Para a maioria dos economistas e colunistas de
jornais, o que gera crescimento econômico é o aumento da demanda por bens e
serviços. A ideia é que aumentos ou reduções na demanda causam aumentos ou reduções
na produção de bens e serviços na economia.
Ou seja, o que conduziria a produção seria a
demanda.
Outra crença semelhante é que a produção total da
economia aumenta de acordo com um múltiplo de um aumento nos gastos do governo,
dos consumidores e das empresas.
Eis um exemplo que ilustra, segundo essa teoria,
como um aumento nos gastos eleva a produção total por um múltiplo desse aumento
dos gastos.
Suponhamos que, de cada unidade monetária recebida
($ 1,00), os indivíduos gastem $ 0,90 e poupem $ 0,10. Adicionalmente,
suponhamos que os consumidores tenham aumentado seus gastos em $ 100 milhões.
Como resultado, as receitas dos varejistas aumentam
$ 100 milhões. Estes varejistas, por sua vez, em resposta a este aumento em sua
renda, consomem 90% destes $ 100 milhões — ou seja, eles aumentam seus gastos
com bens e serviços em $ 90 milhões.
Os recebedores destes $ 90 milhões, por sua vez,
gastam 90% destes $ 90 milhões, ou seja, $ 81 milhões. Já os recebedores destes
$ 81 milhões gastam 90% desta soma, ou seja, $ 72,9 milhões, e assim por
diante.
Observe que, por este raciocínio, os gastos de uma
pessoa se tornam a renda de outra pessoa.
A cada etapa da cadeia de gastos, as pessoas gastam
90% da renda adicional que recebem. Este processo irá terminar — sempre de
acordo com a teoria — com uma produção total $ 1 bilhão (10 x $ 100 milhões)
maior do que era antes de os consumidores terem decidido aumentar seus gastos
em $ 100 milhões.
Note que, quanto maior a porcentagem gasta dessa
renda adicional, maior será o multiplicador. Consequentemente, maior será o impacto
do gasto inicial na produção total.
Por exemplo, se as pessoas mudarem seus hábitos e
gastarem 95% de cada unidade monetária recebida, o multiplicador será 20.
Inversamente, se elas decidirem gastar somente 80% e poupar 20%, o
multiplicador passará a ser 5.
Tudo isso significa que, quanto menos for poupado,
maior será o impacto na produção total.
Por essa lógica, não é nenhuma surpresa que a
maioria dos economistas de hoje seja seguidora da ideia de que, por meio de
estímulos fiscais e monetários, é possível impedir que uma economia entre em
recessão. Igualmente, por meio destes mesmos estímulos, seria possível tirar a
economia de uma recessão.
O popularizador do poder mágico do multiplicador,
John Maynard Keynes, escreveu:
Se
o Tesouro se dispusesse a encher garrafas com papel-moeda, as enterrasse a uma
profundidade conveniente em minas de carvão abandonadas que logo fossem
cobertas com o lixo da cidade e deixasse à iniciativa privada, de acordo com os
bem experimentados princípios do laissez-faire, a tarefa de desenterrar
novamente as notas (naturalmente obtendo o direito de fazê-lo por meio de
concessões sobre o terreno onde estão enterradas as notas), o desemprego poderia
desaparecer e, com a ajuda das repercussões, é provável que a renda real da
comunidade, bem como a sua riqueza em capital, se tornassem sensivelmente mais
altas do que são.
O
multiplicador é verdadeiro?
Será que poupar mais seria ruim para a economia,
como indica o modelo do multiplicador?
Peguemos o exemplo de um agricultor que produziu 20
tomates. Ele consome 5 tomates para seu sustento. Sobram à sua disposição 15
tomates poupados (esta é sua poupança real). Com esses 15 tomates poupados, o agricultor
pode adquirir outros bens. Ele pode, por exemplo, obter pão na padaria local,
pegando 5 tomates pelo pão. Ele também compra um par de sapatos na sapataria
local, pagando 10 tomates pelos sapatos.
