
Em 1975, Kareem Abdul-Jabbar recebeu US$450 mil como o jogador mais bem pago na NBA. Naquele ano, o salário médio dos jogadores era de US$90 mil.
A maneira como se jogava basquete na época determinava quais competências (ou seja, habilidades) tinham mais valor. Naquele tempo, era a posição de centro. Em termos de desigualdade de renda, uma popular medida estatística do trabalho favorecida por economistas franceses e um ex-candidato à presidência dos Estados Unidos, a diferença de renda dos jogadores era um múltiplo de 5. No mesmo ano, a renda familiar média nos EUA era de US$13.779, e um segurança desarmado que trabalhava em arenas da NBA ganhava em média US$3,50 por hora, US$7.280 anualmente. A medida de desigualdade de renda entre Jabbar e a família média era de 33 vezes.
Pulemos para 2020, e o jogador mais bem pago na NBA é Stephen Curry, ganhando US$40 milhões. O jogo mudou; o arremesso de 3 pontos agora é talvez a competência mais valorizada. Em 2020, o jogador médio na NBA ganha US$7,7 milhões, aproximadamente o mesmo múltiplo de desigualdade de renda de 5. Em outras palavras, tanto as cifras mais altas como os contratos médios da NBA representam uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de 10,5%, demonstrando o quanto os consumidores americanos e globais valorizam a NBA.
Em 2020, a renda familiar média nos EUA era de US$63.688 e o salário médio do segurança da NBA era de US$13,91 por hora, US$32.429 por ano. Embora a medida de desigualdade de renda entre o segurança e a família tenha permanecido constante em 2 vezes ao longo de 45 anos, assim como a desigualdade entre o salário mais alto e o salário médio na NBA, a desigualdade de renda entre Curry e a família média aumentou para 628 vezes.
O que pode explicar tal aumento?
Se estivéssemos demonstrando esse tipo de desigualdade de renda em uma profissão fora da NBA ou usando um empreendedor como exemplo em vez de Stephen Curry, você poderia imaginar os clamores exasperados de muitos que estão convencidos de que o capitalismo é um sistema econômico injusto, talvez até mesmo maligno. Muitos fazem um salto irracional ao afirmar que a existência de uma disparidade econômica entre os mais ricos e os mais pobres prova a existência de exploração ou injustiça estrutural.
Na realidade, acontece que tais distribuições desiguais são bastante comuns. É como se fossem governadas por uma lei natural. Bem, elas são. Há um padrão recorrente em todos os aspectos de nossa vida que demonstra a distribuição extremamente desigual da produção criativa. Isso é chamado de “Lei de Price”.
Derek Price, um físico britânico, fez a descoberta que governa a produção organizacional. Essencialmente, um pequeno grupo de pessoas é sempre responsável por uma grande maioria da criação de valor. A Lei de Price explica como essa desigualdade existe em tudo. Sejam músicos, artistas, escritores ou atletas, uma pequena minoria de pessoas produz a maioria das coisas mais valiosas. É por isso, por exemplo, que apenas cinco compositores produziram aproximadamente 50% de toda a música clássica que ouvimos. Existe uma hierarquia de competência que está presente em tudo.
O Princípio de Pareto é outra maneira útil de entender que os insumos e resultados não são igualmente distribuídos. O economista italiano Vilfredo Pareto observou que 80% da riqueza em seu país era controlada por 20% da população. Como ele descobriu, isso era verdade em outros países. Quase em todos os lugares que olhamos, uma minoria supera a maioria em riqueza porque algumas pessoas dominaram a competência de suas áreas. Podemos olhar novamente para os esportes para ver isso acontecer em times e ligas.
Os vários exemplos nos esportes
Dos 25 milhões de pessoas que jogam golfe nos Estados Unidos, apenas algumas centenas delas têm um nível de competência suficientemente alto para jogar no PGA Tour a cada ano. E dentro desse grupo de elite, o Princípio de Pareto e a Lei de Price se mantêm verdadeiros. Brooks Koepka participou de 21 torneios em 2019 e ganhou US$9,7 milhões em prêmios em dinheiro. Rod Pampling também participou de 21 torneios em 2019. Ele ganhou US$102 mil.
