A “concorrência predatória” — também chamada de
prática de “preços predatórios” — ocorre quando uma determinada empresa começa
a vender seus produtos abaixo dos custos de produção. O objetivo é quebrar todas
as empresas concorrentes e, com isso, assumir o monopólio do mercado.
Ato contínuo, uma vez que todos os concorrentes
estiverem quebrados, essa empresa agora monopolista irá aumentar os preços a níveis
estratosféricos, prejudicando enormemente os consumidores. E essa situação permanecerá
assim praticamente até o fim dos dias.
Essa, ao menos, é a teoria.
Mas só há um problema: isso nunca ocorreu na prática.
Até seria possível ocorrer, porém as chances são as
mesmas de você descobrir a cura do câncer enquanto prepara uma sopa de
tartaruga. As razões são várias. Eis algumas.
A
realidade
O professor Thomas
DiLorenzo — um dos grandes especialistas mundiais do tema –, quando
dava aulas de MBA para executivos da Black & Decker, propôs a eles a
seguinte estratégia para conquistar mercado: “O que os senhores acham de
sugerir ao seu empregador que pegue uma furadeira que custa $ 10 para ser produzida
e comece a vendê-la por $ 1 durante um período indeterminado de tempo — pode ser
tanto 5 anos quanto 50 anos –, até que todos os demais fabricantes de
furadeira do mundo vão à falência, e então, após isso, ele possa cobrar $ 500
por essa furadeira?”
Os executivos, às gargalhadas, disseram que, se propusessem
isso, certamente seriam demitidos no ato.
Mesmo sendo risível para qualquer pessoa do ramo, vale
ressaltar que essa teoria é ensinada pela economia convencional, é aceita pelos
alunos que não refletem um segundo a respeito dela, e é colocada em prática por
governos, que a utilizam para proteger empresas ineficientes e prejudicar
empresas eficientes.
Comecemos pelo básico.
Para que uma empresa consiga expulsar suas
concorrentes do mercado praticando preços “excessivamente” baixos, ela não apenas
deve reduzir seus preços como também deve expandir
suas vendas. Lembre-se: o objetivo é exatamente capturar o máximo possível de
clientes de todos os concorrentes, pois só assim eles irão à falência.
Porém, quando uma empresa aumenta suas vendas a preços
abaixo do custo de produção, esta empresa necessariamente irá incorrer em
enormes prejuízos. A lógica é direta e puramente contábil: se você passa a ter
um prejuízo de $ 10 por produto vendido, quando mais produtos você vender,
maiores serão seus prejuízos.
Logo, quanto maior a escala de produção de uma
empresa, maiores e mais impactantes serão os prejuízos. (Daí as gargalhados dos
executivos da Black & Decker).
Pois bem
Enquanto esta empresa está incorrendo em vultosos prejuízos,
suas concorrentes, embora também tenham de reduzir seus preços para valores
abaixo do custo de produção, terão uma vantagem que a empresa predadora não possui:
elas poderão reduzir suas vendas durante a guerra de preços com o objetivo de
manter seus prejuízos em um mínimo.
A teoria econômica básica deixa claro que uma
empresa que tentar monopolizar um mercado cobrando preços abaixo dos custos de produção
irá infligir a si própria prejuízos maiores do que aqueles que eventualmente
conseguir infligir em qualquer um dos concorrentes que ela estiver tentando
quebrar. E, quanto maior o número de concorrentes esta “predadora” estiver
tentando quebrar, maiores serão os prejuízos auto-infligidos por ela.
Mas ainda há outros detalhes.
Auto-destruição
do capital
Como explicado, se uma empresa reduz seus preços
para um valor menor do que os custos de produção e aumenta suas vendas — sendo
este, afinal, seu objetivo — seus prejuízos serão tanto maiores quanto maior
for o volume de vendas.
Ao operar no vermelho, por definição, essa empresa
está destruindo seu capital. Seu patrimônio líquido está encolhendo. Ela está,
na melhor das hipóteses, queimando reservas que poderiam ser utilizadas para
investimentos futuros.
Pois bem. Suponha então que, após vários meses no
vermelho, esta empresa finalmente consiga quebrar todos os concorrentes
(lembrando que, em uma economia globalizada, a concorrência de uma empresa pode
estar em qualquer localização do planeta). Qual a situação agora?
