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Se você gosta da natureza, privatize-a

Revistas que versam sobre a natureza são um deleite. As fotos que enfeitam as publicações sobre conservação normalmente são magníficas. Entretanto, é difícil ignorar o analfabetismo econômico ou a propaganda socialista que é esposada em muitos de seus irrefletidos artigos, e é ainda mais difícil ignorar a força com a qual os estatistas clamam pela expropriação governamental dos recursos com o intuito de atingir seus objetivos. Nesse artigo, mostrarei por que isso é eticamente incorreto e economicamente ineficiente.

Primeiro, o mais importante: não sou contra a natureza ou a preservação dela, obviamente. O que oponho é o uso do estado — o agente da agressão institucionalizada — para fomentar a agenda do movimento pró-conservação. É imperativo fazer uma distinção entre liberdade e estatismo. Enquanto que a liberdade envolve propriedade, prosperidade e liberdade de trocas, o estatismo envolve roubo, pilhagem e pobreza.

As opiniões dos legisladores, quando são codificadas e escritas em certos documentos “oficiais”, se tornam leis. Essas leis são financiadas pelo assalto estatal à população e são normalmente reforçadas por ameaças de multa, de prisão e, em última instância, de morte. Portanto, quando falamos de opções voluntárias, definitivamente não estamos falando de decretos governamentais.

Intervenção Governamental

Sempre que há uma troca voluntária de bens, aqueles que estão participando dela acreditam ex ante que estarão melhor após a troca do que estariam se não a tivessem feito; eles esperam se beneficiar da troca, pois caso contrário não haveria motivos para fazê-la. Se A está comprando maçãs de B por $1, então A necessariamente acredita que as maçãs valem mais do que a moeda. Algo similar ocorre com B, que acredita ser o valor da moeda maior do que o valor das maçãs. Assim, uma troca livre e voluntária é uma dupla desigualdade.

Sob intervenção governamental, no entanto, a relação entre esses bens trocáveis não é mais como descrita acima. Ao invés de termos dois lados decidindo livremente trocar seus bens baseando-se em suas necessidades e fazendo cálculos através do sistema de preços, temos o governo estabelecendo os termos, unilateralmente. Ele vai alocar os recursos de acordo com o clima político, negligenciando as necessidades de todos ao propor e estabelecer esquemas únicos que devem ser aplicados de maneira unilateral sobre todos. Ao invés de os dois lados da negociação estarem melhor após a troca, temos que um lado fica melhor (geralmente políticos ou lobistas) às custas do outro.

O que é que tudo isso tem a ver com a natureza? Muito. Estamos vivendo parcialmente sob um socialismo ambiental. O governo se arrogou a si próprio a responsabilidade de cuidar de algumas áreas de terra que ele declarou serem importantes. E simplesmente por dizerem que são importantes (através do decreto de alguma lei), grupos de políticos alegam ser os proprietários de direito tanto de terras que não têm dono como de terras que já têm dono. Vamos analisar cada um desses cenários.

No primeiro caso, o governo alega ter se apropriado de recursos aos quais ninguém havia anteriormente reclamado a posse. Até esse ponto, a maioria diria que se trata de algo legítimo. Isto é, como não havia nenhum proprietário, e, portanto, nada a se reclamar, então o governo pode sim alegar a posse da terra em questão. Conquanto não seja o propósito desse artigo adentrar na questão de se o governo pode ou não ser tratado como um proprietário legítimo, é suficiente dizer que em muitos (e talvez na maioria dos) casos, o estado simplesmente declarou por decreto ser ele o proprietário da terra em questão e pronto. E não se tratava de lotes cedidos pelo governo sendo retomados, bem como sequer havia qualquer ligação entre os agentes governamentais e a terra reivindicada.

O segundo caso é muito mais fácil. Se há um dono legítimo da propriedade — terra, nesse caso — e o estado decide que tem mais direito sobre essa terra (“domínio eminente” ou desapropriação — o poder do governo de desapropriar uma propriedade privada para uso público), então trata-se de um roubo, simples e direto. O estado invalida reivindicações anteriores (e melhores) sobre a posse da terra e toma-a para si. Sob essa aquisição hostil, o proprietário ou é expulso ou tem seus direitos de propriedade (o direito de controlar) diminuídos.

Em ambos os casos, a formação de parques e reservas ambientais — estaduais e nacionais — deve, em algum momento, usar de agressão. Isso seria verdade mesmo se uma determinada reserva particular fosse voluntariamente entregue ao estado, pois, desse ponto em diante, sua manutenção e administração vai requerer um novo ataque à sociedade através de uma adicional taxação. Assim, propriedades estatais devem ser imediatamente devolvidas aos seus proprietários de direito.

O estado não pode ser o proprietário legítimo de terras (ou ter qualquer outro tipo de propriedade). Não importa se tal propriedade se tornou estatal através da compra, decreto, conquista, domínio eminente, ou retomada de lotes que foram cedidos — todos esses métodos envolvem a violação de direitos quando eles são feitos em nome do estado.

A natureza sob o socialismo

Florestas, parques e reservas naturais em geral, quando estão sob o controle do estado, se tornam entidades socialistas. As mesmas análises econômicas usadas para determinar as conseqüências do socialismo podem ser aplicadas para as reservas nacionais, isto é: sem um mercado, simplesmente não há uma maneira de determinar se os recursos direcionados para as reservas nacionais estão sendo alocados eficientemente. Como Mises demonstrou, o cálculo econômico sob o socialismo é impossível.

Quanto se deveria cobrar das pessoas que entram em um parque, por exemplo? Elas deveriam sequer pagar? Quantas famílias ou carros deveriam ser permitidos por temporada? Ou eles deveriam sequer ser permitidos? Todas essas são questões críticas que acabam sendo respondidas politicamente. É claro, existem muitas agências públicas e privadas que fazem estudos e sugerem decisões a serem tomadas, mas, no final, suas recomendações podem ser ignoradas pelos tiranos no poder. E mesmo que eles seguissem-nas, será que isso corrigiria alguma imperfeição? A resposta requer um pouco de entendimento econômico.

