Voltar

Para haver crescimento econômico, o segredo não é trabalhar muito, mas sim trabalhar produtivamente

Nota do Editor

Em sua mais recente inserção de TV,
o Partido dos Trabalhadores disse que a maneira de superar a atual crise econômica
e fazer a economia voltar a crescer é trabalhando duro e “tendo vontade de
vencer”.  E então o programa mostra cenas
de um cabeleireiro, de um atendente de bar, e de uma vendedora de sanduíche.

A ideia
é que se todos simplesmente trabalharem mais, como essas pessoas, a economia dará um salto.

Tal ideia demonstra uma completa falta de compreensão
sobre como uma economia moderna realmente cresce, prospera e se torna mais
produtiva.  Não é de se estranhar que tal
simplismo primitivo esteja sendo propagandeado exatamente pelo partido que
causou toda essa baderna na economia.

———————————-

Em certo sentido, trabalhar mais horas pode produzir
mais riqueza.  Teoricamente, se tudo o
que você tiver for uma machado e troncos de árvore, então se você trabalhar
oito horas cortando madeira terá mais madeira do que em apenas quatro horas.  Portanto, neste caso hipotético, trabalhar
mais significa mais produção.

A questão é que dificilmente você conseguirá manter
essa rotina extenuante por muito tempo e durante vários meses.  Aliás, tentar manter essa rotina não será
muito inteligente.  Chegará um momento em
que suas condições físicas estarão debilitadas e sua produtividade
inevitavelmente cairá.

Sendo assim, se você conseguir obter uma máquina que
lhe permita cortar madeira de uma maneira mais rápida, você terá a mesma
quantidade de madeira em apenas uma fração do tempo original.

Uma serra elétrica, por exemplo, tornará o seu
trabalho muito mais produtivo do que um machado.  Uma serra elétrica permite que, com menos
horas de trabalho, você consiga a mesma quantidade de madeira que conseguiria
com um machado e várias horas a mais de trabalho.

A serra elétrica é um bem de capital que aumentou
sua produtividade, permitindo que você trabalhe menos e produza mais.  Ao aumentar a quantidade de energia
disponível, a serra elétrica permite que você, simultaneamente, reduza sua
carga de trabalho muscular e obtenha mais cortes de madeira.  A serra elétrica aumentou seu padrão de vida. 

Por isso, o problema com a ideia de que “você tem de
trabalhar mais para enriquecer” está exatamente no fato de que ela pressupõe um
mundo estático: não há inovações técnicas, não há empreendedorismo que gere inovações
técnicas, e é impossível produzir mais riqueza sem que necessariamente você tenha
de trabalhar mais.

Por outro lado, quando você entende que é possível ter
inovações que nos poupam do trabalho extenuante, você descobre que a ideia do “trabalhe
mais para enriquecer” é, em si mesma, insensata.

Como
é possível criar os meios que no tornam mais produtivos

A mesma esquerda que pede mais trabalho como forma
de superar a crise econômica criada por ela própria
também gosta de brandir
estudos — corretos — que dizem que, tão logo as pessoas passam a trabalhar
mais de 50 horas por semana, elas se tornam consideravelmente menos produtivas,
mais exaustas e, como consequência, criam um ambiente mais arriscado para elas próprias
e para seus colegas de trabalho.

Com efeito, há um limite físico real à capacidade de se
trabalhar mais para produzir mais.  E a maneira
de superar essa limitação física é utilizando tecnologias e técnicas mecânicas que
permitam muito mais produção em menor espaço de tempo.

Como se faz isso?

O primeiro passo, obviamente, é pensar em métodos
poupadores de trabalho e em novas idéias para se implantar estes métodos.  Porém, em última instância, implantar essas idéias
requer o uso de uma riqueza previamente criada e poupada.  Em outras palavras, e dado que vivemos em uma
economia baseada no dinheiro, é necessário ter dinheiro para se construir
máquinas que poupam a quantidade de trabalho.

E como conseguimos esse dinheiro? Não há mágica: ele
tem de ser poupado.  E poupar significa
se abster do consumo.  Portanto, ao fim e
ao cabo, os componentes-chave para se ter trabalhadores mais produtivos é
poupar e, consequentemente, utilizar essa poupança na construção de máquinas,
ferramentas, instalações industriais e bens de capital em geral que poupem o
trabalho físico. 

