Se houvesse uma disputa para ver qual é a ideia mais
ignara da política atual, minha escolha seria aquela que afirma que, se não
fosse o preconceito e a discriminação, todas as pessoas (homens e mulheres,
negros e brancos, gays e heterossexuais, cristãos, judeus, muçulmanos, ateus,
budistas etc.) seriam igualmente distribuídas em termos de renda, ocupação,
posição em empresas e premiações recebidas.
Cruzadas políticas, impérios burocráticos, e
lucrativas carreiras pessoais voltadas para a reclamação e exigência de mais
“direitos” já foram erguidos tendo exclusivamente por base essa suposição, a
qual praticamente nunca foi testada contra quaisquer fatos.
Peguemos o mais recente exemplo dessa obtusidade. Um artigo
do The New York Times viu como um
problema o fato de que mulheres estão extremamente sub-representadas no ranking
mundial dos melhores jogadores de xadrez.
Igualmente, vários artigos, reportagens de TV e lamúrias políticas já
foram produzidos tendo por base uma suposta “sub-representação” de mulheres no
Vale do Silício, algo visto como um grave problema que tem de ser urgentemente
resolvido.
Por acaso há um exército de meninas que estão ávidas
para jogar xadrez, mas que estão sendo negadas a esta oportunidade? Por acaso há um exército de mulheres com um
Ph.D. em ciências computacionais pelo Massachusetts Institute of Technology e
pelo Instituto de Tecnologia da Califórnia sendo friamente rejeitadas quando
vão ao Vale do Silício se candidatar a um emprego?
Será que meninos e meninas não podem ter interesses
distintos? Se as meninas tivessem o
mesmo interesse em xadrez que os meninos, mas fossem banidas dos clubes de
xadrez, aí sim haveria um argumento. Mas
isso seria algo muito diferente do fato de que elas simplesmente não têm o
mesmo interesse por xadrez que os meninos.
Quanto aos rankings de xadrez, não se trata de algo subjetivo: eles se
baseiam em quais jogadores (e suas respectivas pontuações) você já venceu e
perdeu para.
Por acaso não se deve permitir que mulheres e homens
tomem decisões diferentes em relação a como irão gastar seu tempo e viver suas
vidas?
Jogar xadrez não é o único empreendimento que pode exigir
uma grande parcela de tempo em sua vida, bem como um perseverante esforço, para
se chegar ao topo. Se você quer se
tornar um grande cientista, um sócio em uma grande firma de advocacia, ou o
executivo-chefe de uma grande corporação, você muito dificilmente conseguirá
tal façanha apenas trabalhando de 9 às 17h, tirando várias licenças para ter
filhos e criá-los.
Mas tudo pode piorar.
Aplicar essa mesma e infundada suposição sobre “diferenças
de representatividade” para diferentes grupos raciais e étnicos tornou-se hoje
uma política lucrativa: ela gera várias e ruidosas reclamações e cruzadas políticas,
além de milhões de dólares em processos judiciais acusando “discriminação” —
tudo sem uma única evidência senão números que não se encaixam nas pressuposições
dominantes.
E o fato é que você pode estudar inúmeros grupos, em
vários países ao redor do mundo, hoje ou mesmo ao logo dos séculos da história,
e não encontrará um único exemplo desses “resultados iguais” que possam ser utilizados
como referência para estipular que “está havendo discriminação”.
Eis aí um fenômeno que não possui confirmação
histórica, um fenômeno que, não obstante uma ausência de qualquer exemplo
prático, é hoje presumido como sendo a norma: igualdade de realizações, de diferentes
grupos (de cor, etnia e gênero), em um dado período do tempo.
No entanto, o que mais temos hoje são grupos de
interesse e movimentos sociais apresentando estatísticas — que são solenemente
repercutidas pela mídia — alegando que, dado que os números de realização, premiação e representação
ocupacional não são aproximadamente iguais para todos, isso seria uma prova de
que alguém foi discriminatório com outro alguém.
E isso, segundo o salto lógico realizado por esses ideólogos,
seria uma comprovação de que os resultados seriam iguais para todos caso alguém
não tratasse mal outra pessoa.
O problema, só para começar, é que mesmo algo tão simples
e básico quanto diferenças de idade entre grupos pode arruinar qualquer pressuposição
de resultados iguais.
Se cada porto-riquense que vive nos EUA tivesse uma
renda idêntica à renda de cada nipo-americano de 20 anos de idade — e rendas idênticas
também para todas as outras idades –, o nipo-americanos ainda assim teriam, em
sua totalidade, uma renda média superior à dos porto-riquenses nos EUA. E seria assim porque a idade média dos
nipo-americanos é muito maior que 20 anos de idade. Há muito mais nipo-americanos com mais de 20
anos de idade do que porto-riquenses. Se
um grupo é formado por pessoas com mais anos de experiência de trabalho, então esse
grupo normalmente ganha maiores salários.
