N.
do E.: o artigo a seguir é um trecho de uma apresentação verbal (ligeiramente
adaptada para a realidade brasileira). Daí
seu tom mais coloquial.
Não são poucas as pessoas que acreditam que o capitalismo de livre
mercado é um arranjo egoísta, sem compaixão para com os pobres e até mesmo
imoral.
Tais pessoas afirmam que o capitalismo de livre
mercado se resume a fomentar a ganância, a ânsia pelo poder e a lascívia
pelo dinheiro. E que tal arranjo é ótimo
apenas para os ricos e péssimo para os pobres.
Mas isso está simplesmente errado.
O livre mercado não apenas
é economicamente superior, como também é moralmente
superior a toda e qualquer outra forma de se organizar o comportamento econômico
dos indivíduos.
E, sucintamente, são dois os motivos:
1) O livre mercado requer ações e interações voluntárias entre os indivíduos.
2) No livre mercado, não há coerção e ninguém é
obrigado a sustentar terceiros. Não há subsídios,
não há tarifas protecionistas, ninguém é impedido de empreender livremente, e não
há barreiras
governamentais à entrada de concorrentes em qualquer setor do mercado (como
ocorre em setores regulados por agências reguladoras).
Em um livre mercado, se eu quero algo de você, então
eu tenho de fazer algo por você.
Um
exemplo rotineiro
Digamos que eu faça uma faxina em sua casa e que, em
troca desse meu serviço, você me dê $ 70.
O que esses $ 70 realmente significam?
Quando vou a uma mercearia e digo que “gostaria de dois
quilos de carne”, estou na verdade querendo que milhares de pessoas me sirvam: pecuaristas, cultivadores de soja, caminhoneiros,
açougueiros, empacotadores, funcionários do supermercado etc.
E todas essas pessoas têm de ser pagas por seus
respectivos serviços.
Sendo assim, o dono da mercearia pode me perguntar: “O
que foi que você fez em benefício dos seus semelhantes para ter esse direito de
querer que eles lhe forneçam um quilo de carne?
E eu respondo: “Bom, eu fiz uma faxina na casa de
uma pessoa”.
E o dono rebate: “Prove”.
E aí então eu mostro para ele meus $ 70.
Pense no dinheiro que você recebeu por seu trabalho
como sendo um “certificado de desempenho”.
Ele é a prova de que você serviu a um semelhante. Consequentemente, é ele quem lhe confere a licença
moral para pedir que seus semelhantes lhe sirvam.
Todos
ganham
Várias pessoas acusam o livre mercado de “não ser
moral” porque, segundo elas, tal sistema é um “jogo de soma zero” —
como se fosse um pôquer, no qual, para eu ganhar você necessariamente tem de
perder.
Só que o livre mercado não é um jogo de soma zero,
mas sim um jogo de soma positiva.
Você faz algo positivo para mim — como, por exemplo,
ofertar aqueles dois quilos de carne — e eu, em troca, faço algo positivo para
você, dando-lhe os $ 70.
A minha situação melhorou, pois, para mim, os dois
quilos de carne valem que os $ 70 (se não valessem, eu não estaria incorrendo
nessa troca). E a situação do dono da
mercearia também melhorou, pois ele valoriza os R$ 70 mais do que os dois
quilos de carne (se não valorizasse, não os estaria vendendo).
Nós dois ganhamos.
Quando
não são todos que ganham
Ironicamente, é o governo — e não o livre mercado
— quem cria jogos de soma zero na economia.
Se você utiliza o governo para ganhar subsídios,
para ser protegido por tarifas de importação, para impedir o acesso de
concorrentes ao seu mercado ou para simplesmente ganhar benefícios assistencialistas,
você irá indubitavelmente se beneficiar, mas
à custa de seus semelhantes.
O que é mais moral: requerer que as pessoas sirvam
aos seus semelhantes para terem o direito de reivindicar os bens e serviços que
eles criam, ou não servir aos seus semelhantes e ainda assim reivindicar os
bens e serviços que eles criam?
E
as grandes corporações?
Mas e as grandes empresas? Não teriam elas um poder excessivo sobre as
nossas vidas?
Em um mercado protegido e regulado pelo governo,
sim.
