A questão do aborto sempre dividiu amargamente populações de vários países. É um triste espetáculo, principalmente quando consideramos que o fato de uma política social ficar a cargo do estado, principalmente em nível federal, já é uma violação das liberdades individuais de qualquer cidadão. É igualmente triste perceber que um grande número de indivíduos acredita que sua liberdade depende exclusivamente de leis estatais, seja do Supremo Tribunal ou de qualquer outra instância pública.
Não há qualquer argumento que justifique haver um “direito ao aborto” patrocinado pelo governo. A federalização da lei do aborto, permitindo-o ou proibindo-o, baseia-se unicamente nas idéias sociais e políticas criadas pelos tribunais estatais.
Portanto, o governo federal não tem qualquer autoridade para regular a questão do aborto. Por que ao menos não deixar a cargo das legislaturas estaduais ou municipais decidirem sobre política social? Certamente as pessoas em ambos os lados do debate sobre o aborto sabem que é muito mais fácil influenciar o governo em níveis estaduais e municipais.
A federalização das questões sociais, originalmente propugnadas pela esquerda, mas hoje amplamente adotadas pela direita, simplesmente impede que os estados aprovem leis que reflitam mais de perto as visões de seus cidadãos. Ao aceitarmos a federalização da lei do aborto — bem como de qualquer outra lei — perdemos a capacidade de aplicar os padrões da comunidade local às questões éticas.
Aqueles que defendem uma cultura pró-vida têm de aceitar que nunca conseguiremos convencer toda uma nação a concordar conosco. Uma cultura pró-vida pode ser construída apenas de baixo para cima, começando em nível local e dali aumentando seu escopo de influência, de pessoa para pessoa. Há muito temos encarado a batalha como sendo algo puramente político, mas nenhuma vitória política pode mudar uma sociedade já degradada. Nenhuma decisão do Supremo Tribunal, contra ou a favor, pode instituir o respeito pela vida. E nenhum juiz de um Supremo Tribunal pode salvar nossas liberdades se nós mesmos não estivermos dispostos a lutar por elas.
Uma postura libertária contra o aborto
Minha posição pró-vida foi fortalecida pela minha própria experiência como obstetra. Creio sem qualquer sombra de dúvida que um feto é uma vida humana merecedora de proteção legal, e que o direito à vida é a base de qualquer sociedade moral. A questão do aborto forjou minha crença de que a lei e a moralidade devem se cruzar para proteger os mais vulneráveis entre nós. E se há alguma função para o estado, esta deveria ser a proteção dos direitos naturais dos indivíduos.
Mas será que ter essa postura anti-aborto é inerentemente inconsistente com a filosofia libertária? Muitos libertários parecem acreditar que sim. O aborto, de acordo com eles, é uma moralidade legislativamente forçada e defendida por conservadores pró-estado que querem impor sua fé e sua moral sobre o resto de uma sociedade avessa a isso. E mais: eles dizem que essa postura é estatista e totalitária, pois invalida o direito da mãe em terminar sua gravidez. Sendo assim, o estado estaria sobrepujando os direitos dos pais e decidindo pela mãe — contra sua vontade — que ela deve sim trazer uma criança ao mundo.
Mas seria isso mesmo? Sustento que não,
Dado que muito material já foi escrito debatendo quando a vida de fato começa, seria tolice gastar tempo sobre o assunto neste espaço. Direi apenas que aqueles que argumentam que um feto em desenvolvimento não é de maneira alguma um ser humano têm muita evidência científica contra eles. Já está bem documentado que há um coração batendo após 18 dias de fertilização e que a formação de ondas cerebrais já ocorre após um mês e meio (tenha em mente também que a maioria dos abortos ocorre bem depois desses desenvolvimentos).
Longe de ser apenas uma “bolha de carne” ou um acessório sem vida dentro de uma mulher, os defensores do aborto cada vez mais estão sendo confrontados com a inerente humanidade do feto
A idéia comumente aceita para se decretar o status de vida é aquela que compara o feto a um humano completamente desenvolvido (ou, utilizando o argumento mais extremo dos pró-aborto, que a vida começa realmente apenas quando o bebê já saiu completamente do corpo da mãe durante o parto). Isso é uma irresponsabilidade. Longe de ser apenas uma bolha de carne, ou uma simples forma de vida análoga a uma bactéria ou a uma fruta em crescimento, uma abordagem moral e filosófica mais responsável seria ver aquilo que está dentro do útero como sendo aquilo que realmente é: um ser humano em desenvolvimento.
Considerando-se tudo isso, a sanção estatal do aborto nada mais é do que uma troca de direitos. Lembre-se que, como foi dito, o aborto é defendido por alguns como um caminho para a liberação da mulher. O argumento é que nem o estado nem qualquer outro ser humano (especialmente os homens) têm o direito de dizer a uma mulher o que fazer com seu próprio corpo. Parece correto, certo? Nem tanto.
Tal postura convenientemente ignora o fato de que dentro da mãe jaz uma entidade que é completamente distinta dela. (O argumento de que o aborto é legítimo porque a criança depende da mãe para sua sobrevivência não precisa ser limitado ao útero; ele pode facilmente ser estendido a crianças recém-nascidas e até mesmo a incapacitados e idosos). Portanto, está havendo uma troca de liberdades e direitos. A mãe está ganhando direitos e privilégios especiais ao mesmo tempo em que a criança está perdendo seus direitos. Um lado está ganhando à custa do outro. Esse arranjo em nada difere das várias outras invenções esquerdistas e estatistas que prejudicam alguns para o benefício de outros.
É de se pensar como exatamente esse arranjo é libertário e pró-liberdade. Ao dar às mulheres o direito aprovado pelo estado de terminar uma gravidez está-se ignorando os direitos e interesses das outras partes envolvidas na questão. Primeiro, essa medida anula completamente o poder de decisão do homem na questão (ainda que reconhecidamente a maioria dos homens que engravidam essas mulheres nada mais são do que “doadores de esperma”, por assim dizer, mas esse nem sempre é o caso). Segundo, há uma anulação completa da vida da criança em gestação, em meio a evidências cada vez mais conclusivas de que aquilo que está no útero é de fato uma vida. Mas como esse bebê foi concebido em um momento inoportuno, azar o dele. Ele simplesmente não tem direitos. Esse não parece ser um conceito muito libertário.
E quanto à liberdade pessoal e à responsabilidade? Mais uma vez, percebe-se que aqueles que defendem o aborto em termos da liberdade pessoal estão vendo apenas um lado da história. Eles não têm qualquer problema em negar o direito à vida e à liberdade da criança que está no útero — baseando-se, atenção, não em filosofia, ciências biológicas ou na razão moral, mas apenas em argumentos políticos e sociológicos.
Já é hora de os defensores da liberdade e da responsabilidade pessoal colocarem mais pressão sobre as pessoas promíscuas e sexualmente irresponsáveis para que elas tomem medidas adequadas para evitar a gravidez. Um feto não surge magicamente em um útero como uma acne brota na testa. Querer liberdade individual para se fazer o que quiser, mas sem ter de arcar com as consequências disso é libertinagem. Querer exterminar uma vida que surge em consequência de um ato impulsivo é a negação máxima da responsabilidade individual. É a irresponsabilidade hedonística levada ao paroxismo.
É moral e intelectualmente injusto fazer com que uma criança indesejada carregue o fardo pelas ações irresponsáveis de terceiros. Ao passo que os libertários diriam corretamente que não é função do estado tentar corrigir o comportamento e as atitudes equivocadas dos outros, também não faz sentido que o estado sancione leis agressivas e contra a vida que irão punir inocentes pelos erros de seus pais. Isso não é nada libertário. Trata-se de uma liberdade seletiva, que utiliza agressão contra crianças indefesas.
Isso nos leva à consideração final: o aborto viola o princípio da não-agressão. A mãe (ou os pais), normalmente como resultado da própria irresponsabilidade, toma (tomam) a decisão unilateral de acabar com uma vida. A criança obviamente não tem voz nessa questão. Os pais abortistas e o estado tomam a decisão pela criança, e prematuramente terminam sua vida, sem qualquer chance de defesa para ela.
De novo, não é uma atitude muito libertária.
A questão política
Entretanto, esse embate não deve se dar no campo político. Sabemos que a moralidade é algo que deve ser intrínseca às leis, não importa o que os secularistas digam. Mas a moralidade não é intrínseca à política. A política nada mais é do que um mecanismo de se obter poder sobre as vidas das pessoas por meio do poder estatal. A política é a rejeição da santidade da vida.
Assim, é um erro supor que uma cultura pró-vida possa ser implantada por meio da persuasão política ou do poder governamental. O respeito pela vida humana se origina de indivíduos agindo de acordo com sua consciência. A moralidade não é algo que pode ser imposto. Uma consciência pró-vida é estimulada pela religião, pela família e pela ética, não pelo governo. A história já nos ensinou que os governos esmagadoramente violam a santidade da vida humana; eles nunca a defendem.
A idéia de que um estado todo-poderoso e centralizado deva fornecer soluções monolíticas para os nossos dilemas éticos é completamente descabida e equivocada. As decisões, como foi dito, devem ser tomadas descentralizadamente, em nível local ou, no máximo, estadual. Entretanto, atualmente estamos sempre procurando uma solução federal para todo e qualquer problema social, ignorando os saudáveis limites que devem ser impostos a um governo central, solapando assim nossas liberdades. O resultado é um estado centralizado que crescentemente vai tomando decisões ao estilo “tudo ou nada”, alienando grandes segmentos da população.
Como libertário, defendo a causa pela vida não apenas em termos morais e espirituais, mas também filosoficamente, utilizando os princípios da não-agressão e da liberdade individual. Um governo que sanciona o aborto sanciona a agressão (não à toa, o aborto foi a política de todos os países comunistas), dando direitos e privilégios a alguns (as mães) enquanto agride e tira os direitos de outros (as crianças não-nascidas). Essa troca de direitos, bem como a agressão patrocinada pelo estado, não é algo libertário, como a maioria dos libertários convencionais presume. Trata-se unicamente do modelo-padrão estatista que determina como a sociedade e o governo devem funcionar. Tal postura é, em última análise, injusta, imoral e destrutiva.
Esse conceito tem muito mais em comum com a filosofia da esquerda intervencionista do que com a filosofia da liberdade. E não há nada de libertário nisso.
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Leia também: Como nos tornamos donos de nós mesmos

Excelente artigo de Ron Paul! O mesmo deveria ser reproduzido no maior número possível de sites e blogs. Ontem a Rede Globo, por meio do programa Fantástico, veiculou uma matéria sobre clínicas clandestinas de aborto, mas de uma forma enviesada, de modo a estimular a opinião pró-aborto, a fim de favorecer a aprovação de leis que tornam o aborto “um direito” das mulheres. Ron Paul, por meio deste seu artigo, põe por terra essa argumentação favorável ao aborto como “um direito” das mulheres. E ainda há os que se dizem libertários que comungam com essa perspectiva esquerdista e totalitária. A criação de novos “direitos” é um dos instrumentos pelos quais se dá ao Estado a capacidade de intervir na vida dos cidadãos. A matéria do Fantástico foi cretina, distorcendo e manipulando fatos, considerando opiniões pessoais, baseadas em ideologias esquerdistas e estatizantes, como argumentos científicos. De modo sub-reptício deu a entender que se o Estado já tivesse instituído uma lei favorável ao aborto todos os problemas relacionados a essa questão teriam sido resolvidos. Sobre esta matéria vale a pena ler o excelente artigo do jornalista Reinaldo Azevedo: veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/o-fantastico-e-o-aborto-assim-nao-companheiros-ou-nao-se-compensa-penuria-etica-com-numeros-fabulosos/
Saudações a todos.
Luiz Oliveira
E ainda há os que se dizem libertários que comungam com essa perspectiva esquerdista e totalitária.
Pior que é verdade…
Sendo sincero, é preciso dizer que é possível ser libertário e defender o aborto. O Rothbard, por exemplo, defendia o direito da mulher de retirar de si o feto invasor.
Discordo diametralmente dele; acho uma posição imoral, embora possa ser defendida em termos libertários.
Talvez mais importante do que discutir se é uma posição libertária ou totalitária, é discutir se é boa ou má.
Ótimo artigo o do Ron Paul, by the way. E que dá muito o que pensar. Acho que a maioria dos pro-life, contudo (e eu estou nessa maioria), ficaria muito reticente se tivesse que escolher entre “proibição federal ao aborto” e “decisão local de cada estado ou município”. Nos EUA, hoje em dia, é fácil para o pro-life defender que essa questão seja tirada do governo central e dada aos estados e municípios, pois o governo federal lá permite e incentiva o aborto. Num país como o Brasil, no qual o governo federal proíbe o aborto, a questão se complica. Tirá-la do governo central e deixá-la com os estados abre espaço para que ele seja legalizado em muitos lugares, enquanto na situação atual é proibido em todos.
É um dilema muito difícil: a defesa da vida ou o direito de auto-determinação das populações. Acho muito difícil resolvê-la.
Ao mesmo tempo, lembro do ponto que o Ron Paul faz muito bem: não é na disputa eleitoral que a defesa da vida humana conseguirá fazer-se valer. Ela depende de toda uma mudança cultural pré-política. Podem passar as leis que forem, se a cultura não estiver de acordo, elas dificilmente serão eficazes.
Eles teriam [que] punir alguém que crava uma faca no peito de um recém nascido ou envenena e mata um homem inocente da mesma maneira que puniriam uma mulher que tome a pílula do dia seguinte.
Pois é, deveríamos mesmo. Se não o fazemos, é falha nossa.
Eles teriam punir alguém que crava uma faca no peito de um recém nascido ou envenena e mata um homem inocente da mesma maneira que puniriam uma mulher que tome a pílula do dia seguinte. [2]
Na realidade você pode ir mais além. Mesmo a pílula convencional, embora ela tente impedir a fecundação, o que ela realmente impede e que lhe dá toda a alta porcentagem de eficácia é a nidação, etapa posterior à fecundação.
Mesma coisa para praticamente todos os anti-concepcionais hormonais. Qualquer mulher que use qualquer anticoncepcional que não seja camisinha é uma assassina impiedosa nessa lógica. Aliás, o próprio corpo feminino é um grande “assassino”, já que uma porcentagem considerável dos óvulos fecundados não se fixam e são expelidos… Podem dizer que não é intencional, mas ainda assim, nós não somos responsáveis pelas nossas propriedades? Se for levar por essa linha, toda mulher tentando engravidar teria uma alta chance de cometer homicídios culposos! (ok, forcei um pouco, mas ainda não muda o fato de que qualquer mulher que use anticoncepcionais hormonais seria uma assassina)
Ah, ia me esquecendo, fertilização in vitro também depende do aborto pra existir.
Sério povo, this is not a difficult concept. 😉
ok, forcei um pouco
Forçou demais. Uma coisa é o aborto espontâneo, outra o intencional (infanticídio).
Sinceramente, de todas as muitas frases do Dr. Jerome Lejeune, a que mais me chamou atenção como sendo a mais pedagógica sobre quando começa a vida humana é esta:
“…Se logo no início, justamente depois da concepção, dias antes da implantação, retirássemos uma só célula do pequeno ser individual, ainda com aspecto de amora, poderíamos cultivá-la e examinar os seus cromossomos. E se um estudante, olhando-a ao microscópio não pudesse reconhecer o número, a forma e o padrão das bandas desses cromossomos, e não pudesse dizer, sem vacilações, se procede de um chimpanzé ou de um ser humano, seria reprovado. Aceitar o fato de que, depois da fertilização, um novo ser humano começou a existir não é uma questão de gosto ou de opinião”.
Só para informação: os chimpanzés possuem 24 pares de cromossomos. Uma simples célula de mórula, segundo o Dr. Lejeune, contém toda a informação genética (número de cromossomos, forma e padrões) de que se precisa para dizer de qual espécie proveio.
Saudações
Luiz Oliveira
Acho que ninguém afirmaria que não há diferença NENHUMA entre o embrião e o bebê crescido. O que digo, aí sim, é que não há diferença essencial moralmente relevante em se matar o embrião ou o bebê crescido. Por uma série de fatores, concordo que matar o bebê crescido seja mais grave; mas isso não quer dizer que matar o embrião seja uma ação moralmente neutra. Chegamos ao ponto crucial: a vida humana tem algum valor em si? Tem uma dignidade própria que não deva ser violada?
O melhor argumento que encontrei contra o aborto foi dada por um libertário, e pode ser lida aqui.
A exiguidade molecular e dependência nutricional do feto em relação à gestante não mudam o fato de que o mesmo é outro indivíduo.
A questão envolve o paradoxo Liberdade x Propriedade.
Um vírus tem a liberdade de invadir minha propriedade?
Um hospedeiro que vive no meu intestino é bem vindo na minha propriedade?
Vamos mais longe e sair do mundo tal como é configurado hoje.
Numa sociedade sem governo e com concorrência de leis, agências reguladoras e tribunais, alguém seria punido pelo aborto?
O aborto é condenável apenas na esfera moral. Oh! Mataram um possível humano, que coisa horrível!!!
Liberdade não é poder. Eu não posso ir para todos os lugares, mas eu sou livre para me locomover. O bebê tem a liberdade de viver, mas ele não é capaz de viver por conta própria. Obrigar uma gestante a ter seu filho é o mesmo que obrigar um pai a saldar uma dívida de um filho.
é por aí…
Tiago RC: duas partes –
1 – sim, muitos embriões morrem naturalmente. Assim como muitos idosos morrem naturalmente. Se você tem a mão um jeito simples e barato de impedir que um idoso de quem você cuida morre, então você é negligente ao deixá-lo morrer. O mesmo vale com um feto. Agora, há problemas de saúde que não há como prevenir ou que seriam muito custosos de ser prevenidos. Não se é culpado por uma morte dessas, pois não há negligência.
2 – Se for verdade que as pílulas hormonais forem abortivas (isso significa a pílula anti-concepcional normal, que as mulheres tomam e nem sequer menstruam mais??), então se está cometendo um aborto toda vez que o uso delas resulta na morte de um embrião.
Contudo, nunca vi essa opinião ser defendida. Na Igreja Católica, há muitos debates acerca da pílula do dia seguinte; gente que trabalha com isso alerta que ela é abortiva, outros dizem que não, etc. Agora, quanto à pílula normal, nunca ouvi dizer, o que me indica que talvez essa sua afirmação seja ainda muito marginal na comunidade científica.
Uma coisa é parar um processo que eventualmente daria origem a um novo ser humano. Isso não é aborto. Outra coisa é matar um ser vivo já existente dentro do útero. Isso é aborto.
No caso de impedir a concepção, não se matou nenhum ser vivo. E é exatamente o matar que caracteriza o aborto.
O espermatozóide é uma célula reprodutora humana. Uma simples análise genética revela que não é um ser humano.
Sim, vários seres são seres vivos. É possível provocar um aborto numa vaca, por exemplo.
Num aborto de cachorro, mata-se um cachorro. Num aborto de ser humano, mata-se um ser humano.
O embrião humano é muito diferente do ser humano de 30 anos? Sim, claro. Assim como o bebê de 2 anos é muito diferente do idoso de 80. Cada um deles está em uma fase diferente da vida.
Ao se matar o embrião, mata-se um ser vivo da espécie homo sapiens. Ao se matar o espermatozóide, ou uma célula da pele, não se mata um indivíduo da espécie homo sapiens. Por isso apenas o primeiro caso é classificado como aborto. é com base numa diferença real entre impedir a concepção e matar o resultado da concepção que se classifica certos atos como abortivos e outros não.
