A notícia está em todos os portais. Vale a pena
lê-la na íntegra porque ela desnuda por completo, ainda que involuntariamente, todo o mito do “estado regulador e protetor dos consumidores”.
PF
deflagra ‘Carne Fraca’ contra corrupção na AgriculturaA
Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira, 17, a Operação Carne Fraca para
combater corrupção de agentes públicos federais e crimes contra Saúde Pública.
Executivos do frigorífico JBS e da empresa BRF Brasil foram presos.O
esquema seria liderado por fiscais agropecuários federais e empresários do
agronegócio. Segundo a PF, a operação detectou em quase dois anos de
investigação que as Superintendências Regionais do Ministério da Pesca e
Agricultura do Estado do Paraná, Minas Gerais e Goiás ‘atuavam diretamente para
proteger grupos empresariais em detrimento do interesse público’.[…]“Os
agentes públicos, utilizando-se do poder fiscalizatório do cargo, mediante
pagamento de propina, atuavam para facilitar a produção de alimentos
adulterados, emitindo certificados sanitários sem qualquer fiscalização
efetiva.”Segundo
os investigadores, as irregularidades noticiadas e relacionadas à empresa
Peccin Industrial Ltda. foram confirmadas por Daiane Marcela Maciel, auxiliar
de inspeção da empresa entre agosto/2013 e setembro/2014.A
Carne Fraca aponta que a auxiliar ‘atestou a existência de diversas
irregularidades na empresa, como a utilização de quantidades de carne muito
menor do que a necessária na produção de seus produtos, complementados com outras
substâncias, a utilização de carnes estragadas na composição de salsichas e
linguiças, a ‘maquiagem’ de carnes estragadas com a substância cancerígena
ácido ascórbico, carnes sem rotulagem e sem refrigeração, além da falsificação de
notas de compra de carne”.“Dentre
as ilegalidades praticadas no âmbito do setor público, denota-se a remoção de
agentes públicos com desvio de finalidade para atender interesses dos grupos
empresariais. Tal conduta permitia a continuidade delitiva de frigoríficos e
empresas do ramo alimentício que operavam em total desrespeito à legislação
vigente”, diz a nota da PF.O
nome da operação faz alusão à conhecida expressão popular em sintonia com a
própria qualidade dos alimentos fornecidos ao consumidor por grandes grupos
corporativos do ramo alimentício. A expressão popular demonstra uma fragilidade
moral de agentes públicos federais que deveriam zelar e fiscalizar a qualidade
dos alimentos fornecidos a sociedade.
Esta notícia resume com perfeição aquilo que os
teóricos libertários levaram vários livros e artigos acadêmicos para explicar:
os estragos gerados por um estado regulador vão muito além da corrupção que tal
arranjo é propício a gerar (como perfeitamente ilustra a notícia). Ainda pior
que a corrupção é o fato de que o próprio mercado é completamente distorcido em
prol dos grandes e contra os pequenos. E, como consequência, tudo se torna
muito mais inconfiável e desonesto.
Comecemos pelo básico.
Consequências
nefastas da regulação estatal
Quando o estado adquire poderes regulatórios para
determinar “quem é bom e quem é ruim”, os adjetivos “bom” e “ruim” perdem qualquer
relação com a qualidade do produto e se tornam totalmente relacionados ao poder
financeiro do fiscalizado.
Como disse
o jornalista libertário P.J. O’Rourke, “quando comprar ou vender se torna
objeto de regulação, os primeiros a serem comprados são os reguladores”.
No exemplo ocorrido, os reguladores estatais
entraram em conluio com grandes empresários (todos eles ligados ao BNDES, vale
ressaltar) e, em troca de propina, emitiram o selo de aprovação do Ministério
da Pesca e Agricultura atestando que carnes podres eram, na realidade, carnes
boas e próprias para consumo.
Como este selo de aprovação estatal é
inquestionavelmente aceito por todos como sinônimo de “inspeção rigorosa” — pois
as pessoas estranhamente confiam cegamente no estado e em seus funcionários
públicos –, os escroques garantiram uma vantagem no mercado. E por causa do
estado.
Consequentemente, aqueles produtores honestos e que
realmente se esforçaram para produzir carne de qualidade sofreram um “dumping”:
as carnes podres e mais baratas, chanceladas pelo estado, expulsaram do mercado
as carnes boas e mais caras. Afinal, dado que ambas as carnes tinham exatamente
o mesmo selo de qualidade, por que não ficar com a mais barata e famosa?
Vale ressaltar o óbvio: o Ministério da Pesca e
Agricultura (no caso, suas superintendências regionais) detém o monopólio das
certificações e credenciamentos. Os vigaristas prosperaram no mercado justamente
porque gozavam do selo de qualidade do órgão estatal. Eles apresentavam o
selo e seus produtos eram logo aceitos.
Ao passo que, em um mercado livre e concorrencial,
os produtos de maior qualidade se estabelecem, em um mercado regulado e
controlado pelo governo, só se estabelece quem tem mais poder de propina.
Regulação
privada e concorrencial
Caso houvesse uma regulação genuinamente concorrencial,
na qual certificadoras privadas — concorrendo entre si e batalhando por sua reputação
— fossem as responsáveis por inspecionar a qualidade das carnes, alguém consegue
imaginar o que ocorreria com uma certificadora que fosse flagrada em suborno? Quais
as chances de ela estar operando hoje no mercado? Qual empresa séria iria querer
ostentar seu selo?