O governo — por meio de regulamentações que impõe barreiras
à entrada da concorrência no mercado (vide agências reguladoras), por meio de
subsídios a empresas favoritas, por meio do protecionismo via obstrução de
importações, por meio de altos tributos que impedem que novas empresas surjam e
cresçam — de fato garante que empresas se tornem grandes, permaneçam grandes
e, com isso, tenham enormes e imerecidos poderes sobre nossas vidas.
Já em um livre mercado, isso não tem como ocorrer.
No livre mercado, somos nós, a população consumidora,
quem decide o destino de toda e qualquer empresa com a qual lidamos. O capitalismo de livre mercado irá punir
qualquer empresa que não satisfaça os consumidores ou que não saiba como
utilizar recursos escassos de maneira eficaz.
Empreendimentos, pequenos ou grandes, que queiram
prosperar são rigidamente regulados pelos
consumidores, que voluntariamente votam com seu dinheiro para eleger quem
devem prosperar e quem deve falir.
No livre mercado, são os consumidores, por meio de
suas decisões de comprar ou de se abster de comprar, que decidem qual empresa deve
seguir adiante e se tornar grande e qual empresa deve sumir.
E, novamente, apenas o governo pode desfazer esse
arranjo.
Se uma empresa não é eficiente, não mais está satisfazendo
os consumidores e, por isso, está próxima à bancarrota, o livre mercado está lhe
enviando um recado claro: “Olha só, você já era. Venda seus ativos, seu maquinário e suas instalações
industriais para outras pessoas que sejam capazes de fazer um trabalho melhor”.
No entanto, se o governo decide socorrer essa
empresa — seja por meio de ajudas diretas, seja fechando mais o mercado e lhe
garantindo uma reserva de mercado –, o governo está, na prática, revogando o
desejo explícito dos consumidores.
Um governo que socorre ou ajuda empresas falidas está,
na prática, lhes dizendo que elas não mais têm de satisfazer consumidores e
acionistas.
O recado do governo é claro: “Não importa quão ruim
seja o seu produto ou o seu serviço, e não importa quão ineficiente você seja,
nós vamos manter você em atividade e vamos para isso utilizar o dinheiro
confiscado da população”.
Auxílios governamentais a empresas — em qualquer
formato — nada mais são do que uma tentativa do governo de revogar um desejo
claramente manifestado pelos consumidores.
Quando o governo socorre ou protege uma indústria,
ele na realidade a está protegendo dos consumidores.
Ao agir assim, o governo retira poder do povo e o
transfere para grandes empresários, grandes sindicatos e, obviamente, para os
políticos cujas campanhas serão financiadas por esses grupos.
Se há um grupo que é realmente prejudicado pela interferência
do governo na economia, esse grupo é fatia trabalhadora e produtiva da população.
Isso é moral?
Conclusão
Um sistema de livre mercado só pode funcionar se você
e eu tivermos o poder de decidir qual empresa deve prosperar e qual empresa
deve falir.
Em um livre mercado, são ambição e o esforço
voluntário dos cidadãos — e não do governo — que conduzem a economia.
[N . do E.: Em uma
economia de mercado, a única maneira de um empreendedor auferir lucros é
servindo bem seus clientes (e mantendo seus custos baixos). Um dos mais belos
aspectos de uma economia de mercado é que ela é capaz de domar as pessoas mais
egoístas, ambiciosas e talentosas da sociedade, fazendo com que seja do
interesse financeiro delas se preocuparem dia e noite com novas maneiras de
agradar terceiros. Empreendedores conduzem a economia de mercado, mas a
concorrência entre empreendedores é o que os mantém honestos.]
Em suma, no livre mercado, as pessoas utilizam o
melhor de suas habilidades para servirem aos seus semelhantes e, com isso,
moldarem seu próprio destino.
Isso sim me soa bem moral.
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Leia também:
A diferença entre iniciativa privada e livre iniciativa – ou: você é pró-mercado ou pró-empresa?
O papa, o lápis, um sanduíche de presunto e a moralidade do mercado
Excelente artigo.
Mas eu vou citar um exemplo não tão distante assim.
