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As bênçãos de uma deflação de preços

Nota do Editor

Há mitos que inacreditavelmente se recusam a morrer.
Pior: sua existência segue gerando empobrecimento.

O artigo abaixo foi originalmente publicado em julho
de 2017. Naquele ano, houve uma pontual
deflação de preços no mês de junho
. Consequentemente, boa parte da mídia “especializada”
entrou em polvorosa, dizendo que a deflação de preços prenunciava uma forte retração
da economia (a qual, diga-se de passagem, havia acabado de sair da recessão).

Ontem, dia 9 de outubro de 2019, foi divulgada uma
nova, pontual e totalmente tímida
deflação de preços no mês de setembro
. Houve redução de preços nos
alimentos e em “artigos de residência”, como eletrodomésticos e itens de TV,
som e informática.

Impressionantemente, a mídia “especializada” retomou
a mesmíssima ladainha, dizendo que o fato de ter havido queda nestes preços é
uma notícia
ruim para a economia
. (Veja três inacreditáveis análises aqui,
aqui
e aqui)

Apenas pense nisso: a mídia “especializada” está dizendo
que o fato de alimentos, eletrodomésticos e produtos de informática terem ficado
pontualmente mais baratos é na realidade uma notícia ruim, pois isso seria
sintoma de uma economia fraca.

Por essa lógica, o ano de 2015, quando
o IPCA subiu quase 11%
, deveria ter apresentado uma economia pujante. No entanto,
como todos se lembram, a economia se retraiu intensamente naquele período (o
PIB afundou 5,5%
).

Ou o que dizer do próprio PIB do primeiro trimestre
deste ano, que foi ligeiramente
negativo
ao mesmo tempo em que apresentou a maior
inflação trimestral em três anos
?

Com efeito, se essa mídia “especializada” for
coerente, quando o próximo IPCA for divulgado e apontar aumento de preços, ela
terá de comemorar dizendo que tal inflação indica “forte recuperação econômica”.

Veja por que você deve ignorar as “análises” desta
mídia (no final, tudo é política) e entenda por que preços em queda (aproveite, não irão
durar) são uma bênção (como se você já não soubesse disso).

_______________________________________________

Suponha que você reserve o seu sábado para ir ao
shopping fazer compras. Ao chegar lá, você vê um cartaz anunciando: “50% de
desconto em tudo!”.

Isso é uma ótima notícia, certo?

Ou então, suponha que você está à procura de um
carro novo. Ao pesquisar, você se surpreende ao descobrir que os carros estão
mais baratos em relação ao ano anterior. Incrível e sensacional!

Ou digamos que você está pagando o colégio de sua
filha e descobre que você separou mais dinheiro que o necessário, pois os
preços da mensalidade e dos livros estão mais baixos do que você esperava. Glória!

Olhemos agora do ponto de vista empreendedorial. Você
é um industrial e seu principal gasto é com as peças de aço. Após vários anos,
até mesmo décadas, de preços crescentes para rolamentos e outras partes do
maquinário, seus custos repentinamente caem. Consequentemente, o custo de
manutenção e de substituição de ativos é dramaticamente reduzido. Isso lhe deixa
com mais dinheiro para investimentos, folha de pagamento, propaganda, e para
atrair mais investidores por meio de maiores dividendos. Trata-se de uma
situação em que todos ganham.

Até agora, a deflação de preços parece algo glorioso.
“Mas não é!”, grita o economista empertigado. Consumidores e produtores podem
até se beneficiar, mas e os vendedores?

É fato que vendedores sempre querem vender seus
produtos ao preço mais alto possível. Isso vale tanto para a Apple quanto para
a padaria na esquina da sua casa. Se dependesse da Dell, cada computador
custaria $ 1 milhão e, se ela conseguisse vender por $1 milhão o mesmo número
de computadores que vende hoje aos preços atuais, é claro que ela cobraria este
novo valor.

Igualmente, consumidores gostariam de pagar
exatamente $0 por tudo aquilo que compram.

É a interação entre estes dois mundos ideais o que
gerará os preços de mercado.

Sendo assim, em um cenário de deflação de preços, se
as empresas estão sendo forçadas pela concorrência a venderem a preços cada vez
menores, como elas podem ter lucros? Simples: tornando-se mais eficientes.
Cortando custos.

