É comum escutarmos economistas, empresários e
políticos falando da importância do investimento para que o Brasil entre em uma
trajetória de crescimento de longo prazo.
De fato, eles não estão errados: são os
investimentos que geram crescimento econômico. Sem investimentos, dificilmente
voltaremos a crescer.
Os investimentos são importantes porque aumentam a
quantidade de capital (máquinas, equipamentos, instalações e estruturas) na
economia e permitem que novas tecnologias se integrem ao processo de produção
por meio da aquisição de máquinas que trazem embutidas essas tecnologias.
Tanto o aumento do capital quanto a introdução de
novas tecnologias no processo produtivo tendem a aumentar a produtividade do
trabalho, levando, portanto, ao crescimento de longo prazo.
Até aqui, todas as escolas de pensamento econômico concordam.
Mas há um porém: tamanha a importância do
investimento não o torna uma panaceia.
Para que o investimento cumpra sua função é necessário
que o aumento da capacidade de produção ocorra e seja sustentável, isto é,
produza bens que estão realmente sendo demandados pelos consumidores. Adicionalmente,
é necessário que novas tecnologias de fato sejam incorporadas na produção
e sejam mais produtivas que as tecnologias anteriores.
Um investimento que não leve a um efetivo aumento da
capacidade de produção equivale, para ficar no popular, a jogar dinheiro fora.
Estádios
Considere, por exemplo, os estádios construídos para
a Copa do Mundo e que estão sem uso: as estruturas e equipamentos dos estádios
foram contabilizados como investimentos, mas não houve nenhum aumento na
capacidade de produção do país. Só os três grandes “elefantes brancos” da Copa — Mané Garrincha, Arena
Amazônia e Arena Pantanal — custaram R$ 2,716 bilhões. A troco de quê?
Para começar, tais obras aumentarem o endividamento
do governo (bancado por nós).
Em segundo lugar, e ainda mais importante, tais
obras desnecessárias, ao consumirem grandes quantidades de aço, cimento,
vergalhões e argamassa, fizeram com que todo o resto do setor da construção
civil do país tivesse de pagar mais caro para conseguir a mesma quantidade de
aço, cimento, vergalhões, argamassa.
Eis uma realidade incontornável: vivemos em um mundo
de escassez. Logo, se há um aumento no consumo destes insumos, sobra menos para
ser usado por outras pessoas. Tais obras desnecessárias causaram o aumento dos
preços desses itens, fazendo com que todos os bens que utilizam esses itens em
sua construção — como imóveis e carros — ficassem mais caros. Investimentos que
realmente estavam sendo demandados pela população tiveram de pagar mais caro
para obter estes insumos.
Esses estádios representam um perfeito exemplo de
destruição de capital e de desperdício de recursos escassos, os quais agora
estão imobilizados em algo que não eleva a produtividade e não cria riqueza para
ninguém. Tais construções são um monumento ao erro econômico.
Caso todo este dinheiro tivesse sido simplesmente
queimado, as consequências seriam melhores: no mínimo, não causaria novos
prejuízos e nem induziria outros investimentos perdidos.
Em Brasília, com efeito, o governo local tem passado
por dificuldades para encontrar alguém que queira administrar o estádio
construído para a Copa e arcar com os milhões de reais anuais necessários para
sua manutenção.
Mas não pára por aí.
Investimentos
que pareciam bons
Investimentos que de fato aumentam a capacidade de
produção instalada, mas não são sustentáveis, também são um problema.
Peguemos o caso da Refinaria de Abreu e
Lima, em Pernambuco. R$
58 bilhões já foram “investidos” ali. Até agora, nada.
O prejuízo para a Petrobras e para quem investiu
acreditando no projeto é evidente, mas os tais bilhões foram computados como
investimento e, consequentemente, ajudaram a aditivar os números do PIB. Qual
foi o benefício real para a economia?
Já o drama da região onde seria o Comperj
(Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro) mostra de maneira ainda mais clara
como investir mal pode ser desastroso: após R$
66 bilhões terem sido “investidos” ali, verdadeiras cidades foram criadas
ao redor na expectativa da materialização deste complexo petrolífero. Milhares de
pessoas largaram seus empregos em outras cidades e se mudaram para os arredores
do Comperj na expectativa de empregos e altos salários. Hoje, estas cidades estão
tomadas por desempregados, cujas expectativas não se concretizaram.
