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Salário mínimo, estupidez máxima

Em um livre
mercado, a demanda sempre será em função do preço: quanto maior o preço, menor a
demanda.  O que é surpreendente para a
maioria dos políticos é que essas regras valem igualmente tanto para os preços
quanto para os salários.  Quando os
empregadores avaliam suas necessidades de capital e mão-de-obra, o custo é um
fator primordial.  Quando o custo de se
contratar mão-de-obra pouco qualificada aumenta, vários empregos serão
liquidados.  Não obstante tudo isso,
aumentos do salário mínimo sempre são vistos como um ato de benevolência
governamental.  Nada poderia estar mais
distante da verdade.

Quando algum
encanamento da nossa casa entope, qual o procedimento padrão que normalmente
seguimos? Fazemos um levantamento de preços com vários bombeiros hidráulicos e
contratamos aquele que tem o melhor preço. 
Se todos os preços forem altos, a maioria de nós irá preferir pegar uma
chave inglesa e uma soda cáustica, e fazer o serviço por conta própria.  O mercado de trabalho funciona da mesma
forma.  Antes de contratar outro
empregado, o empregador precisa estar certo de que esse novo empregado irá trazer
um acréscimo de produtividade que exceda esse custo suplementar (o qual inclui
não apenas o salário, mas todos os encargos sociais e trabalhistas.) [Para ver
os números do Brasil, clique
aqui
].

Assim, se um
trabalhador pouco qualificado for capaz de contribuir com apenas $6 por hora em
termos de aumento de produtividade, tal indivíduo estará desempregado caso o
salário mínimo seja fixado em $7,25 a hora.

Os trabalhadores
pouco qualificados precisam lutar pelo dinheiro do empregador.  E para isso eles têm de disputar tanto com os
trabalhadores qualificados quanto com o capital (o maquinário).  Por exemplo, se um trabalhador qualificado cobra
$14 a hora para fazer um serviço que dois trabalhadores menos qualificados
cobram $6,50 cada, seria economicamente sensato um empregador contratar a
mão-de-obra menos qualificada. 
Entretanto, se o governo aumentar o salário mínimo para $7,25 a hora,
esses trabalhadores menos qualificados serão “precificados para fora” do
mercado de trabalho.

É exatamente por
causa dessa dinâmica que os sindicatos são ferrenhos defensores das leis do
salário mínimo.  Embora nenhum de seus
membros receba o salário mínimo, a lei ajuda a protegê-los da
concorrência dos trabalhadores menos qualificados.  (Sindicato nada mais é do que isso: um cartel
protegido pelo estado e que expulsa do mercado de trabalho aqueles
trabalhadores menos qualificados – ao mesmo tempo em que utiliza a retórica da
proteção aos desfavorecidos.)

Os empregadores
também têm a opção de empregar máquinas ao invés de pessoas.  Por exemplo, um empregador pode contratar uma
recepcionista ou investir em um sistema de atendimento automatizado.  Ele fará o que for menos custoso.  Assim, da próxima vez que você estiver gritando
obscenidades ao telefone enquanto tenta dialogar com um computador, você já
sabe em quem colocar a culpa por sua frustração.

Há vários outros
exemplos de empregadores que substituem a mão-de-obra humana pelo maquinário simplesmente
porque o salário mínimo deixou os trabalhadores menos qualificados pouco
competitivos.  Por exemplo, nos aeroportos,
os carregadores de mala foram substituídos pelos carrinhos de mão (embora aqueles
ainda existam informalmente).  A
principal razão por que os restaurantes fast-food
utilizam pratos de papel e utensílios de plástico é para não ter de contratar
pessoas para lavá-los.

Como resultado,
muitos daqueles trabalhos que exigiam pouca qualificação e que costumavam ser o
primeiro degrau da escada do mercado de trabalho foram exterminados do
mercado.  Você consegue se lembrar da
última vez que um lanterninha o conduziu até seu assento em um cinema
escuro?  Qual foi a última vez que alguém
– além do indivíduo que fica no caixa – não apenas empacotou suas compras no
supermercado, mas também as levou até seu carro?  Por falar nisso, não demorará muito para que
os próprios caixas sejam “precificados para fora” do mercado e substituídos por
scanners automáticos, fazendo com que você tenha de empacotar suas comprar sem
qualquer ajuda.  Você pode até ser capaz
disso, mas e as pessoas de mais idade?