A média de idade na Alemanha e no Japão é de mais de
40 anos, ao passo que a média de idade no Afeganistão e no Iêmen é de menos de
20 anos. Mesmo que as pessoas destes quatro países tivessem absolutamente
o mesmo potencial intelectual, o mesmo histórico, a mesma cultura — e os
países apresentassem rigorosamente as mesmas características geográficas –, o
fato de que as pessoas de determinados países possuem 20 anos a mais de
experiência do que as pessoas de outros países ainda seria o suficiente para fazer
com que resultados econômicos e pessoais idênticos sejam virtualmente
impossíveis.
Pessoas com 20 anos a mais de experiência de
trabalho normalmente ganham maiores salários.
E diferenças etárias são apenas uma das várias diferenças entre os
grupos.
Mais ainda: uma igualdade geral de resultados jamais
foi testemunhada, em qualquer período da história, até mesmo entre aqueles
vários grupos que hoje são ajuntados e classificados como “brancos”. Sendo assim, por que então as diferenças
estatísticas entre negros e brancos, ou entre homens e mulheres, produzem
afirmações tão dogmáticas — e geram tantas ações judiciais e trabalhistas por
discriminação — sendo que a própria história mostra que sempre foi comum que
diferentes grupos seguissem diferenciados padrões ocupacionais ou de comportamento?
Um dos motivos é que ações judiciais não necessitam
de nada mais do que diferenças estatísticas para produzir vereditos, ou acordos
fora de tribunais, no valor de vultosas somas monetárias. E o motivo de
isso ocorrer é porque várias pessoas aceitam a infundada presunção de que há
algo de estranho e sinistro quando diferentes pessoas, de diferentes cores, gêneros
e opções sexuais, apresentam diferentes graus de êxito pessoal.
O desejo de intelectuais de criar alguma grande
teoria que seja capaz de explicar padrões complexos por meio de algum simples e
solitário fator produziu várias ideias que não resistem a nenhum escrutínio,
mas que não obstante têm aceitação generalizada — e, algumas vezes,
consequências catastróficas — em vários países ao redor do mundo.
A vida é, sem dúvida nenhuma, injusta. Mas isso não é o mesmo que dizer que as injustiças
ocorreram exatamente em todos os lugares em que as estatísticas foram
coletadas. As origens das desigualdades
de resultados frequentemente remetem a diferentes ambientes familiares vividos
na infância ou a diferentes
arranjos geográficos e culturais para grupos e nações.
Essas diferenças entre nações, bem como as diferenças
entre indivíduos e grupos, refletem o fato de que o mundo jamais apresentou condições
equitativas para todas as pessoas em todos os lugares do mundo. O renomado historiador Fernand Braudel disse
que “Em nenhuma sociedade, todas as regiões e todas as partes da população se
desenvolveram de maneira uniforme e homogênea”.
Por mais quanto tempo vamos continuar tratando como
se fosse uma regra algo que não apenas nunca ocorreu na história do mundo, como
também dificilmente virá a ocorrer?
Agora eu estou cansado disso, eu defendo agora a tomada milita do Brasil para o Rio de Janeiro, quero que o exercito brasileiro tome o estado do Rio de Janeiro e chute de vez o seu governador. Eu estou farto desses parasitas sabotarem o governo para tirar mais dinheiro, quer guerra, agora estou incentivando a guerra.
Como os paulistas em regra ganham mais, o Brasil deve ter um grande desprezo pelo Piauí.
Asiáticos vieram ao Brasil sem nada e conseguiram crescer economicamente, enquanto isso a escravidão que acabou há 150 anos é justificativa para problemas recentes.
Sem falar nos judeus que sofreram discriminação por toda a história e são o grupo étnico mais bem sucedido financeiramente (e aquele que mais ajudou a ciência).
Se você quer se tornar um grande cientista, um sócio em uma grande firma de advocacia, ou o executivo-chefe de uma grande corporação, você muito dificilmente conseguirá tal façanha apenas trabalhando de 9 às 17h, tirando várias licenças para ter filhos e criá-los.
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Sim o capitalismo rouba grande parte do nosso tempo, e nos impede de crescer.
Em quanto os filhos do dono do capital, tem o tempo livre para gastar grande parte do tempo em estudos e aperfeiçoamento.
O maior ato criminoso que existe, chama-se a desigualdade de oportunidades, criado exclusivamente pelo capitalismo.
Ninguem quer resultado igual, o negro pobre, só quer uma oportunidade igual ao filho do Helio beltrião.
Veja que no fundo este artigo é contra os direitos humanos.
Veja o artigo Artigo XXII, dos direitos humanos:
Todo ser humano, como membro da
sociedade, tem direito à segurança social, à
realização pelo esforço nacional, pela
cooperação internacional e de acordo com
a organização e recursos de cada Estado,
dos direitos econômicos, sociais e culturais
indispensáveis à sua dignidade e ao livre
desenvolvimento da sua personalidade.