“Ao se matar o embrião, mata-se um ser vivo da espécie homo sapiens. Ao se matar o espermatozóide, ou uma célula da pele, não se mata um indivíduo da espécie homo sapiens
“
Exatamente Joel! Mais didático, claro e direto do que isso impossível. Um espermatozóide é uma célula reprodutora masculina, não um ser humano individuado. Ninguém está aqui a propor a preservação da vida dos espermatozóides, ou achando injusto que milhões deles morram no processo de fecundação, porque espermatozóides, apesar de serem células vivas, não são seres humanos. Logicamente, nenhuma mulher pode ter milhões de bebês, até porque cada mulher, quando nasce, tem, em média, aproximadamente, trezentos mil ovócitos( célula reprodutora feminina),para toda a sua futura vida reprodutiva. Assim como não é um ser humano um espermatozóide, não é também um ovócito, um neurônio (célula nervosa), uma célula óssea, uma hemácia, um glóbulo branco ou qualquer outra célula humana. Seria um absurdo, um despautério, verdadeiramente rídiculo, dizer que matar uma célula humana seria um crime, porque milhões de células de nosso corpo morrem, naturalmente, a cada momento enquanto outras nascem para substituir as que morreram. Não se vê por aí nenhum movimento pró-vida defendendo a preservação de espermatozóides, de ovócitos, hemácias, linfócitos ou de quaisquer outras células humanas. Mas de embriões sim. Porque são seres humanos individuados. Em um espermatozóide ou em um ovócito não existe, individualmente, informação genética suficiente para formar um novo ser humano. Mas, a partir do momento da fecundação, quando se forma a amora (ou mórula), resultado da união dos gametas masculino e feminino, ali está toda a informação suficiente para a formação de um ser humano único, individuado. Ali já está uma vida humana. Isso não é questão de opinião. É fato. Também não cabe dizer que o feto em gestação não tem direito à vida porque é dependente da mãe, recebendo desta o seu alimento por meio do cordão umbilical. Isso porque nós, mesmos adultos, também somos dependentes de outros seres vivos para sobreviver. Isso porque não produzimos, como as plantas, nosso próprio alimento. Mesmo os que não se alimentam de carne e são vegetarianos precisam ingerir vida vegetal. A não ser que existam, de fato, seres humanos que realizam fotossíntese, vivendo de luz. Bem, mas nesse caso isso já é esoterismo, e não deveríamos enveredar por esse tipo de assunto. Não pelo menos aqui neste fórum. Mas ainda que existissem tais seres humanos, como hipótese, eles seriam, como as plantas, dependentes do oxigênio e da luz do sol, em última análise. Em resumo, não existe vida biológica que não dependa de nutrientes orgânicos e/ou inorgânicos para sobreviver. Por que com os embriões haveria de ser diferente?
Saudações
A geração de um indivíduo ocorre na fecundação e isto é uma verdade absoluta!
Gustavo,
O contrário de uma verdade absoluta é sempre outra verdade absoluta.
A questão é, cada indíviduo deve ter completa e total autonomia pelo seu corpo? se sim, então ninguém tem o direito de optar pelo aborto além da própria gestante. Se não, então você não acredita na liberdade individual e , assim como governos podem incorrer nas suas escolhas em questões como o aborto, pode-se fazer o mesmo para inúmeras outras situações. Eu compactuo com a liberdade individual. Me desculpem, mas se o feto o é ou não o ser humano não deve ser julgamento de ninguém mais além da pessoa que o carrega. Por acaso, desde quando o meu julgamento, o seu, o do fulano, o do sicrano e, principalmente, o do governo detém maior valor e autoridade sobre o que os indíviduos decidem ou não fazer com os próprios corpos e fenômenos que nele decorrem.\r
Pensem bem, a moralidade e a ética são coisas relativas, e torna-se muito mais cômodo julgar e decidir pelos outros do que faze-lo somente para si mesmo. Isso me parece aquele sentimento possessivo provinciano que muitos carregam em avaliar e delegar o que outro ser humano deve/pode/precisa fazer.
Algum abortista pode me apontar o momento, segundo sua visão, em que o feto deixa de ser feto e vira homem? O ponto dos anti-aborto eu já vi neste tópico, e pra mim este é o único ponto de discórdia no debate.
O feto é outro indivíduo, outro corpo.
Não falei apenas que o feto é outro corpo.
Se a fecundação é o início da vida, vocês concordam em proibir a pílula do dia seguinte e pesquisas com embriões humanos?
Rhyan Fortuna:
Se a fecundação é o início da vida, vocês concordam em proibir a pílula do dia seguinte e pesquisas com embriões humanos?
Sem sombras de dúvidas, o sexo precisa ser posto no seu devido lugar (sexo não é essa farra que inventaram) e infelizmente, existem mazelas que são incuráveis, não dá para atropelar a moral, a ética… em nome da ciência. Talvez, Abujamra esteja certo ao dizer que: “A felicidade é uma idéia velha.”
Essa matéria levantou uma discussão legal, você pode defender a liberdade, o capitalismo etc…. mas, sempre considerando as tradições filosoficas e religiosas. Abandonar essas tradições, significa montar um capitalismo tão opressivo e cruel quanto qualquer outro sistema político.
Coelho, antes de me tornar ancap, eu defendia o Laicismo. A religião não pode fazer parte de um governo.
Tradições filosóficas e religiosas? Você é a favor da legalização absoluta da prostituição e das drogas?
Sem contar que há éticas e filosofias seculares, como o Humanismo Secular, ou mesmo a Ética da Liberdade, que parece-me uma ética secular.
Seu argumento é totalmente conservador.
Digo “conservador” no sentido ruim do termo, aquele que usa forças coercivas para impor sua moral aos outros.
Eu ando com uma metralhadora, todos que não são conservadores é bala na cabeça. E já processei centenas de pessoas não conservadoras.
Observem como os conservadores se utilizam de todas as forças e recursos para atingir o poder e impor a própria visão aos outros.
Já os não conservadores como Hitler, Stalin, Mao Tse Tung …. são pessoas que aceitam opiniões contrárias, porém, depois de conquistado o poder todos que não concordam com eles serão fuzilados ou no mínimo irão para a cadeia.
Os Estados Unidos é uma prova concreta de que o conservadorismo não presta, bom mesmo é Cuba, os Cubanos fogem do paraíso em que nasceram para viver os horrores do capitalismo conservador dos USA.
Tenha santa paciência!
Ninguém merece uma coisa dessas!
Me poupem!
Eu acho que há 2 formas de ver essa questão e com isso surgem 2 perguntas:
A primeira de forma absolutamente amoral, ou seja, sem julgamentos morais:
– A permissão do aborto melhora ou piora a sociedade ?
Eu sou da opinião que melhora, porque crianças que ñ teriam atenção dos pais ou uma educação satisfatória iriam para a criminalidade. Um pouco na linha do “Freakonomics”. Ñ estou defendendo, estou dizendo SE, ENTÃO.
A segunda forma entra na questão do individualismo:
– Em que ponto o espermatozóide/óvulo/morula/feto vira um individuo ?
E aqui a coisa complica. É uma questão muito mais filosófica do que biológica. Creio que qualquer argumento que usarmos possa ser refutado, simplesmente porque em qualquer ponto que olharmos podemos dizer: “mas isso no futuro será um indivíduo” e inclusive ir mais longe “isso poderá ser um indivíduo, portanto é um indivíduo em potencial”.
Eu ñ sei a resposta. Acho que podemos inclusive fazer um paralelo interessante com a questão racial nos Estados Unidos, a pergunta era: o escravo negro é propriedade ou indivíduo ? Hoje a resposta é óbvia e a escravidão terminou. No caso do aborto, ñ vejo muita luz no fim do túnel.
A Escola Austríaca procura ser amoral e defensora do indivíduo. Creio que aqui temos um tema interessante.
Até agora a única resposta que fizeram à questão do aborto espontâneo não foi válida.
O Joel comparou à morte inevitável de idosos. A questão aqui é que ninguém é responsável pela morte natural de um idoso, mas vocês estão afirmando que a mãe é responsável pela situação do embrião – que seria um detentor de direitos como um idoso.
Se vocês consideram que os pais são responsáveis pela situação “útero-dependente” do embrião, e que por isso ele não pode ser removido do útero, então a mulher fica responsável sim pelo aborto expontâneo.
Se eu tomo uma decisão com um objetivo, sei lá, construir um viaduto, mas algo dá errado, ele desaba numa casa, matando gente, eu sou responsável por ter ferido esses inocentes. Claro que não é a mesma coisa que um crime doloso, mas eu seria responsável sim.
Se uma mulher toma uma decisão com um objetivo (tentar engravidar), mas algo dá errado (aborto espontâneo), e vocês estabelecem que essa decisão de ter transado em período fértil e criado um zigoto a torna responsável pela condição dessa célula, que pra vocês tem direito a não ser morta, então ela fica sim responsável pela morte desse zigoto que ela mesmo criou.
Toda mulher que sofre um aborto espontâneo está cometendo um homicídio culposo nessa lógica.
E no mais, se um embrião realmente fosse um ser humano pra vocês, eu não entendo porque vocês não estão ainda desesperados com todos esses que morrem naturalmente, tentando impedir toda mulher de tentar engravidar. A chance de um zigoto fecundado não se colar no útero é bastante alta, não lembro exatamente, mas acho que chega perto de um terço.
Eu jamais correria um terço de chance de cometer assassinato, e ficaria perplexo se tanta gente o fizesse…
Tiago RC disse:
“Toda mulher que sofre um aborto espontâneo está cometendo um homicídio culposo nessa lógica.E no mais, se um embrião realmente fosse um ser humano pra vocês, eu não entendo porque vocês não estão ainda desesperados com todos esses que morrem naturalmente, tentando impedir toda mulher de tentar engravidar.”
Está havendo uma confusão aqui. Se uma mulher sofre um aborto espontâneo, natural, é claro que não houve intenção dela ou de outrem de abortar o feto ou embrião. Não houve a iniciativa consciente, ESCOLHA deliberada de praticar o aborto. Assim, não há como dizer que ela é culpada por algo que não escolheu. Afirmar isso seria um absurdo completo, uma ilogicidade e um contra-senso. Mesmo no exemplo do viaduto citado por você, que desaba sobre uma casa e mata pessoas, os indivíduos responsáveis por sua construção só serão considerados culpados pelo ocorrido, após a conclusão do inquérito, se houve alguma irregularidade na construção do viaduto, como, por exemplo, erros no projeto, emprego de material de qualidade inferior ao especificado no contrato de construção (lembra dos prédios da Encol que desabaram?) , falhas técnicas estruturais decorrentes de má-perícia, etc. Só haverá responsabilização criminal, nesse caso, considerando os construtores do viaduto como culpados, no caso da existência de irregularidades na condução do projeto do viaduto, porque houve AÇÃO HUMANA envolvida no processo. Em contrapartida, pensemos em um outro caso hipotético: o viaduto desaba, em decorrência de ressonância provocada por ventos. Um exemplo clássico é o da ponte de Tacoma, que desabou em 1940, nos EUA. Ver pt.wikipedia.org/wiki/Ponte_Tacoma_Narrows . Não houve vítimas nesse caso. O desabamento da ponte não foi decorrente de AÇÃO HUMANA, mas de um fenômeno natural. Assim, não caberia falar em responsabilização criminal dos responsáveis pela sua construção se houvesse mortes. Em um episódio mais recente, ocorrido este ano, uma ponte recém-construída sobre o rio Volga, na Rússia, sofreu o mesmo fenômeno, mas sem desabar. Ver http://www.band.com.br/jornalismo/mundo/conteudo.asp?ID=305515.
Saudações
Ética e moralidade é algo relativo? sim. Ao alguém afirmar, como você o faz Luiz Oliveira, com tanta voracidade os seus argumentos passou do ponto de rever seus conceitos. Por mais que a ciência tenha determinado aonde a vida passa começar, isso não significa que as gestantes, que carregam os fetos em seus corpos não tenho o direito a escolher se querem dar a luz ou não. Deve ser, antes de mais nada, inerente ao ser humano o direito de fazer suas escolhas, mesmo que isso implique, no seu ponto de vista, em um assassinato. Vamos passar a decidir pelos outros, não? provavelmente seus critérios éticos e morais são diferentes dos meus, talvez o seu ponto de vista seja o da maioria. Isso, porém não implica que a minha escolha seja errada, no entanto, retirar a minha capacidade de ter liberdade de escolha, baseados nas minhas decisões racionais sim.\r
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Luis Oliveira disse, “Absolutamente errado de novo. Quem costuma dizer isso, dentre outros, são pessoas que defendem ideologias totalitárias. Hitler, por exemplo, achava que os judeus eram seres inferiores. Isso é abominável por qualquer critério ético e moral, em termos absolutos. Mas na filosofia relativista de Hitler, influenciada por Nietzsche, a superioridade ariana era algo incontestável e os judeus não tinham lugar, para ele, em uma sociedade ariana. O Holocausto é uma prova histórica incontestável que aponta os abismos a que podem levar o relativismo ético e moral. Isso para ficar apenas em um único exemplo. Existem padrões éticos e morais universais que, se não forem observados, levarão à própria extinção da humanidade. Não matar, não roubar, não dizer falso testemunho são alguns dos exemplos da existência de uma ética universal e de uma moral universal.”, será que não é ao contrário? o determinismo e a veemência com que esses seres humanos defendiam e difundiam suas idéias com extrema arrogância, como você o faz, é que levou a humanidade a passar por momentos lastimáveis. Ao deixar de respeitar as diferenças culturais e pensar que era possível existir uma superiodade entre raças baseou as crenças que levaram a Alemanha de Hitler. Você fez o mesmo ao retirar a relativização. Passou a ignorar a opinião dos outros.\r
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A beleza de se ter uma liberdade assegurada é essa, eu não sei mais que você e vice-versa. As minhas escolhas foram racionais e baseadas no que eu acredito, as suas da mesma forma. Se uma mulher optou pelo aborto, o que considero algo equivocado, paciência, ela teve seus motivos. Quem sou para julgar? Alguns julgariam. E isso me soa aqueles mesmos deuses vergonhososn e julgadores que as religiões disseminam pela população mundial. Faça isso, aquilo… se não vai pro inferno, etc…\r
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Para finalizar, o libertarianismo é isso. As pessoas devem ter liberdade para tomar suas decisões de acordo com a própria consciência e sofrer suas consequências.\r
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Cito aqui uma frase que vale de lição; “Se toda a humanidade menos um fosse da mesma opinião, e apenas um indivíduo fosse de opinião contrária, a humanidade não teria maior direito de silenciar essa pessoa do que esta o teria, se pudesse, de silenciar a humanidade.”\r
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Stuart Mill\r
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Vamos acabar com essa sociedade repleta de verdades prepotentes.\r
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@Anônimo,
Está havendo uma confusão aqui. Se uma mulher sofre um aborto espontâneo, natural, é claro que não houve intenção dela ou de outrem de abortar o feto ou embrião. Não houve a iniciativa consciente, ESCOLHA deliberada de praticar o aborto.
Sim, está havendo confusão, mas da tua parte.
Eu estou falando justamente de crime sem intenção, onde há responsabilidade, culpa, mas não necessariamente intenção.
Se você coloca alguém numa situação de risco, devido a uma ação tua, e o risco se verifica e essa pessoa sofre algum dano, você é culpado, mesmo que não intencional, pelo dano causado.
Se vocês defendem que a mulher é responsável pela situação em que se encontra esse ser unicelular ao qual vocês atribuem o direito de não ser morto (e isso é imperativo para que se diga que o aborto é um crime), então foi ela que colocou esse ser em situação de risco. Ela é responsável pelo que acontecer a ele.
(e eu continuo não entendo por que vocês não estão desesperados pra fazer toda mulher parar de tentar engravidar, já que a chance de um inocente morrer é tão alta, na concepção de vocês de assassinato)
Fernando Cinelli disse:
“Ética e moralidade é algo relativo? sim. Ao alguém afirmar, como você o faz Luiz Oliveira, com tanta voracidade os seus argumentos passou do ponto de rever seus conceitos.”
A ética que VOCÊ defende, a moralidade que VOCÊ defende podem ser relativas. No entanto, em termos estritamente lógicos, se existe algo relativo é porque existe algo absoluto. Assim, independentemente de você e outras pessoas gostarem disso ou não, existem uma ética universal absoluta e uma moralidade universal absoluta. Ponto. Quanto à revisão de meus conceitos, pode haver muitos que eu precise rever. Não no caso do conceito de quando começa a vida. Isso para mim é inegociável. Não defendo este conceito, assentado firmemente em bases sólidas, porque refleti sobre isso por dois minutos e pensei: -ah, isso aqui está certo e portanto não quero ler ou ouvir mais nada sobre isso.
Uma prova de que não aconteceu assim é o tempo que estou investindo neste debate. De outra forma nem estaria aqui, porque não teria qualquer argumento para apresentar.
“Por mais que a ciência tenha determinado aonde a vida passa começar, isso não significa que as gestantes, que carregam os fetos em seus corpos não tenho o direito a escolher se querem dar a luz ou não. Deve ser, antes de mais nada, inerente ao ser humano o direito de fazer suas escolhas, mesmo que isso implique, no seu ponto de vista, em um assassinato. Vamos passar a decidir pelos outros, não?”
Em nenhum momento disse que essas gestantes não têm o direito de escolher. É claro que devem ser livres para fazer o que quiserem, no entanto que arquem com as consequências de suas escolhas. Foi o que eu disse anteriormente ao afirmar que a liberdade nunca deve estar desvinculada da responsabilidade e da justiça. Jamais disse que essas gestantes devem ser impedidas de exercer suas escolhas. Em termos estritamente teológicos, nem Deus faz isso.
“será que não é ao contrário? o determinismo e a veemência com que esses seres humanos defendiam e difundiam suas idéias com extrema arrogância, como você o faz, é que levou a humanidade a passar por momentos lastimáveis.”
Êpa! Alto lá! Se você achou a minha argumentação de “extrema arrogância”, esse é um ponto de vista seu. Não pretendi ser arrogante em momento algum. A ênfase nas respostas que formulei, por meio do emprego de recursos retóricos ou de estilo discursivo, é uma coisa. Extrema arrogância é outra completamente diferente. Até porque no trato pessoal abomino a arrogância e cultivo a cordialidade. Estamos aqui debatendo amigavelmente, embora, em determinadas afirmações eu busque ser mais enfático para realçar o que estou dizendo. Mas não tome isso como sinônimo de arrogância. É apenas um recurso do idioma, e também o emprego de técnicas discursivas. Eu repudio a arrogância. Para mim, é sinônimo de burrice. Como dizia Sócrates: “Isso somente eu sei, que nada sei”. O velho e bom Sócrates teve suas influências sobre mim. Gosto muito da Maiêutica. Nosce te ipsum. Nos leva a descobrir verdades que antes desconhecíamos. Eu gosto dessa técnica. Aliás, Maiêutica significa a “arte de dar a luz”. Algo muito apropriado ao nosso tema. A Maiêutica é uma técnica que pode ser comparada a um parto intelectual. O objetivo é levar os participantes do debate à descoberta da verdade. Diz-se que Sócrates denominou sua técnica com esse nome porque sua mãe era parteira. Tudo a ver não? Da mesma forma que um parto não é algo indolor, a descoberta da verdade intelectual não o é. Como em um parto, às vezes precisa-se até de “fórceps intelectuais” para trazer a verdade à luz. E isso causa dor. Mas a alegria, a felicidade, o prazer da descoberta compensa o sofrimento, assim como a mãe que sente prazer e alegria ao dar à luz uma criança, mesmo após muito sofrimento e dor. Isso inclui que as pessoas pensem que estamos usando de extrema arrogância, quando o objeto verdadeiro é aclarar os termos da discussão, fazendo nascer a verdade. O modo como argumentei, por exemplo, pode ter causado desconforto em muitas pessoas, como em você. Sei disso. Mas o meu objetivo é apenas esse: fazer nascer a verdade na mente das pessoas. É claro que haverá aqueles que prefirão abortar o processo. Mas esses, recusando sair de suas zonas de conforto, jamais chegarão a ter o prazer da descoberta porque recusaram a dor do parto intelectual. Como na vida, o aborto intelectual da verdade também tem suas consequências: fica-se privado da própria verdade. Você pode escolher não revisar alguns conceitos que julga corretos para não sentir-se desconfortável ou ter algum sofrimento intelectual, mas, por causa disso, jamais irá experimentar a alegria de descobrir a verdade em todo o seu esplendor.