Veja está noticia: Cresce número de profissionais dispostos a ganhar até R$ 1 mil
g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2015/09/cresce-numero-de-profissionais-dispostos-ganhar-ate-r-1-mil.html
“Com o reconhecimento rápido e a sorte de uma vaga, Fernando César de Castro foi promovido a gerente de um lava-rápido há dez dias. Durante um mês, ele foi ajudante geral e caprichava no acabamento para deixar o carro brilhando. Isso depois de trabalhar durante 18 anos na área de tecnologia da informação e enfrentar seis meses sem trabalho.”
A questão é: um profissional que dedica uma vida a ser especialista em algo, deve estar sujeito a leis de mercado? Alguem pode dedicar uma vida inteira a entender as leis da física, porem ele ganha mais dinheiro limpando privadas em uma lanchonete. Este caso é uma conduta correta perante a sociedade? Eu acredito que não.
Está é a mão negra do mercado esmagando o individuo. Nada moral. Capitalismo refutado mais uma vez.
Então pela lógica do “certificado de desempenho”, o sujeito que obtém sua renda com a exploração do capital (juros, alugueres etc.), seria imoral?
O problema é que os “socialistas” e os “esquerdistas” em geral, insistem em não reconhecer esse arranjo normal, natural e livre do mercado. Para eles o “Deus Estado” deve intervir em nome do interesse comum e o bem estar social, trabalhando assim para destruir aquilo que eles presumem defender.
“O livre mercado não apenas é economicamente superior, como também é moralmente superior a toda e qualquer outra forma de se organizar o comportamento econômico dos indivíduos.”
Essa é a orientação argumentativa que menos causa impacto quando discute-se com alguém que não consegue imaginar a sociedade sem um Estado inchado.
Entretanto, eu sempre gosto de começar pelo inverso, dizendo primeiramente que o único arranjo socieconômico moral é o livre mercado e só depois falando que ele é também mais efetivo para o “bem-estar social”, pois considero que o caráter moral do arranjo é muito mais importante do que sua eficácia.
Por fim, tenho a crença pessoal de que a razão pela qual o livre mercado é economicamente superior é exatamente ele ser moralmente superior.
E para os que se espantam ao imaginar como seria viver sem um Estado inchado, eu me espanto com o surgimento de uma entidade tão maligna que é capaz de cometer todos os crimes e injustiças que a moral comum abomina e ainda ser idolatrada por grande parte dos que possuem e seguem à risca essa moral comum.
Tipico universitario mitou kkkkk
O livre mercado é o maior e melhor processo para a produção de bens e serviços que a humanidade se apropriou no mecanismo de produção de bens e serviços. Nesse contexto o individuo, cresce desenvolve as aptidões que ele mais gosta e deve dar o seu melhor para servir o consumidor. No fundo cada um é um comerciante e quanto mais ele satisfaz o consumidor mais ele é recompensado no chamado mercado. O mercado é um jogo amoral de soma positiva que lida com recursos escassos. Dentro do sistema de mercado o capitalista é um sujeito pacifico, que trabalha com troca voluntaria usando o princípio da não agressão. Usa como ferramentas básicas a propriedade privada e liberdade. Com o mercado livre foi resolvido o problema da produção. A distribuição é baseado na meritocracia e esforço de cada um. Não é igualitário pois na natureza humana é incompatível com a igualdade e compatível com a desigualdade. Nem numa família as pessoas conseguem ser igual. O padrão humano desde o DNA é serem diferentes. Na pratica provou-se que as nações que mais se aproximaram do mercado livre foram as que mais conseguiram o bem estar de seus cidadãos. Para ser mais eficiente ele tem que não sofrer interferência de leis governamentais. Quanto mais livre de intervenções mais eficiente. O mundo atual por ignorância dos legisladores do que seja o mercado estropia o mesmo tirando lhe muito da eficiência na produção de bens e serviços. O mercado capta informações através do sistema de preços de tal maneira que uma alta de preços num local emite sinais que o estoque esta diminuindo e sinalizando que a produção deva ser elevada. Quanto mais intervenção no mercado piores os resultados econômicos do pais. Os países que gozam de maior liberdade de mercado é onde existe o maior bem estar social. Uma da piores invenções da humanidade tem o nome de socialismo. Este sistema agride a propriedade privada e extingue o mercado sendo considerado um dos males do seculo XX e XXI. Um dia através do esclarecimento dos políticos de que é o mercado livre, o mercado continuará a proporcionar os recordes de bem estar em escala mundial.