Observe que a poupança real à sua disposição limita
a quantidade de bens de consumo que o agricultor pode adquirir. Seu poder de
compra é restringido pela quantidade de tomates que ele poupou, isto é, por sua
poupança real.
Quando este agricultor efetiva sua demanda por pão e
por sapatos, ele está transferindo cinco tomates para o padeiro e dez tomates
para o sapateiro. Assim, os tomates que o agricultor poupou não apenas
sustentam, como ainda aumentam o bem-estar e o padrão de vida do padeiro e do
sapateiro.
Igualmente, o pão e o par de sapatos que o padeiro e
o sapateiro respectivamente pouparam sustentam a vida e aumentam o bem-estar do
agricultor.
Perceba que são os bens de consumo poupados — os
quais sustentam o padeiro, o agricultor e o sapateiro — que possibilitam que
todo o fluxo de produção se mantenha.
Suponha agora que estes produtores e proprietários
de bens de consumo, em vez de trocá-los por outros bens de consumo, decidam
trocá-los por melhores ferramentas e maquinários. Com máquinas e ferramentas
melhores, eles podem produzir bens de consumo em maior quantidade e com maior
qualidade no futuro.
Ao trocarem uma fatia de seus bens poupados por
ferramentas e maquinários, os proprietários dos bens de consumo estão, na
prática, transferindo sua poupança real para aqueles indivíduos especializados
em fabricar estas máquinas e ferramentas. Ou seja, uma poupança real está
sustentando estes indivíduos enquanto eles estão ocupados fabricando essas
máquinas e ferramentas.
E, tão logo máquinas e ferramentas são construídas,
isso permite um aumento na produção geral de bens de consumo. Esta maior oferta
de bens de consumo (por causa do aumento da produção) permite uma maior
poupança, tudo o mais constante. E essa maior poupança, por sua vez, permite um
maior aumento na produção de máquinas e ferramentas.
Mais máquinas e ferramentas permitem aumentar a
produção de bens de consumo, o que aumenta o poder de compra das pessoas na
economia.
Logo, contrariamente ao pensamento popular, mais
poupança na realidade expande o fluxo
de produção de bens de consumo.
Pode um aumento na demanda por bens de consumo levar
a um aumento na produção total por um múltiplo do aumento inicial da demanda?
Não. O aumento na demanda por bens e serviços está restringido pelo aumento na
poupança real.
Para poder saciar um aumento na sua demanda por
bens, o padeiro tem de ter os meios de pagamento — ou seja, pão — para pagar
pelos bens e serviços que ele deseja. Vimos que o padeiro adquire cinco tomates
em troca de uma unidade de pão. Ou seja, ele paga pelos tomates com seu pão.
Igualmente, o sapateiro sacia sua demanda por dez tomates pagando com um par de
sapatos. O agricultor sacia sua demanda por pão e sapatos utilizando seus
quinze tomates poupados.
Assim que a oferta de bens de consumo aumenta, isso
permite um aumento na demanda por bens gerais, tudo o mais constante. O aumento
na produção de pães pelo padeiro permite que ele aumente sua demanda por outros
bens. Neste sentido, o aumento na produção de bens gera um aumento na demanda
por outros bens. Os indivíduos produzem com o objetivo de poderem demandar bens
que irão lhes sustentar e melhorar seu padrão de vida.
Pessoas vendendo mais bens de consumo poderão agora
demandar mais bens gerais. Logo, é o aumento na produção de bens o que aumenta
a demanda por bens. E isso só ocorreu porque a oferta aumentou a um nível maior
que o da subsistência.
Em suma: o que permite o aumento na oferta de bens
de consumo é o aumento na quantidade de bens de capital, ou seja, nas máquinas
e ferramentas. E, por sua vez, o que permite o aumento na produção de máquinas
e ferramentas é a poupança real. Podemos, assim, inferir que o aumento no consumo
tem de ocorrer em linha com o aumento na produção.
Disso também podemos deduzir que o consumo, por
definição, não pode fazer com que a produção aumente em um múltiplo deste
aumento no consumo. O aumento na produção se dá de acordo com o que a
infraestrutura existente permite, e não é restringido pela demanda dos
consumidores.
