A coisa está feia. Muito feia. Embora a situação do Deutsche Bank já estivesse
grave há mais de um ano, foi apenas muito recentemente que grande mídia começou
a abordá-la em suas páginas financeiras.
A situação, que já era ruim, foi piorada ainda mais
pela multa
de US$ 14 bilhões aplicada ao banco pelo Departamento de Justiça
americano. Isso criou um problema
imediato. E em um péssimo momento. Um ano atrás, essa multa poderia ter sido paga
sem criar um maremoto internacional; hoje, com o banco bem mais
descapitalizado, sem chance.
A questão mais premente é: e se o governo não fizer
nada? E se não houver um pacote de
socorro? Todo o dominó irá cair?
Como dito neste artigo:
Se o
Deutsche Bank quebrar e o governo alemão nada fizer para socorrê-lo, isso será
um devastador golpe à maior economia da Europa — e ao sistema financeiro
global. Ninguém realmente sabe quais seriam as perdas totais e qual será
o impacto sobre todo o sistema financeiro. Certamente, seria um golpe
fatal para o sistema bancário italiano. Os bancos franceses e espanhóis
seriam os próximos. Pior ainda: a economia da zona do euro, com a França
e Itália de volta ao crescimento zero e ainda lidando com o impacto do Brexit,
dificilmente está em boa forma para absorver um choque desta magnitude.
Esse é um bom ponto: a ameaça de os bancos italianos
quebrarem é enorme. O sistema bancário
italiano é muito maior que o da Grécia.
Depois da Itália vem a Espanha. E
depois a França. Todo operador de hedge fund
sabe disso. A zona do euro tem como elo
uma moeda comum. Contas-correntes podem
ser abertas e fechadas em qualquer país da zona do euro por qualquer residente
de qualquer país. A Grã-Bretanha nunca
se juntou a isso. Os outros 17 países,
sim.
Eis a encrenca: se o Deutsche falir, grandes
correntistas (aqueles que têm mais de 100 mil euros depositados) terão suas
contas bancárias confiscadas, com esse montante sendo incorporado ao patrimônio
líquido do banco. Essa prática passou a
ser chamada de bail-in, em
oposição ao bail-out, que ocorre
quando o banco é socorrido com o dinheiro de impostos e seus correntistas nada
perdem. Logo, a única maneira de
correntistas do Deutsche escaparem de um bail-in
é tirando o dinheiro do banco e o redepositando em outro banco. Isso, obviamente, seria uma corrida bancária. Corridas bancárias são fatais a um banco.
A falência de um banco do porte do Deutsche pode
desencadear corridas em outros bancos. E
então começa o efeito dominó. Para
aqueles bancos solventes, que receberão todo esse dinheiro sacado dos bancos
insolventes, tudo será um ótimo negócio.
Para os bancos que sofrerem as retiradas, tudo será péssimo.
Matthew Lynn conclui:
A cruz e
a espada são as opções de Merkel. Um colapso do Deutsche facilmente
aniquilaria sua carreira política. Por outro lado, seu resgate poderia
significar o fim do euro e da União Europeia.
Há anos eu digo isso sobre Merkel: “Seus lábios
dizem ‘não, não’, mas seus olhos dizem ‘sim, sim’.” Ela fala como uma alemã durona, e depois se
rende como uma francesa presenteada com um Chanel #5 em 1946.
Tudo dependerá de seu julgamento. Se ela nada fizer, e o Deutsche quebrar e aplicar
um bail-in a seus correntistas, isso
enviará uma mensagem para todos os outros bancos da zona do euro: “apertem os
cintos”. Também enviará uma mensagem
para os correntistas: “Saiam e salvem-se enquanto puderem”.
O
desenrolar
O mais provável é que o governo alemão socorra o
Deutsche Bank. E é provável que o
Commerzbank, o segundo maior banco do país, esteja em situação igualmente
ruim. Suas
ações estão desabando.
Mas se o governo alemão intervier, os correntistas
europeus farão a si próprios a seguinte pergunta: quais bancos são seguros?
Qualquer cidadão europeu pode depositar euros nos
bancos de qualquer país da zona do euro. Mas em quais bancos?
De quais países?
A Alemanha sempre foi vista como a mais sólida nação do bloco, e seus
bancos, os mais seguros.
Alguns hedge funds já começaram a tirar seu dinheiro
do Deutsche Bank. Segundo a Bloomberg:
Estes
fundos, que fazer parte de um subsistema dos mais de 800 fundos que são
clientes do banco no setor de hedge fund, já retiraram parte de seus
derivativos e os moveram para outros bancos, de acordo com um documento interno
do banco a que a Bloomberg News teve acesso.