Outro exemplo clássico é o da indústria naval. Recorrentemente,
o governo de plantão resolve dizer que, por termos um imenso litoral, temos de
ter uma indústria naval forte Na era
FHC, os navios eram feitos fora do Brasil, pois eram mais baratos. Sob Lula, os
navios passaram a ser feitos aqui, tudo com o objetivo de “aumentar
investimentos e gerar empregos”. O que de fato ocorreu?
Vamos analisar.
Quando eram construídos lá fora, os navios tinham um
custo menor para a Petrobras. Quando passaram a ser construídos aqui dentro, o custo
aumentou.
Dica: em toda e qualquer decisão política — em absolutamente todas, sem
nenhuma exceção — sempre haverá ganhadores e perdedores. Sempre. Não
há exceção a essa regra.
Logo, quem ganhou com essa política? As empreiteiras que construíram os
estaleiros, os fornecedores das empreiteiras, os fornecedores dos materiais de
construção e as pessoas ligadas a essa área naval.
Quem perdeu? Todo o resto do país.
Em primeiro lugar, os cidadãos tiveram de pagar por esse populismo via
impostos. Não apenas para pagar as empreiteiras, como também porque parte
desses navios foi comprada ou pela Marinha ou pela Petrobras. Se não foi via
impostos, então o governo teve de se endividar para financiar tudo isso.
Depois, como explicado acima, os cidadãos tiveram de arcar com preços maiores
de todos os materiais de construção que, ao passarem a ser direcionados para a
indústria naval, tiveram seus preços aumentados. Isso afetou o resto do setor
da construção civil, que teve de arcar com insumos mais caros.
Ademais, os próprios serviços das empreiteiras não
apenas encareceram artificialmente (por causa da contratação do governo), como
elas próprias — ao serem contratadas pelo governo para construir estaleiros —
deixaram de atuar em outras áreas, como construção de infraestrutura, estradas
e aeroportos.
Em toda intervenção sempre há aquilo que você vê e aquilo que você não vê. Você
viu os empregos sendo criados na indústria naval. Você não viu as consequências
que essa criação forçada de empregos gerou para todo o resto do país.
Para piorar, veja o que aconteceu com a Sete Brasil, a empresa que foi criada para construir e
alugar 28 sondas de perfuração, em um projeto orçado em US$ 25 bilhões: o
governo decidiu incentivar a indústria naval, e a empresa criada, tendo a
Petrobras como sócia, quebrou.
Areia de praia não faz navios, e os investimentos
gigantescos na (re)construção da indústria naval deixaram um rastro de destruição
de capital e desemprego em investimentos feitos na esperança que os estaleiros
prosperassem.
Nossa
história
Todos esses são exemplos de investimentos ruins por
causa de capital mal alocado. E a má alocação de capital é uma das chaves para explicar
o não-crescimento de alguns países.
No Brasil, temos larga experiência com ciclos de
alta de investimento que terminam em desgraça. A figura abaixo ilustra dois
exemplos.
O primeiro ocorreu nas décadas de 1960 e 70. Entre
1965 e 1981, a taxa de investimento foi de 14,7% para 24,3% do PIB. Na
sequência, tivemos a década perdida, que durou mais de dez anos e
apresentou a hiperinflação.
Fenômeno semelhante, porém menos intenso, ocorreu
entre 2003 e 2011, quando tivemos um novo ciclo de alta da taxa de investimento,
que foi de 15,3% em 2003 para 19,3% em 2011. Na sequência, tivemos a maior
retração do PIB de nossa história.
A figura acima mostra os dois períodos.
O período 1965 a 1981 pode ser subdividido naquele
do Milagre Econômico, que começa com os ajustes de 1965 e toma forma no
crescimento do começo da década de 1970; e no período da Marcha Forçada, que
ocorre na segunda metade da década de 1970.
O primeiro período pode ser visto como um aumento
natural da taxa de investimento como consequência dos ajustes da dupla Roberto Campos
e Octávio Bulhões na segunda metade da década de 1960. O segundo período, a
Marcha Forçada, foi uma tentativa de manter o aumento do investimento na marra
por meio de incentivos, subsídios, alto endividamento externo e inflacionismo
da oferta monetária.
No século XXI, também temos dois períodos distintos:
o primeiro, que vai até 2008, pode ser visto como resultado das reformas da
década anterior, inclusive
do primeiro governo Lula, e do boom das commodities. A esse período sigo a
sugestão de Lula e me refiro a ele como “Espetáculo do Crescimento”.
