O que Karl Marx e Adam Smith, tidos como pensadores opostos, têm em comum?
Smith cometeu um erro extremamente básico e Marx criou toda sua teoria em cima deste erro — um erro que possui monumentais consequências e que mudou o mundo para sempre.
Em seu famoso tratado sobre a riqueza das nações, Adam Smith afirmou que, em condições primitivas ou em cidades pequenas, aqueles indivíduos que vão ao mercado para vender seus produtos (sejam eles produtos agrícolas, parte do seu rebanho ou mesmo produtos manufaturados) ganham, nesse processo de venda, um salário.
Isto é, a renda auferida por esses indivíduos autônomos que vendem bens no mercado é o seu salário.
Tanto Marx quanto Adam Smith (que veio antes de Marx) presumiram erroneamente que, “no estado rude e primitivo da sociedade” (para utilizar as palavras de Smith), todas as rendas obtidas eram salários.
Salário? Grave erro. Aquilo que é obtido por alguém que sai da autossuficiência agrícola para vender seus produtos no mercado não é um salário, mas, sim, um lucro. Ou um prejuízo.
Para Smith e Marx, porém, não havia lucro neste modelo. O lucro, segundo eles, só passou a existir com o surgimento do capitalismo.
Mais ainda: segundo eles, o lucro ocorre à custa dos salários. Outro erro. E grave. Foi daí que surgiu toda a teoria da exploração e da mais-valia.
O surgimento dos salários
Imagine um criador de ovelhas, autônomo, em algum lugar das estepes do Cazaquistão, cem anos atrás.
Suponha que esse criador de ovelhas não seja autossuficiente, de modo que ele precisa adquirir roupas, pães e uma variedade de outras coisas que ele pode comprar no mercado da cidade mais próxima. Ademais, suponha que a economia do Cazaquistão é desenvolvida o suficiente a ponto de utilizar moedas de ouro como dinheiro.
Quando precisa adquirir bens, esse criador de ovelhas vai ao mercado e vende algumas de suas ovelhas por, digamos, dez moedas de ouro.
Aqui vem a pergunta crucial: podemos dizer que essas dez moedas de ouro que ele recebe pela venda de suas ovelhas representam seu salário? Não, não podemos.
Por definição, um assalariado é alguém que não é o proprietário de nenhum meio de produção exceto seu próprio corpo e quaisquer outras habilidades excepcionais que ele porventura possua. Logo, as dez moedas de ouro não podem ser consideradas seu salário porque, para receber um salário, um indivíduo precisa antes de tudo ser o empregado de alguém.
Esse criador de ovelhas é o seu próprio patrão e pode decidir o que fazer com sua propriedade (o rebanho de ovelhas). O dinheiro que ele recebe após vender algumas ovelhas é apenas a receita das vendas de seu produto.
Se ele considera que o propósito de sua atividade produtora — criação de ovelhas — é o de lhe propiciar receitas de venda, então ele é um empreendedor. Da perspectiva dele, a receita das vendas de seu produto é um meio em potencial para sua sobrevivência — ou, alternativamente, é a sua renda.
Desta renda, se ele subtrair todos os custos incorridos na produção e no transporte do produto, ele terá o lucro.
Supondo que não há custos de produção para este criador de ovelhas, temos que toda a sua receita já é o seu lucro.
Portanto, temos que este empreendedor não aufere um salário, mas sim um lucro.
Agora, se ele decidir investir uma parte deste lucro empregando um trabalhador e pagando a ele uma quantia definida de dinheiro — em termos mensais, por exemplo —, então ele estará agora tendo novos custos empresariais.
Esse seu investimento na forma de salários mensalmente pagos diminui regularmente a fração da receita que antes era considerada lucro — ou seja, o salário pago diminui a diferença entre a receita da venda de produtos (que continua a mesma) e os custos (que aumentam).
Observe que, quando o agricultor não está incorrendo em custos na forma de pagamentos salariais mensais, a receita total obtida com a venda de seus produtos é o seu lucro. Já quando os salários passam a ser pagos, estes advêm do lucro.
Esta análise abstrata mostra que os lucros, e não os salários, são a forma original de renda.