Se alguém sofre, você tem a obrigação por lei, tanto nos direitos humanos, quanto na constituição e apaziguar esta dor.
Mais um artigo fantástico do Thomas Sowell.
Excelente!
O exemplo do jogo de xadrez é emblemático, mas por um motivo diferente do apresentado pelo articulista. Apesar de ser uma atividade que não exige contato físico direto, nem força física, os torneios de xadrez são separados em masculino e feminino. Por que não competem juntos homens e mulheres? Simplesmente porque as mulheres são sistematicamente derrotadas pelos homens, e nunca surgiu uma mulher que consiga enfrentar, em mínimas condições de competitividade, os maiores mestres do xadrez.
Seria isto uma discriminação?
Um belo artigo. Uma bela argumentação exposta com um belo raciocínio.
David Ogilvy, famoso publicitário americano da década de 70, sempre disse que o grosso de seu trabalho de redator criativo era feito em casa, depois do expediente, principalmente durante os fins de semana. Segundo ele, os clientes pagam por sua atenção em tempo integral, e esse esforço, além da recompensa material, proporcionava o aperfeiçoamento necessário para formar profissionais capazes de cumprir esse papel, dividindo o trabalho e proporcionando mais tempo livre para a família.
O filho do Otávio Mesquita é pianista profissional. Em uma entrevista ao Jô Soares, disse que estuda o instrumento pelo menos 12 horas por dia para, um dia, alcançar o nível necessário de excelência para se tornar um ícone no meio.
Zico disse que sempre foi apontado no flamengo por receber o maior salário do clube na época quando jogava, mas ninguém nunca se lembrava de que ele era o primeiro a chegar e o último a sair dos treinamentos.
Oscar Schmidt diz que, depois de cada treinamento, fazia centenas de lances livres e arremessos de 3 pontos para ficar cada vez melhor.
Joaquim Barbosa estudo a vida nossa no sistema público, e se tornou uma das figuras mais importantes da República, conquistando o topo do Poder Judiciário.
Sim, é mais fácil ficar de mimimi do que arregaçar as mangas e sacrificar todas as coisas que trazem lazer e prazer em detrimento da busca daquilo que poucas pessoas podem oferecer e, por isso mesmo, as coloca mais próximas do sucesso.
Pobreza, credo ou raça não tem absolutamente nada a ver com isso.
Para complementar, basta ler qualquer livro de Theodore Darlymple para comprovar isso – mas no ambiente inglês.
“A vida é, sem dúvida nenhuma, injusta.”.
Provavelmente isso foi uma tentativa de agradar o leitor. Não a mim. Até porque, no meu ver, a vida é muito justa.
Só porque não conseguimos ver uma verdade, não quer dizer que ela não existe. A natureza sempre recompensa, à sua forma, o individuo na medida em que ele merece. Agora vá fazer um socialista entender isso.
Valeu. Falou.
Meu caro Matheus Penha,
A língua tem suas sutilezas. Se você não entendeu que eu fui irônico, sorry. Por isso, meu caro Matheus, nem sempre o que parece ser claro e não comportar interpretação assim é. Daí a parêmia “in claris cessat interpretatio” comporta controvérsia. Assim, o que você diz no segunto parágrafo de sua aligeirada intervenção é a prova provada de que fui simplesmente irônico. E minha ironia é um apoio ao artigo porque “Ridendo castigat mores”. Agora, volte lá e leia com calma, sem açodamento, o que escrevi e, se tiver grandeza, recolha a lição dada.
Depois que respondi ao Matheus foi que li o comentário do Anderson d´Almeida, que, não sendo açodado, entendeu que fui irônico. Obrigado, Anderson.
Na verdade o argumento da discriminacão é uma baita de uma falácia circular.
1) Negros estão em pior situacão que os brancos;
2) O que causou (2) foi a discriminacão;
3) A prova de que houve discriminacão é (1).
“Será que meninos e meninas não podem ter interesses distintos?”
Não, não podem.
E digo mais:
Incentivar meninos a terem atitudes e práticas tipicamente masculinas é machismo, mas incentivar meninas a terem estas mesmas atitudes e práticas é mente aberta, sem preconceitos.
Incentivar meninas a terem atitudes e práticas tipicamente femininas é machismo, mas incentivar meninos a terem estas mesmas atitudes e práticas é mente aberta, sem preconceitos.
O derradeiro objetivo não é a igualdade, mas a inversão.
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Comentário irônico, OK?
Thomas Sowell é um gênio.
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As mulheres estão sub representadas nesse grupo de discursão
Gostei de ler.A ideia é a inteligência humana são indiscutíveis mas dão aso a mil e uma conjecturas.