Introdução
do dinheiro
Obviamente, a introdução do dinheiro nesta economia
não altera absolutamente nada a realidade. O dinheiro é apenas um meio de troca
que ajuda a facilitar as transações entre produtores e consumidores — por si
só, o dinheiro não tem como gerar nenhum objeto real.
O dinheiro não é um meio de produção; ele não produz
nem bens de consumo e nem bens de capital. Sua introdução não permite uma maior
produção de sapatos, tomates e pães. O dinheiro é simplesmente um meio de troca
que facilita as transações.
Em última instância, bens e serviços não são
adquiridos com dinheiro, mas sim com outros bens e serviços. As pessoas
produzem bens e serviços em troca de dinheiro, e então utilizam esse dinheiro
para adquirir outros bens e serviços. O objetivo da produção de bens e serviços
é o consumo de outros bens e serviços. O dinheiro apenas irá facilitar as
transações.
No final, o dinheiro é apenas o meio de troca
utilizado por todos; seu papel é apenas intermediário. Por si só, ele não tem
como gerar mais produção. Sim, as pessoas trabalham e produzem para ganhar
dinheiro, mas elas querem esse dinheiro porque ele as permitirá adquirir outros
bens e serviços. O que o indivíduo realmente quer em troca dos bens e serviços
que ele vende (o que inclui sua mão-de-obra) são outros bens e serviços.
Entretanto, vale ressaltar: embora seja apenas um
meio de troca, manipulações na quantidade existente deste meio de troca têm o
poder de afetar negativamente toda a economia, pois geram severas más alocações
de recursos escassos e, consequentemente, os ciclos econômicos. De novo: alterar
a quantidade de dinheiro na economia não tem como aumentar a produção, mas irá
gerar alocações errôneas de recursos escassos, degenerando em ciclos econômicos.
Aumento
na demanda do governo e o crescimento econômico
Examinemos agora o efeito de um aumento na demanda,
causado pelo governo, sobre a produção total de uma economia.
Nesta economia até então formada por um padeiro, um
sapateiro e um agricultor, um quarto indivíduo entra em cena. Este indivíduo
detém o monopólio da coerção, e pode exercer sua demanda por bens por meio da
força. Ou seja, ele é o governo.
Pode a demanda desse indivíduo — o governo — gerar
maior produção, como imagina a sabedoria popular? Muito pelo contrário: irá
apenas empobrecer os produtores. O padeiro, o sapateiro e o agricultor serão
forçados a abrir mão de seus produtos em troca de nada, e isso por sua vez irá
enfraquecer o fluxo de produção dos bens de consumo.
Se você considerar que o governo só poderá gastar
aquilo que ele antes confiscou destes três produtores, seria simplesmente
ilógico dizer que sua entrada nesta economia tem o poder de “estimular a
produção e fazer a economia crescer”.
Não apenas um aumento nos gastos do governo não tem
como aumentar a produção em um múltiplo positivo, como, ao contrário,
inevitavelmente levará ao enfraquecimento de todo o processo de geração de
riqueza.
Como Mises explicou:
É
sempre necessário enfatizar este truísmo: o governo só pode gastar ou investir
aquilo que ele toma de seus cidadãos [via impostos ou empréstimos]. E seus
gastos e investimentos adicionais restringem, na mesma quantidade, a capacidade
destes cidadãos de gastar ou investir.
Para aumentar seus gastos, há três medidas que o
governo pode tomar: aumentar impostos (ou seja, aumentar o confisco da produção
do padeiro, do sapateiro e do agricultor); pegar recursos emprestados (do
padeiro, do sapateiro e do agricultor); ou imprimir dinheiro.
Não é preciso ser um profundo conhecedor de economia
para entender que nenhuma dessas três medidas cria riqueza.
1) Se o aumento dos gastos do governo advier de mais
impostos, então a produção de riqueza está sendo confiscada em troca de nada.