A partir de 2008, repetindo o final da década de 1970,
o governo resolveu comprar a saída de uma crise mundial por meio de incentivos e
subsídios ao investimento.
A Marcha Forçada original durou vários anos e
terminou com a década perdida, uma inflação descontrolada e
o fim da sequência de generais que governou o país a partir de 1964. Já o que
seria a segunda Marcha Forçada teve pouco fôlego e ficou mais parecida com uma
corrida forçada, deixando o país na maior crise de nossa história.
Por fim, o leitor deve ter notado um pico de
investimento no final da década de 1980. Muito provavelmente esse pico é
resultado de distorções de preços relativos e não deve ser levado em conta. De
toda forma, o movimento foi curto e não configura um ciclo de aumento do
investimento. Porém, caso o leitor insista em ver este período como um ciclo de
aumento de investimento, então a conclusão inevitável é que o fim deste ciclo
foi uma hiperinflação e um congelamento de ativos financeiros (sob Collor).
Conclusão
Fica a lição: investimentos estimulados pelo governo
não seguem regras de mercado e não estão preocupados em atender a genuína demanda
dos consumidores. No final, eles geram destruição de capital e empobrecimento.
O crescimento econômico ocorre em função de investimentos privados feitos voluntariamente por empreendedores, que
se orientam pelo sistema de lucros e prejuízos e por genuínas demandas de
mercado, e não de investimentos conduzidos por políticos visando a ganhos eleitorais.
De resto, é possível que nos próximos semestres a
economia comece a se recuperar. Se isso acontecer, é certo que irão aparecer
políticos, economistas e empresários pedindo para o governo estimular
investimentos por meio de subsídios, incentivos e protecionismo. Irão falar de “ganhos
de produtividade” e várias outras coisas boas associadas ao aumento consistente
da taxa de investimento. O ciclo será reiniciado.
Quando isso acontecer, não se esqueça da figura
desse artigo e da lição de que investimento ruim é pior do que simplesmente não
investir.
______________________________________
Leandro Roque contribuiu para este artigo

Se o governo fizer investimento em capital humano e capital natural ja esta muito bom.
E o pior é que estamos rapidamente caminhando para níveis de endividamento da era pré-Collor:
terracoeconomico.com.br/evolucao-da-divida-publica-brasileira-desde-1978-um-grafico-para-voce-refletir
Sobre a diferença, em termos econômicos gerais, de uma obra feita pelo estado e de outra feita voluntariamente pela iniciativa privada, vou até repetir aqui o que já foi respondido em outros comentários:
1) Se a obra é estatal — isto é, se ela é feita de acordo com critérios políticos –, então não há como saber que ela está sendo genuinamente demandada pelos consumidores. Não há como saber se ela realmente é sensata ou não, se ela é racional ou não. (Os estádios da Copa na região Norte do país são os melhores exemplos). O que vai predominar serão os interesses dos políticos e de seus amigos empreiteiros, ambos utilizando dinheiro de impostos. Não haverá nenhuma preocupação com os custos.
2) Se a obra é estatal, haverá superfaturamento. (Creio que, para quem vive no Brasil das últimas décadas, isso não necessariamente é uma conclusão espantosa). Havendo superfaturamento, os preços desses insumos serão artificialmente inflacionados, prejudicando todos os outros consumidores. Os preços, portanto, subirão muito mais ao redor do país.
3) Por outro lado, se é o setor privado — e não o estado — quem voluntariamente está fazendo a obra, então é porque ele notou que há uma demanda pelo projeto. Ele notou que há expectativa de retorno. (Se não houvesse, não haveria obras). Consequentemente, os preços dos insumos serão negociados aos menores valores possíveis. Caso contrário — ou seja, caso houvesse superfaturamento –, a obra se tornaria deficitária, e seria muito mais difícil a empresa auferir algum lucro.
Isso, e apenas isso, já mostra por que os efeitos sobre os preços dos insumos são muito piores quando a obra é estatal. Tudo é bancado pelos impostos; não há necessidade de retorno financeiro para quem faz a obra (o governo e suas empreiteiras aliadas); não há accountability; os retornos são garantidos pelos impostos do populacho.
Já em uma obra feita voluntariamente pela iniciativa privada, nada é bancado pelos impostos; a necessidade de retorno financeira pressiona para baixo os custos; há accountability; os impostos da população não são usados para nada.
