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Não existe meia liberdade; quem é meio livre é meio preso – e o Brasil nem “meio livre” consegue ser

Em nossa época, a ideologia dominante foi dividida, de uma forma
simplista, entre os pensamentos de direita e de esquerda.  Consequentemente, por causa dessa dicotomia, tornou-se frequente vermos a defesa de somente uma
parte das ideias de liberdade nesses dois espectros.

Na direita, costuma-se
defender, sempre com restrições, o livre mercado e o direito à auto-defesa.  Na esquerda, a bandeira aproveitável é a das
liberdades sociais (mas mesmo estas são defendidas com uma retórica um tanto
belicista, e quase sempre visando aos interesses de alguma coletividade bem
organizada, e não aos interesses do indivíduo).

Obviamente, há um grande
problema em ambas as posturas: não é possível defender somente alguns dos
espectros da liberdade.  Não
existe meia liberdade. Quem é meio livre é também, por definição, meio preso.

A definição entre direita e
esquerda é incompleta. Friedrich August von Hayek, no livro Os Fundamentos da
Liberdade
, especificamente no capítulo “Por que não sou conservador“,
apresenta a ideia de um triângulo no qual os ângulos seriam divididos entre conservador,
socialista e liberal.  Diz ele:

Se
utilizássemos um diagrama
, a figura mais apropriada seria a de um
triângulo, com os conservadores ocupando um ângulo, os socialistas puxando para
o segundo e os liberais para o terceiro. Contudo, como os socialistas há muito
tempo exercem maior pressão, o que ocorreu foi que os conservadores tenderam a
ser arrastados pelo pólo socialista mais que pelo pólo liberal e, sempre que
lhes convinha, adotaram as idéias que a propaganda radical fazia parecer
respeitáveis.

Comumente, foram os conservadores
que fizeram mais concessões ao socialismo, chegando mesmo a empunhar suas
bandeiras. Defensores da política de centro, desprovidos de objetivos próprios,
os conservadores sempre se pautaram pelo princípio de que a verdade está entre
os extremos — e, consequentemente, mudam sua posição toda vez que um movimento
mais radical surge em qualquer um dos lados.

Já de acordo com as
palavras
do escritor peruano Mario Vargas Llosa:

Eu sou um liberal. A extrema esquerda converteu essa palavra em um
palavrão, xingamento, mas ela se origina da palavra liberdade, a palavra
mais bonita do idioma
, que trouxe as grandes conquistas: a tolerância,
os direitos humanos, a divisão de poderes, o pluralismo político
. Todas as
grandes conquistas da civilização têm sua origem no progresso da liberdade.

No trecho acima, Llosa demonstrou, em uma pequena e simples afirmação, o que significa a liberdade, abordando várias de
suas perspectivas: as liberdades políticas,
jurídicas, sociais e econômicas.

Todavia, antes de demonstrar
a correlação entre cada uma dessas liberdades, é necessário destacar o que
significa ‘liberdade’. Como essa palavra tão bonita deve ser utilizada? E como
seria possível trazer essa realidade para a nossa vida e para o Brasil?

Em todas as oportunidades em
que o mundo cresceu e enriqueceu de forma exponencial, as ideias de liberdade
eram as ideias dominantes.  Foram elas
que permitiram que os indivíduos, ao colocarem em prática suas idéias,
tornassem o mundo mais rico e próspero.

Segundo Ludwig von Mises, em sua obra Ação Humana,
“o homem é livre quando ele pode escolher os fins e os meios que serão utilizados
para alcançar tais fins.” Mises enfatiza que há liberdade quando se pode
exercer a ação humana, ou seja, quando “o agente homem está ansioso para
substituir uma situação menos satisfatória, por outra mais satisfatória.”

Nas palavras
de Donald Stewart Jr., em seu artigo A Lógica da Vida, ninguém
trocaria 10 por 9, ou seja, ninguém voluntariamente sairia de uma condição de
maior bem-estar para uma situação de menor bem-estar, o que é resumido nesse
pequeno trecho:

Obviamente, ninguém troca 10 por 9: ninguém troca 10 reais
por 9 reais. Quem quiser assim proceder
não precisa encontrar um parceiro para efetuar uma troca: basta renunciar ao
que tem. Os que assim o desejarem são livres para fazê-lo até o limite
de suas propriedades, num primeiro momento, e até o sacrifício de sua própria
vida, num caso mais extremo.