Uma reserva natural, por exemplo, é um bem que poderia ter usos alternativos, como um condomínio residencial. E isso será determinado pelo preço que as pessoas estariam dispostas a pagar por aquela reserva ou por outras reservas similarmente precificadas. O proprietário sabe quais ofertas podem ser feitas para sua reserva e ele pode aceitar tais ofertas comparando os benefícios que ele recebe hoje (taxas mais a satisfação psicológica de ser o dono e gerente da reserva) em relação àqueles que ele receberia ao vendê-la.

Mas enquanto o estado for o dono de todos esses ativos, e não quiser vendê-los, ninguém poderá se tornar ciente de potenciais usos alternativos; e mesmo se esses usos fossem conhecidos, o estado, ao manter essas propriedades (não as vendendo), está perpetuando uma estrutura de produção insensata. E ao manter essas reservas naturais através da tributação, o estado está amortizando um bem de capital que, de outra maneira, poderia ser lucrativo.

Um problema comum e atual com os parques nacionais é que eles estão se tornando continuamente mais abarrotados. Observe que esse problema não é tão extremo ou tão comum onde há propriedade privada e mercados em operação. Normalmente, supermercados abrem novas filas quando uma fila já está longa. Se há um aumento na demanda, eles abrem sucursais em outros locais. O mesmo ocorre com cada bem e serviço oferecidos no mercado por empreendedores concorrentes. É raro achar negócios extremamente ineficientes. Eles simplesmente não sobrevivem se os clientes não gostarem da qualidade dos serviços oferecidos. Ademais, mesmo se um negócio de alguma maneira permanecesse ineficiente (talvez sobrevivendo pelo gasto de capital) comparado aos seus concorrentes, não haveria nenhuma obrigação em patrociná-lo; poder-se-ia simplesmente recusar seus serviços. O mesmo não acontece com parques e reservas controlados pelo estado, onde a taxação é praticamente inevitável e é arriscado tentar escapar dela.

Eis a seguir apenas algumas idéias de como o mercado poderia lidar com a questão da lotação dos parques e reservas naturais: poder-se-ia, talvez, banir famílias e permitir apenas exploradores qualificados; ou talvez os proprietários estabeleceriam listas de espera ou filas prioritárias. Não é difícil imaginar que seriam cobradas taxas diferenciadas dependendo das atividades que os fregueses quisessem fazer enquanto estivessem visitando a reserva, ou do número de dias que ficassem por lá. Para as áreas mais frágeis, talvez o preço devesse ser maior do que o normal. Ou talvez o acesso pudesse ser gratuito, desde que certas regras fossem obedecidas. Incentivos privados, como comunidades de conservação da terra e contratos de longo prazo, poderiam ser usados para estabelecer normas tanto para zeladores como para visitantes.

Sabemos que muitas dessas propostas, se aplicadas em uma propriedade sob controle governamental, representariam um suicídio político simplesmente porque há a noção de que tais espaços devem estar sempre disponíveis a todos. Isso também pode ser verdade para os parques e reservas particulares, mas nesse caso a situação seria balanceada não por sanções políticas, mas pela ameaça de uma perda de valor do ativo. Se o proprietário fixar políticas que não agradem os clientes em potencial, o dano causado irá reduzir o valor da sua terra. Destarte, ele terá todo o interesse em satisfazer eficientemente os desejos dos clientes.

Devemos também enfatizar que o valor monetário não é o único fator em uma análise empreendedorial. Dedicação, prestígio e exclusividade também participam do jogo. Se é sabido que um proprietário não está sendo cuidadoso com sua propriedade, o valor de sua terra irá diminuir e todo esforço e dinheiro investidos estarão perdidos. Uma boa reputação tem um grande peso no estabelecimento de um indivíduo como um ambientalista profissional.

Desestatização da natureza

Existem várias objeções comuns que surgem sempre que a questão da privatização é levantada.

(A) Se permitirmos a privatização dos parques e reservas nacionais, como se pode garantir que eles continuarão a existir ou que eles sequer estarão disponíveis?

No mercado (ou, da mesma maneira, sob domínio governamental), não existe nada garantido. Em uma economia de mercado, existe a tendência de se igualar a oferta à demanda. Empreendedores descobrem desejos não atendidos, fornecem-nos e lucram em cima dessa lacuna. A única “garantia” de que haverá maçãs no longo prazo é que as pessoas ainda estarão demandando maçãs. À medida que os desejos forem mudando, empreendedores irão descobrir outras oportunidades e maneiras de satisfazer esses novos desejos.

Para aqueles que dizem que o mercado não pode garantir nada, o mesmo se aplica ao estado. Nesse caso, não há quaisquer garantias também. Pelo menos no livre mercado sabemos que se as pessoas valorizam suficientemente os parques, as reservas e as florestas, a busca por lucro por parte dos proprietários e empreendedores será direcionada à satisfação dessa meta. E como é que isso pode ser “garantido” pelo estado? Esperando que os ecologistas estejam no poder? Se fosse assim, teríamos que ter carpinteiros no poder se quiséssemos ter cadeiras; e para que tivéssemos computadores, analistas de sistemas e programadores teriam que chefiar o estado também. Como se vê, essa linha de raciocínio é ilógica.

Ademais, nunca devemos sucumbir ao desafio socialista de “como X funcionará sob um livre mercado?” É tentador tentar responder a essa pergunta. E parte do problema é que, se não há um mercado, então ninguém realmente foi capaz de tentar. Além disso, na ausência do socialismo, haveria competição para satisfazer as demandas não atendidas. Existiria uma multidão de pessoas para resolver problemas. As coisas passariam a ser reais, ao invés de simples teorizações acadêmicas. Se a produção de sapatos fosse feita nos moldes socialistas, estaríamos curiosos para saber como eles seriam produzidos, quem iria produzi-los e como eles seriam distribuídos. Quanto eles iriam custar? Quais as cores e tamanhos que seriam feitos? A proteção da natureza não é um serviço diferente. Ao invés de perguntar quem iria fazer tal serviço (no futuro), a pergunta correta é: por que é o estado que deve fazer isso (agora)?

