Neste ano, um dos melhores jogadores de futebol do mundo anunciou que jogaria na Major League Soccer (MLS). Lionel Messi, atualmente com 36 anos, rejeitou um contrato com o valor recorde de US$ 400 milhões por ano para jogar no Inter Miami Football Club. O acordo de Messi inclui não apenas um contracheque de US$ 50 a US$ 60 milhões por ano, mas também receita dos contratos de streaming e vestuário com a Apple e a Adidas, que patrocinam a Major League Soccer.
Messi está ganhando muito dinheiro com este negócio, mas por que devemos nos preocupar com isso? Vale a pena ver primeiro quanto dinheiro a contratação de Messi rendeu ao seu clube anterior, o Paris Saint-Germain (PSG), em apenas dois anos de sua passagem pelo clube. No primeiro ano, a chegada de Messi rendeu 700 milhões de euros, melhorando a receita do PSG em 13%. Depois que ele saiu, o PSG deve perder 800 milhões de euros em receita e com os patrocinadores que não renovarem seus contratos.
A partir disso, podemos supor que o Inter Miami se beneficiará de receitas semelhantes agora que o argentino está se mudando para lá. A equipe de Miami está crescendo não apenas em seguidores nas redes sociais, mas está investindo em infraestrutura. Messi está acostumado a jogar em grandes estádios; sua sede no Barcelona tinha capacidade para 99.000 lugares e em Paris, 48.000. Agora, ele vai jogar em um estádio de 18.000 lugares no primeiro ano, limitando o número de torcedores que podem vê-lo jogar. No entanto, o clube anunciou planos de expansão para um estádio de 25.000 lugares, que deve criar 15.000 novos empregos diretos e indiretos. Esta é apenas a ponta do iceberg do investimento que está chegando à liga de futebol dos EUA, graças a esta grande contratação.
Imediatamente após o anúncio de Messi, os preços dos ingressos para ver o time de Miami dispararam. O preço médio do ingresso de 152 dólares antes do argentino ser vinculado à equipe agora é de 935 dólares. Um ingresso médio para sua estreia prevista para 21 de julho aumentou 922%, com o ingresso mais alto chegando a US$ 20.350. Cada jogo em que Messi deve aparecer está esgotado, mesmo aqueles que não serão disputados na Flórida.
Muitos argumentariam que isso é problemático para o torcedor comum, que não pode pagar pelos ingressos. É justo que os torcedores obstinados, que sempre vão aos jogos, agora enfrentem custos extraordinários para ver Messi? Estou disposto a fazer a declaração controversa de que é. É um bom sinal de que o mercado está se equilibrando e o mercado de futebol nos Estados Unidos está crescendo.
Se usarmos economia básica, baseada na demanda extremamente alta em todo o país, a única maneira de uma liga ainda em crescimento como a MLS acomodar essa demanda é aumentando os preços dos ingressos limitados disponíveis. Mesmo que o Miami tenha ficado em 19º, 20º e 12º lugar nas últimas três temporadas, os torcedores certamente não estão pagando para ver o time em si, mas sim o astro argentino.
O início de Messi em sua aventura americana é benéfico não apenas para o Inter Miami, que está ganhando muito dinheiro agora, mas para os torcedores americanos em geral. Não há dúvida de que os preços mais altos continuarão mudando graças aos revendedores, mas levarão aqueles que mais valorizam a experiência a obtê-los. Até os torcedores que não conseguem ver Messi jogar vão se beneficiar, porque mais investimentos estão chegando ao campeonato. A Apple TV está expandindo seu alcance para mais fãs e investindo mais dinheiro na liga. Há rumores de que outras superestrelas europeias potencialmente seguirão os passos de Messi e farão uma mudança para a MLS.
Os EUA devem sediar a Copa América e, mais importante, a Copa do Mundo de 2026. Isso é enorme para o esporte e para o país, porque o último país que sediou a Copa do Mundo teve uma receita chocante de US$ 5,4 bilhões. Para os torcedores americanos, ver o futebol local crescer antes da próxima Copa do Mundo é ótimo, porque a maioria dos jogadores da seleção nacional joga localmente. Messi não vai carregar a MLS sozinho, mas o investimento que está trazendo terá um impacto importante. Os torcedores, direta ou indiretamente, e podendo ver Messi jogar pessoalmente ou não, são os maiores vencedores deste acordo.