Dentre esses dois arranjos, o estatal pressionará bem mais os preços dos insumos, prejudicando todos os outros empreendedores do país.
Ao dar nomes aos bois “bons” (Campos e Bulhões), não seria justo analisar os “maus”? Seria o Delfim Netto? Simonsen? Ambos? Qual escola eles seguiam (como se eu não desconfiasse…)?
Desculpem o diletantismo, era muito criança na época…
Sobre a Sete Brasil:
1: O governo petista decidiu estimular a indústria naval brasileira. Capitalismo de estado assim mesmo: executa uma política econômica que liquida os setores competitivos para estimular aqueles em que o país não conseguirá ser eficiente.
2: Sob os auspícios de Lula e Dilma, criou-se a Sete, empresa para construir e alugar 28 sondas de perfuração, um projeto orçado em US$ 25 bilhões. Eram sócios do empreendimento a Petrobras, o Bradesco, o BTG Pactual, o Santander e os fundos de pensão das estatais.
3: Se a Petrobras recorresse a empresas estrangeiras para esse serviço, corrupção à parte, o país sairia ganhando porque gastaria menos. Mas sabem como é: é preciso lustrar o nacionalismo.
4: A Sete faliu afogada em dívidas, e a empresa parou de pagar os estaleiros.
5: Não é fácil sustentar nacionalismo tosco. Custa caro. Aí Dilma teve uma ideia: chamou os presidentes do BNDES e do Banco do Brasil — Luciano Coutinho e Aldemir Bendine, respectivamente — para viabilizar um empréstimo de nada menos que R$ 10 bilhões à Sete.
6: Mas não só: ela também exigiu que o BB liderasse um consórcio de bancos para emprestar outros R$ 800 milhões à empresa para resolver seus problemas imediatos de caixa.
7: Essa política de desenvolvimento da indústria naval foi boa para os brasileiros que foram escolhidos para… desenvolver a indústria naval. Esse é o nosso corporativismo: socialização do prejuízo.
8: A maioria dos estaleiros contratados pela Sete pertence a empreiteiras investigadas na Lava Jato;
9: O governo decidiu incentivar a indústria naval, e a empresa criada, tendo a Petrobras como sócia, faliu.
10: As personagens envolvidas na história estão sendo investigadas pela Polícia Federal.
Assim se faziam as coisas na República petista: incentivou-se a indústria naval nativa batendo a carteira dos brasileiros, e os escolhidos para a empreitada foram socorridos com a garantia de que não iriam quebrar.
É o capitalismo à moda petista — ou socialismo, tanto faz — na sua fase de pornografia explícita.
Falar que estado faz algum tipo de investimento é igual falar que uma quadrilha de ladrões faz qualquer tipo de investimento.
Investir é alocar recursos escassos de maneira voluntária e pacífica de maneira a esperar algum retorno. O estado não faz isso. Ele arranca o seu dinheiro à força e depois gasta naquilo que lhe for mais conveniente.
Pode ver agora o próprio caso da Unicamp. Apesar do estado já ter gasto mais de 2 bilhões com esses caras, a universidade ainda está com déficit e deixa ainda mais evidente a sua falência. É aquela coisa, o estado pode gastar 20 bilhões com esses sanguessugas que eles vão sempre falar que está faltando dinheiro e fazer greve.
Sempre pergunte para os estatistas que defendem gastos em “educação” (muito educativo os professores doutrinadores controlados pelo comitê soviético do MEC), o porquê de não gastar 60% ao invés de 10% do PIB.
Enquanto as “uniesquinas” e demais instituições de ensino superior da iniciativa privada, que ainda têm de sustentar essa cambada de parasitas, precisam se virar para cortar custos e serem mais eficientes (apesar das extensas regulações estatais que pioram sua qualidade), o setor estatal vive numa bolha: querem cada vez mais verbas e falam mal do mercado que os sustenta.
Podem esperar que ano que vem vai ter mais greve dessa turminha, além de que cairá ainda mais máscaras do falido sistema estatal de ensino superior. Muitos cursinhos pré-vestibular que ocupam esse nicho podem estar com os dias contados.
Investimentos sem fundamentos são piores do que não investir. Eis alguns exemplos
O artigo já começou errado por aí…
Qualquer coisa é melhor que nada.
Se essa coisa ta mal feita, pode-se ao menos fazer ajustes no futuro, mas alguém deu um pontapé inicial.