Finalmente, há milhares de modelos de parque e reservas naturais que já são privados – desde country clubs até praias, passando por campos de golfe. A questão atual é qual o modelo que deve prevalecer. As respostas abundam; todo mundo tem uma idéia. E qual deveria ser seguida? Por quê? No livre mercado, essas questões são solucionadas pelos direitos de propriedade — quem quer que seja o dono, decide. Isso não prejudica ninguém, pois a propriedade foi obtida sem que ela tivesse sido tomada de alguém, e, alem do mais, em muitos casos o proprietário irá tentar lucrar escolhendo o plano que mais beneficie o consumidor.

Apesar de os governos ao redor do mundo controlarem grandes extensões de terra, há numerosos exemplos de atuais parques e reservas naturais particulares. Essas iniciativas deveriam servir como modelo de como a natureza pode ser preservada mais eficientemente e sem a necessidade de tributação.

(B) Não irão os proprietários danificar a terra, os animais, as plantas e outros recursos?

O raciocínio por detrás desse tipo de pergunta parece nunca se esvair. A premissa é que os proprietários são descuidados e abusivos, que eles não têm uma perspectiva de longo prazo para sua propriedade, e que são orientados exclusivamente para o presente. Se isso fosse correto, significaria que os proprietários estão apenas à procura de oportunidades de lucro imediato, de maneira que possam explorar seus recursos o mais rápido possível. Assim, ficaríamos sem nada e todo o planeta seria destruído. Felizmente, as coisas não são assim.

As pessoas valorizam, e muito, suas propriedades. Quando foi a última vez que vimos alguém queimar sua casa imediatamente após comprá-la? Por acaso as pessoas compram um carro já pensando em destruí-lo? Apenas os malucos, que são a completa exceção. Os proprietários, particularmente aqueles envolvidos com imóveis e com grandes projetos como esses em discussão, precisam investir recursos se quiserem obter alguma propriedade, como a terra. Além dessa enorme quantia de dinheiro gasta na aquisição, eles têm que contratar trabalhadores e administradores para cuidar da propriedade. Os proprietários valorizam não apenas o uso presente, mas também o uso futuro. Se eles forem negligentes com suas terras, seu valor futuro sofrerá um impacto.

Ainda duvidoso? Um artigo recente mostra que houve um aumento de 54% da conservação por parte das reservas naturais privadas desde 2000:

Na bifurcação do Rio Gila, no Novo México, a truta Gila, que está em extinção, está recebendo ajuda de proprietários de terras adjacentes que estão deixando de desenvolver 48.000 acres em várias comunidades de conservação de terras (land trusts). Essas áreas não serão usadas para qualquer tipo de expansão, justamente para assim protegerem as trutas e o seu habitat.

Ao mesmo tempo, nas margens de Chesapeake Bay, 206 propriedades que totalizam mais de 38.000 acres de um frágil estuário que serve de habitat para pássaros migratórios e para a vida marinha, como o esturjão do nariz pequeno, pararam de se expandir. Land trusts e a transferência de direitos de conservação foram utilizados como métodos legítimos para se atingir tal objetivo.

Tudo isso faz parte de um novo boom de conservação de terras privadas na qual os proprietários de terras voluntariamente abrem mão de seus direitos de desenvolver suas próprias terras — geralmente em troca de isenção tributária, mas também para salvar paisagens maltratadas que eles adoram.

Terras privadas separadas com o único intuito da conservação de espécies cresceram 54 por cento, de 24 milhões de acres para 37 milhões de acres — uma área maior que a região da Nova Inglaterra — entre 2000 e 2005, de acordo com um estudo recente da Land Tust Alliance, uma associação de instituições que trabalham conjuntamente — e que têm sua base em Washington — e que formam grupos locais, estaduais e nacionais para a conservação de terras.

Grupos nacionais como a The Nature Conservancy foram de extrema importância para estimular essa preservação. Mas os maiores estimuladores desse crescimento foram os land trusts (comunidades de conservação) locais e estaduais, cujas áreas protegidas dobraram de 6 milhões de acres em 2000 para 11,9 milhões de acres. Enquanto isso, a taxa à qual essas associações estavam poupando a terra triplicou para 1,2 milhões de acres por ano entre 2000 e 2005.

“As pessoas não estão sentadas esperando que um burocrata de Washington resolva o problema de algumas alamedas em seus próprios quintais — elas estão formando land trusts“, diz Rand Wentworth, o presidente da aliança.

Esse é apenas um exemplo de como as pessoas estão gastando dinheiro para proteger as coisas que elas valorizam. Imagina quanto mais poderia ser feito sem tributação.

No final, se as pessoas valorizam muito suas visitas aos parques e às reservas naturais, elas estão dispostas a pagar por isso. Os benefícios de se ter acesso aos parques e reservas devem ser grandes, e assim se daria a capitalização destes.

(C) Não podemos permitir que animais tenham dono e que sejam comercializados como se fossem propriedade!

O problema é justamente a ausência de direitos de propriedade; o valor de espécies em extinção é efetivamente zero. O estado reivindicou o direito de ser o proprietário de certos animais e, assim, baniu seu comércio. Não existe um mercado para o urso polar ou para a águia americana. E mesmo que as pessoas valorizem esses animais devido à sua relativa escassez, não há uma maneira legítima de mostrar a demanda por esses animais no mercado. Imagine, por outro lado, se houvesse um mercado para espécies em extinção. Imediatamente, haveria incentivos para protegê-los. Poderia haver, apenas para citar um exemplo, um mercado saudável para a captura segura de animais de forma que eles pudessem ser devolvidos ao seu habitat natural ou mesmo a um zoológico.