Convém esclarecer, apenas
por uma questão de precisão conceitual, que quem assim agisse, por livre e
espontânea vontade, não estaria trocando 10 por 9; estaria preferindo se
desfazer daquilo a que atribui menos valor — seus bens e sua própria vida —
para receber em troca aquilo a que atribui maior valor — a gratidão dos que
beneficiou ou a satisfação íntima de ter feito o que considera ser um bem.

Ninguém, de livre e espontânea vontade, troca 10 por
9. É uma impossibilidade lógica. Ninguém conseguirá apontar uma situação ou uma
circunstância em que essa regra possa ser negada. Embora, na vida real, as
escolhas que temos de fazer sejam bem mais complexas, por mais complexas que
sejam, a lógica subjacente é sempre a mesma: ninguém troca aquilo a que atribui
mais valor — no sentido mais amplo do termo — por algo a que atribua um valor
menor.

Ou seja: ninguém age para causar a si próprio uma
insatisfação.

A lógica da vida
é a lógica da ação humana. No entanto, em algumas circunstâncias, somos obrigados a trocar 10 por 9. Donald Stewart
Jr. apresenta um caso em que isso ocorre:

[Isso] ocorre quando nos vemos diante de uma situação
de coerção, hipótese em que, ao nosso ganho, somos forçados a acrescentar o
benefício de não sofrer a violência decorrente da coerção, seja ela legal ou
ilegal.[…] Somos levados a fazer uma troca que nos é insatisfatória; e só
aceitamos fazê-la para evitar uma possível represália, em virtude da existência
de um poder de coerção.

Ou seja,
quando ocorre coerção, há uma violação da ‘lógica
da vida’, e é nessas circunstâncias que as liberdade políticas,
jurídicas, sociais e econômicas são desrespeitadas.

A liberdade
econômica é a mãe de todas as liberdades. 
É por meio dela que é possível obter as outras liberdades.  Sem liberdade econômica é impossível haver até
mesmo moralidade.  Dado que o mercado é a
consequência da liberdade econômica e da cooperação social pacífica, é ele, o
mercado, quem torna possíveis a liberdade, a justiça, a moralidade, a inovação
e a harmonia social.

Como escreveu Mises:

Um homem só tem liberdade
enquanto puder moldar sua vida de acordo com seus planos. […] A
liberdade não é apenas um postulado político; ela é um postulado de toda a
moralidade, seja ela religiosa ou secular. A moralidade só
faz sentido quando dirigida para indivíduos que são agentes livres.

Algumas
consequências práticas da liberdade econômica

Quanto mais livre um país é em
termos econômicos, mais liberdade política, jurídica e social esse país tem. Maior liberdade econômica gera uma menor pobreza,
o que significa que a condição de vida em países mais livres é muito melhor do
que em países menos livres:

grafico1.png

Gráfico 1: no eixo Y, a taxa de pobreza; no eixo X, o grau de liberdade
econômica (quanto mais à direita, mais economicamente livre)

Adicionalmente, nos países mais livres o
crescimento econômico observado é maior, permitindo mais emprego e mais renda
para as pessoas:

grafico 2.png

Gráfico 2: no eixo Y, o crescimento econômico; no eixo X, o grau de
liberdade econômica (quanto mais à direita, mais economicamente livre)

Adicionalmente, quanto mais liberdade econômica
o país
tem, melhor é o seu IDH:

grafico3.png

Gráfico 3: no eixo Y, o IDH; no eixo X, o grau de liberdade econômica
(quanto mais à direita, mais economicamente livre)

Os países mais livres ainda possuem uma maior expectativa de vida, uma
menor mortalidade infantil, maior acesso a água potável, e maior proteção ao meio
ambiente
.  Ou seja, quanto mais livre
um país é, melhor é a qualidade de vida, protegendo principalmente as crianças
e os mais velhos:

grafico 4.png

Gráfico 4: no eixo Y, a mortalidade infantil; no eixo X, o grau de liberdade
econômica (quanto mais à direita, mais economicamente livre)

grafico5.png

Gráfico 5: no eixo Y, a taxa de acesso à água potável; no eixo
X, o grau de liberdade econômica (quanto mais à direita, mais economicamente
livre)