Dentre eles, $ 34 bilhões do Millennium Partners, $ 4 bilhões do Rokos
Capital Management, e $ 14 bilhões do Capula Investment Management, disse uma
pessoa familiarizada com a situação e que pediu para não ser identificada
falando sobre assuntos confidenciais relacionados a clientes.
Ao retirar dinheiro de um banco, você tem de
redepositá-lo em outro banco. Estamos
falando de dígitos eletrônicos. Não há
dinheiro de papel nessa quantia. E não
há como sacar dinheiro de papel nesse volume.
Portanto, as pessoas lidam apenas com dígitos eletrônicos. Ao retirar seus dígitos eletrônicos do Banco
A, você necessariamente tem de colocá-lo no Banco B. Isso ocorre de maneira praticamente
simultânea. Consequentemente, quando
isso ocorre, o setor bancário como um todo não corre risco. A oferta monetária não se altera. Mas toda a confiança se evapora.
Mas há um detalhe: se um banco do porte do Deutsche
vai à falência, aí sim todo o sistema bancário é afetado. Como explicado aqui:
Se o
Deutsche Bank quebrar, vários outros bancos que lidam com ele podem ir
junto. Todos os bancos (e também empresas) que possuíam ativos do
Deutsche Bank teriam seu capital imediatamente reduzido. Ficando
descapitalizados, sua capacidade de conceder novos empréstimos seria
substantivamente reduzida: os bancos teriam de restringir novos empréstimos e
requisitar a quitação antecipada de empréstimos pendentes, pois agora seu capital
sofreu uma redução.E, dado
que o sistema bancário trabalha com reservas fracionárias, tal medida
inevitavelmente iria gerar um processo deflacionário, pois isso faria com que
várias contas-correntes que foram criadas para esses empréstimos fossem
encerradas. Na prática, os bancos estariam requisitando a devolução de um
dinheiro que está na economia.Por isso,
praticamente nenhum governo permite a quebra de um grande banco. As
consequências para a economia podem ser devastadoras: a acentuada deflação
monetária que isso geraria poderia levar a economia para uma profunda
depressão.
Não visualizo nenhum sistema bancário de nenhum país
da zona do euro sendo capaz de concorrer exitosamente com a Alemanha. A Holanda possui bancos prudentes e
conservadores, mas são pequenos. A
Áustria também é conhecida por seus bancos conservadores, mas é muito provável
que seu dinheiro esteja dentro de bancos alemães.
Se o governo alemão deixar o Deutsche quebrar, isso
enviará um mensagem para os correntistas dos outros países: a Alemanha não é
mais um porto seguro. Correntistas —
principalmente os grandes correntistas — terão de ser ainda mais cautelosos e
planejados ao selecionarem seus bancos. Só
que hoje não lhes resta muito tempo para fazer isso. O bail-in
pode acontecer a qualquer momento. Eles
têm de abandonar o navio antes que ele afunde e leve consigo seus depósitos.
Os mais sagazes, que já haviam percebido isso há
mais tempo, já estavam direcionando seus dígitos eletrônicos para os títulos
públicos do governo alemão, cujos juros, por causa de tamanha demanda,
adentraram em território negativo. À época, alertei que
isso era um sintoma de que havia uma grande desconfiança em relação ao sistema
bancário da região. Com os bancos sendo obrigados a pagar juros ao
Banco Central Europeu — uma prática inédita no mundo, e que está
destruindo seu capital –, isso era algo previsível.
Tudo isso faz o Brexit, olhando em
retrospecto, se revelar uma decisão incrivelmente acertada. Os britânicos nunca se juntaram ao sistema
monetário da zona do euro. Sua opção por
sair da União Europeia não
gerou nenhuma crise na Grã-Bretanha.
Toda a ameaça de que haveria uma profunda recessão e uma crise de
comércio era uma completa tolice. Os
indicadores econômicos britânicos melhoraram. A bolsa subiu e teve seu melhor
trimestre desde 2013.
Agora que os bancos alemães estão em situação
periclitante, os britânicos viram da encrenca da qual escaparam. Se os bancos mais fortes da zona do euro
estão em crise, o que pensar dos bancos da Espanha, da Itália, de Portugal e
da França?
Isso está enviando sinais de alerta para os
eurocratas. A União Europeia e suas
burocracias estão cambaleantes. Os
benefícios de se permanecer na UE não serão claros se o sistema monetário e
bancário da zona do euro se desmoronar.