O crente na proteção animal socialista poderia, nesse momento, alegar que sob o cenário de livre mercado nada iria impedir que as pessoas matassem animais que não tivessem donos ou que não fossem protegidos pelo governo. Essa seria uma afirmação verdadeira. Entretanto, em um livre mercado (e, em geral, em uma sociedade mais livre) considerar-se-ia invasão entrar na propriedade de alguém sem o consentimento dessa pessoa. Além disso, não há nada hoje que impeça alguém de matar espécies em extinção. Existem inúmeras leis contra homicídio e roubo, e no entanto eles continuam ocorrendo. Mas em um mercado de animais as pessoas em geral saberiam — assim como elas sabem que jóias, ouro e carros clássicos impõem um preço alto — que certas espécies valem muito mais dinheiro do que outras. Não é desarrazoado acreditar que elas iriam preferir proteger (talvez em troca de uma recompensa) aqueles animais do que ser totalmente indiferentes.

Há um notável exemplo do mercado em ação. No Quênia, grupos de conservação e as Nações Unidas pressionaram o governo para proibir o comércio de marfim. Após a proibição, entretanto, o número de elefantes continuou diminuindo devido às caças ilegais (que são difíceis e caras de se controlar). No Zimbábue e em Botswana, sendo em ambos permitida a caça de elefantes, o número de elefantes tem crescido a 5% ao ano. Durante os anos 1980, a população de elefantes quenianos caiu de 65 para 19 mil, ao passo que no Zimbábue a população cresceu de 30 para 40 mil.

Por que é que, mesmo que a gente coma milhões de frangos por dia, não estamos sofrendo de escassez desse produto? Porque eles têm valor e é de grande interesse dos produtores manter a população de frangos ao nível da demanda. É improvável que haja uma “crise de escassez de frangos”.

(D) Estamos ficando sem terras! O que nos restará para proteger?FederalLandMap.jpg

Este mapa é interessante. Ele mostra a quantidade de terras apropriadas e expropriadas pelo governo federal americano. Vastas extensões de terras, particularmente o oeste das Rochosas, e grande parte do Alaska e de Nevada, estão sendo centralmente controladas por burocratas de Washington. Junte a isso os vários parques e florestas, locais e estaduais, e o cenário se torna claro. As mesmas pessoas que provocam guerras, que inflacionam nossa moeda, que tapam buracos, que regulam nossas vidas, que impõem restrições de comércio — essas são as mesmas pessoas que supostamente cuidam da natureza. Essa caricatura precisa ser desmascarada e liquidada imediatamente.

A privatização de terras do governo em todo o mundo abriria oportunidades consideráveis para um enorme número de exploradores, cientistas, conservacionistas, organizações comunitárias e empreendedores.

Conclusão

A mais instigante oposição à privatização apóia-se em questões como: quem fica com a terra? Como pode a privatização, se feita pelo estado, ser conduzida de maneira justa? Essas são inquietações válidas; dado que o estado opera dentro de meios políticos, qualquer iniciativa de privatização vai provavelmente favorecer organizações que tenham vínculos com o governo.

privateproperty2.jpgEsse problema aparentemente intransponível é em si o produto do controle governamental dos recursos, e não uma falha do mercado ou dos empreendedores em geral. Talvez não haja um método que seja o melhor para devolver a propriedade aos seus donos de direito.[1] Entretanto, esteja certo de que quanto menos estado tivermos, melhor será para a liberdade. Portanto, qualquer iniciativa (tal como secessão, descentralização, desregulamentação, ou abolição) que nos leve para perto da meta — e ao objetivo de desestatizar a natureza — é uma boa iniciativa.

O caso que acabei de apresentar é um razoavelmente simples: a abolição de parques, florestas e reservas ambientais governamentais. Somente com um livre mercado é possível ter uma política sensata que estimule os necessários mecanismos de lucros e prejuízos — que é o que molda o cálculo econômico empreendedorial. Se amamos a natureza e queremos preservá-la, é necessário haver genuínos direitos de propriedades.

Belos recursos naturais são uma bênção. Não podemos permitir que o estado trate deles com desdém, empregando métodos ineficientes e antiéticos. A proteção da natureza não pode ser deixada para o socialismo. Não compete ao estado cuidar de plantas e animais. Aliás, não compete ao estado fazer absolutamente nada.


Nota

[1] De fato, há algumas dificuldades em como uma propriedade em particular deve ser desestatizada. Conquanto complexas, essas questões representam meramente um problema logístico e técnico, e não um problema econômico ou ético. Muitos autores, como Rothbard e Hoppe (veja seu “On Socialism and Desocialization” do livro “Democracy: The God That Failed“) já propuseram diretrizes sobre como desestatizar propriedades controladas pelo estado. Organizações ambientalistas pró-livre mercado, como a PERC e The Commons também oferecem um bom número de artigos e livros sobre como salvar a natureza através dos direitos de propriedade.

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115 comentários em “Se você gosta da natureza, privatize-a”

  1. Sou libertário, mas ainda não estou convencido que o livre mercado funcionaria de maneira satisfatória para preservar o meio ambiente. Nem estou dizendo que a solução estatal é satisfatória, mas, honestamente, vejo muitissímas brechas, algumas me parecem incorrigíveis, na solução anarco-capitalista. Pede-se muito para acreditar que tudo dará certo, e foi exatamente isso que me afastou da tara por controle estatal.\r
    \r
    O lado positivo do libertarianismo é que ele coloca a propriedade (liberdade) acima de tudo, e isso cria um sistema de confronto de interesses que tem potencial para equilibrar tudo da forma mais justa possível, o problema é que o meio-ambiente, em muitos aspectos, foge dessa lógica inerente a tudo, porque o que chamamos de meio-ambiente não é propriedade. Mas só por isso seria aceitável que petroleiros despejassem seus dejetos em qualquer lugar não-tomado? Esse é só um exemplo, bem comum e factível, poderia citar muitos outros.\r
    \r
    E por favor não me falem de tort laws, conheço-as. Me refiro mais à cenários onde o cálculo de prejuízo é praticamente impossível.\r
    \r
    Para mim o meio-ambiente é uma pedra no nosso sapato. E uma das razões pelas quais eu não sou anarco-capitalista.

