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Ao contrário do que tenta mostrar “Jornada nas Estrelas”, sempre haverá escassez

Com o sucesso de alguns recém-lançados
filmes de ficção científica, como “Perdido em Marte” e
Interstellar“, além de novas encarnações de “Jornada nas Estrelas
e “Guerra nas Estrelas“, não se pode negar que o ser humano anseia
as novidades do futuro e exercita a imaginação sobre o que a tecnologia
avançada pode realizar.

Muitos olham para o
exemplo destes mundos fictícios como uma indicação de como a vida futura poderá
ser quando a tecnologia se tornar capaz de prover soluções para resolver todas
as nossas necessidades básicas — uma condição que alguns chamam de
“pós-escassez”.

Normalmente, as pessoas
que anseiam por esse futuro são as mesmas que exortam o governo a fazer
intervenções para garantir que cada indivíduo ganhe um “salário
digno” sempre que robôs e a automação passam a dominar toda uma linha de
produção. São as mesmas que dizem que as condições da “pós-escassez” irão
solapar completamente as economias e até mesmo a própria ciência econômica.

No entanto, a escassez jamais
poderá ser eliminada, pois as nossas infinitas e insaciáveis necessidades
humanas sempre superarão os finitos meios disponíveis neste finito universo. A
escassez existe até mesmo nos seriados e filmes que supostamente representam
mundos sem escassez.

Um perfeito exemplo do
que se seria a “pós-escassez” e seu contraste com o conceito de
escassez nos dias de hoje é apresentado na série “Jornada nas Estrelas: A Nova Geração”[1].

No último episódio da
primeira temporada, a nave Enterprise[2]
se depara com uma “antiga” nave espacial flutuando pelo espaço. O tenente-comandante
Data e o Oficial de Segurança Worf encontram três seres humanos da Terra,
congelados em câmaras criogênicas há 400 anos, o que fornece à tripulação do
século XXIV a oportunidade de interagir com pessoas da época dos
telespectadores.

Um desses seres humanos
do final do século XX, Ralph Offenhouse, estava preocupado em readquirir o
controle sobre aquilo que ele esperava ser uma gigantesca fortuna: uma carteira
de ações da bolsa de valores, a qual teria então 400 anos de idade. Com efeito,
uma das primeiras coisas que ele pediu depois de ser descongelado e
ressuscitado foi uma cópia do The Wall Street Journal.

O Capitão Picard[3] informou-lhe, então, que
“Muito mudou nos últimos 300 anos. As pessoas não são mais obcecadas com a
acumulação de “coisas”. Nós eliminamos a fome, o desejo e a necessidade de
posses. Nós trabalhamos para melhorar a nós mesmos e ao resto da Humanidade.
Crescemos e saímos da nossa infância”.

A série apresenta uma
abordagem marxista de como os humanos passaram a ser capazes de navegar através
do espaço com replicadores de alimentos, aparelhos que emitem raios, e diversos
tipos de tecnologia que tornariam até mesmo a nossa atual busca por recursos
escassos uma mera curiosidade.

Durante os séculos que separam
a tripulação da Enterprise e seus visitantes congelados na cápsula do
tempo, a tecnologia mudou de tal forma, que passou a fornecer meios abundantes para
as necessidades materiais das pessoas. Consequentemente, a sociedade humana suplantou
o capitalismo e o comércio e entrou para a fase do socialismo, como Karl Marx havia
previsto em sua teoria da história.

A economia presente no
universo de Jornada nas Estrelas é o tema de um livro a ser publicado por Manu Saadia, intitulado “Trekonomics”. Saadia propõe que devemos levar o gênero
sci-fi a sério e nos preparar para a era da “pós-escassez”.

Segundo o autor:

Uma boa ficção científica, como Jornada
nas Estrelas, pode ser muito divertida. Mas é, ao mesmo tempo, algo muito
sério. Seu objetivo central é explorar as mudanças que estão à nossa frente. Quais
são as consequências econômicas, sociais e até mesmo psicológicas das mudanças
tecnológicas? O que vai acontecer aos seres humanos em um mundo que funciona com
autômatos?

Noah Smith faz um prognóstico similar:

O surgimento de novas tecnologias
significa que todas as questões econômicas irão mudar. Em vez de termos um
mundo definido pela escassez, viveremos em um mundo moldado aos nossos desejos.
Seremos capazes de decidir o tipo de pessoas que queremos ser e o tipo de vida
que queremos viver, em vez de o mundo decidir isso por nós. A utopia de Jornada
nas Estrelas nos libertará dos grilhões desta “ciência lúgubre”, que é a
economia.

Ambos argumentam que os mercados
e o comércio se tornariam desnecessários tão logo alcançássemos as supostas
condições de “pós-escassez”. O próprio estudo da ciência econômica será uma
coisa do passado, assim como videocassetes e toca-fitas.

A escassez é fundamental no universo.

No entanto, e infelizmente
para todos nós, a escassez sempre continuará a existir. E a única maneira de
maximizar a satisfação do ser humano que vive em meio a um conjunto limitado de
recursos é por meio de mercados livres: propriedade privada e o livre sistema
de preços. A escassez é um fato fundamental de nosso universo — estamos
irrevogavelmente vinculados a ela pelas leis da física e pela lógica.