As nações irão exigir soberania sobre seu sistema bancário. Isso significaria um retorno aos bancos
centrais nacionais autônomos e suas moedas nacionais.
Merkel pode assegurar o quanto quiser a seus
eleitores de que seu governo não socorrerá o Deutsche Bank com dinheiro
público. Ela irá recuar tão logo
perceber que a alternativa é a falência.
O banco hoje deve US$ 14 bilhões ao Departamento de Justiça americano. E a capitalização total do banco é de US$ 14
bilhões.
Tudo parecia muito fácil em 2007, quando as ações do
banco valiam 100 euros. Hoje, estão ao redor de 10.
No cerne do globalismo (não confundir globalismo com
globalização; globalismo é a política internacionalista, implantada por
burocratas, que vê o mundo inteiro como uma esfera propícia para sua influência
política) estão os bancos. Falências
bancárias revelariam os instáveis pilares do experimento globalista. É por isso que a crise do Deutsche Bank se
estende para além de seus correntistas, cujo capital está em risco. Ela pode se espalhar para todos os bancos da
zona do euro.
Mario Draghi prometeu em 2012 fazer “o que for
necessário” para salvar o euro e a União Europeia. Essa promessa hoje se mostra
problemática. Estamos falando de bancos
grandes. O fato de que eles estão tendo
problemas sete anos após a “recuperação” econômica é algo nefasto. Eles já deveriam estar sólidos. Estão é ficando mais doentes.
O
grande problema das exportações alemãs
A Alemanha exporta praticamente metade do seu PIB —
uma cifra impressionante para um país grande.
Ela possui seguidos superávits comerciais. Isso significa que as empresas alemãs
exportadoras têm de abrir contas em bancos estrangeiros.
[N. do E.: Quando
um brasileiro exporta soja para os EUA, não entram dólares na sua conta bancária
aqui no Brasil. O dólar não é moeda
corrente aqui e nem na esmagadora maioria dos países do mundo. Sendo assim, o dólar não “entra” nesses
países via sistema bancário e nem muito menos sai do sistema bancário
americano.
O que ocorre na prática é que o exportador
brasileiro recebe dólares em uma conta bancária no exterior. Ato contínuo, ele pode decidir entre vender a
posse desses dólares para outra pessoa (normalmente para um banco brasileiro ou
para um importador brasileiro, que então depositará reais em sua conta em um
banco brasileiro) ou manter esses dólares em sua conta, decidindo investir
esses dólares na própria economia americana (comprando ações, debêntures ou até
mesmo títulos do governo americano.
Funciona
assim no mundo todo.]
Um superávit comercial, portanto, significa que as
empresas exportadoras do país exportador têm de comprar ativos financeiros nos
países que estão tendo déficits comerciais.
No caso da Alemanha, há vários desdobramentos. Se os bancos alemães quebrarem, toda a
economia da zona do euro será afetada. Não
só as economias de Itália, Espanha e França serão duramente atingidas, como também
seu sistema bancário será afetado.
Consequentemente, os investimentos que as empresas alemãs
fazem nestes países será duplamente afetado: as economias estarão encolhendo e seus
bancos — que é onde está o dinheiro das
empresas alemãs — estarão sob crescente rico.
Ato contínuo, as empresas alemãs não apenas ficarão
a descoberto caso os bancos estrangeiros nos quais elas têm dinheiro depositado
comecem a quebrar, como também seus investimentos nas economias locais estarão dando
prejuízo. Isso fará com que as empresas
alemãs encerrem seus investimentos e tragam seu dinheiro de volta para os
bancos alemães. Isso, por sua vez,
acelerará a implosão dos bancos estrangeiros.
Mais: irá afetar o superávit comercial da
Alemanha. E isso irá afetar o principal
pilar da economia alemã: suas exportações.
Não é só o Deutsche Bank que está em risco. Toda a zona do euro está em risco.
E piora: se as empresas da China não puderem
exportar para a zona do euro, então a economia da China também sofrerá um forte
impacto.
Acho que deu para entender o cenário.
________________________________________
Leia também:
A situação do Deutsche Bank coloca Angela Merkel entre a cruz e a espada
O dilema do sistema bancário e as regras da Basileia
Propostas para uma reforma bancária completa e estabilizadora
È preciso fazer uma investigação das urnas Brasileiras
Tenho sérias dúvidas com relação as urnas Brasileiras, sabemos que a democracia foi corrompida, ontem, pelo capitalismo.
Como pode o defensor dos pobres não ser eleito? Existe alguma explicação? Não é possível que o povo seja tão ignorante e alienado. Simplesmente os pobres da favela, que são perseguidos pela policia, pelo capital, elegeu um burgues, branco, que tem mulher branca.