  2. Direito animal: images.orkut.com/orkut/photos/OgAAAHnOeSAQvS8Pc77cio7T1DkOHuntFYDNRgfw3bTfHpM5kVj4anXnBUPBZe8NjTIz7bcDEiQKBpVl2KjDudj2bfgAm1T1UPNufTIjvn-mFKT7CGfkYTaIb52f.jpg

  3. Quando o governo estabelece regulamentos para proteger a natureza, em verdade a está expropriando, tornando-a bens públicos. Daí porque um fazendeiro, se mata uma onça que lhe está matando as ovelhas – que produzem leite e carne para animais racionais – passa a ser caçado pelo Ibama, MP e sabe-se lá mais quem.

    Ao tornar pública a natureza, o estado apropria-se a riqueza representada por esses animais, pois se avoca, por meio de licenças, a permitir sua captura caça criação em cativeiro etc.

    Pior que isto é que, pós 89, os comunas perceberam que poderiam se utilizar da onde verde para reimplantar uma agenda comuna. Afinal, proteger o meio ambiente de empresários gananciosos é assegurar os direitos das futuras geraçoes.

    Mas os defensores da igualdade e da mais valia se esquecem que futuras geraçoes, algo em torno de 150 milhoes de pessoas (suspeito que bem mais, fui economico por preguiça de achar referência exata as 03am), foram eliminadas da existência nos gulags siberianos, chineses, cambojanos etc.

    Enfim, os famigerados e nocivos capitalistas já demonstram que são mais capazes e hábeis que o Big Brother para proteger o meio ambiente que, afinal, contém parte do insumo de sua produção. Contudo, o estado, que tende a maximização, apoiados pelos novos comunas (os verdes), não se rendem a realidade.

    Pelos verdes mais ortodoxos, o padrão de vida ideal seria vivermos na idade da pedra, feito ianomamis, com uma expectativa de vida de 40 anos. Às favas. O meu ao ponto, garçon.

  4. E o ar? E a água? Seriam privatizados também? Como seria a administração do ar pelo proprietário :p?
    E mesmo que vocês queiram ignorar o aquecimento global chamando de farsa (sendo que existem centenas de estudos que provam o efeito estufa), não é só esse o problema.A água é finita e a simples poluição do ar prejudica as vias respiratórias e pode causar problemas gravíssimos.

  5. Alexandre Nessralla

    Guilherme
    Quando alguém usar o argumento de sua condição financeira, faça como Milton Friedman.
    Se vc tivesse AIDS só poderia ser tratado por um médico que tivesse AIDS, um farmaceutico que produziu o remédio contra AIDS tinha que ter a doença tbm?

  6. Quanto ao fato de os alunos aceitarem bem as proposições, acho que alguns pontos são relevantes, o fato de ser uma turma de primeiro ano e ainda não estar de certa forma impregnada com a mentalidade keynesiana ajuda, outro ponto é a quantidade de alunos que possuem algum tipo de beneficio do prouni ou similares, estes normalmente tem dificuldade em aceitar a sua situação, e no mais parece que os professores da sua faculdade em particular são mais abertos ao liberalismo, coisa rara hoje em dia.

  7. Sensacional o podcast. Me identifiquei muito com o Guilherme.
    Como ele também tenho 19 anos e estou no quarto semestre mas o curso é economia.

    Sempre tento mostrar para meus amigos um pouco da escola austríaca. Quando vemos os modelos matemáticos keynesianos complexos que tentam mostrar uma situação e não mostram nada eu falo “olha não tomem isso como verdade absoluta, existe um outro pensamento”.

    Agora diferentemente dele eu estou em um território mais “hostil”. TODOS os meus professores são esquerdistas. Tenho uns mais moderados e outros marxistas assumidos então é bem complicado, direito me vejo em discussões com eles dizendo “mas olha nao é assim que funciona”.
    Mas sofro do mesmo problema que você, por eu ser novo meus argumentos por melhores que sejam não são levados a serio. Alem do mais há toda aquela prepotência dos professores de “eu sou formado estudei muito mais do que você então eu sei o que estou falando”.

    Mas o que me alegra é ver que pelo menos entre os mais jovens as ideias austríacas são muito bem aceitas. Sempre que vou conversando com eles dizem “olha isso faz sentido, alias muito mais sentido do que a gente aprende na aula”. Por mais esquerdista que o jovem seja eles sempre estão abertos a conversa e quando você conversa com alguém que tenha o minimo de conhecimento de escola austríaca é muito difícil você refutar os argumentos.

    Boa sorte pra você Guilherme, saiba que você não esta sozinho tem muita gente como você que esta tentando fazer com que a ideia de liberdade seja passada adiante.

  8. Excelente entrevista!!
    Um absurdo eu só ter escutado agora. Como costumo dizer: A maior qualidade do IMB é sua audiência. Extremamente qualificada, dedicada e ativa!

  9. Ainda nao entendi..considero me libertario mas esta dificil ver como presevar as florestas como propriedade privada…o seus donos nao queimariam tudo para transfromar em pasto e depois em plantacao de soja? Ate pq um pasto com animais vale muito mais do que um matagal, certo?

    A tese de que e possivel a floresta em pe valer mais do que “deitada” ainda precisa ser demonstrada, ou nao?
    Onde esta o erro no meu raciocinio??

    Procurei artgos no site von Mises e nao achei algo ilustrativo

    Joao

  10. essa é a única idéia do anarco-capitalismo que não me desceu…

    eu moro em santa catarina, em camboriú… aqui perto existe um hotel chamado itapema plaza…

    esse hotel ”privatizou” uma praia só pra ele e impede o acesso de moradores da própria cidade, a praia é só para os clientes do hotel…

    isso poderia ocorrer naturalmente no anarco-capitalismo… já ocorre hoje em dia, acho que no anarco-capitalismo ocorreria muito mais!

  11. é óbvio que no anarco-capitalismo não teria o estado para proteger o tal hotel!
    mas mesmo assim se eu e um grupo de pessoas que se indignam ao ver uma praia restrita a clientes de um hotel (caríssimo por sinal) resolverem atacar esse hotel gerando assim uma espécie de guerra?