Qualquer um que já tenha trabalhado em uma empresa
sabe que eficiência é algo que empresas implantam quando realmente necessitam
dela e quando não há alternativa mais fácil (por exemplo, apenas aumentar
preços). Um monopólio (pense nos Correios ou no Detran) não enfrenta nenhuma
concorrência, de modo que ele pode continuar elevando preços e mantendo
horrendas ineficiências ano após ano. Já uma empresa em um ambiente
concorrencial não pode se dar a este luxo.

A indústria tecnológica fornece a melhor ilustração
prática desta teoria. Ao longo das últimas décadas, os preços desabaram
(principalmente naqueles países que praticam livre comércio, sem barreiras à
importação), as vendas aumentaram, e os lucros não pararam de subir.
Fabricantes e revendedores de computadores e notebooks auferiram fartos lucros.

Mas este não foi o único setor. O mesmo ocorreu para
os utensílios e os aparelhos eletrodomésticos, cujos preços também caíram ao
mesmo tempo em que as vendas e os lucros aumentaram. Por quê? Porque
fabricantes e vendedores melhoraram naquilo que fazem, e consequentemente
conseguiram obter lucros mesmo em um cenário de queda de preços.

Consequentemente, não há nenhum conflito entre os
interesses dos consumidores (quem sempre querem preços menores) e a saúde de
uma economia em geral. O que é bom para os consumidores é bom para todos.

Vale lembrar que, do início da Revolução Industrial,
em meados do século XVIII, até o início da Segunda Guerra Mundial, os preços nos países
desenvolvidos geralmente caíam, ano após ano
. Um cenário de deflação de
preços anual era a norma no mundo, especialmente nos EUA, entre 1865 e 1913
(ano da criação do Fed). Foi também nessa época que o país mais cresceu em
termos anuais

Isso porque um contínuo aumento da produtividade,
gerado pelo livre mercado, levou a uma queda nos preços. E dado que os custos
de produção caíam junto com os preços de venda, os investimentos aumentavam
normalmente. Em geral, os salários permaneceram constantes ao passo que o custo
de vida caiu — de tal forma que os salários “reais”, ou o padrão de
vida de todos, aumentou constantemente.

Vale enfatizar: o segredo está na produtividade.
Com o aumento da produtividade e da eficiência dos métodos de produção, os
custos podem cair proporcionalmente mais que os preços, tornando qualquer
empreendimento lucrativo, mesmo com queda de preços.

Com efeito, em um cenário de deflação de preços
generalizada, ter lucros pode ser ainda mais fácil, pois, ao contrário do que
ocorre em um cenário de inflação de preços, os custos de produção também
estariam caindo. E, com a correta adoção de economias de escala e métodos
produtivos mais eficientes, os custos cairiam ainda mais que os preços,
garantindo altos lucros.

Não há nada de terrível se ter preços em queda.
Queda de preços é justamente o que ocorre em uma economia de mercado em que
haja concorrência e um contínuo aumento da oferta de bens e
serviços. Todos nós consumidores gostamos quando os preços das coisas
ficam mais baratos.

Entram
em cena os economistas para bagunçar tudo       

Tendo entendido isso, é de se espantar a quantidade
de economistas e comentaristas econômicos que tentam convencer o público de que
a deflação de preços é uma coisa apavorante
. Muitos gostam de falar isso porque
tal afirmativa traz aquela comoção e aquele impacto geralmente associados a uma
conclusão contra-intuitiva. Só que, neste caso, eles simplesmente estão
errados. A primeira e natural intuição — a de que barganhas são ótimas — é
exatamente a intuição correta. Em matéria de economia, algumas vezes o bom
senso acaba sendo todo o necessário para se avaliar uma medida.

Eis, a seguir, os principais “argumentos” anti-deflação apresentados por essas pessoas.

Consumo
versus poupança

O principal argumento utilizado por esses
economistas e comentaristas econômicos é que, se as pessoas
sabem que os preços cairão continuamente, então elas irão postergar ao máximo
seu consumo, esperando tudo ficar mais barato. Consequentemente, com o consumo
em queda, o desemprego aumentaria e toda a economia entraria em uma permanente
depressão.

Na prática, essas pessoas estão dizendo que, entre
comprar hoje ou postergar a compra em cinco anos, quando os preços estarão
menores, todos optarão pela segunda alternativa.

Em primeiro lugar, é verdade que preços em queda
criam um incentivo para a poupança. Mas isso, por si só, é ótimo. Enquanto a
preferência voluntária dos consumidores for pela poupança em detrimento do
consumismo, isso irá criar os fundamentos para um crescimento econômico futuro.
A poupança é exatamente a atitude que possibilita uma maior
acumulação de capital e um maior volume de investimentos
. E consumidores
poupam por um motivo óbvio: para poderem gastar mais no futuro.