2) Se o aumento dos gastos advier do endividamento
do governo (com o governo pegando recursos emprestado dos produtores), então
igualmente haverá menos recursos para ser transacionados voluntariamente nesta
economia entre os produtores. O excedente produzido (poupança real) está sendo
desviado para o governo e não para sustentar as atividades produtivas dos
outros produtores.
3) Se o aumento dos gastos advier da simples criação
de dinheiro pelo próprio governo, os preços dos bens e serviços subirão, pois a
criação de mais dinheiro não tem como gerar mais bens.
Nenhuma dessas três medidas cria riqueza. Consequentemente,
nenhuma dessas três medidas pode estimular uma economia, tampouco tirá-la de
uma recessão.
O raciocínio é tautológico: para o governo gastar,
ele tem antes de tomar de alguém (seja via impostos, seja via endividamento) ou
imprimir dinheiro. Se ele tomou de alguém, esse alguém está agora
impossibilidade de consumir ou de investir. Se ele imprimiu dinheiro, nada foi
criado.
Assim, os gastos do governo não podem ser vistos
como uma força criativa. Todo o gasto do governo ocorre à custa dos outros
indivíduos da sociedade. Por definição.
O
mundo real funciona ao contrário do que Keynes explicou
Em nossa economia hipotética, 500 unidades de pães,
sapatos e tomates são produzidas em um dado período de tempo. Dessas 500
unidades, 250 unidades (ou seja, 50%) são destinadas ao consumo do setor privado,
100 unidades (ou seja, 20%) são destinadas ao investimento e 150 unidades (30%)
são destinadas ao governo.
Se, devido a um crescimento econômico ocorrido em um
dado período, a produção aumentar em 10%, então a economia terá agora 550
unidades. Assim, caso a economia mantenha a mesma proporção do destino do
produto de antes (50% para consumo; 30% para o governo e 20% para investimentos),
o resultado agora será: 275 unidades destinadas ao consumo, 110 são destinadas
ao investimento, e 165 destinadas ao governo.
Ou seja, ao contrário do que Keynes afirmou, a
verdade é que apenas se houver um aumento na produção, poderá haver um
aumento no consumo privado e nos gastos do governo.
Mais ainda: o tal “efeito multiplicador”, na
prática, funciona ao contrário do que Keynes previu. Havendo um aumento da
produção, o aumento em todos os outros gastos será menor do
que esse aumento da produção. E é assim simplesmente porque a propensão a
consumir não pode ser maior do que a produção. Lógica pura.
Conclusão
O fato de que a demanda depende da produção é uma
realidade que não pode ser abolida por meio de gastos governamentais ou de
aumento da quantidade de dinheiro na economia. Aumentar os gastos do governo ou
a quantidade de dinheiro na economia não pode alterar esta realidade.
A teoria de Keynes não só está errada, como a
realidade é completamente oposta a ela.
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Leia
também:
Preços dos alimentos e dos combustíveis batem recorde ao redor do mundo. Eis os culpados
Por que “estimular a demanda” sempre será um atentado à lógica – como bem mostra a realidade atual
A Lei de Say é irrefutável
e, sozinha, destrói todo o arcabouço keynesiano
O consumismo não gera
crescimento econômico – e sua defesa é o cerne da teoria keynesiana
Por que uma sociedade
poupadora enriquece e uma sociedade consumista empobrece
Keynes tentou substituir a Lei de Say pela lei dele próprio. Além de não ter entendido nada da Lei de Say (o coitado genuinamente acreditou que Say disse que "a oferta gera a própria demanda"), ele criou uma lei que disse que o consumo de capital é uma evidência de enriquecimento e crescimento econômico.
Se eu decidir torrar toda a minha poupança, tudo o que conseguirei é me empobrecer. Mas segundo Keynes, estarei enriquecendo. E se todos fizerem isso, a economia será uma potência.
O keynesianismo é defendido por pessoas que querem ver o governo confiscando o dinheiro dos outros e redistribuindo para elas próprias. Tá cheio de professor universitário assim. É óbvio que essa gente não é burra; eles não acreditam em multiplicador. Eles defendem a política de tributar e gastar simplesmente porque elas próprias estão do lado beneficiado do esquema.
