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Economia brasileira: águia ou galinha? – Aprendendo a prever os ciclos econômicos

O artigo a seguir é uma adaptação desta apresentação
feita pelo autor na ocasião da terceira edição da Summer School realizado pelo Instituto Mises Brasil entre os dias 1º
e 4 de fevereiro na cidade de Espírito Santo do Pinhal, São Paulo.


Ciclo
Econômico – por que é importante

Sem nenhum exagero, ciclo econômico é o assunto mais
fascinante de toda a ciência econômica. E não só é o mais fascinante, como também
é o mais importante: ciclo econômico é um fenômeno que tem a capacidade de
acabar com todas as conquistas recentemente obtidas por uma economia.

A economia passa dez anos crescendo, com tudo indo
aparentemente bem, até que então vem uma recessão profunda que acaba com todos
os ganhos desse período.

Vide o Brasil.

Ao final de 2016, a economia havia recuado ao mesmo
tamanho que tinha em 2010. Em dólares, nossa renda per capita em 2016 voltou a
ser a mesma de 2008.

1.png

Gráfico
1: evolução da nossa renda per capita em dólares ajustada pela paridade do
poder de compra. Fonte: Trading Economics, com dados do Banco Mundial

Em termos de poder de destruição, o ciclo econômico
só perde para o socialismo.

E um detalhe crucial: a economia pode ser bastante
livre, com pessoas empreendedoras, baixa burocracia, baixos impostos etc.
Porém, se o governo fizer besteira em uma determinada área — que é o assunto
deste artigo –, a economia irá degringolar.

Exemplos clássicos são Irlanda e Islândia: economias
livres que, por causa da lambança que fizeram nesta área, vivenciaram uma aguda
recessão. O mesmo aconteceu também em toda a Europa,
principalmente Portugal, Espanha, Grécia e Chipre.

E aconteceu no Brasil.

O
que faz uma economia vivenciar um ciclo econômico

Em um dado momento, a economia parece estar indo
muito bem: a renda está crescendo, o emprego está subindo, as indústrias estão
se expandindo e contratando, os investimentos estão aumentando, o comércio e os
serviços estão vendendo muito e contratando bastante, lojas de todos os tipos
estão sendo abertas, restaurantes estão sempre cheios e com fila de espera, e a
população está consumindo cada vez mais.

Tudo indo muito bem. Aparentemente.

E aí, de repente, o cenário vira, a economia entra
em recessão, os investimentos se retraem, as pessoas param de consumir, as indústrias
dão férias coletivas (e depois demitem), várias outras indústrias fecham, o desemprego
aumenta, lojas passam o ponto, placas de “aluga-se” se tornam parte da paisagem
urbana, vários pontos comerciais ficam permanentemente vazios, sem locatários
etc.

Por que isso acontece?

Para entender por que e como ocorrem esses ciclos, é
necessário utilizar a lógica. Por
meio da lógica, uma teoria será deduzida a
priori
; em seguida, essa teoria será testada empiricamente.

Indo direto ao ponto: para entender por que há
flutuações econômicas, é necessário analisar exatamente o que afeta as
transações econômicas. Mais especificamente, qual é a variável que está
presente em toda e qualquer transação econômica?

O
dinheiro

O dinheiro é o elo entre todas as atividades
econômicas, e representa a metade de toda e qualquer transação econômica feita.

Há um comprador demandando um bem, há um vendedor
oferecendo esse bem, e esta transação será efetivada por meio do dinheiro.

Se você compra uma roupa, você recebe a roupa e em
troca dá dinheiro. Se você compra comida, você recebe a comida e em troca dá
dinheiro. Se você compra a mão-de-obra de um eletricista ou de encanador, você
recebe o serviço e em troca dá dinheiro.

O dinheiro, portanto, está presente em todas as transações econômicas e representa a
metade de cada um dessas transações.

E, dado que o dinheiro está presente em todas as
transações econômicas, a lógica nos diz que qualquer
manipulação e alteração nessa variável irá afetar toda a economia.

Portanto, em qualquer análise lógica de ciclo
econômico é necessário analisar o que está ocorrendo com essa variável crucial,
que é o dinheiro.

Mas qual dinheiro analisar? Há vários dinheiros. Há
o dinheiro que está na sua carteira (as cédulas de papel e as moedas
metálicas). Há o dinheiro que está na sua caderneta de poupança. Há o dinheiro
que está em um depósito a prazo. Há o dinheiro que está em um fundo DI. Há o
que está em um fundo multimercado. Há o que está em um fundo cambial etc.

Qual deles?

Apenas um: aquele que está na conta-corrente. Nos depósitos
à vista
.

Por quê? Basta utilizar a praxeologia.

Se
você coloca dinheiro na poupança, ou em um fundo de investimento, ou em um
depósito a prazo (CDB, LCI, LCA), ou em qualquer modalidade citada acima, você
não está pensando em gastar todo esse dinheiro amanhã ou no futuro próximo.

Você quer deixá-lo ali, rendendo juros.

Você pode, em alguns casos específicos, até usar
esse dinheiro para pagar contas, mas não é um dinheiro que você está pensando
em gastar volumosamente (ou totalmente) daqui a, digamos, dois dias. Você,
repetindo, quer deixá-lo ali rendendo
juros
.

E
desse dinheiro aplicado, uma parte fica presa no mercado interbancário —
servindo pra operações compromissadas, para compulsório junto ao Banco Central,
para atender a regulamentações bancárias, para formar colchão de liquidez, para
provisões contra calotes, para atender ao Índice de Basiléia etc. — e a outra
parte será emprestada.

E
esta, ao ser emprestada, cairá na conta-corrente de alguém, que então irá
gastar esse dinheiro (afinal, foi para isso que ele pediu o empréstimo).


o dinheiro que você já deixa separado na conta-corrente é aquele dinheiro que
você está pensando em gastar todo amanhã ou em um futuro próximo. Ele não rende juros.

No caso de empresas, esse comportamento é ainda mais
óbvio. Empresa que deixa dinheiro na conta-corrente está usando esse dinheiro
como capital de giro. Está planejando
gastar esse dinheiro no futuro próximo. Ela não
está atrás de juros.

Para uma empresa, dinheiro na conta-corrente é dinheiro de liquidez imediata. É o
dinheiro que ela usa diariamente para consumir, investir, contratar mão-de-obra,
pagar fornecedores, pagar salários etc.


quando a empresa está com alguma reserva de caixa e não está pensando em
contratar, gastar ou expandir, ela aplica esse dinheiro — gerando os mesmos
efeitos descritos acima para a pessoa física.

É
crucial enfatizar esse ponto: dinheiro na
conta-corrente é o dinheiro de liquidez imediata
. É o dinheiro que pessoas
e empresas deixam separado para usar diariamente, e em grandes volumes, para
consumir, investir, contratar mão-de-obra e pagar salários. É o capital de
giro, como já dito.

E
como surge dinheiro na conta-corrente? De duas maneiras: ou ele vem do resgate
de uma aplicação ou ele vem da expansão do crédito.

Quando uma empresa vai a um banco pedir um
empréstimo ou descontar uma duplicata, esse dinheiro cai na conta-corrente dela
e funciona ou como capital de giro ou como dinheiro a ser investido na expansão
do negócio ou na contratação de mão-de-obra.

O
mesmo vale para uma pessoa física que pega empréstimo. O dinheiro vai para a
conta-corrente dela.

Portanto, o dinheiro na conta-corrente é o dinheiro
que está prontamente disponível para as pessoas consumirem e para as empresas comprarem
maquinário, expandirem suas instalações, ampliarem sua produção, pagarem fornecedores,
reporem estoques, contratarem mão-de-obra etc.

Como se trata de uma aplicação que não paga juros, o
dinheiro em conta-corrente representa aquele dinheiro que está sendo diariamente transacionado na economia a
grandes volumes
.

Trata-se do dinheiro realmente líquido. É o dinheiro
que, em suma, irá determinar o volume de
gastos da economia
.

Assim, com isso em mente, é possível fazer a
seguinte constatação praxeológica e apriorística: dado que é o dinheiro na
conta-corrente quem determina o volume de gastos produtivos da economia —
salários, investimentos na economia física, aquisição de máquinas, consumo,
pagamento de fornecedores etc. –, é exatamente ele quem vai governar todas as flutuações da economia.

(Nota à margem: o primeiro a apresentar esse teoria
foi, claro, Ludwig von Mises em seu livro “A Teoria da Moeda e do
Crédito
“.)

Sendo assim, podemos fazer as seguintes deduções
apriorísticas:

a) Se a quantidade de dinheiro nas contas-correntes
está aumentando — seja porque o crédito está se expandindo ou porque as
pessoas estão saindo da renda fixa (retirando dinheiro de aplicações) –, então
o volume de gastos está crescendo e a economia está aquecida. Está havendo
muito consumo e investimento.

b) Se a quantidade de dinheiro nas contas-correntes
está diminuindo — seja porque o crédito está se contraindo ou porque as
pessoas estão indo para a renda fixa (colocando o dinheiro em aplicações
financeiras) –, então o volume de gastos está desacelerando e a economia está se
arrefecendo. Consumo e investimentos estão em queda.

Essas são teorias apriorísticas, deduzidas por meio
da lógica.

Vamos agora à prática.

O gráfico abaixo mostra a evolução da quantidade de
dinheiro em conta-corrente (depósitos à vista). Trata-se de um gráfico do
próprio Banco Central, retirado diretamente do site da instituição (clique
aqui
).

2.png

Gráfico
2: evolução da quantidade de dinheiro em conta-corrente (depósitos à vista).
Fonte: Banco Central

Como ele está cheio de oscilações mensais, que são
perfeitamente normais — por exemplo, todo dezembro sempre há um aumento por
causa das festas de fim de ano, do 13º salário, do comércio mais movimentado
etc. –, coloquemos este gráfico na forma de média móvel de 12 meses pra
suavizar as oscilações mensais.

3.png

Gráfico
3: evolução da quantidade de dinheiro em conta-corrente (depósitos à vista).
Média móvel 12 meses. Fonte: Banco Central

O gráfico é absolutamente o mesmo, mas agora na
forma de média móvel para 12 meses. Em estatística, a média móvel é um recurso
muito utilizado para se identificar a tendência de um conjunto de dados
dispostos em uma série temporal. A média móvel suaviza os movimentos voláteis
de uma série temporal.

Este, portanto, é o gráfico da evolução da
quantidade de dinheiro nas contas-correntes do Brasil. Começando no ano 2000.

Segundo a teoria acima deduzida, quando a quantidade
de dinheiro nas contas-correntes está acelerando, isso significa que:

a) ou está havendo expansão do crédito — os bancos
estão jogando dinheiro na economia por meio do mecanismo das reservas
fracionárias. (Mais especificamente, os bancos simplesmente criam dígitos
eletrônicos no computador e acrescentam esses dígitos na conta do tomador do
empréstimo; para saber todos os detalhes sobre como isso ocorre, recomendo este artigo);

b) ou as pessoas físicas e jurídicas estão saindo da
renda fixa e indo para a conta-corrente para poderem consumir mais, contratar
mais, investir mais na economia física.

Ou as duas coisas ao mesmo tempo.

Inversamente, quando a quantidade de dinheiro nas
contas-correntes está desacelerando ou mesmo se contraindo, isso significa que:
a) as pessoas e empresas estão indo para a renda fixa para aproveitar juros
maiores, e b) mais empréstimos estão sendo quitados do que concedidos. Consequentemente,
empresários estão gastando menos, contratando menos e investindo menos na
produção.

Tudo isso é uma questão de lógica.

Portanto, só de olhar para o gráfico e munido de
toda essa teoria lógica apresentada, é possível determinar exatamente quando a
economia está em aceleração e quando está em retração.

4.png

Gráfico
4:

evolução da quantidade de dinheiro em
conta-corrente. As linhas azuis indicam aumento e as linhas pretas,
desaceleração ou contração. Fonte: Banco Central

Quando a quantidade de dinheiro na conta-corrente
está acelerando, o número de transações econômicas está aumentando. O volume de
gastos está aumentando, tanto para consumo quanto para investimentos
produtivos. Está havendo mais consumo, mais investimentos, mais gastos, mais
contratações.