Ludwig von Mises explicou a necessidade de todos
esses componentes em seu livro A Mentalidade Anticapitalista:

Nem
o capital nem os bens de capital têm, por si sós, o poder de elevar a
produtividade dos recursos naturais e do trabalho humano. Somente se os frutos
da poupança forem adequadamente empregados ou investidos é que poderão aumentar
a quantidade produzida por unidade de insumo. Se isso não acontece, eles são
dissipados ou perdidos.

E prossegue:

Com
o auxílio de melhores ferramentas e máquinas, a quantidade dos produtos aumenta
e sua qualidade melhora.  Assim, o empregador consequentemente estará em
posição de obter dos consumidores um valor maior do que aquele que seu
empregado consumiu em uma hora de trabalho.  Somente assim o empregador
poderá — e, devido à concorrência com outros empregadores, será forçado a —
pagar maiores salários pelo trabalho do seu empregado.

Trabalhar menos e produzir mais é o resultado direto
dessa acumulação de capital. Assim como a serra elétrica aumenta a produção em relação
a um serrote ou a um machado, e um trator multiplica enormemente a produção
agrícola em relação a uma enxada, o uso de máquinas e equipamentos modernos
multiplica enormemente a produtividade dos trabalhadores — e,
consequentemente, seus salários e sua qualidade de vida.

Em um país rico, a quantidade e a qualidade das
máquinas e das ferramentas disponíveis são muito maiores do que nos países
pobres. A acumulação de capital, o empreendedorismo e a inventividade
tecnológica são os pilares da economia.  Como consequência, a
produtividade, a riqueza e o padrão de vida nestes países são muito mais
altos. 

Obstáculos
à maior produtividade

Infelizmente, temos uma economia e um governo orientados
exatamente contra todos os ingredientes necessário para o crescimento da
produtividade, da poupança e da inovação.

Em primeiro lugar, há um aparato regulatório que
favorece os grandes empresários
politicamente bem relacionados
em detrimento de novos produtos, novas
empresas e novas criações.  Empresas recém-criadas
que possam trazer algum risco à fatia de mercado das grandes empresas serão ou
proibidas de entrar no mercado (por obra e graça das
agências reguladoras
) ou penalizadas de modo a se tornarem menos
competitivas (por obra e
graça da burocracia, da carga tributária e do complexo código tributário, que
joga a favor das grandes empresas já estabelecidas
).

Tarifas de importação e uma moeda em contínua desvalorização
também impedem que empresas adquiram do exterior bens de capital bons e baratos
que aumentariam sua produtividade.

Em qualquer um desses casos, avanços na
produtividade serão perdidos.

E há também, é claro, as próprias políticas fiscais
e monetárias do governo, as quais, ao incentivarem o consumismo, o imediatismo
e o endividamento da população para fins consumistas, fazem de tudo para
desestimular a poupança.  O resultado é
uma economia voltada para o consumo e para o prazer imediato, e não para a poupança
e para o investimento de longo prazo.  E isso,
por sua vez, afeta toda a estrutura produtiva da economia: em vez de se ter uma
economia voltada para a produção de longo prazo, há uma economia voltada para o
consumismo de curto prazo.

E há, por fim, o problema da inflação e da consequente
destruição do poder de compra da moeda.  Uma
moeda que continuamente perde poder de compra afeta os investimentos de longo
prazo (e é impossível fazer investimentos de longo prazo se você não tem a mínima
ideia do poder de compra futuro da moeda) e reduz os salários reais.  E, ao reduzir os salários reais, desestimula
a poupança. 

Com a renda disponível cada vez mais afetada, não há
como poupar. Consequentemente, a pouca poupança disponível não é direcionada
para investimentos produtivos, mas sim para o consumo imediato.

O
objetivo é trabalhar menos e produzir mais

A ideia de que devemos trabalhar mais para
enriquecer seria verdadeira apenas se vivêssemos em um mundo completamente destituído
de melhorias na produtividade.  Aí, realmente, não haveria alternativa senão trabalhar
mais.

Felizmente, não vivemos nesse mundo.  E, no mundo em que de fato vivemos, nosso
objetivo deveria ser o de alcançar um contínuo aumento no padrão de vida ao
mesmo tempo em que diminuímos nossas horas de trabalho.

Afinal, foi justamente a Revolução Industrial
que permitiu que grande parte da humanidade se livrasse, pela primeira vez na
história do mundo, do fardo diário de ter de trabalhar longas horas sem nenhuma
perspectiva de alívio, tendo pouquíssimo tempo livre para a educação, o lazer e
atividades caritativas.