Mesmo no mundo imaginário
de Jornada nas Estrelas, não apenas escassez ainda está presente, como também
a propriedade privada (ou auto-propriedade) é uma constante. No mesmo episódio
citado acima, o Capitão Picard e a tripulação têm um tenso confronto com os
Romulanos[4], que invadiram o espaço da
Federação[5]. Ambos os lados estavam
investigando a destruição de alguns dos seus postos avançados na chamada
“Zona Neutra”[6]. Neste caso, vemos que o
espaço não apenas não é a fronteira final, como também, aparentemente, possui
fatias que são propriedade de alguém. No episódio, vemos que tanto os
postos avançados dos romulanos como os da Federação também são escassos e também
são propriedade.

Outro exemplo ocorre quando
Ralph Offenhouse estava vagando pela ponte principal da Enterprise
durante este confronto com os romulanos.  O capitão Picard ordena aos agentes de
segurança: “Tirem esse cara da minha ponte!”

Ou seja, não podemos conceber
nem sequer um universo fictício sem escassez. Não é possível haver tempo,
espaço, ou qualquer coisa que tenha capacidades ilimitadas de satisfazer nossos
desejos. Tal universo seria eterno, atemporal, abstrato e com a capacidade de
agradar e satisfazer a todos. É difícil imaginar um programa de TV com base em
tal universo, simplesmente porque não haveria conflitos para os personagens terem
de superar.

O que Manu Saadia e Noah
Smith querem dizer com “pós-escassez”, portanto, é apenas que algumas
coisas
serão mais abundantes do que antes. Mas esta perspectiva não
significa o fim da economia e da ciência econômica, pois mesmo hoje vários bens
são mais abundantes do que eram no passado.

Não importa o que aconteça,
os indivíduos ainda terão de continuar fazendo escolhas sobre como utilizar de
maneira mais eficiente os recursos escassos. Podemos, no máximo, fazer as
coisas ficarem relativamente menos escassas, mas nunca poderemos revogar a
escassez como condição fundamental de nosso universo.

Vencer a “subsistência” não é o mesmo que vencer a
“escassez”.

Suponha que todas as
famílias do mundo tenham todas as suas necessidades biológicas abundantemente
satisfeitas. A comida é fornecida por replicadores, como aqueles que existem na
Enterprise. Todo mundo tem a quantidade exata de abrigo de que
necessitam. Super-medicamentos e todos os serviços de saúde são prontamente
fornecidos com o toque de um botão em sua própria casa.

O que isso significa?  Significa apenas que as pessoas poderiam
perseguir outros objetivos que não a mera sobrevivência; objetivos como a arte,
o entretenimento, a aprendizagem ou o simples relaxamento. Nossa demanda por
bens e serviços não acaba tão logo ultrapassamos o nível mínimo do consumo voltado
exclusivamente para a subsistência. Isto é o óbvio ululante para qualquer um
com os meios para ler este artigo.

No que mais, é
perfeitamente possível haver demanda por alimentos e outros bens especificamente
feitos por mãos humanas, mesmo que os robôs ou replicadores possam fazer algo
idêntico ou mais preciso e a um custo menor. Vemos isso hoje e estamos longe do
mundo de Jornada nas Estrelas.

Há ocasiões em que
gostamos de saber que alguma coisa foi feita de uma determinada maneira, e isso
se traduz em uma demanda por bens quem têm um processo de produção peculiar, geralmente
intensivo em trabalho. Feiras de artesanato são muito comuns, mesmo quando
muitos dos itens oferecidos em tais feiras são produzidos maciçamente em outros
lugares.

Já ao final do episódio
citado, quando Ralph Offenhouse está em uma crise existencial, ele pergunta ao
capitão Picard qual o propósito da vida no século XXIV, já que não é
“acumular riqueza”:

Capitão Jean-Luc Picard: Necessidades
materiais não existem mais.

Ralph Offenhouse: Então qual é o
desafio?

Capitão Jean-Luc Picard: O desafio, Sr.
Offenhouse, é melhorar a si mesmo. Para enriquecer a si mesmo. Aproveite.

O que Picard não percebeu
é que melhorar e enriquecer a si mesmo — ou a própria missão da Enterprise: “explorar
novos mundos, pesquisar novas vidas e novas civilizações, audaciosamente ir aonde
nenhum homem jamais esteve” — envolve o uso de recursos materiais
escassos, tais como naves espaciais, tripulações, planetas a serem explorados,
comunicadores, máquinas de teletransporte, phasers, dobra espacial etc.

Picard também não
percebeu o quão rico ele é. Riqueza é a capacidade de satisfazer as
necessidades, e seu posto na Enterprise faz dele um humano imensamente
rico, com  todos os replicadores, o holodeck
(simulador de ambiente) e o acesso instantâneo a cuidados médicos de primeira
categoria. Para alguém que rejeita a acumulação de riqueza, ele próprio acumulou
uma grande quantidade dela.

Embora as necessidades
biológicas possam ser abundantemente satisfeitas, os desejos humanos superam o número
de estrelas. Sendo assim, a escassez é inevitável da mesma maneira que a
gravidade é inevitável.  Assim como também
inevitável é o “fluxo contínuo do tempo”, nas palavras de Mises.

O nosso objetivo é a alocação
ótima desses recursos escassos, e apenas com mercados livres poderemos
“assim fazê-lo”[7].