Isso sugere que as regras do jogo eram injustas? Koepka trapaceou? Não, os resultados foram simplesmente desiguais.
Vamos olhar para a NHL, onde Connor McDavid é o jogador mais bem pago, com US$12,5 milhões. Anthony Richard também é um centro na NHL. Ele ganha US$688 mil. McDavid marcou 116 pontos (41 gols, 75 assistências) em 2019; Richard não marcou pontos. Os canadenses estão indignados com isso?
E a NFL? O Pittsburgh Steelers tem Ben Roethlisberger e Paxton Lynch sob contrato como quarterbacks. Roethlisberger ganha US$36 milhões; Lynch ganha US$735 mil. Em 2018, Roethlisberger lançou 34 touchdowns; Lynch lançou dois em 2017. Em Seattle, Russell Wilson ganha US$31 milhões por ano como o quarterback titular do Seattle Seahawks. Ele lançou 31 touchdowns em 2019. Cody Thompson também é um quarterback no elenco dos Seahawks. Ele ganha US$510 mil anualmente.
Se atravessarmos o Atlântico para a Premier League inglesa (EPL), encontraremos um sistema mais igualitário baseado em uma distribuição igual de compensação? O principal goleiro da EPL é David De Gea. O talentoso espanhol tem um histórico de 167 vitórias e 65 derrotas, incluindo incríveis 107 jogos sem sofrer gols. De Gea recebe £19,5 milhões por ano. O goleiro menos bem pago na EPL é Pontus Dahlberg, com £156 mil. Dahlberg ainda não fez nenhuma aparição em uma partida da EPL.
Voltando para a NBA, o que dizer de um favorito dos defensores da justiça social, LeBron James? Na temporada de 2019, James teve uma média de 25,5 pontos e 10,5 assistências, ganhando US$31 milhões em salário, o que representava cerca de 30% do teto salarial dos Lakers. Talen Horton-Tucker também é um jogador dos Lakers. Ele ganhou US$898 mil, apesar de ter uma média de zero pontos e uma assistência por jogo.
Em outras palavras, a NBA se tornou uma forma tão valiosa de entretenimento em todo o mundo que um jogador no banco de reservas hoje está ganhando o que Kareem Abdul-Jabbar ganhou em 1975 (em dólares ajustados pela inflação). E isso é algo bom. Enquanto nos concentramos em quanto Stephen Curry ganha no teto de compensação, o que precisamos reconhecer é o quanto os jogadores estão ganhando no piso de compensação. A diferença na compensação não é resultado de preconceito; é resultado de uma meritocracia que recompensa a criação de valor. Nenhum jogador da NBA está sendo explorado.
O que esses salários revelam é a natureza libertadora da livre iniciativa. Isso funciona além do esporte também.
A desigualdade de renda não importa
A livre iniciativa oferece oportunidades aos criativos e incentiva ações produtivas. Não há outra maneira de explicar a substancial redução da extrema pobreza no mundo nas últimas quatro décadas. Nos anos 1980, 40% do mundo vivia em extrema pobreza. Hoje, esse número é de 8,6%. Em vez de focar na diferença de renda, devemos continuar elevando o patamar.
Sim, os ricos estão ficando mais ricos. Mas quem diz que eles estão fazendo isso às custas dos pobres? Bem, muitas pessoas. A lista inclui socialistas franceses, professores de economia em Harvard, contribuintes do Projeto 1619 no The New York Times, Bernie Sanders, comentaristas da CNN, até mesmo alguns atletas profissionais.
Não sabemos se essas pessoas acreditam que ataques aos ricos levarão a uma sociedade mais próspera, mas quando os cidadãos começam a acreditar nessa ficção popular, isso gera um forte ressentimento contra os produtores mais criativos em nossa sociedade, e alimenta a crença de que esses produtores obtiveram sua riqueza roubando-a dos outros.