Um grãozinho de arroz ja é melhor do que passar fome.
Leandro,
O tal Milagre Econômico Brasileiro foi um ciclo econômico gerado por keynesianismo?
No caso da nossa situação atual da pra entender, o Brasil iniciou um ciclo de boom keynesiano após um período de estabilidade (real forte) e que foi pra alta inflação e se reverteu em uma crise absurda.
Mas no caso do milagre econômico, é um pouco difícil de entender, pois nunca houve estabilidade da moeda, a menor taxa de inflação foi por volta de 30% durante o PAEG. Como eles conseguiram forçar um crescimento por tanto tempo?
Sem falar que não ocorreu uma enorme contração, mas uma grande hiperinflação já após o regime militar. Foram ajudados pelo cambio externo (queda do dólar) também? Minha especulação é sobre a inflação americana da década de 70, estou certo?
“Tem vezes que é mais barato pagar só a propina e nem fazer a obra.“, Roberto Campos
Enquanto isso, no Rio:
http://www.infomoney.com.br/carreira/emprego/noticia/6920138/feirao-emprego-rio-tem-confusao-fila-com-milhares-desempregados
Acho que caberia muito bem ao Instituto artigos a respeito do Período Militar e também do Período Monárquico.
O que temos de saudosismo desses períodos…
Pessoal, estou preparando três artigos para o meu professor de esquerda da faculdade. Há artigos aqui que falem sobre o motivo dos bens se tornarem cada vez mais acessíveis ao consumidor? Se sim, podem achar para mim por favor? Não estou encontrando…
OFF: O que vocês acham desta notícia publicada agora há pouco no G1?
g1.globo.com/economia/noticia/omc-recomenda-que-brasil-retire-subsidios-industriais-em-ate-90-dias.ghtml
O Brasil está dominado por uma elite governante recheada de vigaristas com seus discursos socialistas e por parasitas sugando o dinheiro de quem produz.
Antes de pensarmos em qualquer tipo de linha ou “política econômica”, temos que encontrar uma maneira de acabar com este estado de coisas.
Grande mídia escrota, escolas e universidades marxistas, funcionalismo marajá, artistas rouanet, sindicatos e as ong’s de fachada são os verdadeiros FASCISTAS que, tal qual sanguessugas, estão drenando o Brasil.
Entendendo a necessidade da demanda para que o investimento ocorra, creio ser justo pontuar que houve investimentos corretos durante o regime militar. Havia enorme demanda por energia elétrica e um grande investimento foi realizado ao construir a hidrelétrica de ITAIPU, que passou a gerar energia para boa parte do país. Muitas empresas privadas e residências se beneficiam até hoje daquele investimento. Naquele período foram criadas empresas que nasceram estatais, cumpriram seu papel inicial e posteriormente foram privatizadas (várias). O país era carente em diversas áreas (muitas demandas): energia, comunicações, transporte aéreo, agricultura, malha rodoviária, etc. E os investimentos foram sendo realizados: EMBRATEL, EMBRAER, EMBRAPA, pistas de pouso, construção e pavimentação de estradas, Ponte Rio-Niterói,…. e por aí vai. O país saiu da 46ª posição para a 8ª posição entre as economias do mundo. Então, creio que os investimentos realizados atenderam a muitas demandas e geraram condições para que o país pudesse continuar crescendo posteriormente. Pessoalmente eu era muito pequeno ainda na década de 80, mas podia brincar na rua a noite, pois havia segurança e estudei sempre em escolas públicas, que naquele período propiciavam uma boa base de ensino.
Mas ficou na lembrança de muitos apenas a dívida e a inflação no campo da economia. Realmente faltou naquele período um economista que conseguisse “acertar a casa”. Hoje, gostaria que o tamanho do Estado fosse reduzido, porque de fato gasta muito e gasta mal, é extremamente ineficiente. Mas acho que é um gesto honesto reconhecer que houve acertos (bons investimentos) durante o regime militar. Algumas vezes tentei imaginar como seria o país hoje se o nosso Congresso Nacional não tivesse tirado João Goulart do poder em 64.
Bom dia,
Gostaria de saber qual é a melhor forma de lidar com um monopólio, se quando privatizado vai melhorar com certeza ou, se o estado mantê-lo é o melhor pra sociedade(eletrobras por exemplo). Desde já agradeço.
