Localizada no nordeste da
Espanha, a Catalunha é uma província cujo histórico é complexo: historicamente,
ela sempre foi seu próprio principado; porém, e ao mesmo tempo, ela tem sido
alternadamente conquistada e reivindicada tanto pela França quanto pela
Espanha.
Apesar de todos os esforços para
erradicá-lo, a província ainda mantém um idioma próprio. E também possui uma
identidade nacional própria. Assim como também possui representantes políticos
próprios. De acordo com a mais recente constituição espanhola, a Catalunha
possui um certo nível de autonomia em relação ao governo espanhol.
E agora ela quer se separar da
Espanha.
Aliás, o termo “agora” talvez
seja um tanto enganoso. A Catalunha tem se mostrado contrária ao domínio
espanhol já faz um bom tempo, sendo que o movimento de independência política
começou formalmente em 1922. O movimento rapidamente ganhou tração e conseguiu
fazer com que a região se tornasse politicamente autônoma em relação ao governo
espanhol. Mas isso foi antes de estourar a Guerra Civil espanhola, em 1936.
Após a guerra civil, o ditador e general Francisco Franco prontamente aboliu a
autonomia, em 1939.
Já o atual movimento de
independência da Catalunha começou em 2006, com a Catalunha readquirindo uma
nova autonomia dentro da Espanha. Desde então, várias e notórias figuras
públicas catalãs passaram a fazer campanha ostensiva por um estado independente,
e vários referendos simbólicos já foram feitos sobre o tópico, todos eles
resultando em um resoluto ‘sim’ em favor da secessão.
Por causa deste forte apoio, a
província da Catalunha marcou um referendo, agora formal e decisivo, para
decidir sua independência em relação à Espanha. O referendo será dia 1º de outubro (próximo
domingo).
Mas o governo espanhol não está
gostando nada disso.
A
Espanha responde
O governo espanhol declarou que o referendo é ilegal.
Na quarta-feira passada, dia 20 de setembro, soldados da Guarda Civil espanhola
deram batidas em vários órgãos do governo catalão e prenderam
14 ativistas, políticos e funcionários pró-independência, vários
deles do alto escalão. Também na quarta-feira, o
ministro do interior da Espanha anunciou que a Guarda Civil e a polícia
nacional estarão em massa na Catalunha para impedir a realização do referendo,
o que aumentou enormemente as tensões.
Em uma entrevista à Bloomberg, o
ministro das relações exteriores da Espanha, Alfonso Dastis, declarou: “Essas
pessoas [separatistas] estão, na prática, tomando atitudes nazistas, pois estão
colocando cartazes com os rostos de todos os prefeitos que não estão querendo
participar desta farsa.” E prosseguiu dizendo que “Um referendo não é a mesma coisa
que democracia. O general Franco organizou dois referendos.”
Perceba que a tática é sempre a
mesma, em qualquer país: quem não concorda com você é um nazista. No entanto, o
senhor Dastis está errado: um referendo é exatamente a mesma coisa que
democracia. Não faz sentido defender eleições majoritárias, mas se opor a
referendos. Quem defende um tem necessariamente de defender o outro.
E, por mais que eu seja um cético
em relação à democracia e à escolha de um governo pela maioria, é fato é que os
cidadãos da Catalunha estão tendendo decidir, de maneira estritamente pacífica
e não-violenta, se quere ser um estado independente. Já o governo espanhol está
violentamente interferindo nesta tomada de decisão. Isso sim é anti-democrático,
e não o referendo em si.
Escalada
de tensões
É perfeitamente possível entender
por que a Espanha quer manter a Catalunha. Trata-se de uma região extremamente
industrializada, a qual, apesar de seu tamanho relativamente pequeno, possui o maior PIB dentre todas as províncias espanholas. Logo,
é compreensível que o governo espanhol não queira abrir mão deste cofre,
especialmente quando se considera quanto a economia espanhola ainda continua
combalida.
No entanto, criminalizar o
direito de auto-determinação não é uma maneira de manter a Catalunha.