Essas eleições sem dúvida, foi a eleição da burguesia. Deixo aqui minha revolta, e a necessidade de fazer uma investigação séria nas urnas Brasileiras, porque sem dúvida, o capital comprou essas eleições.
Só não consegui vislumbrar como ocorreu de fato a queda nas ações do DB, e qual foi o gatilho desse evento. Procurei no outro artigo mas não encontrei a resposta em si.
Leandro, poderia explicar em detalhes, por favor?
Haverá bail -in geral, não apenas no Deutsche, vão pegar os correntistas de outros bancos de surpresa.
Não mesmo….vai ter socorro do governo ao Deutsche. foi assim com a GM e FORD nos EUA e será assim na Alemanha. Não existe economia sem Estado atuante no mundo. Por isso sempre falo aqui que liberalismo é tão utópico quanto o socialismo.
Excelente artigo. Alguém sabe quais as consequências disso no Itaú, Bradesco e BB?
Já um boato que os 14bi de mta virarão 5,5bi, sim, um QE intercontinental …
Isso compra mais qto tempo na opinião de vcs?
Crescem no mercado as apostas de que a instituição não terá saída senão recorrer a um aumento de capital em breve — contrariando, assim, o discurso de seu CEO.
Resta saber se os recursos serão privados (bail-in) ou públicos (bail-out).
As preocupações com o Deutsche são apenas a faceta mais recente da sucessão de problemas que assolam a UE. Na esteira de taxas de juros irrisórias e atividade econômica anêmica, a maioria das instituições financeiras vêm há tempos reportando resultados fraquíssimos.
Faço aqui eco às recentes palavras do CEO do Credit Suisse: no atual contexto, banco na Europa não é investimento.
É risco, e dos grandes.
Leandro esse artigo tem alguma relevÂncia? Dizendo que a oferta monetaria do Euro foi aumentada em 240% todavia a inflação de preços aumentou apenas 20%. Eles alegam que sem o aumento desse dinheiro não haveria investimentos pra aumentar a produtividade e que bitcoin em uma econômia geraria estagnação por ter uma oferta monetaria pouca elastica dai não haveria como investir pra aumentar a produção.
Isso é keynesianismo puro ou tem algum tipo de relevancia?
http://www.superinteressante.pt/index.php?option=com_content&id=1892:a-origem-do-dinheiro&Itemid=86
Por que o sistema de justiça americano está multando o Banco em 14 bi? E qual as chances de ele voltar atrás de uma medida assim, sabendo que poderia afetar a economia global e consequentemente o próprio EUA?
E somente isso seria o suficiente para o banco Alemão ir para uma zona segura? Ou seria um ”alívio” temporário? (supondo que isso seja algo possível ou que exista vontade nos EUA)
Leandro, já li aqui no IMB artigos demonstrando benefícios de uma deflação.
Neste artigo o autor diz que “praticamente nenhum governo permite a quebra de um grande banco. As consequências para a economia podem ser devastadoras: a acentuada deflação monetária que isso geraria poderia levar a economia para uma profunda depressão.”
Ainda sou principiante na Escola Austríaca e não entendi. Você pode, por gentileza, me explicar?
Bem, permitam-me uma sucinta opinião. Como foi falado sobre a diferença de globalização e globalismo e saindo do escopo apenas econômico do artigo e ampliando o conceito do que é globalismo, faz parte da agenda dos burocratas a ampliação do gayzismo, feminismo e multiculturalismo, principalmente o islâmico.
Quando se percebe a tendência à feminização dos homens do ocidente, mais especificamente da Europa, a qual estamos tratando aqui neste breve comentário, como se vê abaixo o comentário desta mulher:
E partindo do pressuposto factual que os homens perderam a capacidade de defender a si mesmo e suas mulheres, porque estão virando mulheres, e atualmente na Alemanha, bem como outros países da Zona do Euro adotam a mesma política,
e quando a própria população perde suas características por estarem sendo dominadas por outro tipo de cultura, ver aqui:
E quando, pelo artigo acima, se demonstra que a economia está indo para o ralo. Podemos ver quer a história se repete, um Estado corroído economicamente por dentro, uma cultura sendo destruída propositalmente; assim, quando aparece uma cultura islâmica fanática fica fácil passar o trator por cima. A história antiga dos impérios mostra isso. E quando a Alemanha está no meio, geralmente o estrago é enorme, vide as duas guerras mundiais.
É bom fica de olho.