O desaparecimento
desses empregos traz consequências econômicas e sociais mais amplas.  Os primeiros empregos que conseguimos são um
meio de aperfeiçoarmos nossas habilidades, de modo que trabalhadores menos
habilidosos possam adquirir experiência e, com isso, oferecer maior
produtividade para seus empregadores atuais ou futuros.  À medida que suas habilidades aumentam, o
mesmo ocorre com sua capacidade de obter salários maiores.  Entretanto, remova o degrau mais baixo da
escada do mercado de trabalho e muitos nunca mais terão a chance de subir nela.

Portanto, quando
você mesmo tiver de abastecer seu carro em um posto sob chuva, não pense apenas
naquele adolescente que poderia estar fazendo isso pra você; pense também no
mecânico que ele poderia ter se tornado, caso as leis do salário mínimo não lhe
tivessem negado um emprego.  Vários
mecânicos de automóveis aprenderam segredos de seu ofício quando trabalhavam
como frentistas.  Entre uma abastecida,
uma lavagem e uma calibragem de pneus, eles passavam boa parte de seu tempo
auxiliando os mecânicos e aprendendo com eles. 
Isso vai acabar.

Como o salário
mínimo impede que muitos jovens (inclusive um número desproporcional de
minorias) consigam empregos básicos, eles nunca poderão desenvolver as
habilidades necessárias para aspirar a empregos que paguem melhores salários.  Como consequência, vários recorrem à
criminalidade, enquanto outros recorrem ao assistencialismo governamental. 

Defensores do
salário mínimo argumentam que é impossível sustentar uma família quando se vive
apenas com um salário mínimo.  Sim, é
verdade.  Mas isso é totalmente
irrelevante, pois os empregos que pagam salário mínimo não foram feitos para
sustentar uma família. 

O certo seria que
as pessoas optassem por não iniciar uma família até que estivessem ganhando o
suficiente para sustentá-las.  Empregos
de baixos salários servem para capacitar os trabalhadores a, com o tempo,
adquirirem as habilidades necessárias que os permitirão ganhar salários altos o
suficiente para sustentar uma família. 
Será que alguém realmente acha que um adolescente que trabalha como
entregador de jornal deveria ganhar um salário capaz de sustentar
uma família?

A única maneira
de se aumentar salários é aumentando a produtividade.  Se os salários pudessem ser aumentados
simplesmente por decreto governamental, poderíamos determinar o salário mínimo
em $10.000 por mês e todos os problemas estariam resolvidos.  Já deve estar claro para todos que, nesse
nível, a maioria da população perderia seus empregos, e a mão-de-obra remanescente
seria tão cara que os preços dos bens e serviços iriam disparar.  Este é exatamente o fardo que as leis de
salário mínimo impõem aos trabalhadores pobres e pouco qualificados – e, em
última instância, a todos os consumidores.

Dado que nossos líderes não conseguem compreender
sequer este simples conceito econômico, por que ainda há pessoas que acreditam
que eles irão solucionar os problemas econômicos bem mais complicados que nos
assombram atualmente?

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122 comentários em “Salário mínimo, estupidez máxima”

  1. Como diria L.V. Mises – A simples idéia de um salário mínimo é sinal de ignorância máxima. Concordo perfeitamente: Os salários são determinados pela produtividade marginal do trabalho.

  2. Carlos Alexandre

    PREZADO LEANDRO:\r
    \r
    \r
    há uma situação curiosa, que não consigo decifrar; cruzando a tabela do site \r
    \r
    IndexMundi referentes a existencia ou não de salário mínimo com a tabela do valor do \r
    \r
    salário mínimo, constatei que a existencia do piso salarial “puxa” a média salarial \r
    \r
    para baixo, enquanto nos países sem tal piso, a média salarial é ascendente; como \r
    \r
    isso é possível?\r
    \r
    Um abraço!\r

  3. Se um empregador está dispoto a pagar 300 reais para seu empregado. E o empregado está de acordo em receber essa quantia. Por que eu não posso pagar? Que coisa ridiciula isso

  4. Carlos Alexandre:\r
    \r
    Com salário mínimo, aqueles empregos que pagariam menos em um determinado momento, não poderiam ser exercidos, logo o desemprego aumenta. Ou seja, mais gente disponível para trabalhar, e pela simples lei da oferta e da demanda… quanto mais oferta(desempregados) existir, menor será o valor desse “bem”… E como a demanda(empregadores) não pode absorver toda essa oferta, o preço cai ainda mais.\r
    \r
    Sem a lei de salário mínimo, menos gente fica desempregada, o que significa que o valor do trabalho aumenta, porque existe uma escassez de mão de obra, então os salários são maiores.\r
    \r
    Tão simples, tão óbvio… e os governos ignoram isso…