Em segundo lugar, não há nenhuma evidência de que
uma queda nos preços faça com que as pessoas posterguem suas compras. Se
isso de fato ocorresse, ninguém jamais compraria televisões, smartphones,
câmeras, notebooks e demais apetrechos eletrônicos, pois sabemos perfeitamente
bem que tais itens estarão mais baratos e com ainda mais qualidade no ano que
vem. O que ocorre na realidade é que as pessoas acabam comprando uma maior
quantidade de todos esses itens.

As pessoas compram coisas quando necessitam delas, e
levam em consideração a tendência dos preços (afinal, ninguém pode adiar
compras para sempre).

Ademais, e isso é ainda mais importante, o ser
humano sempre irá preferir ter um bem hoje a ter esse mesmo bem apenas no
futuro distante. Isso é o básico da teoria da preferência temporal.
Logo, sempre que possível, consumidores preferem consumir no
presente. Além de você não poder postergar sua demanda por alimentos,
roupas, moradia e alguns outros bens, há também o fato de que você não
necessariamente irá adiar sua aquisição de um bem hoje só porque ele estará
mais barato daqui a uma ano. Porque mesmo comprando-o hoje a um preço maior,
você sabe que seu poder de compra será maior no futuro. E isso muda
tudo.

Se você vive em um ambiente em que os preços estão
caindo, você sabe que seu poder de compra futuro será maior
que o atual. Mesmo sabendo que um carro estará $3.000 mais barato daqui a dois
anos, você ainda assim irá comprá-lo hoje, pois sabe que daqui a dois anos seu
dinheiro estará valendo mais. Não obstante seu gasto de hoje, você terá
maior poder de compra para aquisições futuras. É justamente o fato de você
saber que terá maior poder de compra no futuro o que não irá restringir
seu consumo presente.

Ao contrário: é até bem possível que o consumo
presente possa aumentar.

Portanto, eis o que temos em um cenário de deflação
de preços: 1) ou as pessoas pouparão mais, o que será ótimo para o futuro da
economia; ou 2) elas consumirão mais, o que é o exato oposto do que temem os
economistas anti-deflação de preços.

O
problema do endividamento

Outro temor destes economistas se refere às
implicações da deflação de preços para o endividamento. Segundo eles, a
deflação de preços “faz com que seja muito mais difícil a quitação das dívidas
pendentes”.

É verdade que, em um cenário de deflação de preços,
os empréstimos serão quitados com um dinheiro que vale mais do que aquele que
foi emprestado. No caso de empresas pouco eficientes, a queda dos preços levará
a uma queda de suas receitas, o que dificultará a quitação dos empréstimos.

Mas tudo isso faz parte do risco que um indivíduo
assumiu quando decidiu se endividar. Se todos nós tivéssemos uma perfeita
capacidade de previsão, nosso comportamento seria totalmente diferente. Isso
não é um argumento para apertarmos o botão do pause nas relações econômicas. O
que a deflação de preços faz é fornecer um desestímulo ao endividamento e criar
um estímulo ao uso da própria poupança para o propósito do investimento. Isso
significa que indivíduos frugais e empresas prudentes e bem-capitalizadas serão
os mais recompensados — algo ótimo em termos éticos e econômicos.

Já os indivíduos gastadores terão de apertar os cintos, e as empresas ineficientes terão de se aprumar, cortar custos e otimizar seus serviços e suas linhas de produção. 

Deflação
e investimentos

Não há nenhuma evidência de que preços em queda
afetem a confiança das empresas. As empresas investem naqueles setores em que
acreditam ser possível ter lucro, e o lucro está muito mais relacionado a
custos do que aos preços de venda. Se os custos estiverem caindo, não haverá
problemas se os preços também caírem.

Em um cenário de deflação de preços, os preços
cairiam, mas os custos também cairiam. Custos são preços. Eles também estão
embutidos na queda.

Com o aumento da produtividade e da eficiência dos
métodos de produção, os custos podem cair proporcionalmente mais que os preços,
tornando qualquer empreendimento lucrativo, mesmo com queda de preços.

Ademais, se uma redução de preços contínua levasse a
uma depressão permanente, o setor tecnológico já teria desaparecido. Deflação
de preços é a norma neste setor. Os preços de câmeras, notebooks, smartphones,
televisões etc. só caem. E ainda assim as empresas desses ramos só lucram. Se
uma queda de preços realmente afetasse a confiança das empresas, nenhuma
empresa jamais iria empreender no ramo tecnológico.