O salário é uma forma de pagamento que surge apenas quando um capitalista entra em cena.
Surge o assalariado
Para compreender a questão mais claramente, vamos ampliar nosso exemplo inicial e supor que nosso criador de ovelhas contrata seu vizinho de nome Murat, que não é proprietário de nada, para ajudá-lo a cuidar de suas ovelhas, protegendo-as contra eventuais ataques de lobos famintos.
Eles voluntariamente acordam que Murat receba uma moeda de ouro por mês de serviços.
Agora, o cenário ficou totalmente diferente. Há um assalariado e um empreendedor/capitalista.
Será que podemos dizer que, nesse caso, Murat tem o direito de ser o dono de todas as ovelhas apenas porque ele cuidadosamente as protege contra o ataque de lobos? É evidente que não.
É verdade que a produtividade marginal do rebanho aumentou desde que Murat foi contratado, mas esse fato por si só não significa que Murat tem agora o direito de reivindicar o produto marginal (ovelhas salvas dos lobos) para si próprio só porque ele foi contratado.
O que ele recebe como salário não é o produto marginal de seus serviços de vigília, mas apenas uma moeda de ouro.
Observe o papel crucial desempenhado aqui pelo proprietário do rebanho: o salário de Murat — a moeda de ouro que ele recebe — existe unicamente porque o dono das ovelhas é sábio e prudente o bastante para poupar uma moeda de ouro de sua receita de vendas e utilizá-la para pagar Murat.
Ao empregar Murat, o criador de ovelhas espera, naturalmente, ganhar mais moedas de ouro do que ele gasta como salário de Murat. Entretanto, ainda assim, a verdade é incontestável: Murat só ganha a moeda e só contribui para uma maior produtividade marginal — o que justifica seu salário — por causa da poupança e das sábias decisões empresariais do criador de ovelhas.
Não há aí nenhuma exploração. Não há aí nenhuma mais-valia.
Tivesse o criador de ovelhas consumido essa moeda — digamos, comprando frutas deliciosas para sua esposa —, Murat teria permanecido desempregado e em pior situação. E, como consequência, haveria menos ovelhas para os humanos consumirem.
O erro que se perpetua
No mundo primitivo, portanto, as receitas de venda representavam o lucro total. Não havia custos com terceiros a serem deduzidos das receitas.
Foi posteriormente, com o surgimento do capitalismo, que surgiram os salários dos trabalhadores, os quais são deduzidos dos lucros dos capitalistas.
Adam Smith errou sobejamente quando chamou de salários aquilo que empreendedores obtêm quando comercializam bens nas cidades. E Marx errou quando construiu toda a sua teoria tendo por base essa tese de que o ganho original de qualquer indivíduo é o salário, e que os lucros só passam a existir quando são deduzidos deste salário.
A realidade é que um salário só passa a existir quando uma pessoa contrata uma outra, pagando-lhe regularmente uma quantia fixa. E este salário, por definição, será deduzido das receitas desta pessoa.
E isso altera toda a análise econômica.
O surgimento de assalariados ocorre somente porque existem, e continuam existindo, empreendedores/capitalistas que estão dispostos a pagar salários com recursos retirados de suas poupanças.
Empregados assalariados não têm possibilidade de auferir lucros, porém — e ainda mais importante — estão livres de prejuízos. Com efeito, os empregados têm mais chance de receber renda do que o capitalista. O fazendeiro, por exemplo, deve pagar os salários de seus empregados mesmo que tenha havido uma geada no dia anterior à colheita. Os empregados, por sua vez, estão isentos do ônus do prejuízo. Tampouco pode o fazendeiro, para sermos justos, compartilhar com eles seus lucros.
Uma empresa farmacêutica irá vender seus produtos somente quatro ou cinco anos após a ideia inicial de se criar esses novos produtos. Nesse meio tempo, ela terá de pagar salários para centenas, talvez milhares, de pessoas. O salário é pago hoje independentemente de como serão as vendas futuras.