“Você fez o mesmo ao retirar a relativização. Passou a ignorar a opinião dos outros. “
Não. Como disse se existe o relativo é porque existe o absoluto. Se você é defensor de uma ética e de uma moralidade relativa, eu defendo a validade e a veracidade de uma ética universal e de uma moralidade universal. Mas jamais defenderei que alguém seja impedido de fazer suas escolhas, por mais danosas que sejam a si ou aos outros. O que defenderei sempre é que as pessoas exerçam sua liberdade com responsabilidade e justiça. Somente isso. Você é o único responsável pelas consequências de suas escolhas.
“Para finalizar, o libertarianismo é isso. As pessoas devem ter liberdade para tomar suas decisões de acordo com a própria consciência e sofrer suas consequências. “
Aqui eu concordo com você em termos absolutos. Você aqui está absolutamente certo. Irreparável.
“Se toda a humanidade menos um fosse da mesma opinião, e apenas um indivíduo fosse de opinião contrária, a humanidade não teria maior direito de silenciar essa pessoa do que esta o teria, se pudesse, de silenciar a humanidade.”
Aqui também concordo o Stuart Mill.
“Vamos acabar com essa sociedade repleta de verdades prepotentes.”
Aqui eu discordo. A verdade é apenas a verdade. Não pode ser prepotente. Agora o que pode ocorrer é alguém usar a verdade de modo prepotente. Isso não é admissível. A verdade é evidente por si. Dispensa prepotência. Agora “acabar com essa sociedade repleta de verdades prepotentes.” deixaria em seu lugar uma sociedade repleta de mentiras lenientes. Basta uma sociedade fundamentada na verdade. Sem prepotência.
Saudações
Uma mulher M que deseja abortar e é impedida de fazer isso é obrigada a manter um hóspede indesejado H em seu útero. Diante disso, tenho umas perguntas aos que condenam o aborto.
– M é obrigada a fazer acompanhamento pré-natal?
– M é obrigada a se alimentar bem? M pode fazer regime alimentar sem acompanhamento profissional? M pode fumar?
– M pode fazer um implante nos seios que possa pôr em risco a amamentação de H?
– M pode praticar exercício sem orientação profissional durante a gravidez? M pode subir e descer escadas o dia inteiro?
– Caso seja detectada uma carência de um nutriente necessário a H, M é obrigada a comprar e tomar o suplemento alimentar?
– Caso seja detectado um problema de saúde em H, possivelmente levando-o à morte, que seja resolvido com uma medicação que poderá causar alguns efeitos colaterais indesejados em M, esta é obrigada a tomar o medicamento?
ps: Luiz Oliveira, você referenciou artigos do tipo white paper, que não podem ser considerados argumentos científicos, mas meramente informativos, geralmente de cunho político, embora possivelmente respaldado por algum burocrata que tenha algum vínculo com a ciência de fato. Se você referenciar um artigo recente, aceito por uma conferência top mundial no assunto em questão, creio que seu argumento ficará mais convincente.
TTiago RC disse:
“Se você coloca alguém numa situação de risco, devido a uma ação tua, e o risco se verifica e essa pessoa sofre algum dano, você é culpado, mesmo que não intencional, pelo dano causado.
Se vocês defendem que a mulher é responsável pela situação em que se encontra esse ser unicelular ao qual vocês atribuem o direito de não ser morto (e isso é imperativo para que se diga que o aborto é um crime), então foi ela que colocou esse ser em situação de risco. Ela é responsável pelo que acontecer a ele.”
Lá vou eu de novo (presumo que eu não esteja sendo muito claro no que escrevo. Espero que não seja má-vontade com o que digito). Se uma mulher sofre um aborto espontâneo, ela não pode ser responsabilizada por isso. Ela não cometeu crime algum. Processos naturais, decorrentes de vários fatores, fizeram com que a gravidez não fosse adiante, mesmo contra a vontade dela. Agora, se você diz que ela é culpada porque colocou o embrião ou o feto em risco, já que sabia que poderia sofrer um aborto espontâneo, então, em nome dessa sua brilhante lógica, toda mulher jamais deveria aceitar engravidar, porque assim estaria pondo em risco um embrião, que poderia ser abortado naturalmente! Ora, se fosse válido esse raciocínio, não estaríamos debatendo aqui. A humanidade teria desaparecido há muito. Os primeiros antepassados humanos teriam pensado:
-Vamos acabar com essa estória aqui. Qualquer mulher aqui está proibida de engravidar, porque pode por em risco o embrião, que poderá ser abortado naturalmente e isso não podemos permitir, porque é um crime.
Brilhante isso, não? Ainda bem que o percentual de abortos naturais é bem menor que o número de nascimentos efetivos. Não fosse assim, a humanidade não estaria chegando hoje a quase 7 bilhões de pessoas. Se o risco de sofrer um aborto espontâneo fosse tão alto provavelmente não estaríamos aqui debatendo. Se mulheres engravidam e dão à luz, é porque o risco é admissível, dentro de uma certa margem de tolerância. Agora criminalizar esse risco é que seria um crime triplamente qualificado. Um assassinato da lógica, da razão e do bom senso. Esse argumento de considerar a mulher que sofreu um aborto natural como criminosa, para que assim pudesse impedir mais crianças de nascerem, não seria usado nem mesmo pelo mais empedernido neomalthusiano.
Viver traz riscos meu caro. O sujeito pode contrair uma moléstia qualquer, como cólera, dengue, tuberculose, malária, Mal-de-Chagas, etc. e morrer em conseqüência disso(e quem aqui deve responder criminalmente? Insetos vetores? Vírus, bactérias?) Ter uma infecção fatal. Digitar bastante pode causar LER. Comer pode trazer riscos (a comida pode estar estragada, você pode se engasgar mortalmente com uma espinha de peixe ou osso de galinha, etc). Caminhar, correr, andar tem riscos (você pode tropeçar numa pedra, ou escorregar de uma calçada, bater com a cabeça no chão e morrer. E aqui, quem seria o culpado, a pedra, a calçada? Tenha dó.) “Fazer amor” tem riscos (o sujeito pode ter uma aorta rompida, ter um mal súbito, etc). Como, então, a gravidez não teria riscos? Agora, como criminalizar o risco, ou abolir o risco das situações da vida, incluindo a gravidez, é algo novo para mim, nunca havia pensado nessa possibilidade. Penso que seja preciso fundar uma nova ciência. Não consigo atingir semelhantes alturas. Meu pobre cérebro é incapaz de operar semelhante operação.
Pelo fato de as pessoas não aceitarem correr riscos é que se está permitindo que o governo invada cada vez mais suas vidas. E aí, por exemplo, muitas mulheres dizem: eu não quero correr o risco de engravidar em um momento inoportuno. Por isso, quero o direito ao aborto.
E aí vem o governo e aprova leis de aborto, obrigando o SUS a realizar o procedimento abortivo, usando o dinheiro de nossos impostos ou aumentando os mesmos para fazer frente àquela demanda. Ora, se a mulher poderia ter evitado a gravidez, por não querer filhos, por que não o fez, se existem métodos para isso?
E por aí, infelizmente, caminha a humanidade…
“(e eu continuo não entendo por que vocês não estão desesperados pra fazer toda mulher parar de tentar engravidar”
Ora meu caro. Elementar. Se eu defendo a prática irrestrita da liberdade vinculada à responsabilidade e à justiça, como, em nome dessa mesma liberdade, vou impedir uma mulher de tentar engravidar? Isso não tem nenhum sentido lógico, teórico ou prático. É um grande absurdo. Se todos as mulheres deixarem de engravidar, é claro que a humanidade se extinguirá.
” já que a chance de um inocente morrer é tão alta”
A “chance de um inocente morrer é tão alta” em quantos por cento? 99% ? 90% ? 80% ? 70%? De onde você tirou essa informação? Se essa probabilidade fosse “tão alta” assim , como você diz, provavelmente não estaríamos aqui.
“na concepção de vocês de assassinato)”
Diga-me, em que momento, eu disse que um aborto espontâneo, natural é um assassinato? Pelo menos eu não afirmei isso. Esse argumento homem de palha (verifique isso no Google) não cola. Jamais, em qualquer momento, defenderia uma tolice dessas.
Saudações
Excelente Luiz Oliveira, me desculpe se compreendi mal suas intenções. Em um debate a cordialidade, não importa o grau de discordância, deve prevalecer. Voltemos aos pontos de discórdia. Bom, primeiro, nada é absoluto. Ou até hoje o pensamento seria de que a terra é quadrada…
O meu ponto é que, ao defender veemente um ponto de vista como este, é correto ser enfático em defender o que pensa, porém não é conveniente quando essa postura ou medida passa a afetar a vida de outro indíviduo. Até onde eu sei, como você falou; “Não. Como disse se existe o relativo é porque existe o absoluto. Se você é defensor de uma ética e de uma moralidade relativa, eu defendo a validade e a veracidade de uma ética universal e de uma moralidade universal. Mas jamais defenderei que alguém seja impedido de fazer suas escolhas, por mais danosas que sejam a si ou aos outros. O que defenderei sempre é que as pessoas exerçam sua liberdade com responsabilidade e justiça. Somente isso. Você é o único responsável pelas consequências de suas escolhas.”, justamente, ao defender uma ética e moralidade universal, em outras palavras, você propem uma coletivização de valores. As experiências que observamos quando isso acontece é catastrófica, pois ataca e fere a individualidade do ser humano. Enquanto, ao conceito de que usa de responsabilidade e justiça, novamente, voltemos a relatividade. Justiça nunca é absoluta, tomemos como exemplo justamente o caso do aborto, e é ai que eu queri chegar. Como algo pode ser justo de forma absoluta? você considera que a mulher não deva praticar o aborto, posto que ela estaria cometento um assassinato do feto. Mas, primeiro, a mulher que o carrega pode não considera-lo um ser humano, e, segundo, ela pode considerar que quem julga que ela cometeu um crime, no caso o Estado, foi extremamente injusto. Daí refletirmos sobre as palavras de Stuart Mill.
Agora que chegamos em um passo mais adiante, o que eu quero, e sempre quis demonstrar, são os efeitos nocivos ao libertariasmo ou a liberdade de qualquer adoção de uma postura que infira na escolha individual, pilar primordial dos fundamentos desse ideal. Acima de tudo, devemos incorrer que um ambiente em que a livre iniciativa prevaleça, qualquer e todo ato deve ser voluntário e consesual. Isso implica, que provavelmente, caso isso seja algo relevante na sua filosofia de vida, você busque conviver com pares que partilhem da sua visão sobre o aborto. E o contrário para os que pensam que deva ser liberado. A coerência de se viver em um local em que as pessoas respeitam as escolhas dos outros é que cada um segue a própria consciência e os outros reconhecem e respeitam a decisão de cada indíviduo. Por isso liberais afirma que a liberdade é o melhor caminho para se encontrar a paz.
Agora baseado nesses preceitos, pode-se empreender que eu devo aceitar o que diz. Mas que você, necessariamente, deve o fazer o mesmo em relação a mim. Esse é o ponto que eu defendo vorazmente. Pois é única de forma de se alcançar e garantir os direitos individuais de forma plena. Assim, essa base filosófica deve ser empregada para os mais diversos temas que geram polêmica. Pelo simples fato que um ser humano tenta impor o seu ponto de vista sobre o outro. Desde que não me afete, você deve ter toda liberdade possível. Guerras religiosas, questão das drogas e problemas que seguem nessa linha ocorrem pois existe alguém que se acha superior que o outrem. E o pior, concedem todo o poder ao Estado para inferir nessas questões. Mas como sabemos, as decisões do Estado nunca se aproximam do ótimo, que seria guiado por uma mão livre, longe disso.
Assim, como empenhou bastante tempo nesse debate pois defende o que acredita. Faço o mesmo. E essa frase pode ser uma fonte inspiradora para nós;
quem sou eu:
uma pessoa livre e primada de razão…
” Intelectuais liberais devem ser agitadores, derrubar a opinião corrente hostil a economia capitalista. ” – Friedrich August von Hayek
” Se toda a humanidade menos um fosse da mesma opinião, e apenas um indivíduo fosse de opinião contrária, a humanidade não teria maior direito de silenciar essa pessoa do que esta o teria, se pudesse, de silenciar a humanidade.” – Stuart Mill
“Não está na natureza do homem – nem na de qualquer entidade viva – começar desistindo, cuspindo em sua própria face e xingando sua existência; isto requer um processo de corrupção cuja rapidez varia de pessoa para pessoa. Alguns desistem ao primeiro sinal de pressão; outros viram a casaca; outros param de funcionar pouco a pouco e perdem seu fogo, sem jamais saber quando ou como o perderam. Então todos esses somem no vasto atoleiro de seus antepassados, que lhe dizem de maneira persistente que a maturidade consiste em abandonar suas intenções; a segurança, esta consiste em abandonar seus valores; e a praticidade consiste em perder sua auto-estima. Contudo, alguns poucos mantêm-se firmes e seguem em frente, sabendo que o fogo não deve ser traído, aprendendo a dar-lhe forma, propósito e realidade.”
Ayn Rand
Matar um inocente (ainda mais, de inocência conhecida) é da gravidade de um crime.
O aborto, de acordo com eles, é uma moralidade legislativamente forçada e defendida por conservadores pró-estado que querem impor sua fé e sua moral sobre o resto de uma sociedade avessa a isso.
É uma lástima que religiosos tem de capitanear essa questão que de religiosa não há nada. Existe duas perguntas que devem ser feitas:
A primeira de cunho filosófico: Possuem os seres humanos valor moral intrínseco, e a segunda é de cunho médico: O feto é um ser humano?
Nenhuma dessas questões é de cunho teológico, creia, cristãos apenas estão preocupados com o homicídio, o aborto não é proibido desde que esteja provado que não há vida, daí não há homicídio, a bíblia não é contra o aborto. A idéia de impor a fé é boba, ninguém vai se converter se não abortar, todos não podem praticar homicídio, matar alguém inocente por vontade.
Eu indico um artigo e um podcast que são fundamentais:
– http://www.peterkreeft.com/audio/19_prolife-philosophy.htm
– http://www.reasonablefaith.org/site/News2?page=NewsArticle&id=6351
Se existe um tema que precisa de toda maneira perder o rótulo de questão religiosa é esse.
-Vamos acabar com essa estória aqui. Qualquer mulher aqui está proibida de engravidar, porque pode por em risco o embrião, que poderá ser abortado naturalmente e isso não podemos permitir, porque é um crime.
Brilhante isso, não?
E é justamente essa idéia brilhante que vocês estão defendendo quando fazem a proposição completamente sem lógica de atribuir direitos a um embrião. Não sou eu que defendo isso, são vocês.
E sobre ser natural ou não, isso não muda nada no que tange responsabilidade. Se você colocou a pessoa na situação de risco, contra a vontade dela ainda por cima, você está responsável por danos naturais ou não que ela venha a sofrer devido a esse risco que você criou.
O lance todo que vocês não entendem é isso: lolgod.blogspot.com/2010/05/this-is-not-difficult-concept.html
Falar em crimes no âmbito microscópico, com vítimas microcópicas, beira a loucura.
Apenas coloquem a mão na conciência e levem isso em consideração, pois este não é um mero detalhe. [2]
De acordo com esse pensamento irracional, anões seriam apenas “meio adultos”, TiagoRC.
Charles Gomes:
“O aborto, de acordo com eles, é uma moralidade legislativamente forçada e defendida por conservadores pró-estado que querem impor sua fé e sua moral sobre o resto de uma sociedade avessa a isso.”
Ninguém aqui está querendo impor nada. Vou repetir pela enésima vez: O que está sendo defendido é que a liberdade seja exercida INDIVIDUALMENTE com responsabilidade. Somente isso. Ponto. Parece que algumas pessoas não leram o artigo do Ron Paul, ou se leram não entenderam. Entre outros argumentos Ron Paul disse no artigo que:
“ENTRENTANTO, ESSE EMBANTE NÃO SE DEVE DAR NO CAMPO POLÍTICO. Sabemos que a moralidade é algo que deve ser intrínseca às leis, não importa o que os secularistas digam. Mas a moralidade não é intrínseca à política. A política nada mais é do que um mecanismo de se obter poder sobre as vidas das pessoas através do poder estatal. A política é a rejeição da santidade da vida. O RESPEITO PELA VIDA HUMANA SE ORIGINA DE INDIVÍDUOS AGINDO DE ACORDO COM SUA CONSCIÊNCIA. ASSIM, É UM ERRO SUPOR QUE UMA CULTURA PRÓ-VIDA POSSA SER IMPLANTADA POR MEIO DA PERSUASÃO POLÍTICA OU DO PODER GOVERNAMENTAL. A moralidade não é algo que pode ser imposto. Uma consciência pró-vida é estimulada pela religião, pela família e pela ética, NÃO PELO GOVERNO. A história já nos ensinou que os governos esmagadoramente violam a santidade da vida humana; eles nunca a defendem.”
Cristalino não? Agora, tomar persuasão e imposição como coisas equivalentes é um tremendo absurdo sem tamanho. O instrumento utilizado pelos que querem persuadir outrem são palavras. Já quem quer impor suas opiniões apela para tortura, prisão ou pena capital. São coisas bem diferentes. Vamos ler de novo o artigo do Ron Paul,até mesmo várias vezes se necessário, e tentar compreender o que ele disse, antes de emitir opiniões apressadas.
“o aborto não é proibido desde que esteja provado que não há vida”
Claro, um zigoto, embrião ou feto são agregados de material inorgânico como cimento e concreto, já que não existe DNA neles, não há material genético, cromossomos, não irão originar uma nova criança, nada disso. Extirpá-los do útero materno não tem nenhuma relevância, já que se trata de material descartável.
A questão não é PROIBIR o aborto, por meio de legislação governamental. Não se está defendendo isso. O que está sendo dito é que as pessoas devem ser apenas persuadidas de que o zigoto, embrião ou feto representam vida humana. Só isso.
Saudações
Cada potencial combinação óvulo-espermatozóide existente é uma “vida humana”, mesmo que um esteja no Casaquistão e outro em Portugal, dentro dos corpos de duas pessoas que nunca ouviram nem vão ouvir falar uma da outra. Nem mesmo o maior biruta do planeta diria que as mulheres deveriam tentar engravidar sempre que ovulam, mas é inegável que cada menstruação corresponde a uma potencial vida perdida.
Pode parecer um absurdo dizer isso em relação à vida humana, mas existem graus. O debate sobre o aborto nunca chega a lugar nenhum porque, em última instância, se trata da visão pessoal de cada um sobre a santidade não da vida humana, mas do sexo: vemos tanta gente chamando aborto de assassinato mas sendo perfeitamente compreensivo com menstruação porque existe uma noção pervasiva entre as religiões de que o ato sexual é sagrado, que é o começo da vida.
Vamos fazer uma analogia com economia aqui: a vida humana tem um valor, um valor extremamente alto, mas (perdoem o pragmatismo) um valor limitado. Decidir que não vale a pena fazer todas as mulheres do mundo engravidarem sempre que possível é uma decisão similar a decidir que não vale a pena continuar com uma gravidez em progresso: de um lado da balança estão os “benefícios”, a vida que será criada. De outro estão os custos: o impacto destruidor, real e imediato que um filho indesejado tem na vida dos pais.