Mesmo porque um referendo sobre a
independência da Catalunha nem sequer é uma garantia de que haverá secessão em
relação à Espanha. Pesquisas feitas dois meses atrás mostraram que 49,4% dos catalães eram contra a
independência. Dito isso, quanto mais tirânico e opressivo o governo espanhol
se comportar em relação aos catalães, maior a probabilidade de eles quererem a
independência. As ações do governo espanhol já geraram violentos protestos em
Barcelona, a capital da Catalunha. Carles Puigdemont, o presidente da generalidade da Catalunha,
rotulou os ataques de ‘violação aos direitos humanos‘.
Até mesmo membros do governo italiano —
outro país em que vicejam movimentos separatistas
— condenaram as ações do governo espanhol.
Toda a situação pode rapidamente
sair do controle do governo espanhol. Aguardemos.
Deveria
a Catalunha ser independente?
Somente os catalães, e ninguém
mais, podem responder a esta questão. Alguns catalães se consideram espanhóis.
Outros, não. Vários espanhóis consideram que a Catalunha é parte da Espanha.
Outros, não.
Mas o que já está realmente claro
é que há milhões de catalães (há 7,5 milhões de habitantes na Catalunha) que se
consideram politicamente dominados e usurpados de sua soberania, e ressentem
isso. Sendo assim, por que eles deveriam continuar vivendo sob um governo
espanhol, sendo que sua história, sua cultura e seu idioma não são espanhóis?
Essa é uma pergunta justa e
direta, para a qual as democracias ocidentais não têm uma resposta fácil. Se a
intelectualidade ocidental venera tanto a democracia, ao ponto de dizer que as
eleições democráticas são sacrossantas, então os resultados também teriam de
ser sacrossantos, independentemente de quais sejam. Será que os democratas
realmente defendem a democracia? A realidade é que não. Para eles, a democracia só é boa
quando concordam com seus resultados.
Ludwig von Mises já havia resumido
sucintamente o problema em seu livro Liberalismo
— Segundo a tradição clássica:
A circunstância de se ver obrigado
a pertencer a um estado, contra a própria vontade, por meio de uma votação, não
é menos penosa do que a circunstância de se ver obrigado a pertencer a esse
estado em razão de uma conquista militar.
Certamente, há vários indivíduos que se sentem como os catalães em
vários países do mundo. Eles não consideram que o governo central seja legítimo
(independentemente de como este governo foi formado) e represente seus
verdadeiros interesses. Mais: eles sentem que “seu” governo não só não os
representa, como também lhes é abertamente hostil. Por que obrigar tais pessoas
a continuar sob este jugo?
A secessão deveria ser
permitida para aquelas pessoas de quem discordamos?
Mas há também outras questões extremamente pertinentes sobre o que uma
Catalunha independente realmente significaria, não só para a economicamente
combalida Espanha, mas também para a vizinha França e o resto da União
Europeia.
Há quem argumente que a Catalunha é a Espanha, e que suas
antigas reivindicações de independência nada mais são do que um movimento
nacionalista repleto de propagandas falsas com o intuito de criar um movimento
político. Segundo essa crítica, os separatistas seriam espertalhões à procura
de mais poder político, e estariam fazendo isso se aproveitando de um
sentimento minoritário.
Ainda que seja verdade, isso não aborda a questão fundamental, que é a
da auto-determinação. Logo, a principal questão continua sem resposta: deveriam
os catalães ser proibidos de tomar suas próprias decisões, ainda que estas
decisões sejam “ruins” e contrárias ao que nós (ou a Espanha ou a União
Europeia) pensamos?
Sim, é fato que algumas pessoas ficariam em pior situação em caso de
uma Catalunha independente. Porém, de mesma maneira, alguns espanhóis também
ficarão objetivamente em melhor situação como resultado de não mais estarem
politicamente presos à Catalunha. No mínimo, não mais teriam de lidar com políticos
catalães enviados a Madri para impor ao resto da Espanha regulações, tributos, subsídios
e tarifas protecionistas que supostamente são do interesse exclusivo da Catalunha.