Ela de fato está sozinha no mercado, porém bastante
descapitalizada, e sem capacidade de fazer novos investimentos. A intenção
desta empresa é voltar a subir os preços para tentar recuperar os lucros de
antes. Só que, ao subir os preços, ela estará automaticamente convidando novos
concorrentes para o mercado, que poderão vender a preços menores.
Pior ainda: estes novos concorrentes poderão
perfeitamente estar mais bem capitalizados, de modo que é esta “predadora” quem
agora estará correndo o risco de ser expulsa do mercado. Seus concorrentes
poderão vender a preços mais baixos e sem ter prejuízos, ao passo que a “predadora”
terá necessariamente de vender a preços altos apenas para recuperar seus
lucros.
Ou seja, ao expulsar os concorrentes do mercado, a “predadora”
debilitou seu capital a tal ponto, que ela inevitavelmente se tornou a próxima
vítima da mesma prática que aplicou sobre os outros.
Este é apenas mais um motivo por que tal prática não
é observada no mundo real. Ela é completamente irracional. Um empreendedor que
incorrer em tal prática estará destruindo o capital de sua empresa, correndo o
risco de quebrá-la completamente. Um CEO com esta “sabedoria” não duraria um
dia no livre mercado.
Só
o governo pode realmente distorcer
Por tudo o que foi dito acima, fica claro que, mesmo
que uma empresa de fato consiga quebrar todos os seus concorrentes (uma
impossibilidade prática, mas, pelo bem do debate, vamos considerá-la), ela só
será capaz de voltar a subir acentuadamente seus preços e ainda assim manter
uma posição monopolista se ela conseguir
impedir o surgimento de novos concorrentes.
Em uma economia globalizada, isso é impossível. Porém,
em termos puramente nacionais, tal arranjo muda. Se o governo fechar as
fronteiras para a importação (ou, o que praticamente dá no mesmo, impor exorbitantes
tarifas de importação), burocratizar tremendamente a economia nacional de modo
a impossibilitar o surgimento de novas empresas concorrentes, e ainda subsidiar
esta “predadora”, aí de fato é realmente possível haver um exemplo de “concorrência
predatória”.
Ou seja, a prática de “preços predatórios que gera
poderes monopolistas” pode sim ser muito viável em um mercado totalmente
regulado e protegido pelo governo, no qual não existe liberdade de entrada para
a concorrência, o governo concede subsídios à predadora, e a população é
proibida de importar produtos concorrentes.
Mas aí, neste caso, obviamente não temos uma falha
de mercado, mas sim uma catástrofe gerada pelo intervencionismo estatal. Em um
mercado assim, no qual o que vale é a amizade com políticos, qualquer incapaz
prospera.
A
ação do governo também gera outra consequência nefasta
Exatamente porque uma das principais características
de uma saudável concorrência de mercado é a pressão baixista que ela impõe aos preços
(ver aqui e aqui), se os governos
estiverem ávidos para atuar ao sinal de qualquer reclamação de “concorrência predatória”,
então aquelas empresas mais ineficientes e incapazes de concorrer abertamente irão
recorrer ao governo em busca de ajuda e proteção, acusando seus concorrentes
mais capazes e mais empreendedoriais de estarem praticando “preços predatórios”.
Adicionalmente, o temor de serem perseguidas e
processadas fará com que as empresas mais eficientes fiquem mais relutantes em
reduzir seus preços para valores abaixo dos da concorrência, pois sabem que, se
fizerem isso, poderão ser atacadas pelos departamentos, agências reguladoras e
ministérios do governo pela prática de “concorrência predatória”.
A consequência é que a simples existência da
possibilidade deste ataque estatal é um dos fatores que impede uma redução de preços
que beneficie os consumidores. Assim, a competição econômica, em vez de ser
estimulada, é bloqueada.
Conclusão
Pesquise o histórico econômico o tanto que você quiser.
Faça isso da maneira mais cuidadosa e detalhada possível. E você verá que este
histórico confirma a conclusão das sólidas teorias econômicas: você não irá
encontrar um único exemplo claro de uma empresa adquirindo genuínos poderes
monopolísticos por meio da suposta prática de “preços predatórios”.
Os governos e suas agências e ministérios, caso
estivessem sinceramente comprometidos em manter os mercados os mais
competitivos possíveis, deveriam anunciar, de maneira inequívoca e
incondicional, que jamais irão levar novamente a sério qualquer acusação de
prática de “concorrência predatória”.