Isso pode levar a políticas públicas destrutivas, como o imposto sobre a riqueza proposto pela Senadora Elizabeth Warren. Em vez de focar em tentar reduzir a lacuna entre ricos e pobres, devemos focar em expandir o crescimento econômico.
Isso é o que as ligas esportivas profissionais fizeram nas últimas quatro décadas, e há muitos mais milionários como resultado.
Este artigo foi originalmente publicado em:
https://fee.org/articles/how-sports-demonstrate-income-inequality-and-the-value-of-competency/
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Nota: as visões expressas no artigo não são necessariamente aquelas do Instituto Mises Brasil.
E é digno de admiração que os clubes aos quais vários destes atletas jogam tornaram-se potências em seu microcosmo. Quem imaginaria, 20 anos atrás, que o Golden State Warriors seria um dos favoritos na NBA? O mesmo vale ao Dallas Mavericks e ao Miami Heat.
No âmbito da NFL (que acompanho bem mais), dificilmente imaginaríamos em 2003/2004 o Kansas City Chiefs faturando um SuperBowl (com Patrick Mahomes como quarterback) ou mesmo o Cincinnati Bengals. Ambas equipes atuam pela Conferência Americana (AFC), mas dificilmente disputavam o título pela referida subdivisão da NFL.
Acrescentando uns pontos no caso dos clubes/franquias:
É comum sempre ver torcedores de times pequenos ou de pouca expressão reclamarem em derrotas que seus times não tem investidores, são roubados por arbitragem, federações politiqueiras e que ganham pouco em relação a outros, só que tem outra coisa que o pessoal esquece: A MENTALIDADE.
Lá fora, é muito comum encontrar franquias que conquistam títulos de forma inédita com frequência:
– NHL: Vegas Golden Knights, St.Louis Blues e Washington Capitals são exemplos de ganhadores da Stanley Cup que não tinham histórico vencedor na NHL.
– Rugby Union: Embora ainda não tenha vencido o Top 14 e tendo perdido a primeira Heineken Champions Cup, o desconhecido La Rochelle não se abateu com essa primeira derrota e levou duas edições do principal torneio europeu do esporte pra casa de forma seguida.
– NBA: Tivemos Toronto Raptors e Denver Nuggets “perdendo o cabaço” em pouquíssimo espaço de tempo, além do Milwaukee Bucks, um time que era tão ridicularizado quanto é um Atlético Mineiro da vida no Brasil conseguiu quebrar o longo jejum de mais de 50 anos sem título.
– NFL: Seattle Seahawks e Philadelphia Eagles demoraram, mas conseguiram levar um SuperBowl pra casa.
– MLB: Certo, a primeira vez que o Houston Astros foi com trapaça, mas se ainda sim descontássemos o título ganho no infame caso do Roubo de Sinais, ainda sim teria um título, pois venceu a última World Series de forma dominante e sem qualquer contestação.
– Futebol: Tivemos o Nottingham Forest ganhando 2 Champions League nos anos 70, o Leicester City ganhando a Premier League de forma dominante com um time modesto faz poucos anos e vimos Manchester City e Chelsea se firmarem no primeiro escalão do futebol europeu. E o que dizer de nossos vizinhos? Na Argentina até clubes de pouquíssima expressão como o Lanús e o Arsenal de Sarandí já tem seus títulos nacionais, enquanto que o Argentinos Júniors que sempre foi um clube modesto em qualquer época é dono de uma Libertadores, o Vélez um clube que nos anos 90 era frequentador assíduo de meio de tabela fez uma dinastia a nível continental.