Vejam o vídeo
https://www.youtube.com/watch?v=fJr2RO7g7jI
Eu também já tive esse surto psicótico de abominar a violência dos assassinos de rua e louvar o assassinato em massa do deus estado e achar tudo isso normal e moral,sem imaginar que hitler não invadiu a Suiça achava eu que era por preconceito ou seja só há louros e louras lá porque ele iria fazer isso com seus irmãos arianos,mas eis que descubro aqui no IMB que a Suiça é segura por ato e obra de sua população armada até os dentes pronta a rechaçar qualquer exército neste mundo por mais poderoso que seja,enfim o livre-mercado é tão bom que cuba está clamando pelo fim do embargo comercial para sair da pobreza esquecendo-se que a União Soviética numca sofreu embargo comercial mas afundou sua economia por causa de uma corrida armamentista insana com o ocidente,os russos naufragaram que nem a venezuela do ridículo líder maduro…Vida longa ao livre-mercado e liberdade ainda que tardia a todos nós!!!
Existe algum país inteiramente baseado em livre mercado? Sem leis protecionistas?
O Capitalismo vence em qualquer campo possível, quando comparado com outros sistemas, sempre com 100%.
Prezado Walter,
Concordo plenamente sobre o livre mercado. O que ainda me ponho a pensar, é como resolver o problema de atividades onde há poucas empresas concorrentes. Ou até mesmo aquelas onde existe um acordo entre elas mantendo os mesmos preços para ninguém perder. Ou os monopólios.
Tenho uma dúvida que apareceu pesquisando dentro do site do Mises.
Como é a visão sobre vendedores de rua (vulgos camelôs).
Como o governo não vai interferir em nada em autorizações e afins, todos poderão trabalhar na rua certo?
Isso não traria o caos?
Só para efeitos de disclaimer não tem nenhuma ironia. É uma dúvida genuína de quem está aprendendo e cada vez mais concordando com os ensinamentos Austríacos.
Obrigado!
Apresentado pelo professor Williams no PragerU. O link original bem que poderia ter sido citado…
Certamente os caros leitores observaram a maneira pouco gentil de muitos empregados da iniciativa privada. Puro reflexo da sociedade guiada por esquerdistas. Muitos trabalhadores brasileiros impregnaram o ranço daquele papo furado do: “nós contra eles”. São muitos lugares onde é espantosa a falta de cortesia. Atendimento semelhantes entre o funcionalismo público. Quem alguma vez, por exemplo, foi mal atendido no caixa do supermercado, num posto de gasolina, aeroporto, loja, e em pensamento exclamou: estou pagando! Nesta gente tacanha falta-lhes ambição, sobra comodismo. Aí está uma herança maldita que levará anos para ser extirpada.
O argumento moral é um dos únicos argumentos do socialismo, e foi completamente desconstruído nessa matéria, excelente!
Dizia com muito acerto José Guilherme Merquior que, historicamente, o liberalismo só se tornou possível graças ao colapso — no terreno ético-político — da noção cristã de Summum Bonum. Para o notável ensaísta, esse colapso resultou no fenômeno do individualismo moderno, ou seja: na dissolução da idéia de bem comum e na tendência ao empirismo em moral, dada a perda de todo aquele gigantesco edifício metafísico e teológico da Escolástica (cujo cume é Santo Tomás), o qual tinha como pedra angular a noção analógica de ente, e, em seu ápice, o Próprio Ser Subsistente, que não é outro senão o Summum Bonum cristão de que fala Merquior, no hoje amarelecido artigo intitulado "O argumento liberal", em livro do mesmo nome.