Os países mais livres apresentam também índices de corrupção muito menores do
que nos países menos livres, sendo bem mais transparentes, respeitando a
propriedade privada e os contratos firmados entre as partes.  Eles entenderam a máxima de Tácito, que diz
que “quanto mais corrupto o estado, maior
o número de leis
“.

grafico7.png

Gráfico 6: no eixo Y, o índice de percepção da
corrupção (quanto maior o valor, menor a corrupção percebida); no eixo X, o
grau de liberdade econômica (quanto mais à direita, mais economicamente livre)

Já o Brasil,
nos últimos três anos, caiu vinte e duas posições no ranking de liberdade
econômica, segundo a Heritage Foundation.
Em 2014, o Brasil era o 100º colocado; em 2015, já havia caído para 114º, e
nesse ano é o 122º país menos livre no mundo. Tal situação vem prejudicando
diversos outros índices.

O país também caiu uma posição
no IDH, sendo
hoje o 75º lugar
. No ranking da educação, em que foram avaliados 40 países,
o Brasil é o 35º (trigésimo quinto), e a posição de corrupção é lastimável:
somos o 76º.

Para completar, no Brasil, temos uma legislação gigantesca que muitos afirmam ter sido criada para
“proteger o cidadão”, sendo que, na realidade, seu único efeito prático é prejudicar,
diariamente, o crescimento econômico e a liberdade empreendedorial dos
brasileiros.

As legislações tributárias
municipais, estaduais e federal foram reunidas pelo advogado
Vinícios Leôncio
em um só livro, intitulado Pátria
Amada
.  Este livro é considerado
o maior do mundo, segundo o Guinness Book, tendo 2,10 metros de altura e
pesando 7,3 toneladas.

livrao.jpg

O advogado tributarista Vinicios
Leoncio e seu livro Pátria Amada

Enquanto a realidade brasileira é
ter esse absurdo de legislações — que dificultam ao máximo o surgimento de novas
empresas; que impõem custos operacionais proibitivos para as empresas já
existentes; que tornam praticamente impossível para os mais pobres saírem da sua
condição de pobreza; que, sem suma, violam a lógica da liberdade –, os países
mais livres têm muito menos legislações e uma menor carga tributária.

Nos países mais livres é
possível abrir uma empresa em 9,2 dias, em média.  Já no Brasil, o tempo é de, em média, 118
dias
.  Há destaques
negativos
: em Fortaleza, a demora chega a 245 dias; em Porto Alegra, 260
dias — coincidentemente, duas cidades que têm ou tiveram governos de esquerda
nos últimos anos.

grafico8.png

Gráfico 7: no eixo Y, o número de dias necessário para
se abrir uma empresa, em média; no eixo X, os agrupamentos de países

Como a liberdade não pode ser pela
metade, a propriedade é uma das suas características indissociáveis. Em muitas
palestras, eventos e aulas que ministrei pelo Brasil, sempre perguntei qual o
maior sonho do brasileiro.  Invariavelmente,
ouvi como resposta “a casa própria”.

É sempre muito estranho
observar isso, uma vez que o direito de propriedade é um dos mais
desrespeitados do Brasil, sendo extremamente burocrático e caro registrar uma
propriedade em nosso país, conforme demonstra o gráfico abaixo.

grafico0.png

Gráfico 8: no eixo Y, a quantidade
de procedimentos necessários para se registrar uma propriedade, em média; no eixo X, os
agrupamentos de países.

Conclusão

Embora a liberdade plena não exista, é sempre possível nos aproximarmos
do seu ideal.  E, indiscutivelmente, os países
que mais se aproximaram deste ideal são os que apresentam hoje os melhores
indicadores econômicos e sociais.

No entanto, nesta nossa incessante busca pela liberdade, é de crucial importância
não nos contentarmos com pouco.  Pequenos
avanços rumo a uma maior liberdade, embora devam sim ser comemorados, não podem
nos fazer relaxar e nos tornar relapsos. A batalha deve ser contínua e implacável. 