Trata-se de uma questão factual complexa, e ambos os lados têm
argumentos. Mas o fato crucial é este: se uma Catalunha independente estará em
melhor ou pior situação é algo altamente subjetivo, não cabendo a nenhum de nós
decidir.
A auto-determinação sempre
deve ser o supremo objetivo político
O que nos leva ao ponto principal: a auto-determinação. É isto, e apenas isso, o que deve conduzir toda e qualquer medida política.
Para os libertários, a auto-determinação é o supremo objetivo da política.
Em termos puramente políticos, auto-determinação é liberdade.
Em um mundo ideal, a auto-determinação se estenderia até a menor das
minorias, que é o indivíduo, o qual deve usufruir uma completa soberania política
sobre sua vida. Afinal, se
você não gosta do governo sob o qual vive, deve ter o direito de se separar e
criar um outro.
Porém, em um mundo imperfeito, os libertários deveriam sempre defender
governos menores e mais descentralizados como sendo uma medida pragmática rumo
a uma maior liberdade. Nosso objetivo deve ser o de fazer regredir poderes
políticos sempre que possível, retirando-os da esfera federal e centralizadora
e devolvendo-os a estados e, melhor ainda, municípios autônomos. O objetivo
sempre deve ser a descentralização, fazendo com que estados grandes e centralizadores
sejam menos poderosos. Barcelona sempre será menos perigosa que Madri. A legislatura
de um estado americano sempre será menos temível que o Congresso em Washington.
Alguns libertários
costumam argumentar, de maneira nada prática, que a secessão é uma coisa
negativa porque “cria um novo estado”. Mas este é um ponto de vista
bastante simplista, dadas as realidades geográficas do planeta Terra. A menos
que alguém esteja formando um novo estado situado completamente em águas
internacionais, ou na Antártida, ou no espaço sideral, a criação de qualquer
estado novo terá necessariamente de ocorrer à custa de algum estado
existente.
Assim, a
criação de um novo estado — por exemplo, na Catalunha — seria feita
à custa do atual estado conhecido como “Espanha”. Por causa da
secessão, o governo espanhol seria privado de receitas dos impostos dos catalães
e das vantagens militares do território.
Consequentemente,
o estado que perde território torna-se necessariamente enfraquecido. (Vale
lembrar, por exemplo, como a dissolução da URSS em dezenas de novos países
enfraqueceu aquele estado. Mesmo a divisão da Tchecoslováquia em República
Tcheca e Eslováquia também foi um golpe ao poder centralizado.)
Portanto,
a secessão, em vez de ser vista como apenas “um ato que cria um novo
estado”, deve ser vista como um ato que enfraquece um estado existente.
Adicionalmente,
além de enfraquecer estados, a vantagem, pela perspectiva do indivíduo, é que
ele agora tem à sua disposição dois estados para escolher, onde antes havia
somente um. Agora, o indivíduo tem mais opções: ele pode, mais facilmente,
escolher um lugar para viver que seja mais adequado ao seu estilo de vida
pessoal, ideologia, religião, grupo étnico e assim por diante. Um mundo
composto de centenas, milhares ou mesmo dezenas de milhares de estados (ou de
regimes de diversos tipos) ofereceria muito mais escolhas para os residentes
que desejassem mudar sua situação de vida.
Mais: governos
pequenos possuem vários concorrentes geograficamente próximos. Se um governo
passar a tributar e a regulamentar mais do que seus concorrentes, a população
emigrará, e o país sofrerá uma fuga de capital e mão-de-obra. O governo ficará
sem recursos e será forçado a revogar suas políticas confiscatórias. Quanto
menor o país, maior a pressão para que ele adote um genuíno livre comércio e
maior será a oposição a medidas protecionistas.
Tudo isso é extremamente saudável para a liberdade. Separatismos nos deixam
mais próximos do objetivo supremo, que é a auto-determinação em nível individual.
É sempre positivo para liberdade reduzir o número de indivíduos sobre os quais
um determinado governo pode exercer sua autoridade.