A desconfiança nas instâncias de poder, que os liberais clássicos herdaram de Locke e Montesquieu, nasce não apenas de sua visão monolítica do poder público como lugar de violência, desmandos e coerção das liberdades individuais (ei-las de novo!!) — daí o seu ímpeto em limitar o poder e mantê-lo sob o que chamam, por uma analogia de proporcionalidade imprópria, de império da lei —, mas se deve consignar, também, a sua carência de uma boa antropologia filosófica e de uma gnosiologia minimamente aceitável, além da ignorância do beabá da metafísica. E, é claro, o caráter irreligioso que é um dos sustentáculos de sua política, a saber: o poder público, se se tolera haver algum (toc! toc! toc!, ugh! bah!, #!@#) nesse ambiente Estadófobo, deve respeitar in primis não a Deus, o Summum Bonum, mas a autonomia dos indivíduos, que passam a ter uma moral privada intocável por qualquer lei, humana ou divina. Assim, com o passar do tempo, a religião passará a ser, na melhor das hipóteses, apenas um dado cultural entre tantos outros, tão "respeitável" pela moral laica e por sua correspondente legislação quanto ir a uma orgia pansexual. Amigos, eis aqui o Admirável Mundo dos dias de hoje, em relação ao qual o de Aldous Huxley é "fichinha".
Um princípio metafísico válido sem nenhuma exceção para todas as realidades — sejam materiais ou imateriais — nos servirá para lançar luzes sobre o que seja a liberdade humana. É o seguinte: nenhum ente pode ser causado pelo seu próprio operar. Apliquemos o axioma: um estômago, por exemplo, não pode ser causado pela digestão; um olho não pode ser causado pelo ato de ver; uma perna não pode ser causada pelo próprio caminhar. Tudo isso seria um grandíssimo absurdo. Apliquemos essa norma à liberdade humana, para chegarmos à necessária conclusão de que a liberdade não pode ser causada pelos atos livres dos homens, da mesma forma que a percepção táctil não é a causa da mão que tateia. Em suma, não somos livres porque escolhemos, mas escolhemos porque somos livres. Um corolário óbvio desta premissa é que a consciência individual, por meio da qual uma pessoa faz as suas escolhas, não pode ser a raiz da liberdade, mas apenas a instância pela qual a liberdade exerce o seu ato formal próprio: a escolha.
Sendo assim, quando liberais de colorações as mais díspares defendem que a consciência individual é a sede da liberdade, estão contrariando um princípio metafísico elementar, que não passaria despercebido a um estudante do período escolástico: nenhum ente é causado pelo seu próprio operar, porque, neste caso, tal ente seria a causa de si mesmo, o que é absurdo. Portanto, a liberdade — sendo uma potência cogniscitivo-volitiva — não escapa à norma: ela não pode ser causada pelas suas operações, que são as escolhas.
Não é o ato de escolher o que nos faz ser livres. Há uma instância anterior e propiciante do ato de escolha, já que esta se dá apenas secundum electionem voluntatis, de acordo com São Tomás. Essa instância é a vontade mesma, definida pelo Angélico como o apetite intelectivo do bem. É isto o que nos propicia escolher — razão pela qual os animais irracionais não são capazes de escolha, a não ser que, com relação aos animais, apliquemos o conceito de "escolha" com analogia de atribuição — a qual se dá quando a forma significada pelo nome análogo se encontra em diferentes sujeitos: num analogado primário de forma perfeita e principal, e em analogados secundários de forma imperfeita e derivada. Ora, o leão não escolhe comer ou não a zebra, pois não é dotado de apetite intelectivo do bem (ou seja, de vontade, a qual só pode ser dita do leão por analogia), mas somente de apetências sensitivas que o impelem a agir sempre da mesma forma, em resposta ao que os dados sensíveis lhe apresentam. Por isso, ele está arrojado no mundo da sensibilidade, onde não há ética, moral nem a recta ratio da lei.
Infelizmente, os liberais "pularam" essa aula de metafísica. E, com eles, grandíssima parte do mundo contemporâneo — idólatra da consciência individual e da "liberdade" de escolha, ainda que se trate de escolha dos erros mais diabólicos.
Muito bom texto. Mais mercado, menos estado.
Olhem só a análise econômica dessa gente. Aí a racionalidade não tem vez, e ainda acusam os liberais de pregar ideologias:
novo.fpabramo.org.br/sites/default/files/porumbrasiljustoedemocratico-vol-01_0.pdf
Se isso fosse implementado, quanto tempo demoraria para a gente chegar a uma situação econômica similar a da Venezuela? É uma boa pergunta.
Parto da seguinte premissa: nada criado pelo ser humano é perfeito.