E quando a quantidade de dinheiro está desacelerando,
o número de transações econômicas está diminuindo. O volume de gastos está diminuindo,
tanto para consumo quanto para investimentos produtivos. Está havendo menos
consumo, menos investimento, menos gastos, menos contratações.

Assim, com base na teoria, só de olhar para o
gráfico acima é possível inferir que houve desaceleração econômica (linhas
pretas) em 2003, em 2005, no final de 2008 e início de 2009, no final de 2011 e
início de 2012, e uma forte em 2015 e 2016.

E houve crescimento econômico (linha azul) nos
outros períodos, sendo um crescimento forte nos períodos 2006-2008 e 2010.

Isso é a teoria. Será que a empiria corrobora a
teoria?

Eis o gráfico do PIB de um trimestre em relação ao trimestre
imediatamente anterior, de 2000 até o terceiro trimestre de 2017 (último dado
disponível).

5.png

Gráfico
5: evolução do PIB de um trimestre em relação ao trimestre imediatamente
anterior. Fonte: TradingEconomics, com dados do IBGE

O que se observa?

Contração do PIB no primeiro trimestre de 2003 e
estagnação no segundo trimestre. Exatamente como previsto no gráfico da oferta
monetária.

Crescimento forte em 2004, estagnação no primeiro
trimestre de 2005 e contração no terceiro trimestre de 2005. Exatamente como
previsto no gráfico da oferta monetária.

Crescimento contínuo de 2006 até o final de 2008, e
queda forte no último trimestre de 2008 e primeiro trimestre de 2009. Exatamente
como previsto no gráfico da oferta monetária.

Crescimento forte em 2010 e 2011, e uma retração no
terceiro trimestre de 2011 e outra no primeiro trimestre de 2012. Exatamente
como previsto no gráfico da oferta monetária.

Finalmente, crescimento em 2013, estagnação em 2014 e
recessão forte em 2015 e 2016, com vários trimestres seguidos de contração
econômica. Exatamente como previsto no gráfico da oferta monetária.

Em 2017, há uma recuperação, mas simplesmente porque
a oferta monetária, que estava encolhendo, parou de encolher e voltou a
apresentar uma pequena reação.

No
cômputo final, de 2002 até hoje, foram 63 trimestres.
Destes, houve 16 trimestres de recessão e 4 de estagnação. Ou seja, em 20
trimestres de 63 — um terço do tempo –, nós ou encolhemos ou ficamos parados.

E uma curiosidade:

6.png

Gráfico
6: evolução relativamente constante de 2002 a 2008, e evolução totalmente errática
de 2009 a 2017

De 2003 até 2008, período em que tivemos uma
política econômica (monetária e fiscal) mais ortodoxa, o
crescimento foi relativamente estável e uniforme. E então veio a crise mundial
de 2008 e o governo adotou a Nova Matriz Econômica.
Como toda política heterodoxa, o crescimento inicial foi alto. Mas aí vieram os
inevitáveis problemas estruturais, cambiais, fiscais e de inflação de preços, e
os aparentemente bons (porém artificiais) resultados foram rapidamente
abortados.

Primeira conclusão: o comportamento errático da
economia brasileira está intrinsecamente ligado às variações na oferta
monetária. Mas dado que o PIB mensura volume de gastos, então realmente não é nenhuma
surpresa que ele se mova estritamente de acordo com as variações da oferta
monetária líquida.

O que nos leva ao próximo ponto.

Quem
causa essas variações na oferta monetária

Qual instituição está no direto controle da oferta
monetária?

Obviamente, quem detém o monopólio sobre a moeda do
país é o Banco Central. Mas como
provar que quem realmente está no controle de toda aquela variação da oferta
monetária é o Banco Central?

Foi dito que a quantidade de dinheiro nas
contas-correntes varia de acordo ou com a expansão do crédito ou com as pessoas
indo para a renda fixa ou saindo da renda fixa.

Mas essas são afirmações apriorísticas e praxeológicas.
E também é uma afirmação apriorística e praxeológica dizer que quem controla
ambos esses fenômenos é o Banco Central por meio de sua manipulação da taxa
básica de juros, a SELIC

Pela teoria, se o BC aumenta a SELIC, ele encarece e
desestimula empréstimos. Consequentemente, a criação de dinheiro em
conta-corrente tende a diminuir. Juros maiores também estimulam pessoas e
empresas a saírem da conta-corrente e irem para a renda fixa. Empresários
deixam de investir e contratar e vão buscar refúgio na renda fixa.

Inversamente, se o BC reduz a SELIC, ele barateia e estimula
empréstimos. Consequentemente, a criação de dinheiro em conta-corrente tende a
aumentar. Juros menores estimulam pessoas e empresas a saírem da renda fixa em
busca de maiores retornos na economia real. Empresários colocam dinheiro na
conta-corrente para expandir os negócios, investir mais e contratar mais

Tudo isso, repetindo, é apenas uma teoria deduzida a priori, com base na praxeologia.

E a empiria? Será que a prática confirma a teoria de
que quando o Banco Central mexe na SELIC ele mexe diretamente na oferta
monetária?

Eis o gráfico comparando evolução da oferta
monetária (dinheiro na conta-corrente) e as variações na SELIC (em valores
mensais), ambas com média móvel de 12 meses:

7.png

Gráfico
7: evolução da quantidade de dinheiro em conta-corrente (linha azul) versus
evolução da SELIC em valores mensais (linha vermelha). Fonte: Banco Central

A linha azul, já exibida antes, é a evolução da
quantidade de dinheiro nas contas-correntes. A linha vermelha é a taxa SELIC,
que está sob direto controle do Banco Central. Ambas estão com média móvel de
12 meses para suavizar os movimentos.

Observe que a correlação é perfeita.

Quando a SELIC sobe (2003, 2005, 2008, 2010-2011,
2014-2016), a quantidade de dinheiro na conta-corrente ou desacelera ou pára de
crescer ou encolhe. Quando a SELIC cai (2004, 2006-2007, 2009, 2012, 2017), a
quantidade de dinheiro na conta-corrente aumenta.

Ou seja, exatamente como prevê a teoria, alterações
na SELIC afetam diretamente a quantidade de dinheiro na conta-corrente — isto
é, a quantidade de líquido na economia, aquele dinheiro pronto para o
investimento e para o consumo.

Primeira
conclusão

Até agora, dois fenômenos já foram constatados:

1) a taxa SELIC afeta diretamente a quantidade de
dinheiro líquido na economia; e

2) alterações na quantidade de dinheiro líquido na
economia afetam diretamente os números do PIB.

Logo, por consequência lógica, a taxa SELIC afeta diretamente
a economia
.

Embora essa constatação pareça um senso comum, dado
que todas as escolas de pensamento econômico falam isso, as implicações dessa
descoberta são muito mais profundas do que parecem. Normalmente, fala-se apenas
que “juros altos são ruins”. Mas ninguém faz essa ligação causal-realista, relacionando juros à oferta monetária e oscilações
da oferta monetária às oscilações da economia.

Utilizando a praxeologia e uma dedução a priori, uma teoria foi estabelecida e,
em seguida, foi confirmada na prática.

Posto isso, é verdade que, até agora, essa
descoberta não parece ter sido tão especial assim. Por isso, façamos agora uma
abordagem mais distintamente austríaca.

Como
exatamente alterações nos juros e na oferta monetária afetam a economia

É neste ponto que a Teoria Austríaca dos Ciclos
Econômicos (TACE) assume um postulado ímpar. Ao contrário das outras escolas de
pensamento, a TACE enfatiza que manipulações nos juros e na oferta monetária
afetam diferentemente cada setor da
economia.

Mais especificamente, a TACE afirma que os setores
que estão no início da cadeia produtiva, aqueles que estão mais longe dos
consumidores — isto é, as indústrias de bens de capital, as que produzem
maquinário — serão os mais afetados pelas manipulações dos juros. E os setores
que estão mais próximos dos consumidores — varejo e serviços — serão os menos
afetados.

Eis a lógica.

Suponha que a economia esteja em forte crescimento.
Os juros estão caindo e está havendo expansão monetária. Por exemplo, o período
2006-2008.

8.png

Gráfico
8: evolução da quantidade de dinheiro em conta-corrente (linha azul) versus
evolução da SELIC em valores mensais (linha vermelha), com ênfase no período
2006-2008. Fonte: Banco Central

Nesta fase, o crédito está se expandindo, as pessoas
estão se endividando para consumir, a quantidade de dinheiro está aumentando, a
renda das pessoas está crescendo, o emprego está farto, e tudo está indo
aparentemente bem.

Principalmente: o consumo está alto e o comércio,
aquecido.

Se as vendas das Casas Bahia estão aumentando e os
estoques estão diminuindo, a primeira medida será encomendar novos produtos
para repor seus estoques. Se as geladeiras, os fogões, as televisões e os
móveis estão sendo vendidos rapidamente, de modo que os armazéns das lojas
estão se esvaziando, então a encomenda de novos estoques será constante.

Consequentemente, os fornecedores das Casas Bahia —
o setor atacadista — aumentarão suas encomendas para as indústrias. E as
indústrias, por sua vez, aumentarão sua produção.

E com um detalhe: essas indústrias que irão aumentar sua produção de fogões, geladeiras e
televisões irão demandar mais bens de
capital
(máquinas e equipamentos) para aumentar essa produção.
Consequentemente, as indústrias de bens de capital terão de aumentar sua
fabricação de bens de capital.

Observe que chegamos ao início das etapas de
produção.

As indústrias de bens de capital produzem o
maquinário que será utilizado pelas indústrias de bens de consumo para fabricar
televisões, geladeiras, fogões etc. E as indústrias de bens de consumo venderão
para o setor atacadista, que então irá revender para as Casas Bahia (varejo).

Como consequência dessa atividade aquecida, todas
essas indústrias terão de contratar mais operários. E como os juros estão
baixos, todas essas indústrias conseguem crédito barato para expandir sua
produção.

E aí o ciclo se intensifica: a oferta monetária
segue crescendo, aumentando renda e impulsionando ainda mais o consumo. O
faturamento de todas essas indústrias está aumentando.

Ou seja, segundo a TACE, nessa fase da expansão do
crédito, em que está havendo aumento da renda e do consumo, o setor industrial é o que mais se expande.
A indústria faz vários investimentos visando a expandir suas instalações e sua
capacidade produtiva, contratando mais empregados e fabricando mais bens.

Comércio e serviços também se expandem. As Casas
Bahia terão de contratar mais comerciantes para vender os produtos. Com o
consumo em alta, o comércio como um todo também contrata mais pessoas, assim
como o setor de serviços.

Mas quem mais
se expande é o setor industrial
.

No entanto, tal bonança não dura para sempre. Como
esse arranjo pujante é interrompido?

A
alta de preços é o estopim
.

Tudo começa com a alta dos preços.

A quantidade de dinheiro na economia está crescendo por
causa da expansão do crédito tanto para consumo quanto para investimento.
Consequentemente, o volume de gastos também está crescendo. E como os salários
e o consumo estão em alta — por causa majoritariamente do aumento da quantidade
de dinheiro e do volume de gastos –, não há como impedir o aumento acelerado
dos preços.

E o que acontece quando os preços começam a subir
forte? O Banco Central sobe a taxa básica
de juros, a SELIC.

E o que acontece quando a SELIC sobe? Já demonstrado
acima: a quantidade de dinheiro começa a desacelerar e chega até a estagnar.

Consequentemente, a renda e o consumo param crescer. E aí tudo começa a se desfazer.

Atentem para o detalhe: a renda estava aumentando por causa da expansão monetária. E estava
havendo expansão monetária porque empresas e pessoas estavam pegando
empréstimos ou saindo da renda fixa e indo para a economia real.

Logo, assim que essa expansão do crédito é
interrompida, a renda para de subir. As pessoas estarão endividadas e com uma
renda estagnada. Consequentemente, a demanda irá cair.

E então os investimentos feitos pela indústria se
comprovarão errados, mal direcionados. Por quê? Porque as indústrias
acreditaram que esta demanda dos consumidores seria definitiva e sustentável —
ou, no mínimo, duradoura. Consequentemente, elas investiram de acordo com essa
crença.