 

Tradução de Pedro
Borges Griese


[1] Original: Star Trek: The Next Generation

[2] N.T.: Famosa nave espacial de Jornada nas Estrelas. Na série “A Nova
Geração” o capitão Picard e sua tripulação viajam pela galáxia a bordo da
Enterprise NCC-1701-D.

[3] N.T.: Jean-Luc Picard é o capitão da nave estelar Enterprise
e um dos protagonistas da série.

[4] N.T.: Espécie
alienígena do universo de Jornada nas Estrelas. São um império galáctico,
expansionista, cuja estrutura social se assemelha do Império Romano. Um dos
principais rivais espaciais da Federação de Planetas Unidos.

[5] N.T.: A Federação
dos Planetas Unidos, na maioria das vezes chamada simplesmente de
“Federação”, é um corpo governamental ficcional. Nas séries e filmes,
a Federação é descrita como um Estado federal interestelar que abriga mais de
150 plantas-membros. Uma espécie de ONU da galáxia, cujo planeta Terra é um dos
principais, sendo os humanos uma das principais raças.

[6] N.T.: No
universo ficcional de Jornada nas Estrelas, antes do século XXIV, os romulanos
e a Federação entraram em uma imensa guerra espacial. Com a extensão da guerra
causando enormes perdas para ambos os lados, um armistício foi negociado
cessando as agressões. Estabeleceu-se uma “área espacial” entre as “fronteiras”
destes dois estados, onde nenhuma nave, de nenhum lado, poderia avançar. Caso
contrário, seria uma violação ao tratado e considerado ato de guerra. Isso
resultou em um período de relativa paz, uma espécie de guerra fria. A área
entre os estados ganhou o nome de Zona Neutra.

[7] N.T.: Do original “make it so”. Frase
de comando muito utilizada pelo Capitão Picard.

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70 comentários em “Ao contrário do que tenta mostrar “Jornada nas Estrelas”, sempre haverá escassez”

  1. Para quê tanta contestação da realidade pelo marxismo? Para mudar o mundo e então “pela manhã ordenhar vacas, a tarde cuidar de jardins e a noite fazer poesia”.

    Vão se lascar!

  2. Eu lembro deste capitulo do Jornada nas Estrelas, assisti quando tinha cerca de 10 anos de idade.

    Já naquela época eu percebi que havia alguma furada na lógica da “economia” do futuro…

  3. Na mídia de hoje a visão de mundo socialista está incrustrada em tudo, algumas vezes isso é mais evidente como nesse Star trek, outras é mais sutil, como no batman do christopher nolan.
    Hollywood é esquerdista até a alma.É triste ver tanta gente, até entre os libertários, que não se dá conta disso.

  4. Sobrou até para Jornada nas Estrelas.
    Neste episódio o Capitalista se deu mal. Para quem assistiu talvez tenha sentido uma certa solidão. O músico era mais adequado ao que o Picard pregava.
    Uma pergunta que sempre me fiz era qual o sistema vigente neste mundo. Não havia muita explicação. E mesmo que houvesse seria alguma particula nova que solucionaria o problema da escassez!

    Ontem assisti ao Expresso do Amanhã. Realidade bem oposta.

  5. E se for como o filme Vanilla Sky ou matrix? Não é necessariamente mudar o mundo no âmbito físico, mas haver tecnologia o bastante, para criar um mundo aparte para cada um,
    mais ou menos como algo controlado por computador, dentro da mente de um usuário.

    o mundo poderia ser programado para ser como no socialismo, sem escassez, sem dor, sem sofrimento, e conectar essas mentes via internet criando uma realidade perfeita.

  6. Sobre Guerra nas Estrelas é um belo exemplo de como o Estado pode "virar a casaca" de um dia para o outro e virar uma ditadura sanguinária, e o Império é tudo aquilo que os ditadores da vida real sempre quiseram. Dentro do universo expandido da franquia existem várias estórias mostrando que as pessoas tem que lutar contra a opressão estatal com certa frequencia. Mas não dá pra pegar um episódio dos mais de 600 de ST e dizer que "Ao contrário do que tenta mostrar "Jornada nas Estrelas", sempre haverá escassez" – por exemplo, cristais de dilithium tem vida útil, isso é mostrado em vários episódios.

    “Muito mudou nos últimos 300 anos. As pessoas não são mais obcecadas com a acumulação de “coisas”. Nós eliminamos a fome, o desejo e a necessidade de posses. Nós trabalhamos para melhorar a nós mesmos e ao resto da Humanidade. Crescemos e saímos da nossa infância”
    Na minha opinião, quando um personagem afirma que as pessoas não estão mais obcecadas com a acumulação de ‘coisas’ no século XXIV, não há uma abordagem marxista, comunismo, etc. Obtemos aqui apenas a informação de que as pessoas não são mais obstinadas por adquirir objetos, isso não quer dizer que não haja mais o desejo pela acumulação de bens, ou a ambição de se tornar Capitão de uma nave espacial. O que entendo de ST é que, ao invés de levar bens para o túmulo, as pessoas preferem viver uma vida plena e cheia de realizações, com trabalho duro e reconhecimento pelo que fez, e não pelo que acumulou. Na Frota Estelar, por exemplo, a meritocracia é manifesta. Penso que é uma questão de escolha, uma perda de valor para itens hoje considerados valiosos: pra que é que vou ter uma casa cheia de talheres de prata, joias, etc, se posso conhecer a galáxia? Qual é a utilidade de se ter itens como esses dentro de um universo em que você pode experimentar coisas absurdamente novas e fantásticas a cada dia? Lembrando que mesmo em um ambiente limitado os personagens tinham seus itens pessoais, e que a Terra nunca foi mostrada de forma plena.