  5. Nas economias planificadas, onde o governo em tudo se mete catastroficamente, os contratos entre duas pessoas, o trabalhador e o patrão, em verdade, são celebrados entre três agentes. Pois o governo é o terceiro elemento a “proteger o trabalhador” contra a sanha lucrativa do empregador. Claro que só causa desastres. Nosso FGTS é uma poupança sequestrada a baixos rendimentos, nossa aposentadoria pública será uma esmola. O salário mínimo é só mais uma das “leis sociais” que em nada protegem quem produz. Ouço amigos o dia todo dizerem: “O governo deveria fazer uma lei para…”. E imaginem as opções de complemento desta frase, Nenhuma delas traduz-se em mais ganho real a quem trabalha e produz. Somente eleva o custo e o tamanho da burocracia que nos desemprega e nos desqualifica, emperrando quem imagine ter um negócio próprio. Estes sim, nas eleições, encontram políticos sedentos por seus votos, que lhes retribuirão com mais mentiras econômicas, criando dinheiro, mas não poder de compra ao povo. Quando leio os artigos aqui publicados fico imaginando que milhares de pessoas possam tê-los lido e compreendido. Porém logo em seguida caio na real, vendo que pouquíssimos têm real interesse em debates do tipo, ou em qualquer debate de qualquer tipo. As pessoas não têm mais dúvidas quanto aos atos desastrosos praticados por políticos; aceitam-lhes passivamente. Pagam caro para não te de pensar nem de se incomodar com nada.

  6. Angelo:

    Realmente é desesperador pensar o quanto nadamos contra a maré lendo e discutindo sobre um mundo onde o mercado é livre do governo.

    A meu ver o federalismo em nivel estadual, municipal ou até menor seria um dos unicos caminhos. Onde um número relevante de pessoas esclarecidas resolva lutar pela liberdade num nível mais local. Pensar no federal em nosso país desanima, muita gente sem cultura pra pesar na balança. Democracia é ilusão.

  7. Carlos Assumpção

    Atualmente estou na Argentina estudando, aqui o salário minimo é de 1.500 pesos, segundo dados de Janeiro de 2010, ou seja aproximadamente R$750 ou US$ 385. Aqui perto da onde moro tem um Carrefour, aonde faço minhas compras e é o único supermercado do bairro. O que me chamou atenção são as filas que encontro nos caixas e a quantidade limitada de caixas trabalhando.
    É visível a necessiade de mais pessoas para agilizar o serviço, porque muitas vezes as filas estão até o meio do supermercado, maior que as filas encontradas nos supermercados do Brasil.
    O Carrefour é uma das maiores redes de supermercado, e com certeza preza pelo atendimento do seu cliente. Com certeza haveriam mais caixas atendendos se não houvesse uma legislação com um salário mínimo.

  8. Não deixem de ler a “Época” desta semana. A capa apresenta a seguinte pergunta: por que tudo é tão caro no Brasil? A resposta é inequívoca: impostos, impostos, impostos.
    Atenção: ao lerem a reportagem, tomem um Engov antes e outro depois. Os números apresentados pela revista embrulham o estômago de qualquer um. Acredito que “Época” prestou um grande serviço à causa da liberdade.

  9. Hélio,

    Muito obrigado pela indicação do vídeo da Fonft! Encaminhei hoje para as listas de discussão de graduação, mestrado e doutorado da minha faculdade e recebi a seguinte resposta de um entre as centenas de alunos cadastrados nas listas, com cópia para o responsável pelas listas de discussão:

    “Olha, acho que usar a lista de doutorado pra SPAM não é permitido pelas regras do
    instituto. Especialmente SPAM eleitoral.
    Seria bom cortarmos o mal pela raiz antes que vire zona de guerra o que deveria ser um
    fórum de discussão científico.

    Minha pequena cota agradece.”

    Pelo conteúdo claramente ignorante, preconceituoso e socialista da resposta, dá pra ver que o vídeo já começou a surtir efeito 🙂

  10. E pensar que o candidato à presidência José Maria de Almeida, do PSTU, defende o salário mínimo em R$ 2.500,00 huahuahuahuahua… na sua candidatura em 2006 ele defendeu R$ 1.500,00. Que piada! E qual empregador estaria disposto a bancar tudo isso? Os socialistas mais extremos sempre acabam viajando na utopia kkkkk…. só sabem olhar as coisas sob a ótica do trabalhador e sempre acham que empresários são meros burgueses que não trabalham… eu e o meu irmão somos sócios numa empresa e trabalhamos muito mais que qualquer funcionário que temos aqui… somos os primeiros a chegar e os últimos a sair… inclusive trabalhamos fins de semana e feriados se precisar… certos conceitos nem servem mais para os dias de hoje… Marx morreu faz muito tempo!!!! Abram os olhos viúvas de Marx…

  11. mcmoraes, com certeza surtiu efeito, o raciocínio não tem falhas. O argumento do gestor da lista para vetar o video (conteúdo político) revela bastante sobre a honestidade intelectual dele.

