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Exatamente como previsto, a guerra comercial fracassou em recriar empregos na indústria

Donald Trump foi eleito em 2016 com uma agenda contrária ao livre comércio com determinados países (principalmente China e México), prometendo que tarifas de importação e demais medidas protecionistas iriam restaurar o emprego no setor manufatureiro dos EUA.

Após ser eleito, o presidente americano efetivamente impôs tarifas sobre a importação de produtos chineses equivalentes a centenas de bilhões de dólares, com o objetivo de desestimular as importações e substituí-las pela produção nacional. Ele próprio se auto-descreveu como “o homem das tarifas” e disse que “guerras comerciais são boas e fáceis de ganhar”.

Qual foi o resultado prático de toda essa retórica?

Um análise dos dados feita pelo The Wall Street Journal, um jornal abertamente pró-Trump, faz uma grande revelação sobre os resultados da guerra comercial até o momento. E estes não são nada bonitos — embora totalmente previsíveis.

Eis a conclusão:

A guerra comercial do presidente Trump contra a China não alcançou o objetivo central de reverter o declínio do setor industrial americano, mostram os dados econômicos. […]

Um outro objetivo — trazer indústrias de volta aos EUA — também não ocorreu. O crescimento do emprego na indústria começou a desacelerar em julho de 2018, e a produção industrial chegou ao pico em dezembro de 2018, quando começou a cair.

Este gráfico mostra de maneira cristalina que as tarifas de Trump não tiveram êxito em promover o emprego no setor industrial. Imediatamente antes do início da pandemia de Covid-19, todo o aumento do emprego no setor industrial já havia sido totalmente revertido. 

Mais ainda: praticamente todos os ganhos de emprego no setor industrial ocorreram antes das tarifas sequer entrarem em prática.

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Gráfico 1: alteração anual do número de empregos industriais nos EUA, de janeiro de 2017 até o presente. A linha vertical pontilhada mostra o momento em que as tarifas de importação entraram em prática. Crédito da imagem: The Wall Street Journal

Esta notícia é desalentadora, claro, mas nada surpreendente.

A esmagadora maioria dos economistas (os sérios) concordam que tarifas de importação não têm como funcionar e alcançar seu objetivo (reindustrialização e aumento do emprego neste setor) simplesmente porque tarifas de importação são um imposto sobre os consumidores.

Tarifas de importação nada mais são do que impostos sobre a compra de bens importados. A mercadoria importada chega ao porto, desce do navio e um burocrata da alfândega impõe uma taxa ao valor total que o importador pagou, taxa essa que é repassada ao consumidor final.

Impostos mais altos sobre a compra de bens importados representam um subsídio às empresas nacionais, pois eles impedem que os estrangeiros possam utilizar preços baixos para concorrer com a indústria nacional.

Ao reduzir a variedade de opções disponíveis para os consumidores nacionais, as tarifas permitem que a indústria nacional cobre preços mais altos do que aqueles praticados por produtores estrangeiros.

Portanto, quem afirma que tarifa de importação gera industrialização e emprego está afirmando que aumento de impostos sobre o consumo, e um consequente aumento de preços para os consumidores, geram industrialização e emprego.

Com efeito, em uma pesquisa de 2016 realizada entre economistas, absolutamente nenhum concordou com a afirmação de que aumentar tarifas sobre determinados bens iria estimular a produção doméstica. Nada menos que 93% discordaram ou discordaram fortemente, ao passo que 7% não responderam.

A explicação lógica 

“Tarifas de importação que protegem empregos na siderurgia significam preços mais altos para o aço, o que, por sua vez, significa menos vendas de produtos nacionais à base de aço (tanto dentro do país quanto para o resto do mundo). Isso leva a perdas de empregos nestes outros setores em um número maior do que o número de empregos protegidos”, explicou o economista Thomas Sowell.