    "A série apresenta uma abordagem marxista de como os humanos passaram a ser capazes de navegar através do espaço com replicadores de alimentos, aparelhos que emitem raios, e diversos tipos de tecnologia que tornariam até mesmo a nossa atual busca por recursos escassos uma mera curiosidade."
    Substâncias complexas não podem ser replicadas. E são diversos os exemplos de colônias de mineração, ajuda humanitária, etc. O universo de ST não é essa maravilha toda não.

    "Consequentemente, a sociedade humana suplantou o capitalismo e o comércio e entrou para a fase do socialismo, como Karl Marx havia previsto em sua teoria da história."
    Não há um único episódio em que isso é falado. O máximo são alusões ao que aconteceu, como o fim da televisão ou do dinheiro (no século XXII). Não há uma única e simples menção sobre como relamente funciona a economia dos séculos XXIII e XXIV. Em Deep Space Nine, há personagens que possuem Latinum, uma espécie de ouro da época; o irmão do Capitão Picard tem uma vinícola; o pai do Capitão Sisko tem um restaurante. Alguns exemplos:
    – When preparing to fight the Klingons on Organia in 2267, Kirk said “Well, the Federation has spent a lot of money on our training…” (TOS: “Errand of Mercy”). Mas em outras passagens o próprio Kirk diz que no século XXIII não existia dinheiro.
    – In 2267, Cyrano Jones, after giving her one for free, told Lieutenant Nyota Uhura that “a tribble is the only love that money can buy.” (TOS: “The Trouble with Tribbles”)
    – In 2285, Leonard McCoy wanted to pay a smuggler to transport him to the Genesis Planet. (Star Trek III: The Search for Spock)
    – In 2364, Beverly Crusher bought a roll of cloth and had her account on the USS Enterprise-D billed. (TNG: “Encounter at Farpoint”)
    – Four Starfleet starships rally at a planet called Dytallix B, which is said to be owned by the Dytallix Mining Corporation. Dytallix is apparently in Federation space (TNG: “Conspiracy”).
    – The Federation bids a sum of 1,500,000 Federation credits for the Barzan Wormhole (TNG: “The Price”, offer depicted in STTNG: The Continuing Mission).
    – It becomes obvious that Dr. Apgar’s reason for developing the Krieger wave generator was to sell it to the highest bidder (TNG: “A Matter of Perspective”).
    – Federation officers have to and are able to pay for drinks and for holosuite usage in Quark’s bar (DS9).
    – Yanas Tigan owns a mining company on New Sydney. Although the planet may not be under Federation jurisdiction, Trill is clearly supposed to be a Federation member (DS9: “Prodigal Daughter”).

    Prefiro muito mais essa abordagem: Even if the Federation economy somehow managed to go without a currency, an equivalent would be needed to trade goods with other civilizations. It is possible that the Federation credit is not much different than gold-pressed latinum in this field.
    We cannot and we should not compare the economy of the Federation to 20th century communism, even if there are certain parallels in the ultimate goals (that were never close to be reached in any implementation of communism). Communism was an ideology to liberate exploited workers by expropriating the capital owners in an act of revolution. Quite contrary to that, the Federation economy may have developed in a slow process, owing to a tendency in which money became unable to keep up productivity any longer. The reasons may be twofold. Firstly, it is already visible now that Western industrial (secondary) societies are turning into service (tertiary) economies and ultimately into financial (quaternary) economies. Automation has largely replaced human power. Hardly anyone is still “productive”, in a way that his workforce would be needed to produce new values. The quaternary economy we are facing would just shift around assets, which would gradually lose its equivalent in the form of industrial goods. Secondly, the availability of plenty of energy may give the death blow to the idea of money as a driving force. There is clearly no money equivalent to something ubiquitous.

  7. E para se criar toda essas maravilhas tecnológicas? Não iriam gastas mais e mais recursos? Nínguém ainda inventou um jeito de se criar metal do nada? Isso é muita doideira. Tentam prever algo baseado em ficção científica! Vamos ficar só com os filmes mesmo! E Eu acho que vamos presenciar muita falta de alimentos e catástrofes nesse mundo. O ser humano tem é muito que evoluir ainda. Mais uns 10.000 anos, quem sabe?

  8. Concordo com a crítica ao Star Trek, mas é exagero dizer que a escassez jamais será superada pela tecnologia. Talvez seja impossível em sua totalidade abolir a escassez, mas, pra citar um exemplo, a internet acaba com a escassez de músicas (mp3), filmes e séries (mp4 e outros), e imagens de uma maneira completa. Algo que só não é totalmente aproveitado por causa de leis de copyrights que são primitivas e irracionais.

    Os transhumanistas falam de possíveis tecnologias e tempos de total abundância de energia elétrica, tecnologias como Esfera de Dyson, Nanomontadores, Névoa Útil, e Materiais Programáveis.

    Enfim, é difícil saber o que vai surgir na tecnologia do futuro. Pode surgir coisas que “pegam” átomos e transformam em outros tipos de átomos.