E, caso você pense que isso é utopia, saiba que tal
arranjo já existe. Ele está ao seu lado agora, neste momento. Pegue algum
produto elétrico ou algum eletrodoméstico em sua casa e você encontrará um selo
ou da UL (Underwriters
Laboratories) ou da CSA, ou da ETL.
A UL, a mais famosa
delas, é uma certificadora privada e independente fundada em 1894, e que
certifica cerca de 20.000 produtos diferentes — eles emitem 20 bilhões de
selos por ano.
Assim como suas outras concorrentes,
estes selos privados têm credibilidade, pois competem no mercado e dependem de
sua reputação para sobreviver. Uma vida perdida por conta de um produto
mal-testado pode significar sua falência.
Já o “selo do
rei” não tem credibilidade, pois não compete no mercado. Mas tem monopólio
e, por isso, sua baixa reputação não o faz perder clientes.
No caso do Ministério da Agricultura, como se trata
de um órgão estatal e monopolista, não apenas ele continuará firme no mercado,
distribuindo atestados de qualidade por aí a fora, como também tornará mais
difícil a vida de empreendedores honestos. Afinal, por que continuar
confiando em um órgão estatal monopolista que distribui selos igualmente para
honestos e para escroques, sem seguir nenhum critério de mercado e, exatamente
por isto, sem se preocupar com as consequências de suas atitudes?
Um órgão estatal monopolista não opera seguindo o
mecanismo de lucros e prejuízos que apenas o mercado impõe, o que significa que
ele não possui nenhum incentivo para ser criterioso. Errando ou acertando,
sua reserva de mercado continuará intacta, assim como o polpudo salário de seus
burocratas. Quem ostenta o selo do Ministério da Agricultura não traz consigo garantia
alguma de ser idôneo. E um selo concedido a vigaristas não gera nenhuma
punição para o órgão estatal.
Anti-concorrência
No entanto, o objetivo do Ministério da Agricultura,
bem como o de qualquer
agência reguladora, sempre foi um só: proteger os poderosos e já estabelecidos,
dificultando o empreendedorismo dos menos financeiramente capacitados. Esta
notícia foi apenas mais um exemplo prático do inexaurível conluio entre a
burocracia estatal e os grandes interesses econômicos com o intuito de garantir
fatias de mercado para alguns poucos privilegiados.
Para quem discorda e sinceramente crê na
benevolência estatal, fica a pergunta: se o estado está realmente interessado
no bem-estar da população, então por que ele não permite a proliferação de
certificadoras privadas concorrendo livremente no mercado? A oferta de serviços
seria abundante, mais barata e mais rápida. Uma quantidade muito maior de
produtos seria certificada.
Por que monopolizar e restringir este mercado
essencial? Pior ainda: por que restringi-lo apenas à supervisão de
burocratas estatais, justamente as pessoas menos sensíveis às consequências de
maus resultados?
Apenas imagine se fosse uma certificadora privada que houvesse
feito essa lambança. O que aconteceria com ela? Haveria conserto para a sua reputação? Haveria
apenas falência e cadeia. Uma certificadora privada que participasse deste
conluio seria imediatamente denunciada por suas concorrentes, que estariam
ávidas por sua quebra para então assumir sua fatia de mercado.
Conclusão
Essa notícia foi um duplo baque para os intervencionistas
desenvolvimentistas.
Em primeiro lugar, um grande conglomerado
empresarial surgido por meio de subsídios estatais do BNDES
— a trágica política lulista de criar “campeãs nacionais”, a qual também se degenerou na derrocada da
Oi — foi flagrado vendendo carne adulterada.
Em segundo lugar, isso só foi possível porque a
empresa anulou o pouco que restava da livre concorrência ao subornar os sacrossantos
agentes fiscalizadores — que estavam ali exatamente para “regular e humanizar
o mercado” — e com isso adquirir uma enorme vantagem no mercado.
Quem regula os reguladores? Quem pune empresas ruins
que operam em um mercado protegido pelo governo?
O fato é que nunca haverá uma escolha entre
regulação e ausência de regulação. Sempre haverá uma escolha entre dois
tipos de regulação: regulação feita por políticos e burocratas, ou regulação
feita pelas forças do mercado.
Sim, empreendedores salafrários existem aos montes.
Só que, quanto mais livre e concorrencial for o mercado em que operam, mais
restritas serão as chances de sucesso, e mais honestos eles serão forçados a ser. E
eles terão de ser honestas por puro temor de que, uma vez descobertas suas
trapaças, eles serão devoradas pela concorrência, podendo nunca mais recuperar
sua fatia de mercado e indo a uma irrecuperável falência.
Por outro lado, quanto maior for a regulamentação
governamental sobre um setor, mais incentivos existirão para a corrupção, para o
suborno, para os favorecimentos e para os conchavos. Em vez de se
concentrar em oferecer bons produtos e superar seus concorrentes no mercado, as
empresas mais poderosas poderão simplesmente se acertar com os burocratas
responsáveis pelas regulamentações, oferecendo favores e, em troca, recebendo passes-livres
— e também proteções, como restrições e vigilâncias mais apertadas para a
concorrência.
O que tudo isto demonstra irrevogavelmente é que,
quanto mais tarefas você delega ao estado, quanto mais monopólios você permite
que ele detenha, e quanto mais regulamentações você defende que ele imponha,
mais os trapaceiros se aproveitarão. E você será o maior prejudicado.