Jamais nos esqueçamos desta verdade: a liberdade não pode ser fragmentada em compartimentos.  A liberdade é indivisível.  Meu amigo Carlos Góes, do Mercado Popular,
explicou bem isso:

Direitos e liberdades individuais não
fazem sentido se forem compartimentalizados. Não fazem sentido se seletivamente
aplicados a alguns indivíduos. Liberdade só é liberdade se você a garante para
quem discorda de você; ela é universal e inalienável. E liberdade só é
liberdade se ela não vier em partes – ela é universal e indivisível.

E a bota da opressão estatal sempre será pesada quando pressionada
contra o seu pescoço. Seja ela a bota esquerda ou a bota direita.  Por isso, não nos contentemos com
migalhas.  Vamos tirar toda e qualquer
bota, por mais leve que ela seja, de cima de nós. 

A liberdade está chegando ao
Brasil?  Pode ser.  O fato é que essas ideias nunca estiveram tão
fortes e nunca tão difundidas como agora. 
Há motivos para alguma esperança.

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123 comentários em “Não existe meia liberdade; quem é meio livre é meio preso – e o Brasil nem “meio livre” consegue ser”

  1. Uau! E eu formulei ontem mesmo uma lista de medidas necessárias para que a liberdade democrática seja efetivamente implementada no Brasil. Impeachment não trará liberdade. Nunca seremos livres com escolas doutrinando os alunos a serem marxistas e enquanto TVs condenarem abertamente o capitalismo selvagem e nojento, segundo palavras que já ouvi. Nunca seremos livres com um Congresso inchado e com um executivo que age salvando estados em dívida. A liberdade econômica é completamente deturpada no Brasil. Nunca seremos livres enquanto o estado influenciar e regular as PROPAGANDAS comerciais veiculadas em rádios, TVs e outras mídias.Nunca seremos livres se não revertermos isso imediatamente.

  2. As universidades estão formando ativistas e não acadêmicos, alertam especialistas. Essa lavagem cerebral da esquerda nas escolas e universidades está acontecendo há décadas em todo continente americano e na Europa para aliciar os idiotas úteis e forçar todo mundo a aceitar as bestialidades socialistas.

    spotniks.com/universidades-estao-formando-ativistas-e-nao-academicos-alertam-especialistas/

  3. Amadeus Von Adler

    Brasileiro é meio preso (trabalha 6 meses para o Estado do Crime) e na metade livre (os outros 6 meses) fica desempregado, de folga, férias ou carnaval.

  4. Alexandra Moraes

    Acredito que o primeiro passo para a verdadeira liberdade seja a conquista de lucidez. Um povo deseducado, ignorante, sem tempo para uma vida digna e plena não conquistará a vida verdadeiramente livre.

  5. Reclamam do estado e não batem naqueles que mantém o estado: A CLASSE POLÍTICA.

    Se queremos ficar livres dessa corja temos que aos poucos alertar a todos sobre como é danoso para o bolso das pessoas e para os cofres do país a existência dessa classe parasitária chamada político.

    Em artigos anteriores eu percebi o aumento dos interessados que gostaram da minha ideia de criar um grupo para essa finalidade: A ELIMINAÇÃO DOS POLÍTICOS COMO CLASSE.

    Eu já expus aqui um principio de como iniciaríamos essa empreitada:

    Criaríamos um empreendimento para a função de alerta aos empreendedores. Sejam eles pequenos, médios ou grandes empreendedores.

    Um grupo poderia ser criado, mostrando o nosso cartão de visita, para fazer o trabalho de divulgação entre os empresários. Assim que contratados, de comum acordo com os mesmos (troca voluntária), estabeleceríamos um preço razoável para começar a imprimir cartilhas explicando as pessoas, dentro do estabelecimento do contratante, se assim esse desejar, mais principalmente nas ruas.

    Poderíamos também criar grupos de associados para que cada vez mais a mensagem de anti-políticos ganhasse mais força através de palestras e encontros.

    Mostraríamos aos poucos para as pessoas que pagar impostos é uma falácia. Só serve para sustentar a classe política…e também mostraríamos a existência de moedas digitais, como o bitcoin, por exemplo, para o empresário e para as pessoas comuns.