    Uma boa lista lista muito discutida de tecnologias emergentes: https://en.wikipedia.org/wiki/List_of_emerging_technologies

  9. ‘According to his wife Magel Barrett, his last wife, Gene's political leaning was communist. She said at a local convention that the Chinese model of communism was his ideal.’

    979litefm.com/ten-things-you-didnt-know-star-trek-creator-gene-roddenberry/

  10. No recente livro “Sapiens: uma Breve História da Humanidade”, que tornou-se um best-seller mundial, o professor israelense Yuval Harari descreve a evolução humana de um ponto de vista biológico. Ao final do livro, Harari apresenta um inquietante questionamento: a humanidade está no limiar de superar seus limites biológicos, através de drogas para alteração do comportamento e do metabolismo, da interação da mente com o mundo cibernético e a realidade virtual, do controle de doenças pela nanotecnologia, do intenso aumento da longevidade, e de forma ainda mais imprevista pela manipulação genética.
    Harari comenta que nossas obras de ficção científica apresentam os seres humanos no futuro praticamente iguais a nós mesmos, com as mesmas demandas e reações, e a mesma forma física. Mas há uma grande probabilidade de que a espécie humana seja totalmente transformada, física e mentalmente, pelas novas tecnologias. Seria o fim do Homo sapiens como conhecemos.
    Harari termina seu livro com um pequeno capítulo intitulado "O animal que se tornou um deus", concluindo com uma advertência: "Existe algo mais perigoso do que deuses insatisfeitos e irresponsáveis que não sabem o que querem?"

  11. Falam tanto do poder estatal mas só ele é capaz de garantir que os livres mercados funcionem. Sem o poder estatal quem pode aplicar sanções àqueles que transgridem as normas sociais, ou que cometem crimes econômicos?

  12. Eu sempre fui fã de Jornada nas Estrelas, bem como dos livros de Isaac Asimov e Arthur C. Clarke, principalmente pela visão utópica e otimista da humanidade, mas depois que conheci Robert A. Heinlein, percebi que este escritor conhecia muito melhor a natureza humana em relação aos outros.

    Para a minha felicidade, achei este artigo em inglês do Instituto Mises, que de certa forma, confirmou as minhas suspeitas:
    https://mises.org/library/was-robert-heinlein-libertarian

    Segue abaixo alguns trechos bem interessantes do livro “Amor Sem Limites” e corroboram este artigo.

    “Ira, eu não sabia do que ele estava falando. Isso foi em janeiro de 1930. Essa data significa alguma coisa para você?”
    — Receio que não, Lazarus. Apesar de muito estudo da história das Famílias, tenho que converter aquelas datas antigas em padrão galáctico a fim de senti-las.
    — Não sei se isso seria mencionado nos registros das Famílias, Ira. O país… Bem, todo o planeta havia acabado de dar um mergulho numa flutuação econômica. Chamavam-nas de “depressões”. Não havia nenhum emprego disponível… pelo menos não para um jovem sabichão que não sabia nada de útil. Vovô compreendia isso, porque passara por várias dessas fases. Mas não eu. Eu estava certo de que podia agarrar o mundo pela cauda e pendurá-lo em cima do meu ombro. O que eu não sabia era que engenheiros formados estavam aceitando empregos de porteiro e advogados estavam conduzindo carroças de leite. E ex-milionários estavam pulando das janelas. Mas eu estava ocupado demais, indo atrás das moças, para perceber.
    — Sênior, li sobre as depressões econômicas. Mas nunca compreendi o que as causava.
    Lazarus Long começou a rir.
    — E, apesar disso, você é responsável por todo um planeta.
    — Talvez não devesse ser — admiti.
    — Não.seja tão humilde! Vou contar-lhe um segredo: naquele tempo, ninguém sabia o que as causava. Até a Fundação Howard poderia ter falido se Ira Howard não tivesse deixado firmes instruções sobre como o fundo devia ser administrado. Por outro lado, todo mundo, até os varredores de rua e os professores de economia, estava certo de que conhecia tanto as causas como as curas. Assim, quase todos os remédios foram tentados… e nenhum funcionou. Essa depressão continuou até o país tropeçar numa guerra… que não curou o que estava errado, simplesmente mascarou os sintomas com uma febre alta.
    — Bem… o que estava errado, vovô? — insisti.
    — Será que pareço bastante esperto para responder a isso, Ira? Fiquei muitas vezes sem nada. Algumas por motivos financeiros, outras por abandonar minha bagagem para salvar a pele. Hum… Diabos me levem se eu der alguma explicação rebuscada, mas… O que acontece quando você controla uma máquina por realimentação positiva?
    Fiquei espantado.
    — Não tenho certeza de havê-lo compreendido, Lazarus. Não se controla uma máquina por realimentação positiva… pelo menos não consigo lembrar-me de nenhum caso. A realimentação positiva faria com que qualquer sistema ficasse fora de controle.
    — Vá para a frente da classe, Ira. Desconfio dos argumentos por analogia… mas, pelo que vi durante os séculos, parece não haver nada que um governo possa fazer com uma economia que não atue como realimentação positiva, ou como um freio. Ou ambos. Talvez algum dia, em alguma parte, alguém esperto como Andy Libby imagine uma maneira de consertar a Lei da Oferta e da Procura para fazê-la funcionar melhor, em vez de deixá-la seguir seu próprio caminho cruel. Talvez. Mas nunca vi isso. Embora Deus saiba que todo mundo tentou. Sempre com as melhores intenções.
    “As boas intenções não substituem o conhecimento de como uma serra circular funciona, Ira; os piores criminosos da história estavam carregados de boas intenções. Mas você me desviou do assunto, levando-me a fazer um discurso quando eu estava lhe contando como terminei não me casando.

