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O erro dos catalães e uma lição ao Brasil

Na última semana, vimos cenas lamentáveis na Catalunha, que em 2023 teve mais de 18 milhões de visitantes e é uma das regiões mais visitadas da Espanha, com Barcelona sendo a principal porta de entrada para turistas.

A motivação dos protestos na Catalunha contra os turistas na região, mas principalmente em Barcelona, se dá por vários motivos:

Impacto na habitação por conta dos preços dos aluguéis e imóveis, tornando mais difícil para os moradores locais encontrar habitação acessível;

Sobrecarga de estrutura local motivado pelo fluxo constante de turistas coloca pressão sobre a infraestrutura urbana, incluindo transporte, serviços públicos e espaços comunitários.

– Deterioração da qualidade de vida, em que a presença de grandes números de turistas é vista como uma fonte de poluição, barulho e comportamentos indesejados que afetam a vida cotidiana dos habitantes.

– Há também preocupações com a degradação ambiental e o impacto nas comunidades locais​ e também a comodificação de espaços urbanos, já que os protestantes alegam que os espaços urbanos estão sendo adaptados e comercializados para atender às necessidades dos turistas em detrimento das necessidades da comunidade local. Isso inclui a transformação de lojas e restaurantes tradicionais em estabelecimentos voltados para turistas, alterando a identidade cultural dos bairros​.

Mas o que é ser um turista, como é a estrutura de turismo na Catalunha e os benefícios econômicos do turismo para a sociedade local?

A Organização Mundial do Turismo (UNWTO)  diz que o turista é um visitante temporário que permanece no local visitado por pelo menos 24 horas e no máximo um ano, com a finalidade de lazer, negócios ou outras motivações, exceto a de trabalhar no local visitado. O turismo envolve deslocamento e estadia em locais diferentes do habitual, com a intenção de usufruir de serviços e produtos turísticos.

O turismo é uma atividade econômica significativa e traz benefícios econômicos para as regiões que o recebem:

1. Geração de empregos: o turismo cria empregos diretos e indiretos em setores como hotelaria, alimentação, transporte, entretenimento e comércio.

2. Receitas fiscais: a atividade turística gera receitas fiscais para os governos através de impostos sobre serviços e produtos turísticos.

3. Desenvolvimento econômico local: o turismo impulsiona o desenvolvimento de infraestruturas, como estradas, aeroportos e serviços públicos, beneficiando tanto os turistas quanto os residentes locais.

4. Divisas: o turismo internacional traz divisas para o país, melhorando a balança de pagamentos.

5. Promoção cultural: o turismo ajuda na preservação e promoção do patrimônio cultural e histórico, aumentando a conscientização e valorização das culturas locais.

6. Investimentos: a atração de turistas pode incentivar investimentos em infraestrutura e serviços, melhorando a qualidade de vida dos residentes.

Esses benefícios tornam o turismo uma atividade essencial para muitas economias ao redor do mundo, contribuindo para o desenvolvimento sustentável e o crescimento econômico.

O turismo é um setor significativo para a economia da Catalunha, especialmente em termos de emprego. Aproximadamente 16,7% dos empregos em Barcelona, que é a capital da região, são gerados pelo setor de turismo​ (Institut d’Estadística de Catalunya)​.

Em 2023, os gastos dos turistas em Barcelona atingiram €9,6 bilhões, um aumento de 14,7% em relação a 2019. Como apresenta o Observatório de Turismo de Barcelona​ (Catalan News)​.

Além disso, a Catalunha foi a região da Espanha com o maior gasto de turistas, totalizando cerca de €20,88 bilhões, um aumento de 26,7% em relação ao ano anterior​ (SchengenNews)​.

Esses dados destacam o impacto significativo do turismo na economia local, mostrando tanto o aumento no número de visitantes quanto no valor gasto por eles em comparação com anos anteriores.

Já no Brasil, não temos números animadores quanto a Catalunha sobre a quantidade de visitantes estrangeiros. Em 2023, recebemos 5.9 milhões de turistas e arrecadamos 34 bilhões de reais com turismo internacional. O que podemos fazer para melhorar nossos números e de fato ser um país atrativo para a atividade turística?  Só existe uma resposta para isso: mais liberdade econômica e livre mercado.

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Nota: as visões expressas no artigo não são necessariamente aquelas do Instituto Mises Brasil.

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5 comentários em “O erro dos catalães e uma lição ao Brasil”

  1. Sao os mesmos beneficios da exportação. A diferença  e que o comprador não reside no outro pais. Ele vem pessoalmente consumir os bens e serviços  produzidos nos locais que eles visitam.

    Assim ele ejeta dinheiro na economia local. Sim os preços  sobem por mais demanda.

    O turismo entao , so é ruim se tiver intervenção  estatal, como na exportação: o governo ta tomando o dinheiro  das pessoas e repassando para subsidiar o turismo? Se sim, e prejudicial ao que tem bens tomados.

    Ae a pessoa tem razao em protestar , assim como teriamos , se o fizessemos , contra os subsidios danosos a exportação  dos nossos bens e serviços . 

  2. Uma estupidez sem tamanho. A única solução ética para isso seria a cidade ser privatizada, com bairros e ruas sendo privatizados e geridos pelos proprietários legítimos (como isso seria feito, aí é uma outra discussão). Se a Catalunha pudesse se separar da Espanha, talvez isso fosse melhor resolvido. Como esperado (e também para agradar aos eleitores), a prefeitura fazendo mais besteiras.

    Brasil então, nem se fala. Só a Torre Eiffel recebe mais turista do que o país inteiro. Vai lá na seção de alerta aos turistas no Departamento de Estado dos Estados Unidos que eles falarão que o país não tem infraestrutura, que as estradas possuem lombadas sem sinalização, que os motoristas tratam o “PARE” como “Dê a preferência”, entre outras coisas, sem contar a criminalidade. Isso, num país que se livrou da xenofobia faz algum tempo (ainda que haja gente estúpida com essas ideias) e que é menos racista do que muitos países do planeta.

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