A secessão fornece um ambiente que genuinamente
tolera a diversidade, pois cria um arranjo em que pessoas de cultura, religião
e comportamento distintos não estão todas sob a mesma canga estatal e não mais
são obrigadas a conviver sob as mesmas regras.
A secessão fornece um arranjo que permite que pessoas com visões e
interesses completamente divergentes vivam pacificamente como vizinhos, em vez
de serem obrigadas a sofrer sob um mesmo governo central que as joga umas
contra as outras.
Toda e qualquer secessão deixa o indivíduo mais próximo do ideal da auto-determinação.
Conclusão
Para que a defesa do princípio da auto-determinação
tenha sentido, é necessário permitir que outras pessoas tomem decisões com a
quais não concordemos. A concorrência política é algo que só pode trazer benefícios
ao indivíduo.
Por isso, deixem a Catalunha se separar, caso assim
ela decida.
Alguém já percebeu que as oportunidades só vale para os ricos?
[ Estive no Rio de Janeiro, e essas são minhas reflexões enquanto estive passeando pela cidade. ]
Nunca na história do mundo houve tantas oportunidades para tornar-se rico. Os jornais berram a todo momento: "A cada um segundo nasce um novo milionário", "O mundo nunca foi tão rico", "Investidores nerds lucram um trilhão no bitcoin". Mas porque será que a mídia diz uma coisa dessas, e na realidade, vemos pessoas miseráveis nas periferias do Brasil inteiro? Veja o caso do Rio de Janeiro. Você encontra miseráveis por todo canto naquela cidade. – Estive ausente do Instituto pois estava no Rio de Janeiro – Veja que são sempre o mesmo tipo de pessoas que têm acesso a essas oportunidades? ou seja, classe média alta, brancos, pessoas que estão em países desenvolvidos etc. A verdade é que essas oportunidades – assim como todo resto – só é acessível para camada mais rica da sociedade. Ou seja, o Capitalismo só vale para uma camada da sociedade. Neguinho de favela não usa bitcoin meu amigo.
Para deixar a questão mais sucinta. Não vamos falar sobre oportunidades; mas vamos imaginar alguém que mora na periferia e alguém que mora no centro de São Paulo. Por exemplo, Helio beltrião mora no centro de Sp e acessa a internet todos os dias; ele é um jovem bastante informado e sabe falar ao menos duas línguas. Por outro lado, temos Daniel que mora na periferia de São Paulo. Ele não sabe ler e nem escrever. A vida de Daniel é um mundo muito pequeno, infinitamente pequeno, restrito, no máximo à pequena comunidade onde ele vive. Mas pensemos-nos na vida de Helio beltrião; ele tem acesso a informação, ele tem acesso aos lugares, ele tem acesso às pessoas, ele tem acesso ao mundo. Quem será que vai comprar bitcoin primeiro?
Existe um abismo intransponível entre a periferia e centro. È como se a pessoa que vivesse na periferia, vivesse em um mundo separado da pessoa do centro. Enquanto eu estive no Rio de Janeiro, tive a oportunidade de analisar a pobreza e desigualdade naquela cidade. È algo que choca! Você olha os garotos sem camisa, vestindo um short sujo – Na verdade os próprios garotos estavam pretos de sujeira – e fica chocado com tudo isso. Enquanto os americanos tem acesso a um mundo maravilhoso, cheio de oportunidades, de gente bonita e elegante; aqueles jovens não têm nada. Não tem absolutamente nada. Roubaram Deus, roubaram a alma, roubaram a inteligência, roubaram as palavras, roubaram tudo! Não sobrou nada. Vou ficar anos sem voltar para o Rio de Janeiro pois estou chocado com o que vi. Aquilo não é mais uma cidade, aquilo é o inferno. Ali, não vivem mais homens. Vivem sub-humanos.
O mundo é cheio de oportunidades não é mesmo? Mas o que acontece quando roubam as palavras da sua boca? o que acontece quando roubam sua inteligência e cultura? Será que as oportunidades vão estar tão acessíveis assim? vejo claramente que não. Joguem uma bomba atômica nos Estados unidos! Coloquem fogo em todo empreendedor! Queimem o Ocidente e comecem tudo de novo! Está é minha sentença.