Sendo que o corpo e a vida são da mulher, parece sensato deixar a decisão nas mãos dela. No fim das contas, quando a teoria se atola na nossa condição de animais, a melhor coisa a fazer é apelar para o bom senso. Minhas tripas me dizem que punir uma mulher como assassina por ela ter decidido não ter um filho é simplesmente absurdo.
É por essas e outras que eu desconfio desse liberalismo exagerado. Na economia pode até funcionar, mas existem outras coisas além de economia. Com o passar do tempo, o adepto passa a enxergar tudo como uma teoria da conspiração dos estatistas contra o indivíduo. No caso do aborto eles não enxergam que é a liberalização que leva opressão estatal, e não o contrário. Não há nada de liberdade no aborto… somente aquele tipo de “liberdade” que termina em opressão. O mesmo tipo de “liberdade” que permite que o mais forte se imponha livremente sobre o mais fraco.
Só uma pergunta para os abortistas: qual é a diferença entre matar um indivíduo que nasceu com 6 meses de gestação e mal sobrevive sozinho e outro com 9 meses de gestação bem mais desenvolvido mas que está dentro da barriga da mãe? Para os abortistas um deve ser assassinato e outro direito sagrado da mulher. Qual é a lógica disso?
É. A fecundação de um óvulo de uma mulher por um espermatozóide de um homem nem sempre resulta um ser humano. Pode ser um tubo de maionese ou um capacete de bombeiro. Pode matar à vontade. O libertarianismo prega, por vezes, o cientificismo, travestido de livre-mercado, a mesma arma do comunismo e seus herdeiros contra populações oprimidas. Só os planejados poderão nascer; aí fica com a mesma cara do estatismo de sempre. É justamente esta falta de alma que mancha a escola libertária. “Todos são iguais, mas uns são mais iguais do que outros? Nâo é inédita a frase. Não tenham medo de Deus. Ele é bom e sábio. Mises também parece ter sido muito sábio. Já seus discípulos…
Amigos,
Leio sempre os artigos do Mises.org.br desde o início, e desde 2005 tive contato com o site “pai” dos USA – mises.org.
Tenho lido bastante a respeito da filosofia libertária e suas aplicações econômicas – ou seja, a economia de livre mercado, e tudo tem sido consistente do ponto de vista lógico.
Porém existem assuntos, como por exemplo, este do aborto, que na minha modesta opinião, pela sua própria natureza não podem ser 100% analisados e compreendidos apenas à luz da teoria filosófica libertária.
As implicações da decisão de abortar – ou não – sobre a vida da mulher, podem ser razoavelmente dissecadas sob o ponto de vista dos conceitos de propriedade do corpo, defesa da individualidade e outras questões inerentemente lógicas, mas existe um pano de fundo moral e ético que não pode ser pesado e medido com as ferramentas da ciência.
Apesar de ter me “convertido” num robusto libertário, inimigo declarado do Estado e suas ramificações, compreendi há um tempo que a escola de Rothbard, Mises e outros luminares que nos inspiram na política e na economia, não tem a pretensão de querer solucionar este tipo de dilemas morais.
Toda vez que entramos no mérito daqueles tipos de situações como o tradicional “naufrágio sem salva-vidas suficientes” (à qual me parece, intuitivamente, assemelhar-se o conflito entre os interesses da mulher grávida e o direito do feto à vida), caímos num sistema que tem mais incógnitas do que equações, onde a chave da solução está no plano espiritual, ou religioso se preferirem.
Mesmo sendo pessoalmente contrário ao aborto sancionado pelo Estado, por motivos religiosos, entendo que o assunto não deveria ser legislado através da coerção – se quisermos ser coerentes com a filosofia libertária.
O ideal seria que cada grupo social voluntariamente constituído – seja um município num sistema anarco-capitalista, ou uma comunidade religiosa, ou qualquer forma de associação voluntária – tivesse suas regras específicas, às quais o indivíduo deveria aderir ao se filiar ao grupo.
Posso citar como exemplo, que no Judaísmo o aborto é considerado imoral, e proibido na imensa maioria dos casos, exceto quando a vida da mulher está em perigo iminente e auto-evidente, por exemplo num parto onde a mãe corre o risco de morrer para salvar a vida do bebê.
Neste caso, pelo Código de Leis do Judaísmo, a mulher, através da parteira ou do médico assistente, teria direito de matar o feto dentro do útero, se necessário cortando-o e extraindo-o em partes – *exceto* se a cabeça já tiver saído!! Pois neste caso é considerado um homem com plenos direitos, e não temos direito de decidir quem deve viver e quem deve morrer: esta decisão somente cabe ao Criador.
Enfim, estou citando esta visão apenas para ilustrar o fato de que nem tudo no Universo pode ser arbitrado e decidido somente com base na ciência ou na filosofia.
Saudações austro-libertárias,
RH
Eng. Mecânico
Rio de Janeiro.
Prezado Fernando,
Em geral aprecio seus comentários sobre economia, mas neste particular o link que você postou é absolutamente irrelevante para a questão em análise, bem como de gosto duvidoso.
Espero ter a oportunidade de ler, em outros artigos, algum outro comentário inteligente da sua parte.
Até lá, ficamos assim: você a favor & eu contra – “cada um na sua”…
Saudações austro-libertárias,
RH
Saudações a todos e à vida!\r
\r
Deixa eu contar uma coisa: para além das leis brasileiras, absolutamente fundamentais mas também tantas vezes apartadas da REALIDADE BRASILEIRA, quero trazer justamente essa faceta da vida humana na discussão: A REALIDADE.\r
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Não sei como anda a questão nos EUA. Parece que a realidade dos EUA também não importa muito ao autor do texto, posto que ele não faz questão de mencioná-la. \r
Ele se bate com política, critica a federalização das leis nos EUA, o que me parece algo bem razoável e defensável, mas mesmo se dizendo a favor da vida, não discute a realidade das VIDAS que são perdidas ou ameaçadas por aborto nos EUA.\r
Discute sim a realidade política e jurídica dos EUA. Isso me parece seu foco.\r
Ele é homem, arrisco-me a dizer, e mesmo ao falar de vida, o faz de um ponto de vista não de quem CUIDA e GERA, que quer saber das pessoas concretas, de verdade; fala, isso sim, do ponto de vista de quem DISCUTE e ARGUMENTA.\r
Não que seja errado, apenas insuficiente.\r
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Para além da ciência, religião, moralidade, filosofia… existem os fatos, os acontecimentos, que não pedem autorização de nossos posicionamentos ou juízos para existir, embora sejam consequência deles.\r
E essa realidade é bastante eloquente: o aborto é amplamente praticado em nosso país.\r
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“Pela primeira vez foi realizado um estudo de magnitude do aborto no Brasil com uso de métodos diretos de coleta de dados: 1 em cada 5 mulheres já realizou aborto.”\r
E eu digo: aos que estão desavisados da realidade sobre a qual discutem (?), é bom repetir:\r
1 em cada 5 mulheres já realizou aborto\r
1 em cada 5 mulheres já realizou aborto\r
1 em cada 5 mulheres já realizou aborto\r
1 em cada 5 mulheres já realizou aborto\r
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“A pesquisa, conduzida por pesquisadores da Universidade de Brasília e pelo Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero (instituto Anis), foi realizada com rigor científico pioneiro p/ o tema, utilizando-se técnicas de urna, o que garantiu o sigilo das mulheres entrevistadas e a precisão dos dados. (…)A Pesquisa Nacional de Aborto indica q o aborto é tão comum no Brasil que, ao completar 40 anos, mais de uma em cada cinco mulheres já fez aborto. Tipicamente o aborto é feito nas idades que compõem o centro do período reprodutivo das mulheres, isto é, entre 18 e 29 anos, e é mais comum entre mulheres de menor escolaridade, fato q pode estar relacionado a outras características sociais das mulheres de baixo nível educacional. (…)Não surpreende q os níveis de internação pós-aborto contabilizados pela PNA sejam elevados, ocorrendo em quase a metade dos casos. Um fenômeno tão comum coloca o aborto em posição de prioridade na agenda de saúde pública nacional.” \r
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Assim, o estudo diz que 22% da população feminina já abortou, e isso porque só foram levadas em conta mulheres alfabetizadas de centros urbanos, hein.\r
O ABORTO JÁ É PRATICADO. A LEGISLAÇÃO, QUE PRETENDERIA COIBIR A PRÁTICA, NÃO O FAZ. SE O FAZ, É APENAS PARCIALMENTE. BEM PARCIALMENTE.\r
Então, pra quem não é a favor do aborto, quais são as ações que deveriam ser colocadas em prática pra que ele não fosse praticado? Pra que vidas – seja de fetos, seja de bebês, seja de mulheres – sejam poupadas?\r
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Não entendo essas discussões, calcadas em ego, pra ver quem tem o posicionamento mais “racional” ou mais “humano”, pra ver quem tem o melhor argumento, pra ver quem tem razão, quem está com a verdade, qual o melhor regime político…. Não estamos confundindo alhos com bugalhos?\r
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Aborto… não era pra falar sobre vida, sobre cuidado, seguridade, amparo e defesa da mulher gestante, do ato de concepção? Por que nos perdemos tanto assim…? Pra onde esse tipo de discussão leva?\r
Não, não é que esteja errado, ou seja inválido.\r
Minha questão é: não há um monte de gente aqui que queria falar de vida, sobre defender a vida, a concepção, a liberdade? E será que esse é o melhor jeito de fazê-lo. competindo pra ver qual o argumento mais forte?\r
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Bem, eu aprendi bastante lendo o texto e os comentários, concordei aqui, discordei ali. Mas lendo e relendo, não vi aqui muitos exemplos de como evitar que vidas se percam. Afinal, elas JÁ SE PERDEM todo ano. \r
Dados do Ministério da Saúde admitem até mais de um milhão de abortos por ano no país.\r
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E a gente não se pergunta: por que? Quais as causas? Como elas poderiam ser evitadas?\r
Não é estranho? Eu investigo e discuto pra saber o melhor jeito de defender meu argumento diante do seu, mas não investigo e discuto pra saber o porque de a realidade ser como é, e sobre como eu poderia mudá-la?\r
Pra usar a simbologia da discussão… não lhes parece demasiadamente INFÉRTIL discutir AGORA se está certo quem descriminaliza ou não ou aborto?\r
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A discussão sempre é se pode ou não pode abortar.\r
Sério? É essa a principal e mais urgente discussão? É isso que dá vontade de discutir quando se observa a realidade nacional? (Ou será que se discute desse jeito enviesado justamente… pq não se leva em conta essa tal realidade… hein?)\r
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A verdade é que milhões já sofrem, milhões de fetos pra quem se importar com eles, milhões de mulheres pra quem se importar com elas, e milhares de mulheres morrem todo ano no Brasil.\r
Por que nos importamos tanto com argumentos, conceitos, regimes políticos… e etc.\r
Sim, dr. Ron Paul e colegas, também sou pró-vida. Sou pró-amor. Mas por que a conclusão do texto é sobre o melhor jeito de fazer leis e o melhor jeito de ser libertário? Parece que a discussão era sobretudo política. Uma questão de poder. \r
É essa a principal conclusão do autor: que o governo federal não deveria ter tanto poder assim.\r
Tou de acordo. Mas foi estranho ver pra onde o texto desembocou. O título me enganou.\r
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E acho que a discussão do aborto sempre nos engana. \r
Estamos sempre falando de outra coisa, e nunca do aborto.\r
Afinal, a realidade que esse tema tem quase sempre fica de fora.\r
Ok, já tou careca de saber que legislações criminalizam o aborto. \r
Já tou careca de saber que a discussão divide populações.\r
Assim como foi feito nas discussões eleitorais no Brasil de 2010, opta-se por discutir aqui de tal maneira que as pessoas CONTINUEM DIVIDIDAS. \r
Eu tou fora dessa discussão!!!!!!!!!!!!! Sugiro que aprendam a ficar de fora também.\r
Proponho que instauremos debates mais bem colocados.\r
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Achei que de todos os políticos candidatos à presidência do Brasil, Marina Silva disse a coisa mais inteligente que já ouvi: não ao plebiscito para essa questão, isso apenas dividiria o país. Seguida de Dilma, que disse que a questão deve ser tratada por um presidente como uma questão de saúde pública.\r
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Não se faz nenhum tipo de esforço para unificar a população em torno daquilo que tenho certeza que todos concordam: estimular a concepção responsável, a informação, um serviço de saúde de qualidade, uma política social que ampare as mães desamparadas na concepção, questionar o que faz nossos jovens e adultos a não ligarem o ato sexual à concepção. \r
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Enfim, pra que querer convencer um ao outro se descriminaliza ou não? A sociedade brasileira sequer está madura pra decidir isso, a gente viu o tanto de ofensa e espetacularização do tema nas últimas eleições.\r
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A população se divide quanto ao tema. Então, que tal fazer algo menos ambicioso do que impor à outra metade da população a opinião de uma delas.\r
Que tal a gente discutir sobre como assegurar a vida, do feto, da gestante, de todos, evitando que se chegue ao aborto? Que tal discutir como socorrer e amparar esses milhões que procuram o aborto todos os anos?\r
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Meu útero me diz que parando de discutir sobre quem está com a razão ou não, e discutindo sobre como CUIDAR, PROTEGER e EDUCAR melhor nossa população no que diz respeito ao sexo e à concepção, a gente consegue ir mais longe.
Para mim este assunto não tem polêmica.\r
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Sou a favor da vida.\r
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O feto é vida humana.\r
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O aborto é uma modalidade de homícidio.\r
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Quem comete aborto é criminoso.\r
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O resto é justificação de violência feito pelos marxistas.\r
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Abraços\r
Pra mim também não tem polêmica alguma.
Aborto, na minha opinião, por questões religiosas, é condenável.
Jamais, porém, defenderei que o estado sedimente esse ou aquele entendimento. Fazendo-o – como fazendo qquer outra coisa – estará errando em algum momento.
Por isso, prefiro condenar pessoalmente aquelas pessoas que, na minha concepção, agiram mal e praticaram o aborto.
E isso, mesmo que o estado venha liberar ou incentivar tal prática.
Sabe o que é pior? Se isso acontecer no Brasil, vão querer me obrigar a aceitar o aborto como algo normal.
Se eu, então, resolver mandar emborar minha empregada que, eventualmente, tenha realizado um aborto, eu vou acabar sendo punido.
Esse é o grande problema…
“1 em cada 5 mulheres já realizou aborto “
Luana, desde quando isso é argumento? Aposto que uma porcentagem bem grande dos brancos europeus possuiam escravos no século XVIII, nem por isso escravizar alguém é algo correto. O que você está afirmando é que uma grande parcela da população considera correto abortar e o faz. E dai?
Você disse que deveriamos pensar no que fazer com essas pessoas (um quinto das mulheres), mas como vamos decidir isso se nem decidimos se o que elas estão fazendo é certo ou errado?
Na minha opinião 1 em cada 5 mulheres no Brasil são assassinas e deveriam estar presas. Sim, muita pessoas estão na pobreza ou com problemas psicológicos pelo mal tratamento dos pais, mas será que matar essas pessoas é a solução?
Luana, se por algum motivo uma parcela da população achasse que matar os idosos de suas famílias é correto e passasse a faze-lo, você iria querer puni-los ou tentar entender os motivos que os levaram a pensar isso e se possível até tornar a decisão de matar idosos algo facultativo a cada família?
Algum espertalhão pode querer dizer que eu quero prender todos aqueles que não concordam comigo, mas e quanto aos quase 20 milhões de mortos que esta pesquisa revela? Não é uma atrocidade maior.
Ótimo texto, onde o autor decide, através de suas experiências, pensar e assumir uma posição de acordo com elas e, sabiamente, não se viu radicalizado em teorias fortemente infectadas por ideologia. Bom senso não é valor elástico e sim uma das facetas da razão e da curiosidade humana! Ponderar ao invés de vomitar letras é algo bastante válido!
Parabenizo pelo texto!
Acredito que, infelizmente, aqueles que se dizem defensores da liberdade na verdade acabam por apontar práticas que acabam com ela.\r
Acho que a liberdade econômica é possível e desejável, porém os ideais econômicos da escola austríaca não podem ser aplicados às áreas não-econômicas. Ser a favor de um estado garantidor da lei e da ordem não significa ser contra o livre mercado. O estado pode ( e deve ) existir, a sua expansão para o setor econômico não é “infreiável” ( seria se ele fosse aceito dentro da economia ).\r
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Liberdade irrestrita não existe, nunca existiu e jamais existirá; o problema dos libertários está no fato de eles analizarem situações por óticas unilaterais.\r
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Vamos a um exemplo radical: Suponhamos que, a partir de agora, o governo brasileiro permita que cada indivíduo decida, sem coerção externa, se é ou não correto realizar o aborto. Suponhamos que uma mulher que está grávida ache que é correto realizá-lo. Suponhamos que ela o faça. Pois bem, o estado não interferiu, mesmo assim, houve liberdade?\r
Se algum libertário disser que sim, ele estará enxergando a situação unilateralmente; a mãe teve, de fato, liberdade; mas a criança não. Foi garantida a liberdade de realizar o aborto, mas não a de viver, e consequentemente as tantas outras que o feto teria em sua coercivamente interrompida vida.\r
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Nenhuma ação é uma ilha, nisso está o motivo de você lutar pela maior liberdade, não pela absoluta.\r
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Sejamos realistas e não dogmáticos, vivemos na realidade, não na imaginação.\r
Anarcocapitalismo não é viável pelo fato de não podermos admitir a lei do mais forte ( no caso, do mais forte economicamente ). Se alguém quiser lhe matar, só terá que pagar mais que você, quem irá impedir? Os que não concordam com isso? E se eles não vencerem a concorrência com os que concordam? O Estado, mesmo não sendo perfeito, impede isso. A causa de os estados terem matado mais que os privados é justamene a sua existência, os privados não mataram pouco por bondade, mas porque foram impedidos.\r
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Dizer que estados não devem existir porque não exisem tantos crimes privados é o mesmo que dizer que de dia o sol não precisa existir porque já é claro.\r
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É triste ver maravilhosas teorias econômicas serem usadas para defender equivocadas teorias não-econômicas. É como tentar tirar a raiz quadrada do mar.\r
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Sim ao liberalismo econômico. Não a libertarianismo unilateral cego.\r
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Espero réplicas e peço desculpas por ir muito além do assunto inicial.
Quando alguém está se afogando em um lago, eu, de posse de um juízo de conveniência e oportunidade, avalio os meus riscos e decido se me enfio na água para salvar esta pessoa. Todavia, quando eu jogo alguém em um lago, que sei que não sabe nadar, eu necessariamente tenho de entrar na água para salvá-la, mesmo que ali estivesse repleto de jacarés, ou serei acusado de homicídio.
O mesmo se dá com a gravidez. Os seres em gestação são fruto de um ato consciente e deliberado. São seres humanos em formação, diferentes do pai e da mãe. São seres que têm ânimo de viver e de se desenvolver.
Em nenhum momento da vida somos as mesmas pessoas: a cada minuto nossos corpos estão em transformação, de modo que a escolha por um determinado momento é algo absolutamente arbitrário.
A liberação do aborto atende a projetos totalitaristas. Em todas os regimes totalitários o aborto foi liberado ou plenamente tolerado; as mais das vezes, “incentivado”. O aborto atende a programas de controle de natalidade, de emprego, de segurança pública e até mesmo eugenistas (raciais/étnicos). É a famosa fórmula: “se há dez cabeças e nove chapéus, então que se corte uma cabeça”.
Qualquer estado forte tem como persuadir mulheres a abortar, fazendo com que recaia sobre elas a culpa e a responsabilidade pela decisão. Elas vão abortar com muito sofrimento pessoal e o estado vai fazer propaganda mostrando a todos como respeita o direito delas.