(E tinham de investir, pois estavam atendendo a uma
demanda. É uma questão de sobrevivência. Se uma indústria não investisse, outra
o faria e tomaria fatia de mercado).

Esses são os chamados “investimentos errôneos” (ou malinvestments). São investimentos para
os quais a demanda não é sustentável, pois essa demanda era baseada na manipulação dos juros e na expansão monetária (o que inclui endividamento).

E aí o que acontece?

As vendas das Casas Bahia diminuem e os estoques se
acumulam. Mas a primeira medida dos donos das Casas Bahia não será a de demitir empregados, pois os custos de demissão e de readmissão
futura (treinamentos dos recém-contratados) são altos. Por isso, a demissão da
mão-de-obra do setor de comércio tende a ser um recurso de última instância.

A primeira medida das Casas Bahia será diminuir a encomenda de novos estoques.
Consequentemente, os fornecedores das Casas Bahia — o setor atacadista —
reduzirão suas encomendas para as indústrias. E as indústrias de fogões,
geladeira e televisão irão reduzir sua produção e, consequentemente, sua
demanda por bens de capital. E então as indústrias de bens de capital irão
parar. E o faturamento de toda a indústria vai diminuir.

E aí o primeiro recurso será dar férias coletivas.
Se as coisas não melhorarem, demissões.

No final, todo aquele investimento e toda aquela
expansão dessas indústrias se mostram errados, pois foram baseados na crença de
que haveria uma demanda forte e contínua por seus produtos.

Ou seja, nos ciclos econômicos, os setores da
economia que mais se expandem e que mais se contraem são aqueles que estão no início da cadeia produtiva.

Quando uma economia entra em processo de
crescimento, o setor industrial é o que mais contrata e o que mais investe; e
quando a economia entra em recessão, o setor industrial é aquele que mais corta
empregos e que mais reduz seus investimentos.

Depois vem o setor atacadista. Depois o comércio. Já
o setor de serviços tende a ser o que menos sofre.

A
prática

Tudo o que foi descrito acima é apenas uma teoria, deduzida aprioristicamente.

Vamos ver a prática no Brasil.

No gráfico abaixo, a linha vermelha é a SELIC e a
linha azul é a produção da indústria de bens de capital, que é quem fabrica as
máquinas que serão usadas pelas indústrias que irão fabricar os fogões para as
Casas Bahia.

9.png

Gráfico
9: evolução da SELIC (linha vermelha) versus produção da indústria de bens de
capital (linha azul). Fonte: Banco Central

O setor de bens de capital, relembrando, é aquele
que está lá no início da cadeia produtiva.

A correlação é perfeita e direta: a SELIC cai, a
produção da indústria de bens de capital sobe. A SELIC sobe, a produção da
indústria de bens de capital cai. Exatamente
como prevê a Teoria Austríaca dos Ciclos Econômicos
.

No próximo gráfico, a linha verde é a produção da
indústria de bens de consumo, que é quem compra os bens de capital para fabricar
os fogões pras Casas Bahia. Observe que a oscilação também acompanha diretamente
os juros (linha vermelha) e a indústria de bens de capital (linha azul), embora
já seja menor.

10.png

Gráfico
10: evolução da SELIC (linha vermelha) versus produção da indústria de bens de
capital (linha azul) versus produção da indústria de bens de consumo (linha
verde). Fonte: Banco Central

A menor oscilação é explicada exatamente pelo fato
de se tratar de uma indústria que está mais próxima do consumidor final.

Por fim, vejamos o comércio.

No gráfico abaixo (o site do BC mudou aleatoriamente
a cor das linhas, sem dar opção), a linha vermelha é a SELIC, a verde é a
indústria de bens de capital e a azul é o comércio.

11.png

Gráfico
11: evolução da SELIC (linha vermelha) versus produção da indústria de bens de
capital (linha verde) versus comércio ampliado (linha azul). Fonte: Banco
Central

Observe que o comércio é o exatamente o setor que
menos sofre, pois é o que está mais próximo do consumidor final. Ainda assim,
há alguma correlação entre ele e a SELIC.

(A única vez em que o comércio não foi afetado por
uma subida na SELIC foi em 2010-2011. Em todo o resto ele o foi, em maior ou
menor grau. De 2014 em diante, foi explícito).

Ou seja, mais um pilar da TACE, deduzido
aprioristicamente, foi comprovado pela empiria: alterações nos juros afetam
muito mais profundamente aqueles setores que estão lá no início da cadeia
produtiva, longe do consumidor final, e afetam menos aqueles que estão mais
próximos dos consumidores. Quanto mais próximo do consumidor final,
menor é a volatilidade do setor.

Atualmente, e sem qualquer surpresa, quem
mais está crescendo na economia brasileira é exatamente a indústria
.

Ludwig von Mises começou a explicar tudo isso em 1912 e explicou
por completo na década
de 1920
. Estamos em 2017 e tudo continua funcionando exatamente como ele deduziu.
Nenhuma outra escola de pensamento econômico enfatiza esse ponto. Com efeito, nenhuma
outra parece sequer saber disso.

Como
alterações nos juros, na oferta monetária e na estrutura de produção afetam os
preços

Por último, a última e talvez mais importante parte:
ver como as alterações nos juros, na oferta monetária e na estrutura de
produção — que é o que o já vimos até agora — afetam os preços.

Afinal, vale lembrar que o Banco Central manipula a
SELIC exclusivamente com a intenção de controlar
os preços
. Toda a justificativa para manipular juros é exatamente
“gerenciar os preços”.

Até agora, vimos as consequências da manipulação dos juros. Falta ver se essa
manipulação ao menos alcança seu objetivo, que é controlar os preços.

O gráfico abaixo, também com média móvel de 12
meses, mostra a evolução da taxa de inflação de preços no setor atacadista.

12.png

Gráfico
12: evolução mensal dos preços do atacado. Fonte: Banco Central

Relembrando: os atacadistas são aqueles que compram
das indústrias e vendem para as Casas Bahia. Na prática, esse gráfico mostra o
comportamento dos preços que os atacadistas — depois de terem comprado das
indústrias — cobram das Casas Bahia pelos estoques fornecidos.

Se os preços estão aumentando, isso significa que a
demanda dos empresários (Casas Bahia) para repor seus estoques está crescente,
o que indica que o consumo e a renda da população estão em alta. Se os preços
estão desacelerando, a demanda dos empresários para repor seus estoques está em
retração, o que indica que o consumo e a renda real da população estão em
queda.

Não
existe
queda contínua de preços no setor atacadista se a
economia está aquecida.

Utilizando a lógica e tudo o que já foi apresentado,
é possível deduzir aprioristicamente que, se os preços no atacado estão
subindo, é porque a SELIC está caindo, a oferta monetária está aumentando, a
renda está subindo, e o comércio está fazendo pedidos para as indústrias para
repor seus estoques.

Inversamente, se os preços no atacado estão caindo,
é porque a SELIC está subindo, a oferta monetária está desacelerando, a renda
está estagnando, e o comércio não está repondo estoques.

Vamos à prática.

No gráfico abaixo (o site do BC novamente mudou
aleatoriamente a cor das linhas), a linha vermelha é a SELIC e a azul, os
preços no atacado. Média móvel para 12 meses. As escalas estão diferentes, mas o que interessa é a correlação.

13.png

Gráfico
13: evolução da SELIC (linha vermelha) versus evolução mensal dos preços do atacado
(linha azul). Fonte: Banco Central

Comecemos com uma curiosidade: ano 2002, Lula eleito,
vários empresários acreditaram
que a hiperinflação iria voltar
. Logo, eles saíram aumentando seus preços avassaladoramente
para se proteger (houve também uma forte desvalorização cambial à época, com o
dólar indo de R$
2,40 para R$ 3,99
). Consequentemente, para conter essa escalada de preços, o
Banco Central elevou a SELIC pra 26,50% ao ano.

E aí todo o ciclo começou. De novo, a correlação é
total.

Aumento na SELIC desacelera o aumento da oferta
monetária e da renda. O comércio passa a fazer menos pedidos para o atacado
para repor estoques. Consequentemente, as indústrias vendem menos para o
atacado. Ou seja: aumento dos juros
gera diretamente uma desaceleração nos
preços do atacado
.

E vice-versa. Redução na SELIC acelera o aumento da
oferta monetária e da renda. O comércio passa a fazer mais pedidos para o
atacado para repor estoques. Consequentemente, as indústrias vendem mais para o
atacado. Ou seja: redução dos juros
gera diretamente uma aceleração nos
preços do atacado
.

Agora, outra curiosidade:

14.png

Gráfico
14: evolução da SELIC (linha vermelha) versus evolução mensal dos preços do
atacado (linha azul), com destaque para o período 2014-2015. Fonte: Banco
Central

A única desconexão ocorre no período 2014-2015. A
SELIC começa a subir em 2013 e os preços no atacado caem, como era de se
esperar. No entanto, eles voltam a subir com força em 2015, mesmo com a SELIC
subindo.

Motivo? Os controles de preços do
governo Dilma
. O congelamento dos combustíveis e das tarifas de energia
elétrica diminui os custos das indústrias, o que as permitiu segurar um pouco o
aumento dos preços no atacado. Isso se manteve até o final de 2014, pra
garantir as eleições.

Em 2015, já reeleita, ocorre a inevitável correção
dos preços. E então eles disparam, mesmo com os juros já subindo. Para piorar,
ainda houve uma brutal desvalorização cambial, com o dólar saltando de R$
2,40 para R$ 4,20
.

Por isso, a SELIC teve de subir ainda mais para
contrabalançar esses reajustes. Só que ela subiu tanto, que os preços voltaram
a desabar feito a uma pedra. (Isso foi abordado em mais detalhes aqui).

Conclusão: os juros
afetam diretamente os preços do setor atacadista
.

Certo, mas nós consumidores compramos no varejo, e
não no atacado. E são os preços do varejo que o IBGE mensura por meio do IPCA.
E é o IPCA que o Banco Central monitora. O Banco Central mexe na SELIC exatamente
de olho no IPCA. Toda a justificativa para se mexer na SELIC está no IPCA.

O que nos leva então à derradeira pergunta:

Afinal,
aumentar a SELIC funciona ou não pra debelar a carestia?

Já vimos que a SELIC afeta a quantidade de dinheiro
líquido na economia, o PIB, a estrutura de produção da economia, todo o setor
industrial, os preços no atacado e o comércio (embora menos).

Mas a SELIC é manipulada pelo Banco Central com a
justificativa de que isso irá afetar os preços ao consumidor, e não os preços do
atacado.

Funciona?

Pela lógica apriorística, tem de funcionar. Afinal,
se a SELIC afeta a quantidade de dinheiro na economia, isso de alguma forma tem
de afetar os preços finais ao consumidor.

No gráfico abaixo, a linha azul é a SELIC e linha
vermelha é o IPCA.

15.png Gráfico
15: evolução mensal da SELIC (linha azul) versus evolução mensal do IPCA (linha
vermelha). Fonte: Banco Central

De novo, a correlação é direta.

Mas atenção! O IPCA embute vários preços que não
estão sujeitos às leis do mercado, pois são preços administrados pelo governo.
Combustíveis, energia elétrica, gás de bujão, pedágio, taxa de água e esgoto,
planos de saúde, tarifas de celular e de telefonia fixa, remédios,
licenciamento etc.

E esses preços, por definição, não podem ser
afetados pela SELIC.

Assim, vamos pegar apenas os preços livres, que são
os preços determinados livremente pelo mercado. (O site do BC trocou as cores
de novo…)

16.png

Gráfico
16: evolução da SELIC (linha vermelha) versus evolução mensal do IPCA-itens
livres (linha azul). Fonte: Banco Central

Observe que a correlação é total.

Começando no início de 2002: a SELIC está subindo e
o IPCA, caindo. E então Lula é eleito e o IPCA dispara (por causa daquela
elevação dos preços no atacado e também por causa da desvalorização cambial
ocorrida).

Consequentemente, a SELIC sobe forte e o IPCA
desaba.