Mas veja bem, esse governo lulista traiu o movimento socialista visando ganhos politicos. Houvesse um governo realmente preocupado com o bem-estar da populacao, os investimentos seriam feitos de maneira mais adequada, visando o aumento da produtividade. Um governo que pensa no povo, que nao cometera atos imorais eh o que precisamos!
Otimo artigo, Instituto Mises faz um trabalho fantástico e tem a cada dia mais aberto os meus olhos e entendimento para a realidade. Enfim, pelo que tenho entendido, queria que avaliassem se estou correto, não existe a possibilidade real e sincera de o governo fazer investimentos, afinal como não há poupança – pelo contrário as noticias dizem que temos um deficit gigantesco de 170 bi na economia – então, para tudo que o Estado queira fazer ele simplesmente vai tomar emprestado, se endividar mais ainda. Por essa lógica, então faz todo o sentido a conclusão do artigo que diz que todo o investimento deve ser privado. Ao Estado sobra somente diminuir seus gastos, vender todas as empresas públicas, injetar a grana dessas vendas no rombo economico para adiantar mais ainda a diminuição da dívida, e consequentemente o tamanho do Estado. Estou certo? É este mesmo o caminho a ser seguido?
Por fim, minha outra questão é: qual é de fato a função do Estado, pq pelo que tenho entendido e tbm sou contra, o anarquismo não é benéfico. Sendo assim, qual deveria ser o papel do Estado de maneira geral?
“Caso todo este dinheiro tivesse sido simplesmente queimado, as consequências seriam melhores: no mínimo, não causaria novos prejuízos e nem induziria outros investimentos perdidos.”
Caso todo este dinheiro tivesse sido simplesmente queimado, a redução da oferta monetária geraria deflação, aumentando o poder de compra de todos nós.
É até difícil imaginar o que é R$1 bilhão, quanto dinheiro é isso e o que daria para fazer.
* * *
Peço desculpas por estar fugindo do tópico principal. Mas acompanho o Instituto há 4 anos (tenho 20), e acabei me tornando referencia quando o assunto é política/ economia nas minhas rodas de amizades.
Hoje um amigo meu pediu que eu sugerisse um app de economia, para que ele se mantenha atualizado.
Vocês tem alguma sugestão pro amiguinho libertário aqui?
MUITO OBRIGADO!
Caótica! Entre a década de 80 e 90 os preços de produtos e serviços brasileiros subiram absurdamente. Para viver nessa época, além de gastarem todo seu salário rapidamente, as pessoas criaram hábitos que perduram até os dias de hoje, como o de fazer compras do mês. Foi nessa época que se consagrou o dragão como símbolo da inflação, por ser um monstro enorme, que solta fogo e representa perigo iminente.
Jornais da época registravam "Deu a louca nos preços". De acordo com o livroSaga Brasileira, de Miriam Leitão, um fogão de brinquedo poderia custar maisdo que um fogão de verdade. Você poderia comprar um blazer de linho ou uma geladeira pelo mesmo valor. Ou escolher entre um carro zero ou 42 conjuntos de calcinha e sutiã
O corre-corre para comprar tudo que era possível trazia alguns efeitos imediatos: o primeiro era o desaparecimento rápido de alguns produtos das prateleiras. A venda racionada também era frequente entre os comerciantes: para dar conta de atender a todos, cada um só podia levar uma garrafa de leite, por exemplo.Preços eram congelados por determinação do governo e os supermercados escondiam alguns itens para forçar o descongelamento.
Havia muita insegurança: não se sabia se o dinheiro seria desvalorizado com o passar dos dias. Por isso, muitas pessoas, principalmente as mais pobres, assim que recebiam o salário do mês, corriam para os supermercados para comprar tudo que pudessem. Enchiam os carrinhos e esvaziavam os bolsos em um único dia.
Supermercados remarcavam diariamente os preços dos produtos. Era comum, ao pegar algo na prateleira, notar que havia etiquetas e etiquetas de remarcação de preços, umas sobre as outras – apontando para a oscilação do dia. Por muito tempo essa tarefa era feita "na mão", visto que o código de barras como conhecemos hoje só foi adotado no Brasil em 1983.
Fazer a compra do mês é um hábito criado pela inflação exacerbada. Como as pessoas temiam não poder comprar tudo o que precisavam se deixassem para o dia ou a semana seguinte, faziam estoques de alimentos em casa. Havia quem comprasse, por exemplo, 20 latas de óleo de uma vez (suficiente para abastecer uma família de quatro pessoas por dez meses!)