“Os benefícios de uma tarifa de importação são visíveis”, disse Milton Friedman. “Os sindicatos podem ver que estão sendo “protegidos”. Já o estrago que a tarifa faz é invisível. Ele é amplamente difuso. Há várias pessoas que perdem seus empregos por causa das tarifas, mas não sabem”.

O problema com tarifas é que, de modo geral, elas destroem mais empregos do que protegem. Para cada emprego “protegido” por uma tarifa, vários outros são extintos em indústrias que utilizam o bem tarifado (e agora mais caro) como insumo em sua produção. Seus custos de produção sobem, e a solução passa a ser cortar mão-de-obra e automatizar.

Dois exemplos práticos famosos

Em março de 2002, o então presidente George W. Bush impôs uma tarifa de 30% sobre o aço chinês. O objetivo, obviamente, era proteger empregos no setor siderúrgico.

Só que havia um problema: o número de trabalhadores que utilizam aço como matéria-prima é muito maior do que aqueles que produzem aço.

Há aproximadamente 200.000 de trabalhadores nas indústrias de aço, alumínio e ferro, e há nada menos que 6,5 milhões de trabalhadores empregados em indústrias que utilizam aço e alumínio como matéria-prima para seus produtos — empresas que fabricam de tudo, desde caminhões, automóveis e maquinários pesados até latas de cerveja e aramados para galinheiro.

Consequentemente, os resultados dessa tarifa foram caóticos, embora totalmente previsíveis pela teoria econômica.

Segundo uma extensa pesquisa realizada por um conglomerado de indústrias de bens de consumo, as tarifas contra a China aumentaram os preços do aço (óbvio) e, como consequência, eliminaram 200.000 empregos naqueles setores que compram aço para usar em seus processos de produção.

À época, esses 200.000 empregos eliminados da economia eram mais do que o número total de pessoas que trabalhavam nas siderúrgicas, e representaram US$ 4 bilhões em salários perdidos.

Eis as conclusões do estudo:

  • 200.000 americanos perderam seus empregos em decorrência do aumento dos preços do aço em 2002. Esses empregos perdidos representaram aproximadamente US$ 4 bilhões (US$ 5,5 bilhões em valores atualizados) em salários perdidos de fevereiro a novembro de 2002.
  • Um em cada quatro (50.000) destes empregos perdidos foi nos setores de produção de metais, de maquinários, de equipamentos e de transportes, bem como no de peças de reposição.
  • O número de empregos eliminados cresceu continuamente ao longo de 2002, chegando a um pico de 202.000 empregos em novembro.
  • O número de americanos que perderam seus empregos em 2002 em decorrência do encarecimento do aço foi maior que o número total de empregos nas próprias siderúrgicas (187.500 americanos estavam empregados nas siderurgias americanas em dezembro de 2002).
  • Clientes que consumiam produtos fabricados com aço americano trocaram de produtos e passaram a consumir mais estrangeiros, uma vez que o aço americano, protegido da concorrência, tornou esses produtos menos confiáveis e mais caros. Algumas empresas, incapazes de aumentar seus preços em decorrência do maior custo do aço, tiveram elas próprias de absorver todo o aumento de custos de produção, o que as deixou em situação financeira precária.

Em dezembro de 2003, Bush teve um lampejo de bom senso e aboliu essa tarifa, a qual só causou estragos à economia. Não coincidentemente, a recuperação econômica veio em 2004.

Entra em cena Obama, que aparentemente não havia aprendido nada com seu antecessor.

Em 2009, ele impôs uma tarifa de 35% sobre pneus chineses. O motivo foi o mesmo de sempre: as fabricantes americanas estavam reclamando de “concorrência desleal” dos chineses.

Em janeiro de 2012, o próprio Obama se gabou dizendo que “mais de 1.000 americanos têm um emprego hoje porque interrompemos esse surto de pneus chineses”. Estima-se que 1.200 empregos na indústria americana de pneus foram protegidos por essa tarifa.