    Aos poucos vamos tirar essa mentalidade estatal da cabeça das pessoas.

    Como eu sou da CIDADE do Rio de Janeiro, ficaria melhor que pessoas daqui entrassem em contato comigo.

    Trabalharíamos como se fossemos “fantasmas”. O investimento seria feito diretamente com empresários que assim solicitasse nosso serviço.

    É claro que esse grupo crescendo vamos criar e ter contato com pessoas de outros estados e até mesmo em nações estrangeiras.

    Para os interessados meu email NOVO é [email protected]

  6. Alvaro Quinteiro

    “A liberdade não se perde de uma só vez mas em fatias, como se corta um salame”. Não percebemos mas é nas pequenas medidas autoritárias, dia a dia, que nos vão aprisionando.

  7. César Carriço júnior

    O que muitos liberais não entendem é que não se pode falar de liberdade sem zelar pela conservação dos pilares fundamentais da sociedade que são justamente os que garantem ESSA MESMA LIBERDADE.O papel da esquerda é destruir esses pilares com os mesmos instrumentos que os liberais dizem ter como pauta: O aborto, o casamento homossexual, as drogas e a libertinagem. Ora, como não conservar a família tradicional monogâmica, se é ela que dá sustentação a propriedade privada,um sistema que se perpetua através da hereditariedade? Como defender o aborto, se é da concepção que surge o indivíduo, o qual a partir daí já goza de todos os direitos inerentes a um? O papel do conservador não é restringir liberdades, mas sim zelar pelas instituições que dão garantia a ela.

  8. Claudio De Carvalho

    Como todos os reports apresentados este também é execelente nos fornecendo conhecimento e esclarecomendo para raciocinar no momento político em que nos encontramos. Mas quero comentar rapidamente sobre os investimentos feitos para copa do mundo de futebol e olimpíadas com dinheiro do BNDES que gera uma dívida pois o governo recebe juros mais baixos do que paga, além do mais as prioridades básicas saúde e educação estao bem abaixo do aceitávelho ou seja tiram dinheiro de onde precisam e colocam a onde não é prioritário isto sem comentar outros fatores.

  9. Liberdade Econômica se restringe a cobrança de impostos?
    Eu digo isso porque a maioria dos paises africanos e pobres tem tributação que não ultrapassa os 15% do pib ja os paises nordicos tem impostos que ultrapassam os 40% do pib e tem alto IDH.

    LIBERDADE ECONÔMICA se restringe ao respeito a PROPRIEDADE PRIVADA, SEGURANÇA JURIDICA e BAIXAS TAXA ALFANDEGARIAS?

  10. Esse artigo é o melhor exemplo de que a república é sustendada por mentiras.

    O Brasil está na posição 114 do ranking de liberdade. Só o pis/cofins tem mais de 1.000 páginas.

    A república de bananas está na posição 64 do ranking. Ou seja, essa história de sétima economia do mundo foi a maior cascata do século.

    Enfim, a pátria não se sustenta sem mentiras.

  11. Como o livre-mercado poderia ajudar a África na sua atual situação, com pessoas morrendo de fome? Quer dizer, o que impede a África de evoluir?

  12. O liberalismo político deve ser estimulado, no entanto, o liberalismo econômico deve ser olhado com cuidado, pois as nações desenvolvidas utilizaram intensamente medidas protecionistas para estimular o seu desenvolvimento, por exemplo, durante o governo de Jackson, as tarifas industriais médias dos Estados Unidos se situavam em torno de 35 a 40%.

  13. Direita e esquerda. Esqueçam isso. O que existe são políticas públicas que geram resultados positivos ou negativos. É preciso parar de ficar classificando ações entre direita e esquerda. Vamos pensar no que gera riqueza para a nação e ações que a distribua na sociedade. Fora disso é perder tempo fazendo poesia.

  14. Andre Cavalcante

    Deixa eu dar meu pitaco neste convercê! 🙂

    “É perfeitamente possivel prever como seria a questão das drogas num ambiente anarcocapitalista, é somente ver como as propriedades atuais permitem o uso de drogas. Bebida e Cigarro somente são permitidos em bares (bebida dentro e fora, cigarro somente fora). Em um ambiente de trabalho não pode beber e nem fumar, embora alguns locais de trabalho tenham um fumódromo. Em restaurantes é permitido beber, mas na maioria não é permitido fumar. Há muitos outros exemplos que demonstram como seria mais ou menos essa questão.”

