividades sexuais pagas.  Ao tornarem
ilegais a produção, a comercialização e o consumo desses bens e serviços, as
agências governamentais são obrigadas a desviar recursos — os quais poderiam
ser empregados na proteção das pessoas e da propriedade — para a espionagem,
captura, multa ou encarceramento de consumidores, fornecedores ou
mercadores.  Ao agir assim, o governo
está tentando algo que nunca funcionou na história do mundo: suspender os
processos de mercado — a interação entre compradores e vendedores, ambos
agindo voluntariamente.  Não apenas essa
atividade coerciva é altamente custosa, como também ela não é muito eficaz.  Com efeito, as evidências sugerem que proibir
drogas e prostituição é algo contraproducente.

5. Quando algo se torna ilegal, as
demandas dos consumidores não desaparecem. 
Ao contrário: os consumidores buscam alternativas, meios mais custosos e
arriscados de satisfazerem seus desejos. 
Os preços tornam-se maiores do que seriam na ausência dessa proibição, e
a diversidade, qualidade e quantidade demandada são menores.  Como resultado dessa demanda suprimida e do
potencial de se obter maiores lucros, aqueles indivíduos com talento especial
para se esquivar das autoridades irão direcionar suas energias e recursos para
satisfazer essa demanda.  A ilegalidade
da atividade permite aos intermediários cobrarem preços maiores dos
consumidores e, ao mesmo tempo, exigirem preços mais baixos dos cultivadores de
maconha, coca e papoula.  Isso faz surgir
os carteis das drogas, as áreas de prostituição e toda a violência associada à
proteção desses territórios.

6. A “guerra às drogas” empreendida
pelos governos tem sido, ao mesmo tempo, um enorme triunfo e um fracasso
abismal.  Os barões e traficantes se
deram extremamente bem.  Todos nós já
vimos imagens de apreensões policiais que envolviam maciças quantias de dinheiro,
drogas e armas de fogo.  Entretanto, isso
não teve impacto algum nos mercados locais. 
As drogas ilegais estão disponíveis em praticamente todos os lugares e a
preços que só fizeram cair em termos reais ao longo dos anos.  A quantidade de maconha que podia ser
comprada por $10 em uma escola em 1980, por exemplo, é provavelmente a mesma
quantia que pode ser obtida por $10 hoje.

7. Defensores da proibição apontam
alguns efeitos positivos.  A quantidade
demandada de drogas leves como a maconha e o haxixe é provavelmente menor hoje
do que seria sem a proibição.  O mesmo
pode ser dito a respeito da prostituição. 
Mas é difícil acreditar que os efeitos desejados são grandes o bastante
a ponto de justificar o custo humano de sua proibição em termos de vidas
perdidas e vidas destruídas.

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15 comentários em “A economia do mercado negro em uma página”

  1. Leandro Bergantin

    No caso da legalização das drogas, os traficantes se tornarão empresários de sucesso?

    Quanto a prostituição, salvo casos que envolvam abuso de menores e “escravos do sexo”, o governo não deveria se intrometer. Uma vez que é uma decisão da pessoa vender o corpo ou não.

  2. Xará, depende da sua definição de traficante.

    Um sujeito que apenas e tão somente (um pleonasmo só pra reforçar) pratica a venda de drogas, não há motivos pra que ele receba um tratamento diferente daquele sujeito que vende bala no sinal, certo? Vai querer jogar um cara desses na cadeia por quê?

    Agora, se o sujeito, além de vender, já matou, roubou, sequestrou e praticou delicadezas afins, então não há motivo algum para ele ser transformado em “empresário de sucesso”, certo?

    Como a esmagadora maioria dos traficantes de hoje já cometeram esses crimes, não há por que achar que eles repentinamente tornar-se-ão homens de respeito. Marcola e Fernandinho Beira-Mar pertencem ao xadrez. Aliás, eles só têm o poder que têm hoje justamente por causa da proibição.