De maneira geral, pode-se dizer que os salários auferidos pelos trabalhadores representam uma antecipação das receitas futuras esperadas pelo capitalista com a eventual venda dos produtos finais. Para que um operário de uma fábrica possa fabricar mercadorias, o capitalista investiu uma montanha de dinheiro na fábrica. Ele investiu, digamos, $ 100 milhões (construiu a fábrica, comprou maquinários e paga os salários) para recuperar, na forma de fluxo de caixa anual, aproximadamente $ 10 milhões. Serão necessários 10 anos apenas para recuperar todo o capital adiantado. (Fora a inflação do período).
Ou seja, o capitalista abriu mão de $ 100 milhões em consumo presente para receber, anualmente, uma receita de $ 10 milhões. Tudo dando certo, daqui a uma década o principal será recuperado (e desvalorizado pela inflação).
Já os trabalhadores que este capitalista emprega não precisam esperar até que os bens sejam produzidos e realmente vendidos para receberem seus salários. O capitalista adianta um bem presente e garantido aos trabalhadores (salário) em troca da expectativa de receber um bem futuro (o retorno do investimento).
Por tudo isso, os lucros dos capitalistas não representam uma dedução daquele valor que, segundo Marx, pertence por direito aos trabalhadores na forma de salários. Os lucros representam aquilo que o capitalista ganhou em decorrência principalmente de seu trabalho intelectual, de seu planejamento e de suas decisões. O capitalista produz um produto próprio, feito com seus investimentos e com seus bens de capital, embora utilize a ajuda de terceiros cuja mão-de-obra ele emprega com o propósito de implementar seus planos e consequentemente produzir seus produtos.
Salários são deduzidos dos lucros, e não ao contrário
Lucros (ou prejuízos), portanto, são a forma original de receita; são obtidos apenas por empreendedores. Já o salário é uma forma de pagamento que surge apenas quando um capitalista entra em cena.
O erro compartilhado por Smith e Marx gerou a ideia de que, para obter lucros — a famosa “mais-valia” exploradora —, os capitalistas tinham de manter para si parte do salário de cada empregado. Mas a realidade é outra: a riqueza é criada por aquele indivíduo que sabe como transmitir suas visões, arriscar recursos e reconhecer oportunidades — tudo isso ao mesmo tempo em que ele cria uma renda regular para terceiros durante esse processo.
O surgimento do capitalismo, portanto, não foi o responsável nem pela dedução dos salários e nem pelo surgimento do lucro. Ele foi o responsável pela criação dos salários.
O lucro do capitalista não ocorre à custa dos salários dos empregados. Ao contrário: os salários dos empregados são deduzidos do lucro do capitalista.
Primeiro surgiu o lucro; só depois é que surgiu o salário. É o salário que é deduzido do lucro dos capitalistas, e não o lucro que é deduzido do salário dos trabalhadores.
Concluindo com uma provocação
No que concerne à relação entre capitalistas e assalariados, a verdade é exatamente o inverso daquilo que é alegado pela teoria da exploração.
Os capitalistas não deduzem seus lucros dos salários dos trabalhadores; os capitalistas são os responsáveis pelo surgimento dos salários. Sendo um custo de produção, os salários são deduzidos das receitas, as quais, na ausência de capitalistas, representariam o lucro total.
Antes dos capitalistas, todos tinham de assumir por completo todo o risco de uma dada atividade. Já hoje, podemos delegar os riscos para aqueles que são mais ambiciosos e mais capacitados para atividades empreendedoras, já sabendo que, no final do mês, receberemos nossos contracheques.
Tal arranjo é infinitamente mais produtivo e eficaz. Em última instância, é ele quem elimina a pobreza.
O que nos leva à pergunta derradeira: quem de fato “explora” quem? Os empreendedores e capitalistas exploram os trabalhadores, ou os trabalhadores basicamente vivem da inteligência, produtividade e prudência dos empreendedores e capitalistas?
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Leia também:
A teoria marxista da exploração e a realidade (o professor George Reisman, meu mentor, foi quem apresentou ao mundo esta constatação)
Eis as três principais maneiras como os capitalistas melhoram a vida dos trabalhadores
A “exploração dos trabalhadores” é um mito – e é fácil de entender por quê
Sim, o trabalho assalariado é uma mercadoria – e é isso o que o protege contra abusos
A ideia de que, no capitalismo, os trabalhadores são “explorados” atenta contra a lógica
Excelente texto!
