
Recentemente, o Independent Institute publicou uma nova coletânea de ensaios sobre economistas relativamente desconhecidos. Tanto profissionais quanto leigos certamente descobrirão que um dos prazeres de ler Unsung Heroes of the Market: The 24 Underrated Economists You Need to Know [Heróis Esquecidos do Mercado: 24 Economistas Subestimados que Você Precisa Conhecer, em tradução livre] está em perceber quantos pensadores importantes moldaram silenciosamente a economia moderna sem jamais se tornarem nomes conhecidos. O volume percorre amplamente diversas tradições e escolas de pensamento, e nem toda inclusão convencerá igualmente os leitores da Escola Austríaca, mas a coletânea tem êxito em sua tentativa de chamar atenção para acadêmicos frequentemente negligenciados.
Para os austríacos, no entanto, um capítulo se destaca dos demais: o excelente tratamento que Rosolino Candela dá a Israel M. Kirzner.
É difícil superestimar a importância de Kirzner para a economia austríaca moderna. Pois Kirzner forneceu aquele que talvez seja o relato mais influente da escola sobre o empreendedorismo.
O capítulo de Candela serve tanto como introdução quanto como homenagem. Em vez de apresentar Kirzner simplesmente como um aluno de Mises, Candela demonstra, por exemplo, como Kirzner desenvolveu percepções implícitas na obra de Mises numa teoria distintiva de coordenação de mercado. Como explica Candela, a preocupação central de Kirzner era entender como os mercados avançam rumo à coordenação apesar da ignorância e da incerteza generalizadas. Os modelos econômicos convencionais frequentemente começam pressupondo que os indivíduos já possuem a informação necessária para tomar decisões ótimas. Kirzner, em vez disso, perguntava como tal informação chega a ser descoberta em primeiro lugar. A resposta, para Kirzner, era o empreendedorismo.
Diferentemente do empreendedor de Joseph Schumpeter, cujo papel é primordialmente de inovação e destruição criativa, o empreendedor de Kirzner está atento a oportunidades antes despercebidas. O lucro empreendedor emerge não apenas de avanços tecnológicos, mas da descoberta de discrepâncias entre as condições existentes e oportunidades antes não realizadas de troca mutuamente benéfica. O empreendedor percebe o que os outros deixaram passar e, ao fazê-lo, ajuda a coordenar a atividade econômica.
Essa percepção é enganosa em sua simplicidade, mas suas implicações são profundas. O empreendedor de Kirzner não é meramente mais um fator de produção. O empreendedorismo é um processo de descoberta por meio do qual os mercados geram e comunicam conhecimento que nenhum planejador central poderia possuir de antemão. Preços, lucros e prejuízos não são meras categorias contábeis; são sinais que orientam a ação empreendedora e coordenam planos por toda a sociedade.
Leitores familiarizados com a obra de Ludwig von Mises reconhecerão imediatamente a conexão. Mises há muito enfatizava a incerteza da ação humana e o papel indispensável do empreendedorismo numa economia de mercado. Mais recentemente, acadêmicos como Peter Klein e Per Bylund expandiram esses temas, enfatizando o papel do empreendedor em criar novas vias de produção e identificar oportunidades que antes não existiam. Kirzner ocupa uma posição crucial nessa linhagem intelectual, explicando como a descoberta empreendedora transforma conhecimento disperso em resultados de mercado coordenados.
Leitores iniciados na Escola Austríaca perceberão que Candela é particularmente eficaz em destacar como a obra de Kirzner desafia a fixação da economia mainstream no equilíbrio. Com demasiada frequência, os economistas avaliam os mercados em comparação com o parâmetro da concorrência perfeita e então concluem que desvios desse ideal justificam a intervenção. Kirzner virou esse arcabouço de cabeça para baixo. As imperfeições de mercado não são necessariamente evidência de falha. Elas são frequentemente as próprias condições que criam oportunidades para a descoberta empreendedora. Como observa Candela, as oportunidades de lucro emergem justamente porque o conhecimento é imperfeito e disperso. Se toda a informação já fosse conhecida, não haveria papel algum para o empreendedorismo.
Essa percepção também carrega importantes implicações de política. Uma das partes mais valiosas do capítulo é a discussão de Candela sobre a influência de Kirzner nos debates em torno da regulação e da política antitruste. Se a descoberta empreendedora é o mecanismo por meio do qual os mercados corrigem erros, então intervenções governamentais destinadas a corrigir imperfeições percebidas de mercado podem, inadvertidamente, suprimir o próprio processo por meio do qual a coordenação ocorre. Isso não implica que todo resultado de mercado seja ótimo. Sugere, contudo, que os formuladores de políticas deveriam conter-se, exercendo aquela mais rara das virtudes, a humildade, antes de considerar interferir em processos que compreendem apenas parcialmente.
O capítulo também lembra aos leitores que as contribuições de Kirzner se estendem para além do empreendedorismo concebido de forma restrita. Candela mostra como a obra de Kirzner se cruza com debates sobre justiça distributiva, poder de mercado e a própria natureza da concorrência. Em cada caso, o foco de Kirzner na descoberta, na coordenação e na ação humana oferece uma alternativa aos modelos estáticos que dominam grande parte da economia moderna.
Apesar de todas as suas inclusões louváveis, como a do colega austríaco Don Lavoie, nem todo capítulo de Unsung Heroes of the Market é igualmente atraente para leitores austríacos. A inclusão de teóricos da escolha pública, como Robert Tollison, é fácil de defender, enquanto o tratamento de figuras como Veblen ou Hamilton provavelmente parecerá, para muitos leitores de mentalidade semelhante à do autor, francamente indigno. Contudo, para os interessados, a diversidade faz parte do valor do volume. Além de conhecer economistas menos famosos, ela estimula o engajamento crítico com um espectro amplo de tradições econômicas.
E, para os austríacos, o capítulo de Candela sobre Kirzner é provavelmente razão suficiente para pegar o livro. Numa época em que a economia enfatiza cada vez mais o formalismo matemático e a técnica econométrica, a obra de Kirzner serve como lembrete de que os mercados são, em última análise, movidos pela ação humana, pela criatividade e pela descoberta. Os empreendedores não meramente alocam recursos; eles descobrem oportunidades que os outros deixaram de enxergar. Ao explicar esse processo, Kirzner ajudou a restaurar um elemento crucial da economia que havia em grande parte desaparecido da literatura mainstream.
O capítulo é, portanto, mais do que uma homenagem a um único economista. É um lembrete de por que a economia austríaca permanece relevante. Os mercados não são estados de equilíbrio a serem projetados por engenharia. São processos contínuos de descoberta. Quaisquer que sejam as objeções que se possa ter, poucos economistas fizeram mais para iluminar essa verdade do que Israel Kirzner.
Este artigo foi originalmente publicado no Mises Institute.