E, acima de tudo, irão abolir subsídios,
desregulamentar a economia e reduzir tarifas de importação — só para garantir.
Algumas perguntas sobre concorrência para os “exérts” em economia do IMB.
Como é que o Dollynho vai competir com a Coca-Cola?
Como é que o pão de queijo da dona Cleide vai competir com o Starbucks?
Como é que a barraquinha de hambúrguer do seu Zé vai competir com o McDonald’s?
"Mas… Mas… Mas… E a China?! Hein, e a China?!", grita o neocon.
Como sempre, mais um excelente e sucinto artigo.
Somente saliento que, tendo em vista o cenário econômico contemporâneo brasileiro altamente burocratizado, no que tange o empreendedorismo, são imprescindíveis as ferramentas administrativas que todo acadêmico (e os leigos também deveriam saber) aprende no primeiro período da faculdade de administração: Planejamento, Organização, Direção e Controle. São armas fundamentais para ter conhecimento de mercado, estipulamento de materiais com os quais irá trabalhar, tendo em vista a ampla concorrência, os meios que irão ser tomados, tendo em vista a burocratização governamental e, por fim, as maneiras para solidificar o empreendimento por meio da inovação, tendo em vista a economia cíclica. Parabéns ao IML !
Já fiz uma pesquisa sobre isso para um trabalho acadêmico e vi incontáveis reclamações de "preços predatórios" nos últimos 50 anos. Mas todas elas ocorriam quando um concorrente desenvolvia uma maneira menos cara para entregar um produto ou serviço. Nada tinha a ver com "vender abaixo do custo".
Mas há sim ocasiões em que empresas vendem abaixo do custo, mas isso ocorre por várias razões. Em muitos casos elas erraram no custo de produção, ficaram com um estoque caro e agora têm de vender a preço baixo para zerar este estoque. Em outros casos elas querem simplesmente tentar entrar em um mercado competitivo (e isso beneficia totalmente os consumidores).
Mas tudo isso, obviamente, é apenas temporário ou ocasional. Nunca é feito com o objetivo de "quebrar todo mundo e virar monopolista". Isso é delírio de quem nunca operou nem carrocinha de pipoca. Perder dinheiro e pagar para trabalhar com o objetivo de tentar afetar todos os seus concorrentes é uma ideia que faria qualquer capiau rir da sua cara.
Mas se a empresa conseguir economia de escala a ponto de ter lucro após quebrar todas as outra empresas será uma monopolista super, mega, ultra lucrativa.
Ou se for uma empresa estrangeira fazendo dumping, mesmo depois da quebra de todas as empresas de um determinado mercado, vai ter capital em caixa.
Artigo excelente, no entanto, hoje em dia o discurso mudou um pouco. A China é atualmente o país que está no centro dessa falácia, mas ao invés de recorrerem ao argumento usado no vídeo, recorrem a uma outra falácia (também antiga, mas com uma nova roupagem)
A teoria é, que se uma empresa estatal ou privada com privilégios estatais existe em um país com uma população incrivelmente grande e pode praticar a “escravidão”, ela pode então praticar preços predatórios. A lógica é que enquanto as empresas do resto do mundo são obrigadas a incorrerem nos custos de salários e direitos para seus funcionários, as empresas “comunistas” da China não precisam se dar esse trabalho, logo seu custo com isso é 0 e os preços podem ser menores que o resto do mundo.
O resto do argumento é que se não tiver tarifas de importação (protecionismo) para encarecer os produtos chineses, a China dominaria o mundo em 3 semanas.
É claro que isso é uma falácia das mais absurdas, o salário chinês não só existe como segue aumentando nos últimos anos, já é maior que o do brasileiro e etc… Mas seria bom um artigo do instituto separado para refutar esse pessoal que diz que defende “livre mercado mas com protecionismo e com regulamentação”
Eu me lembro que um antigo artigo no instituto chega a comentar brevemente sobre o assunto, comparando um automóvel produzido na Iugoslávia com essa prática escravista com os automóveis produzidos no resto do mundo, seria bom uma ressuscitada nele e um tratando mais intensamente do assunto.
Uma coisa a se pensar.
Se uma empresa pratica um preço muito alto, é monopólio e ela deve ser destruída.
Se pratica um preço muito baixo, é concorrência predatória e ela deve ser processada.
Se pratica o mesmo preço das demais, é cartel e ela deve ser multada.