Uma
recessão com inflação ou uma recessão com deflação de preços?

Preços em queda são exatamente a “grande vantagem”
de uma recessão econômica.

Apenas se pergunte a si próprio: durante uma
recessão, você quer que o poder de compra do seu dinheiro aumente ou diminua?
Se o futuro do seu emprego está em risco, você quer pagar mais ou menos por
bens e serviços? Se a sua poupança é baixa, você quer que este seu pequeno
dinheiro acumulado tenha maior ou menor poder de compra no futuro?

Se você responder a estas questões racionalmente, você
pode entender por que a deflação de preços é ótima para todos, sendo inclusive
a redenção em um período de contração econômica.

Se temos de aturar uma recessão causada pelo
governo, então que ela ao menos seja uma recessão deflacionária. Muito pior seria
uma recessão inflacionária: você perde seu emprego e sua renda, e seu custo de
vida continua subindo. Pelo mesmo motivo que uma deflação de preços é algo bom,
preços crescentes durante uma recessão representam o pior dos mundos: além de
todo o estrago no bem-estar, tal fenômeno também desestimula a poupança e o
investimento futuro. Ele estimula o consumo presente e, com isso, afeta a
acumulação de capital necessária para o crescimento futuro (entenda os detalhes aqui).
É o perfeito exemplo do
prolongamento do sofrimento.

Conclusão

Na economia, aquilo que é bom para os indivíduos e
para as famílias é também bom para a economia. Todos nós gostamos de barganhas,
promoções e descontos. Todos nós, em suma, gostamos de preços baixos.

Infelizmente, em nossa atual era inflacionária,
preços menores estão restritos apenas a setores muito específicos (todos eles
relacionados à tecnologia). Que sonho seria se os preços em queda destes
setores se expandissem para todos os outros e para tudo aquilo que compramos.

Deixe os economistas e comentaristas econômicos
darem chiliques e se preocuparem com aquilo que seus falaciosos modelos macroeconômicos
lhes ensinam. Apenas desfrute este efêmero fenômeno de uma queda de preços e
aproveite este momentâneo aumento no seu padrão de vida e no poder de compra do
seu dinheiro.

[N. do E.: Desde 1994, o real já perdeu 82% do seu
poder de compra
. Este roubo irá continuar. Por isso, aproveite ao máximo
este curtíssimo período de tempo, até que a “normalidade” seja restaurada].

_________________________________

Para entender por que os preços se estabilizaram no Brasil, confira este artigo.

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139 comentários em “As bênçãos de uma deflação de preços”

  1. Ainda estou procurando essa tal deflação nas terras de Pindorama, IPCA acumulado 12 meses está em 3%, nada longe de nossos vizinhos economicamente civilizados, Paraguay com 3,4%, Chile 2,8% e Perú 3,2%. E depois da sequência de vários anos com inflações cavalares, por aqui mínimo de sensatez é radicalismo, totalmente desalentador este país.

  2. Ótimo artigo pra derrubar as falácias desses economistas intervencionistas.

    Uma pergunta para quem quiser responder:alguém conhece uma fonte confiável e completa que não esteja contaminada pela esquerda para estudar história? Fica difícil fazer um debate quando eu não sei se me contaram tudo sobre a matéria ou se mudaram alguma coisa.

  3. agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2017-07/inflacao-oficial-tem-deflacao-de-023-em-junho-primeira-em-11-anos

    Quando você acha que nunca veria uma notícia de deflação no Brasil

    : D

  4. Leandro,

    Hipoteticamente, hoje em dia, se um país como o Brasil resolvesse abandonar toda loucura inflacionária e resolver congelar o M1 mas todos outros países seguissem inflacionando a moeda, isso poderia trazer problemas? e quanto a salário mínimo, agencias de regulamentação e CLT não poderiam provocar disparada no desemprego?

    Outra coisa, a moeda não poderia passar a se comportar como um ativo e passar a deflacionar de forma muito severa? com deflações de preços descoordenadas e de alta porcentagem? Porque na minha visão, passaria a valer a pena empreendedores do mundo todo manter estoques da moeda devido a deflação, a enorme procura e a busca por ganhos na venda posterior da moeda valorizada poderiam provocar ataques especulativos e falta de previsão no valor da mesma? Não sei se raciocinei corretamente.

    Se não me engano Mises defendia o congelamento do M1, isso é válido também para países fortemente intervencionistas, com altíssima carga tributária, entraves artificiais, e aplicando essa solução isoladamente?