  12. Chang, este candidato é um explorador! Quem consegue viver com R$2.500? O salário mínimo tem que ser R$ 20.000! Assim a pobreza acaba de vez, heheheh (por que não?)

    E na verdade Marx se posicionava contra leis trabalhistas de salário mínimo, de diminuição de horas de trabalho e de qualquer uma que pretendesse melhorar as condições dos trabalhadores. Ele considerava que estes esforços não só eram em vão, como também trabalhavam contra os interesses dos proletários, pois apenas atrasavam o inexorável surgimento do socialismo, que surgiria, segundo ele, quando o capitalismo atingisse seu auge e se tornasse insustentável.

  13. Interessante tema. Mas meu parco conhecimento a respeito ainda me deixa em cima do muro sobre a vantagem ou desvantagem dum salário mínimo. Por exemplo, deu-se aqui um exemplo das filas dos caixas de supermercado, sustentou-se que se não houvesse salário mínimo elas tenderiam a diminuir, aceitando que assim se contrataria mais gente. Mas aí a coisa começa a se complicar pra mim. Contrataria mais por quê? Porque poderia pagar qualquer coisa a preço de banana? E o trabalhador, tendo que trabalhar, veria-se obrigado a aceitá-lo? Admitindo boa-fé por parte do empregador e bons lucros devido a grande demanda, não havendo salário mínimo, o que garantiria que ele pagasse um pagamento justo?

    Sem dúvida, um tema obscuro pra mim.

  14. O problema da especulação do texto é que ela não leva em consideração que, com excedente de força de trabalho, a não imposição de um salário mínimo levaria à condições trabalhistas equivalentes à da revolução industrial.
    O exemplo do caixa de supermercado é engraçado porque demonstra quão pequeno burguês são alguns leitores do site. Qual a importância do tamanho da fila do caixa de supermercado em comparação com o valor recebido pelo trabalho de uma pessoa? Você cortaria 15 minutos de espera no supermercado mesmo sabendo que em troca alguma pessoa de meia-idade que trabalharia por um valor “abaixo” do mínimo no caixa poderia não ter dinheiro para comprar seus remédios no fim do mês?

  15. Um problema do site que é de interesse de vocês: esse artigo está marcado com a tag “Salário mínimo”, mas quando eu clico nesse link, a página (www.mises.org.br/SearchByTag.aspx?tag=Sal%C3%A1rio-m%C3%ADnimo) diz que nenhum registro foi encontrado em nenhum lugar.

    Tem algo errado aí, e consertar vai ajudar muito…

    Acho que já disse antes, mas nunca é demais: parabéns pelo site. Fundamental pra entender o mundo.

  16. Pelo FB, uma pessoa expôs os seguintes argumentos. Fiquei sem resposta:

    “então como explicar o emprego pleno de hj?

    A sua teoria fura quando se esquece de que aumentar a produtividade implica apenas em lucrar mais em cima das costas do trabalhador e não em um aumento do salário.

    os empresários não aumentam salários baseado na receita, mas sim baseado na escassez e na disputa com sindicatos.

    então, se o governo avaliar que a produtividade mínima de um trabalhador no nivel tecnológico atual é de X reais, ele colocará o salário mínimo próximo desse X. Assim garante a quantidade de empregos e não permite uma super-exploração que retira gente do mercado consumidor – e consequentemente do emprego, uma vez que quem não tem verba pra sobreviver não fica muito tempo no emprego e decide entrar para o crime ou para a informalidade.”

  17. Leandro, você disse que o aumento de quantidade de dinheiro reduz o desemprego, efetivamente contrapondo os prejuízos que seriam causados por um salário mínimo.

    No entanto, me veio a cabeça um questionamento: com qual frequência cenários em que há grande oferta monetária ocorrem? Esse cenário pode ser manipulado pelo governo?

    O que me ocorreu é que se a oferta generosa for algo frequente, ou manipulável, então o salário mínimo realmente não é um problema significativo na maioria das vezes. Porém se esse não for o caso e a oferta monetária só for grande em exceções, daí sim haveria o prejuízo.

    Basicamente, se Oferta Monetária Grande ocorre em >50% do tempo, prejuízo do SM não é tão significativo.