O CADE Conselho Administrativo de Defesa Econômica tem analisado casos de cartéis e conluios de concorrência predatória e até onde isto é realidade ou não?
Dispenso ironias e falta de argumentos,é uma pergunta honesta e procuro nesta provocação e pergunta uma resposta plausível e convincente para destronar esses esquerdopatas alienados ou mal-intencionados e o que no fim da na mesma desinformar e emburrecer as pessoas.
Não há nenhuma realidade de livre mercado que permita que preços predatórios sejam uma prática sustentável. O que há são apenas empresários ineficientes chorando porque há outros mais eficientes que ele.
Porém, quando o estado entra em cena e escolhe vencedores e perdedores, a coisa muda, e ele de fato consegue tornar possível qualquer deturpação na associação econômica entre humanos. Ainda assim, desconheço algum caso de empresa protegida pelo estado, ou mesmo estatal, que praticou concorrência predatória. Mesmo a porcaria dos Correios não conseguem, com monopólio e tudo. Haja vista a enormidade de transportadoras que há no Brasil.
Charles Foster Kane:
“You’re right, I did lose a million dollars last year.
I expect to lose a million dollars this year.
I expect to lose a million dollars next year.
You know, Mr. Thatcher, at the rate of a million dollars a year, I’ll have to close this place in… 60 years. “
Não sei por quanto tempo, mas um empreendimento utilizado para lavagem de dinheiro poderia tranquilamente manter seus preços abaixo do que é praticado no mercado.
O nome disso não é dumping? Passarei esse artigo para o meu irmão. Foi exatamente isso que ele disse temer, a dois dias atrás, na ausência de intervenção estatal.
No entanto, a Amazon vem DESTRUINDO as pequenas empresas de varejo americanas, devido a estas pagarem mais impostos que ela, a Amazon forma um monopólio através disso e também dos subsídios graças ao financiamento criminoso aos democratas. Mas os liberteens a acham fantástica…
Além disso, os preços predatórios entre os países (leia-se China) também ameaçam a segurança alimentar, como diz o Bolsonaro, estamos perdendo nossas terras agricultáveis. Não estão comprando do Brasil, estão comprando O BRASIL.
Como austeridade nos gastos do governo, gera mais crescimento economico?
Veja, o governo arrecada um trilhão, se ele gasta esse um trilhão, ele joga de volta na economia o dinheiro que ele tirou.
Se ele não gasta, ele retem esse dinheiro contraindo a base monetária, é como se pegasse esse 1 trilhão da economia e botasse fogo.
A pergunta é: Como o governo deixando de gastar, gera produtividade? O simples ato dele não gastar ao invés de gastar, o que já arrecadou, não tem como produzir riqueza ao meu ver.
O que produz é o governo não arrecadar, se ele tira o dinheiro da economia uma vez, é sempre pior que ele retenha esse dinheiro. É melhor que ele gaste o que arrecadou para o dinheiro entrar na economia novamente, isto é, voltar pra onde ele nem deveria ter saído.
Portanto, austeridade por austeridade não é o suficiente, o governo precisa tomar menos dinheiro de quem produz riqueza, se ele vai gastar o que arrecadou ou não, é irrelevante pro dano que já causou ao tirar o dinheiro da economia, no máximo é menos danoso que ele gaste e ponha de volta esse dinheiro na economia.
O governo federal arrecada 1 trilhão, o problema é esse. Tem que fazer ele parar de arrecadar ao meu ver.
Queria uma contra-ponto de vocês, estou nessa reflexão a dias e não consigo seguir em frente.
Abraços
Uma dica que dou ao Instituto Mises, é não publicar metade do argumento explicativo junto com os links nos posts do facebook, isso desestimula a maioria das pessoas a acessarem o site do artigo e pela curiosidade natural seriam levadas a verem os comentários que são uma das partes mais valiosas do conteúdo aqui, as vezes conseguem superar os próprios artigos. Criem textos introdutórios sem explicação imediata ou sintética que estimulem a curiosidade das pessoas entrarem no site do artigo.
Quando o IMB vai fazer uma sabatina dos pré-candidatos? hehe
Socialistas fabianos e desenvolvimentistas querem regular a economia, mas acabam prejudicando muito as pessoas.
Um exemplo é o imposto sobre o cigarro. O aumento do imposto sobre o cigarro criou um mercado negro que já está chegando em 20%.
Ao invés de melhorar a saúde, agora 20% dos cigarros consumidos são contrabandeados e sem a mínima qualidade.