  5. Não sei se estou errado, mas a deflação é boa quando advinda do aumento da produtividade ou valorização da moeda, que não é o que está ocorrendo no Brasil no momento. A inflação despencou no Brasil por estar havendo uma contração monetária.

    Quem comprou títulos com juros fixos pagando 17% a.a. há um ano atrás deve está rindo a toa.

  6. Leonardo Scattolini

    O autor esqueceu de contar que quando você for no banco tirar o seu salario no valor x vai ver que recebeu x – D. Afinal as empresas vão ter que “indexar” seu salario assim como ocorre hoje com a inflação isso se ele não for o demitido da vez. Venho pensando e lido bastante a respeito do assunto e a Deflação me parece tão prejudicial quanto a Inflação. Porque não colocar a meta em 0%?

  7. Economista Heterodoxo

    Lamentável. O pior de tudo é ver os rentistas soltando fogos com essa desaceleração violenta do IPCA, como se isso fosse uma coisa boa. Aliás, pra quem vive de LFT é uma boa coisa mesmo, tamanho os juros reais.

    Infelizmente, pra quem produz, como o setor industrial, só resta esperar essa equipe econômica saia para que se possa ter um câmbio de equilíbrio, uma política fiscal e monetária expansionista e uma linha de crédito de longo prazo decente.

  8. Nessas horas até os neoliberais (aqui representados pelos economistas do por que) são inflacionistas e usam argumentos despropositados. Não a toa, quando eles pegam gente como Ciro Gomes (por mais demagogo e errado que este seja) em debate, são trucidados.

  9. Leandro, ou mais alguém que possa ajudar,

    as matérias que noticiam essa deflação falam que ela foi pontual e já era esperada para o mês. A N.E. no final do artigo alerta para o fato de que nossa moeda vem sempre perdendo valor desde 1994, o que dá a entender que não será diferente para os próximos anos. Apesar disso, no cenário atual, podemos esperar mais deflação para os próximos meses?

    O governo vem reduzindo a SELIC há algum tempo e mesmo assim não conseguiu aumentar a inflação.

    Essa deflação seria uma “acomodação” dos preços que estavam altos devido ao aumento da demanda causado pela concessão de crédito nos últimos anos?

    A meu entender, o governo vem buscando uma SELIC cada vez mais baixa, o que possibilita que os bancos ofereçam mais crédito, porém a população desempregada e endividada não está mais conseguindo pegar empréstimos. Então as ações do governo por enquanto não estão surtindo efeito e a demanda continua baixa.

    Essa linha de raciocínio estaria correta?

  10. O governo estava “proibindo” a redução de preços.

    Agora os especialistras e o patrulhamento já estão exigindo a redução nos juros.

    Ou seja, não vai demorar para voltar a proibição na reduzição dos preços.

  11. Leandro,

    Em uma deflação duradoura, o Governo poderia “imprimir” e circular sua moeda sem se endividar (emitindo títulos)? Isso em teoria, claro, pois hoje a lei do Brasil assim não permite.

    Pergunto isso porque o motivo desse endividamento para emissão da moeda é justamente evitar a inflação, não?

    Desde já agradeço a resposta.

  12. Dilma, na campanha da reeleição, disse que a inflação não podia ficar “muito baixa”, conforme outros candidatos propunham, pois isso aumentaria o desemprego…

    Aliás, muitos pensam que o Banco Central combate a inflação, quando na verdade ele a causa no sentido de controlar o quanto dela será gerada. Quando se diz que a meta da inflação é X, isso significa que o BC se compromete a produzir apenas X de inflação…

    A única ressalva, conforme alguns comentários e outros artigos explicam, é que existe a deflação benigna (causada pelo aumento da produtividade) e a deflação maligna (causada pela contração da oferta monetária). Já a deflação causada pela queda da demanda pode ser benigna ou maligna conforme o contexto.

    Não sei em qual das três categorias a efêmera deflação brasileira (ou redução da inflação) mais se encaixa. Agradeço se o Leandro explicar.

    * * *

  13. Se o crescimento econômico, por aumentar o número de bens e serviços disponíveis na economia, causa deflação natural; então uma recessão causaria inflação, ao diminuí-los? Por que isso não acontece? E se vê alguns economistas justificando até a inflação baixa pela recessão? Agradeço.

  14. Palavras da economista Monica de Bolle

    Deflação não é desinflação, como tantos confundem. Desinflação é queda

    da inflação. Deflação é queda generalizada

    dos preços, forte sinal de desajuste

    econômico e de erro na condução da política monetária. Desinflação pode ser comemorada. Deflação jamais.