Em 2004, a SELIC cai rapidamente e o IPCA ameaça uma
reação tímida. Imediatamente a SELIC volta a subir (essa era a época
de Afonso Beviláqua no BC
) e, com essa subida da SELIC, o IPCA cai forte
até o fim de 2006. Dali, a SELIC cai prolongadamente e o IPCA sobe. E por aí
vai.

Nova curiosidade:

17.png

Gráfico
17: evolução da SELIC (linha vermelha) versus evolução mensal do IPCA-itens
livres (linha azul), com destaque para o período 2014-2015. Fonte: Banco
Central

Observe que, após a liberação dos preços congelados,
o IPCA ameaça uma subida. Mas a SELIC subiu tão forte (e a oferta monetária já havia
desabado; ver gráficos 2 e 3), que o IPCA perdeu força e afundou. Está hoje nas
mínimas históricas.

Vale ressaltar que foi por causa daquele período
destacado — em que os juros estavam subindo, mas o IPCA resistia e chegou até
a subir após a liberação dos preços — que surgiram teorias esdrúxulas como a
da “dominância
fiscal
“, a qual dizia que aumentar juros não só não mais combatia a
carestia como, ao contrário, gerava ainda mais carestia, e que o certo,
portanto, seria reduzir a SELIC para quase zero, como disse
André Lara Resende.

Tudo por causa daquele período ali. Aparentemente,
foi esquecido que a economia havia vivenciado um período de dois anos e meio de
controle de preços, e que após a liberação haveria vários reajustes em todas as
áreas, inclusive nos preços livres — reajustes esse que, aliás, foram até
bastante modestos. (Abordado em mais detalhes aqui).

Por fim, um dos gráficos mais reveladores de todos.

18.png

Gráfico
18: evolução mensal do IPCA-itens livres (linha azul) versus evolução mensal
dos preços do atacado (linha vermelha). As escalas estão diferentes. Fonte:
Banco Central

A linha vermelha são os preços no atacado, que nós
já vimos, e a linha azul é o IPCA preços livres. As escalas estão diferentes (os
preços do atacado, coluna da esquerda, variam com muito mais amplitude que o
IPCA livre), mas o que importa é: a variação é praticamente idêntica. No
entanto, quem varia primeiro são os
preços no atacado. Depois, só depois,
é que varia o IPCA.

Isso é óbvio. Como já visto, o comércio faz as
encomendas para o setor atacadista, e o atacado encomenda para as indústrias.
Se os preços no atacado sobem, os do comércio irão subir (embora menos). Se os
preços do atacado caem, os do comércio irão desacelerar.

Ou seja, quem
determina o IPCA são os preços do atacado
.

Portanto, e finalmente, chegamos à conclusão
derradeira: o Banco Central mexe na SELIC para influenciar o IPCA. Só que o
IPCA só é influenciado depois que toda a
estrutura de produção da economia foi alterada
; depois que a SELIC afetou
indústria, atacado e varejo.

Ou seja: para influenciar o IPCA, a SELIC primeiro
afeta toda a estrutura de produção da economia. E então, só então, isso vai
afetar os preços aos consumidores.

Conclusão: para que o governo consiga controlar
preços manipulando juros, ele tem
necessariamente que desarranjar toda a economia
.

É impossível manipular juros e acreditar que os
efeitos disso ficarão restritos apenas ao preço das roupas, do dentista, do
encanador, da pizza, do liquidificador, da geladeira etc.

Os preços estão altos? O BC eleva a SELIC, o crédito
diminui, a oferta monetária cai, o consumo cai, o comércio reduz encomendas
para as indústrias, as indústrias cortam produção e demitem, os preços no
atacado caem, e aí então, só então, o IPCA desacelera.

É assim que funciona um controle de preços via
manipulação arbitrária de juros.

Eis aí um grande exemplo de por que todo e qualquer
microgerenciamento de uma economia sempre irá gerar consequências
não-premeditadas.

Águia
ou galinha?

Tudo isso nos permite responder ao título dessa
apresentação: vamos ter vôos de galinha ou de águia?

Voltemos ao gráfico que sintetiza toda essa
apresentação, e que é o gráfico mais importante de todos.

19.png

Gráfico
19: evolução da quantidade de dinheiro em conta-corrente (linha azul) versus
evolução da SELIC em valores mensais (linha vermelha). Fonte: Banco Central

Linha azul, oferta monetária (dinheiro em
conta-corrente). Linha vermelha, taxa SELIC.

Águia ou galinha? Tudo vai depender das políticas
que irão afetar essas duas variáveis. Enquanto for mantido esse padrão de
serpente, de montanha-russa, será galinha.

O que fazer?

Sem devaneios e considerando apenas o possível, há três
medidas totalmente factíveis que podem ser adotadas.

1. Investimento Estrangeiro Direto

Quando estrangeiros vêm para o Brasil e trocam suas
moedas por real, não há expansão monetária se
o BC não intervier
.

Quando estrangeiros trocam sua moeda por real, a taxa
de câmbio se aprecia pontualmente. Se o BC nada fizer, não há expansão
monetária. Porém, se o BC intervier para impedir a apreciação do câmbio, haverá
expansão monetária, o que gera um ciclo econômico.

Portanto, o IED é uma maneira de os investimentos produtivos
aumentarem e a economia crescer sem
manipulação de juros e sem expansão monetária
.

E com um adendo: IED implica necessariamente redução
drástica de tarifas de importação — pois os estrangeiros terão de importar
insumos que não há aqui — e inserção do país na economia mundial.

Vai acontecer? Difícil. E o difícil nem é o Banco Central
se restringir e deixar o câmbio se apreciar, mas sim convencer os estrangeiros
a virem pra cá. Não há segurança institucional, não há segurança física, a
carga tributária é alta, o código tributário é indecifrável, não temos uma
grande tradição de respeito à propriedade privada, e temos uma cultura que
sempre foi incentivada a desconfiar dos capitalistas estrangeiros.

Logo, sem o IED, sobram apenas manipulação dos juros
e expansão monetária. Como nossa poupança interna sempre foi baixa, os
investimentos ocorrem por redução artificial dos juros e expansão do crédito.

2.
Reforma da Previdência

A reforma reduziria os déficits do governo, e uma
das causas das variações dos juros e da oferta monetária são os déficits do
governo.

Quando o governo põe um grande volume de títulos do
Tesouro à venda para se financiar, isso tende a elevar os juros de longo prazo,
o que desestimula os investimentos produtivos. Se os juros de longo prazo são
altos, investidores e empreendedores vão para a renda fixa.

E vendo o atual estado do déficit orçamentário do
governo, as perspectivas não são nada auspiciosas.

20.png

Gráfico
20: evolução do déficit nominal do governo federal. Fonte e gráfico: Banco
Central

Reduzir esse déficit traria mais segurança quanto ao
futuro das finanças do governo. Com déficits menores, as chances de aumentos de
impostos no futuro são menores. E isso estimularia mais investimentos
produtivos.

As taxas de juros de longo prazo também seriam
menores, o que tornaria investimentos produtivos de longo prazo mais factíveis.

3.
Respeitar o teto de gastos

Talvez a melhor medida aprovada pelo governo Temer, o teto de gastos, caso
seja efetivamente respeitado, pode ajudar bastante nesse processo de redução do
déficit orçamentário, gerando os efeitos benéficos citados acima (queda dos
juros de longo prazo e redução das expectativas de que haverá aumento de
impostos).

Com esses três itens, a economia poderia se
aproximar mais de uma águia.

Duas
notas mais otimistas

Antes de concluir, duas
notícias boas.

A primeira é que, ao
menos por ora, parece que as pessoas estão quitando suas dívidas. Ou, no jargão
técnico, estão se desalavancando.

A linha vermelha mostra
a evolução do endividamento das famílias em relação à sua renda anual. E a
linha azul mostra a mesma coisa só que excluindo o crédito habitacional, ou
seja, a dívida voltada exclusivamente para a compra de imóveis.

21.png

Gráfico 21: evolução do
endividamento das famílias em relação à sua renda anual (linha vermelha) e
evolução do endividamento das famílias em relação à sua renda anual excluindo o
crédito habitacional (linha azul). Fonte: Banco Central

A dívida total (linha
vermelha) está em queda. Já esteve em 46% e agora está em 42% da renda anual.
Pode parecer pouco, mas não é. Esse valor é o mesmo de 2011.

E quando se exclui o
crédito habitacional, a queda foi de 32% para 22,5% da renda anual, mesmo nível
em que estava em 2007.

Ou seja, as pessoas
estão desalavancando. E essa foi uma das
causas
da queda na oferta monetária. Pessoas quitando dívidas junto aos
bancos.

Por outro lado, essa
desalavancagem significa que haverá espaço para uma nova rodada de
endividamento. Mais expansão do crédito, mais consumo. Isso pode aditivar o
PIB, temporariamente, e beneficiar o eventual governante que estiver na
presidência. A conferir.

A outra notícia, e essa realmente é muito boa, é que
a expansão do crédito subsidiado feita pelos bancos estatais não só está sob
controle, como ainda está em retração.

A linha vermelha mostra a evolução do total de
crédito concedido pelos bancos estatais, inclusive e principalmente BNDES; e a
linha azul, o total de crédito concedido pelos bancos privados.

22.png

Gráfico
22: evolução do crédito concedido pelos bancos estatais (linha vermelha) e evolução
do crédito concedido pelos bancos privados (linha azul). Fonte: Banco Central

Os bancos estatais, desde 2008, foram os principais
causadores da expansão monetária no Brasil. Bancos estatais não estão sujeitos
à SELIC e obedecem a ordens políticas. (Veja todos os detalhes
aqui
).

Eles emprestam a juros bem baratos, muito abaixo da
SELIC, criando depósitos em conta-corrente nesse processo. Consequentemente, para
tentar conter um pouco dessa expansão monetária, o Banco Central tem de subir a
SELIC para uma taxa muito maior do que seria necessária caso não houvesse essa
prática.

Sendo assim, com os bancos estatais agora contidos
— aliás, em retração — há sim uma grande
chance de que a SELIC permaneça baixa por um bom tempo
. E sem que haja
grandes explosões na oferta monetária.

A questão é ver como os bancos privados irão se
comportar, principalmente perante aquela desalavancagem feita pelos
consumidores.

Conclusão

Águia ou galinha? Até hoje foi galinha

Poderá se aproximar de uma águia quando a) houver
uma forte injeção de IED sem expansão monetária — ou seja, com o BC permitindo
apreciação cambial; b) o déficit do governo estiver zerado ou ao menos com
tendência de queda (o que depende da reforma da Previdência e da manutenção do
teto de gastos); e c) os bancos estatais estiverem efetivamente domados, o que
inclui o BNDES.

Acima de tudo, será menos galinha e mais águia
quando esse gráfico da SELIC e da oferta monetária deixar de ter esse formato
de montanha-russa.

23.png

Gráfico
23: evolução da quantidade de dinheiro em conta-corrente (linha azul) versus
evolução da SELIC em valores mensais (linha vermelha). Fonte: Banco Central

Para que isso aconteça, adotar esses três pontos —
IED, zerar déficit e controlar bancos estatais — é imperativo. Não basta. Mas
começa por ali.

Como sempre diz o economista Steve
Hanke
, “money dominates“, o
dinheiro domina. Dado que o dinheiro está presente em todas as transações feitas
na economia, o que realmente irá conduzir as flutuações econômicas são essas
duas variáveis: juros e oferta monetária.

São elas que têm o poder de transformar galinha em
águia. O resto, por incrível que pareça, é secundário. Logo, o crucial é
implantar medidas que estabilizem essas duas variáveis.

E
como ganhar com isso

Por último, aqui vai o que realmente interessa: você
e o seu dinheiro. Como investir e ganhar dinheiro com todos esses movimentos
cíclicos?