    Parece que você está preocupado que, em uma sociedade ancap, diversos hotéis simplesmente se apropriassem de toda a faixa litorânea e combrassem um valor absurdo para que as pessoas tivessem acesso a ela.

    Antes de prosseguir, pense na impraticalidade disso… É muito pouco provável que toda a faixa litorânea seja tomada. Mas não precisamos falar dessa impraticalidade aqui… vamos apenas presumir que de fato não exista um grão de areia não-privatizada na faixa litorânea brasileira.

    A concorrência entre os diversos donos de hotéis pela clientela provavelmente faria o preço de todos baixar. É bem provável que o tal hotel que você citou cobre muito caro por que ele é exclusivo. Só ele (e uma meia dúzia como ele) podem oferecer uma praia privada, sem carros de som, sem vendodores ambulantes e sem cocô de cachorro. Então, o hotel está, na realidade, se beneficiando do status quo. Se ele tivesse concorrência, seu preço não seria tão caro.

    Se toda a faixa litorânea fosse coberta por empreendimentos privados como hotéis, restaurantes, bares, danceterias, clubes, o mais provável é que o acesso a faixa litorânea fosse franqueada como parte do acesso aos serviços daquele empreendimento e fosse, de fato, gratuíta (uma vez que a concorrência a tornou bem menos escassa). Na prática, muitos empreendimentos, como forma de atrair clientes, poderiam oferecer acesso a sua faixa de praia privativa de graça, sem exigir o consumo de seus serviços, apenas pela oportunidade de ofertá-los aos que estiverem tomando banho-de-sol. Pense em vendedores ambulantes e retire toda a chatice dos mesmos, afinal de contas os vendedores atuais têm o direito de te importunar pq a praia é pública, ao passo que os vendedores de tais empreendimentos não querem te importunar de forma que você vá embora e escolha o concorrente.

    Além disso, pela oportunidade de ofertar serviços aos clientes, é provável que os empreendimentos mantivessem as praias impecáveis, do contrário seus clientes iriam para a concorrência. Isso vai ainda mais longe: uma petroleira que derramar óleo na praia de algum empreendedor vai, com certeza, enfrentar um grande processo e pagar muitos milhões a título de compensação a esse empreendedor (e certamente pensar duas vezes antes de deixar algo assim acontecer novamente), ao contrário das risíveis e muitas vezes nem cobradas multas que o estado leva a cabo atualmente (afinal de contas, as petroleiras são amigas do estado – e a Petrobrás então, é propriedade do estado, certo?).

    Se você começa a pensar tentando deixar de lado toda a tralha estadista a qual estamos acostumados e que faz parte da formação forçada a que fomos submetidos durante a maior parte da nossa vida… realmente pensar do zero… vai ver que o status quo é provavelmente o pior arranjo possível para o litoral.

    Realmente se livrando desses preconceitos pró-estado, você vai perceber que a propriedade privada é um arranjo muito melhor para todos. Afinal, se você mencionou o tal hotel e principalmente, mencionou que o mesmo é caríssimo, é por que, no fundo, se o preço do tal não fosse tão caro, você preferiria estar nele e não na praia pública. Adivinhe: a propriedade privada do litoral pode trazer o preço do tal hotel para valores que todos nós possamos pagar por virtude da concorrência! Já estou até com vontade de dar um mergulho! Você não?

  12. Ali Baba

    Busco conhecer o direito natural de várias fórmas. Entre elas, busco entender como diferentes sociedades, particularmente aquelas menos influenciadas pelas ideologia modernas, entendiam os direitos.

    Primeiro, quanto à limpeza da praia. Áreas urbanas tem esse problema. A maior parte da extensão litonânea não é limpa por ninguém, nem precisa disso. Nocaso de prais muito frequentadas, particularmente as mais urbanas, poderiam ser comparadas às ruas, e a discutirei dentro desse critério.

    Pensemos numa sociedade tribal, num lugar onde não exista um estado central controlando tudo. Como as pessoas entendem a “propriedade”? Em primeiro lugar, o local da tribo, e as áreas selvagens à sua volta, são considerados territórios da tribo, como se fossem um condomínio de todos os seus membros. Há rixas e desconfianças entre as tribos, simplesmente pelo fato da produção de alimentos ser um fator limitante para o crescimento natural da população. Há disputas de territórios. Uma pessoa que esteja num território de outra tribo será considerado um extrangeiro. Algumas tribos deixarão passagem franca a pessoas que não pareçam uma ameaça. Outras discretamente acompanharão os estrangeiros, para ter certeza de que vão embora logo. Algumas poucas simplesmente matarão qualquer extrangeiro que adentre seus territórios, e normalmene serão consideradas por outras tribos como excessivamente violentas. Havia mais de uma tribo aqui no Brasil que eram conhecidas por isso.

    Embora hava a “propriedade comum” (o equivalente ao nosso condomínio), há normalmente propriedade particular dentro desse condomínio. A cabana, oca ou tenda de um homem não deve ser violada. O fato de ser uma tribo nômade ou sedentária não muda isso. Se for uma tribo semi-nômade, quando eles desmontam suas moradias, o terreno onde estava a moradia de um certo homem deixa de ser o local inviolável de sua residência e torna-se novamente terra comum da tribo. Se for uma tribo inteiramente nômade, torna-se terra livre, e não será considerado ofensa se mais tarde a moradia de outra pessoa, membro de outra tribo, estiver lá. Os apetrecho de uma pessoanão podem ser tomados sem sua permissão. Se na área considerada da tribo, houver um riacho, e um homem sozinho montar uma armadilha para peixes lá, essa armadilha será considerada propriedade dele, e outra pessoa que pegue esses peixes será ladrão. Se as pessoas montaram armadilhas juntos, elas são propriedade de todos, e todos coletarão os peixes juntos. Roças que forem plantadas em conjunto, são bens da tribo. Roças que forem plantadas por uma pessoa, são propriedade dela, e outro que colher lá é ladrão. Quando tribos são sedentárias normalmente a terra é dividida entre as famílias, e cada um tem permanentemente a sua terra. Mas o território da tribo continua sendo entendido como um condomínio. Estrangeiros podem ser expulsos de lá pelo conjunto da tribo, ou por um seu representante que todos entendam ter autoridade para tal. Mesmo as áreas que não são propriedade particular de ninguém, são propriedade comum da tribo, e a prova é que todos julgam justo expulsar, não só de alguma propriedade particular, mas das áreas comuns, um extrangeiro considerado perigoso, inconveniente, ou indesejado. Então essas áreas comuns não são entendidas como áreas de ninguém, mas como áreas condominiais. É exatamente como num condomínio moderno, onde um estranho que esteja nas áreas comuns pode ser expulso por alguém que tenha poder delegado pelos condôminos para isso.