  15. O engraçado são os ECONOMISTAS BRASILEIROS ficarem “preocupados com isso. Dá impressão que eles não vivem no mesmo país que nós.

  16. Fora do assunto deste ótimo artigo, qual é a vossa opinião sobre Israel? Está na 27ª posição no ranking de liberdade econômica da Heritage, mas muitos dizem que o país só é desenvolvido por causa the ajudas extenas, expecialmente dos EUA. Isso se sustenta?

    Obrigado!

  17. Pois é, não faz sentido, eles pelo jeito colocam a ajuda militar dos EUA no mesmo balaio dos investimentos estrangeiros (que todo país deveria se preocupar em atrair), dizendo que é a mesma coisa e “Israel só é rico porque o mundo inteiro financia eles”. Fazer o que, esquerdistas são famosos por não entender um pingo de economia.

  18. Porque então a mídia já fez artigo e alarmismo de dezenas de especialistas dizendo que é ruim UM MÊS (UM DADO DE UM MÊS APENAS) ?

    Não consigo entender

  19. Uol está constantemente defendendo ideias opostas ao Livre Mercado.

    Quando vamos demitir a PagSeguro da Uol e Foice de São Paulo como nossa operadora de cobrança?

  20. Pessoal, estou com alguns temas em pauta para colocar em meu blog. Sei de que décadas atrás bancos como a Nossa Caixa e Banespa ofereciam altos salários e várias mordomias. Vou até ler sobre (não sei realmente, visto que esses bancos imprimiam dinheiro e geravam hiperinflação). Falam da suposta privatização da Nossa Caixa, mas eu não sei como um esquema de vender para uma outra estatal (o Banco do Brasil) poderia ser considerado como tal e nem sei por que eles fizeram isso. Tenho familiares que trabalharam na CESP e Nossa Caixa, com até alguma dose de saudosismo, de como era décadas atrás trabalhar nessas estatais.

    Acho um bom tema abordar as estatais paulistas e até analisar as externalidades, já que o que se vê são apenas os supostos altos salários… supostos porque não se tem ideia de que se não existissem e o mercado fosse livre, poderia haver salários ainda melhores, assim como até melhores condições de trabalho. Na Nova Zelândia, por exemplo, burocratas que foram demitidos acharam empregos com melhores salários na iniciativa privada. E isso porque houve também uma desestatização genuína no mercado, coisa que nunca houve no Brasil.

    Quem souber de bom material, por favor, me falem.

  21. Hoje meu professor estava falando que o Meirelles é super foda e um grande economista, já o Paulo Guedes é ruim e vai destruir a economia, o que vocês acham? Ele está certo?

  22. [É inacreditável como a extrema imprensa joga contra o Brasil, mesmo com notícia boa os caras conseguem trazer cenário de pessimismo, bando de filho da puta economistas de merda

  23. Eu formulei mal minha pergunta em outro artigo, então perdoe-me ao repeti-la melhor aqui;

    Em um mundo de deflação de preços, os juros reais não fariam as pessoas entesourar dinheiro, e consequentemente deixar de investir?

    Os juros reais seriam muito alto, por exemplo, uma deflação de 5%, para compensar emprestar ao invés de deixar o dinheiro parado, os juros teriam de ser positivos(0,5%, 1%); Imagine dividas de longo prazo com juros reais cada vez maior quanto mais forte for a deflação; Você tem os juros da deflação + o positivo para não deixar ele parado com risco reduzido;

    E se as pessoas não emprestam, há cada vez menos expansão de crédito (supondo um sistema de reservas fracionadas com base monetária sendo o Ouro); o que ainda amplificaria a deflação; gerando uma retroalimentação deflacionária, com juros reais cada vez maiores e maior entesouramento

  24. ”Não entendi. Se se está oferecendo juros reais positivos, por que haveria esse desestímulo ao investimento?

    Por que juros reais de 10% em um cenário de inflação de preços estimulariam investimentos, mas esses mesmos juros em um cenário de deflação de preços desestimulariam investimentos?”