Capital Imoral é filósofo, escritor e já refutou Mises.
Muito bom e esclarecedor artigo.
Aqui nesta américa portuguesa (brasil) existem várias nações que também serão independizadas,é só uma questão de tempo.
Ótimo texto,
Gostaria de perguntar se o movimento separatista proposto pelo "Sul é meu país" seria, portanto, legítimo?
Secessão faz bem e muito, incluindo na eterna atrasada América do Sul , Uruguai se separou do Brasil em 1825, Panamá se separou da Colômbia em 1903 e a região do extremo norte chileno Arica se separou do Peru e se juntou ao Chile em 1929. Todas estas regiões estão em melhores condições econômicas que o outro lado da fronteira desenhada.
O único lamento é a inocência dos catalães em acreditar que tal processo se dará sem derramamento de sangue.
São Paulo é meu país
Já morei no Norte, Nordeste , Sudeste e já andei muito no sul e no centro-oeste. Nestes locais vi várias culturas diferentes e bem definidas. Uma língua comum não significa um mesmo pais. Nem a continuidade territorial.
Talvez as pessoas que moram numa coisa chamada Brasil sempre tiveram a vontade de viver em separado.
Constitucionalistas de 1932, farrapos, cabanagem, fora aqueles que foram vencidos pelo poder da coerção estatal central representaram o desejo de se separarem, muito antes desta zona que está hoje instalada.
Seria um bom debate esta idéia de secessão.
Que tal um plebiscito :
A) poder centralizado ( já falido);
B) pacto federativo;
C) secessão.
Talvez a população não esteja preparada para o debate. Mas quando vc anda pelo Brasil vê vários países num só.
Pode ser viagem minha, mas como há várias culturas, o brasileiro não se identifica com os políticos que em tese deveriam representa-lo pois não existe vínculo. Talvez isso contribua com a falta de cobrança da maioria da população e a coisa fica virando mais uma torcida de futebol do que um debate mais apurado e profundo.
Abs a todos
Desde criança eu sonhava com a separação do Sul do resto do país. Hoje, como vivo aqui em Campo Grande-MS, e após conhecer o libertarianismo e ter me aprofundado nos temas, incluindo o da secessão, meu desejo é ainda maior.
Primeiro, porque Campo Grande, mesmo não tendo uma grande população (está por volta dos 800 mil), é uma cidade cercada de fazenda e mato em sua volta, nem região metropolitana tem. Aqui é um dos poucos lugares em que a crise afetou menos a população, pois o agronegócio é bastante forte.
Em nível estadual, o governo daqui tem um viés bem ”menos estatista” do que muitos outros que já vivi (SC e RS).
Um dos problemas é conseguir influenciar as pessoas nessa ideia. Outro grande problema é que, ao contrário de Sul e Sudeste, o governo daqui recebe exatamente o que paga de impostos ao governo federal. Ou seja: não é explorado como o sul e sudeste e nem privilegiado como o nordeste. Então esse sentimento de revolta contra Brasília que se tem nos paulistas e sulistas já não ocorre.
Penso em criar um grupo, nem que seja pra disseminar essa ideia da secessão. Mas, infelizmente, embora seja excelente, a ideia é praticamente utópica no curto prazo. Acho que a única maneira é realmente a informação.
Só quando todos os cidadãos souberem do que se trata a tal “união”, quando souberem que somo uma colônia gigantesca de Brasília, é que poderá haver secessão. Enquanto isso não ocorre, acho que um novo pacto federativo seria uma boa. Mas é claro que isso não é do intere$$e dos políticos. Continuo fazendo meu trabalho aos poucos e alertando sobre o quanto o governo federal nos rouba, como os municípios (principalmente) e os estados são escravos deste esquema, e o quão rico esse lugar seria se houvesse liberdade econômica. Infelizmente esse me parece ser o único caminho. Ainda bem que estamos entrando em uma era de cada vez mais acesso à política e economia através da internet. Quem sabe daqui uns 30 anos, a mentalidade do brasileiro seja outra…
Se o Brasil fosse realmente uma federação e assim praticasse o princípio da subsidiariedade, as eleições para prefeito seriam mais importantes do que as para presidente. As pessoas seriam mais responsáveis, produtivas e “antenadas”.