Em última instância, bens e serviços não são adquiridos com dinheiro, mas sim com outros bens e serviços.
Mas e se o dinheiro passa a ser um “bem” também ?
A gente pode tratar o dinheiro como um “bem”? O mundo globalizado de hoje, tantas “moedas”circulando, sendo negociadas etc… enfim… o dinheiro se tornou um bem.
Eu sei que uma maça, o agricultor pode plantar e “criar” novas maças e isso vai causar implicações na economia.
O governo tem o poder de “criar” dinheiro.
Porque criar novas maças não é ruim para a economia, mas criar dinheiro é ruim ?
obs: Eu sei que criar dinheiro causa inflação etc…
Sou um curioso da ciência econômica mas queria uma explicação mais abrangente aqui do site.
Fora o governo, os agentes econômicos(agricultor,sapateiro etc) tem capacidade de causar inflação ?
Na crise de 29, houve uma superprodução industrial e agrícola. Não havia quem consumisse aquilo que foi fabricado naqueles preços, ou seja, havia uma falta de demanda ali. Talvez vocês entendam agora.
Peguemos o exemplo de um agricultor que produziu 20 tomates. Ele consome 5 tomates para seu sustento. Sobram à sua disposição 15 tomates poupados (esta é sua poupança real). Com esses 15 tomates poupados, o agricultor pode adquirir outros bens. Ele pode, por exemplo, obter pão na padaria local, pegando 5 tomates pelo pão. Ele também compra um par de sapatos na sapataria local, pagando 10 tomates pelos sapatos.
Eu achei esse exemplo um pouco ruim, e acredito inclusive que poderia dar margem a usarem ele para tentar nos refutar. Nenhum keynesiano (pelo menos nunca vi) defende o auto-consumo, onde cada pessoa produziria o bem que irá consumir e sem trocas, daí ele poderia muito bem falar:
“Estão vendo, como o agricultor resolveu não estocar os alimentos e sim consumir diretamente 5 tomates e gastar o resto (15 tomates) trocando com outros produtores, ele aumentou a riqueza da sociedade toda. Se ele tivesse estocado o alimento (poupança) e não tivesse realizado nenhum gasto ou tivesse gasto menos do que 100% deles (15 no caso), o sapateiro e o padeiro morreriam de fome!!”
Na minha opinião o texto deixou brechas para esse argumento ser usado, poderia ter falado de como a poupança poderia ser usada para financiar investimentos em maior produtividade, no juros que surgiriam naturalmente para que o agricultor emprestasse seus tomates sem prejuízo para que o padeiro e o sapateiro pudessem gastar esforços e tempo para conseguirem produzir mais pães e mais sapatos… e etc.
Um exemplo correto ao meu ver seria o agricultor emprestar seus tomates estocados ao padeiro ou ao sapateiro e estes usassem estes para que o sapateiro pudesse gastar tempo construindo uma arma mais eficiente para caçar mais animais para conseguir couro mais fácil sem passar risco de fome, ou o padeiro ter mais tempo para cuidar do cultivo de trigo sem ter que passar fome (já que é um exemplo sem dinheiro e de uma sociedade muito simples).
Eu vi que o texto ressaltou o investimento.
Ao trocarem uma fatia de seus bens poupados por ferramentas e maquinários, os proprietários dos bens de consumo estão, na prática, transferindo sua poupança real para aqueles indivíduos especializados em fabricar estas máquinas e ferramentas. Ou seja, uma poupança real está sustentando estes indivíduos enquanto eles estão ocupados fabricando essas máquinas e ferramentas.
Mas deveria dar enfase que o produto precisa ser estocado, não consumido e não trocado de forma direta, mas voltado ao empréstimo para que a sociedade seja capaz de sustentar uma estrutura de produção mais complexa (porque até onde sei, sem crédito genuíno nenhuma sociedade sai do estado tribal) .