Desde então, graças à limitada porém significativa
vitória da ideologia laissez-faire, a
produtividade do trabalhador só fez aumentar nos séculos seguintes.  Hoje, não precisamos de trabalhar mais do que
dois dias por semana para alcançar um padrão de vida maior do que aquele usufruído
por nossos ancestrais que viveram no século XVIII.  Não temos de trabalhar mais do que nossos
tataravôs.  Certamente trabalhamos menos
horas do que eles — e por livre e espontânea vontade.

Obviamente, qualquer um que queira trabalhar mais
deve ser perfeitamente livre para fazê-lo. 
Mas é necessário enfatizar que apenas mais horas de trabalho, por si
sós, não bastam.  Se o objetivo é o
crescimento econômico e o enriquecimento, então nada pode ser feito sem a
produtividade.  O verdadeiro crescimento econômico
vem da poupança, do investimento, da moeda forte e de uma economia genuinamente
empreendedorial — a qual, por obra e graça dos governos, está se tornando cada
vez menos factível no mundo atual.

_____________________________________

Leia
também:

Agradeçamos ao capitalismo
pelo fim de semana e pela redução da jornada de trabalho
 

O mercado, e não os
sindicatos, nos propiciou o lazer e o descanso


Últimos Artigos

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

57 comentários em “Para haver crescimento econômico, o segredo não é trabalhar muito, mas sim trabalhar produtivamente”

  1. Ou seja, os caras são realmente burros ao focar o esforço ao invés do aumento da produtividade… não é a toa que o Brasil está nessa M!

  2. Que curioso, o mesmo grupo de pessoas que agora diz que a “solução é trabalhar mais” é aquele que “quer proibir o brasileiro de trabalhar mais”:

    Agora o governo quer proibir o brasileiro de trabalhar mais:

    http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2296

    Não é genial?

    E também muito curioso: o mesmo grupo de pessoas que agora diz que a “solução é trabalhar mais” é aquela que entende que “ter de trabalhar é o equivalente a ser escravo”:

    Ter de trabalhar é o equivalente a ser escravo? Para a esquerda, sim

    http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2208

    Não é igualmente genial?

  3. Coeficiente 100%

    Subentendido nesse “a solução é trabalhar mais duro”, seguido de imagens de pequenos empreendedores, está a mistificação nefasta de colocar a “culpa” pelas desgraças exatamente naqueles que produzem (e/ou tentam produzir) riquezas, que são as pessoas espoliadas por esse governo (“dentro” da lei, via tributação e inflação, e “fora” da lei, via corrupção).

    Então, além de sermos espoliados (“dentro” e “fora” da lei), somos obrigados a ouvir esse governo nos dizer que a “culpa” é nossa. E mais: somos obrigados a financiar a propaganda governamental que nos diz em rede nacional que somos o “culpado” por tudo.

  4. Henrique Zucatelli

    Bem, a análise está 99% correta na minha opinião, só falta a fórmula de crescimento das grandes empresas. Prometo que não vou ser prolixo, rs:

    Ao passo que o aumento de produtividade lhe permite diminuir o tempo necessário para produzir um determinado produto, o tempo restante disponível não precisa ser necessariamente utilizado para lazer.

    Eu posso utilizar esse tempo livre para produzir ainda mais, e com esse resultado de aumento de riqueza posso aumentar ainda mais a produtividade, num ciclo que só esbarra logicamente na demanda e na valoração subjetiva do produto em questão.

    Logo:

    Poupança = Mais investimentos

    Mais investimentos = aumento de produtividade

    Aumento de produtividade = custos menores

    Custos menores = menores preços

    Menores preços = mais vendas

    Mais vendas = mais poupança

    Mais poupança = mais investimentos

    Mais investimentos = aumento de produtividade

    E começa tudo outra vez…

  5. Pensem que podia ser pior, olha nossos parentes do outro lado do oceano, como lidam com sua crise:

    economico.sapo.pt/noticias/angola-quer-limitar-importacoes-devido-a-crise-do-petroleo_240457.html

    Ainda há bastante espaço para o Brasil piorar, fiquem tranquilos.

  6. Tentar entender a esquerda é como tentar ensinar Lógica a um louco ou a um criminoso: não dá certo. O lugar de louco é no hospício, de onde ele nunca deve sair. O lugar do criminoso é na cadeia, que é o lugar correto dos integrantes da esquerda.

  7. Apesar do artigo falar sobre trabalho e bens de capital, eu gostaria que o IMB publicasse mais artigos de economias bem sucedidas.