Um cigarro de qualidade era para custar no máximo 7 reais, mas já está custando 9,5 reais.
Blá, Blá, Blá. Quero ver os neo-liberais me responderam a reportagem que passou hoje no Jornal da Globo – remédios custando 30 MIL REAIS! Agora me digam, como uma pessoa de baixa renda vai ter dinheiro para arcar com isso? ela deve simplesmente morrer por causa de uma “ética libertária”? se não fosse o SUS para prover esses medicamentos, as pessoas simplesmente iriam morrer pela ganancia capitalista.
Existe alguma diferença, em termos econômicos, se é uma empresa estrangeira ou nacional que está investindo e gerando emprego no seu país?
Pergunto pois é sempre comum alguém dizer ”Aquela empresa estrangeira vai vir ao nosso país, deveria ser uma empresa nacional”
Intuitivamente, eu não consigo ver diferença alguma, a não ser a bandeira que ela carrega. O lucro que ela tem pode ser re-investido no Brasil, de igual forma a uma empresa nacional.
Eu só consigo imaginar uma desvantagem se ele investir o lucro que teve no Brasil, lá fora..
O capitalismo só é selvagem quando é criado em cativeiro…
* * *
Na realidade isso acontece nas montadoras.
Muitos fornecedores vendem quase sem lucro ou com prejuízo para ganhar o selo de peças originais. Assim na reposição lâmpada Original custa 3 vezes mais caro, vela, amortecedor etc e o lucro está aí .
Recentemente os árabes tentaram quebrar os produtores americanos abaixando o preço do barril a US 30,00 e os americanos reduziram ainda mais os custos e quem pagou o pato foi a Venezuela .
O mercado de impressoras vendia o aparelho barato e lucrava no cartucho.
A Microsoft vendeu o Xbox abaixo do custo para ganhar mercado da Sony.
Os celulares da Apple são produzidos na China…
o capitalismo baseado na livre concorrência é a única solução. Não uma alternativa “holista” ou impossibilidade prática.
Uns 10 anos atras questionei aqui sobre a prática de preços predatórios por meio de conluio com ditaduras e dono de bancos centrais mundo afora. Um fornecia mão de obra barata e o outro garantia o fluxo de caixa . Tudo isso em vista de um projeto de poder que visava tornar pessoas de outras nações igualmente escravas. De lá pra cá aprendi uma coisa. Liberais não te contam a história toda, e quando a realidade bate na porta, eles continuam te escondendo para não dar o braço a torcer
Há uma falha grave nesse artigo, criada de propósito.
Em toda sua extensão, ele pressupõe uma variedade de empresas atuando no mercado e todas de tamanho razoavelmente próximo, quando então uma delas resolveria “go rogue” e praticar preços predatórios.
Obviamente, num contexto desse, isso seria suicídio. Como bem descrito, o empresário sangraria seu capital enquanto todos os outros precisariam apenas resistir e aguardar, até que ele entrasse em falência.
Preços predatórios não são praticados em mercados já formados e equilibrados, entre empresários de mesmo tamanho que já estão estabelecidos. Elas são feitas por empresas grandes, sobre empresas pequenas iniciando ou quando estão entrando num mercado pequeno onde não atuavam.
É uma empresa praticar “preços promocionais inovadores” em 1 de seus 200 pontos de venda. A empresa não sangra, pois ela tem seus outros centenas de pontos pra bancar o ponto que dá prejuízo. E é aplicada sobre uma empresa muito menor, que tem apenas 1 única loja, e assim não consegue se sustentar com os mesmos preços. O empresário vítima, mesmo se não quebrar, fica justamente sem capital pra investir e crescer, perde sua competitividade.
Não acredito que esse equívoco tenha sido por falta de atenção do autor. Que também escreve de forma superficial, citando apenas 1 prática abusiva. Ele não considera por exemplo que a multinacional pradadora se oferece pra comprar a empresa pequena iniciante, e só reduz seu preço pra a estrangular caso o dono recuse.
Mas o que mais me deixa impressionado é que o portal se diz liberal, e publica artigo que passa pano pra grandes corporações e sugere que pequenos empresários não passam por dificuldade nenhuma frente a concorrência “saudável” de concorrentes onde o mercado em comum não chega nem a 1% do faturamento dos mesmos.
Porque liberais, em seus discursos, sempre ignoram os bilionários e falam como se todas as empresas fossem do mesmo tamanho? Porque liberais são tão insensíveis com o pequeno empresário?