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Leituras complementares:
IVC – 51 anos de regulação privada no Brasil
A bem-sucedida regulação privada
Precisamos falar sobre o “capitalismo de quadrilhas”
O estado agigantado gerou o estado oculto, que é quem realmente governa o país
Leandro, eu estava observando ultimamente o absurdo número de regulamentações e de impostos, nossas arcaicas leis trabalhistas, o nosso nacional-desenvolvimentismo típico de países fascistas, o esfarelamento do poder da nossa moeda e veio uma pergunta na minha cabeça: como o Brasil se sustentou por tanto tempo (desde meados da década de 30 até agora)?
Caramba, o Tony Ramos mentiu para nós! Que canalha!
É a primeira vez que vejo falar que Vitamina C é cancerígena (ácido ascórbico).
Me pergunto se realmente o livre mercado, seja da certificação ou mesmo do mercado de carnes, poderia evitar esse tipo de situação. Porque não foram decisões tomadas por uma pessoa somente fraudar e vender carnes de má qualidade, são grandes empresas, renomadas, com empresários milionários, de patrimônios bilionários, acho improvável que tenha sido uma decisão de uma ou duas pessoas dentro da empresa sem o consentimento de superiores. E se sim, que tipo de organização são essas que não sabem o que seus funcionários acertam nos negócios?
Não me parece que a qualidade nesses termos seria aumentada ou mantida pela concorrência, principalmente num mercado como o brasileiro em que a propaganda vende mais do que qualidade, visto que no geral as carnes nos pacotes Friboi são mais caras do que as compradas no açougue do Zé da esquina.
Bem, na verdade sempre me vêm à mente de que se existem corruptos, existem corruptores, a existência de um só é possível pelo outro e não me parece que o estado ou orgãos reguladores são os únicos vilões.
Sorte nossa não terem comprado a PF.
ou talvez foi a concorrência que denunciou.
Concordo com o autor… porém existe um caso, bem relatado em filme e livro The big sort (A grande aposta) , das empresas de classificação de risco americanas na crise de 2007/2008, que colocavam que os papéis eram bons e na verdade era uma pilha de lixo….
Alguém sabe o que aconteceu com elas depois daquele episódio?
Esse fato cômico me lembrou de quando eu mandei um e-mail, anos atrás, à um lojista no ramo de aquarismo sobre o motivo dele não mandá-los (peixes e outros animais)) de maneira legal. Na época eu era um estatista, ele respondeu que o negócio exigido (GTA, um pedaço de papel, pra mandar qualquer coisa viva, até uma minhoca, mas claro que quase ninguém obedece, pode comprar de qualquer vendedor do ML que envie essas coisas e você irá confirmar o que eu disse) era puramente uma taxa e uma burocracia e que desse jeito não dava para agir “legalmente”. Dias atrás, um fato aberrante e cômico… e depois eu chamo esses caras de ladrões, vagabundos e parasitas, e eu ainda posso ser “processado” pelas “otoridades” (enquanto nos EUA eles podem mandar até tartarugas e elas chegam mais intactas que o seu celular.
Caro instituto Mises, tomo a liberdade de contestar este artigo mentiroso.
A premissa de que todos reguladores são corruptos
O que fica evidente logo no começo do artigo, é a premissa que falsa de que todos reguladores são corruptos e que a regulação é algo ruim para a sociedade. Pois bem caro leitor, está premissa é falsa. A regulação estatal nasceu da necessidade de regular um mercado que explorava o povo de forma cruel; isto estava nítido principalmente no começo da revolução industrial. Não podemos cometer o erro de voltar aos primórdios da sociedade.
Isso sem contar que o autor ignora todos os outros reguladores que são honestos e que movem o Brasil para frente. Que tal começar pelo pessoal da receita federal que está neste momento impedindo a entrada de drogas e armas para dentro do país? Ou então os acadêmicos da Usp e outras universidades federais que permitem que milhões de Brasileiros tenham acesso a educação de qualidade?
Reputação na iniciativa privada não busca a moral mas sim o lucro. (e isso não é virtude).
È preciso saber trabalhar com os termos para não ser enganado pelo capital. Reputação é um termo que é obtido através do reconhecimento público ou social; tem raízes na moral humana. Um homem de boa reputação, é aquele de uma boa moral. Não se pode usar este termo e associá-lo a iniciativa privada; Pois o capital está intrinsecamente ligado ao eu individualizado em busca do lucro; custe o que custar.
Por favor não usar o argumento que busca pelo lucro – sem pensar no social – irá trazer consequências boas. A resposta a este argumento está logo abaixo.
E quem regular o crime publicitário?
Uma observação importante que gostaria de deixar, antes de concluir, está relacionada ao tópico anterior. Na busca do lucro pelo lucro, custe o que custar; faz o homem mentir para os outros, através da publicidade e propaganda. Veja caro leitor, a publicidade não nasceu dentro do estado; ele tem fundamentos dentro da iniciativa privada. Havendo está percepção, podemos concluir; que a maior maquina de mentira está dentro da publicidade.
È uma maquina de corromper o homem.
A noção de poder que o capital corrompe
Dado as premissas que coloquei, podemos finalmente chegar a uma conclusão verdadeira. – sem mentiras ideológicas, não é mesmo leandrinho?
Percebo que tudo isso é culpa do capital. Para começo de conversa, Por que as empresas tinham que ser privada? Por que Deveria existir dinheiro? Por que deveria existir propaganda? Percebe caro leitor, como todo sistema capitalista é imoral por natureza. quem foi que tornou a “carne fraca” se não aqueles que estudam os seus gostos e vontades? O dinheiro é principio de corrupção, não o estado.