    Ok. Só lembrar que é assim porque os restaurantes, bares etc. estão sujeitos a leis municipais, estaduais e federais que dizem que deve ser assim.

    “Mas se o dono do pedaço de terra, que todos esses locais estão inseridos, acha que deve-se proibir totalmente ou liberar totalmente essas substâncias, então os donos dos estabelecimentos devem estar ciente disso no Contrato prévio (ou também conversar com o “monarca” sobre a situação dele). O dono do território em que estão todas essas propriedades estão inseridas seria o “Estado”, numa analogia com a atualidade.”

    Não vou discutir sobre as drogas. Vou discutir sobre propriedade.

    Se há um dono em que “esses locais estão inseridos” então é porque o cara que cuida desses locais não é, de fato, dono, como parece a primeira vista. Assim o “dono” do bar não é dono coisa nenhuma, porque o dono mesmo é o dono da terra onde o bar foi construído.
    Levando este raciocínio mais adiante, o Rei seria o dono do território em que governa.

    O problema é que não é assim: dono é quem mistura o seu trabalho com a coisa possuída (apropriação original) ou que recebeu a propriedade de outro proprietário (transferência de propriedade, troca voluntária). Dessa forma, o dono do bar é o dono de fato, o dono do restaurante idem.

    Em uma região anarcocapitalista, não existiria a figura do líder ou do Rei. Se existisse tal figura, ela seria meramente figurativa, não teria poder nenhum (exatamente a proposta da maioria dos anarcos, só para dar um ar de aristocracia), porque ele não seria dono de nada e, portanto, não poderia interferir em nenhuma das propriedades sob a sua “jurisdição”. De fato não poderia impor lei nenhuma, se não, não seria uma região anárquica.

    Então, não, uma monarquia não equivale a um território anarcocapitalista, se o monarca for o dono da terra (em última instância, ele quem vai decidir as leis, portanto, terá o monopólio da justiça e a possibilidade de usar de violência contra os seus súditos).

    Agora, levando essas ideias à frente, o álcool, o cigarro, as drogas em geral seriam aceitas ou proibidas pelos donos dos lugares (bares, restaurantes etc.) e nada poderia ser imposto pelo “soberano”. Se isso é possível, então é porque os “donos” dos lugares não são efetivamente os donos. Neste caso, o território não é anárquico.

    Por outro lado, um conjunto de monarquias, abertas para trânsito de pessoas e negócios entre si, é uma região anárquica (idealmente essas “monarquias” teriam o tamanho dos “locais” – condomínios, bares, lanchonetes, ruas etc.) – veja que chamar de rei ou de dono ou de presidente o cara que é o dono efetivo do local é meramente uma questão de gosto (ou da forma como esse cara lida internamente com sua propriedade).

    Agora Democracia é realmente algo bizarro! Você faz parte de um grupo que acha que é dona do território, sem de fato o ser, mas ainda assim toma decisões como o dono, a despeito da vontade do dono, e o pior, é que cada qual tem apenas uma minúscula parte dessa decisão.

    Abraços

  15. Bom artigo!

    Em nossa época, a ideologia dominante foi dividida, de uma forma simplista, entre os pensamentos de direita e de esquerda.

    Aqui no Brasil, o que geralmente se chama de “direita” na verdade é esquerda moderada, os social-democratas, a “esquerda herbívora”. E os conservadores ainda tem muito a aprender com Mises, Hayek, Dalrymple e Scruton.

    Liberalismo e conservadorismo, se bem compreendidos, são complementares.

    Quando o indivíduo é livre para fazer o que quiser, desde que (1) respeitando a vida, a liberdade e a propriedade dos outros e (2) arcando com os ônus de suas escolhas, incluindo as consequências adversas, se ele tiver um mínimo de responsabilidade e pensamento de longo prazo, vai aderir a princípios conservadores.