Mas, como sempre na economia, há o que se vê e o que não se vê.

De acordo com este completo e aprofundado estudo do Peterson Institute for International Economics (reconhecido até mesmo por fontes de esquerda), essas tarifas obrigaram os americanos a pagar US$ 1,1 bilhão a mais por pneus americanos.

Ou seja: embora 1.200 empregos tenham sido protegidos na indústria americana de pneus, o custo por emprego mantido foi de impressionantes US$ 900.000 naquele ano.

Mais ainda: segundo o Bureau of Labor Statistics [o IBGE americano], o salário médio anual de pessoas que trabalhavam na indústria de pneus era de US$ 40.070. 

E piora: como os consumidores americanos tiveram de pagar US$ 1,1 bilhão a mais em pneus, eles não puderam usar esse dinheiro para comprar bens e serviços de outros setores. Consequência? Aproximadamente 4.000 americanos (3.731, para ser mais exato) perderam seus empregos nestes setores.

Ou seja: 1.200 empregos salvos a um astronômico custo de US$ 900.000 por emprego versus 3.731 empregos destruídos pela tarifa.

E um adendo: a maior parte do US$ 1,1 bilhão a mais que os americanos pagaram em decorrência dos pneus mais caros não se traduziu em aumentos salariais para os trabalhadores da indústria de pneus. Segundo o estudo do Peterson Institute, apenas 5% deste valor foi para o bolso dos empregados. Os 95% restantes viraram bônus corporativos.

Tarifas servem para isso mesmo.

Assim com Bush, Obama também acabou tendo um lampejo de bom senso, e seu governo aboliu a tarifa em 2012.

Para concluir

No caso das tarifas de Trump, não apenas várias indústrias sofrerem em troca da proteção de algumas poucas, como também as tarifas geraram, como era de se prever, uma ação retaliatória da China, a qual piorou ainda mais a situação.

Segundo o The Wall Street Journal:

Uma análise detalhada, indústria por indústria, feita pelo Federal Reserve mostrou que as tarifas estimularam o emprego em 0,3% naquelas indústrias expostas à concorrência com a China. Porém, este ganho foi mais do que contrabalançado pelos agora maiores custos de se importar produtos e equipamentos chineses, o que reduziu o emprego industrial geral em 1,1%. […]

Tarifas retaliatórias impostas pela China contra produtos americanos reduziram empregos industriais nos EUA em 0,7%. 

Sem nenhuma surpresa, temos mais uma comprovação empírica da velha teoria: tarifas matam mais empregos do que criam. Para cada emprego “protegido” por uma tarifa, vários outros são extintos.

Nenhum economista tem o direito de se surpreender com isto.

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67 comentários em “Exatamente como previsto, a guerra comercial fracassou em recriar empregos na indústria”

  1. Quando falo que Trump não sabe o que é a filosofia conservadora, muitos me olham como se eu fosse louco. Ele representa bem o que são os Republicanos, protecionistas e intervencionistas. Os democratas só são uma versão piorada.

    E ainda me dá lampejos de esperança ver jornais que supostamente são a “base aliada” do presidente criticando uma coisa óbvia. Afnal, não é esse o papel do jornalista? Entretanto, saber que fico feliz com essa raridade, é um sinal dos tempos confusos em que vivemos.

  2. Por esse gráfico podemos ver que o emprego já estava próximo da retração antes da crise do coronavírus(E dos lockdowns);

    Não creio que a economia americana fosse sustentar crescimento por muito mais tempo. Mas esse vírus distorceu os dados então poucos vão perceber que juntou economia fragilizada antes da pandemia com medidas de paralização das cadeias produtivas

  3. Jairdeladomelhorqptras

    Pessoal,

    Texto que nos deixa acabrunhados. Trump é considerado de direita e conservador. Deveria defender ferrenhamente o livre comércio. Tempos estranhos.