    Espero que tenha compreendido, e aguardo resposta.

  18. Emerson Luis, um Psicologo

    Além de tudo, o salário mínimo é um indexador. As pessoas são tão acostumadas com a existência de um salário mínimo que não conseguem imaginar como poderia ser melhor sem ele.

    * * *

  19. “Defensores do salário mínimo argumentam que é impossível sustentar uma família quando se vive apenas com um salário mínimo. Sim, é verdade. Mas isso é totalmente irrelevante, pois os empregos que pagam salário mínimo não foram feitos para sustentar uma família”. O articulista esqueceu que o próprio Mises, a título de defender o capitalismo como único modelo aceitável de produção, em palestras proferidas na Argentina, transcritas e publicadas aqui mesmo, pelo Instituto Mises, defende que “o capitalismo se remunera a si mesmo”, ou seja, os salários pagos na economia são usados pelos assalariados para consumir produtos da própria economia. Sendo assim, me parece que surgem dois problemas que não são devidamente abordados no artigo: o que acontece quando os salários caem muito, e o que acontece quando mão-de-obra humana é substituída por automação. Quem vai comprar os produtos que o capitalista vende, buscando maximizar seus resultados?
    Eu penso que a velha lei de oferta e demanda, tão cara dos liberais ortodoxos deveria ser revista. Ela deveria ser revista para lei de oferta, demanda e risco, onde o risco seria uma curva hiperbólica ou parabólica sobre as retas de demanda e risco. Essas curvas, no meu entender, ajudam perfeitamente a explicar o que acontece quando um cenário econômico leva a um dos extremos da curva. Como exemplo, eu cito os modelos atuais de concessão privada, ou de privatização: em certos setores, ainda é difícil desenvolver um modelo de concessão privada que atenda todos os interesses envolvidos, e que continue competitivo para justificar uma privatização adequada para um aumento de eficiência do serviço.
    O liberalismo funciona perfeitamente bem perto do centro das curvas, com ofertas e demandas razoáveis, e com uma curva de risco aceitável. Mas talvez as pessoas nem saibam do que eu estou falando. Quando a economia se desloca para esses extremos, todos os economistas são curandeiros, e aí aparecem os Bernankes, as Merkels e as Yellens da vida. A solução, no meu entender, seria buscar deslocar as curvas para o centro.
    Essas curvas que eu citei, e o exemplo do salário acima, são as razões pelas quais eu ainda tenho minhas dúvidas se o capitalismo seria realmente sustentável ou não.

  20. O salário mínimo é uma lei cruel que além de excluir os pobres e os menos capacitados do mercado de trabalho ainda obriga que os patrões exijam mais dos seus funcionários.

    Se eu por exemplo quero pagar um salário de 100 reais por mês para que uma pessoa sem nenhuma qualificação venha todos os dias a minha casa apenas trocar a água do meu cachorro eu sou impedido pela lei.

    Diante dessa situação eu serei obrigado a exigir que meu empregado execute muito mais funções do que apenas trocar a água do meu cachorro. Agora ele vai ter também que levar pra passear, dar banho, alimentar, levar no veterinário etc. Tudo isso resultado do custo mínimo estipulado de forma autoritária pelo governo.

  21. O que dizem sobre isso?

    27/11/2014 18h05 – Atualizado em 27/11/2014 18h05
    Justiça condena fazenda por trabalho escravo no Sul do Piauí

    Nove trabalhadores ajuizaram ações contra a Fazenda Água Branca.
    Empresa também foi condenada ao pagamento de indenização individual.

    G1

    A fazenda Água Branca, situada em Palmeira do Piauí, a 629 km ao Sul de Teresina, foi condenada pela Justiça do Trabalho pela prática de trabalho degradante, uma das modalidades do trabalho escravo contemporâneo. O juiz do trabalho Carlos Wagner Araújo Nery da Cruz, titular da Vara de Bom Jesus, reconheceu o crime de trabalho escravo, condenando a empresa ao pagamento das verbas de indenização trabalhista e de indenização individual no valor de R$ 60 mil pela prática irregular.

    A Fazenda Água Branca foi acionada judicialmente em novembro de 2013 na Vara do Trabalho de Bom Jesus. Os reclamantes alegaram que foram vítimas de trabalho degradante, informando que bebiam água de carro-pipa com ferrugem e que faziam suas necessidades fisiológicas no mato. Além disso, ficavam alojados em barracos de palha, sem condições adequadas para descanso. Os trabalhadores eram catadores de raiz, uma atividade de limpeza do solo antes do plantio da soja.