Se hoje as pessoas são seduzidas por promoções e compram coisas das quais não precisam, imagine nos tempos de caos econômico! De vassouras a freezers, o que fosse anunciado como oferta era comprado, pois não se podia perder esse tipo de oportunidade.Segundo o livro de Miriam Leitão, um garoto perguntou para a mãe se todos estavam virando bruxos ao ver pessoas saindo com vassouras do mercado.
Em toda crise, alguém sempre lucra. Assim foi com a hiperinflação. Fazer contas era tão necessário que as vendas de calculadoras da empresa brasileira Dismac dobraram em apenas um ano! Os bancos também se aproveitavam da hiperinflação, pois possuíam incentivos econômicos para abrir agências em municípios com poucos habitantes. Entre 1985 e 1994, 1.078 novas agências bancárias foram abertas!
O artigo está correto em todos os apectos.
E o governo dos generais-presidentes brasileiros(do ponto de vista econômico) nem foi socialista, foi Estalinista.
Posso estar errado, (e se alguém tiver os dados corretos , receberei a correção com prazer), mas tenho quase certeza que em algum momento do regime civil-militar a economia brasileira era 60% estatal.
Agua, luz, petróleo, telecomunicações, transportes, tudo pertencia ao ESTADO. O que não pertencia ao estado estava cem por cento engessada pelas suas regulamentações.
Tudo era “CIPADO”. Lembro bem. Havia em Brasília um tal de CIP: Conselho Interministerial de Preços. O tal CIP determinava o preço de tudo: combustíveis, carros, vacinas veterinárias (ganhei dinheiro vendendo as tais vacinas). Posto de gasolina que vendesse gasolina abaixo do preço CIPado era multado.
Se compararmos hoje com aquela época podemos afirmar que temos uma liberdade econômica Suiça. As importações eram simplesmente probidas se o ítem em questão tivesse “similar nacional”. Em resumo, vale um artigo sério do Mises comparando a economia da URSS em seu momento mais fechado com a economia brasileira do período dos generais presidentes.
Aqui , do ponto de vista econômico, contraditoriamente, e vindo de militares genuinamente nacionalistas(não tenho dúvida disto), ocorreu um verdadeiro crime de lesa-pátria.
Como conciliar o que está escrito neste artigo com o rápido crescimento chinês puxado por enormes investimentos estatais?
Como deixar tudo para o setor privado se o empresário brasileiro só quer retorno alto e rápido?
Abraços.
Necessitamos de uma economia liberal que faça com que o Estado não interfira e que o próprio mercado propicie o devido “crescimento econômico”
“De resto, é possível que nos próximos semestres a economia comece a se recuperar. ”
Raphael Lima nunca fala estas coisas. É só previsão de catástrofe. E todo mundo vai votar pensando na possibilidade de que o Brasil se torne a Venezuela ou a Alemanha nazista.
Haveria possibilidade de alguma empresário arriscar montantes altíssimos, como na construção de obras de infraestrutura portuária ou até mesmo de energia, como Itaipu ou Belo Monte? Nem para isso o Estado serve??
Muitos vão me criticar, mas eu tenho saudades da realização das grandes obras do regime militar. Quem da iniciativa privada investiria na construção de grandes obras como a Ponte Rio de Niterói e a Usina Hidrelétrica de Itaipú? Ainda mais empresário brasileiro, que quer tudo a baixo custo. Não são capazes de investir numa barragem decente porque custa mais caro (mais quatro barragens da Vale corre o risco de romper a qualquer momento)….
Investir no Brasil atual já é ruim per se.
Parabéns ao Guedes hoje na CCJ. Deu pra ver como tem gente no governo que torce para que as coisas fiquem pior!
O comperj era para já estar pronto. Parou por causa da lava jato , cujo objetivo era prender o Lula e banir o perigo de um projeto político popular. Centenas de milhares de empregos foram perdidos. Só agora que as obras estão sendo retomadas.