    Falar de economista do PT, é a mesma coisa que falar de futebol de terceira divisão. É como se tivessemos discutindo uma partida futebol jogada pelos índios na arena Amazônia.

    Não dá para perder tempo com esses economistas socialistas de quinta categoria. Até os doutores da Unicamp e USP já foram refutados pelo IMB.

    Vamos falar de Chicago, Áustria, Cingapura, Ilhas Caimã, Suíça, Mônaco, etc.

    Precisamos esquecer um pouco essa economia de terceiro mundo a beira do abismo.

    Vamos estudar coisas boas e que tiveram sucesso. Esses desastres sistêmicos e repetitivos já estão esgotados.

    Como podemos perder tempo analisando uma economia que teve a segunda maior recessão do mundo ?

  8. "há um aparato regulatório que favorece os grandes empresários politicamente bem relacionados em detrimento de novos produtos, novas empresas e novas criações. Empresas recém-criadas que possam trazer algum risco à fatia de mercado das grandes empresas serão ou proibidas de entrar no mercado (por obra e graça das agências reguladoras) ou penalizadas de modo a se tornarem menos competitivas (por obra e graça da burocracia, da carga tributária e do complexo código tributário, que joga a favor das grandes empresas já estabelecidas)."

    Nem os defensores do capitalismo gostam dos grandes capitalistas.
    Defendem o mercado, mas criticam aqueles que têm quase a totalidade do… mercado.
    Esses grandes capitalistas têm qual porcentagem do mercado consumidor?
    Sei lá, a Britsh Oil? A Exxon?

  9. Muitos brasileiros, além de acreditar que o trabalho em si mesmo é um tipo de castigo e é necessariamente desagradável, aparentemente acreditam que ele tem um efeito purificador no trabalhador e deve ser feito da forma mais delongada e desagradável possível.

    Sinal disso é que alguns indivíduos ficam irritados quando um colega de faculdade ou de trabalho consegue realizar certa atividade de forma mais simples e rápida, obtendo resultados tão bons ou melhores; reagem como se ele estivesse trapaceando:

    “Todo mundo faz do mesmo jeito [mais difícil e menos produtivo], por que só você vai fazer diferente?”

    “Todo mundo gasta duas horas para fazer isso, por que só você vai fazer em meia hora?”

    Ou seja, em vez de tentar aprender com o colega e se tornarem mais produtivos, eles querem que o colega faça igual a eles e se torne menos produtivo.

    * * *

  10. Vocês vivem no mundo da lua…
    Seguindo a linha de raciocínio do liberalismo no nível que vcs pregam, meu pai estaria ferrado, por exemplo. Graças ao seu trabalho árduo de 16 horas por dia, conseguiu pagar escola e universidade para seus 3 filhos.
    Mas ele só tem uma pastelaria, né? Não agrega tanto valor a sociedade… não atinge esse nível de excelência que vocês exigem dos trabalhadores. Ele só fica 16 horas por dia alimentando e satisfazendo centenas, milhares de pessoas durante a sua existência… mas para vcs isso não é suficiente!
    Acham que todo ser humano é perfeito e pode agregar valor extraordinário a sociedade.
    São desumanos isso sim, pois no mundo real poucos podem alcançar esse nível.
    Vocês não enxergam que recompensando somente os diferenciados, desmotivam os “pobres mortais”??
    Meu pai morreria de fome se a sociedade fosse como vcs defendem e hoje eu e meus 2 irmãos estaríamos na sinaleira pedindo esmola.
    Acordem antes que seja tarde, pois se um dia o mundo experimentar o nível de liberalismo que vcs defendem com unhas e dentes, somente os mais iluminados serão recompensados e os demais serão de certa forma “escravizados”.
    Parem de assistir tanta TV, ler esse monte de baboseiras e vejam o mundo com outros olhos, ou seja, como ele realmente é!
    Abç

  11. Acredito que não seria uma serra elétrica, que precisa de uma tomada. Uma motosserra, que usa gasolina, deve ser mais útil neste caso. Cara chato, não?

  12. Pessoal, estou aprendendo muito com o IMB.
    Mas, fiquei com uma dúvida…
    Vamos imaginar um mundo altamente produtivo, onde as máquinas substituem quase que 100% os humanos…
    Vamos imaginar, que devido a isso, poucas pessoas estariam “empregadas”…
    Como as pessoas fariam para sobreviver? A produtividade seria tanta que teríamos alimentos gratuitos para todos? Ou as pessoas acabariam encontrando uma outra maneira de gerar valor e conseguir dinheiro para comprar os alimentos (que neste cenário estariam cada vez mais barato…)?
    Não sei se minha pergunta é absurda… Me desculpem, caso seja…

    Att.

