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Intervencionismo de verão

As arbitrariedades governamentais não me dão paz nem quando estou tentando apenas relaxar e aproveitar o pouco dinheiro que me sobra pós-roubo estatal.

 

No último final de semana, tive o prazer de conhecer Vitória, capital capixaba, uma cidade extremamente agradável. E o desprazer de ver como os governantes parecem não ter nada para fazer além de inventar leis esdrúxulas.

 

Ao conhecer as praias de Vitória, fiquei surpresa com a total ausência de quiosques na orla. Imediatamente, pensei que aquilo não era algo natural, já que a praia era muito bem frequentada. Se você pensou que tratava-se de uma imposição estatal, parabéns.

 

A prefeitura de Vitória, sabe-se lá por quê, decidiu que a praia ficaria mais bonita sem quiosques e proibiu a instalação deles. Ou seja: se você quiser tomar uma cerveja gelada na praia, ou você arrebenta todo o seu pé correndo na areia quente desesperada atrás de um ambulante, ou atravessa a ampla avenida beira-mar e sai à caça de um lugar para sentar. Como além de ter pista dupla elas são bem largas, você leva pelo menos cinco minutos para atravessar (entre esperar a abertura dos semáforos e o tempo para ir de um lado para o outro).

 

Aliás, se você quiser comer na praia, só se arriscando no queijo assado dos ambulantes. E esqueça aquela ducha gelada para tirar a areia do corpo, que normalmente os quiosques oferecem. Aparentemente, ninguém da prefeitura de Vitória pensou como é chato sair do mar com dois quilos de areia do corpo e ter que ir para casa assim. Não, não há nenhuma ducha na praia, pós intervenção estatal.

 

Para completar, o lixo mais próximo que há, fica na calçada, bem distante da água. Ou seja: ou você junta o lixo e deixa para depositá-lo no lugar correto apenas quando estiver indo para casa ou o joga na areia. O que você acha que a maioria das pessoas escolhem fazer?

 

Por isso, minha dica é: se um dia você for aproveitar as praias de Vitória, leve uma cadeira, guarda-sol e uma caixa de isopor grande, com muitas bebidas. E agradeça à Prefeitura de Vitória pela tralha que você terá que carregar.

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9 comentários em “Intervencionismo de verão”

  1. estava eu na praia outro dia imaginando o conforto que seria ir à uma praia privada, cadeiras confortaveis, tendas , banheiros limpos e amplos, serviço completo com garçons, toalhas limpas, SEGURANÇA, várias opçoes de esportes aquaticos e etc… Claro haveriam praias sem muitos destes itens, mas pelo menos alguns dele teriamos o prazer de desfrutar. Mas, não, por algum motivo bizarro as pessoas acham que aquele trecho de areia e outro trecho de agua nao podem ter dono, então fica essa porcaria, suja, sem serviços , sem segurança que são as praias mais movimentadas do Brasil.Já dizia o sabio “o que é de todos não é de ninguém”

  2. Ótimo episódio. É muito interessante ouvir sobre um tema tão desgastado. Muitas vezes pensamos de forma equivocada que se trata de uma “pauta de esquerda”. Muito bom e esclarecedor!

  3. Parabéns pelo podcast, mas vou deixar um feedback.

    Sei que a ideia é dar dinâmica ao podcast. Mas a música de fundo não ajuda na compreensão do conteúdo. Dispersa bastante a atenção e sobretudo tematiza todo o bate papo numa coisa só, o que não é legal quando vários temas diferentes são abordados.

    Recomendaria tirá-la do meio da conversa. Deixem para a abertura e partes pontuais.

  4. Muito bom. O grande problema é quando a empresa é trasnacional ou multinacional e não se importa com o impacto ambiental, pois, os donos não residem na mesma região da empresa e não se sente responsável por ele.

  5. Poderia ter um representante da área das ciências ambientais, pude perceber que todos os intelectuais giram em torno da gestão e regulação ambiental que é um entre vários ramos de atuação na área de meio ambiente.

    Faltou falar sobre os “serviços ambientais”, que são os mecanismos da própria natureza que garantem prestação de certos benefícios coletivos, tais como: depuração atmosférica, recarga hídrica, estabilização micro climática, biodiversidade entre outros.

    E quando digo biodiversidade devemos considerar que muitos dos avanços da farmacologia que vêm melhorando a qualidade de vida da população, advém de pesquisas com substâncias presentes em ambientes de vegetação primária (mata virgem, com espécies endêmicas).

    Em certos casos, as companhias/empresas de saneamento têm dificuldades para oferecer água para consumo dentro dos parâmetros por que a água já chega demasiadamente contaminada por conta serviços ambientais deficientes (graças à uma preservação ambiental ineficiente) em combinação com a poluição difusa provocada em grande parte pelo setor agrícola, em seu uso desmedido (sem dimensionamento técnico por profissionais habilitados mesmo) de agro químicos.

    Outra coisa, a indústria da celulose não faz manutenção de florestas, mas de bosques produtivos (monocultura). Visite uma plantação de eucalipto por exemplo e tente localizar indivíduos da fauna nativa local, dificilmente serão encontrados estes representantes, não há biodiversidade nestes locais.

  6. Carlos felipe de matos

    Assunto muito complexo, confesso que é dificil absorver esta visão, pois no Brasil e creio que no mundo todo o estado como defensor do meio ambiente é uma cultura ja.

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