    Numa aldeia sedentária, as ruas e praças eram consideradas áreas comuns. Não eram de ninguém em particular, mas eram de todos. Não era de um extrangeiro, e ele só podia estar lá como visitante. Isto não implicava em impostos, porque naquele nível social elas não demandavam manutenção. As únicas funções do chefe eram coordenar a defesa (ou delegar esse poder a outro mais capaz) e ser provedor monopolístico da justiça. Não era um chefe de estado no sentido pleno, mas era um governante, e isso antes da existência de qualquer ideologia, ou estrutura parasitária de poder.

    As cidades são desenvolvimento das aldeias. A maior aglomeração e as necessidedade de segurança exigem alguma obra de infraestrutura e sua manutenção, mas suponho que inicialmente essas eram providas por trabalho comum dos seus habitantes. Há um que eu conheço de descrição sobrevivente dessa fase, que é o Livro dos Juizes, que conforme o próprio texto, foi compilado alguns séculos depois, mas cujas características literárias mostram que foi compilado a partir de relatos da própria época, descrevendo instituições, formas de falar, formas de viver e formas de governo que são muito anteriores ao momento de sua compilação. Pois bem, esse livro mostra governos autônomos em cada cidade, mas não mostra a existência de impostos, nem funcionários públicos.

    Alguém dirá que os governos atuais não são simples administradores de condomínio, supridores de justiça e organizadores de defesa. É verdade, mas o surgimento das estruturas que chamamos de aldeias, vilas e cidades originou-se desse sentimento e entendimento humano de propriedade comum. O fato dos estados posteriores terem traído a confiança dos cidadãos, e se hipertrofiado, e ampliado injustamente o escopo original das suas antigas atribuições nos governos tribais, não muda o fato de que essa é sua origem, e que sua origem vem do sentimento e entendimento naturais dos homens. Uma traição posterior não pode mudar o passado, que reflete como as pessoas entendem as estruturas urbanas, e esse entendimento é originário daquele estado natural, da justiça natural, não das ideologias posteriores que a distorceram. Uma traição posterior não pode mudar o senso natural de justiça e de propriedade das pessoas, que se reflete nessas origens históricas

    Esse entendimento da história e da justiça natural tem conseqüências práticas, mas não tenho tempo agora. Adianto apenas que isso não quer dizer que não possam haver administradores particulares de ruas e outros espaços comuns, mas o como chegar a isso é bem diferente do entendimento dos ancaps.

  13. acho que ninguém rebateu meu argumento dos condomínios fechados… então perguntarei de novo…

    e se todas as praias mais afastadas (aquelas que nao tem sequer nenhum comércio em sua orla) se transformar em condomínios fechados com acesso limitados a moradores que tenham que comprar terras caríssimas e o acesso a praia seja permitido apenas para quem é dono de um terreno ou casa nesse condomínio fechado?

    e se a mesma coisa ocorrer com parques que hoje o estado diz ser ”reservas naturais”?

    tudo bem que o estado já privatizou varias praias por aí afora, mas no anarco-capitalismo isto viraria rotina…

    o meu medo não é de pagar uma taxa para utilizar uma praia bem cuidada… nesse ponto eu entendi bem…

    só que acho que as praias que forem cobradas taxas para seu uso, serão praias muito frequentadas e terão muitos comércios na sua volta…

    já uma praia deserta, ficaria limitada a empresários ricos e clientes ricos (como no caso dos condomínios fechados)…

    ou seja, NINGUÉM além de quem mora nesses condomínios fechados litorâneos poderá nem sequer passar pela praia…

    cobrar taxa é uma coisa, limitar o acesso é outra…

  14. Acho que você está certo Ali Baba… o mercado tem mais poder para mudar uma situação do que o estado (já que o estado só pensa no intere$$e próprio)…

    é como eu falei anteriormente… todo sistema tem suas falhas, mas o ancap é o que tem menos falhas e o mais suscetível a dar certo!

  15. Charles… o mercado também só pensa no interesse próprio (ou intere$$e próprio como vc escreveu). A diferença é que no caso do mercado, nós queremos isso e no caso do estado, nao. Essa é uma virtude muito importante: no arranjo do mercado, os interesses próprios estão orientados de modo a beneficiar todos; no arranjo do estado, os interesses próprios estão orientados de modo a prejudicar todos (exceto quem habita o estado). Dado que a natureza humana é de perseguir os próprios interesses, o arranjo do mercado é o que tem a melhor probabilidade de dar certo.

  16. “No Quênia, grupos de conservação e as Nações Unidas pressionaram o governo para proibir o comércio de marfim. Após a proibição, entretanto, o número de elefantes continuou diminuindo devido às caças ilegais (que são difíceis e caras de se controlar). No Zimbábue e em Botswana, sendo em ambos permitida a caça de elefantes, o número de elefantes tem crescido a 5% ao ano. Durante os anos 1980, a população de elefantes quenianos caiu de 65 para 19 mil, ao passo que no Zimbábue a população cresceu de 30 para 40 mil.”

    Com argumento semelhante é possível defender a escravidão. Quantos pobres morrem, em conflitos ou de fome, pois ninguém é dono deles? Quantos morreriam se eles fossem escravos e seus donos, mais ricos e com mais recursos, tivessem interesse em protegê-los, alimentando e fornecendo segurança?