Portanto, um artigo perde boa parte da sua credibilidade quando não mostra nenhuma falha no capitalismo. E convenhamos: impossível que não tenha nenhuma falha…
Fico por enquanto com o pensamento que ouvi de alguém: “O Capitalismo não é perfeito, mas é o melhor sistema econômico já inventado”.
Bom dia,
Em minha opinião, a ideia de sistema econômico defendida no artigo (e pelo site) é a ideal para nossa sociedade atualmente.
Fico somente com dúvida em relação ao papel do Estado em relação a monopólio. Uma empresa que detenha grande parte de determinado produto/serviço tende a reduzir a qualidade do produto e esmagar a concorrência. Como coibir essa prática? Teria o Judiciário força para tal?
Abç e parabéns pelo site!
André Roedel
Fernando, Leandro, bom dia.
Elogios não faltam em como o IMB explica como chegamos aqui (Brasil e mundo)
Agora posso dar uma sugestão? Por que não fazem uma série de artigos com a pauta do futuro economico do Brasil baseado no que temos hoje? Não seria um exercício de futurologia na minha opinião, mas um bálsamo de sabedoria, porque eu tenho certeza que irão acertar na mosca.
Outa sugestão: um grande artigo (ou vários pequenos) com a pauta: “E se tivéssemos seguido outro caminho em X aspecto”, para informar principalmente aos leigos em EA como seria melhor o Brasil em condições liberais na educação, saúde, obras de infra estrutura, energia etc.
Abraços,
Li vários artigos do site. Concordo que o livre mercado é a melhor opção possível. Mas me surgiu uma dúvida: na prática o livre mercado é possível de ser implementado? Não será ele tão utópico quanto o socialismo?
Justificando a pergunta: mesmo que não existisse governo, um grupo inevitavelmente passaria a “comandar”; fazendo isso eles inevitavelmente manipulariam as regras para se beneficiar e monopolizar sem necessariamente produzir riquezas para todos; então me parece que é impossível implementar na prática o livre mercado; e pensando assim o caos da realidade humana se justifica pois tanto um quanto outro modelo econômico gerariam no final controle em benefício de um grupo.
Objetivando a pergunta: Como implementar na prática o livre mercado?
saúde,educação, e segurança é um direito ou serviço
Claro como água pura, exceto para quem foi doutrinado a considerar todo e qualquer lucro como intrinsecamente errado. Se uma pessoa pode produzir algum valor para dar em troca dos benefícios que recebe de outros, porque não deveria fazê-lo? Por que uma pessoa capaz de trabalhar deveria ser isentada de fazê-lo e outros que trabalham deveriam ser coagidos a ajudá-la pela expropriação dos frutos de seu trabalho?
Não significa que atividades com valor econômico imediato baixo ou nulo não devam ser feitas, ou que pessoas com pouca ou nenhuma capacidade de produzir devam ser abandonadas. Porém, mesmo nestes casos, ninguém deve ser coagido a financiar algo ou ajudar alguém por políticos e burocratas que fazem caridade com o chapéu alheio.
* * *
Ótimo artigo para quem não entende nada sobre o básico de economia de mercado e capitalismo. Os que possuem um mínimo de conhecimento e inteligência já entenderam isso há muito tempo e o artigo se torna muito básico, quase infantil. E, acredito eu, a maioria da população minimamente esclarecida, já se tornou doutora neste assunto.
Os socialista/comunistas “intelectuais” também sabem disso tudo muito bem. O problema é que eles são amorais, não possuem caráter. Eles defendem uma revolução bolivariana para ELES conquistarem o poder. Eles são somente a elite, é claro. Os “idiotas úteis” ficarão de fora. Muitos são massacrados. E se for preciso destruir o país para a conquista do poder, eles não pensam duas vezes. Exemplos não faltam.
O artigo é óbvio demais. Os “intelectuais” socialistas/comunistas devem achar muita graça deste artigo e de quando alguém tenta mostrar “que eles são imorais” ou “que eles estão errados”. Eles já sabem disso! Esta foi a opção deles! Eles são marginais, canalhas, irresponsáveis, sem caráter, bandidos, assassinos e tudo o que existe de pior. E eles sabem disso!
É como se esse artigo dissesse que o Fernandinho Beira-Mar não agiu com moralidade quando praticou os seus crimes. Ou, no momento de um assalto, alguém dissesse para o assaltante que roubar é crime e é imoral.