A receita é um feijão-com-arroz tradicional, mas é
incrivelmente funcional:

a) Se a SELIC já subiu bastante e a oferta monetária
começou a se estagnar, isso significa que o IPCA irá desacelerar e,
consequentemente, a SELIC voltará a cair. Invista em títulos prefixados (os
CDBs de bancos pequenos, cobertos pelo FGC, são os mais rentáveis). Quem fez
isso em 2003, 2005, 2008 e 2015 se deu bem. (No início de 2016, havia
prefixados pagando 18% ao ano).

b) Quando a SELIC está caindo ou já está baixa e a
oferta monetária já voltou a subir forte, invista em títulos atrelados ao IPCA.
Como segunda opção, invista naqueles que pagam acima de 120% do CDI. (Atenção:
este ainda não é o cenário atual, pois a oferta monetária ainda segue
relativamente contida por causa dos bancos estatais. Por enquanto, prefixados
pagando acima de 11% continuam um ótimo negócio, assim como títulos que paguem
acima de IPCA + 6%).

c) Investir no Ibovespa é mais complicado porque o
índice está repleto de estatais, e estas tradicionalmente seguem ordens
políticas, e não uma demanda de mercado. Ainda assim, vale ressaltar que,
excetuando-se o ano de 2013, há uma correlação direta
entre o Ibovespa e a oferta monetária
.

d) Para os que gostam de arriscar, em períodos de
início de recuperação, como o atual, ações ligadas à indústria, principalmente
aos setores do início da cadeia produtiva, tendem
a desempenhar muito bem
(desde que elas não sejam colhidas pela Lava-Jato).
Inversamente, em início de recessão, ficar vendido nestas ações também trará
ganhos.

Munido destas informações, você pode agora não só saber
em que ponto do ciclo econômico está a economia brasileira, como também pode fazer
previsões econômicas e, caso esteja seguro, se arriscar e investir de acordo
com essas previsões.

 

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215 comentários em “Economia brasileira: águia ou galinha? – Aprendendo a prever os ciclos econômicos”

  1. Fabiano M. C. Alves

    Eu sempre tive dificuldade pra entender alguns detalhes específicos da TACE. A maneira como a estrutura de produção era afetada, com as indústrias caindo mais que o resto era algo que eu não conseguia explicar bem e nem visualizar.

    Esse artigo esclareceu tudo. Aliás em termos de economia prática e real, acho q esse já é o artigo mais completo do site.

  2. Excelente texto, Leandro. Parabéns.

    Uma dúvida. É correto inferir que, caso seja eleito um governo comprometido com as medidas de contenção de déficit público (previdência, teto de gastos etc), haverá uma tendência a ocorrer um ciclo econômico de recuperação mais consistente, certo?! Todavia, qual a influência você acredita que poderia ter em tal ciclo interno mudanças nas políticas monetárias externas, por exemplo, caso o FED (ou também o BCE futuramente) comece a conter a expansão monetária de lá e, consequentemente, os investimentos estrangeiros aqui diminuam de volume? Será que o mercado interno conseguiria ignorar tais fenômenos?

    Obrigado e abraço.

  3. Caramba Leandro, estava estudando o assunto e essa dúvida surgiu, receber esse artigo é como um presente kk

    Parabéns e obrigado!

  4. Olá pagadores de impostos !

    Meus queridos escravos, tenho estado muito cansado e um tanto preguiçoso, mas isso é passageiro, creiam em mim, o futuro será brilhantes para todos nós.

    Quanto a essas aves, eu diria que não há dúvidas de que a águia é muito superior a galinha, porém, entretanto, todavia, não é possível domesticá-la, logo, a galinha é a minha preferida: bota ovos, não voa alto, e ainda faz faxina no terreno.

    Espero que entendam e não me levem a mal: galinhas são mais dóceis e mais fáceis de se manipular.

    Uma ótima galinhada para todos!

    ESTADO PARASITA

  5. Recapitulando de uma forma mais popular, corrijam me se eu estiver errado

    Ao subir as taxas de juros, artificialmente pelo BC, os investidores e industrias contraem empréstimos para fazer investimentos e aumentar sua produção

    Acontece que os empréstimos estão sendo contraído porque o BC baixou o juros artificialmente e não porque havia mais poupança real. Os empréstimos não estão ocorrendo porque as pessoas tem mais dinheiro guardado, com capital acumulado pra gastar em um futuro, e sim porque o BC artificialmente barateou os empréstimos.

    Logo, quando os empréstimos são contraídos, a expectativa é de que haverá consumo, pois as pessoas tinham capital acumulado barateando o juros.

    O consumo não vem, as pessoas não tem capital acumulado pra gastar com o tempo e a quebradeira acontece….

    Por ai não?

    Abraços

  6. Com a divulgação agora do PIB de 2017 se vê que aconteceu exatamente isso: a indústria de transformação (bens de capital e de consumo), especialmente no quesito trimestre sobre mesmo trimestre do ano anterior, foi a que mais cresceu (depois do agronegócio, obviamente).

    Página 11:

    agenciadenoticias.ibge.gov.br/media/com_mediaibge/arquivos/5452d8356484c9bf115862b4f64d9079.pdf

    Perfeito o timing pra publicação deste artigo. E a Tace realmente é impressionante em sua precisão (coisa que as outras escolas não tem).

  7. Quando vi o tamanho confesso que assustei. Mas mesmo assim decidi encarar. E que surpresa. O texto flui suave e agradável com linguagem fácil e sem nenhuma complicação frescura ou empolação. Nota-se que o autor tem segurança e sabe do que fala. Meu parabéns e meu obrigado pelas informações de alta qualidade.

  8. Pergunta de um leigo: É possível na economia de um país (Brasil, especificamente) nunca mais ocorrer aumento de oferta monetária? Ou seja, que nossas moedinhas de 1 real voltem a ter algum valor significativo para consumir?

  9. Fico muitíssimo agradecido pois, me foi deveras esclarecedor! Parabéns pelo texto e pela linguagem utilizada, facilitanto em muito o entendimento.

  10. Boa tarde!

    Aproveito, antes de mais, para vos parabenizar pelos excelentes artigos que tenho vindo a ler aqui neste blog.

    Tenho curiosidade em saber o que vocês acham da maneira de interpretar a economia de Ray Dalio, cuja “template” para analisar economias o ajudou a tornar o seu hedge fund no maior do mundo (Bridgewater). Pergunto porque a maneira de ele analisar os ciclos económicos, através do ciclo de crédito, me parece ter semelhanças com a TACE.

    Ele defende que o crescimento a longo prazo provém inteiramente de ganhos na produtividade e que expansões e contrações no crédito provocam ciclos curtos e longos de crédito que fazem com que o crescimento flutue à volta da produtividade à medida que as pessoas conseguem gastar mais (durante a fase de expansão do crédito) e menos (durante a fase de contração), criando assim o ciclo económico.

    O vídeo dele de youtube é muito conhecido (www.youtube.com/watch?v=PHe0bXAIuk0), mas uma explicação mais completa está disponível nos research papers no website dele (www.economicprinciples.org/).

    Ele diz que a maneira dele ver a economia é algo diferente da tradicional, pelo que se quiserem investigar e opinar, acho que daria para um bom artigo!

    Abraço!

  11. Leandro Parabéns!!!!

    Suas explicações são puramente lógicas isso que facilita, voce só precisa de atenção para compreender, pode ser que fique algumas dúvidas mas o core voce consegue entender.

    Tenho algumas dúvidas:

    A taxa Selic, é o mecanismo que o Banco central manipula a oferta monetária isso está explicito, mas então qual seria uma taxa que não incentivasse a gastança mas ainda fosse acessível para investimentos com alguma certeza de retorno?

    Sem qualquer reforma ou mudança na nossa estrutura, consegui pensar em uma forma de talvez a economia poderia crescer estando fora de ciclo econômico. Se as pessoas ao em vez de gastar elas economizassem, com isso quando elas forem gastar suas economias, o ciclo na indústria seria o mesmo que uma taxa de juros manipulada estimulando a divida,mas com isso não haveria a retração como ocorre quando a oferta monetária diminui, fazendo o crescimento ser genuíno?

    Ultima dúvida qual seria um investimento bom ? tenho algum dinheiro que vamos dizer coloquei na cabeça que posso perder, conseguir ter um bom retorno com Bitcoins, mas teria alguma outro, apenas para eu estudar e ver se é viável.

    Muito obrigado desde já.

  12. A solução pra sair de uma recessão então é baixar os juros, injetar capital? Vejam só, Friedman e Keynes concordaram sobre isso. O problema da liquidez. Foi o que foi feito em 2008 nos EUA e, de lá pra cá, a economia americana segue bombando.

  13. Benjamim Cartwright

    Prezado Leandro,

    Excelente texto, imprimi para ler mais tarde, com atenção.

    Agora, OFF Topic, eu tenho uma pergunta para você e aos demais colaboradores mais experientes que eu:

    Qual é a opinião do IMB sobre Caio Prado Junior, considerado um dos maiores “intelectuais” brasileiros?

    Abraços!!!

  14. Quando o Leandro falou das indústrias de bens de capital, a primeira que veio na cabeça foi a ROMI, ai fui olhar o desempenho dela na bolsa e notei um grande tombo na crise e uma bela recuperação em seguida:

    fundamentus.com.br/cotacoes.php?papel=romi3

  15. Leandro, em uma economia com um BC onde houvesse somente a manipulação pela taxa SELIC, haveria ciclos econômicos? Austrália seria um bom exemplo disso? Amei ter ouvido sua palestra, pena que no final ficou sem som e o áudio estava baixo. Um dia ainda irei conhecê-lo pessoalmente, agora estou mais perto (estou morando agora em São Vicente).

  16. Leandro, a subida de juros não vai ser proporcional a descida dos juros definida pelo governo?

    Vamos supor que a SELIC é reduzida em 10%. Quando vier o aumento, vai vir 10% ou mais de aumento…(Isso é só um exemplo pra expressar minha duvida)

    Outra coisa e se o governo ficar segurando o juros la embaixo, isto é, evitar a subida dos juros depois? Quais seriam as consequências?

    E os economistas das industrias não sabem que o juros vai subir a toda um dia e destruir tudo? Porque não aconselha as empresas a serem mais prudentes então?

    Economia é sobre produção, não tem como criar mais riqueza quando o governo muda um indicativo da economia, no caso o juros que é o preço do dinheiro, isso por si só ja não faz sentido

    Pense, o governo não cria riqueza, porque mudar um indicativo economico faria isso? E pior, porque o efeito necessariamente é positivo?

    Se ao depositar o dinheiro no banco, eu transfiro o título do ativo pro banco e ao mesmo tempo no contrato, esta expresso tudo direitinho inclusive que o banco trabalha com RF…

    Porque seria errado então? Hoje os contratos dos bancos são assim ué

    E se os bancos não trabalhassem com RF, esses efeitos não existiriam? Porque ao fazer empréstimos, não estaria criando dinheiro do nada e sim dinheiro com lastro..

    Abraços

  17. Leandro, e os títulos de divida do governo não influencia?

    Porque, o BC imprimi dinheiro parar comprar os títulos que estão em posse dos bancos privados

    Os títulos que os governos emitem pra poder se financiar..

  18. Leandro,

    Uma suposta adesão massiva às criptomoedas não configuraria uma expansão monetária (supondo que pudessem conviver com as fiduciárias). Não causaria isso um ciclo econômico?

    Semelhantemente, pode-se concluir que a corrida do ouro causou algum ciclo econômico?

  19. Leandro, tendo em conta aquilo que escreveu neste texto, podemos considerar que todas as economias do mundo (de todos os países) funcionam desta forma, através de ciclos económicos? Fazendo pesquisa por evolução de oferta monetária M1 de alguns dos países mais desenvolvidos constata-se que têm tido aumentos incríveis da oferta monetária, vide o caso da Alemanha e dos Estados Unidos.

  20. off-topic

    Sou bem leigo quanto a economia de modo geral e uma coisa que me intriga é a respeito da influencia de economias “mais fortes” no contexto regional, por exemplo, costuma-se dizer que se a economia do Brasil vai bem, a da Argentina e outros países por aqui também vai (meu interesse em especial é justamente nessa interação em especifico), o mesmo para os EUA e México , Europa, etc. Isso é de fato tem correlação direta? E se Sim, como é dado esse processo? Alguém poderia por gentileza me explicar ao menos de maneira resumida? Talvez caiba até materia a respeito no site (isso se ja nao houver e eu não tenha me atentado a isso). Desde Já agradeço.

  21. Pessoal, sei que o artigo não tem nada a ver com isso, mas me surgiu uma dúvida sobre algo que vi há um tempo atrás e nunca mais encontrei nada a respeito.