Porém, porque o mesmo não acontece com outras equipes? Volto a repetir: MENTALIDADE! No Brasil, com exceção do Athletico Paranaense que é o único que aprendeu a driblar o tal sistema, ao invés de ficar choramingando por conta dele e já tem grandes conquistas em seu currículo, aliás, em breve terá uma Libertadores também, isso é questão de tempo, todos os outros que foram sensações em algumas épocas sempre se mantiveram agarrados no coitadismo e na falta de visão profissional de longo prazo, exemplos claros disso? Portuguesa, São Caetano e a minha amada Chapecoense, sempre culpando juízes, cartolas alheios e falta de dinheiro pelos insucessos, além de vender os jogadores dos times fortes na primeira oportunidade a preços quase simbólicos. Assim como existe um motivo de o Brooklin Nets e o Los Angeles Clippers não conseguirem o que o Nuggets conseguiu, o Chicago Cubs conseguir sair da fila e o New York Mets ser a piada da MLB, o Toronto Maple Leafs ter se tornado um time insignificante e enchedor de linguiça na NHL, enquanto que novas forças como o Tampa Bay Lightning emergirem praticamente do zero, o Cleveland Browns e o New York Jets sempre terem sidos nulidades completas na NFL, ao passo que até times acostumados a insucessos frequentes como o Kansas City Chiefs se tornaram temidos com o passar dos anos e por fim no futebol, o Athletico Paranaense ser campeão brasileiro e a Chapecoense não ou ainda, o Manchester City ter ganho uma Champions League, enquanto que o também milionário Paris Saint-Germain não consegue sequer passar das quartas de final com regularidade. Esporte globalizado se não for gerido como uma empresa, o resultado vai ser esse: Seja grande ou pequeno, uns irão evoluir e ganhar títulos, enquanto que outros vão se apequenar ou jamais saírem do chão.
Ótimo artigo!
Há um ponto muito bem explorado no artigo que a maioria das pessoas simplesmente ignora: embora a desigualdade, na comparação dos salários dos atletas com a média da população, tenha aumentado, isso não significa que a renda e qualidade de vida das pessoas tenham estagnado. Este é um exemplo claro de que não há correlação entre o aumento da desigualdade e a exploração.
Em relação aos esportes e clubes, aqui no Brasil, o principal inimigo da competitividade chama-se amadorismo. Os clubes são “geridos”, se é que posso usar esse termo, por pessoas completamente despreparadas, que só estão lá em função da politicagem que ainda vigora. Falta de projeto esportivo e o modelo associativo dos clubes são dois fatores preponderantes para o fracasso. O cidadão assume a presidência mediante eleições bastante indiretas, onde uma pequena fatia de conselheiros e associados têm direito ao voto e o exerce baseados em interesses próprios e egoístas, como manutenção das piscinas, reformas no clube, sauna, etc. Sim, muitos clubes mantêm o social e o futebol sob o mesmo guarda-chuva. Imaginem o tanto de distorções que isso gera. Sem contar que nesse modelo associativo o presidente normalmente gasta o que não tem, deixando a “bucha” para o próximo mandatário. Daí podemos ter uma ideia do porquê a maioria dos clubes do Brasil, pequenos e grandes, estão afundados em dívidas quase impagáveis.
Quando a falta de resultados ocorre, começa o chororô. A culpa é da desigualdade nas cotas de TV, patrocínio, arrecadação com bilheteria, visibilidade e o diabo a quatro. Poucos fazem um mea culpa e tentam melhorar a gestão e mudar como o clube trabalha. Esquecem que o resultado financeiro está num pacote de controle de gastos e aumento da arrecadação. Esse último vem do sucesso desportivo, com títulos e classificações, além da venda de atletas que, quando atingem resultados expressivos dentro de campo, acabam sendo valorizados e vendidos por um valor muito acima daquele que foi gasto com eles na contratação. Além da valorização dos atletas, a boa gestão refletida dentro de campo também atrai patrocinadores e aumenta a visibilidade daquele clube. Todos saem ganhando quando a coisa é feita de forma correta e profissional.
É uma sucessão de eventos que começa na boa gestão.
ESPORTE, DISTINÇÃO SOCIAL E DESIGUALDADES
PODEMOS VER QUE OS PAISES MAIS DESENVOVIDOS AINDA DOMINAM OS ESPORTE POIS NO MEIO CAPITAISTA HOJE O DINHEIRO AINDA FALA MAIS ALTO EM GRANDE PARTE DO MUNDO.
DISCENTE; ALEXANDRE HUGO SILVA DOS ANJOS
8 SEMESTRE DE HUMANIDADES.