    Abraços

  4. Motorista do Sr. Mises

    Me causou estranheza o fato de q o articulista é declaradamente um “libertário-conservador”, o q imediatamente me traz uma dúvida sobre como exatamente os libertários lidam com questões de segurança nacional como uma eventual adoção da banda 5G via tecnologia da chinesa Huawei a qual já foi apontada como contendo sérias brechas de segurança e uso indiscriminado de coleta de dados de usuários. Afinal, se libertários clamam por uma secessão seletiva criando um Estado paulatinamente fracionado ainda assim haveria algo como uma ameaça nacional em curso com a adoção desses sistemas ou tudo poderia ser resolvido na base da lei da oferta e da procura? Aguardo a análise de vcs

  5. Sorte dos americanos que os empregos industriais não foram retomados. Isso significa que esses trabalhadores poderão ter mais saúde por mais tempo.

    Como eu nunca me canso de repetir aqui: empregos industriais são insalubres e, por isso mesmo, indesejáveis.

    Trabalhar na indústria é algo totalmente punitivo do ponto de vista da saúde e da segurança. É um ambiente maçante, monótono e até mesmo emburrecedor. O trabalhador industrial passa oito horas do dia fazendo trabalhados repetitivos e extenuantes. É a perfeita caricatura do homem robotizado, sem emoções e vontade própria.

    Qualquer redução do emprego industrial deveria ser comemorada como algo humanístico; qualquer substituição de homens por máquinas deve ser aplaudida como algo em prol da humanidade.

    Apenas gente que nunca empunhou um instrumento de trabalho mais pesado que um lápis pode defender a ideia de que o progresso está em fazer trabalhos excruciantes e “quebradores de coluna” nas indústrias.

    Eu não entendo gente defendendo enfiar ainda mais humanos dentro de fábricas. Empregar humanos na indústria denota atraso. Avanço é substituí-los por máquinas e robôs. Países ricos fazem o segundo e liberam essas pessoas para se dedicar a empreendimentos mais prazerosos. Países pobres fazem o o primeiro, e com isso permanecem no atraso, sem um setor de serviços vibrante e criativo.

  6. SÓ FUNCIONA LIVRE MERCADO COM REGRAS IGUAIS PARA TODOS

    CHINA NÃO FUNCIONA COMO ECONOMIA DE MERCADO,economia estatal,TEM REGRAS DIFERENTES

    OS CUSTOS SOCIAIS AGREGADOS AO EMPREGO NA AMERICA,EUROPA UM, E NA ASIA OUTRO.

    COMO QUERER QUE OS CUSTOS CONCORRAM SE AQUI NAS AMERICAS TEM IMPOSTOS QUE NA ASIA NÃO TEM?

    Me ajudem por favor , a OMC não aceitava a China como economia de mercado, e aí alguem declarou que era, então a China estuprou os steites, a Europa as americas.Seus custos baixissimos ,liquidaram empresas e empregos.

    COMO ISTO FOI ACEITO?

    UM DUMPING ESCRACHADO AOS OLHOS DO MUNDO TODO, ÓBVIO E EXPLICITO…

    SUN TZU um grande, o maior dos estrategistas que o mundo conheceu, e que YURI BEZMENOV descreve e cita também:

    CORROMPA!

    CORROMPA ALTOS FUNCIONARIOS PÙBLICOS DE PAÍSES, E ORGANIZAÇÔES REGULADORAS E FISCLIZADORAS , é o MAPA DA MINA!

    A China usa creditos gigantes de seu superavit comercial aplica em dumping .Quebra o concorrente,se adona do mercado mundial.

    É ESTRANHO que à luz do sol que praticam o dumping e os orgãos fiscalizadores estão em mãos dos “amigos”.Amigos e sócios

    Vide OMS em mãos dum “compadre” de negócios, se não o é, assim procede.