Uma franca doutrina liberal não pode se coadunar com este simulacro de liberdade.
Aos que são contra o aborto, eu faço uma pergunta: E nos casos em que é diagnosticado a anencefalia ?
um espermatozóide não é um indivíduo como um feto, e sim uma célula reprodutiva, um gameta
‘O melhor critério que existe é o que citei acima, de tirar do corpo. Se sobreviver é que já era um homem, se não, não era ainda.’
Sobreviver com ou sem ajuda da medicina? Porque se for sem então um cara na UTI tb não é humano, se vc tirar ele da UTI ele morre, e se for com, pode até ser que um dia exista condições de criar um útero artificial (como já existe tecnologia pra simular coração, rins,etc ) que torne possível sim fazer um óvulo fecundado sobreviver até ‘virar’ um bebê.
Uma ideia errada é a de que intervenção e coerção por parte do governo é algo ruim que deve ser evitado a qualquer custo. Sendo assim, seria melhor deixar uma mãe abortar uma criança, desde que ela tenha decidido isso por sua própria vontade. Que equívoco, se admitimos que o aborto priva o feto da liberdade à vida e, por consequência, a todas as outras que ele teria caso não fosse assassinado, devemos sim, aceitar que uma mãe seja impedida pelo governo de realizar um aborto, punindo-a em caso de desobediência, devemos sacrificar essa miserável liberdade da mãe em abortar para garantir a maravilhosa liberdade da criança a viver.\r
Acho que alguns, vendo que a liberdade é ótima para a economia, tentam implantá-la da mesma maneira na sociedade como um todo. O mercado é amoral, mas a sociedade não.\r
Ditaduras entram em colapso em direção à liberdade, anarquias entram em colapso em direção à ordem, mas uma sociedade com estado limitado em equilíbrio ( não é o caso atual em nosso mundo em geral ) é mantida.\r
Que as ditaduras remanescentes tenham vida curta, que as anarquias nunca tenham vida, que uma sociedade laissez-faire e livre mercado tenha vida longa.
Nesse caso, sim, a coerção é desejada; o efeito dessa coerção foi uma maior liberdade total, mesmo que soe paradoxal: A mãe, de fato, teve sua liberdade diminuída, porém a criança teve sua liberdade aumentada mais que proporcionalmente. Você está sugerindo que, em nome da liberdade, deve-se aceitar uma agressão como o aborto; por favor, relativizar a ética é algo detestável e intelectualmente desonesto, dizer que o julgamento da legitimidade de se abortar deve caber à mãe é algo inaceitável.\r
Se forem elaboradas regras de procedimento para o estado ( regras bem claras ), que são as leis, como ele poderá, de repente, passar a ignorá-las e sair, por exemplo, regulando a economia e intervindo onde não se deve? Ele só dará esse passo com o consentimento dos governados, que só consentirão com isso se forem irresponsáveis; desse modo, não os vejo vivendo bem em uma anarquia de irresponsáveis.\r
Você pode pensar: E estão vivendo bem sob um governo de irresponsáveis? É claro que não! Por isso temos que nos esforçar para contruir uma sociedade com governo limitado, uma sociedade com respeito à moral, à família e ao capitalismo laissez-faire.
Suponha que eu seja alguém que se incomoda muito com o bem dos animais, cachorro, gato,etc.E que eu trabalhe no ramo de demolição
Um dia eu tenho que demolir uma casa, supostamente não tem ninguém lá, mas existe uma chance de um cachorro ter ficado trancado.Pode ser que ele esteja lá mesmo, pode ser que não, eu não sei, mas como existe O RISCO de matar um animal inocente, coisa que eu não quero porque a vida dele tem uma importância pra mim, eu resolvo não explodir aquela casa.
Agora, uma vida humana não é, pelo menos pra quem defende a liberdade individual acima de tudo, mil vezes mais importante que a de um animal? Não é a coisa mais valiosa da terra? Então porque é que no caso de dúvida, onde não se sabe se ali tem uma vida humana ou não, o benefício da dúvida fica do lado do ‘ali não tem vida nenhuma’?
Por essa e outras que eu não acredito na moralidade de muita gente por aqui.
Eu dúvido é da moralidade de alguém que defende a agressão de seres humanos inocentes e incapazes de se defender.\r
Considerar que células se dividindo, que uma mórula, que um embrião, é a mesma coisa que um indivíduo vivo e independente, não faz o menor sentido e pode levar a posturas absurdas. \r
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Exatamente. É burrice dizer que uma embrião é um ser independente, assim como é também burrice negar que é um ser vivo. Segue trecho do artigo relacionado: \r
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“Dado que muito material já foi escrito debatendo quando a vida de fato começa, seria tolice gastar tempo sobre o assunto neste espaço. Direi apenas que aqueles que argumentam que um feto em desenvolvimento não é de maneira alguma um ser humano têm muita evidência científica contra eles. Já está bem documentado que há um coração batendo após 18 dias de fertilização e que a formação de ondas cerebrais já ocorre após um mês e meio (tenha em mente também que a maioria dos abortos ocorre bem depois desses desenvolvimentos)”\r
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Só porque um espermatozóide entrou num óvulo, isso não quer dizer que o resultado imediato é um ser humano. Pode vir a ser um ser humano, mas não o é ainda, e pode nunca vir a ser pelas mais diversas razões. \r
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Mataremos então os bebês já que talvez um dia eles jamais seriam um adulto físicamente e psicologicamente independente?
Fernando, o ramo científico responsável por definir vida é a biologia, e a biologia afirma que a vida começa na concepção. É a partir daí, que um óvulo com 23 cromossomos, e um espermatozóide também com 23 cromossomos se unem e formam um ser humano, com 46 cromossomos. Se você matar essas “células microscópicas” e realizar um exame de DNA, ele apontaria aquele ser como um ser humano. Se você fizesse o mesmo exame, obteria o mesmo resultado. Por favor, não seja um pró-aborto fratricida.\r
Espero ter lhe ajudado.
Fernando, o exame mostraria que aquilo tem natureza humana, você não poderia matar seu dono. O mesmo para um zigoto, por exemplo, você não poderia matar o dono da amostra. Talvez você tenha feito uma confusão pelo fato de a amostra de um humano adulto ( o fio de cabelo ) ser uma parte do organismo e, de outra maneira, a amostra de uma “célula microscópica” ( uma única célula – se ainda estiver em seu estágio primário ) ser o organismo todo.\r
Seu DNA existe desde o momento que você foi concebido, Fernando, você existe desde esse momento; você pode agora estar maior e mais desenvolvido, mas desde sua concepção você é você.
O DNA está naturalmente ligado à vida. O início da existência do seu DNA é o início da sua existência nesse mundo, da sua vida, se o seu DNA está vivo, você está. É esse o referencial da vida. Não o fato de ter ou não cérebro, de sentir ou não dor, de ser saudável ou não. Até vírus são uma forma de vida, porque têm DNA.\r
O ser está vivo porque seu DNA é “operacional”, e é humano porque seu DNA é humano.\r
Se você ainda não se convenceu, Fernando, então me diga desde quando você acha que você existe, por favor.
‘Mas não existe dúvida nenhuma.
Células microscópicas não são uma vida humana, não são um ser humano.
Isto, nao é isto.’
‘Direi apenas que aqueles que argumentam que um feto em desenvolvimento não é
de maneira alguma um ser humano têm muita evidência científica contra eles.
Já está bem documentado que há um coração batendo após 18 dias de fertilização e
que a formação de ondas cerebrais já ocorre após um mês e meio
(tenha em mente também que a maioria dos abortos ocorre bem depois desses desenvolvimentos)’. Ron Paul, aqui nesse mesmo artigo.
Ron Paul 1 x mises brasil 0.
Por favor, você é humano porque seu DNA o é, um zigoto é humano porque o DNA dele o é. Fernando, você está confundido seu raciocínio por causa da “parte” que você escolheu como amostra para o DNA; quer dizer que se retirássemos uma amostra de seus pulmões e ela apresentar seu DNA, isso não significaria nada, e poderíamos destruir seus pulmões por isso? Não podemos matar o ser que possue tal DNA, você pode “matar” o tal do cabelo, pois isto não matará o organismo todo ( você não morre por isso ); Matar um zigoto matará o organismo todo. Não confunda a parte com o todo.\r
Você existe, sim, Fernando, desde a sua concepção. \r
Todo ser tem a liberdade à vida, inclusive a criança; o aborto é a violência dos mais fortes contra os indefesos. Não há liberdade sem lei. Uma lei que nega a liberdade da mãe de abortar a gravidez é, ao mesmo tempo, uma lei que garante a liberdade da criança a viver; não podemos olhar só para o custo, vamos olhar também para o benefício.\r
Acredito que, mesmo que os libertários possam tirar de letra no campo econômico, eles erram muito feio ao propor a anarquia, a sociedade onde a ética supostamente é considerada vital, mas que todos são livres para quebrá-la, se assim desejarem, basta dizer que não concordam com ela. Essa ultra-relativização da ética é algo destruidor e um caminho para o caos.\r
Infelizmente, amigos, qualquer anarquia, se um dia existir alguma, irá se auto-destruir. Vocês têm uma inteligência acima da média, analisam argumentos contrários ao de vocês, debatem, e acreditam que a liberdade de mercado funciona ( o que indiscutivelmente é verdade ). Usem essa inteligência para superar o preconceito às leis, mesmo que as atuais, que estão distorcidas, não sejam as melhores; assim é o mercado também, sabemos que ele não é melhor porque está distorcido, mas não somos contra ele.\r
Desculpem por fugir um pouco do tema e espero ter lhes ajudado, inclusive você, Fernando ( fio de cabelo é parte, não todo ).
Fernando, esperava mais de você; suas argumentações se limitaram a reduções ao absurdo, ataques à pessoa, e não à idéia, e raciocínios baseados somente no que se vê e em idéias rasas. Acredito que você pode fazer melhor que isso. A ciência afirma que a vida começa na concepção. Vida não se curva a necessidades econômicas, sociais ou psicológicas da mãe.\r
Os libertários se dividem em duas opiniões sobre o aborto:\r
1.É correto, mas que cada um faça o que quiser.\r
2.É incorreto, mas que cada um faça o que quiser.\r
Não se exalte, não é assim que você que irá conseguir convencer os outros.\r
Acho que só você não entendeu meus argumentos.\r
Felizmente, radicais são uma minoria que não é ouvida pela população ( talvez pela ignorância da mesma, mas o efeito, em alguns casos, é bom ).
Por que ela estaria sujeitas ao mercado, se guiaria pelo sistema de preços, alocaria bens de forma mais efetiva, sendo sujeita a falência e competindo por clientes num regime de concorrência.\r
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Veja, por exemplo, as seguradoras de automóveis, empresas privadas de segurança e tribunais arbitrais e compare com o serviço de segurança e direito estatal. Se comparar, verá que as empresas privadas prestam um serviço bem mais eficiente, ainda que esteja sufocada por enormes regulamentações e impedimentos.\r
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O que queremos é retirar tais regulamentações para que possam surgir mais empresas do ramo a fim de que tenhamos mais concorrência e consequentemente mais incentivos por preços baixos e mais qualidade.
“.Um governo que sanciona o aborto sanciona a agressão (não à toa, o aborto foi a política de todos os países comunistas), dando direitos e privilégios a alguns (as mães) enquanto injuria e tira os direitos de outros (as crianças não-nascidas)”. Dá-lhe, Ron Paul!
Não vejo motivo nenhum para esse uso excessivo de sarcarmos… As vezes falta tato pra se manter um diálogo saudável…\r
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A questão do aborto não é óbvia e impositiva. Se há pessaos entendidas do libertarismo como Ron Paul e J. Napolitano que veêm essa questão de maneira diferente, no mínimo eles o fazem com base em julgamentos racionais e não emotivos.\r
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Apesar de frequentar o site há mais de um ano, raramente comento aqui por achar que ainda tenho muito aprender e ter de ler algumas coisas aqui nos comentários realmente deve desencorajar muitas pessaos em tentar manter discussões por aqui. Falar que o cara tem 0% de conhecimento em economia ou que não desculpa por ter fugido do tema são tipos de comentários que podiam passar em branco…\r
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Eu só estou falando isso pois acho que o IMB tem muito a contribuir e está indo no caminho correto, apesar de alguns comentários mais ‘fervorosos’.\r
Abs!
Espermatozóide tem DNA de espermatozóide humano ( 23 cromossomos ), uma mórula tem DNA de um adulto humano ( 46 cromossomos ). E mais, se organismo tivesse a mesma sequência genética do ser humano, Fernando, ele seria um ser humano, não poderia ter 40 metros de altura ou cuspir fogo; O DNA é a instrução do que você é, apesar de sofrer influências externas, ele define o seu organismo. No DNA do godzila estaria “escrito” que ele teria uma altura considerável, cuspiria fogo, etc.\r
Se você destruir todo um organismo humano, você está matando uma pessoa. Uma criança não é como um adulto, mas ela é humana.\r
Você não pode comparar um feto com uma parte de DNA humano que não é vital. Um feto não é como um fio de cabelo, visto que o feto é um organismo humano, o cabelo é uma parte de um organismo humano. Não existe um fio de cabelo que tenha um DNA só seu, porque ele faz parte de um todo ( os seus rins têm o mesmo DNA do seu fio de cabelo -na verdade, da raiz dele, fio de cabelo não tem DNA); agora, um zigoto tem um DNA que é só dele. A mãe e o feto são distintos ( têm DNA diferentes e um não é parte do outro ).\r
Não sei se você entendeu, Fernando, mas eu desejo que você mude sua opinião. De qualquer forma, obrigado por fazer contestações a meus argumentos, com isso só se tem a ganhar.
E eu acho que vc que não entendeu, pq o juiz no caso considera o aborto um crime. Isso não significa que ele tenha apenas uma visão oposta, significa que além de ter uma visão oposta ele estaria de acordo com uma justiça privada que tomaria medidas duras para aqueles que praticarem tal crime.
E isso está no mesmo nível de Estadismo. Nível de Engenheiro Social que ironicamente, como disse, é tão criticado por libertários.
Permitir ou não o aborto é uma decisão arbitrária que deve ser decidida de forma democrática. Essa decisão está em função da escolha do marco de início da vida que deve ser feita pelo coletivo. Se o coletivo escolher que a vida começa a partir do terceiro mês, por exemplo, antes disso o aborto deve ser legal. Não vejo melhor meio de encaminhar a questão do aborto do que pela via da democracia.
Realmente, Fernando, um mulher que toma a pírula do dia seguinte raramente levaria a mesma punição de outra que esfaqueou o filho. Apesar de o crime ser o mesmo, visto que ambas cometeram homicídio, a segunda tem o agravante de ter sido violenta. \r
No entanto, é um erro perceber um aborto como algo inofensivo, ele é sim, um homicídio, discreto e silencioso; só porque você não vê o ato, isto não o torna inexistente. Não é porque a mãe não vê o seu filho sendo morto, ao tomar a pírula do dia seguinte, que ela se torna menos responsável, todos sabem que se trata de um método abortivo.\r
Fernando, não é porque você não consegue ver aquele pequeno ser humano que ele deixará de ser o que é.\r
Se essa filosofia fosse seguida por todos, fitoplâncton, por exemplo, não seria um vegetal ( na verdade um conjunto de vegetais ), viso que ele é totalmente diferente da grama, dos arbustos, das grandes árvores e dos outros vegetais; porém não é sua aparência que o define, mas sim sua essência; não o que ele parece ser, mas sim o que ele é. Humanidade é natural a toda pessoa,em qualquer idade, em qualquer estágio de desenvolvimento, seja idoso, jovem, criança, bebê, feto, mórula ou zigoto, todos com aparências diferentes, mas com a mesma essência humana.\r
Pergunte a um cientista a que espécie pertence um zigoto ( gosto de usar o exemplo do zigoto por ser o estágio inicial de nossa vida ).
Concordo, no caso, uma “semente” humana, ou seja, óvulo ou espermaozóide ( ainda que uma semente vegetal seja um óvulo fecundado, ela não começou a se desenvolver, podendo ser relacionada as gametas humanos ), não é um ser humano. Mas quando ela começa a “germinar” ( concepção ) ela se passa a ser um ser humano em desenvolvimento, assim como a árvore. Quando a semente começa a se desenvolver, ela deixa de ser semente, e passa a ser árvore, mesmo não tendo galhos, folhas e a aparência de uma árvore “adulta”.\r
Ei Fernando, e o que é um zigoto da espécie humana? Você não acha que ele é um ser humano em seu estágio primário de desenvolvimento? Acredito que ele é tão humano quanto eu, você ou uma criança. Por favor, me diga qual é a sua opinião sobre o que é um zigoto.
Esse suposto aparecimento de um godzilla me lembrou bastante a posição de alguns estatistas que defendem o serviço militar obirgatório a fim de que possamos ser salvos de um suposto ataque extra terreste.\r
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Ambos são mirabolantes.\r
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“Uma criança não é como um adulto que não é como um fio de cabelo que não é como uma mórula que não é como um espermatozóide. Matar qualquer um desses é um ato diferente”\r
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Qual é a diferença entre assasinar um adulto e uma criança?\r
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“Atos abortivos não são assassinatos. Sim, isso é obvio, e não importa nem um pouco que pessoas inteligentes digam o contrário”\r
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De onde surgiu essa obviedade?\r
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“E duvido da sanidade mental de qualquer um que afirme que os dois atos são iguais e devem ser tratados igualmente, como qualquer pessoa que diga que o ser humano “nasce” na concepção deveria fazer”\r
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Pouco me importa se você duvida da minha sanidade mental rapaz do godzilla. Você há pouco tempo atrás afirmou que declarações absurdas são feitas por pessoas como eu, mas acompanhei toda a seção do comentário e você mereceu o título de recordista de declarações do tipo.
Eu não vejo assim essa questão da soberania da mulher sobre o próprio corpo.
Defendo a soberania da mulher sobre o próprio corpo, sim, se ela quiser vender seus órgãos no mercado, por exemplo. Se quiser vender os rins, o fígado, o intestino, vá lá.
Agora, esse argumento imobiliário do bebê escravizando a mãe parece aqueles argumentos strawman tirando sarro de libertários radicalíssimos, que até agora não consegui decidir se é disso que se trata, ou se foi um argumento sério.
A mulher é responsável pela *vida* do bebê porque voluntariamente resolveu fazer sexo com um homem que consentiu, usando, ou não, alguma proteção que apresentava uma probabilidade maior que zero de concepção, e o casal assumiu esse risco.
Daí entra outra vida em jogo, e deixa de ser apenas o corpo da mulher, de um ato que sabiam bem os envolvidos que entraria uma vida em jogo e se responsabilizaram por isso. Não é como se fosse uma surpresa muito grande que depois do ato pudesse começar a crescer uma vida dentro da barriga da mulher da qual ela não havia sido informada.
A responsabilidade é de quem praticou esse ato. Na prática não faz diferença qual a probabilidade da concepção ocorrer. Se é 0,01% com proteção, ou 90% sem proteção, o fato é que a probabilidade não é nula e quem fez sexo assumiu a responsabilidade pra isso.
Você pode de brincadeira disparar uma arma carregada na cabeça de um amigo, matá-lo sem querer, e alegar que a arma era velha e a chance do tiro realmente sair era baixíssima, quase nula, e não tinha intenção de matá-lo. Mas se o evento ocorreu você é tão responsável pelo que fez quanto se tivesse disparado uma arma nova com probabilidade baixíssima de não funcionar.