A Major League Soccer é uma liga que merece crescimento! Atualmente, conta com quase 30 eqipes, sendo 3 canadenses e as demais, claro, dentro dos EUA. Quando a conheci, no final dos anos 90, continha apenas 12 equipes e destas, duas situavam-se na Flórida; o Miami Fusion (que parecia o Grêmio nas cores), aonde o famoso colombiano Valderrama jogou e parece que Paulinho McLaren também, e o Tampa Bay Munity (de cor verde-limão); infelizmente ambos clubes fecharam as portas poucos anos depois, o que não impediu a expansão de franquias.
Excelente artigo, com uma visão inteligente, não convencional, do panorama econômico. “Aquilo que se vê e aquilo que não se vê na economia.”
“Os EUA devem sediar a Copa América e, mais importante, a Copa do Mundo de 2026. Isso é enorme para o esporte e para o país, porque o último país que sediou a Copa do Mundo teve uma receita chocante de US$ 5,4 bilhões.”
Estado empresário, IMB?
na ultima semana, a rede foi inundada com propaganda do futebol feminino, eu nao acompanho futebol, mas ja tinha ouvido sobre o sucesso que o quadro de um tal cazé tem feito, desbancando ate a rede goebbels em outras oportunidades. pois bem, durante a transmissao do feminino, o canal parece ter sido bloqueado ou restringido. e assim vemos, mais uma vez, como esses movimentos prafrentex estao longe de brigar por justiça. minha geraçao cresceu assistindo bola fora e rock-gol, quando a cbf tomou uma piaba da alemanha, o brasileiro foi o primeiro a encher a internet de memes fazendo troça do vexame. e chega no tal do feminino, nao pode criticar, nao pode fazer meme. ainda sim, querem receber tao bem quanto o masculino, mesmo que nao entreguem 20% da capacidade tecnica ou gerem 10% da receita … ora, isso nao é e nunca foi igualdade, é só mais uma evidencia que o querem mesmo é privilegios. quando criança, a gente usava a expressao “cafe-com-leite” , que era pra indicar aquele coleguinha que é incompetente ate pra brincadeira. entao, ganhava tratamento diferenciado das outras crianças. “ain, se voce nao gosta do futebol feminino, é só nao assistir” … e a recíproca é verdadeira, se nao gosta do canal do caze, é só procurar outro link pra acompanhar …
A verdade é que o Messi foi para os EUA ficar tranquilo. Campeonato ridiculamente fraco e subdesenvolvido. Basta ver o regulamento que não prevê rebaixamentos. Certo ele, foi morar em Miami, sem pressão e ganhando um bom dinheiro para treinar de uniforme semanalmente. O campeonato mexicano é bem melhor, por sinal.
A questão do futebol não dar certo com o público masculino lá nos Estados Unidos é cultural.
Okay, pode até ser que até os anos 1950, era proporcionalmente tão popular quanto o beisebol por exemplo (Patenaude, Joe Gaetjens, o lendário Billy Gonsalves e cia eram jogadores populares), só que foi justamente com o crescimento da NBA e a profissionalização do futebol americano como um todo (fusão das ligas, adaptação de regras) que o soccer ficou pra trás. “Ah, mas na NHL a maioria dos jogadores é canadense e ainda sim, a seleção americana não é ruim e o esporte é popular”, não dá pra comparar, a popularidade do Hockey no gelo lá se dá justamente pela motivação em bater os canadenses, já no futebol qual o parâmetro? O México que sempre foi time de segundo escalão? Não é inundando a liga com jogadores estrangeiros em fim de carreira que se vai mudar uma coisa que é cultural, alguém se lembra que antes de Messi já passaram por lá Pelé, George Best, Cruyff, Beckham e tantos outros e ainda sim, o “soccer” não vingou por lá? O que acontece hoje com a Liga Saudita e a Major League Soccer é algo cíclico! Nos anos 70/80 o pessoal ia encerrar a carreira na NASL, nos anos 90 a J-League do Japão era a queridinha da velharada, depois a Major League Soccer voltou a ser modinha por conta do Beckham e até pouco tempo atrás, alguém se lembra que o pessoal só queria saber da Liga chinesa e da Liga indiana? Desculpem, mas a MLS embora organizada, no resto ela tá mais pra Champ Car (que só pegava piloto meia boca da F3000) do que pra uma NHL.