    Na sentença, o juiz do Trabalho Carlos Wagner reconheceu as condições degradantes de trabalho alegadas, com lesão ao meio ambiente do trabalho digno. O juiz também reconheceu a configuração do crime em tese, previsto no art. 149 do Código Penal Brasileiro, que trata de situação análoga a de escravo, determinando que a sentença fosse remetida ao Ministério Público Federal para as providências legais. Agora cabe ao MPF ajuizar a ação penal correspondente para condenação dos infratores.

    Condenação
    Cada trabalhador que ingressou com a ação teve o vínculo empregatício reconhecido e recebeu em torno de R$ 45 mil de indenização. A empresa também foi condenada ao pagamento de indenização individual no valor de R$ 20 mil para cada trabalhador, pela configuração do trabalho degradante. A sentença transitou em julgado, não cabendo mais recurso.

    –> Como seria evitados trabalho escravo sem a CLT e o Ministério Público?

  22. Barbalho eu me refiro às seis lições que ele proferiu na Argentina, publicadas aqui.

    “Quais seriam os pontos fracos que ele “atenuou”? Cite-os e desenvolva seus argumentos.”

    Primeiro, eu entendo que, se alguém afirma algo, deveria mostrar alguma pesquisa que endosse o que afirma. Não se vê, em nenhuma afirmação, ou citação histórica feita nas palestras, nenhuma referência a nenhum artigo ou obra que possa ser consultada.

    Segundo, a discussão era sobre salários. Mises defende em “O Capitalismo” que o modelo de produção que ele propõe deve se fechar com o pagamento de salários. Eu propus discutir o que poderia acontecer se os salários diminuíssem muito. Nem tentei entrar no mérito do que aconteceria se eles aumentassem, ou se de alguma forma se tentasse vincular salário a produtividade. O pessoal daqui aparentemente se ofendeu com tudo o que eu escrevi, e colaram um monte de artigos para eu ler que parecem sugerir que as atividades que eu conheço como “primárias” e “secundárias” deveriam ser automatizadas, e por conseguinte, a maioria do trabalho nessas atividades, substituído por máquinas, uma vez que a máquina atende melhor o interesse dos consumidores. Pelo que eu entendi, o que se defende aqui é o sistema do “invente o seu próprio trabalho”. Não vi nada sobre isso aqui, mas vou procurar estudar mais, porque pelo visto estou desatualizado. Eu só não entendo se ainda vai fazer sentido pagar pelos bens produzidos nessas atividades. Mas enfim, talvez eu que não seja tão criativo, não é mesmo?

    Vou ler Ação Humana, porque já notei que só quem lê a bíblia pode falar sobre religião para você, não é mesmo?

    Eu nunca disse que “se eu não conheço algo, é porque ele ainda não foi feito”. Se Mises já fez o que eu escrevi ali em cima, vou procurar no livro que você citou. Até lá, vou parar de aborrecê-lo com minhas irrelevâncias.

    “O exemplo da NASA é péssimo. A ciência de altíssimo nível que a NASA faz não chega tão frequentemente até nós (eu nunca quis dizer que não chega. Digo que pode não chegar tão rápido, nem sempre.). Há MUITAS (não todas) soluções que a NASA acha que DEMORAM (não quer dizer que não cheguem) a chegar até nós.”

    Mas sou eu que cometi erros básicos de interpretação, não é mesmo?

    “Veja o que foi dito no artigo linkado:

    “A NASA recentemente produziu uma máquina altamente sofisticada que foi criada em uma impressora 3-D extremamente cara e específica. Em vez de levar um ano para produzir a máquina, a impressora 3-D fez o trabalho em apenas quatro meses — ou seja, reduziu os custos de produção em 66%.”

    Aqui você diz “O trecho acima não está chamando atenção para a NASA, mas sim para as impressores 3-D, que nada têm a ver com a NASA!” O texto usa um exemplo de um procedimento testado na NASA, para demonstrar o interesse no próprio procedimento! Dizendo isso, você comete aquela famosa falácia do espantalho, para descaracterizar meu argumento. Em seguida, você comete outra, de me agredir (pelo menos eu me senti agredido porque você me tacha de ignorante), chamada falácia Ad Hominem: “Impressoras 3-D são uma invenção do setor privado e que estão se tornando cada vez mais comuns nos países mais avançados. Veja um exemplo básico aqui: http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1339

    Antes que você diga que eu fui injusto, comparando seu raciocínio a uma mentalidade religiosa, veja o exemplo que você deu: “A NASA entrou naquele parágrafo como Pôncio Pilatos no Credo. Foi só uma citação. O objeto de estudo eram as impressoras 3-D, muito comuns nos EUA, mas sobre as quais você aparentemente nada sabe”. Repare também na ironia Ad Hominem.