Não faz sentido a posição “vou fazer sexo com ou sem proteção e, se por azar houver concepção, vou jogar uma vida na lata do lixo porque eu estava apostando na probabilidade complementar e não esperava que isso ocorresse”
A questão é definir em que ponto é essa tal de vida pra que um direito seja violado. Pessoalmente tomo o ponto de vista de que é uma vida que tem o direito de proteção depois de um estágio arbitrário da formação de um sistema nervoso.
Trato o aborto como legal até esse ponto, e assassinato após, porque o fato do feto estar “agredindo” a mãe veio de responsabilidade dela. Só faltam justificar os não-anarco que o Estado tenha que vir defender a mãe da agressão do feto opressor.
E de forma alguma que defendendo a proteção da vida defendo que o Estado deva cuidar de crianças indesejadas, o que seria um típico non sequitur estatista. Acho errado que a sociedade como um todo tenha que pagar pela irresponsabilidade de alguém que teve um filho e não pôde ou não quis pagar por.
Isso deveria ser deixado pra caridade privada de grupos que voluntariamente gostariam de cuidar dessas crianças. Apenas defendo o Estado pra punir por assassinato os responsáveis e coniventes com o aborto após o arbitrário-a-ser-decidido estágio de desenvolvimento, ou punir abandono por falta de recursos ou vontade pra criar.
Por mais que eu aceite o argumento de que uma criança largada pra morrer não está sofrendo agressão externa (por mais terrível que isso seja), e disso justifico que ajudar tal criança deva ser com voluntários (auxílio que duvido que faltará numa sociedade civilizada, caso seja necessário), acredito que a responsabilidade por esse grotesco ato de largar pra morrer é exclusivamente dos pais ou responsáveis. Sem a responsabilidade dos pais sobre a criança, se justificariam quaisquer violações de direitos hediondas contra qualquer ser limitado que não pudesse clamar por seus direitos.
Toda mulher tem o direito de decidir sobre seu próprio corpo: Metade das vítimas do aborto são mulheres, e elas não tiveram direito de decidir sobre seu próprio corpo.\r
Ora, se uma mórula não é um ser humano novo, então quem ela é?\r
O feto não é prolongamento do corpo da mãe, como o óvulo, nem do pai, como o espermatozóide. Então quem ele é?
“Heheh, vc foi tão infeliz nessa que foi incapaz de perceber que a invenção mirabolante no caso do Godzila serviria para justificar que a partir da concepção um ser humano já existe.
Ou seja, do mesmo jeito que uma invenção mirabolante seria usada pelo estatista para mostrar a necessidade de um estado, esta foi usada para mostrar que a vida começa na concepção, apenas pq o DNA é igual”
O comentário é desnecessário independente de qual posição ele venha a defender.
“Um é o assassinato de um indivíduo humano adulto, e o outro é o assassinato de um indivíduo criança. Ambos são homicídios, são crimes hediondos que na minha opinião merecem a pena de morte.
Mas que bom que vc não perguntou sobre a diferença destes dois crimes e o de se matar uma mórula e um espermatozóide e um fio de cabelo. Como venho sustentando aqui desde o princípio, é tão óbvio que não são a mesma coisa que você nem perguntou a diferença.
Valeu Alan, caiu diretinho na minha pergunta e comprovou minha tese da obviedade”
Além de deixar claro a sua posição outrora defendida de que há uma diferença no homicídio de um bebê e um adulto, eu não havia mencionado devido a sua perturbação por medidas, mais especicamente por tamanhos microscópicos. Porém se realmente fizer questão, eu posso abordar tais diferenças:
Matar uma mórula é eliminar um ser dotado de 46 cromossomos, um dna humano, com capacidade de se desenvolver sem ter nada adicionado a ele (excluindo nutrientes obviamente)
“Matar” um espermatozoide é eliminar um gameta humano
“Matar” um fio de cabela é eliminar um pêlo
Um espermatózoide não é um humano, pois necessita ser adicionado a um ovócito para que possa obter uma estrutura que lhe permita o desenvolvimento e o fio de cabêlo necessita ser complementado de outros orgãos vitais para ser condiderado um indivíduo vivo. Já a mórula contém toda a informação genética de um indíviduo e uma estrutura que lhe permita crescer e desenvolver. Note que não é apenas o DNA que define um ser humano, mas uma série de fatores.
Quanto a punição, o crime deve ser periciado a fim de analisar a culpabilidade do agressor. A pena de morte não pode ser simplismente declarada ao realizar um aborto assim como no homicídio de um ser independente.
Aguardo ainda a comprovação da sua tese de obviedade. Abraços
Tentarei ser o mais parcial e conciso possível, são muitas ideias. Organizarei meu comentário em tópicos, acho que me organizo melhor dessa maneira.
– Ron Paul, sem dúvida, é o melhor candidato à presidência dos EUA no momento, vejam que eu disse melhor, não perfeito, Ninguém é perfeito, e ninguém pode responder por todo e qualquer cidadão de um país. Por essas e outras, o estado se traduz em violência.
– Ron Paul é pro-life, mas é a favor do casamento gay, então não podemos dizer que ele quer impor sua fé às pessoas. Pelo contrário, ele apresenta argumentos sólidos.
– Ron Paul alega que é intervencionista da parte do estado legalizar o aborto, mas é exatamente o contrário. Imaginem que, se o aborto é uma questão votada estatalmente, como Ron Paul sugere, 51% da população vote contra e 49% à favor. Maioria simples, o aborto é proibido, mas será que essa parcela (grande e significativa) deve ser ignorada e submetida à vontade dos outros? É amigos, eis o estado. Com o aborto legalizado, as pessoas pro-life não seriam obrigados a fazer aborto, assim como com a proibição as pessoas ainda recorrem à esse método, o que nos leva a questão de que a única que as leis fazem é criar criminalidade. Elas nunca efetivamente impediram as pessoas de fazer alguma coisa. Concordo com ele no ponto de que
– A questão do aborto é muito delicada, como todos sabem, e é delicada por uma razão, é completamente relativa.
– Não podemos comparar sob os mesmos padrões um feto de 2 semanas com um de 7 meses, nem os dois com um recém nascido. Então imaginem o seguinte: Um casal mantém relações sexuais seguras, utilizando a camisinha. A camisinha, durante uma relação, estoura, e ambos ficam preocupados, pois não tem condições de ter o bebê ainda. Se preveniram, mas o indesejado aconteceu. Imediatamente, a mulher toma a pílula. Será que isso está errado? Vamos mais adiante. Imaginem que uma mulher é sequestrada (o que pode acontecer e qualquer sociedade, inclusive numa sociedade livre) e é periodicamente estuprada. Três meses depois, está mulher é resgatada, descobrindo que está grávida de 10 semanas. Esta mulher não teve oportunidade de se prevenir, nem de tomar a pílula E agora, o que acham? Como vemos, é fácil falar sobre aborto sem pensar em tais casos.
– Agora, se culturalmente as pessoas ensinarem a ser responsáveis em sua vida amorosa, e a só recorrerem ao aborto em caso extramamente necessário, (o que Ron Paul sugere, uma mudança cultural) o problema do aborto não seria mais um problema. A legislação, por mais flexível que seja, sempre gerará criminalidade.
Era isso, acho, talvez tenha faltado algo.
Sugiro que todos assistam a este vídeo. Ele apresenta bons argumentos. Assistam e comentem, por favor.
A mulher tem direito a seu próprio corpo, não sobre o corpo do bebê.
Até onde a liberdade deve ser aceita? Onde começa o direito de um, e acaba o de outro? Será que liberdade, deste jeito, é boa? Será que uma palavra deve atropelar todas as outras? O anseio por liberdade é o bastante para suprimir outros anseios?\r
Aborto é homicído? Pela ciência, sim. Pela moral, sim. Pelos valores culturais, sim. Mas será que o desejo de liberdade, liberdade e liberdade pode invalidar tais fatos e a busca por libertação possa validar um ato ruim?\r
Liberdade na sociedade não tem a rede de proteção que a endossa na economia: As leis naturais do mercado. É um equívoco considerar-se correto ao receitar a liberdade total na sociedade, por tal ato funcionar no mercado.\r
Libertários podem estar amplamente corretos em suas propostas econômicas ( como estão ), mas isto não os torna ( como alguns deles pensam ) corretos em sua filosofia para a vida geral.
Ótimo texto e posicionamento do médico. Parabéns! (:
Caros,\r
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vejam a seguinte notícia sobre Ron Paul e o aborto:\r
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http://www.washingtonpost.com/blogs/she-the-people/post/ron-paul-hates-invasive-government-but-supports-state-mandated-sonograms/2012/01/11/gIQAcikYrP_blog.html?tid=sm_twitter_washingtonpost\r
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isso vai dar pano pra manga….\r
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“Desde que a pessoa tenha dinheiro para pagar, o aborto é permitido no Brasil. Se a mulher for pobre, porém, precisa provar que foi estuprada ou estar à beira da morte para ter acesso a ele.” (Drauzio Varela)
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Sem mais para o momento.
Próximo assunto…
Desde q a pessoa tenha dinheiro para pagar, o aborto é permitido no Brasil. Se a mulher for pobre, porém, precisa provar que foi estuprada ou estar à beira da morte p/ ter acesso a ele. Como consequência, milhões de adolescentes e mães de família q engravidaram sem querer recorrem ao abortamento clandestino, anualmente.
A técnica desses abortamentos geralmente se baseia no princípio da infecção: a curiosa introduz uma sonda de plástico ou agulha de tricô através do orifício existente no colo do útero e fura a bolsa de líquido na qual se acha imerso o embrião. Pelo orifício, as bactérias da vagina invadem rapidamente o embrião desprotegido. A infecção faz o útero contrair e eliminar seu conteúdo.
O procedimento é doloroso e sujeito a complicações sérias, pq nem sempre o útero consegue livrar-se d todos os tecidos embrionários.As membranas q revestem a bolsa líquida são especialmente difíceis d eliminar.Sua persistência na cavidade uterina serve de caldo d cultura p/ as bactérias q subiram pela vagina, provoca hemorragia, febre e toxemia.
A natureza clandestina do procedimento dificulta a procura por socorro médico, logo q a febre se instala. Nessa situação, a insegurança da paciente em relação à atitude da família, o medo das perguntas no hospital, dos comentários da vizinhança e a própria ignorância a respeito da gravidade do quadro colaboram p/ q o tratamento não seja instituído com a urgência que o caso requer.
A septicemia resultante da presença de restos infectados na cavidade uterina é causa d morte frequente entre as mulheres brasileiras em idade fértil.P/ ter ideia, embora os números sejam difíceis de estimar, se contarmos apenas os casos de adolescentes atendidas pelo SUS p/ tratamento das complicações de abortamentos no período de 1993 a 98, o no. ultrapassou 50 mil.Entre elas, 3.000 meninas de 10 a 14 anos.
Embora cada um de nós tenha posição pessoal a respeito do aborto, é possível caracterizar três linhas mestras do pensamento coletivo em relação ao tema.
Há os q são contra a interrupção da gravidez em qualquer fase, porque imaginam q a alma se instale no momento em que o espermatozoide penetrou no óvulo. Segundo eles, a partir desse estágio microscópico, o produto conceptual deve ser sagrado. Interromper seu desenvolvimento aos dez dias da concepção constituiria crime tão grave quanto tirar a vida de alguém aos 30 anos depois do nascimento. P/ os q pensam assim, a mulher grávida é responsável pelo estado em q se encontra e deve arcar com as consequências de trazer o filho ao mundo, não importa em que circunstâncias.
No segundo grupo, predomina o raciocínio biológico segundo o qual o feto, até a 12ª semana de gestação, é portador de um sistema nervoso tão primitivo q não existe possibilidade de apresentar o mínimo resquício de atividade mental ou consciência. P/ eles, abortamentos praticados até os três meses de gravidez deveriam ser autorizados, pela mesma razão q as leis permitem a retirada do coração de um doador acidentado cujo cérebro se tornou incapaz de recuperar a consciência.
Finalmente, o terceiro grupo atribui à fragilidade da condição humana e à habilidade da natureza em esconder das mulheres o momento da ovulação, a necessidade de adotar uma atitude pragmática: se os abortamentos acontecerão de qualquer maneira, proibidos ou não, melhor que sejam realizados por médicos, bem no início da gravidez.
Conciliar posições díspares como essas é tarefa impossível. A simples menção do assunto provoca reações tão emocionais quanto imobilizantes. Então, alheios à tragédia das mulheres que morrem no campo e nas periferias das cidades brasileiras, optamos por deixar tudo como está. E não se fala mais no assunto.
A questão do aborto está mal posta. Não é verdade q alguns sejam a favor e outros contrários a ele. Todos são contra esse tipo de solução, principalmente os milhões de mulheres que se submetem a ela anualmente por não enxergarem alternativa. É lógico q o ideal seria instruí-las p/jamais engravidarem sem desejá-lo, mas a natureza humana é + complexa: até médicas ginecologistas ficam grávidas sem querer.
Não há princípios morais ou filosóficos q justifiquem o sofrimento e morte de tantas meninas e mães de famílias de baixa renda no Brasil. É fácil proibir o abortamento, enquanto esperamos o consenso de todos os brasileiros a respeito do instante em q a alma se instala num agrupamento de células embrionárias, quando quem está morrendo são as filhas dos outros. Os legisladores precisam abandonar a imobilidade e encarar o aborto como um problema grave de saúde pública, que exige solução urgente
Acho legal como as pessoas falam sobre o aborto como se a gravidez fosse algo que acontecesse totalmente do nada. Assim, de repente, a mulher acorda e se descobre grávida, sem que ele tenha feito absolutamente nada para isso. Uma tragédia, realmente…
A estatização do aborto, que é o que essa gente realmente defende, representa a revogação total do princípio da responsabilidade individual. O pessoal quer a liberdade de fazer o que quiser, mas quer que os outros paguem pelas consequências de seus atos de prazer. Isso, por si só, já é totalmente imoral.
Aborto e Santidade de Vida
http://www.youtube.com/watch?v=E4yXL6l8Yns
Defesa da vida. Min. Cezar Bigode Peluzo e suas sábias (lógicas e coerentes), bem fundamentadas, palavras contra o aborto.
http://www.youtube.com/watch?v=fj4DT39Iojo&feature=player_embedded
Desconsiderando o apelo à vida (que eu acho insano), podemos apelar para a responsabilidade dos indivíduos.
Uma vez assumido que todos os indivíduos sabem que o coito é responsável pela geração de uma nova vida, eu acho (repito, acho) que eles estão assumindo o ‘risco’ de gerar uma criança.
Na minha visão, liberar o aborto pura e simplismente acabaria por tirar a responsabilidade do indivíduo. Não que o estado deveria com toda sua onipotência combater o aborto, mas como vi que muita gente estava em defesa dele por questões morais, científicas, etc., achei que deveria voltar o assunto para uma questão mais básica.
Eu queria a opnião de vocês.
De fato, o aborto é um atentado gravíssimo contra a vida. A vida, por óbvio, inicia-se após a concepção, união do óvulo com o espermatozoide, motivo pelo qual não se deve admitir as práticas abortivas. Um embrião é diferente, sim, de uma criança já nascida, que por sua vez é diferente de um homem maduro ou um idoso. Tal fato, porém, não permite menosprezar a vida de um ser humano em pleno desenvolvimento.
O argumento da "morte" de espermatozoides, por sua vez, não é válido porque estes ainda não se uniram a óvulos e, portanto, não foram concebidos e, assim, não podem ser considerados como portadores de humanidade. Podem ser considerados, sob este ponto de vista, apenas células comuns, como as da pele, que são perdidas naturalmente.
Quanto à morte de mulheres carentes pela prática de abortos ilegais, nada leva a supor que estas iriam ter melhor sorte caso a prática fosse legalizada, pois os métodos abortivos de alto risco iriam permanecer existindo, uma vez que nem todas teriam condições financeiras de arcar com os custos de uma boa clínica. Pode-se dizer, além disso, que se optasse por oferecer ajuda estatal para tais abortos, mais válido eticamente seria investir na prevenção da gravidez indesejada através de campanhas e distribuição de contraceptivos gratuitamente. Uma vez já grávida a mulher poderia ser assistida e se, assim desejar, colocar o filho para adoção, afinal muitos casais desejam adotar recém-nascidos.
Por fim, afirmar que na prática o aborto já ocorre em larga escala e, por isso, deveria ser legalizado equivale a dizer que se deve também legalizar o homicídio no Brasil, uma vez que ocorre certa de 50 mil por ano no país.
Esta questão do aborto é bastante simples de explicar. Será que eu tenho o direito de me virar para alguém e lhe dizer “Ou me alimentas, ou então não como e morrerei” e exigir à outra pessoa que me alimente? É claro que não. Ninguém é obrigado a alimentar ninguém, e a mãe também ela não é obrigada a alimentar ninguém (feto inclusive), nem a ela própria. Um feto no útero materno que não é desejado faz apenas o papel de um parasita (organismo vivo, que se alimenta do corpo da mãe contra a sua vontade, é a definição de parasita). Não há qualquer outra opção para quem defende a liberdade individual.
Se alguém fez filho, mas não quer criar, está cheio de casais estéreis por aí loucos para ter um.
Só acrescentando ao meu comentário precedente que eu concordo com essa frase.
Embora eu nunca usaria ou defenderia o uso de força para punir uma mulher que realize um aborto, também acho que talvez a melhor atitude seja tentar transferir a guarda. Há muita gente querendo ter filho que não consegue. Um ajuda o outro.
Aliás, está aí mais uma razão para abolir a proibição da venda de guarda de crianças, assim como contratos de barriga de aluguel. Essas coisas deveriam ser permitidas.
Novos comentários para este artigo estão temporariamente suspensos até a temperatura voltar a baixar. Ânimos muito exaltados (e argumentos exclusivamente utilitaristas para um assunto que é do âmbito do direito natural).
Fernando, se eu estiver num bote salva-vidas ou num barco no meio do mar, e ver alguém se afogando, não tenho obrigação nenhuma de salvar a pessoa. No entanto, se fui eu quem esbarrou no cara, mesmo que tenha sido sem querer, e ele caiu do barco e agora está se afogando, então eu tenho sim responsabilidade sobre ele, visto que fui eu que criei a situação em que ele se encontra.
De forma análoga, se as pessoas tomaram uma atitude (sexo) que gera um ser com necessidade de ser alimentado e abrigado, sendo que sem estes cuidados não poderá viver, então os pais são responsáveis por fazer o possível para manter o embrião vivo e cuidar da criança até o ponto em que ela possa se cuidar sozinha.
Ora. Digo que a defesa do aborto é uma oposição ao princípio libertário mais básico: o de que é ilegítimo iniciar uma agressão contra não agressores.
O bebê no útero é vida desde o momento da concepação a menos que se queira mudar a biologia, estabelecendo um conceito de vida exclusivo para a espécie humana. Dizer que isso é uma “construção social” nada mais é do que colocar no Estado (olha o oposto do que querem os libertários”) o poder de decidir o que é e o que não é vida. É isso que queremos? Vai demora quanto tempo para o Estado começar a flexibilizar esse conceito?
Dizer que isso é uma abordagem religiosa não muda em nada a posição. Poder-se-á dizer que a aplicação de penas para assassinato é, também, uma abordagem puramente religiosa, afinal o “Não matarás” é um mandamento, ou não? Agora a posição religiosa invalida, automaticamente, qualquer opinião? Em tempo, um Estado Laico é diferente de um Estado Ateu.
“O corpo é da mulher” e ela tem “o direito de decidir” é outra ideia que se ouve por aí. Ninguém discute que o corpo da mulher é da mulher. Quem discutiria isso? Agora, o corpo do bebê é do bebê! Ou só a mulher tem direito ao corpo dela? Quem disse que a mãe tem o direito de matar o filho? E o pai? Num caso absurdo do aborto ser permitido, não deveria ser ouvido também? Ou o filho é só da mulher?