O homem que recebeu o dinheiro da corrupção, queria fazer sexo com uma boa mulher e tomar um bom vinho. Quem será que colocou isso na cabeça dele?
Capital imoral é filosofo, escritor e já refutou Mises.
Depois de ler minuciosamente todo o belo artigo vemos que a unica solução é proibir a venda de carne. Os vegetarianos estavam com a razão.
Na verdade essas denúncias conta a JBS/Friboi são até bem antigas. Lembro-me de ter ouvido sobre elas ainda em 2014.
Só que como se trata de uma empresa ligada umbilicalmente ao governo, poderosa e muito privilegiada, quem realmente iria se insurgir contra ela e denunciá-la? Qual pequena empresa iria gritar?
Esse é mais um mal de se ter de uma economia estatizada e totalmente regulada pelo governo. Os grandes e poderosos dominam.
Eu não sabia que a Friboi vendia picanha de minhoca.
Privada ou governamental seriam suscetíveis à corrupção.Onde houver homens e dinheiro,haverá corrupção…Apenas leis rígidas poderiam minimizar Cases como estes.
São os campeões nacionais da diarréia.
São os campeões nacionais da salmonela.
Ninguém imaginava que o BNDES estava financiando carne podre ?
A primeira vez que eu comprei uma picanha Friboi, já foi suficiente para saber que era carne de segunda. Picanha Friboi é sola de sapato.
Viramos o país do café coado no pé de meia e da carne podre.
O único erro da matéria é querer sempre culpar o Estado numa indireta querendo dizer que o país séria melhor se existisse o livre mercado TOTAL, ou seja, nenhum órgão regular, talvez nem a PF precisaria existir. O simples fato dos órgãos reguladores serem corrompidos pelos empresários (capitalistas, a essência básica do tal livre mercado) do setor agropecuário já joga por terra a ideia libertina do Estado Mínimo ou zero, se existindo órgãos regulamentadores eles (os capitalistas) os corrompem, imaginem se não existisse nada.
Mas, aí o articulista diria: “é que no mundo liberal que eu defendo os empresários seriam honesto e bonzinhos… ah vá catar coquinhos com esta ideologia falida de Estado Mínimo”. O que o país precisa é de Leis sérias, uma reforma no Congresso Nacional e pena de prisão perpétua para crimes de corrupção, isto não vejo articulista NENHUM defendendo, nem de direita e nem de esquerda!! Ou seja, estão jogando para a torcida ver, no fim estes articulistas tanto de direita quando de esquerda tem seus interesses, ou defendem interesses de outros. Defensores do povo não tem espaço na mídia e não obstante terminam como o Tiradentes.
E adicionando ao artigo do Leandro, há ainda o caso da “qualidade garantida” pela Anvisa nos alimentos. Se eles são iluminados, como deixam pelo e fragmento desses parar nos alimentos? Como essas coisas vão parar lá?
Em 11 anos, a JBS recebeu R$ 12,8 bilhões em empréstimos do BNDES. Leia-se: foi a segunda empresa a mais receber subsídio público nesse período no país.
Não obstante, a mesma JBS foi a maior doadora de campanha nas eleições de 2014: investiu R$ 366 milhões na nossa “democracia”.
E não pense que ela se importa muito com coerência. A JBS foi a empresa que mais doou para Dilma e a empresa que mais doou para Aécio. Só na Câmara, o investimento do grupo foi de R$ 61,2 milhões para 161 deputados federais eleitos – o que é o mesmo que dizer que dos 28 partidos que conseguiram eleger algum deputado federal nesse país nas últimas eleições, 21 receberam recursos da empresa.
Talvez você nunca tenha ouvido falar nessa história, mas o nome que se dá a isso é capitalismo de compadrio. E ele acontece sempre que nós partimos do pressuposto inocente que cabe ao Estado – leia-se: à classe política – controlar o mercado.
A JBS é um resultado direto dessa ideia, nascida no ventre da política de campeões nacionais. O grupo é um mix público-privado (o BNDESPar chegou a ser dono de 33,4% das ações da empresa; a Caixa Econômica Federal já teve outros 10,06%) que distorce não apenas os resultados eleitorais, como muda radicalmente as suas relações com a gôndola do supermercado. A Brasil Foods joga no mesmo time e só foi possível graças ao patrocínio do BNDES na fusão entre Perdigão e Sadia.
Não é de se estranhar que agora tenhamos descoberto que passamos os últimos anos comendo carne estragada. Nós decidimos que cabe ao Estado controlar até o nosso churrasco. E financiamos diretamente todo esse esquema – não sem receber um calote de pelo menos R$ 848 milhões da JBS nesse período. Até os fiscais agropecuários estavam tramando contra a gente.
Dureza? De tudo, ao menos sobra uma lição: todo inimigo do livre mercado é um lobista a serviço dos grandes empresários, um sindicalista de um grupo seleto de patrões, um militante de uma dúzia de industriais com livre trânsito em Brasília. E o pior: a maior parte deles ainda sequer sabe disso, preocupados demais em supostamente defender os interesses dos trabalhadores ignorando como funcionam os incentivos econômicos.
As consequências agora são previsíveis. Nós fechamos o mercado para que um número restrito de políticos e empresários pudessem ditar os rumos daquilo que você coloca no seu congelador. Não havia como dar certo. Enquanto você comia carne com papelão, jurando que estava protegido por toda essa turma, esses mesmos caras se empanturravam com parrilla argentina em restaurantes de grife bolando a melhor maneira de ferrar com o seu encontro familiar de domingo. E o pior, bancados com o seu dinheiro.
