A criança está com tosse? Nada de xarope. Muito mais efetivo é
dar-lhe um frasco de heroína produzida pela Bayer. Muito melhor do que
utilizar a morfina, pois não é viciante.
O leitor gosta de vinhos? Pois a concorrência entre os fabricantes
de vinho é intensa, todos eles à base de coca. Dentre seus fregueses
fieis, o Papa. Abaixo, uma homenagem feita pelos Vinhos Mariani – o
principal vinho de coca – a Sua Santidade, cliente que sempre tem
razão. Ao lado, o rótulo do vinho rival da empresa Metcalf.
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Está com asma ou pneumonia? A heroína funciona não só como
analgésico, mas também ataca esses dois distúrbios. Mas não se esqueça
de misturar heroína com glicerina. O opiáceo amargo fica bem mais
palatável. Eis uma propaganda de heroína da Martin H. Smith Company,
com sede
Ah, o leitor é receoso e não quer tratar a asma com heroína?
Utilize então o ópio. É perfeito para atacar “a asma e outras afecções
espasmódicas”. Obs: o produto deve ser aquecido em uma panela.
Está com dor de garganta? É cantor ou palestrante regular e a voz
não está boa? Nada de Tylenol ou outros venenos afins. Um simples
tablete de cocaína resolve tudo.
A criança está com dor de dente? Mal humorada? Dropes de cocaína
não apenas acabam com a dor, como também melhoram o humor dos
pimpolhos. Vai dizer que o rótulo não é charmoso?
Seu recém-nascido é inquieto? Você não sabe acalmá-lo com cantigas
de ninar? Então pare de perder tempo com algo para o qual você não
leva jeito. Adquira um paregórico à base de ópio e álcool (em
proporção não menor do que 46%) da empresa Stickney and Poor,
vendidos do mesmo modo que a empresa vende seus famosos temperos.
Atente para o rótulo: “DOSE – [Para crianças com] cinco dias, 5 gotas.
Duas semanas, 8 gotas. Cinco anos, 25 gotas. Adultos, uma colher
cheia.”
Quer ser apenas acionista de algum fabricante? Pois considere então
essa propaganda feita pela C. F. Boehringer & Soehne, da Alemanha,
empresa que se orgulha de ser “a maior fabricante do mundo de quinino e
cocaína”

Não, isso não ocorre em nenhum país atual – afinal, vivemos em uma época civilizada, certo?
Porém, tais produtos eram rotineiramente adquiridos nas farmácias e
mercearias do final do século XIX e início do século XX em praticamente
todo o mundo.
Era uma época em que os governos ainda não nos amavam tanto e, por
isso, não faziam a gentileza de cuidar de nós. É de se imaginar que
essa ausência do estado nas questões morais e sociais – afinal, ele é o
único ente formado por seres íntegros, probos e de reputação ilibada
para tal função – geraria uma sociedade pervertida e amoral, certo?
Entretanto, olhando para nossos bisavós,
vemos que o mundo em que viveram era, no mínimo, tão moral e civilizado
quanto o nosso. Sem dúvida era menos violento – afinal, não havia um
mercado negro para substâncias ilícitas gerado pelo estado.
Hoje, os políticos, tão abnegados, tão caritativos, proíbem até
cigarrinhos de chocolate, certos que estão de que tais guloseimas
transformarão seus usuários de 5 anos em futuras chaminés ambulantes.
Claro! Eu, por exemplo, passei a fumar sete maços por dia após ter visto esta cena
de 007: como não resistir à ideia de que acender um cigarro numa mesa de bacará enquanto se pronuncia o próprio nome irá lhe fazer ganhar beldades?
Aliás, é questão de tempo até que proíbam o cigarro nos filmes — nos
antigos, obviamente. Porque nos novos a era do politicamente correto
já os baniu.
Para ver o link original sobre os “remédios”, clique aqui.







Não vamos nos esquecer que trocaram o cigarro na mão por uma caneta, no cartaz do filme Coco Chanel
Parabéns pelo post, excelente!!\n\nCabe ainda ressaltar que a completa proibição do uso e comercialização de tais substâncias causa sério dano ao processo de inovação da indústria farmacêutica. Quantos tratamentos (especialmente atenuantes de efeitos colaterais) não deixaram e continuam a deixar de ser desenvolvidos por medo de cair na malha fina do FDA ou do Min. da Saúde?
Sugiro aos interessados neste tema ver a excelente história sobre como tudo isso mudou e ficou como é hoje – http://www.adrugwarcarol.com
Leitura obrigatória para todos os interessados no tema é só uma:”Economics of Prohibition”de Mark Thornton—–http://mises.org/books/prohibition.pdf
Muito boas as propagandas informativas da época, onde ainda não era um comércio de capitalismo selvagem.
Mas claro, é porque esses remédios dessa época foram todos testados nos melhores laboratórios do mundo, e ficaram comprovados que eles realmente curavam, e não faziam mal nenhum =D
assim como naquela época as pessoas usavam raio-x para fazer a barba. A pessoa recebia várias rajadas de raio-x na cara e os pelos caiam. Se em 5 anos a pessoa estava com cancer, aí é outro detalhe. O que importa é que o pessoal daquela época tinha a mais alta tecnologia e comprovaram que esses remédios e o raio-x não afetam a saúde =D
Esses remédios foram proibidos justamente por fazerem mal. Ou você teria coragem de dar heroína para o seu filho hoje em dia?
É impressionante como as crenças e valores mudam e como somos manipulados. Só existe virtude quando podemos escolher agir de forma sábia e correta.
* * *
Boa noite Leandro!
Há algum outro artigo sobre drogas que mostra como a intromissão estatal começou no mercado dessas substâncias?
Mesmo sendo “politicamente correto” não há como negar que, estas drogas, se usadas para recreação são prejudiciais, visto que a quantidade absorvida é muito maior do que o aceitado pelo nosso organismo… Tire a lente política por hora, e veremos que qualquer droga usada para se “chapar”, é de uma idiotice tremenda…
Fantástico! Mais um podcast muito bom!
Infelizmente boa parte dos brasileiros ainda está preso no “porquê” de privatizar os correios.
Hoje ir numa farmácia brasileira comprar um remédio com receita, além de demorado, ainda viola a sua privacidade com aqueles dados todos.
Antes da criação da Anvisa, já existia prescrição médica obrigatória para tanta coisa?