Aliás, isso vale para qualquer país.
Separação é solução fácil, ao contrário da Catalunha e regiões da Itália historicamente separadas que estão recentemente unificadas na base da canetada, ao Brasil pouco ou não se aplica, o principal argumento é a obvia exploração perpetrada por Brasília sobre as regiões mais produtivas. O momento de estabelecer um novo e mais municipalizado pacto federativo é agora pois nenhuma secessão se dá indo com o povo indo votar e têm o resultado desejado.
O caminho mais comum é: Guerra civil, genocídio, separação de facto com limitadíssimo reconhecimento internacional, boicote internacional, reconstrução anêmica e normalização, enquanto isso toda a população qualificada não ufanista vai embora para paragens mais pacíficas.
A política é um indicador retardatário. A política segue a cultura. A cultura comanda, a política segue. Não haverá nenhuma mudança política enquanto não houver uma mudança filosófica, educacional e cultural. Ao longo dos últimos 100 anos, a mentalidade estatizante assumiu o controle da educação, da mídia, das artes, da literatura e da cultura popular — e assim, em consequência disso, eles tomaram o controle da política. Não ocorreu ao contrário. Primeiro houve a mudança cultural, depois a veio a política.
É por isso que o movimento libertário tem de ser uma batalha pelos corações e mentes. Tem de ser uma revolução intelectual de ideias, pois, neste exato momento, as ideias ruins estão dominando o mundo. Não é possível esperar que ocorra um milagre político libertário em uma sociedade não-libertária.
O libertarianismo jamais será um movimento político de massa, isto é, defendido pela maioria da população. Várias pessoas sempre irão defender o estado, e não devemos nos iludir quanto a isso. Pode ser por causa de traços genéticos, de fatores ambientais, de influências familiares, de uma escolaridade tendenciosa, ou simplesmente por causa de um inato desejo humano de querer a ilusão da segurança.
No entanto, será um erro fatal querer diluir a nossa mensagem apenas para buscar aprovação de pessoas que automaticamente serão sempre contra nós. Será uma perda de tempo e energia preciosos.
O que é importante não é tentar convencer aqueles que fundamentalmente discordam de nós, mas sim tentar sair do controle político deles.
É por isso que a secessão é uma abordagem taticamente superior: é muito menos hercúleo convencer pessoas de mentalidade pró-liberdade a sair de um arranjo estatal do que convencer aqueles de mentalidade estatista a ignorar o estado.
A secessão não é uma questão de maiorias ou minorias, mas sim de indivíduos.
Sim, o Brasil é um país imenso composto por várias culturas, mas isso é complemente irrelevante sobre a secessão. Secessão é sobre liberdade de associação, uma liberdade individual, que por princípio lógico deve ir até a secessão no nível individual.
Há também um movimento de secessão no Irã por parte dos curdos atualmente.
Excelente artigo. Não duvido da secessão como o melhor meio de reduzir o estado. Mas posso tentar um puxão de orelha?
“Nosso (nós libertários) objetivo deve ser o de fazer regredir poderes políticos sempre que possível, retirando-os da esfera federal e centralizadora e devolvendo-os a estados e, melhor ainda, municípios autônomos. O objetivo sempre deve ser a descentralização, fazendo com que estados grandes e centralizadores sejam menos poderosos. Barcelona sempre será menos perigosa que Madri. A legislatura de um estado americano sempre será menos temível que o Congresso em Washington.”
Nós celebramos no artigo o sucesso das secessões do Panamá e do Uruguai, por exemplo; mas podemos realmente celebrar a secessão da Índia e dos países africanos?