Como as manchetes de hoje indicam, não importa quantos Tony Ramos nos digam o contrário: o antiliberalismo não apenas é incapaz de oferecer almoço grátis, ele definitivamente também não tem a menor ideia de como estocar carne de boa procedência nos nossos congeladores.
Mais um escândalo do nosso governo desenvolvimentista. Que surpresa.
Lá vem o Instituto Mises se aproveitar da situação pra fazer sua lavagem cerebral diária contra o governo.
Pessoas fazem coisas erradas. Governo e Empresas são feitas de pessoas. A regulação seja de que lado for, se tiver pessoas, então existe a chance de ter corrupção.
A sorte do IMB é que ele se alimenta da merda que o governo brasileiro é … então a fartura é GRANDE !!!
"É a palavra que ordena e organiza, que induz as pessoas a fazerem as coisas, comprar e aceitar." – Herbert Marcuse
Leandro,
Parabéns pelo artigo!
A arroba do boi custava 55 reais em 2006 e agora está chegando nos 120 reais.
Em 1994, um quilo de picanha custava menos de 25 reais. Eu já vi picanha custando 18,5 reais na década de 90. Uma picanha de qualidade saía por menos de 25.
O preço antigo de uma picanha agora só compra linguiça.
Carne Fraca. Pelas notícias que estão surgindo, me parece que a JBS é a Odebrecht da alimentação. Veremos.
Fiscais da Carne Fraca 'apropriavam-se' de carnes nobres e propinas
Investigação da Polícia Federal revela que, antes de exigir dinheiro em espécie de suas vítimas, inspetores do Ministério da Agricultura se fartavam de hambúrgueres, picanhas e peças generosas de filé mignon
politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/fiscais-da-carne-fraca-apropriavam-se-de-carnes-nobres-e-propinas/
Uma coisa eu tenho de admitir: os reguladores estatais não são nada burros. Carne nobre para a elite do estado e carne estragada para o populacho. Lembra a União Soviética.
O Estado brasileiro proíbe ou dificulta a criação de uma agência reguladora da qualidade das carnes? Se não, a regulação estatal não é preferível à regulação nenhuma? Se sim, o quanto desse poder estatal é proveniente de fatores históricos e sociais como a péssima distribuição de terras que criam agentes privados com poder político?
São questões que, por ideologia, o texto não aborda mas que servem para uma compreensão mair desse fenômeno. O liberalismo brasileiro tem se caracterizado por essa abordagem superficial que pressupõe coisas como: “o Estado tem esse poder porque as pessoas confiam nele”. É mais que isso. O poder estatal no Brasil não pode ser desassociado do poder dos grandes empresários e colocar tal discussão no nível de “o que veio primeiro? O ovo ou a galinha?” para defender que o Estado é a origem disso é, além de um exemplo daquela superficialidade no trato de questões complexas, uma prova de desconhecimento de nossa história e de conceitos como o patrimonialismo.
E quem pagaria essas agências de fiscalização numa sociedade de livre mercado?
Se com regulação já é ruim, imagine sem?
O consumidor não tem capacidade alguma de detectar quando a carne está nesta situação.
Depois desta descoberta de que fiscais ajudavam a aprovar produtos estragados mediante suborno, tenho certeza de que esta agência de fiscalização vai sofrer um grande abalo na sua credibilidade e perderá boa parte dos seus clientes, correndo risco de falir!
Ôpa, péra!
Ela é estatal. Não só não perderá 1 centavo de verba como você continuará obrigado a pagar pra ela e a confiar nela.
Provavelmente alguns políticos irão propor ainda mais verba e ainda mais poder a esta agência para impedir que isso ocorra de novo.
Segue o jogo.
A coisa fica cada vez melhor. As mesmas substâncias que a PF disse serem cancerígenas são … aprovadas pela ANVISA!
Tudo o que a PF falou a ANVISA desmentiu. E o tudo o que a ANVISA está defendendo a PF está contra-atacando.
Estado é isso aí.
Produtos usados pelos frigoríficos na carne fazem mal à saúde?
É interessante notar que, no fim, tudo isso apenas comprova aquilo que o IMB sempre fala: quanto mais alguns setores da economia são protegidos e privilegiados, piores ficam seus produtos e seu comportamento. Isso vale tanto para carnes quanto para carros e indústria em geral.
Acabem com esses protetorados, abram geral a economia para as importações (de carros, carnes, aço, máquinas e produtos tecnológicos) e aí quero ver se vai ter mais dessa palhaçada.
A pior maldição que um país pode ter é uma indústria grande em um determinado setor. Quando isso acontece, o governo fecha a economia para proteger exatamente aquele setor, despeja subsídios nele e proíbe a população de comprar de fora.
Nova Zelândia, Suíça, Chile, Islândia e Irlanda não têm montadoras. Como consequência, não há tarifas de importação para carros. Logo, os carros a que a população tem acesso são extremamente baratos.
Nos EUA, as tarifas de importação para café são zero. Claro, não há plantações de café nos EUA (há uma pequena no Havaí, mas seus agricultores não têm poder político para ir a Washington pedir tarifas de importação sobre o café estrangeiro). Consequentemente, a variedade de café disponível para o americano é absurda, e os preços são irrisórios.
Chegou a hora de fazer o mesmo com o Brasil. Comecemos importando carne da Argentina e do Uruguai.