O sistema de mercado e a livre empresa é a aplicação da razão aos assuntos de economia.
“Porém, quando uma empresa aumenta suas vendas a preços abaixo do custo de produção, esta empresa necessariamente irá incorrer em enormes prejuízos. A lógica é direta e puramente contábil: se você passa a ter um prejuízo de $ 10 por produto vendido, quando mais produtos você vender, maiores serão seus prejuízos.
Logo, quanto maior a escala de produção de uma empresa, maiores e mais impactantes serão os prejuízos. (Daí as gargalhados dos executivos da Black & Decker)”
ATÉ AQUI TUDO BEM.
Ela de fato está sozinha no mercado, porém bastante descapitalizada, e sem capacidade de fazer novos investimentos. A intenção desta empresa é voltar a subir os preços para tentar recuperar os lucros de antes. Só que, ao subir os preços, ela estará automaticamente convidando novos concorrentes para o mercado, que poderão vender a preços menores. “
ATÉ AQUI TUDO BEM.
VAMOS PEGAR UM EXTRATO DO ARTIGO
“Logo, quanto maior a escala de produção de uma empresa, maiores e mais impactantes serão os prejuízos. (Daí as gargalhados dos executivos da Black & Decker)”
O problema é que as empresas que praticam dumping não o faz em grandes escalas (o conceito de escala é relativo). Elas praticam o dumping em pequenas escalas pois de pequena escala em pequena escala se monopoliza o mercado.
Por exemplo, vamos supor que uma empresa do nível do Pão de Açucar (nível continental) queira, por meio do dumping, monopolizar todo mercado até o nível regional (empresas de porte menor que o do Pão) de Minas Gerais (vamos colocar BH, Uberlândia, Teófilo, Juiz de Fora e Pouso Alegre).
O Pão de Açucar não vai , ao mesmo tempo, “dumpar” Minas Gerais inteira de uma vez só pois, devido ao tamanho relativo da empresa, ocorreria algo como o artigo preconizou.
Mas qual seria a solução do Pão? “Dumpar” cidade por cidade, começando pelas pequenas. Primeiro ele “dumpa” Pouso Alegre, depois, Teófilo, depois, Juiz de Fora, depois, Uberlândia e, por último, BH. Enquanto, por exemplo, ela “dumpa” Juiz de Fora, depois de ter destruído a concorrência de Pouso Alegre, a empresa pode aumentar paulatinamente os preços.
As destruição de capital, descrita pelo artigo, do “dumping” não é tão severa para uma grande empresa se ela pratica em pequenas escalas, logo:
“Logo, quanto maior a escala de produção de uma empresa, maiores e mais impactantes serão os prejuízos. (Daí as gargalhados dos executivos da Black & Decker)”
O dumping não parte de “maiores escalas”. Então, ao contrário do que se fala aqui:
“Ela de fato está sozinha no mercado, porém bastante descapitalizada, e sem capacidade de fazer novos investimentos. A intenção desta empresa é voltar a subir os preços para tentar recuperar os lucros de antes. Só que, ao subir os preços, ela estará automaticamente convidando novos concorrentes para o mercado, que poderão vender a preços menores. ”
O Pão de Açucar não ficará “descapitalizado e sem capacidade de fazer novos investimentos” se ele “dumpar” Pouso Alegre.
Mas aí entra um problema do meu raciocínio: E depois que o “dumpador”, finalmente, conseguiu conquistar tudo? E depois que o Pão de Açucar conseguiu conquistar Minas? Eu poderia responder aqui mas foge do escopo do artigo e do meu post. Lembrando que o escopo está “na possibilidade e plausibilidade do dumping como ferramenta de destruição da concorrência”…SIM, ELE É PLAUSÍVEL
Na vdd já vi acontecer aqui no brasil de uma empresa praticar preços abaixo do custo para exterminar a conocrrencia e dominar o mercado, e fazer isso em varias cidades. Então não dá p dizer que não existe, pelo menos no Brasil. Agora mesmo em minha cidade uma empresa votada a educação da carencia de 12 meses para curso de 24 de duração, complicando para a concorrencia, faz isso pq pode bancar o custo por 12 meses o que dificilamente a concorrencia conseguirá. No brasil encontramos pessoas/empresas que qdo podem destroem a conocrrencia praticando preços predatórios. sugiro estudar mais !