    Aliás:

    “Dica: informe-se melhor sobre o mundo antes de sair emitindo opiniões. Senão você continuará passando vergonha.

    P.S.: Não perdi meu tempo lendo o resto do seu comentário. Se até a metade da escrita você cometeu erros crassos e até mesmo básicos de interpretação, dificilmente haveria algo com o qual eu pudesse aprender no restante do seu texto. E eu só leio coisas que me são instrutivas (só com o que você concorde, ou o que caiba na sua cabeça). A vida é curta.”

  23. Estou no ensino médio e ainda estou pesquisando e lendo muito sobre economia, por isso não tenho o conhecimento suficiente para entrar um uma discussão, mesmo que muitos da minha idade insistem em fazer isso sem ao menos estudar. Incrível como uma coisa que para mim parecia tao boa e obvia pode/(tem que)ser questionada, nunca antes pensei que o salario minimo podia ser uma coisa “maligna”, acho que a escola deveria mostrar mais, os lados diferentes que podem existir de diferentes assuntos, isso me da muita raiva, pois vejo que não querem me educar para ter um pensamento critico, e sim me doutrinar.

  24. Leandro, estava vendo aqui o histórico de salários médios dos brasileiros.
    Em 2004, esta média era de R$ 1.197 e, em 2014, era de R$ 1.725. Ou seja, um aumento nominal de 44,1%, sendo que, no mesmo período, o IPCA acumulado foi de 54,03%. Isso quer dizer que os assalariados brasileiros tiveram uma perda real de quase 10% nesses 10 anos. Está certo meu raciocínio? Abrç.

  25. Na prática, isso iria funcionar? Quer dizer, pra mim essa discussão não tem valor nenhum, já que isso nunca vai ser aplicado nesse país, além disso a maioria das pessoas desse site fala de forma muito fria e pouco humana, eu não acho que vocês conseguiriam convencer ninguém do seu ponto de vista assim. Mais uma coisa, as pessoas não escolheram viver nesse sistema, se existe um mercado ou estado ele existe por causa do contrato social entre o indivíduo e a outra parte, se essa outra parte não dá meios para o sustento do indivíduo o contrato fica nulo e o indíviduo pode voltar a praticar o que faria se estivesse numa selva, ou seja matar e roubar, logo é isso que vai acontecer se uma maioria não tiver meios de se sustentar, ou pior alguma liderança oportunista fascista tomar conta do país

  26. Bom, o ponto de vista não precisa ser original, já que a a violência é a mesma, privar o ser de algo que lhe pertence, o ponto de vista só pode ser a revolta. Quer dizer, imagina que você está com fome e com sede e ninguém quer te dar nada nenhum emprego, nenhuma ajuda ( espera! acabei de perceber que estou falando com alguém sem empatia) ironias a parte, o sujeito não tem de aceitar mercado nenhum, ele pode simplesmente matar você, daí você explica pra ele que a atitude dele não é original, afinal nossa! matar uma pessoa pois você não tem como sobreviver! que coisa mais clichê… E sinceramente esse fundamentalismo de mercado é irritante, é sério, se querem fundem uma cidade e apliquem ali suas teorias, só não esperem tomar o Brasil democraticamente pois isso não vai rolar…Na real poderia existir uma cidade pra cada ideologia pra ver qual funciona melhor, daí nós iríamos ver o que realmente funciona, até lá esses argumentos nunca vão suplantar a realidade de uma experiência real. E por favor responda desconsiderando o ser humano e suas necessidades, foque só no mercado pois ele é um Deus, superior a qualquer coisa.

  27. Hei de concordar com parte dos argumentos apresentados contra o salário mínimo. Mas foi muito simplório atribuir isso como causa de desemprego para alguns casos citados, há de se considerar que o surgimento de novas tecnologias sao fatores muito preponderantes para causar isso do que o salário mínimo em si, uma vez que é muito mais lucrativo para a empresa empregar uma máquina que nao tem fome, sede, nao reclama e nem tem problema de repetibilidade, do que empregar um ser humano, propenso a todo tipo de erro.