A pérola socialista do dia:
“E pensar que a propaganda anti-comunista meteu o pau por décadas na União Soviética por ela ter feito, graças ao isolamento e às contradições dentro dela mesma, o povo comer peixe prensado e comida em lata (que eram fichinha perto dos venenos e da exploração que a indústria alimentícia e agropecuária sempre fizeram e continuam fazendo, agora donas do mundo, no capitalismo hoje).
Inclusive, a Rússia só sofreu crises de abastecimento na Grande Fome dos Anos 20 e na Recessão dos Anos 80. Dos Anos 30 aos 70 foi uma das Economias mais estáveis, fartas e produtivas do planeta. Ao contrário do Mundo Capitalista, nela as coisas muitas vezes acabavam porque as pessoas tenham um poder de compra enorme, e havia desigualdade (social, mas principalmente política) também; para não citar o costume eslavo de guardar comida e lidar com ela estar em um dos climas mais agrestes da Europa, estando geográfica e comercialmente isolada de 60% dos outros países.”
A JBS que adquiriu dinheiro do Bolsa Empresa BNDES para comprar empresas concorrentes e criar um monopólio, deveria ser punida com multa e vender as empresas adquiriu com ajuda pai Estado.
Se não fosse as investigações da polícia federal, não haveria Operação Carne Fraca, e não saberíamos do esquema de adulteração de carne…
O mais triste é que seguiremos como estamos, ou seja, com a grande maioria da população brasileira ainda acreditando que o Estado tem o “dever” de lhe prover tudo: desde roupas íntimas até uma moradia.
Nunca serão suficientes casos como este, aqui no Brasil as pessoas preferem acreditar nas estórias/versões em vez de acreditar naquilo que estão vendo com os próprios olhos, e isto tem nome: Dissonância Cognitiva !!
Acho legal o site “Reclame Aqui”, não é uma agencia reguladora, mas faz um demonstrativo da reputação de produtos e serviços. Creio que uma alternativa válida seria a criação de mais sites semelhantes. Isto é, desde que tais sites não se rendam à formação de cartel e propinas.
SOH DIGO UMA COISA: BOICOTE GERAL A ESSAS EMPRESAS!! E SE EU VER UM IDIOTA COMPRANDO FRIBOI QUERO DÁ-LHE UM SAFANAO NA ORELHA!!
Agora entendo a “tecnologia” que existe na fabricação da famosa ‘CARNE MATURADA”.
A melhor solução seria uma guerra de matemática contra o governo.
Quem sabe, entupindo a mídia com planilhas, cálculos e estatísticas, podemos convercer que o governo empobrece as pessoas.
O BNDES deve 450 bilhões ao tesouro. Os juros bancários custam 400 bilhões ao ano para o tesouro. O desperdício custa alguns bilhões a cada ano. A educação desperdiça 200 bilhões por ano com a ineficiência. A coletivização das coisas retira 1 trilhão de reais de patrimônio das mãos das pessoas. As concessões ao invés de privatizações retiram bilhões de investimento na economia.
Com isso, podemos provar que mais de 1 trilhão de reais por ano são perdidos com o governo.
A guerra de matemática vai massacrar os políticos.
As empresas envolvidas deveriam ser punidas com multa e serem leiloadas.
Vou tentar matar esta charada…….a propina já vinha sendo distribuída há um bom tempo e proporcionalmente segundo a proximidade do agente com a carne…..de maneira que os fiscais do Ministério da agricultura ficavam com a bolada maior….e policiais federais com uma sub-propina de maneira a ninguém delatar o esquema.
Com a acentuada perda do poder de compra do brasileiro nos últimos anos e meses, começou a faltar 'verdinhas' pra distribuir à toda cadeia de corruptos….assim aqueles na extremidade (no caso a PF) bateram o pé e exigiram o contínuo fluxo da grana ou então entregavam tudo e ainda saiam bem como os guardiões protetores do indefeso consumidor brasileiro.
É só uma teoria que me diverti pensando….gostaria de dizer que está de parabéns a equipe IMB não apenas pelo artigo, mas pela escolha da foto do artigo….não poderia ser mais abrangente, não apenas pelo tema 'carne'….mas pelo fato de que a turba de brasileiros irá procurar acompanhar o desenrolar da investigação policial pela rede televisiva, justamente de onde vem a propaganda das agências estatais.
As vezes fico desapontado com comentários de alguns colegas aqui que se dizem desacreditados da possibilidade do povo brasileiro vir à conseguir se livrar da estatolatria….mas se esquecem de observar a acertividade do fracasso do socialismo.
Basta um passeio pelo YouTube sobre os temas "Amazing food processing machine" ou "Harvest machine" para ver a incrível revolução tecnológica que vem despontando para transformar nossa organização do trabalho e consequentemente demais vertentes da vida!
Leandro, sinto falta de um artigo seu sobre o estado da economia brasileira. A queda da inflação, a suposta recuperação da indústria, o impacto da lista de Janot + Carne Fraca na economia, e o que rola no BC hoje. Também sinto falta dos artigos atuais sobre o Fed.
Cuidado, ler isso dá câncer.
http://www.infomoney.com.br/conteudo-patrocinado/noticia/6248978/profissional-relacoes-com-governo-ganha-espaco-nas-empresas-espera-regulamentacao
Quero compartilhar com os colegas deste site a seguinte nota:
otambosi.blogspot.com.br/2017/03/a-face-oculta-e-hedionda-da-elite.html
e o comentário que escrevi lá:
Terá isto repercussões internacionais? Como será visto o brasileiro no exterior? Como mafioso, falso, inconfiável? E a respeito das relações comerciais? Os produtos industrializados terão saída, ou Brasil seguira sendo exportador de matérias primas? Que herança estaremos entregando as próximas gerações?