“Protege as mulheres”. É o cúmulo do absurdo dizer isso! Onde o aborto é liberado aborta-se, predominantemente, mulheres! Na China (onde é liberado o “aborto pos nascimento”), há lugares em que já ha dois homens para cada mulher. Mulheres são largadas nas calçadas para morrerem na sarjeta ainda crianças. Nos EUA, estavam tentando passar uma lei proibindo abortos orientados por gênero… Poder-se-ia, não fosse a preguiça, pesquisar como é a vida das mulheres na África, onde o aborto é quase uma tradição e eles ainda não foram tocados por essa “praga” que é o cristianismo. Lá, as mulheres são obrigadas a abortar. Aliás, a morte em aborto era uma das principais causas de morte de mulheres na idade média, até o Catolicismo proibir essa prática e… proteger as mulheres. Não é preciso ser nenhum gênio pra saber que a descriminalização do aborto deixará as mulheres que porventura queiram ter filhos não planejados em situação de maior pressão.
O aborto é plenamente ético e bom.
Como disse, preconceito morfológico, não constatação científica.
OC, em artigo recente:
A idéia de que um ser humano em gestação é um ser humano é das mais difíceis de contestar. Diante disso, a antropóloga da UnB que mencionei no artigo anterior prefere deformá-la e achincalhá-la, rebaixando o feto humano a um mero "conjunto" ou "punhado" (sic) de células. Tais expressões são de uma impropriedade vocabular subginasiana. Conjunto ou punhado é qualquer amontoado de elementos, independente da ordem que os articula. Se um feto fosse isso, seria preciso juntar suas células depois do nascimento para lhes dar feitio humano. Seria uma trabalheira dos diabos. O que define o nascituro não é ter células, mas tê-las ordenadas e articuladas numa forma definida e específica, que é a forma do ser humano, inconfundível e única entre todas as espécies animais.
Há, é claro, pessoas que, de tanto fingir que não entendem, terminam mesmo por não entender coisa nenhuma. Essas hão de dizer que o feto, no começo, se parece com um peixe. Dona Débora não se pronunciou a respeito, mas não duvido que, possuindo a seriedade científica requerida para confundir potência com inexistência, ela encontre também alguma dificuldade em atinar com a diferença entre forma e formato, já explicada 2400 anos atrás por Aristóteles. O autor do Organon ensinava que uma mão amputada tem ainda o formato, mas não mais a forma de mão. Forma não é aparência exterior, é articulação interna, é ordem constitutiva, é princípio de unidade e funcionamento ou, como diria o nosso Mário Ferreira dos Santos, lei de proporcionalidade intrínseca. É assim que se usa o termo em literatura, em música, em matemática e em todos os setores do conhecimento. Os Lusíadas e a Lista Telefônica têm ambos o formato de livros. Diferenciam-se é pela sua forma, pela ordem e conexão interna das palavras que os compõem. A estátua de um ser humano tem formato, mas não forma intrínseca de ser humano, isto é, aptidão para crescer e funcionar como um ser humano. O feto, induscutivelmente, tem. Por isso os que não desejam vê-lo como um ser humano precisam fingir que não enxergam essa forma, e recorrem, para tanto, ao expediente de carimbá-la como "conjunto" ou "punhado", expressões que designam precisamente o contrário, isto é, os elementos soltos e sem forma. Dona Débora troca os nomes das coisas para torná-las irreconhecíveis e acha que isso não apenas é ciência, mas ciência séria.
Há tempos já parei de me perguntar se as pessoas fazem essas coisas por burrice ou desonestidade. A desonestidade, quanto praticada com a devida persistência, consolida-se em burrice autêntica. A burrice, quando passa da dose compatível com o cargo, o prestígio e as responsabilidades públicas do seu portador, é desonestidade pura.
Lembro do caso da responsabilidade de alguém que, ao ver outra pessoa se afogando, tem que decidir em mergulhar para ajudar, arriscando sua vida, ou não. Caso este não mergulhe, não pode ser culpado pela morte do outro. Agora, se a ação deste foi a causadora do outro estar na água ( empurrão ), ele é responsável pela morte ou qualquer outro malefício que o outro sofra.
Uma mórula deve ser considerada um ser humano. Tanto quanto uma criança. Apenas estão em estágios diferentes do processo de se tornar um ser humano “pleno” ( adulto ).
Ora Fernando, o espermatozóide já fecundou o óvulo? O espermatozóide, em condições naturais, vai ser sempre espermatozóide. O óvulo também. A união destas células, o óvulo fertilizado, se mantido em seu estado natural, vai se desenvolver, crescer. Logo, o óvulo fertilizado é um ser humano no estágio inicial de sua existência.
“Logo, o óvulo fertilizado é um ser humano no estágio inicial de sua existência.”
Nao existe uma relacao de identidade entre um zigoto e uma pessoa. Isto é um fato biológico incontestável e facilmente demonstrável. Um zigoto está vivo e é humano, mas ainda nao é uma pessoa. Similarmente, um bebê sem cérebro está vivo, é humano, mas nunca foi nem nunca será uma pessoa.
Hm não. O espermatozóide, se não houver alguma ação, será sempre espermatozóide. O óvulo fecundado não, ele se desenvolve por si só em seu ambiente natural ( o útero de uma mulher, viva, para não deixar dúvidas ). Neste sentido, o óvulo fecundado é um ser humano no princípio de sua existência. O espermatozóide pode vir a se tornar um, mas ainda não é.
O óvulo fecundado só não se torna um bebê se algo não natural ocorrer ( doença ) ou uma ação propositada ( aborto ) for tomada. O espermatozóide precisa dessa ação propositada ( ato sexual ) para se tornar um bebê.
“Estamos falando aqui de ser humano como uma pessoa detentora de direitos.”
Certo, então existe uma diferença entre ser humano ( definição biológica ) e pessoa.
O problema então, passa a ser: quando podemos considerar o ser humano uma pessoa?
Desta definição pode se deduzir o ponto em que é lícito, do aspecto moral, abortar a gravidez. Se considerarmos que o assassinato de um ser humano pode vir a ser moralmente lícito.
Andre Cavalcante, parece que o termo “pessoa” está sendo considerado como adulto ( se não for o case, saoPaulo, corrija-me).
Independente disto, se deve lembrar que o que está em discussão é o zigoto humano ser ou não um ser humano. Que ele é humano, conseguimos a admissão dos abortistas. Mas acho que o jogo de palavras tentou fazer parecer com que ele ainda carecesse de equidade ao caráter humano compartilhado por mim e você.
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A fonte do direito à liberdade e o aborto
O nosso direito à liberdade, a legitimidade de termos nossa liberdade inviolável perante outros indivíduos, vem com a nossa natureza humana. Os “direitos naturais” são iguais para todos os seres humanos por todos possuírem a mesma humanidade. Não seria aceitável em um cenário pacífico a violação da liberdade de um ser humano – no caso, à vida – pelo fato dele se encontrar em um estágio inicial de desenvolvimento.
Todos nós estivemos em estágios diferentes de desenvolvimento anteriores à nossa fase adulta; em todos, nosso caráter humano estava presente da mesma forma. Nossos direitos, portanto, estavam conosco invariavelmente.
Isto significa que esse caráter humano, logicamente, não está relacionado a que estágio de desenvolvimento estamos. Depende de uma característica que se manteve inalterado durante todo o transcorrer de nossa formação; tal característica, portanto, é o indicador de nosso caráter como ser humano, de nossa detenção de direitos advindos com essa humanidade.
A nossa humanidade e as falácias sobre o aborto
Como já disse várias vezes, essas características se referem ao nosso DNA e ao fato de estarmos vivos. Enquanto essa humanidade está explícita em um ser humano adulto, ela é contestada por alguns em um zigoto, talvez por motivos simplesmente morfológicos. Vou me concentrar, portanto, em apresentar o caráter de ser humano presente tanto no zigoto quanto em nós, e fazer o paralelo com as falácias sobre sua não-humanidade.
Um zigoto é a célula resultante da fecundação de um óvulo por um espermatozoide.
Imediatamente após a fusão dos núcleos, o antigo óvulo passa a se comportar de maneira totalmente diferente; sua antes passiva existência é totalmente liquidada:
Sua antes unicelular forma em pouco tempo converte-se em um corpo de muitas células; sua inércia nas tubas uterinas é quebrada e ele dirige-se a um lugar mais apropriado;
Sua fixa classe de células dá lugar a novos tecidos, com novas funções.
A perspectiva para essa célula, agora um zigoto, é radicalmente mudada: Em poucos meses, o que se iniciou como um único ser microscópico será um organismo gigante. Sua antes única célula dará lugar a bilhões de ativas e especializadas outras e a complexidade do organismo deste recém-humano tomará proporções que fogem à compreensão humana até os dias de hoje.
1.Muitas vezes é afirmado por abortistas que um zigoto se encontra na mesma situação de um espermatozoide ou um óvulo, e que portanto uma vez o aborto sendo um assassinato, a anticoncepção também o seria. Alega-se que, assim como um zigoto é uma vida humana em potencial, aqueles também seriam.
Há uma confusão aqui. Células germinativas e zigotos podem vir ser adultos, essa é uma semelhança. Mas por aqui mesmo elas se acabam. Há uma brutal diferença entre células germinativas e um zigoto. A começar pelo fato de que um espermatozoide é um gameta do pai, tem seu DNA (obviamente sem cromossomos homólogos por ser um gameta), e um óvulo é um gameta da mãe, com o seu DNA dela. Um zigoto não compartilha do DNA do pai, ou da mãe, ele tem seu próprio DNA; herdado dos dois, mas próprio. Justamente por isso, não existe a possibilidade de se igualar um zigoto humano a gametas humanos.
2.Outra afirmação é que, já que um zigoto pode se dividir e dar origem a mais de um indivíduo, ele não seria um ser humano.
É uma crítica um tanto inócua, também um tanto um jogo de palavras. Basicamente se afirma: “Um zigoto é um ser humano” e eles tentam refutar dizendo que nem sempre é um, podem ser dois ou três… De qualquer forma, disto não se segue que eles não são humanos; a humanidade dele não é alterada pela quantidade de pessoas presentes na mesma gestação. Gêmeos continuam sendo seres humanos, não obstante surgirem de um mesmo zigoto; eles ainda possuem o caráter humano. Acho que é o máximo que se pode responder a uma afirmação tão simplória.
3.Afirmação ainda mais forçosa é a de que um tumor maligno também apresenta um DNA distinto e metabolismo e que, portanto, se encontra na mesma situação de um zigoto. Acho que esta é a mais esquisita.
As discrepâncias começam pelo fato de que a formação do DNA é diferente, um câncer tem DNA formado por corrupção do DNA de determinada célula; o zigoto é formado da fusão de cromossomos homólogos de organismos distintos. Um zigoto é um humano em formação, o câncer não.
Francamente, é uma grande forçação de barra. Quantas pessoas você conhece que já foram um câncer um dia? E quantas você conhece que já foram um zigoto? Hmm, entendi.
A diferença entre opinião e realidade
Vê-se claramente que, biologicamente o zigoto partilha da mesma humanidade que uma criança ou um adulto partilham. É um ser humano, e detém os direitos naturais provindos com essa humanidade. Está apenas em uma fase distinta de desenvolvimento de um adulto.
Infelizmente, o posição de muitos parece estar indiferente à constatação científica. Preferem, muitas vezes, refugiar-se na opinião, sem fundamentá-la.
No entanto, com a necessidade de se mostrar um mínimo de sustentação a seu posicionamento, os abortistas usam bases vazias. Existe um grande jogo de palavras com o objetivo de confundir-se os fatos, existe um grande questionamento das unidades mais básicas de lógica humana, sem as quais não existe cognição. E incrivelmente, existe um grande e ilógico preconceito morfológico para com o zigoto: Supervalorizam o fato de ele ser inicialmente um corpo unicelular… Uma crítica totalmente supérflua e cabalmente inócua à essência daquele ser.
Finalmente, eu não entendo por que um zigoto é tratado por eles como tão alheio a nós. Como algo tão distante de nós. Uma vez que qualquer pessoa se posiciona pró-aborto esteve exatamente na mesma situação, e só tem essa capacidade por terem divergido de sua posição que hoje defende com tanto furor.
Um abraço a todos vocês.
Olá saoPaulo, notei seu comentário recentemente então desculpe a demora em responder.
Mas vou tentar esclarecer-lhe:
Não havia frisado antes que um câncer não é um ser humano porque não me passou pela cabeça que uma comparação destas fosse trazida à análise; de qualquer jeito, teve-se a resposta pra esta indagação.
Mas vamos lá:
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Quimerismo Humano
O quimerismo que você citou ocorre quando diferentes zigotos acabam se fundindo no decorrer do desenvolvimento embrionário. Uma pessoa nessa situação tem, por exemplo, a epiderme de seu braço apresentando um DNA, e seu estômago apresentando outro. Seu corpo é formado por um misto de células de distintos DNAs.
O indivíduo com quimerismo, logicamente, é apenas um indivíduo. Porém, ele não é “dois zigotos”. Inclusive só teve-se um nascido porque a mesclagem ocorreu muito cedo no desenvolvimento embrionário. Tivesse ela ocorrido pouco depois teríamos, dos mesmos dois zigotos, bebês siameses. Isto significa que um dos zigotos “não sobreviveu” à mesclagem nesse estágio tão primordial de desenvolvimento. Um dos DNAs, portanto, é “dominante”. É o DNA originário da pessoa que sobreviveu à fusão.
Essa dominância fica evidente quando os zigotos envolvidos são de sexos diferentes: O indivíduo nascerá também com a genitália de seu irmão/irmã, mas elá a sua será a dominante – inclusive é um critério que os médicos utilizam para determinar o sexo verdadeiro nesses casos.
Parece estranho pensar que um indivíduo possui células que não têm o seu DNA, células que saudáveis e que se multiplicam. Órgãos “seus” que não tem o seu DNA, mas fazem parte do seu corpo. É sobremaneira estranho essa situação, justamente por estarmos falando em um cenário extremamente peculiar.
É claro que as células que eram originalmente de seu irmão que não desenvolveu-se passam a integrar seu corpo e serem parte de seu organismo. De certa forma, estas células estão em uma situação semelhante à de um órgão transplantado – inclusive ocorre o intercâmbio de células do recebedor com os órgãos originalmente do doador.
Quimerismo, em suma, é o indivíduo que se desenvolveu com partes de outro em seu corpo. O zigoto que não sobreviveu à mesclagem era um ser humano antes do fato, que inclusive sobreviveria caso ela não tivesse ocorrido tão inicialmente. Portanto, o quimerismo não contribui para destituir o zigoto da essência humana, e de todos os direitos que vêm com essa humanidade.
Clonagem Humana
Aqui o raciocínio é mais simples. Tenho sérias dúvidas se é possível clonar pessoas, dúvidas provenientes da fé. Mas vamos lá:
Um óvulo não-fecundado que tivesse seu material genético trocado pelo de uma célula somática de outro ser humano se comportaria como um zigoto. Mais especificadamente, a nova pessoa e a que doou o material genético seriam como irmão gêmeos idênticos, só que no caso de gestações e idades diferentes.
Parece estranho, e é; justamente por ser um assunto fora do comum.
Se uma clonagem humana pudesse ser feita, o “zigoto” proveniente do procedimento teria a mesma biologia de zigoto normal. Portanto, teria a mesma essência humana e, novamente, todos os direitos que vêm com essa humanidade.
Conclusão
Vendo o panorama da discussão, me alegra muito que tenha restado à contestação da humanidade do zigoto apenas assuntos extremamente peculiares.
Fico feliz em ver que existem pessoas interessadas nos fundamentos da opinião que têm, pois geralmente aborto é um assunto onde os fatos são deixados de lado em prol da opinião séssil que alguns têm.
Espero que tenha esclarecido as dúvidas referentes a estes casos.
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Quanto a você, saoPaulo, fico feliz em ver que você se dispõe ao raciocínio lógico na discussão. Infelizmente, alguns ainda recorrem a linhas de ataque tão chulas quanto inócuas.
Vou ter a ousadia de colocar uns trechos de comentários do Leandro sobre o assunto, que me chamaram a atenção:
“quando é do interesse próprio, algumas pessoas se tornam obscurantistas em relação à ciência e magicamente passam a ignorar por completo os conceitos mais básicos de biologia “
“Depois falam que os religiosos é que são obscurantistas; parece que eles entendem muito mais de ciência do que vocês[abortistas]”
Leandro exprimiu exatamente o que eu percebi ao ver alguns comentários bem infelizes.
No final, o que se espera é que se convertam dos maus caminhos, tanto intelectuais quanto espirituais.
Grande abraço a todos vocês.
O melhor argumento contra o aborto é o próprio:
http://www.imagesofabortion.com
http://www.100abortionpictures.com/Aborted_Baby_Pictures_Abortion_Photos/
Claro que estes montes de células não são “pessoas humanas” (sic). São só montes de células. As fotos mostram isto.
Aliás, com quantos meses mesmo que devemos considerar que um ser humano se torna uma pessoa? Isto é, onde o monte de células deixa de ser um monte de células e passa a se tornar alguém?
Olá saoPaulo.
Casos de quimerismo, são muito peculiares; são estranhos mesmo, mais complexos. Vou tentar colocar de uma maneira que satisfaça as suas dúvidas.
Estive lendo suas colocações e estava pensando a melhor forma de lhe responder. Analise o, a meu ver, problema na sua proposição (que vou explicar a você), percebi que ele é parecido com o da sua outra colocação sobre células cancerígenas. Acho que vou usar a mesma lógica aqui, saoPaulo.
Características implicitamente lá…
A afirmação que lhe fiz de que um zigoto apresenta DNA humano e metabolismo é correta; porém tem uma coisa que eu acho que é o que está lhe confundindo: há características necessárias à definição de individualidade humana que estão obviamente presentes no zigoto e que, portanto, sua menção foi desnecessária. No caso específico do quimerismo, a o caráter implícito dessas características pode confundir alguns.
Essas características já estavam na definição de ser humano.
Quando me indagou se definição de ser humano de células embrionárias poderia ser estendida à células cancerígenas, eu disse um câncer que não é um ser humano em desenvolvimento, e que essa característica do zigoto não é compartilhada pelas células cancerígenas. Foi por isto estar implícito que o confundiu, apenas.
(Note que se eu, quando indicasse a humanidade do zigoto, afirmasse que ele precisaria ser o estágio inicial de desenvolvimento do ser humano, estaria sendo redundante; por isso não explicitei, saoPaulo; é algo implícito no zigoto, ele é um ser humano, um ser humano se desenvolvendo – como crianças, por exemplo.)
… e sua aplicação ao quimerismo
É como no quimerismo: O zigoto que tem suas células anexadas pelo seu irmão, tem interrompido o seu desenvolvimento no momento em que isto ocorre. Não existirão dois indivíduos. Um dos embriões perde a característica de ser um ser humano em desenvolvimento.
As células do “não-sobrevivente” continuarão vivas, mas serão mescladas ao corpo do embrião sobrevivente neste acontecimento raro. Não haverá mais o indivíduo de onde tais células se originaram. O caráter das células do “não-sobrevivente” passa a ser semelhante a órgãos transplantados, não mais como o de um indivíduo em desenvolvimento.
Pense no quimerismo como a situação onde células de um indivíduo que morreu coexistem com células do sobrevivente. Temos que nos dispor a aceitar esta “estranheza” por se tratar de algo extremamente peculiar.
É parecido, saoPaulo, com o caso do câncer: tem DNA diferente e tem metabolismo, mas não é um ser humano em estágio inicial de desenvolvimento, não é um indivíduo.
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“Qual seria seu critério para definir qual dos dois zigotos é dominante neste caso?”
Olha saoPaulo, isto não é fácil. Mas eu acredito que seja o sistema nervoso central. Isto é uma suposição. De qualquer forma, há dominância. Não existem dois indivíduos.