    Basicamente se trata de trabalho análogo à escravidão. Hoje, no Brasil, se em uma propriedade for identificado trabalho análogo à escravidão, pode ocorrer o confisco da propriedade por parte do Estado. Eu me lembro de ver em algum lugar (e agora não consigo encontrar) algo que dizia que no sistema anarcocapitalismo, se alguém escravizasse outrem, para trabalhar em sua propriedade, por exemplo, ele perderia o direito à propriedade etal deveria pertencer à quem a produziu, no caso, aqueles que foram escravizados… Se houver alguma inconsistência no comentário, me avisem. Se for possível me indicarem artigos que tratem a respeito do trabalho escravo e o anarcocapitalismo, ficarei grato. Minha dúvida é sobre o que acontece com a propriedade do indivíduo que realmente escraviza os trabalhadores…

  22. A Verdadeira ameaça aos EUA é a Russia como bem indicou o discurso belicoso do Putin nessa semana.A China representa apenas 2% de todo aço importado pelos americanos.Mas o mais engraçado é que os gastos militares do Trump serão bancados por chineses mediante a compra de títulos da dívida pública americana.E o Trump ainda vem com essa história de que os chineses ameaçam a segurança americana…

  23. Excelente artigo!

    Leando, você poderia se possível apresentar como é feito esse controle de preços em relação aos EUA?

    Se houve esses ciclos econômicos em comparação ao período no Brasil, como a taxa de juros lá é operada, e as ações do governo em relação a economia?

  24. Leandro, a expansão monetária brasileira, não foi uma consequência da venda dos títulos dos bancos privados?

    Os títulos do tesouro que o governo emite pra se financiar, que estão em posse dos bancos privados e depois estes mesmos títulos foram comprados pelo banco central via impressão de dinheiro.

    Ou seja, a reserva fracionaria seria o menor dos problemas?

    Outra pergunta, empréstimos com uma taxa de juros livre, no atual sistema, porque não gera inflação?

    Pelo oque eu entendi, se os juros fossem livres o aumento da oferta monetária não teria ocorrido, logo não teria ciclo economico.

    Mas ate onde eu sei, o sistema de reservas fracionarias causa um aumento da oferta monetária quando os bancos emprestam certo?

    Magnifico artigo!

    Abraços

  25. Olá, Leandro,

    Sou BR (Recife-PE), mas vivo em Lisboa desde 2014. Formei-me em Ciência Política e Relações Internacionais por aqui e TALVEZ faça um mestrado em Economia (lecionado em inglês) por aqui também. Participo ativamente dos encontros ministrados pelo Instituto Mises Portugal e, claro, acompanho o IMB (em 2015, houve um “crossover” do IMP com o IMB aqui em Lisboa, com o Helio e o Bruno, que falou sobre o livro dele e acabei pegando um autógrafo; mas naquela época eu não havia estudado aquase nada ainda). Como meu interesse é maior em assuntos macroeconômicos (políticas monetárias e cambiais, inflação, ciclos, etc, etc; já que são o que vão determinar o rumo das coisas) e em mercados financeiros (de maneira geral) os artigos dos quais mais gosto de ler por aqui são os seus, que são bem claros nos assuntos macroeconômicos.

    Espero que você venha a escrever livros também.

    No meu blog (www.schiffinstitute.blogspot.com) escrevo sobretudo a respeito de macroeconomia, até agora só sobre os EUA e Brasil. Não há muita coisa pois ainda preciso aprender muito sobretudo a respeito de mercado financeiro, mas sempre que posso faço uma pesquisa pra escrever alguma coisa interessante.

    Quero continuar a enfatizar meu estudo em questões de macroeconomia, sobretudo em políticas monetárias, em mercados financeiros (que é eu mais preciso dar atenção pois sei menos). Mas pelo menos não tive dificuldade de entender o que você falou mais especificamente a respeito de investimentos no artigo, pois às vezes paro pra entender como é o mercado por aí e sei o básico das principais aplicações. Mas como não fiz Economia e por muito tempo não estudei especificamente estes assuntos (de início fiquei estudando mais assuntos de política, os quais hoje me deixam entediado) tenho dar mais ênfase em mercados financeiros agora.

    Você deve saber disso muito bem, mas, como disse, se a pessoa entende de política monetária (com o insight da Escola Austríaca, claro), consegue saber melhor pra onde vai a Economia. O próprio Peter Schiff conseguiu ganhar com isso com o crash da bolha .com e a crise de 2008. Eu acompanho os podcasts dele há um om tempo e embora ele infelizmente não dê muita atenção especificamente ao mercado financeiro ele fala bastante da política monetária do Fed e das implicações da Economia. E às vezes acaba falando um pouco sobre as estratégias que usa na empresa de asset management dele (Euro Pacifc Capital), baseado nessas análises. Ele não dá detalhes, mas basicamente ele investe fora dos EUA, em países menos piores (Cingapura, Suíça, Nova Zelândia, etc, etc) e em commodities (como ações de mineradoras de ouro). Há vários outros detalhes que ele fala a respeito dos EUA, mas não dá pra elencar aqui.

    Gostaria de saber se você poderia indicar livros ou outras leituras (pode ser em inglês) que pudessem me ajudar nos assuntos de mercados financeiros e de políticas monetárias. Quais são as fontes que você mais estudou ao longo da vida?

    Outra coisa que não sei: você fez mesmo faculdade de Economia, Gestão, ou algo parecido? Ou tinha interesse em economia, foi estudando aos poucos e também acabou por estudar Escola Austríaca?

    Eu não sei se vou fazer mesmo o mestrado em Economia aqui, mas por vários motivos não gosto de Portugal e verei se saio daqui. O Canadá não é lá essas coisas, mas fala inglês e é menos pior que aqui. Tenho um conhecido que trabalha lá (na área de finanças, com leasing, embora não seja o que me chama atenção na área), mas nunca é fácil imigrar e conseguir ficar permanentemente no país. Também devo tentar o Brasil, caso valha a pena. Só não tenho mesmo vontade de ficar aqui.

    Se for o caso de fazer o mestrado, vou ter de engolir as coisas do mainstream, mas tem de ser. As universidades aqui são intervencionistas, como é de se esperar, mas (raro) há uns que pelo menos têm disposição de ouvir. Na cadeira de Economia que fiz no meu curso (em 2015 ainda) o meu professor keynesiano me pediu pra fazer uma apresentação sobre a Escola Austríaca. Não era pra nota, mas fiz uma apresentação de meia hora explicando os princípios básicos. Claro que a turma não ficou convencida (o pessoal aqui ou é socialista/comunista mesmo ou é social democrata), mas pelo menos ouviu e respeitou.

    O mestrado dura dois anos e se eu fizer terei de ver pra onde vou. Mas até lá quero continuar dando ênfase nesses estudos que falei.

    Grande abraço,

    André Marques

  26. Se tudo der certo, muito certo e a economia brasileira crescer na média de 3% a.a. de 2018 a 2021 voltaremos ao PIB per capita de 2013, quais as chances de isso acontecer?

  27. Petrus Ratisbonne

    Posso utilizar esse artigo para convencer alguns jovens da igreja de que, existe um cenário promissor e que é possível uma explicação racional para esse descalabro todo e, convencê-los de que a veia socialista da economia brasileira promovida por muitos governos é um fator de erro?

  28. Pergunta de Leigo:

    Renda fixa seria a renda média da empresa quando a economia não está subindo?

    Existe algum artigo explicando como funciona essa venda de Títulos do Tesouro ? Comprar dívidas ( ainda mais do estado ) não faz muito sentido pra mim.

    Outra, Por que os empresários se deixam levar por essas influências ? Não é um jogo de cartas marcadas ? Se essa manipulação dos juros é algo ruim, como as pessoas não percebem isso ? Não foi o mesmo ocorrido em 1929 ?

    “A quantidade de dinheiro na economia está crescendo por causa da expansão do crédito tanto para consumo quanto para investimento. Consequentemente, o volume de gastos também está crescendo. E como os salários e o consumo estão em alta — por causa majoritariamente do aumento da quantidade de dinheiro e do volume de gastos —, não há como impedir o aumento acelerado dos preços.”

    Também não entendi essa parte. Como a economia cai ? O setor industrial acaba produzindo mais que a demanda e em seguida aumenta os preços para recuperar o prejuízo ?

  29. Em minha humilde opinião, o maior mérito da Escola Austríaca de Economia é focar no mundo real, sem ignorar o senso comum. Ao estudar economia Keynesiana, a primeira recomendação que um professor pode fazer para os alunos é pedir para eles esquecerem tudo o que eles sabem sobre economia. Na escola Austríaca, não são feitas simplificações grosseiras do mundo, pressuposições que exigem um exercício mental pesado para não conflitarem com a realidade, ou mesmo explicações estapafúrdias para justificar algum dado empírico que não bate com a teoria. Muito pelo contrário, os conhecimentos empíricos de economia que aprendo desde criança na família continuam sendo válidos, como o fato de que eu não posso gastar mais do que ganho e que endividamento tem consequências. Talvez justamente por nunca ignorar o óbvio é que as explicações costumam ser simples e abrangentes, mesmo tratando de algo complexo como é a economia.

  30. Leandro,

    Artigo fantástico. Parabéns pelo trabalho!

    2 dúvidas:

    1 – É possível estender essa análise para chegar a uma correlação entre a quantidade de dinheiro disponível em depósitos a vista e o volume de vendas das empresas? Já que existe a relação com a taxa de juros, que deveria conter a inflação, que contém a variação nos preços dos produtos, isso deveria impactar diretamente no volume vendido (como foi falado no texto). Mas será que é possível colocar as séries lado a lado em um gráfico?

    Digo isso pois trabalho na área de previsão de demanda em uma empresa e ainda não vi ninguém tentar fazer a análise e projeção de vendas começando com este dado do dinheiro disponível.

    Acredito que seja possível seguir o caminho inverso para mostrar que faz sentido: dinheiro disponível -> volume vendas ao consumidor -> volume vendas distribuidores -> volume vendas da empresa q trabalho (produz cosméticos)

    Ou será que o mercado de cosméticos pode apresentar um comportamento diferente?

    2 – Se for possível passar pela etapa acima, ainda assim seria necessária uma estimativa de como a quantidade de dinheiro se comportaria nos próximos meses para tentar chegar a uma proposta de volume de vendas. (considerando outras variáveis como investimentos em mídia, verba comercial e etc…)

    Como tentar montar essa estimativa? É possível? Ou só podemos olhar para o passado?

    Não sei se fui claro nas dúvidas, mas fiquei com a sensação de que podemos mudar a forma como pensamos o trabalho dentro da empresa para algo mais próximo da realidade da economia. Só que será preciso uma demonstração (usando o passado) de que o raciocínio funciona.

    Abs

    André

  31. diferença entre livre mercado e governo no brasil

    epocanegocios.globo.com/Empresa/noticia/2018/03/mercado-livre-luta-contra-frete-mais-caro-no-brasil-enquanto-lanca-entrega-gratis-na-argentina.html

    adnews.com.br/internet/freteabusivonao-movimenta-redes-sociais-de-netshoes-mercado-livre-e-correios.html

    dc.clicrbs.com.br/sc/noticias/noticia/2018/02/mercado-livre-e-correios-duelam-sobre-aumento-no-preco-dos-fretes-10175180.html

  32. Se o juros ficar baixo, graças ao governo, não vai secar todas as poupanças?

    Veja bem, ficar segurando o juros baixo, vai ter uma corrida pra pegar empréstimos. Não vai secar a fonte uma hora?

    No curto-prazo vai secar as poupanças e depois? Sem poupança não há empréstimo. Se o juros não fosse manipulado, quando houvesse escassez de poupança o juros aumentaria naturalmente e fomentaria a poupança novamente.

    Como um clico, juros alto = poupança escassa, juros baixo = poupança abundante

    E qual o efeito se o governo jogar o juros pra baixo e tiver pouca poupança?

    Abraços e desculpe sou estudante

  33. Sensacional! Estou sem palavras para expressar minha gratidão pelo aprendizado.

    Alguém sabe se existe algum lugar onde se encontre o saldo em conta-corrente de todos os (ou de vários) países do mundo? Muito excitante essa parte que mostra como a SELIC afeta diretamente a oferta monetária, e consequentemente o PIB e a economia. Volúpia.