No caso deles, a Barcelona se mostrou infinitamente pior que a Madrid e suas populações sofrem até hoje por isso. Os indicadores de padrão de vida receberam um golpe, as instituições coloniais que mantinham territórios e populações imensas usando de menos de 1000 burocratas foram jogadas fora; as liberdades pessoais e os direitos de propriedade foram para o espaço. O estado se agigantou e se tornou um chamariz para todo santo psicopata do país e de fora (URSS e EUA).
Por que algumas secessões fracassam miseravelmente e criam um estado ainda mais tirânico enquanto outras logram tanto sucesso?
(Faço a pergunta acima na esfera utilitária [haverá mais ou menos liberdade econômica?]. Concordo com o artigo quanto à ética da secessão)
Não acho que daria certo. Acho que abriria um precedente perigoso.
OFF: http://www.terraetempo.gal/artigo.php?artigo=4739&seccion=7 – Venezuela rompe com o petrodólar
“A partir desta semana o preço médio do petróleo é cotado em yuan chinês”, anunciou a 15 de Setembro o ministro venezuelano do Petróleo. Pela primeira vez o preço de venda do petróleo venezuelano deixa de ser cotado em dólares.
Possíveis consequências dessa medida?
outro dia conversando com colegas do trabalho, ao defender autonomia para que estados ou regiões (na ocasião falávamos da Espanha mesmo), minha posição causou uma comoção negativa. Em nível pessoal as pessoas entendem que separar-se em uma situação em que ambas as partes não estão satisfeitas é válido (casamento, emprego), mas ao se falar do sacrossanto estado… perdem totalmente a visão!…
Não lembro onde li esse comentário: É a Europa sendo Europa.
O Pol Pot foi estudar em Paris, voltou para o Cambodja e matou 2 milhões de pessoas tentando implantar comunismo. Sem contar o sequestro de 1 milhão de crianças, que foram separas das famílias e nem lembram quem eram os pais.
Mesmo tendo feito esse genocídio, os marxistas-leninistas viietnamitas colocaram o Pol Pot em prisão domiciliar.
Como apareceu a questão do Sul, comento:
Não tem, cabimento aqui.
Foi a população brasileira (portugueses, índios, escravos, mestiços) que lutou para manter e aumentar o território Brasileiro empurrando a linha de Tordesilhas para oeste e lutando contra os espanhóis. Isso durou uns 350 anos. Na Guerra do Paraguai, por exemplo, mais de 100 homens de minha cidade natal em MG foram lá lutar para defender o Brasil.
Depois, quando a situação estava estabilizada, os limites reconhecidos e protegidos, o Brasil decide ABRIR AS PORTAS para estrangeiros europeus para estes ajudarem a desenvolver o Brasil, dando-lhes oportunidade de trabalho de adquirir terras boas nos lugares de clima mais ameno e sem conflitos, doenças, etc.
Quer dizer, o Brasil abriu as portas para aqueles que depois se invocam superiores e querem um pedaço do Brasil. Aqueles que deveriam ser brasileiros.
Depois, aparecem uma minoria que quer “separar”, sob qual justificativa?
Esse turma tem que aprender história, em primeiro lugar.
Precisa primeiro ver o que o Barcelona quer: se for importante continuar disputando o Campeonato Espanhol de Futebol, então não haverá separação.
Não se esqueçam que os latinos priorizam o futebol… todo o resto é secundário.
hahahaha
Minha casa é meu país!!!!!!!!!!!!
OFF:
Alguém poderia me ajudar a encontrar o artigo do Mises EUA que fala sobre o PIB mostrando que o consumo representa 30%-40% da economia, ao invés dos 70% sempre anunciado pela mídia mainstream.
vlw
Isso parece birra de criança mimada, que quer levar a bola embora porque não consegue ganhar, e um tanto quanto superficial, sem levar em consideração que toda industria brasileira é voltada basicamente para o mercado interno, e em um eventual estado independente seria literalmente varrida do mapa na competição com a indústria de grandes países, tais como China, EUA, e Brasil.
O Barcelona vai ser sempre campeão Catalão ….aí não dá né ?. E o clássico contra o Real ? ( brincadeira mode on )