    É INFANTILIDADE, MAS É O QUE SE CONSTATA,a vinte anos!!!!!

    O grande general , em sua obra A SUPREMA ARTE DA GUERRA ensinou a séculos como se faz, e quando o conquistador desce a montanha, a cidade já é sua, sem disparar um só tiro.

    QUANDO VIER A VACINA , O PLANETA JA ESTARÁ EM SUAS MÃOS SEM DAR UM SÓ TIRO.

    cqd

  7. Estado máximo, cidadão mínimo

    Pois é. Por essas e outras que economia deveria ser matéria de ensino fundamental. Saberiam que externalidades negativas são algo a sempre ser pensado antes de se tomar qualquer decisão “bem intencionada”.

    E em relação à China, México ou o que valha: empresas migram pra esses países não apenas para se aproveitar de seu baixo custo de mão de obra, mas visando também seu mercado consumidor interno. Que empresa não gostaria de ter a seu dispor mais de um bilhão de potenciais consumidores?

  8. Recomendo ao IMB fazer um artigo sobre geopolítica,sendo o mais abrangente possível,pois a gritaria de todos os lados empobrecem o debate,sei que nós libertários prezamos pelo fim do estado ou sua minimização,mas é tanta teoria da conspiração e teses apocalípticas que tem hora que dá medo e angústia de viver e correr para as montanhas,pois ficamos perdidos neste tiroteio,enfim alguém acende a luz desta caverna em que estamos vivendo nos últimos tempos,pelo amor de Deus!!!

  9. OFF: O livro do Ciro Gomes está sendo avaliado com 5 estrelas na Amazon. Eis um trecho para o deleite de vocês:

    “De repente, vemos o que é o mercado deixado à própria lógica e como

    o Estado deve intervir necessariamente para garantir não só o

    melhor para o bem-estar da população, mas para a economia como

    um todo, ainda mais em momentos de crise que exigem

    coordenação central da sociedade.”

  10. Não adianta adotar uma estratégia que crie um “ganho líquido” imediato, mas com sérios prejuízos no futuro.

    O Trump está certo.

    A estratégia da Ditadura Chinesa é dar dinheiro agora (ou vender barato), comprar o inimigo, para depois que todos dependerem dela, transformar todos em pobres escravos sem direitos e sem dinheiro.

    Esse autor tem uma visão míope, imediatista e simplória de como as coisas realmente funcionam a longo prazo.

    Ou talvez esteja comprado pelo Partido Comunista Chinês, ou pelo menos corrompido ideologicamente.

    A Ditadura Comunista Chinesa só cresceu por causa de visões como desse autor, da ajuda comercial do ocidente.

    Deram comida para o monstro, agora ele cresceu e quer comer quem deu comida a ele. Precisamos de gente corajosa para enfrentá-lo.

    A ambição exagerada pela riqueza, sem hierarquia de valores, leva a destruição a longo prazo.

    Lembre-se, dinheiro é apenas um meio, não o objetivo. Não caiam no conto do vigário que promete lucro imediato. Qualquer adulto já deveria ser vacinado quanto a isso.

  11. Que a Suíça historicamente sempre foi um paraíso fiscal e acumulou muita renda com isso não se pode negar. O que ela fez com essa renda é uma questão para os suíços. O que os brasileiros fazem com a renda gerada no Brasil é uma questão para os brasileiros. Então a economia brasileira ou não funciona ou está afetada por interferências oligárquicas talvez.!?

  12. Conhece alguém in loco com informações isentas? Até onde eu sei, um incêndio destruiu o transformador de uma concessionária local. Caso clássico de ineficiência do sistema de concessão monopolística e das parcerias público-privadas, que sempre foram criticadas por este Instituto exatamente por serem causadoras deste tipo de ineficiência.

    Artigo exatamente sobre isso:

    Dica ao futuro governo: não faça concessões, mas sim privatizações (e desestatizações)

    PPPs e concessões são um arranjo totalmente corporativista e anti-livre concorrência.