    Abençoado não estaria na minha rota senão por motivos comerciais. O comércio interestelar é limitado economicamente ao básico. Não se pode ganhar dinheiro ganhando dinheiro, porque o dinheiro não é dinheiro a não ser em seu planeta de emissão. A maior parte do dinheiro é papel-moeda de curso forçado; toda carga de papel-moeda de uma nave é papel sujo em outra parte. O crédito bancário vale ainda menos; as distâncias galácticas são grandes demais. Mesmo o dinheiro que tilinta deve ser considerado como mercadoria — não dinheiro —, ou você se enganará a si mesmo até à fome.
    Isto dá ao comerciante do céu uma compreensão de economia raramente conseguida por banqueiros ou professores. Ele está engajado nas trocas, e nada de bobagens. Paga os impostos que não pode sonegar e não se importa se eles são chamados de “imposto de consumo”, “dízimo do rei”, “extorsão” ou subornos diretos. É o bastão, a bola e o quintal do outro garoto; portanto, joga-se pelas regras dele — nada por que suar. O respeito às leis é uma questão pragmática. As mulheres sabem disto instintivamente; é por isso que todas elas são contrabandistas. Os homens muitas vezes acreditam — ou fingem acreditar — que a “Lei” é alguma coisa sagrada, ou pelo menos uma ciência — presunção essa sem fundamento, muito conveniente para os governos.
    Fiz pouco contrabando; é arriscado, e a gente pode terminar com dinheiro que não se atreve a gastar onde ele é moeda legal. Simplesmente tentei evitar os lugares onde a extorsão era alta demais.
    Pela lei da oferta e da procura uma coisa tem valor tanto por onde está como pelo que é — e é isso que um comerciante faz; transporta as coisas de onde são baratas para onde valem mais. Uma porcaria malcheirosa num estábulo é um fertilizante valioso se você o transportar para o sul quarenta. Seixos num planeta podem ser pedras preciosas em outro. A arte de escolher a carga está em saber onde as coisas valerão mais, e o comerciante que puder calcular certo pode ganhar a fortuna de Midas numa viagem. Ou calcular errado e falir.
    Eu estava em Abençoado porque tinha estado em Aterragem e queria ir para Valhalla a fim de voltar para Aterragem, porque estava pensando em me casar e constituir outra família. Mas eu queria ser rico o suficiente para ser proprietário de terras quando me casasse — o que eu não era na ocasião. Tudo quanto eu tinha era a nave de reconhecimento que eu e Libby havíamos usado{33} e uma pequena quantia em dinheiro local.
    Assim, era tempo de comerciar.
    As rotas comerciais para uma troca nos dois sentidos apresentam um lucro mínimo; elas abastecem tudo depressa demais. Mas um comércio triangular — ou números mais altos — pode apresentar altos lucros. Da seguinte forma: Aterragem tinha certa coisa — digamos queijo — que era luxo em Abençoado, ao passo que Abençoado produzia algo — digamos giz — muito procurado em Valhalla…. ao passo que Valhalla fabricava objetos pequenos de que Aterragem precisava.
    Trabalhe nisto na direção certa e ficará rico; trabalhe de trás para diante e ficará sem a camisa.

  13. Caraca, mexeu com uma das minhas séries favoritas, mexeu comigo…. 🙂

    Mas vamos aos fatos.
    Roddenberry era comunista. Ele tentou de várias formar colocar alguns dos princípios maxistas na série. Mas como os EUA estavam no auge da “guerra contra o comunismo” ele não poderia fazer isso explicitamente, então ele o fez sutilmente: ele inseriu os princípios da chamada economia baseada em recursos (um marxismo com robôs para os detratores 🙂 ) na séria. Por diversas vezes ele fez transparecer na série que a economia do futuro seria uma espécie de economia baseada em recursos.

    Todavia, a coisa é tão ruim mesmo teoricamente, que ele caia em contradição quase todo episódio e não conseguia dar um norte sobre como era a economia no século XXIV. Em STNG The first contact, uma das cenas sutis é o diálogo de Picard com Lily:

    LILY: It took me six months to scrounge up enough titanium just to build a four-metre cockpit. …How much did this thing cost?
    PICARD: The economics of the future are somewhat different. …You see, money doesn’t exist in the twenty-fourth century.
    LILY: No money! That means you don’t get paid.
    PICARD: The acquisition of wealth is no longer the driving force in our lives. …We work to better ourselves …and the rest of humanity. Actually we’re rather like yourself and Doctor Cochrane.

    Mas, ao final do filme, quando Picard resolve destruir a Enterprise (o que significaria que eles permaneceriam na Terra no século XXI) ele orienta:

    PICARD: If you see Commander Riker or any of my crew, give them this.
    LILY: What is it?
    PICARD: Orders to find a quiet corner of North America and …stay out of history’s way.