Atuar como garantidor da solvência bancária é uma função primordial do estado para prevenir que voltemos a uma economia de escambo numa situaçâo dessas…
O que o deus mercado pode oferecer a um sistema bancário insolcente na ausência de estado.
Leandro, tenho uma dúvida sobre o Currency Board. Vamos supor que no Brasil ele fosse estabelecido em R$1,50 ou R$2,00 por $1,00. O poder de compra de R$1,50 ou de R$2,00 seria o mesmo de $1,00 ou esse poder de compra seria o mesmo no caso do real em câmbio flutuante? Os maiores empecilhos para se ter um CB no Brasil é o lobby do baronato exportador e o fato do governo não poder se financiar pela impressão de dinheiro?
Tenho outra dúvida: Se o governo brasileiro não conseguir pagar a divida e decretar moratória, quais as consequências disso para a população brasileira?
Um abraço!
O controle dos juros do interbancário pela autoridade monetária (impedindo, através da compra ilimitada de títulos públicos no mercado secundário, que suas taxas subam acima de um teto = SELIC) é a essência de qq sistema financeiro c/ banco central propriamente dito (i.e. emissor de dinheiro próprio lastreado em papeis do governo, e não em outra moeda ou commodity como num currency board). Tal arranjo na prática garante o financiamento ad eternum do tesouro, cuja dívida acaba sendo sempre subscrita pelos bancos comerciais nos leilões primários, já que poderão depois revendê-la c/ algum lucro ao próprio BC, pois neste esquema os passivos dessas duas entidades estatais podem crescer ilimitadamente, um apoiado no outro.
O ajuste se dará inevitavelmente (mais uma vez) via inflação de preços crescente conforme os balanços de ambas forem aumentando nessa relação incestuosa entre elas.
Ou será que surgirá alguém corajoso o suficiente p/ decretar moratória das obrigações da “união” c/ credores e recebedores de salários, aposentadorias, “saúde”,”educação” ?! 😉
Olá, obrigado pelo excelente artigo. Assim é mais fácil entender o que está ocorrendo e o que pode ocorrer.
Do texto:
“Logo, a única maneira de correntistas do Deutsche escaparem de um bail-in é tirando o dinheiro do banco e o redepositando em outro banco.”
– Quais bancos alemaes estao “livres” de ser atingidos pelo Deutsche Bank?
– Para quais bancos um correntista do Deutsche poderia levar seu dinheiro?
– Seria uma boa hora para pensar em paraísos fiscar como Suíça, Luxemburgo ou Liechtenstein?
Obrigado e um abraço!
.
Se acontecer o “efeito dominó” o mundo estará salvo.
Todos os bancos ESTÃO QUEBRADOS!
Os GOVERNOS JÁ GASTARAM, praticamente, TODA POUPANÇA que existiu.
Foi uma gigantesca e mundial “CORRENTE da FELICIDADE” (pirâmide) estatal e está durando porque envolve o mundo todo e o crescimento econômico viabiliza a reentrada de participantes. Porém, mesmo assim um dia essa “corrente” vai romper, visto que não há possibilidade infinita, sobretudo porque os próprios governos prejudicam esse crescimento real.
Resultado de um “efeito dominó” é que muitos bilionários, que NÃO INVESTEM EM PRODUÇÃO, se descobrirão como mera classe média alta e NÃO MAIS BILIONÁRIOS.
Esse dinheiro que supostamente possuem, ao ser “confiscado” (não se confisca o que não existe) simplesmente deixará TUDO COMO DANTES no quartel de Abrantes.
Esses recursos em aplicações FICTÍCIAS não influenciam o mercado, NÃO!!!
Portanto, o ÚNICO DANO SERÁ CONTRA OS ESPECULADORES BILIONÁRIOS do mercado financeiro. Ficarão milionários e terão que se adequar à nova realidade. SÓ ISSO! …esses “BENS de PAPEL” em nada influencia no mercado que, aliás, ficará bem mais LIMPO e REAL sem estes EMBUSTES do CASSINO FINANCEIRO.
Problema vai acontecer se os governos tentarem salvar bancos e grandes “jogo-especuladores” de suas transações virtuais-fictícias que igualmente os remunera virtual-ficticiamente!!!
Fiquei com uma dúvida, a impressão que tive ao ler o texto é que o mais sagaz para o governo alemão fazer é resgatar o Deutsche Bank em caso de quebra, é isso mesmo?
Qual o papel das Big Four neste processo todo?
Ficarem “de 4” ? 😀
O IMB errou nessa? Porque a crise não chegou, a Alemanha continua progredindo…
Precisam atualizar esse caso!!!