Será melhor nos dividir em pequenas republicas?
Eu apoio http://www.sullivre.org/
e http://www.saopaulolivre.org/
Quando trabalhei na Sadia pré-BRF os produtos eram de excelente qualidade. Mas aí veio o Lula, enfiou dinheiro roubado na Friboi, e quebrou a Sadia de vez (que já vinha mal depois das aplicações financeiras burras de seu diretor financeiro). Nivelou tudo por baixo e agora temos essa corrupção descontrolada. Quem consegue competir contra uma JBS que tem dinheiro grátis do governo?
Mais um exemplo da intervenção estatal destruindo um segmento da economia.
Mais uma vez, a leitura errada:
“Maggi está errado, e a corrupção é a prova
Brasil 18.03.17 08:01
Ao Estadão, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, afirmou que "o nosso sistema de controle da sanidade é robusto. Mas, quando há pessoas corruptas no meio, foge das nossas possibilidades."
Maggi confundiu tudo. Pessoas corruptas são a prova de que o controle sanitário não é robusto“. (http://www.oantagonista.com/posts/a-corrupcao-prova-que-blairo-maggi-esta-errado)
Tá tudo errado aí.
A fala do tal ministro, achando que “o problema são as pessoas corruptas”, e não o próprio controle estatal.
E a “correção” feita ao ministro pelo jornalista (sedizente “anti-esquerdista”, registre-se), achando este que o problema é a falta de “robustez” do controle estatal, sendo “prova” disso a existência de pessoas corruptas. Ou seja, a “solução”, para o jornalista (e para a maioria da mídia), está em aumentar e fortificar o controle estatal.
Essa é a mentalidade responsável pela manutenção do estado de coisas: estatolatria e roubo do dinheiro de quem produz valor na sociedade.
Meio OFF mas já que a CSA foi citada no texto vai uma historinha.
Quando trabalhava para uma grande empresa de equipamentos elétricos, o pesadelo dos engenheiros era conseguir justamente a certificação da CSA, tida como uma das mais rigorosas do mundo.
O dio que corria pela empresa era de que se você conseguisse vender material elétrico para o Canadá, podia vender em qualquer outro lugar do mundo, que seu material ia passar em qualquer teste que inventassem.
Sendo a policia federal um órgão público, portanto com os mesmos incentivos que os demais funcionários públicos, isto é, mantem seus empregos mesmo que falhem vergonhosamente numa investigação. Pergunto, porque devemos aceitar como premissa que estão fazendo um trabalho acima de qualquer suspeita? Será mesmo que o que foi apresentado é a realidade dos fatos? Claro que isso não invalida de forma alguma o que foi exposto no artigo, pelo contrario, mas creio que não se deveria dar mais crédito a um órgão público do que a outro, pois no final todos eles compões o mesmo estado.
Incrível ! Ainda que de forma bem incipiente, o IMB está finalmente conseguindo se fazer ouvir na me(r)dia “umbralsileira”, conforme atesta o artigo de Antônio Cabrera (ex-ministro da agricultura e reforma agrária) publicado hoje no Estadão, reproduzindo boa parte das ideias do Leandro:
“No final, como lição da Operação Carne Fraca, há que se perguntar: quem fiscaliza os fiscalizadores?
Não tenha dúvida, a carne é fraca quando o Estado é forte.”
Afinal, será que há alguma esperança por estas plagas ?
Como que para confirmar o artigo, uma empresa privada — famosa por sua reputação — encontrou irregularidades em azeites inspecionados e aprovados por órgãos estatais:
economia.estadao.com.br/noticias/geral,teste-constata-fraude-em-azeite-de-oliva,70001710154
Sobre a empresa:
https://www.proteste.org.br/
O estado matou a liberdade dos açougues em prol dos empresários corporativistas
Há dez anos havia uma predominância muito maior de açougues de bairro. Eram comércios na maioria das vezes confiáveis e a procedência das carnes normalmente não era tão duvidosa quanto a vendida no supermercado.
Geralmente os donos desses açougues eram pais de família que manipulavam a carne com certo rigor, contratavam gente da vizinhança pra dar aquela força no comércio, faziam o bom e velho fiado pra quem não podia pagar na hora, enfim, era um tempo onde havia maior proximidade entre os produtos de consumo e o consumidor.
Mas eis que apareceu o governo e suas "bondades". E aí o açougueiro foi para o abismo com uma série de taxações, regulações, decretos, portarias, leis inúteis, legislações pesadas e tudo o mais necessário para acabar com um negócio promissor e confiável sob a desculpa de proteger os clientes daquele "malvadão" que – absurdo! – quer trabalhar e lucrar com o comércio de carnes.
E são tantas regras "protecionistas" que, sabendo da impossibilidade dos donos em cumpri-las de forma plena, os fiscais do governo se aproveitam da situação para caçar "irregularidades" como "a cor da parede", pedindo aquele salário mínimo para assinar o alvará de funcionamento.
Enquanto isso, o estado isentou as grandes empresas de impostos e multas sempre que possível, bem como das regras sanitárias que o açougueiro da esquina tem que cumprir. Enquanto o dono do açougue do bairro era impedido de obter uma mísera linha de crédito para investir em seu negócio, o governo fornecia uma gorda verba para as grandes empresas por meio do BNDES.