O exemplo do agricultor não me parece diferente do índio que troca os peixes que ele caçou pelo porco que outro índio caçou, e até esse momento não consigo ver poupança real e sim consumo.
Como Mises nunca se cansou de explicar, bens de capital não podem ser criados por meio de uma expansão monetária. Inundar uma economia de dinheiro não vai fazer com que os bens de capital necessários para os processos de produção surjam do nada.
Imagine a ilha do seriado Lost, onde os sobreviventes de um desastre aéreo tentam se manter vivos diariamente. Em qual cenário os sobreviventes estariam melhor: naquele em que todos têm uma valise cheia de dinheiro, ou naquele em que todos têm um arpão e uma rede de pescas (seu capital)?
O mesmo raciocínio se aplica à economia real. O que importa não é a quantidade de dinheiro em circulação, mas sim a quantidade de capital acumulado pela economia. E esse capital só pode crescer se houver poupança – isto é, abstenção do consumo.
Já os keynesianos dizem que é o investimento que gera a poupança, e não o contrário. Sendo assim, basta o governo diminuir os juros e estimular o gasto, que os investimentos surgirão. De onde virá o capital para tal? Isso fica pra depois. “A essência do keynesianismo consiste em sua total incapacidade de compreender o papel da poupança e da acumulação de capital na melhoria das condições econômicas”, vaticinou Mises.
Tudo o que uma expansão monetária pode fazer é alterar o emprego do capital, redirecionando-o para linhas de produção nas quais seu emprego vai gerar prejuízos futuros (quando a expansão monetária se desacelerar). Essa é a essência da distorção gerada pela redução artificial dos juros, resultado de uma expansão monetária. Essa é a causa das recessões.
Eis um exemplo de falácia quase igual à keynesiana:
Quando chove a grama fica molhada;
A grama está molhada;
Então choveu!
Multiplicador Keynesiano: a incrível habilidade de repassar parte de seus proventos por meio coercitivo para que terceiros destinem estes a outrem, e estes façam investimentos – sempre desastrosos ou maquiados – em seu nome (coletividade; sociedade; teoria), quando você poderia fazer melhor utilidade do próprio dinheiro e, inclusive, melhorar a sociedade assim.
O Multiplicador Keynesiano existe sim, só que ele é negativo:
Cada $1 gasto pelo governo é menos $1 nas mãos da sociedade, além da riqueza que deixa de ser produzida pelo fato das pessoas terem menos dinheiro para gastar ou investir.
Além disso, mesmo que o governo tente produzir algo com esse $1, grande parte dele é desperdiçado com burocracia e má gestão, uma parte é desviada e o que chega à sociedade é mal aplicado.
(A primeira frase foi irônica)
Uma forma fácil de notar pq o efeito multiplicador é falacioso é imaginar as consequências caso este efeito fosse real. Basicamente haveria uma prosperidade infinita, toda e qualquer escassez deixaria de existir simplesmente torrando grana, passando cédulas de uma pessoa para outra.
Não há diferença nenhuma entre produzir tomate e comer, ou produzir tomate, vender e comprar pão. Ambas são a mesmíssima atividade voltada para o autossustento.
Igualmente, não há diferença nenhuma entre produzir tomate para comer ou trabalhar para ganhar dinheiro para comer tomate.
Exatamente, concordo 100% e para mim nem mesmo os keynesianos confundem isso, ambos os exemplos são consumo.
Ambos são a mesma coisa: poupança real volta para o sustento próprio.
O fato que quis ressaltar é que a troca ou consumo por si só não é poupança, uma sociedade indígena onde um índio come o peixe que caçou ou troca seus peixes por um porco (como vc falou é a mesma coisa), não possui poupança. Somente haverá poupança (consequentemente crescimento real da renda) quando algum índio resolver poupar (nesse caso estocar e posteriormente emprestar).
Para mim o exemplo do agricultor acabou dando a entender que poupança e troca direta de bens de consumo (que não deixa de ser consumo do mesmo jeito) é a mesma coisa, nesse ponto achei o exemplo meio infeliz.