    Mas isso ninguém quer ver.

  3. antes do comentario em si leandro nada sobre o dia d eo que representou pro mundo.

    sobre o artigo

    Quando comento sobre a liberação das drogas o “povo’ fica espantado pq sabem que não sou usuario nem de alcool e um choque dizer pra acabar com a violencia da questão e necessario a liberação.
    E necessario alguns meses de reflexão para absorver o conteudo do site ja que fui educado pelo estado policial,41 anos de educação estatista não da pra mudar assim rapido,os neurônios estão criando novas ligações.
    “Libertas Quæ Sera Tamen”como dizem os mineiros(sou gaucho).

  4. Para mim essa notícia foi surpresa, Tiago. Não sabia disso. Muito obrigado pela divulgação.

    Mostra como a criminalização das drogas vem na verdade acelerando a formação da bandidagem. O sujeito entra na cadeia virgem e sai dando aula.

    A coisa é pior do que eu imaginava.

  5. Indivíduo Questionador

    Alguém sabe se há algum estudo semelhante ao que o Tiago RC citou, mas que considere os crimes cometidos pelos políticos do Brasil, em nível municipal, estadual e federal?

  6. Meu amigo está preso há mais de um ano porque estava num carro com outras pessoas e este carro levava drogas.

    Que coisa boa. Ele é uma ameaça para a sociedade. Um bandido, porque gosta de fumar maconha e às vezes ajudava a vender substâncias para pessoas que queriam comprar.

    É ilógico prender uma pessoa por porte de algo.

  7. Gente que cara de pau! Vc queria que acontecesse o quê com seu amigo? Que o policial o insentivasse a continuar a “ajudar de vez em quando a vender cocaína pra pessoas que queriam comprar”? Do tipo “Vai e não peques mais” kkkkk\r
    Seria bom de mais pra ser verdade…

  8. No caso o amigo do anônimo, ajudaria saber mais sobre as substâncias. Eram de peso? Eram as consideradas “recreativas”? Qual a quantidade? Uma advertência e trabalho social poderia ser punição que baste a um guri que vez ou outra consome um cigarro de maconha. Não iria retificar o problema que o leva a esse tipo de escapismo, mas tampouco iria acentuá-lo como o ambiente do cárcere faria.
    E aí está o ponto: por que tal indivíduo procura drogas? Por que uma leve, ou uma de peso? Quando uma parcela signicativa da sociedade ignora o perigo inerente à ilegalidade para consumir substâncias cujas consequências são sabidamente danosas, há um problema bem além do escopo legislativo.
    Legalizar seria, realmente, apenas um detalhe econômico. Nem poderia se afirmar que um possível aumento no consumo seria apenas em razão à revelação do real volume de usuários ou se de fato seria efeito da liberação, nem poderia se calcular a progressão dessa flutuação.Sem saber o que mantém esse mercado, legalizá-lo é uma aposta tão certa quanto têm sido a manutenção de sua proibição.

  9. Outro dia acharam uma muda de capim limão no carro de um amigo. Ele deveria ser preso também, ou o policial deveria “ajudar” de vez em quando a vender capim-limão pra pessoas que queriam comprar?

  10. Momento “teatro do Absurdo”!

    Destaque para o trecho: “Não obstante a legislação brasileira não proibir a auto-prostituição voluntária de adultos, é considerada ato criminoso a exploração da prostituição em proveito de outrem, conforme definido nos artigos 227 a 230 do Código Penal brasileiro”, disse Varandas.

    Isto nos diz similarmente que é legal comercializar minha música, mas se meu disco estiver no catalógo de uma gravadora, o dono dela é um “fora-da-lei”.

    Tudo faz sentido no Brasil…

  11. Governo ladrão rouba camelôs em Porto Alegre.

    noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI6215828-EI5030,00-RS+operacao+no+camelodromo+provoca+tumulto+na+capital.html

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