    Por que quanto maior a deflação, maior é os juros reais;

    Por que eu iria emprestar para investimentos se eu tenho garantido um retorno de 10%, e ainda maior o retorno quanto maior a deflação? Vou deixar meu dinheiro mofando e me aposentar; Esse entesouramento, devido aos juros reais altos, reduz a demanda por crédito, consequentemente, isso amplifica a deflação – tornando os juros reais ainda maiores; gerando uma espiral deflacionária e juros reais crescentes;

    Eu creio estar esquecendo de algo nesse meu raciocinio;

    Talvez a produção caia e isso eleve os preços (já que está tendo menos emprestimos) – mas, isso significa que dificilmente você teria uma deflação elevada(ou uma hiperdeflação) ficaria na casa de 1 digito

  25. Uma outra questão, agora um pouco mais ”exagerada”, supondo, hipoteticamente(sei que é muito raro isso ou nunca deve ter acontecido) uma deflação de 40%, os juros reais seriam esse;

    Como poderia haver demanda por emprestimos diante desses custos de juros reais? O retorno teria de ser muito grande, pelo menos, a deflação de custos teria que ser no minimo o dobro da deflação dos produtos consumidos somente para lucrar e pagar os juros reais

    Temos evidência apenas de uma deflação salutar, como -1%, -2%, na história americana;

  26. Uma deflação de 1% anual gera um juro real baixo;

    Agora, se for de 40%, é um juro real de 40%;

    A demanda por crédito cai(não adianta apenas ter oferta se o preço dele é alto demais para pagar); Uma empresa teria de lucrar muito para pagar somente os juros reais da deflação;

    A deflação de custos teria de ser no minimo muito maior que a dos preços aos consumidores, tanto maior quanto maior os juros reais;

    Fica impossível qualquer atividade economica minimamente sensata; Sem atividade economica e sem demanda por emprestimo, você entra em um buraco deflacionario (nem dinheiro ta indo pra economia e nem ela ta andando)

  27. Mais uma para a “coleção” (grifos meus):

    Projeção da inflação está abaixo da meta

    Nos primeiros quatro meses deste ano, a inflação acumulou alta de apenas 0,22%. Em abril, o índice registrou o pior resultado desde 1998. O tema foi debatido em reunião do Comitê Empresarial em São Paulo.

    Esta semana, o mercado reduziu a previsão da inflação deste ano para 1,57%. A projeção já está bem abaixo da meta inicial de 4%, sendo toleradas oscilações entre 2,5% e 5,5%. O índice cai quando há menos moeda circulando. É reflexo direto da queda no consumo das famílias.

    Nos primeiros quatro meses desse ano, a inflação acumulada é de apenas 0,22%, tendo batido vários recordes negtivos. O mês de abril fechou como o pior desde 1998.

    “Nós temos aí, claramente, um fenômeno que mostra que a inflação está excessivamente baixa“, afirmou Henrique Meirelles, Secretário Estadual da Fazenda e Planejamento de São Paulo. “Inflação consistentemente abaixo da meta é uma inflação tão ruim quanto inflação acima da meta“, explicou.

    Hoje, em reunião com empresários, Henrique Meirelles, ex Ministro da Fazenda e ex-presidente do Banco Central, explicou que o Brasil já registra inflação abaixo da meta há três anos. E que o risco de deflação, quando o índice é negativo, é preocupante. Neste cenário as pessoas empobrecem, o salário não cresce, os empregos somem e as empresas param de investir.

    Na visão de Meirelles, para retomar o crescimento da economia, a solução está na política monetária, começando por baixar ainda mais a Selic, a taxa básica de juros, que está em 3%, o menor patamar da história. Outra solução recomendada é injetar recursos na economia através da compra de títulos de empresas do mercado. As duas atribuições cabem ao Governo Federal.

    “O Banco Central do Brasil já tem poderes para comprar títulos das empresas do mercado. A empresa emite debênture, o Banco Central compra. No Brasil isso é meio inusitado. O Banco Central americano está fazendo isso em larga escala”, conta Meirelles.

    Essa estratégia seria mais eficaz que a liberação de crédito, segundo o secretário. “No momento em que a empresa está funcionando, mas as vendas estão baixas, a demanda está baixa, o problema não vai ser resolvido. E a solução está na política monetária”, conclui.

    Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=H-7aRROYH7s (a partir de 40:04)

  28. Alguns países que tiveram deflação de preços (acumulado dos últimos doze meses) no ano passado:

    – Itália;

    – Grécia;

    – Portugal;

    – Espanha;

    – Suíça;

    – Bolívia;

    – Equador;

    – Qatar;

    – Tailândia;

    – Malásia;

    – China;

    – Hong Kong;

    Estados Unidos não tiveram deflação, assim como Reino Unido, Noruega e Dinamarca. Minha hipótese é que isso aconteceu porque nesses países, o banco central “é mais perto”. Grécia, Espanha, Portugal e Itália não possuem bancos centrais próprios. O banco central do Equador não imprime sucres.