E veio o período maquiavélico de "aos amigos os favores, aos inimigos a lei", onde não há nada que impeça as grandes empresas. As dívidas caíam de 1 bilhão para 320 milhões, a "fiscalização" sanitária se tornou aliada e o Ministério da Agricultura passou a conceder seus selos livremente para os amigos do governo. Claro que isso teve um custo, pago com aquela verba pra campanha eleitoral para "resolver" tudo.
E o resultado não poderia ser diferente: nos baseando na confiança em um selo estatal e no sorriso técnico do Tony Ramos afirmando que "carne confiável tem nome!".
O corporativismo, ou seja, a aliança entre estado e grandes empresários, nos trouxe resultados deploráveis. Mas o malvado continua sendo o seu José da esquina, aquele que queria vender suas carnes e terminou fechando por excesso de burocracia estatal. Enquanto isso, os corporativistas da JBS, BRF e companhia cairão no esquecimento em breve.
O corporativismo brasileiro é um desastre sem fim.
Para vocês notarem como a moral dos petistas é imunda, é só ver que situação ridícula eles se meteram ao chegarem ao ponto de defenderem nos comentários das redes sociais a JBS/BRF e atacarem a operação que descobriam as adulterações.
http://www.ceticismopolitico.com/blog-de-renato-rovai-emite-narrativa-podre-para-defender-carne-podre-da-friboi-simbolo-da-era-petista/
O único argumento econômico oferecido é que isso “vai afetar nossas exportações”.
Esse tipo de argumento mostra como a mentalidade protecionista e estatista destrói a ética de um indivíduo.
Exportação NUNCA foi “algo bom” para a população (não quer dizer que é ruim). Exportação feita no modelo atual brasileiro é bom unicamente para o governo e principalmente para megaempresários. Não é porque o dinheiro está entrando no país que os pobres estão ficando com mais dinheiro ou comendo melhor.
E mesmo se esse argumento estivesse correto, vender carne adulterada é algo INACEITÁVEL. Em uma economia de mercado, a empresa que fizesse isso dificilmente recuperaria sua reputação.
O texto apenas demonstra que o sistema capitalista, ainda mais a forma liberal, é totalmente ineficiente.
Senão vejamos,
1: hoje já não é proibido nenhuma empresa ter seus laboratórios e certificados de qualidade internos ou externos, inclusive no Brasil existe a certificação “Certified Humane Brasil é o representante na América do Sul da Humane Farm Animal Care (HFAC), a principal organização internacional sem fins lucrativos de certificação voltada para a melhoria da vida das criações animais na produção de alimentos, do nascimento até o abate”; (não necessita liberalismo para isso), inclusive a Korin agropecuária é certificada por essa empresa, entre tantas outras.
2: Não é proibido nenhuma instituição avaliar a qualidade dos produtos e denunciar caso seja de péssima abaixo do esperado; (não necessita liberalismo para isso também)
3: No liberalismo estas mesmas instituições que avaliariam a qualidade ou emitiriam certificados poderiam ser construídas justamente para os objetivos do bloco gigante de algum ramo, como por exemplo carne, tendo esse poder eles também teriam o poder de patrocinar jornais e revistas para desmentir qualquer empresa de certificados privados concorrente e pronto, num mundo globalizado quem não aparece não é visto. O lucro dos grandes blocos estaria garantido… num capitalismo sem regulação estatal quem iria impedir isso? Da mesma forma que a “Certificadora” do grande grupo poderia difamar as carnes de um grupo concorrente.
claro, se não existissem grupos, talvez até funcionaria, porém pq não criar grupos para ter maior vulto de recursos para maior propaganda e maior lucro? Justamente. Apenas prova objetivo maior – lucro – é o motor para irregularidades, seja de agente público ou privado.
aguardando respostas…
Excelente artigo Leandro, como sempre.
Esse artigo me fez pensar em algo agora, se puder me responda, e se essa lógica de permitir que empresas que inspecionam os produtos e liberam selos de qualidade para o mercado venham a competir com o estado for levada mais adiante… para permitir a existência de instituições que JULGAM o estado em si?
"Se eu denunciar, não vai acontecer nada"
Por que Junior Durski, do Grupo Madero, aceitou pagar propina para os corruptos do Ministério da Agricultura por um ano?
Leia sua resposta à Veja:
"O senhor nunca pensou em denunciar a extorsão?
É notório que existe muita corrupção no Brasil, tanto quanto é notório que existe muito corporativismo nos órgãos públicos. A impunidade é muito grande. O empresário pensa: "Se eu denunciar, não vai acontecer nada com o fiscal, e depois ele volta e me arrebenta."
Galera, tenho uma duvida que gostaria que me esclarecessem: Por que as maiores petrolíferas do mundo são estatais? Isso não contradiz a ideia de que estatal sempre é menos lucrativa que empresa privada?
É verdade que uma estatal gera mais lucro para o governo que uma empresa privada (com impostos)?
Se poderem responder da forma mais detalhada possível, eu agradeço.
https://www.petronoticias.com.br/archives/78758
A operação carne fraca é só mais um dos muitos episódios (para não dizer prova cabal) que mostra o óbvio e ululante que os defensores religiosos do liberalismo não enxergam: o consumidor não tem poder, tampouco condições de escolher, verificar ou determinar as empresas com melhor qualidade e com ética.
Isso favorece aquelas que oferecem produto ao menor preço, independente de como !!
Mais uma:
‘Osso é vendido, e não dado’: placa é retirada de açougue após fiscalização em SC
O Procon simplesmente determinou que o preço do produto deveria ser zero (mesmo havendo previsão legal para a venda de ossos). Alguém tem dúvida do que ocorrerá com a oferta??
Esse país não tem chance alguma de dar certo.