    Por outro lado, por mais que os princípios conservadores sejam sensatos e benéficos, simplesmente não se pode impor o virtuosismo às pessoas – tentar fazê-lo só gera vida dupla, hipocrisia e rebeldia.

    A genuína liberdade inclui a possibilidade de escolher fazer aquilo que outros consideram uma má ideia, observando as duas condições supracitadas. Se o indivíduo não está prejudicando outros, apenas a si mesmo, os demais podem tentar persuadi-lo a mudar, mas não coagi-lo.

    Liberalismo não é relativismo moral ou defender a inexistência da verdade, do bem e da beleza. Um liberal pode sim dizer que um comportamento ou modo de vida é melhor do que outro, ou mesmo que é ruim, divulgar esse pensamento e apontar como mau exemplo aqueles que acredita usarem mal sua liberdade, desde que não cometa coerção contra estes.

    * * *

  16. O artigo é contraditório.
    Primeiro, afirma que não existe “meia liberdade”, o que significa: ou o indivíduo é livre, ou não é. Ok.
    Depois, afirma que existem graus de liberdade, que a liberdade plena não é possível, mas que podemos nos aproximar dela. Citam inclusive o índice de liberdade econômica, que mede justamente o maior ou menor grau de liberdade de um país. Entre o país mais livre e o menos livre há uma gradação.

    Sacaram a contradição? Não?

    Se não há “meia liberdade”, então não pode existir graus de liberdade. Se eu digo que um servo da Idade Média tem mais liberdade que um escravo da época do Império Romano, então significa que seu grau de liberdade é maior. Agora, se vc disser que não existe essa de “meia liberdade”, então significa que tanto o servo quanto o escravo estariam no mesmo nível, qual seja, o da ausência de liberdade.
    Essa dicotomia livre/ não livre funciona meio que como um código binário: ou é nível alto, ou é nível baixo. Oito ou oitenta.

  17. Guilherme

    “Muito confusa a sua participação. Volte quando tiver mais substância.”

    A maneira mais fácil de tentar afastar alguém do debate é o argumento ad hominem. rsrs

    Então vou explicar de novo, pra ver se vc consegue digerir a substância.

    O artigo é claro ao dizer que “não há meia liberdade”. Mas vc disse: “existe sim essa de “meia liberdade””

    ?????????????????

    E depois tenta remendar com um: “Só que tal expressão tem de vir acompanhada de um complemento: quem é “meio livre” ainda é “meio escravo””.

    O que vc não entendeu ainda é que quando se diz que não há meia liberdade, é porque se tem uma visão dualista da liberdade, tipo, ou é livre ou não é. É isso o que o autor quis dizer. Olha o que ele escreveu no trecho antes do que foi citado por nós:

    “há um grande problema em ambas as posturas: não é possível defender somente alguns dos espectros da liberdade”

    Como assim não é possível? Claro que é. Posso escolher não ser escravo por exemplo, e continuar me submetendo a outras formas de opressão (como por exemplo a do Estado). Ou seja, esta frase coloca claramente uma visão de que a liberdade faz parte de uma dicotomia, ou é ou não é. Do tipo código binário: nível alto ou nível baixo. Ou se defende a liberdade plena, ou não se defende. É isso que está falando no texto, e se vc não conseguiu entender isso, sugiro que se alimente com mais substância… hehehehe

    Agora, ter uma visão dualista da liberdade, dizer que “não é possível defender somente alguns dos aspectos da liberdade”, entra claramente em contradição com a ideia de graus de liberdade.

    Alguns países que estão, digamos, em 40º lugar no ranking de liberdade econômica, defenderam alguns aspectos da liberdade, e negligenciaram outros. Já outros países que estão digamos em 80º defenderam menos liberdade. E por aí vai. É possível sim defender somente alguns aspectos, e o próprio autor afirma isso ao falar em graus de liberdade.

  18. Daniel escreveu – se vc disser que não existe essa de “meia liberdade”, então significa que tanto o servo quanto o escravo estariam no mesmo nível, qual seja, o da ausência de liberdade.

    Guilherme escreveu – Total nonsense.