    Além disso, alguns argumentos sao questionáveis. Por exemplo, se a empresa precisa de um mecânico e está disposta a pagar $6 a hora (usando números do texto), mas a legislacao determina que se deva pagar $7.5, é pouco provável que a empresa deixe de contratar o meânico e coloque um engenheiro mecânico para fazer esse mesmo trabalho, por dois motivos: 1) a empresa precisa desse servico e todos os mecânicos tem o mesmo preco, devido a legislacao; 2)seria um desperdício colocar o engenheiro pra apertar parafusos em vez de dedicar suas horas projetando um novo modelo de máquina que trará toneladas de lucros em vendas. Entao, nao vejo sustentacao nesse argumento apresentado.

  28. Nem os defensores do salário mínimo acreditam na defesa do salário mínimo.

    Tudo é questão de produtividade e da lei de oferta e procura, não canetadas de sindicatos e políticos. Tanto é verdade que em crises não se aumenta salário mínimo, no máximo se reajusta pelo valor da inflação.

    Se fossem leis de salário mínimo que aumentasse nossa renda, seria exatamente em crises que o salário mínimo deveria aumentar de 10 a 20%.

  29. Pra começar, o que gera valor é competência, não qualificação.

    Alguém acha razoável que exista algum salário, em uma função viável, que gere menos valor que o salário mínimo?

    O salário mínimo é muito mais um acalmador de ânimos, um cala a boca e toma, em um sistema econômico com altas restrições artificiais de entrada, que serve apenas para sustentar uma série de atividades que não geram nenhum tipo de valor, mas que existem por exigências legais ou que sevem de solução para um problema criado pela própria existência do Estado.

  30. Eu tenho uma pergunta muito loka. Sei e entendo perfeitamente tudo o que dizem mas, com o “intuito de dininuir o gasto absurdo do governo com os salários dos juízes e políticos, e outros funças”, o novo governo lokão aí, colocasse o salário mínimo para 30 mil reais? Ia ficar muito próximo do que muitos juizes ganham, iríamos ter uma inflação absurda nos segundos seguintes e os impostos recolhidos na sequência também seriam proporcionais, ou seja, a gente teria mais dinheiro mas os funcionários públicos o salário diminuído. Aí, se tentassem aumentar o salário na canetada, o Presidente vetasse. Pronto, já dá uma parada na palhaçada.

    Aí depois poderia-se cortar 3 zeros, sei lá, pra ninguém ficar milionário como na Venezuela mas nada valer. A idéia não é crescer o salário entende? É diminuir o gasto com funcionalismo.

    Isso daria certo? Quais seriam as implicações se fizéssemos isso de forma calculada e com esse propósito?

  31. Daniel Tavares Herculano

    Na prática parece excelente, mas se houver uma concorrência agressiva entre os trabalhadores, não jogando o preço pra cima (independente da qualificação), mas para baixo, sem garantias mínimas como garantir um leilão inverso desses trabalhadores?

  32. Um bom exemplo dessa ideia de salário mínimo é comparar China x Brasil, em 2015 a renda média dos chineses superou e está ampliando a renda dos brasileiros. A medida que os investimentos e qualificação aumentam a produtividade também aumenta, o salário é só o resultado dessa equação.

  33. Do ponto de vista empresarial podemos considerar trabalhadores de modo semelhante a produtos. Utilizar produtos pelo preço ou qualidade? E o custo benefício?

  34. Uma dúvida:

    “Antes de contratar outro empregado, o empregador precisa estar verificar se o novo empregado irá trazer um acréscimo de produtividade que exceda esse custo suplementar (o qual inclui não apenas o salário, mas todos os encargos sociais e trabalhistas.) ”

    Para um funcionário da área de vendas penso é fácil medir a produtividade/retorno que ele está trazendo a empresa. Basta verificar o quanto ele vendeu, considerando a margem de lucro dos produtos vendidos e verificar se isso é maior que o salário/encargos pagos a ele.

    Mas como o empregador mensura essa produtividade para funcionários de outras áreas ? Exemplo:

    Numa lanchonete/restaurante: como saber o funcionário da limpeza gera tanto X reais de retorno para a empresa ? como saber o retorno específico gerado por um funcionário do setor administrativo?

  35. José Vine Nunes Martins de Araújo

    Mas aí, por exemplo, se o salário de um trabalhador aumenta, consequentemente seu poder de compra também vai aumentar. Ele consumiria mais e a alta demanda exigiria aumento de produtividade das empresas, o que trazia lucro. Se eu estiver errado em algum ponto, poderiam me explicar? Excelente artigo!

  36. NILTON GERALDO DE CARVALHO

    Essa semana presenciamos a aprovação do piso salarial da Enfermagem.

    Mais uma vez vimos a intromissão do estado, os encargos aumentarão, haverá demissões significativas.

    As admissões serão cada vez mais criteriosa, os iniciantes terão menores oportunidades.

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