    Uma parceria público-privada nada mais é do que um arranjo no qual políticos escolhem seus empresários favoritos para gerenciar um determinado setor, e estes empresários, como consequência, passam a atuar em uma área totalmente protegido pelo estado contra a entrada de concorrentes, transformando-se na prática em uma reserva de mercado para essas empresas.

    Na prática, uma PPP é simplesmente isso: a criação de uma reserva de mercado, garantida pelo estado, para os empresários favoritos dos políticos.

    Estado e grandes empresas se aliam para, sob o manto de estarem realizando serviços, extorquir os cidadãos e dividir entre si o butim, dando em troca algo que lembra um pouco, com muita boa vontade, uma prestação de serviço.

    Por isso, esse arranjo é excelente para ambos os lados: os políticos recebem “agrados” das empresas que adquirem o direito de operar em um mercado fechado; e essas empresas, ao ganharem uma reserva de mercado (é proibida a entrada de concorrentes), passam a auferir lucros garantidos, sendo que a necessidade de apresentar qualidade é nula.

    No final, a PPP é um arranjo criado apenas para beneficiar aquelas empresas que têm fortes conexões com o estado, e que passam a usufruir uma reserva de mercado garantida pelo estado.

    Por isso este Instituto sempre condenou veementemente as PPPs, e já deixou claro que privatizar sem desestatizar nunca será a solução.

  13. carlos eduardo stefanini

    Primeiramente, não sou economista, mas uma coisa me intriga: a continuar essa situação, práticamente as indústrias de todo mundo não conseguirão produzir em pé de igualdade com os produtos chineses. Como restabelecer o equilíbrio? Quais medidas os governos devem tomar para que seus empregos sejam preservados? Será que a produtividade de nossas indústrias poderão se igualar às chinesas? Sei que a resposta a essas questões envolve medidas complexas por parte do governo, principalmente na área tributária, trabalhista, fiscal, de infra estrutura, etc… Antes que me acusem de anti-democrático, coloco uma questão a fim de refletirmos: será que o fato da China ter um governo autoritário, centralizador propicia que a mesma adote medidas mais rápidamente e de maneira ampla, pois não sofre resistências por parte da sociedade, diferentemente do que acontece nas democracias ocidentais?

  14. carlos eduardo stefanini

    Carlos Alberto obrigado pelas dicas. Vou ler todos os artigos listados nos “links”. Essa sua postura de promover a melhoria da qualidade das nossas indagações do por quê “as coisas são como são” é muito salutar. Só uma questão não ficou clara para mim: quando me referi à preservação de empregos tinha em mente preservar exatamente as pessoas pois, sem empregos, estas não tem renda para subsistir. De maneira alguma penso que devemos “… proibir a automação? Vamos abolir tratores e voltar com a enxada?” Ora, se nossas industrias estão fechando postos de trabalho e o nosso sistema sócio econômico não propicia a realocação dessa mão de obra para outras atividades, o que fazemos? Mais uma vez, obrigado pela atenção e indicação dos artigos.

  15. Schüler, Economia Ortodoxa

    Eu estou em duvida na seguinte questão e não estou conseguindo resolver, vocês poderiam me ajudar?

    A questão é a seguinte:

    Suponha que você foi convidado para analisar a demanda de um determinado produto.

    A curva de demanda não foi dada, mas você foi informado que ano passado ao preço de R$ 45,00 foram vendidas 1.200 unidades e que este ano, ao preço de R$ 30,00 vendeu-se 1.800 unidades.

    1. Se você estima uma variação de 10% nos preços, qual a variação da demanda?

    2. Se você aumentar os preços, sua receita aumenta ou diminui?

    eu vi que essa é a formula para ser usada, ** P = a – bQ** , porém não conseguir avançar muito…alguma ajuda?

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