    Por que? O artigo diz claramente que quem é meio livre, é meio preso. O servo é preso, e o escravo também. Nenhum dos dois é livre. Então, se não são livres, possuem ausência de liberdade. Se possuem ausência de liberdade, estão no mesmo nível, qual seja, no nível “sem liberdade”, ou “ausência de liberdade”.

    Mais claro do que isso impossível.

    Isso é tão básico que tenho até vergonha de estar explicando isso, nobre Redator. A propósito, o senhor Redator tentou contornar o problema, explicando o óbvio sobre graus de liberdade. (ser 90% livre, 30% etc.). Mas não tocou no ponto que comentei: se há graus, se é possível ser 90% livre ao invés de 30%, então é possível sim defender apenas alguns aspectos da liberdade, ao contrário do que diz o artigo.

    Espero que agora tenham percebido a contradição.

  19. “Opa, mas é claro que é possível sim defender apenas alguns aspectos da liberdade. Aliás, o que mais existe no mundo é político defendendo apenas alguns aspectos da liberdade.

    Só que, obviamente, e como corretamente aponta o texto, defender apenas alguns aspectos da liberdade não significa defender a liberdade.”

    Então, acho que o texto deveria ter sido melhor escrito, porque ele dá margem a interpretações ambíguas. No texto está escrito de forma infeliz:

    “não é possível defender somente alguns dos espectros da liberdade”

    E depois se tenta contornar o problema falando-se sobre “a liberdade”, conforme o sentido que vc mesmo acabou de apontar: “defender apenas alguns aspectos da LIBERDADE não significa defender a LIBERDADE”.

    Num caso se usa a liberdade num sentido, e noutro caso se usa em outro sentido. No primeiro caso, a liberdade é colocada em graus, ou em fatias, ou em aspectos diferentes: liberdade, social, econômica, política, etc. No segundo caso, a liberdade é vista como uma entidade, algo único, indivisível. “A liberdade”. Ou se defende, ou não se defende. “ninguém é meio livre”, diz o texto. Perceba que são dois sentidos diferentes para a liberdade. E depois se diz: será que defender alguns aspectos da liberdade é defender “a liberdade?”.

    Entendam que até agora não discordei e nem concordei com as ideias do texto, apenas estou tentando apontar uma contradição lógica, uma incoerência textual. E por favor, parem de tentar me explicar o texto, como se eu fosse um idiota. Eu já compreendi desde o princípio. Vcs é que ainda não sacaram a contradição.

    Por um lado essa confusão é compreensível, já que a palavra “liberdade” é usada em muitos sentidos no dia a dia, e o texto fez eco a esses sentidos. Mas por outro, é necessário prestar atenção em relação à definição inicial dos termos, para se evitar duplo significado.

  20. Agora sim, gostaria de deixar minha opinião sobre as ideias do texto.

    Quando se fala sobre “a liberdade”, vejo aí uma afirmação perigosa. O que é “a liberdade”? Nem a definição de Mises, nem de autor nenhum, consegue contemplar a complexidade da palavra. Poder escolher entre fins e meios não é condição suficiente para a existência da liberdade – embora seja uma condição necessária.
    Dizer que a liberdade é indivisível, como se fosse uma entidade, não ajuda. Quem é capaz de dizer o que é “a liberdade”? O que defendemos hoje como sendo “a liberdade”, será o mesmo que os humanos defenderão daqui uns 200 anos? O que era “a liberdade” há 1000 anos atrás? Há 3000 anos atrás? Há 80 anos atrás? Vejam que a própria ideia de liberdade muda. Ela vai sendo construída ao longo do tempo, na história.
    Então, é evidente que não devemos relaxar quando alcançamos apenas algumas liberdades, como diz o texto. Mas também não significa que devamos tratar alguma conquistas com desdém. E também não significa que devamos cruzar os braços em determinadas situações, e não escolher a menos ruim – como fazem muitos ancaps (digo isso porque em época de eleições, quando digo a um ancap que é melhor votar no candidato “X” por ser menos ruim, eles dizem “não vote em ninguém”).

    Em relação ao índice de liberdade econômica: perfeito. Acho que não há indicativo melhor da superioridade da livre iniciativa versus a regulação, do que este índice. A autocorrelação deste com vários aspectos sociais, como o IDH, é algo inquestionável.

    Abraços

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