    De qualquer forma, que saudades do governo Temer.

  29. Pelos cálculos econômicos e para promover a qualidade de vida não seria ideal uma deflação de 70% de todos os preços (imóveis, automóveis, alimentos, aluguéis, eletro eletrônicos etc) ?

  30. Acredite se quiser: hoje, nas redes sociais, tá cheio de "entendido” dizendo que a deflação do IPC (de -1,19%, maioritariamente por combustíveis, conta de luz, telefônica e lazer) é RUIM!

    Segundo eles, deflação é sinal de economia fraca — o que significa, por definição, que inflação alta seria sinal de economia "pujante” (estranhamente, quando a inflação estava alta, estes mesmos estavam falando em "colapso econômico").

    Realmente, é difícil.

  31. E lá vamos nós…

    O que é deflação? Entenda por que a queda dos preços pode ser preocupante

    (…)

    No momento atual da economia brasileira, a deflação é bem-vinda, pois dá um alívio para os consumidores, melhora o poder de compra e estimula o consumo.

    A inflação negativa pode ser um risco apenas se ela for muito duradoura, por um ano inteiro, por exemplo. Aí provoca efeito contrário.

    As indústrias podem parar de produzir porque o preço de venda não é o que elas desejam. Isso causa desemprego (por causa da redução de produção) e a economia vai parando.

    Isso poderia virar um ciclo vicioso. Com mais demissões, o consumo se reduz mais ainda, e as indústrias acabam cortando a produção de novo. É um efeito dominó.

    O ideal é ter uma inflação baixa, razoavelmente estável, mas positiva. Esse número mágico seria na casa dos 2% a 3% ao ano.

    (…)

    economia.uol.com.br/noticias/redacao/2022/08/09/o-que-e-deflacao-entenda-por-que-a-queda-dos-precos-pode-ser-preocupante.htm

  32. Mais uma: (grifos meus)

    Deflação persistente é mais hostil do que inflação para a economia

    Pesadelo dos brasileiros e de governos em diversos períodos da história, a inflação atinge arduamente o bolso dos consumidores. O efeito da alta dos preços, no entanto, nem se compara com o cenário avassalador criado por um período persistente de deflação.

    Na avaliação de economistas ouvidos pelo R7, qualquer período prolongado marcado por queda dos preços desestimula o consumo das famílias, reduz investimentos e freia o andamento do PIB (Produto Interno Bruto) — soma de todos os bens e serviços produzidos no país.

    Alexsandro Nishimura, economista e sócio da BRA, afirma que a deflação insistente também não é positiva por sinalizar que a "saúde da economia não está boa" por reduzir a produção de bens e serviços. "Se as empresas produzem menos, há menos emprego e menos renda, o que não é algo positivo", explica ele.

    Tatiana Nogueira, economista da XP Investimentos, conta que o temor da deflação era a grande preocupação antes da pandemia nas economias desenvolvidas por deixar a produtividade estagnada.

    "Se ter um descontrole de preços em alta é muito ruim por reduzir o valor do salário recebido pelos trabalhadores, a deflação é ainda pior, porque as pessoas antecipam que os preços vão cair, não consomem e não investem com a expectativa de que vão pagar menos lá na frente", destaca Tatiana.

    (…)

    "Como a inflação no Brasil estava subindo demais e acumulava uma alta próxima de 12% no acumulado dos últimos 12 meses, isso é bom porque a gente consegue ver um sinal de queda, mas não vai ser positivo se acontecer em períodos consecutivos", ressalta Nishimura.

    noticias.r7.com/economia/deflacao-persistente-e-mais-hostil-do-que-inflacao-para-a-economia-10082022

    ——

    Depois o pessoal fica se perguntando por que mais da metade dos brasileiros têm deixado de ler notícias

  33. Eu sei que muitos leitores desse site não são muito chegados na democracia. O problema é que não temos uma democracia, temos uma democracia representativa. É diferente. Nessa o politico recebe voto e ai ele decide se quer fazer o que disse ou não..

    Ja sabemos onde dá.

    No caso suíço, se o banco central abusar da inflação de preços, o povo logo vota uma lei em cima dele.. É democracia no sentido mais puro.. Com seus pontos positivos e negativos.. Mas na nossa os negativos em que o povo é contra estão blindados..

    Uma suíça, mantendo o sistema politico deles, jamais vai sofrer hiperinflação

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