    Seria ótimo ver esse mesmo fenômeno em outros países para ficar ainda mais comprovada a teoria.

  34. Parabéns pelos brilhantes insights sempre presentes em seus artigos, nos seus vídeos, e em suas respostas.

    É realmente um privilégio para a sociedade existirem pessoas como você, que, com uma expertise ímpar, conseguem analisar os fatos com extrema minúcia e explicar de maneira tão palatável um tema de demasiada complexidade.

    Sobre a divergência no final do vídeo entre você e o Hélio.

    Pelo que entendi o Hélio estava concordando com o rapaz da platéia que considera não ser correto dizer que o BNDES per si gera ciclo econômico, pois tal arranjo só resulta em ciclo econômico devido ao Banco Central, para manter a SELIC dentro da meta, comprar os títulos emitidos pelo tesouro em posse dos bancos.

    Logo, na visão de Hélio e do espectador que fez a pergunta, o Banco Central foi o indutor do ciclo econômico e o BNDES apenas um meio.

    Fiquei na dúvida quanto a este ponto.

    Está compreendido por mim que no atual arranjo o BNDES gera ciclo econômico, pois, para existirem os empréstimos do BNDES, em um primeiro momento o Tesouro emite títulos que são comprados majoritariamente pelos bancos, que os compram criando dinheiro (eletronicamente) através de reservas fracionárias, e como a taxa do compulsório é inversamente proporcional à criação de dinheiro, esses bancos são obrigados a recorrer ao mercado interbancário. Esse aumento de demanda de empréstimos no mercado interbancário tende a subir os juros do mesmo, que vem a ser a SELIC, e como o Banco Central possui uma meta para a SELIC, o Banco Central, para conter a subida da SELIC, injeta dinheiro nesse bancos comprando (criando dinheiro do nada) os títulos públicos em posse dos bancos, expandindo assim a base monetária. Está claro para mim que esse primeiro momento, que resultou em expansão da base monetária, somado ao segundo momento, que é quando o BNDES concede os empréstimos, gera ciclo econômico.

    Porém, pelo que entendi, o Hélio citou duas situações hipotéticas, a primeira de que o Banco Central não fizesse as operações de mercado aberto, permitindo a subida da SELIC e portanto, não expandindo a base monetária.

    Com a ausência do Banco Central do arranjo não ocorreram nem expansão monetária e nem manipulação artificial dos juros interbancários, características essenciais para um ciclo econômico. Sendo assim, apesar de a subida da SELIC afastar possíveis investimentos e gerar fugas para renda fixa, esse arranjo não comprovaria que o BNDES não gera ciclo econômico, e sim o Banco Central é quem o gera, e que o BNDES é apenas um meio que conduz o ciclo econômico, como parecia defender o Hélio?

    Outra questão, independente da questão monetária, o simples fato de o BNDES operar com juros subsidiados já não é um gerador de ciclos econômicos visto que esses juros subsidiados podem tornar investimentos errôneos “viáveis”?

    A segunda situação hipotética citada pelo Hélio é de que não fossem os bancos que comprassem os títulos do tesouro, evitando que haja criação de dinheiro através de reservas fracionárias. Nesse arranjo, como os bancos não compraram títulos públicos, a movimentação do mercado interbancário permaneceria a mesma, o que não tornaria

    necessária uma operação de mercado aberto do Banco Central, que expandiria a base monetária. Logo, nesse arranjo, além de não haver expansão da base monetária, a SELIC permaneceria a mesma e não criaria-se a situação da primeira situação hipotética de afastar possíveis investimentos e gerar fugas para renda fixa.

    Com a ausência dos bancos comprando títulos do tesouro e por consequência disso com a ausência do Banco Central do arranjo não ocorreram nem expansão monetária e nem manipulação artificial dos juros interbancários, características essenciais para um ciclo econômico. Sendo assim, esse arranjo não comprovaria novamente que o BNDES não gera ciclo econômico, e sim o Banco Central, e que o BNDES é apenas um meio que conduz o ciclo econômico, como parecia defender o Hélio?

    Essa questão me fez ter uma dúvida em relação as pedaladas fiscais cometidas por Dilma, e muito bem explicadas em um artigo seu aqui no IMB.

    Quando os bancos públicos emprestaram a grana das pedaladas criando dinheiro (eletronicamente) através de reservas fracionárias, suponho que era para ter havido uma disparada na SELIC e que tal disparada foi atenuada através da expansão da base monetária por parte do Banco Central, comprando títulos públicos em posse dos bancos.

    Indo de encontro a situação hipotética criada pelo Hélio, caso o Banco Central não fizesse as operações de mercado aberto, e tivesse deixado a SELIC disparar, as pedaladas teriam sido inflacionárias?

  35. (MEIO-OFF)

    Pessoal, tenho o costume de responder a alguns tweets que o Pirula faz envolvendo economia e filosofia política, e ontem eu dei essa resposta. Acho que eu argumentei errado, tanto é que a “militância” dos seus seguidores (eu gosto do Pirula, mas os seus seguidores são nojentos; são cientificistas) veio em massa. Como eu poderia melhorar isso?

  36. Julio Gonçalves

    Como o artigo recente aqui no Mises economia não é um jogo de soma zero. Ou só ganha quando alguém perde. Que a fome na África irá ser debelada quando a escassez atingir a América. Parece o jogo da soma mas não é, evidentemente. Agora, quanto a economia brasileira se Águia ou Galinha a vejo como um voo rasteiro ainda assim num ambiente bastante turbulência. Para chegar ao um voo de Águia acompanho o artigo ou seja, é preciso fazer as Reformas – da previdência e tributária principalmente. Parabéns pelo excelente artigo Leandro.

  37. Investidor Consciente

    Gostaria de saber o que os economistas austríacos têm a dizer sobre análise fundamentalista e análise técnica dos mercados financeiros. Seria a análise técnica uma maneira errada de analisar os ativos, já que ela se vale da matemática?

    E quanto à análise quantitativa? Eles utilizam métodos matemáticos e estatísticos avançados e os hedge funds que o utilizam (Renaissance Technologies é um exemplo) obtêm retornos até 50% maior que o S&P500. Isso não deveria acontecer, pois de acordo com Mises é impossível modelar a ação humana matematicamente. Assim, toda a análise econômica deveria ser qualitativa. Ou seja, aparentemente a única forma sensata de se analisar ativos seria através da escola fundamentalista, que se usa de critérios subjetivos.

  38. Aproveitando o gancho da economia brasileira, arrisco um exercício de futurologia: estaria o governo Trump na primeira fase do populismo?

    Vejamos: desonerações, aumento de gastos com infra-estrutura, restrições à importação, aumento do déficit, e o M1 do Fed não para de crescer… não sei em qual país eu vi isso antes hehe.

    Minha leitura é que no curto prazo, os efeitos serão benéficos (como sempre ocorre no início do populismo. Aumentos salariais foram um exemplo disso). Mas a conta deve chegar, provavelmente no próximo governo (talvez ele mesmo).

    Na dúvida, estou achando vital não ficar exposto em dólar.

    Por favor, quem julgar que minha avaliação é equivocada, peço que faça um contraponto.

  39. Rafael Nobre de Lima Santos

    Não tenho nem palavras pra descrever o quão prazeroso é assistir uma aula onde um curioso e iniciante nesta área como eu consegue entender o conteúdo. Tenho assistido algumas palestras do Mises Brasil e finalizei recentemente As Seis Lições do Mises e o Guia Politicamente Incorreto da Economia Brasileira. Eu gostaria de algumas indicações para que leigos no assunto pudessem ter uma percepção melhor dessas questões. Obs:. Eu sou Cirurgião-Dentista

  40. Gostaria de solicitar que os senhores administradores(exploradores malvadões kkk) do instituto criassem um aplicativo do site, visando melhor qualidade de visualização dos seus expectadores, geraria alguma renda com publicidade, para manutenção do mesmo.

    Poderiam oferecer opções de: salvar o artigo; ler mais tarde; modo noturno e etc.

    Estou empolgado com a idéia, e gostaria muito de contribuir com o instituto.

  41. Leandro, o seu artigo é excelente, de fácil compreensão, porém infelizmente a maioria das pessoas não tem acesso ou não tem interesse em um trabalho assim. Muito obrigado pelo conhecimento que nos proporcionou.

  42. Leandro,

    Simplesmente fantástico artigo e incrível a sua escrita que torna qualquer assunto simples e didático. Adoraria compartilhar com vários amigos mas, infelizmente, sei que não lerão apenas por não ser uma "fonte" do mainstream, uma pena.Uma pergunta, apesar da participação forte do governo no conselho da Vale, e considerando toda a teoria explanada, você compraria Vale? Não investirei apenas curiosidade.

  43. Rafael Nobre de Lima Santos

    No final do vídeo, há uma discussão sobre se A emissão de títulos da dívida pública pelo Tesouro para o BNDES causaria um aumento da SELIC. Isso acontece pelo fato de que essa emissão de títulos causa uma migração do dinheiro das contas correntes para a renda fixa?

  44. Parabéns pelo artigo excelente Leandro,

    Só fiquei com uma dúvida sobre o final. No gráfico em que você mostra a relação entre a oferta monetária e a bolsa, os movimentos na bolsa parecem anteceder os movimentos da oferta monetária. Isso não tornaria essa análise ineficiente para prever movimentos na bolsa? Talvez porque os operadores de bolsa já tenham previsto o início/final do ciclo.

  45. Antônio Galdiano

    Dá pra contar nos dedos de uma mão as pessoas que entendem de ciclos econômicos com a abordagem da TACE entre os formados comigo em economia na usp em 2013. O Leandro está de parabéns pelo artigo, bem minuncioso e até com dicas de trade 🙂

  46. A poupança não acaba não? Por exemplo…

    O governo joga o juros la pra baixo e segura, vai ter empréstimos a dar com pau. Consumo sobe e investimentos também.

    Ta ai todo esse dinheiro gasto pra consumir e emprestar vai acabar… Ou seja, as reservas, o capital acumulado foi gasto.

    E ai ninguém tem mais grana pra torrar e nem empréstimo pra fazer. Quando chega nesse ponto, se o governo continuar segurando o juros. Quais as consequências?

    Teoricamente, o juros nessa situação subiria pois ha uma escassez de capital. Todo o consumo e investimentos iriam ser retraídos…

    Se o governo não manipula o juros, há uma equilíbrio natural. Poupança esvaziando juros subindo, poupança enchendo juros descendo… E não de uma vez como a canetada…

  47. Fiquei em dúvida

    Partindo dessa premissa: indústria bens de capital produz maquinário para as indústrias de bem de consumo e elas vendem para o setor atacadista que depois revende para as “casas bahia”

    Eu vou usar exemplo uma geladeira.

    Uma indústria vende a máquina/insumos para uma indústria produzir a geladeira(ex: brastemp) a brastemp já não vende o produto direto para as casas bahia? qual seria o exemplo do setor atacadista? fiquei meio perdido por ae

  48. Leandro, sou leigo, não entendo nada de economia.

    Li este artigo com o intuito de procurar o melhor investimento atual e já entendi.

    No entanto, perdoe-me a minha ignorância, mas como localizar investimentos atrelados ao IPCA +6%?

    Grande abraço e parabéns!

  49. Caro Leandro, mais uma vez um artigo espetacular e indispensável .

    Eu não sou economista e gostaria também de acompanhar esses gráficos periodicamente, porém não sei como fazer esses gráficos bem fundamentados e didáticos iguais o seu. Você se importaria em ensinar a como nos pessoas comuns podemos montar esse “radar” com base em gráficos?

    atenciosamente

  50. Prezado Leandro, primeiramente parabéns por mais um excelente e esclarecedor artigo!

    Fiquei apenas com uma dúvida que já me perturba há algum tempo. Dado o funcionamento atual de nossa economia mundial com BCs (à exceção de Hong Kong com seu Currency Board aparentemente legítimo), qual seria um bom indicativo de um crescimento sustentável da economia? Existe algum indicador econômico razoavelmente seguro de se observar?