Quando, na juventude, eu acreditava nas mentiras de Marx ( filho de rabino, mas extremamente anti religião…), a tal “mais valia” era algo concreto para mim. Hoje, sei o quanto fui trouxa, enganado por professores e “amigos”, no mínimo, tão mal informados como eu ( claro, no caso dos professores do ensino médio e universitários, a intenção era me fazer de trouxa, mesmo….), e isso, com certeza, me deixa com muita raiva de mim ( por ter sido otário…), e dos tais “formadores de opinião” esquerdistas.
Sim, sem produção, sem ter quem crie produtos para consumo, sejam eles quais forem, não haveria empregados, logo, não haveria salários, então, como pode o patrão ser ladrão de salários? Ele que proporciona empregos, ele que proporciona salários.
” ah, mas o meu patrão paga menos do que eu mereço…”, simples: procure outro emprego!
Malditos comunistas canalhas! Ops, fui redundante aqui.
E pensar que tenho parentes que continuam com este pensamento: que o patrão é ladrão ( por mais que eu tente explicar que pensar assim é errado…).
Na verdade, só existe um ladrão de salários, de bens das pessoas: o tal Estado. Este rouba muito, nunca devolve nada e os carneiros esquerdistas querem que ele roube ainda mais.
Como seria bom se todos entendessem algo que no fundo é muito fácil de entender.
Abraços.
Excelente artigo!
Alias, tem uma duvida que não consegui sanar ainda…
Como o preço surge?
Como hoje podemos saber que uma coxinha equivale a R$3? Porque a água equivale a R$1?
Eu sempre me pergunto isso e não consigo responder..
Quando eu era dono de uma lanchonete, me sentia explorado pelos meus empregados.
Só uma de minhas empregadas, uma neguinha bonita de 19 anos e mãe solteira de um filho, que era muito boa de conta de cabeça, ficava observando o meu trabalho como patrão e calculando as minhas despesas, lucros prejuízos, etc… Sem que eu soubesse…
Ela me disse uma vez que nunca gostaria de ser patroa, que ela não via vantagem nisso.
Ela também ajudava o pai dela na feira nos dias de folga, e dizia que via a dor de cabeça que o pai dela passava, e ainda lembrando que o pai dela trabalhava sozinho ou sendo ajudado por ela que era a filha. “Imagino você, que tem empregados de carteira assinada, empregados como a X, que vive acochambrando… para mim isso não dá” disse ela.
Concordei com ela imediatamente, disse que tinha saudades dos meus tempos como empregado, que assim que a crise passasse, venderia a minha lanchonete e voltaria a ser um assalariado.
Dito e feito. Não me arrependi.
A pergunta ao final do texto não é uma provocação e sim uma constatação. Se o trabalhador se sente explorado sob qualquer forma então que reclame, e não obtendo êxito mude de emprego.
Pesquisando vi que este artigo é originalmente de 2007, de Walter Block ?
Mas gostaria de saber se esse erro de Smith já foi apontado anteriormente.
Ótimo
Aproveitando a foto do artigo, vale ressaltar que a profissão que mais deixa explícita a tese apresentada no artigo é a de garçom.
Observe que, via de regra, garçons são atividades “desnecessárias” — no sentido de que não é preciso haver garçons para que a comida e a bebida cheguem à sua mesa.
Nada impede que os malvados capitalistas donos de restaurante façam um conluio e, por exemplo, demitam todos os seus garçons (o que representaria um enorme corte de gastos). Aí, sob esse novo arranjo, seriam os próprios clientes que levariam suas comidas e bebidas até a mesa.
O esquema seria bastante simples, porém desconfortável: você chegaria ao restaurante, iria até o balcão, faria seu pedido e iria esperar na sua mesa. Uma vez pronto o seu pedido, você se levantaria da mesa, iria até o balcão, pegaria sua comida e sua bebida e iria até a mesa. Se quisesse mais bebida, iria até o balcão e pediria.
Se todos os restaurantes fizessem isso, duvido muito que suas receitas cairiam — para onde mais as pessoas iriam para comer e ser servidas ao mesmo tempo? Ademais, mesmo que houvesse queda na receita, os cortes de gastos oriundos da demissão dos garçons certamente seriam suficientes para fazer com que os lucros fossem ainda maiores do que antes.