Pessoal estou com uma dúvida, é apenas a teoria austríaca que deduz que qualquer intervenção estatal na economia é ruim? Se eu defender o fim do Estado sem ser um austríaco estarei caindo em autocontradição? Não confundam minha oergunta, eu acredito firmemente na genialidade do método praxeológico, só pergunto isso porque quando vou falar sobre economia com as pessoas que convivo elas são muito resistentes em acatar minha ideia sob o argumento de “Se essa tua teoria é tão boa então por que existem várias escolas de economia?”, ou “Então por que ninguém implantou as tuas ideias completamente?”, aí fica difícil, a única saída que eu vejo pra ir contra esses argumentos é dizendo que pra ser libertarianista não precisa necessariamente ser austríaco, grato em quem responder.
Percebam a ironia. O que era considerado investimento ruim porque estava nas mãos do Estado foi privatizado.
Contudo, em ao menos 55 países foi necessário reestatizações entre 2000 e 2017, sendo que os países centrais do capitalismo, como Alemanha, França e EUA lideram a lista.
A maioria dessas reestatizações aconteceu em serviços essenciais como saneamento, energia e coleta de lixo porque as empresas privadas priorizavam os lucros, aumentavam preços e prestavam serviços ruins.
Será que o investimento privado teria sido direcionado para tais setores econômicos originalmente?
Já que o artigo esqueceu-se de mencionar tais fatos, acho que vale a pena ler a noticia completa no endereço abaixo citado.
economia.uol.com.br/noticias/redacao/2019/03/07/tni-884-reestatizacoes-mundo.htm
Saindo do tema…
Leandro ou alguém poderia me recomendar algum artigo sobre a Curva de Rahn do ponto de vista austríaco (e anarquista)?
Grato.
Todos os dias acesso o site em busca justamente desse tipo artigo. Obrigado pela análise!
Olá amigos, gostaria que algum membro graduado do IMB escrevesse um artigo sobre o modelo de CEPAC para construção de obras públicas, a exemplo do porto Maravilha no RJ. Ou mesmo respondesse neste comentário o a visão austríaca acerca deste modelo.
Olá pessoal, gostaria que alguém colaborace com o meu raciocínio, a economia não quer crescer, alguns dizem que após a reforma da previdência a economia irá deslanchar devido a confiança que vira
Más tenho dúvidas se isto será o suficiente, pois durante décadas o Brasil se acostumou com o Estado dirigindo os investimentos e alocando os recursos onde o mandatário de plantão achava melhor, foi assim com Vargas e depois com os militares e por último no governo do PT. Sempre foi o Estado o indutor do crescimento.
Alguns economistas dizem que o investimento tem que voltar, para destravar a economia, mas ninguém sensato vai investir com a capacidade ociosa em torno de 30%, por outro lado temos uma massa de pessoas desempregadas!
A saída na minha opinião seria um corte nos impostos sobre o consumo em todos os setores da economia de forma permanente, para que as pessoas tenham mais poder de compra com os seus salários e com isto ligar o motor da economia.
Gostaria da opinião de vcs.
Continuo a repetir a fala do professor Modesto Carvalhosa: sem o “performance bond” (claro, em 100% do valor da obra continuaremos a esperar a existência de “administradores honestos”. Continuo a acreditar na palavra de Fernão Lara Mesquita: enquanto não tivermos voto distrital (claro, com recall!) nas eleições legislativas, continuaremos a viver crises e mais crises.
Pessoas, quem não assistiu ainda, assistam esse vídeo do Brasil Paralelo onde é falado sobre o movimento ambientalista e sua relação com o corporativismo (algo que o IMB aborda desde pelo menos 2009), além de tantas outras coisas.
Chama a atenção o bom senso que o Aldo Rebelo, comunista do PCdoB, demonstrou na entrevista.
Algo que foi falado também é com relação à Embrapa (estatal criada no governo Médici) e que foi graças à ela que ocorreu o desenvolvimento do setor agropecuário brasileiro, já que o Brasil passaria a ter autossuficiência alimentar e viraria um grande exportador do ramo. O interessante é que, em um dos gráficos que eles mostram das exportações brasileiras no setor agropecuário, a explosão se deu justamente nos anos 2000, quando o real estava forte (e as commodities em dólar estavam caras). Com relação à Embrapa deduzo de que estejam errados, porque a própria abertura que o Brasil fez ao mercado internacional de 1964 em diante, assim como as isenções para máquinas agrícolas, é que pode ter sido a principal causadora desse salto na produtividade agrícola brasileira. Com mais dólares “entrando” no País (porque no final das contas o dólar não é moeda corrente no Brasil), a importação de maquinário ficou mais facilitada. A Embrapa seria certamente uma potência caso fosse privatizada.