    Veja meu problema: Dado que o PIB é (como você bem mencionou no artigo) apenas um mensurador de volume de gastos, ele tenderia a ou estagnar ou decrescer com o passar do tempo se não fosse pela expansão monetária.

    Isto é, numa economia de quantidade fixa de moeda, os preços dos bens de consumo tenderiam a cair (por conta de aumentos de eficiência em produção, como observamos em todo o setor de tecnologia) e a não ser que a população de um país crescesse muito ou consumisse/investisse em uma velocidade extraordinária, o PIB despencaria sem realmente indicar com veracidade a situação economica do povo.

    Mesmo se possuíssemos um deflator PIB “infalível” para calcularmos seu valor real descontando a deflação, a velocidade de troca de bens não necessariamente aumentaria o suficiente para garantir seu crescimento.

    Logo, se a tendência natural do PIB real, em uma economia de moeda lastreada/fixa, é diminuir/estagnar (a não ser, como eu já mencionei, que a população crescesse muito ou as pessoas fossem muito mais ativas no mercado), como identificar quando o crescimento em uma economia louca como a nossa é genuíno?

    Meu palpite seria um crescimento do PIB a uma taxa razoavelmente maior do que a taxa de crescimento do IPCA, mas isso, como já dito, é só um palpite. Como você identifica o crescimento sustentável de países como Suíça, Dinamarca, Nova Zelândia e Austrália? Para onde devemos olhar?

    Existe alguma posição da EA quanto a um bom indicador de desenvolvimento? Sei do PIB que desconta gastos governamentais e não computa importações como algo ruim, mas mesmo esse indicador seria extremamente sensível a consumo excessivo e expansões monetárias.

    Muito obrigado pela atenção e me perdoe pelo textão!

  51. Uma dúvida galera: Essa montanha-russa de PIB e depósitos à vista vale pra qualquer país?

    Pois não consegui ver uma relação tão explicita quanto essa quando relacionei o ” GDP Growth Rate” com o M1(o indicador mais próximo de “depósitos à vista” que consegui) de alguns países europeus. Tem como ter um crescimento do PIB nominal sem atrelar este ao M1?

  52. "BC reduz depósito compulsório exigido de bancos; medida deve liberar R$ 25,7 bilhões."

    "O Banco Central decidiu nesta quarta-feira (28) reduzir de 40% para 25% a alíquota de recolhimento compulsório pelos bancos nos depósitos à vista.(…) No caso da poupança, o recolhimento passou de 21% para 20%, na modalidade rural, e de 24,5% para 20%, nas demais modalidades.(…) Os novos percentuais entram em vigor em abril."

    g1.globo.com/google/amp/g1.globo.com/economia/noticia/bc-reduz-deposito-compulsorio-exigido-de-bancos-medida-deve-liberar-r-257-bilhoes.ghtml

    Quais os prováveis impactos a curto, médio e longo prazo dessa redução?

    É provável que essas medidas, que iniciam no próximo mês, causem ciclo econômico?

    Ao meu ver, com base nesse artigo, a medida anunciada é altamente inflacionária. Inclusive estou pensando em trocar meus poucos reais por dólares. Trago a questão pois é uma notícia dessa semana que saiu em diversos jornais, como Globo e Exame, e não vi nenhuma repercussão.

  53. A vida é engraçada mesmo né…

    Um cara tipo o Leandro TINHA que ser presidente desse caquedo de país mas certamente não teria nenhuma chance! Vou além e digo que tb não conseguiria realizar quase nenhuma reforma profunda mesmo que um poder divino implementasse ele na presidência. Já umas bestas quadradas são eleitas a torto e a direito.

  54. TRADER DI-FUTURO

    Uma forma de ganhar também com a mudança no juros é fazendo trade : Acredita na alta da selic: compra DIFUT ou LFT(titulo publico). Acredita na queda da selic: vender DIFUT ou LTN.

  55. Caro leandro, boa tarde tudo bem?

    Eu baixei alguns dados do SGS e fiz uma analise de correlação sobre as variáveis, e aqui estão os resultados:

    Selic x Depósitos a vista

    R -0,800853576

    R² 0,64136645

    Selic x Produção bens de capital

    R-0,786311604

    R² 0,618285939

    Selic x produção bens de consumo

    R -0,868949667

    R² 0,755073525

    A correlação sem dúvidas é alta .

    Sobre o R ², quanto maior mais explicativo é o modelo, melhor ele se ajusta à amostra.

    Por exemplo, se o R² do modelo Selic x Depósitos a vista é 0,64136645, isto significa que 64,12% da variável dependente consegue ser explicada pelos regressores presentes no modelo.

    Pergunta:

    1- O restante 35.88% não pode ser explicado pelo modelo, então quais os outros fatores que podemos colocar neste exemplo?

    2- Até que ponto esse modelo é confiável? Existe um minimo de R e R² para ser considerado uma analise segura?

    Atenciosamente

  56. Grande Leandro, obrigado pela resposta

    Se essa correlação te surpreendeu , olha só essa aqui sobre IVGR x operações de crédito do sistema financeiro (7518/20612).

    Correlação 0,907414289

    R² 0,823400691

    imgur.com/a/WZKWYdC

    O resultado está ai na nossa cara, crédito direcionado leva ao aumento dos preços, desencadeia a euforia, boom, demanda artificial , oferta não acompanha demanda etc etc.

    Aqui no caso preciso ressaltar que como a série de credito direcionado ficou descontinuada eu “juntei os buracos das duas” e incorporei uma série na outra , a antiga com a serie mais atual, não sei se seria a maneira mais adequada mas está ai.

    Eu não sou economista, mas acredito que a estatística seja universal . Fiz uma analise de regressão e correlação entre duas variáveis (séries).

    Eu trabalho no mercado imobiliário e agora graças ao artigo eu consigo refinar minhas analises.

    Obrigado caro Leandro

    Atenciosamente

    Victor Hugo

  57. Leandro, com certeza esse artigo vale mais que o diploma de muita faculdade em economia. Simplesmente brilhante e muito didático.

    Minha dúvida é a seguinte:

    Qual é a explicação que os keynesianistas dão para a crise que o Brasil passou?

  58. Pessoal, fiquei com duas dúvidas: Essa relação entre Depósitos à vista X PIB é sempre válida? Pergunto isso pois ao observar no site do FRED a relação entre Deposits demand X GDP dos EUA não consegui estabelecer uma conexão tão evidente. E para que dados econômicos eu deveria olhar para identificar um crescimento sustentável da economia, já que o PIB brasileiro é tão atrelado à oferta monetária?

  59. Bom dia, alguém sabe porque a série 1826 está desativada? Segundo consta no site, o último valor da série é de jun/2018.

    Ela foi substituída por alguma outra?

    Att.

  60. Vou falar o óbvio novamente, mas outro artigo impecável, parabéns Leandro!

    A muito tempo atrás me deparei com um artigo que mencionava alguns outros indicadores relacionados a TACE:

    pdfs.semanticscholar.org/6914/56d9ecbb3d5882fb3107d8b848246878b798.pdf

    Mais especificamente queria te perguntar sobre o conceito que me parece ser traduzido como a inversão da estrutura a termo da taxa de juros, já que a parte inicial, de curto prazo, é a que tende a ser mais afetada pelas intervenções monetárias.

    Você acha que este seria outro indicador interessante a se analisar ou as variáveis que você apresentou aqui já seriam suficientes? Além disso, tenho obtido dados da ETTJ no site da Ambima, saberias dizer se há outra fonte mais confiável?

    Obrigado!

  61. Poderiam me dizer o motivo do erro do artigo do André Lara Resende? O que ocorreria se o Bacen, era Tombini, tivesse reduzido a Selic a 1% ao ano? Tem algum artigo resposta?

  62. Boa tarde.

    O link s18.postimg.org/a7xddwgnd/bolsa-_CC.png da parte “há uma correlação direta entre o Ibovespa e a oferta monetária” está fora de ar.

    Poderia fazer upload de novo da imagem?

    Obrigado.

  63. Leandro

    Vamos ao que interessa:

    “b) Quando a SELIC está caindo ou já está baixa e a oferta monetária já voltou a subir forte, invista em títulos atrelados ao IPCA. Como segunda opção, invista naqueles que pagam acima de 120% do CDI. (Atenção: este ainda não é o cenário atual, pois a oferta monetária ainda segue relativamente contida por causa dos bancos estatais. Por enquanto, prefixados pagando acima de 11% continuam um ótimo negócio, assim como títulos que paguem acima de IPCA + 6%).”

    Hoje, em Março/19, com prefixados abaixo de 9% e os IPCA+ pagando menos de 4,50%, com os meios de pagamento já tendo subido consideravelmente, seria a hora de comprar títulos atrelados a inflação? Migrar dos prefixados encarteirados ~11%aa para os “IPCA”?

  64. Fico impressionado com a clareza e simplicidade com que expõe informações complexas.

    Não sou formado em economia, apenas um entusiasta e confesso que fico fascinado com o conteúdo dos textos aqui apresentados! Não tenho outra palavra a não ser OBRIGADO por disponibilizar tanta informação de forma gratuita ainda! Não tenho como mensurar tudo que já aprendi com vocês! Vida Longa!

  65. FERNANDO LAZARINI

    Conforme venho acompanhando, o Agregado Monetário M1 está bem maior neste início de ano que em 2018, segue o gráfico pt.tradingeconomics.com/brazil/money-supply-m1

  66. Leandro,

    Primeiramente, meus parabéns pelo fantástico artigo, por sua determinação nos estudos de um assunto tão complexo e sua dedicação e compaixão em nos transmitir seu conhecimento.

    Tenho uma dúvida: o fato de o Banco Central comprar títulos dos bancos, fazendo com que suas reservas aumentem, já configura expansão monetária? Ou a expansão monetária é somente configurada quando este dinheiro das reservas dos bancos é transferido às pessoas físicas e jurídicas (via depósitos em conta-corrente)?

    Agradeço!

    Forte abraço.

  67. Leandro.

    Porque os países que experimentam taxas de juros negativas não sofrem com a carestia?

    Obrigado por compartilhar sua sabedoria conosco!

  68. Leandro ainda há como fazer esse gráfico de “Taxa de juros – Selic acumulada no mês x Meios de pagamento – Depósitos à vista (saldo em final de período) ” tendo em vista que em visita ao site “SGS – Sistema Gerenciador de Séries Temporais” ao se tentar utilizar o código 1826 sou informado de que essa série foi desativada?

    Como sempre excelente texto.

  69. Tendo em vista que o Paulo Guedes tá pouco se lixando para o aumento do dólar, acha que vale a pena comprar tesouro SELIC imaginando que no futuro esta terá de ser aumentada ?

  70. Boa noite a todos.

    Interessante saber o que acontece nos bastidores, muito esclarecedor.

    A pouco me deparei com o site/IMB e curiosamente me chamou a atenção, li alguns artigos também muito esclarecedores como este, assim como são também os comentários dos leitores, enfim, material de primeira.

    Agora faz parte das minhas leituras diárias.

    Fico grato pelos ensinamentos e já recomendei o site a muitos dos meus amigos, disseminar tudo isso é necessário, diria imprescindível.

    Sds.

  71. Leandro, sensacional! Como sempre um mestre em EA. Parabéns pelo excelente artigo e pela palestra que eu vi no YT lá no Summer School.

    Diante de tais dados em 2018, vc previu com maestria e acertou nos investimentos com juros pré fixados.

    E agora que estamos em 2020. Diante de novos dados, a minha dificuldade é como prever a tendencia da economia tanto no curto, quanto no longo prazo. Existe um método ou caminho que vc segue?

    Desde Já grato.

  72. Não sei para vocês, mas aqui as imagens dos gráficos não estão mais aparecendo. No vídeo, teve um pedaço que ficou sem áudio, e o áudio poderia ter ficado com volume mais alto.

    Vendo o primeiro item do IED para ajudar na economia brasileira, estou bastante pessimista sobre essa perspectiva no Brasil, haja a vista que em fevereiro de 2018, o câmbio ainda estava razoável e o IPCA bastante baixo. De lá para cá, foi só ficando pior, com a taxa de câmbio quase dobrando de valor…

    O principal problema hoje no Brasil é o monetário.

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