E aí vêm as duas perguntas que ninguém faz:
1) Por que os capitalistas abrem mão desse lucro maior preferindo gastar parte deles com garçons?
Porque pensam no conforto dos clientes. Basta que um restaurante comece a oferecer serviços de garçom, e todos certamente irão copiá-lo. Ótimo exemplo dos benefícios da livre concorrência.
2) De onde vem o salário dos garçons?
Como já implícito na primeira pergunta, foi deduzido do lucro dos capitalistas.
Ou seja, os salários dos trabalhadores são deduzidos dos lucros dos capitalistas. Não houvesse os capitalistas, não haveria salários para os trabalhadores.
P.S.: aliás, se o estabelecimento retirasse o garçom e deixasse o cliente livre para ir ao freezer pegar sua cerveja (ou ir até o barril e pegar o seu chope), o consumo destas bebidas seria ainda maior. Eu pelo menos beberia muito mais.
O texto vem de encontro a uma frase feita, que repetimos em diversas situações – “… o que sobrar é lucro”
Maduro virando capitalista? Kk
http://www.gazetadopovo.com.br/mundo/venezuela-privatizacao
Na verdade, só fazendo um capitalismo de estado.
O certo é devolver as propriedades roubadas aos seus legítimos donos
A grande questão do capitalismo no Brasil é resolver o problema referente ao baixo valor dos salários. Quantia essa insuficiente para os assalariados terem uma vida digna, com boa alimentação, moradia adequada, lazer e educação.
Uma onda de frio congelou os dutos de gás natural, atingindo o sul dos EUA, principalmente o Texas, assim como parte do México (gerando blecaute tanto para mexicanos quanto para americanos). Grande parte da energia suprida no México vem de gás natural. Ou seja, o aquecimento global congelou parte do Texas (fui irônico agora).
O governador do Texas proibiu exportações de gás natural até o dia 21, atingindo o México. Impressiona a ignorância econômica nesses políticos.
Concordo com o artigo, Marx e Smith estavam errados, mas ok, eles estavam construindo a teoria economica.
Não acho que ninguem aqui vai por isso desmerecer os brilahntes achados para época do Smith, dizendo que não é “da bondade do padeiro, nem do cervejeiro que eles produzem (…)”. Hoje é óbvio, na época nao era. É natural que a economia, como ciencia, vá se desenvolvendo aos poucos.
Ademais, me confirmem uma coisa, Walras, Hicks e a escola marginalista já não corrigiu esse problema, tendo um sistema em que preços de bens finais e de seus insumos se definem simultaneamente?
O problema que foi colocado no artigo já não foi resolvido? Qual foi a contribuição de Mises para o problema tratado no artigo?
Abraços
A recuperação econômica é definida pelo BC através do juro e do câmbio, as duas variáveis que definem pelo menos 50% da demanda agregada do país. O restante é definido pelo investimento público. Se colocar o juro em taxa neutra de zero (como o fed) e eliminar o efeito de doença holandesa no câmbio (fim da lei kandir e outros mecanismos), levando taxa para nível de competitividade econômica internacional de R$9, eliminamos o problema fiscal e o governo poderá fortalecer seus investimentos de R$2 trilhões em moradia, internet, EAD e mobilidade.
Gostaria de saber de onde o autor do artigo, Wladimir Kraus, tirou essa ideia de Adam Smith, de que naqueles períodos que antecederam o mercado desenvolvido como hoje conhecemos, o produto da venda de bens agrícolas e manufaturados seja considerado salário. Faltou o autor citar onde se encontra essa afirmação na obra de Smith (Wealth of Nations). O preço de um bem, para Smith, divide-se em renda da terra, lucro e salário, como se essas três categorias tivessem origem diferente e o preço fosse meramente a simples soma delas. Smith nesse aspecto entrou em contradição com a ideia de valor, que ele mesmo definiu no Livro I, cap VI, “a proporção entre quantidades de trabalho necessárias para adquirir objetos diferentes parece ser a única circunstância que pode fornecer qualquer regra para trocá-los uns pelos outros.” A única fonte do valor é o trabalho. O salário, o lucro e a renda da terra têm uma única origem: no valor (trabalho). A terra por si só não produz nada, exceto se tiver a intervenção humana. A renda da terra é a remuneração que seu proprietário obtém pelo aluguel da terra ao agricultor ou ao capitalista. O lucro é o resíduo do valor das mercadorias de propriedade do capitalista após o ter sido paga a renda da terra e o salário daqueles que foram contratados pelo capitalista para produzir as mercadorias.