  13. "Ou vc usa “capitalismo” para significar “capitalismo de livre mercado” ou vc usa “capitalismo” para significar “capitalismo de estado” (ou “crony capitalism”); o que não dá é usar “capitalismo” de forma indistinta, dentro do mesmo comentário, ora para significar uma coisa numa frase, outra para significar outra coisa, na frase seguinte, como vc fez em seus comentários."
    Não sei se o senhor sabe, mas Capitalism é capitalismo em inglês.

    "De toda sorte, vamos adiante: vc acha impossível ao mercado “compatibilizar os interesses de pessoas em situações opostas”, então vc acha possível ao estado “compatibilizar os interesses de pessoas em situações opostas”."
    tais
    Ou bem o Mercado pode compatibilizar os interesses opostos, ou o Estado, ou… minha opinião… tais opostos são incompatíveis. O nome da falácia lógica que vc utilizou é "oposição simplificada", do tipo Se voce não é Palmeirense, é Corinthiano" Leia o Organon do Aristóteles.

    "Então, conforme suas palavras, vc propugna “uma relação sempre imperfeita, mas constantemente reformulada, entre Estado e mercado”, do que se conclui que vc defende um arranjo de “conluio entre Estado e empresas privadas”."

    Essa é a ideia de Karl Popper, um liberal que tem no Estado um mal necessário. Sempre que possível o Estado, em sua opinião, deve ser diminuído. Porém, em diversas ocasiões, o Estado seria necessário para equilibrar a correlação de forças entre setores.
    Ele é contra a ideia de que o Estado deve ser resumido a violência institucionalizada (Segurança Pública), mas que deve regular sempre que necessário, como última opção.

    Sou contra essa ideia pelo motivo de que sempre que há propriedade privada em interesse público, o interesse privado se sobressai.

    "Se vc me disser algo como “não, eu não defendo conluio entre Estado e empresas”, então vc precisa explicar como que da defesa da “relação entre Estado e mercado” (ou defesa da compatibilização, pelo estado, de “interesses contrapostos”) não resulta defesa do “conluio entre Estado e empresas privadas”.
    Ou por outra: vc precisa explicar como que uma coisa (interferência estatal no mercado) não leva à outra (conluio entre estado e empresas). "

    O escândalo do Petrolão, por exemplo, é exatamente empresas privadas usando o aparelho público para garantir os privilégios do roubo. O interesse nesse escândalo é privado, da Odebrecht, Camargo Correia, empresas do Lula, sempre o interesse individual de empresas privadas. O problema é que a interferência estatal no mercado é também a interferência dos interesses privados nos interesses públicos. Todos os escândalos de corrupção tem uma coisa em comum, interesse privado. Empresas privadas como grande beneficiária. Se a OAS pagou ao Lula aqueles milhões, tenha certeza que embolsou, no mínimo, o dobro. A corrupção entra no balanço real de qualquer grande empresa. Mas todo esse jogo é de interesses privados, não Estatais ou públicos.

    SObre a teoria econômica, vc assume que quem não concorda com a escola austríaca não entende nada de economia. Bem, os neoclássicos assumem o valor trabalho e ainda são influentes n meio econômico. A teoria austríaca, que tinha morrido, ganhou alguma sobrevida com Milton Friedman que, sendo colega de Carnap do círculo de Viena, compreendia a economia não como valor explicativo do mundo real, mas preditivo e pragmático. McLuhan questionou a própria possibilidade de predição, demonstrando estudos estatísticos que revelaram que nenhuma escola se sobressai nesse quesito. A retrodição, porém, não tem valor pragmático por motivos óbvios e nesse caso, todas as escolas, seja neoclássica, keynesiana, ortodoxa (Chicago), ou neoliberal (os seguidores de Friedman), acertam sempre.

    Sobre outro assunto, como ilustração, eu creio que a interpretação corpuscular dos fenômenos quânticos (Ballentine) é mais interessante para a explicação dos fatos, porém não digo que um ortodoxo instrumentalista (interpretação de Copenhague) não sabe nada mecânica quântica por discordar da solução corpuscular dos problemas da física quântica. Essa é a diferença entre um racionalista e um religioso, um racionalista considera a possibilidade do erro, o religioso desconsidera qualquer heresia.

Rolar para cima