    Porque North America eihm?!…

    Abraços trekkers a todos…

  14. Só o fato de ter naquela nave romulanos, vulcanos, terráqueos e o diabo a quatro, todo mundo vivendo harmoniozamente e sem conflitos já dá pra ver como o cara (Gene Rodenberry) era comunista.
    E aqui no mundo real o multiculturalismo é uma das bandeiras do marxismo cultural.Coincidência?

  15. Achei apropriado o nome do tradutor “Borges”, quase Borgs. Que, na minha opinião, são a representação do mundo Marxista na série.

    Os Borgs sim, são socialistas de verdade, não existe desigualdade. Os humanos, que possuem visão muito boa, a têm substituído pela Borg, muito pior (ver o filme em que eles voltam no tempo), e tudo o mais. E, além disso, no mesmo filme vemos que existe um(a) governante que possui muito mais poder e concentra toda a decisão e riqueza. Perfeita analogia socialista.

    No resto, só mudou as preferências. Dinheiro como conhecemos não faz mais sentido, mas ainda existe riqueza. Se não existisse escassez cada ser senciente seria capitão de sua própria FROTA estelar e dono de diversos sistemas planetários. Afinal, se não existe escassez eu quero pelo menos uma galáxia pra mim.

  16. Eu só gostaria de obter opiniões de libertários de verdade, uso a falácia do escocês referindo a mim mesmo como um libertário-não-de-verdade, porque sou contra a liberação das drogas, a respeito de como fica a questão da ALOCAÇÃO dos recursos, uma vez que a tecnologia cubra o conceito de TELETRANSPORTE, com praticidade, como em star trek. Mesmo com escassez, a IMEDIATA REALOCAÇÃO fortaleceria ou enfraqueceria o livre mercado?

  17. Luis Gustavo Prado

    E sem um motivo econômico, qual o sentido de gastar muitos bilhões, ou mesmo trilhões em material e mão-de-obra, para lançar imensas naves estelares?

  18. O artigo diz que a tecnologia não gera desemprego , ao contrário, cria eles. Isso talvez seja verdade atualmente. Mas se radicalizarmos o desenvolvimento tecnológico,coisa que não foi feita nem no exemplo do Star Trek, pq ”explorar novos mundos, descobrir novas vidas” ainda é uma tarefa que requer humanos. Ignora que podemos chegar ao ponto da singularidade tecnológica. Um nível onde a IA progride por conta própria e melhora a si mesma sem depender dos seres humanos para seu desenvolvimento e novas descobertas. Como se fosse uma “espécie nova”, mas superior em tudo.

    Leia-se, tudo o que fazemos ou poderíamos fazer, tal IA faria melhor..Não está limitada ao fator biológico.

    Onde haveria emprego humano para todos em tal cenário. Mesmo que você crie empregos, os novos que surgiriam seriam simplesmente melhor feitos por essa IA utópica. Limitar a utilização dessa inteligência seria uma ação anti-produtiva e contra a eficiência, mas poderia preservar alguns empregos.

    É verdade que a tecnologia não cria desemprego hoje e nem no exemplo do Star Trek. Mas será que isso seria verdade se radicalizarmos o desenvolvimento a um nível que a IA nos supere em praticamente tudo o que imaginemos fazer? É claro que isso é só conjectura e ficção. Mas é interessante para testar os limites das teorias econômicas . Como esse artigo tenta fazer, mas que eu acho que faltou um pouco mais de exagero no lado tecnológico

  19. respondendo a todos

    Quanto a exploração e colonização do espaço profundo não vai ser como nos filmes, vai ter luta entre governo vs iniciativa individual é só ler o livro avatar que explica bem a esta situação, ainda vai ter ekochatos dizendo para deixar os planetas com estão, em que a humanidade de jeito nenhum deve colonizar o sistema solar e o universo, que deve ficar na Terra em harmonia com a mãe natureza sofrendo cataclismos naturais e sem reclamar, além disso a administração deve ser descentralizada porque devido a distancia entre os corpos celestes fica difícil administração centralizada, gestão socialista nem pensar, os colonos morreriam de fome e para calar a boca dos ekochatos a Terra talvez tenha recursos finitos mas o univero não é só ir procurar se tiver inteligência/criatividade para tanto.

  20. Treckonomics, a economia de Star Trek e o fim do capitalismo.

    Já faz quase 50 anos que a nave Enterprise se aventurou pelo espaço sideral, com o capitão Kirk e sua tripulação dedicados a explorar novos mundos e encontrar novas civilizações. "Jornada Nas Estrelas" gerou cinco séries para a TV (seis, contando o desenho animado), uma dúzia de longas-metragens, livros, discos, DVDs, e muitos milhões de fãs ao redor do mundo. O universo de Star Trek é cada vez mais familiar e próximo de nosso cotidiano.

    Uma série de ficção-científica singular em muitos aspectos, Star Trek é o tema de vários estudos sérios escritos ao longo de décadas por cientistas políticos, sociólogos, físicos, engenheiros e até teólogos. Vários executivos e pesquisadores do Google (um ninho de fãs da série) dizem que o objetivo da empresa é criar tecnologias similares às da nave Enterprise para aumentar o conforto e facilitar a vida das pessoas. O Dr. Martin Cooper da Motorola declarou que se inspirou no comunicador usado por Kirk e Spock para criar o primeiro telefone celular. Várias tecnologias que usamos hoje também são inspiradas por objetos fictícios da série ou dos filmes de Star Trek.