Toda vez que vocês criticam o socialismo (comunismo, Marx, Escola de Frankfurt etc) vocês, estão, na verdade elevando a popularidade dele.
Pesquisei no Google Trends e notei que a procura por “socialismo” explodiu na crise de 2008 (óbvio) e nos anos eleitorais do Trump, nos EUA, e do Bolsonaro, aqui no Br (11 a cada 10 palavras do Trump e do Bozo era “socialismo”).
Minha mãe sempre fala que “invocar desgraça atrai desgraça”.
Seria interessante trocar “socialismo”, “comunismo” e “Marx” por qualquer outra coisa menos sugestiva como “estatismo”, “utopia” e “filósofo estatista”. (estou falando do uso prejudicial dessas palavras…tem que saber distinguir quando é ou não é prejudicial)
Pô! Site capitalista que não entende nada de marketing é o cúmulo da contradição!
Ótima reflexão!
De modo complementar, em outra ciência como a Contabilidade, na Demonstração do Resultado do Exercício – DRE, a dedução do salário vem do Lucro ou Prejuízo Bruto, antes do Lucro ou Prejuízo Líquido. Quem tira de que?
"Os lucros são a força motriz da economia de mercado. Quanto maiores os lucros, mais bem satisfeitas são as necessidades dos consumidores … Quem melhor serve ao público, obtém os maiores lucros."
Mises
* * *
Me pergunto como alguém consegue levar a sério o que Marx disse a 150 anos atrás. Nessa época o capitalismo não era nem remotamente parecido com o que foi no século XX e XXI, e ainda vigorava o Mercantilismo.
É como tentar explicar a Teoria da Relatividade baseada em conceitos de quando o Geocentrismo ainda vigorava.
Pobre almas.
Para ofertar algo na quantidade e qualidade que um mercado demande posteriormente, é preciso, antes de tudo, assumir o risco do retorno incerto no futuro. Ou seja, possíveis demandas fururas são “bancadas” no presente pela expectativa do lucro. E é essa mesma expectativa que faz um empreendedor arriscar pagar uma % de lucro futuro para alguém antecipadamente: salário!
Acredito que Smith quis dizer que do lucro auferido com a venda, o empresário retira seu salário.
E a informação de que o bitcoin é uma criação do departamento de estado norte-americano?
Se essa informação for confirmada, vocês libertários como anti estado, tem a obrigação de demonozarem a partir de agora o bitcoin é todas as tais moedas digitais.
Porque se o bitcoin é uma criação do governo norte-americano, não é preciso ter 2 neurônios para saber que as demais moedas digitais também as são.
Os salários sao deduzidos dos lucros.
Em outras palavras, se a expectativa de receita cai, os salários também caem, pois o lucro ou a expectativa de lucro já é dado. Isso é o que a frase acima quer dizer.
Mas e se a expectativa de receita sobe, os salários sobem?
Dxy caindo a 98.00
Dolar baixando a 5.05
Apesar do fed aumentar a taxa deles, mesmo assim o dolinho ta caindo.
Li em um dos comentários que o indivíduo somente por si só,produz pouco e por isso,recebe pouco dinheiro, quando se tem um emprego.Então tenho duas perguntas:Tem que em empreender,neste caso,para ficar rico?E como se explica casos de pessoas que ganham altos salários trabalham pata empresas?Tem gente que acaba enriquecendo trabalhando para alguém. Não é a maioria da população que está nessa situação,mas existem casos assim.
Há quantos anos existe Mises Brasil, movimento libertário brasileiro e tal? E ainda é necessário explicar o básico, como controle de preços e teoria valor-trabalho.
Como vcs conseguem ter alguma esperança no futuro? O Brasil é um país fadado ao fracasso.