Os liberais nasceram amaldiçoados pelo complexo de Cassandra. Torço pelo dia em que parem de estudar economia e estudem a arte do discurso para ver se tais idéias sejam difundidas entre a massa votante.
Eu já acreditei na falácia keynesiana, mas Bastiat me salvou
Um ótimo artigo complementar a este é um que passou bem despercebido por aqui, mas que eu considero um dos melhores e mais esclarecedores deste site. Este aqui:
http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2774
Este é um dos principais motivos dos brasileiros serem reféns de um Estado parasita, medonho, escravocrata, criminoso e corrupto: keynes na veia !
Pessoal estou no IFSULDEMINAS (curso de Biologia) e um dos meus professores disse o seguinte: a Anvisa criou a obrigatoriedade de receitas para antibióticos (aquela regulação draconiana e soviética que atrapalha todo mundo) para evitar que o uso indiscriminado de antibióticos fosse acarretar a aparição de super-bactérias, que são selecionadas naturalmente pois em uma população de bactérias sempre haverão as mais resistentes e as menos resistentes à esses medicamentos. E que em países desenvolvidos há muito mais regulação sobre agrotóxicos do que aqui no Brasil, basicamente pedindo por mais regulação. Como eu poderia refutar isso?
Bom eu nem preciso comentar o ódio deles ao capitalismo… de que o capitalismo beneficia só os ricos, que os índios são bonzinhos, de que estamos destruindo o planeta e que no capitalismo somos coisificados e que as grandes corporações controlam os coitadinhos dos políticos (na verdade é o contrário, aí eles abordaram algo da Teoria da Captura Regulatória da Escola de Chicago, sem se darem conta disso).
O que está acontecendo na Argentina?
http://www.clarin.com/economia/frenara-dolar-despues-fuerte-suba-tasa_0_rkpzuJbaG.html
Eles se meteram em encrenca novamente? Estavam crescendo bem e o governo atual bem melhor que os desastrosos Kirchner.
A ANÁLISE DO FRANK sobre o efeito multiplicador está perfeita. Agora, rotular Keynes como ilusionista não faz sentido algum mesmo porque sua teoria, embora popular, é amplamente servido de lógica. No arcabouço ela, a teoria, contempla políticas emergenciais – que produza resultados rápidos – amplamente utilizadas por vários governos até os dias atuais. Mandar uma equipe abrir valas durante o dia e outra para tapar a noite é uma forma de multiplicar oferta e demanda. Mandar abrir uma Transamazônica e interromper depois do deslocamento populacional à região é situação que demanda a essência da teoria keynesiana. Assim penso eu.
Sobre a discussão acima com o “Nome”: Eu confesso que mordi a isca dele, mas parei de dar atenção quando ele falou em “problema social“
Muito bom! Mas gerou uma dúvida… o Padeiro ao aumentar sua produção de 50 para 500 pães, com o objetivo de conseguir mais bens/serviços para si… só o conseguirá caso haja demanda para os 450 novos pães…correto? E de onde virá? Se as pessoas já estão satisfeitas com os 50 pães.. ele n conseguirá vender o restante… A solução seria ele identificar uma nova demanda de outro bem/serviço (diferente do pão), e passar a produzi-lo para só assim conseguir aumentar seu consumo de bens e serviços…?
A primeira frase tá errada. Não é verdade que “para a maioria dos economistas o que gera crescimento econômico é o aumento da demanda de bens e serviços”. Pegando um gancho na Teoria do Crescimento de Sollow, o que gera crescimento econômico no longo prazo (leia-se aqui a taxa de crescimento do PIB real) é a soma da (i) taxa de crescimento do capital por unidade efetiva de trabalho, da (ii) taxa de crescimento da população e da (iii) taxa de crescimento devido à ganhos de tecnologia.
É interessante o paradoxo de que quando ninguém sabia nada de economia, as economias cresciam por mais tempo seguido e sem crises.
Keynes colocou o consumismo e o endividamento como chaves da prosperidade.
Por isso é comum vermos notícias comemorando o aumento do consumo (ou lamentando sua queda), mas quase nunca somos informados sobre como vai a produtividade.