  17. Alexandre

    Em primeiro lugar, o Professor não usou o argumento da autoridade. Ele apenas afirmou, e é verdadeiro, que para um debate profundo é necessário conhecimento sobre o histórico da questão. A capacidade individual do ser humano é limitada, e sobre qualquer questão filosófica importante, uma enorme quantidade de pensamento já foi produzida. Se cada geração entrar na discussão sem nenhum (ou com pouquíssimo) conhecimento do histórico do debate, repetirá infinitamente os mesmos debates do passado (freqüentemente ficando aquém das conclusões do passado), ignorando uma enorme quantidade de conhecimento já produzido. Mesmo os melhores pensadores, em vez de produzir conhecimento novo, perderá tempo reinventando a roda.

    Continuo…

  18. Não sei se essa história confirma ou nega a tese do artigo, nem sei se a história é verdadeira. Um governo municipal recebeu uma proposta de uma empresa para fazer uma planta em uma área supostamente de proteção ambiental, várias pessoas no entorno da área protestaram a respeito do empreendimento, no final a empresa mandou uma grande soma de dinheiro à guisa de suborno para que a prefeitura liberasse a área de preservação para construção. Me faz pensar que, em algumas situações o governo faz, sim, um desserviço à natureza quando desvirtua o que é sua a tese fundamental, cuidar de todo mundo, inclusive da natureza, mas fico a pensar, até que ponto haverá nos sujeitos individuais a sensatez necessária para parar de explorar a terra antes que o dano à natureza seja realmente irreversível.

  19. [OFF] Como vocês escolhem um novo escritor pra artigos? Tem que provar que é libertário ou algo assim? Se alguém quiser mandar um texto pra vocês publicarem, vocês aceitariam?

  20. A sustentabilidade humana

    Ivone Boechat

    O homem busca, em desespero, mas antes tarde do que nunca, a preservação do que sobrou neste Planeta. Não é impossível, até porque atitudes simples têm o poder de mudar o rumo de coisas importantes. Mas eis o impasse: por que não se começa a educar para o equilíbrio da ecologia humana? Quanto custa o esforço por um abraço, um sorriso, pela manifestação de afeto, pela demonstração do perdão?
    A Escola gasta quase todo o tempo destinado a ela resolvendo equações de primeiro e segundo graus e a criança vive refém de deveres de casa. Professores desesperados ensinam anos e anos a encontrar o valor de X e o jovem sai, na maioria das vezes, sem encontrar o valor dele mesmo. Dirão muitos que a concorrência exige tudo isso na preparação para a corrida desenfreada ao mercado de trabalho: passar nos concursos, nos vestibulares e arranjar emprego, porque geralmente só passa quem sabe mais equação e rebincoca da parafuseta.
    A educação tem os recursos pedagógicos para orientar a humanidade, ajudando a transformar conceitos. É possível mudar comportamentos. Quem falhou? Ao invés de ensinar só teorias, conteúdos, doutrinas, por que não se ensinam valores? Fé, amor, paz, união, misericórdia, fraternidade, solidariedade, preservação? Ensinar ao homem a ser bom é também um grande desafio à educação. Todas as guerras do Planeta têm origem nas doutrinas.
    Quando o homem reflorestar as ideias, podar os galhos secos da ira, regar suas raízes no manancial da fé, vai colher os frutos de um mundo oxigenado de amor. O homem equilibrado vai equilibrar o Planeta!

    (extraído do meu livro Educação-a força mágica)

  21. aproveitando que o post fala sobre natureza:

    um conhecido fica insistindo em como seria resolvida a questao da indenizacao da Samarco, num mundo libertário. Eu já disse pra ele que provavelmente isso nem teria acontecido, mas ele continua insistindo querendo uma solução. Enfim, como seria resolvido? como processar a Samarco, mesmo que ela se recusasse a comparecer em um tribunal privado?
    obrigado

  22. Amigos do IMB, sobre a privatização das florestas acho que podem haver brechas. Se pudesse vender áreas de preservação como títulos de propriedade, o dono estaria livre para fazer o que quiser certo? (Investir em comércios de madeira por exemplo). Contudo, presencio que na região Leste de Minas Gerais os donos tiram a mata nativa e substituem por eucalipto (que cresce mais rápido, é mais barato e causam mais danos). Não seria esse um problema iminente?

  23. Eu ainda não entendo como pode ser mais vantajoso para um proprietário de terra, visando o maior aproveitamento possível do espaço, preservar a sua biota virgem.

    Não posso pensar que é possível colocar uma região com o intuito de não ser extensivamente explorada como uma mercadoria de exploração. Os preços dos tickets deveriam ser muito alto para manter a maioria do que é hoje as reservas naturais, mesmo no Brasil. Mesmo em pontos turísticos, como a Chapada dos Veadeiros, tem uma área muito alta em relação ao número de visitantes.

    Outra prova disso é quanto ao histórico: nos EUA e Austrália, no início da colonização, havia um estado consideravelmente pequeno, mesmo assim eles conseguiram dizimar uma quantidade enorme de plantas e animais e a acima comentada Chapada dos Veadeiros também sofreu redução de sua área, originalmente 625 mil hectares, hoje 250 mil, graças as exigências dos agropecuaristas, e com certeza uma fazenda de soja é bem mais produtiva do que uma reserva natural.

    O ponto é como pode um proprietário de uma reserva competir com mineradoras e o agronegócio?

  24. 2020, li o artigo e todas as respostas aqui, e concluí o seguinte: parem !

    Ta na imaginação de vocês que um proprietário não vai destruir tudo e replantar de forma cíclica.

    Não existe isso de “exploração parcial e sustentável”.

    Aqui, se alguém compra um território, corta todas as árvores, vende-as, planta eucalipto onde couber, corta, vende e reinicia o ciclo.

    Cortar a floresta de forma parcial ou por etapas não tem nada de lucrativo.

    Não admitir isso só piora nosso estereótipo de que libertário é cego.

    Se quiser algum argumento, basta dizer que a própria população é quem demanda a destruição da natureza. Ponto. Não é um argumento confortante, nem oferece uma solução pro problema, mas é um argumento verdadeiro.

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