    Acima de tudo, Star Trek se passa em um universo onde a guerra, a fome e a pobreza foram eliminadas, bem como outras mazelas sociais, incluindo a discriminação e o racismo. É uma utopia audaciosa, onde a abundância gerada pela tecnologia eliminou também o capitalismo e outros modelos econômicos — e até mesmo o dinheiro (o "capital" continua existindo, mas definido de outro modo).

    A ideia de uma sociedade não-monetária, ou "anumismática", é dos maiores destaques da saga de Jornada nas Estrelas. É um elemento mais relevante que as ideias tecnológicas na narrativa, como o teletransporte, o tricorder, os torpedos fotônicos, e as naves que voam mais rápido que a luz.

    Foi justamente esse aspecto do ambiente de Jornada nas Estrelas despertou o interesse de Manu Saadia, que está escrevendo um livro chamado "Trekonomics", para discutir a economia e a sociedade humana do século 23. A ideia para o livro surgiu a partir de conversas entre Saadia e Chris Black, que foi roteirista da série "Star Trek: Enterprise", e de textos publicados sobre o assunto no site Medium. O livro será publicado pela plataforma Inkshares e pode ser pré-encomendado pelo site. Saadia disponibilizou a introdução e o primeiro capítulo do livro.

    Em "Trekonomics", Saadia examina a "pós-economia" do universo da Federação Unida de Planetas, onde o dinheiro é desnecessário porque tudo pode ser produzido em "replicadores", máquinas que convertem energia em matéria e sintetizam desde alimentos até peças para naves espaciais. E de graça. A Terra do século 23 eliminou a escassez através da tecnologia.

    A "ausência de escassez" produz uma sociedade onde dinheiro, preços ou mercados são irrelevantes. E também não existe lucro. Num mundo assim, por que as pessoas dedicariam suas vidas a projetos, carreiras e invenções, sem a expectativa de retorno material? Como avaliar as opções e mensurar os resultados do trabalho sem uma unidade monetária quantificável?

    Saadia admite que é um grande salto de otimismo, mesmo para o fã mais devotado de Jornada nas Estrelas neste começo do século 21, imaginar que um mundo assim pode emergir de nossa sociedade obcecada pelo consumo e pela acumulação de bens.

    O livro de Saadia pretende avaliar as possibilidades de chegarmos a esse mundo utópico, usando os enredos de episódios das séries e dos filmes de Star Trek como ponto de partida para estimular a discussão, bem como ideias de pensadores como Adam Smith e Jeremy Bentham. Talvez o resultado não seja um tratado fundamental de economia ou política financeira, mas deve ser uma leitura interessante.

    Saadia observa que os roteiristas de Jornada nas Estrelas foram cuidadosos ao estabelecer que embora a economia interna da Federação seja não-monetária, essa união de planetas se relaciona com outras civilizações e sociedades que são monetárias, e que mantém regras de valor e preços em suas relações comerciais.

    Saadia disse que na sociedade de Star Trek, a natureza do trabalho não dependerá mais do consumo, ou a mera subsistência. A chave para isso é dissociar o trabalho do pagamento, da recompensa monetária. Essa é a mensagem da série, disse Saadia.

    Em entrevista ao Washington Post, Saadia disse que em vez de trabalhar para aumentar sua riqueza ou acumular bens, as pessoas em uma sociedade "anumismática" do futuro se esforçarão para aumentar sua reputação. A recompensa do trabalho será o prestígio. Para conquistar esse prestígio, você vai se esforçar para ser o melhor capitão de espaçonave da galáxia, o melhor médico, o melhor cientista, o melhor artista, etc. E vai competir com outros pela mesma distinção. Seria uma meritocracia em sua expressão mais pura, sem as desigualdades sociais de hoje.

    Gene Roddenberry, o criador de Star Trek, reconhece que se inspirou nas histórias do escritor de ficção-científica Isaac Asimov para criar muitos dos elementos que se tornaram famosos na série. Mas Roddenberry era um visionário também, e sua visão humanista do futuro venceu até os preconceitos que eram os valores dos anos 1960. Muitas ideias "políticas" que estavam nos roteiros da série original foram vetadas, mas para horror dos executivos da rede NBC, Gene insistiu em colocar na ponte da Enterprise uma tenente negra, um jovem russo e um alienígena em papéis de protagonistas. As tecnologias de Star Trek estão se tornando realidade, uma a uma. Talvez a sociedade sem dinheiro sonhada por Gene não esteja tão distante assim.

    Refutem se puder! Uma sociedade sem escassez não precisa de ciência econômica!

  21. ”Há ocasiões em que gostamos de saber que alguma coisa foi feita de uma determinada maneira, e isso se traduz em uma demanda por bens quem têm um processo de produção peculiar, geralmente intensivo em trabalho. Feiras de artesanato são muito comuns, mesmo quando muitos dos itens oferecidos em tais feiras são produzidos maciçamente em outros lugares.”

    Eu não vejo como esses exemplos poderiam suprir toda a demanda por emprego na sociedade. É como dizer que apenas uns 20 setores da economia empregariam toda uma sociedade.

    O argumento não precisa ser um desemprego geral, mas sim um desemprego de uma parte relativamente grande da sociedade, que ficaria marginalizada

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