Acusou o hábito de poupar como sendo um mal (“entesouramento”) que deve ser dissuadido.
Apontou o governo como locomotiva da economia e estabilizador do capitalismo, essa entidade bipolar, com suas obras, crédito sem lastro e outras intervenções.
Aliás, na concepção keynesiana é fácil acabar com o desemprego: basta o governo contratar metade dos desempregados para cavar buracos (sem qualquer utilidade) e a outra metade para tampá-los.
* * *
Rpz, não sou formado em economia, estudo por curiosidade, e este site me fez rever e aprender muita coisa em relação a Economia e seus efeitos benéficos e catastróficos que podem ocorrer em diversas situações, principalmente quando há intervenção, seja de qualquer entidade. Parabéns aos colunistas por disseminar um conhecimento digno de MBA, com retóricas simples e de fácil entendimento. Leio um artigo e nem vejo passar o tempo.
Os EUA deveriam sofrer, ao menos uma vez em sua história, uma hiperinflação extrema como Argentina, Brasil, Peru e Venezuela sofreram.
Eu acho que dessa forma, o Keynesianismo iria sofrer um queda violenta de popularidade.
É fácil defender aumento de gastos, inflação e intervencionismo quando você está em um país com histórico de moeda forte, contas equilibradas e sistema jurídico sólido.
A política do governo Lula, fez exatamente isso. Destruiu a pequena poupança que o pobre tinha e ainda o endividou, com o sonho do ter em detrimento da necessidade, e a alienação dos produtores de diversas setores da economia. Hoje estamos convivendo com o desemprego maciço e o empobrecimento geral da população que paga impostos.
Mas e se for alcançado um aumento de produtividade através da compra de mais e/ou melhores bens de capital? Não compensaria o lado que não dá nada em troca?
Já que o artigo esmiuçou e detalhou de uma forma simplista e didática as relações entre produção, investimento e renda, seria válido incluir um conceito que ao meu ver é o mais importante nos debates a respeito do crescimento econômico: PRODUTIVIDADE. Muito mais que simplesmente aumentar a produção, como se dá esse aumento na produção é a questão mais importante. Aumentar/incentivar a demanda sem a contrapartida no estoque de bens de capital (poupança) não leva a lugar nenhum…a forma como você combina e aloca os fatores de produção, o grau de instrução da mão de obra, etc, etc, etc..
Outra questão, se o estado quer produzir algo e entende o conceito de produtividade, ótimo! O problema é que no Brasil produtividade é uma palavra que nunca existiu no setor público… Concurso público, estabilidade de emprego, questão cultural etc… etc.. etc…
Keynes é a maior comprovação científica de que não se deve confiar na ciência.
Em 1979, Hayek esteve no Brasil e em uma entrevista disse o seguinte sobre Keynes:
“Keynes foi um dos maiores combatentes contra a inflação e morreu no momento errado. Pouco antes, ele me disse, pessoalmente, que iria mudar o rumo de suas idéias. Alguns dos seus discípulos, muito mais keynesianos do que o próprio Keynes, é que confundiram as coisas e levaram o mundo a acreditar em teorias elaboradas para as necessidades políticas da Inglaterra, na época.”
Atentar para a expressão “necessidades políticas“
Dolar alto beneficia o agronegocio? Mas se ele for consumir aqui e trocar dolares por reais, ele vai pagar mais caro em tudo. Só é vantagem se ele manter a conta em dolares OU consumir em dolares. Não entendo porque dizem que o agronegocio e as exportaçoes crescem com o dolar alto. E outra ainda que cresça, é artificial, porque o produtor manda mais pra fora do que pro mercado iinterno, obviamente isso aumenta exportação. Mas o preço dos alimentos aqui dentro aumenta.
To confuso
Santo fed, tio sam. Juros dos eua sobem
http://www.google.com.br/amp/s/blogs.correiobraziliense.com.br/vicente/fed-surpreende-e-acende-o-sinal-de-alerta-para-copom/amp/?espv=1