Uma curiosidade: Se o caso citado por você ocorresse (sistema nervoso de A e todo o resto de B) e o definidor for o sistema nervoso central, como acho que é, teríamos a possibilidade de ocorrer uma coisa muito estranha: O filho que A gerasse na verdade seria filho biológico de B, que nem sequer chegou a nascer… hehe, como disse, saoPaulo, é um caso raríssimo e muito estranho.
“qual seria seu critério para se diferenciar entre quimerismo e gêmeos siameses?”
Se a fusão ocorrer após o terceiro dia de gestação os dois embriões se desenvolverão, porém fundidos. Se terá bebês siameses.
“você está dando muita importância à sequência genética para definir o que é um ‘ser humano'”
São os fatores biológicos que nos permitem trabalhar no contexto microscópico que o zigoto está e perceber os fatos além do aspecto visual.
“Diria até que você sofre de um preconceito de diploidia”
Somos diploides como indivíduos da espécie humana.
“E por último, repito, nunca afirmei que um zigoto humano nao tenha essência humana. Apenas acho precipitado delegar os direitos de um indivíduo a uma célula microscópica que, em última instância, é apenas um “tecido humano” de propriedade da mulher. Sim, ele está vivo, é humano, é uma nova vida, e tem o potencial de se tornar pessoa(s), mas ainda nao é nenhuma.”
Acho que seria bom você ver o meu comentário sobre o vínculo de direitos à liberdade com nossa humanidade e o não-vínculo de humanidade com estágio de desenvolvimento.
E a expressão que pode resultar de todas as constatações biológicas que compartilhei com você não é a de que o zigoto é humano no mesmo sentido de um tecido humano, e sim a de que ele é um ser humano .
Quanto à definição de pessoa, acredito que obviamente não seja sinônimo de adulto. Daí vem que, se nós nos chamamos de pessoas, seres humanos ou indivíduos, não é o fator etário que negaria esse caráter aos que, fora isso, são idênticos a nós.
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Se você ainda não tiver entendido algo, pode perguntar saoPaulo. Desculpe se a resposta ficou cansativa.
Um abraço.
Ps: Depois escreverei algo refente à clonagem.
Toda vez que os “pró-vida” tem que escolher entre permitir um aborto e deixar a mãe viver ou impedir um aborto e deixar a mãe e o feto morrer, eles escolhem a opção de impedir o aborto e deixar a mãe e o feto morrer. Ou seja, eles escolhem a opção que resulta no maior número de mortes. Lembremo-nos que Stálin e Ceausescu proibiram o aborto em seus respectivos países para que crianças indesejadas fossem levadas até orfanatos do governo e “educadas” com ideologias marxistas.
Este caso ilustra bem a contradição dos “pró-vida”:
http://www.salon.com/2013/04/18/critically_ill_woman_faces_jail_time_if_she_goes_forward_with_life_saving_abortion/
Uma mulher de El Salvador está grávida de um feto anencéfalo e pegou lúpus, que está causando colapso renal. O esforço necessário para manter o feto e a mãe vivos está fazendo os rins da mulher começarem a falhar de vez. Ironicamente, ao não permitir o aborto nesse caso, os “pró-vida” causarão a morte do feto e da mãe. Ou seja, eles não querem que o feto anencéfalo seja abortado, mesmo sabendo que isso matará a mãe e o feto.
Os “pró-vida” estão pouco se lixando para as mulheres e meninas que são estupradas e são obrigadas a dar à luz ao filho de seus estupradores. Eles só se importam com o que acontece com as “crianças” antes de nascerem, depois do nascimento, eles não estão nem aí para essas crianças, se nascerão de mães que têm condições de cuidar delas. O fato de que o autor do texto finge que as mulheres que engravidam de filhos que não querem são todas vadias, ignorando (e não por acidente) as mulheres e meninas que são estupradas e engravidam desse modo. É uma maneira de ignorar a mulher grávida e denegri-la ao mesmo tempo para parecer que vítimas de estupro que engravidam não existem.
Mesmo se se considerar que o feto é um ser humano, ainda assim teremos a verdade de que a mulher tem direito de propriedade sobre seu corpo e, assim, de retirar de lá tudo o que quiser, inclusive o feto. Mas este não tem direito à vida? Tê-lo-ia com efeito, desde que esse direito não agredisse o direito de propriedade de alguém. Uma das bases do direito de propriedade é o Princípio da Apropriação Original, como Hans-Hermann Hoppe demonstrou, o qual princípio é fundamental e necessário. Os direitos à liberdade e à vida provêm do direito à propriedade. Faz tanto sentido falar de direito à vida quanto falar em direito de trabalhar ou de namorar, mas não se pode obrigar ninguém a alimentar um mendigo que está prestes a morrer, nem obrigar alguém a dar trabalho a um desempregado e nem obrigar uma pessoa a namorar outra, porque cada ação dessa agrediria o direito à propriedade de um terceiro. Como a mulher é dona de seu ventre e, digamos assim, apropriou-se dele primeiro, qualquer um que chegue depois deve se retirar caso ela queira, ainda que isso demande o uso da força o quanto for necessário, é claro. Um contra-argumento que poderia aqui vir à tona seria dizer que o feto está dentro da mãe por causa dela mesma: a culpa é dela, não do pequeno ser. Tal verdade, no entanto, não tem efeito sobre o direito da mãe de abortar a gravidez, pois não leva a crer que, por causa disso, agora o feto tenha direito de controle parcial sobre o corpo da mãe.
Tendo ouvido estas palavras, o sujeito antiaborto vale-se do argumento da responsabilidade. Diz esse argumento que a mulher deve se responsabilizar pelo ato de ter consentido em fazer sexo, sabendo que isso poderia acarretar uma gravidez. É verdade que as pessoas assumem riscos, porém esse argumento não invalida o fato de o feto não ter direito de controle parcial sobre a propriedade da mulher. Primeiramente, não acho que ela seja tão culpada assim, porque a cópula não leva necessariamente à gravidez; na verdade, isso acontece apenas na minoria das vezes. De todo jeito, a mulher de fato assumiu o risco de engravidar, e isso não pode ser ignorado. Esse argumento pressupõe necessariamente que, se alguém fizer algo, deve assumir as consequências disso, o que deve ser aceito como verdade caso se deseje viver numa sociedade civilizada. No entanto, tal raciocínio não implica que a mulher deve concluir a gravidez; implica, antes, que as consequências do que ela fez devem recair somente sobre ela. Logo, esse argumento não elimina a possibilidade de ela abortar a gravidez, mas diz apenas que as consequências disto devem pesar sobre ela, seja no fato de ela ter de gerar o feto, seja no fato de ela ter de pagar o abortamento com o próprio dinheiro e, claro, sofrer as implicações desse procedimento danoso.
Eu considero inválidas quase todas as analogias da situação na qual se encontram feto e mãe, pois não existe nada fielmente análogo à gravidez. Um homem dentro da casa de alguém não é análogo a um feto dentro do corpo da mãe. Se começarmos a fazer analogias a isso, poderemos cair em absurdos. Darei um exemplo. Certa vez, numa discussão de mesmo teor que esta, se disse que a mulher pode abortar porque o feto está dentro do corpo dela, o qual lhe é propriedade. A isso respondeu-se com uma analogia infeliz, dizendo-se algo parecido com isto: “Se a mãe pode matar o feto por isso, e sabe-se que o feto está na barriga da mãe sem ter consentido, então um sujeito pode sequestrar alguém e matá-lo dentro de casa.” Essa analogia é equivocada porque, se a admitirmos como verdadeira, todas as mulheres grávidas e os homens que as engravidaram deverão ser presos por sequestro, uma vez que sequestro é levar alguém a algum lugar sem o consentimento da pessoa, e poder-se-ia dizer que o feto, de certo modo, sofreu isso.
O raciocínio aqui apresentado só pode ser negado se se negarem, antes, o direito de propriedade e o princípio da apropriação original. Negar o primeiro implicaria uma contradição performativa, pois é necessário admitir-se proprietário de si mesmo para negar a propriedade; e a negação do tal princípio implicaria um problema horrendo, o que é mostrado por, novamente, Hoppe.
“Mesmo se se considerar que o feto é um ser humano, ainda assim teremos a verdade de que a mulher tem direito de propriedade sobre seu corpo e, assim, de retirar de lá tudo o que quiser, inclusive o feto.”
Que coisa mais equivocada, meu amigo. Aliás, toda a análise foi.
Você não está tratando de invasão de terras, por exemplo. A peculiaridade do sujeito que você diz estar invadindo tal propriedade – o feto – fazem dessa situação diferente da análise de invasão de terras, por exemplo. Qualquer conclusão obtida desta análise não pode, automaticamente, ser estendida ao caso do aborto.
Dessa linha de raciocínio não se segue nenhuma conclusão à outra, João Marcos Theodoro. Nem de longe.
No mais, como poderia-se dizer que o feto pode ser um violador de direitos? Não existe possibilidade de culpa em virtude de atos que não passam pelo consentimento do indivíduo. Se alguém faz algo não por causa de seu livre-arbítrio, mas por algo intangível à sua capacidade de escolha, esse alguém não é culpado. O livre-arbítrio é pressuposto de qualquer julgamento moral, inclusive o julgamento de violação de propriedade.
Um ser humano neste estágio de desenvolvimento não tem atributos cognitivos, e além disso, capacidade biológica para escolher não estar naquele útero.
Sua presença não é fruto de sua vontade. Não pode haver culpa, não pode haver crime, não pode haver punição.
Fico particularmente feliz pela postura pró-aborto ter de apresentar cada vez mais argumentos novos em virtude da queda dos primeiros para tentar sobreviver. É animador.
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Fora desse assunto, é um erro conceitual entender o direito de propriedade como o precursor de todos os outros. O livre-arbítrio é pré-requisito de qualquer direito de propriedade. E estar vivo é um pré-requisito para poder ter livre-arbítrio, para poder ter liberdade. Como pode alguém morto ou destituído de capacidade de escolha ter alguma propriedade?
Além disso, direitos de propriedade só existem em um contexto social, só existem em um contexto em que há mais de um indivíduo.
Não é necessário desenvolver uma obsessão pelo tema propriedade para ser um defensor desse direito.
Senhor João Marcos Theodoro, desculpe-me se lhe deixei um tanto chateado, mas argumentos não se justificam pela declaração do emissor, simplesmente. Particularmente acho que quem deslocou o nível de racionalidade da discussão para baixo foi o senhor; nunca dispensei minhas colocações de fundamentação lógica mediante um raciocínio discursivo.
Como o senhor não é o único leitor possível de meus comentários, vou tentar esclarecer os pontos que você tocou:
“Não estou tratando de invasão de terras mesmo, e deixei claro que são inválidas quase todas as analogias da situação na qual estão feto e mãe. Você está reiterando o que eu disse falando como se eu tivesse dito o contrário, igual ao Tiago”
Você enquadrou a situação da gestação com a tomada de uma propriedade apropriada originalmente e trouxe casos referentes a obrigações positivas no primeiro parágrafo de seu comentário.
“O feto não é culpado e não viola direito nenhum mesmo. Eu nunca disse que o feto é culpado de nada. O que eu disse foi que o fato de ele não ser culpado não faz com que ele tenha direito de controle parcial sobre o corpo da mãe.”
Veja este trecho seu: “Como a mulher é dona de seu ventre e, digamos assim, apropriou-se dele primeiro, qualquer um que chegue depois deve se retirar caso ela queira, ainda que isso demande o uso da força o quanto for necessário, é claro.”
Como seu que o senhor conhece sobre a filosofia libertária, sabe que o uso de força só é legítimo mediante agressão.
Qualquer pessoa que advoga o uso da força só pode fazê-lo e, ao mesmo tempo, estar sendo coerente com o Princípio de Não-Agressão, se ficar caracterizado que o objeto que sofrerá a sanção – no caso o feto – foi, antes, o agente da agressão pela qual se clama reparação.
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Acerca dos outros temas, aqui:
“O direito à propriedade é o único direito legítimo. Você não pode matar ninguém não por que a pessoa tem direito à vida, mas porque isso seria uma agressão à propriedade dela, que no caso seria o corpo.”
Bem, esse exemplo não demonstra nada. Um pré-requisito para possuir propriedades é estar vivo, continuo acreditando nisso.
“Ademais, o livre-arbítrio sequer existe. Nós devemos adotar um sistema ético porque só com isso a sociedade seria civilizada e possível. Isso que você falou de livre-arbítrio não tem nada a ver, nem sei de onde você tirou isso.”
Livre-arbítrio é simplesmente a capacidade de escolha, meu amigo. Existir influências não muda o fato de que a escolha das ações que vamos tomar é feita por nós. Na verdade, é o livre-arbítrio que nos permite lidar com esses elementos da decisão.
Toda ação é propositada, esse é um pilar da escola austríaca.
Todavia esse é um assunto distinto.
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Enfim, achei extremamente arrogante sua colocação “assunto encerrado”. Confesso que foi risível.
De fato, se fosse apenas você e eu na discussão, a encerraria também. Mas existem pessoas aqui interessadas em um raciocínio crítico e sólido, e compromissadas com um debate lógico e recompensador. E são elas o meu foco.
De qualquer forma, a posição pró-aborto está tendo que se desdobrar cada vez mais e mais… isso anima meu espírito.
Abraços e
Aguardo refutações.
Só para complementar, um ponto que não me veio à mente:
Há ainda o uso da força para auto-defesa. Ele, diferentemente do uso punitivo, não necessita de culpabilidade do agente. Porém, sua utilização deve ser estritamente proporcional ao que está se defendendo.
Não caberia, nem sob esta ótica que me veio à mente apenas agora, a morte de um ser humano, frente ao dano nem ao menos indiretamente deliberado, causado por ele.
Qualquer aborto realizado representaria uma quebra deliberada e desproporcional da liberdade do nascituro.
João Marcos Theodoro, olá novamente.
Vamos lá:
“Eu previa que tu, Leonardo, salientarias a ausência de livre-arbítrio no feto, o que o isenta, segundo teu julgamento, de culpa.”
Correto.
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Vamos abrir um parêntese para tangenciar o conceito de livre-arbítrio:
“Ora, ainda que saibamos que não existe ação livre, pois esta é sempre influenciada pelo ambiente e pela personalidade, os quais não se escolhem,…”
Aqui ocorre uma confusão, meu amigo, e acho que a causa é semântica.
Se por “ação livre” você quer dizer isolada da existência de qualquer fator externo, então certamente uma ação “livre”, nesses termos, não existe. Existem influências. Isso não prejudica o conceito de livre-arbítrio. Eles não são determinísticos sobre o curso de ações que será tomado. Essas influências só são exitosas sobre suas ações mediante sua escolha.
Livre-arbítrio significa a faculdade de se escolher ações, bem como de não agir.
De qualquer forma, essa sua introdução vai de encontro à sua conclusão.
“…ainda assim todo indivíduo é responsabilizado por suas ações, executadas propositalmente, pode-se dizer.”
Se não houvesse escolha, um indivíduo não poderia ser responsabilizado por seus atos.
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“Se o zigoto não tem cérebro, nenhuma ação sua é propositada, e talvez ele não deva ser responsabilizado pelo que causa à gestante.”
Correto novamente.
“Tal raciocínio me intriga. Se o feto não pode ser responsabilizado por seu desenvolvimento, a responsável só pode ser a mãe, ninguém mais.”
Aqui ocorreu um lapso no raciocínio, pois de onde se conclui que o feto não é a fonte da sua atividade de desenvolvimento? Acaso é necessário cometer uma ação propositada para sua biologia agir?
“Por conseguinte, vislumbra-se uma conclusão inconveniente: a mãe é dona do feto”
O feto é um ser humano, não uma propriedade. Você mesmo já havia dito que o feto é um ser humano.
“Um outro ponto de vista é o de que o feto não é propriedade da mãe, sendo um indivíduo separado desta…”
Sim. Esta visão contraria a que você acabou de afirmar…
“…como um parasita, utiliza os recursos que encontra para se desenvolver. O feto se desenvolveria à semelhança de um parasita, no sentido de ser independente e isolado, embora parasítico.”
Essa alusão é nojenta. Não sei por quê, mas abortistas rothbardianos tratam gravidez como algo fora do normal, como uma invasão parasitoide, uma situação de agressão por parte de um “punhado de células parasíticas” que “surgiu ali”. Acho que é devido à obsessão pela palavra “propriedade”, aliada a uma necessidade de sempre querer forçosamente posar de “politicamente incorreto” – em vez de repudiar esses parâmetros.
Mas vamos lá:
Alusão a um parasita é completamente imprópria. A começar pelo fato de o corpo do hospedeiro não receber e cuidar dos parasitas, nem o alimentar e o proteger voluntariamente, como em uma gestação.
Na gestação, o corpo da mãe age de todas as maneiras para assegurar o desenvolvimento e cuidado da criança. Há uma preparação, conduzida pelo próprio corpo materno, de um ambiente seguro e saudável ao desenvolvimento embrionário de seu filho, bem como as ações do corpo da mãe indo ao encontro das necessidades do corpo do bebê.
Se essa cooperação harmônica entre mãe e filho pode ser deturpada na mente de abortistas de rothbard para uma infestação parasitóide, não se dá por conhecimento biológico, nem por conhecimento algum.
“Sob essa visão, o feto é um agressor para todas as gestantes que queiram expulsá-lo, o que permitiria o aborto.”
Ele delibera uma ação danosa?
“Ademais, a perspectiva segundo a qual o feto realmente age, ainda que sem o intermédio do cérebro, é a única compatível com o critério libertário para a determinação da legitimidade da apropriação”
“Poder-se-ia dizer que o feto não é dono de si por causa de sua ação, mas devido ao fato de ser um indivíduo, tendo, assim, autopropriedade imediatamente. Entretanto, tal critério é incompatível com o critério da apropriação por meio da mistura de trabalho, adotado pelos libertários e aplicado universalmente.”
Só se você acreditar que o corpo humano vivo é uma propriedade, passível de desconexão de seu proprietário. O conceito de propriedade precisa existir para aquilo que pode ser desvinculado das pessoas; se algo não o pode, ele não é, e nem precisa ser, uma propriedade.
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No final, você apontou vários pontos de vistas, até contraditórios entre si. Mas não conseguiu justificar a pena de morte à um bebê, felizmente.
João Marcos Theodoro, o ponto que toquei é o seguinte:
Um ser humano detém toda a primazia do controle sobre seu corpo naturalmente. A propriedade, como o senhor sabe, é aquela reivindicação sobre o controle de algo, necessária devido à possibilidade de expropriação por terceiros. Tanto que ela só existe, como sabemos, em um contexto social e referente a bens escassos.
Pode-se dizer, claro, que o ser humano é dono de si mesmo, no sentido que ele obviamente detém o controle sobre si. Mas é necessário ter cuidado em saber que esse controle não vem pela apropriação original, pois esse requisito é necessário para estabelecer, mediante mistura de trabalho, um vínculo proprietário entre indivíduo e objeto; sem tal vínculo, não haveria conexão entre os dois, não sendo justificável, portanto, qualquer primazia de tal indivíduo perante os demais sobre o tal objeto.
Em outras palavras, a apropriação original cria um vínculo de controle antes inexistente. Não é o caso da relação do indivíduo com seu próprio corpo, uma vez que são indissociáveis enquanto há vida. Não é possível apropriar-se originalmente de algo que nunca sequer esteve disponível à apropriação, diferentemente de objetos, onde não existe ligação pré-existente.
Enfim, não sei se fui demasiadamente confuso na explicação. O que tento apontar é que o aborto é uma violação do princípio de não-agressão. Não há como ser punição por suposta invasão, porque não há ação deliberada por parte do agente, não havendo a responsabilidade do ato da qual depende a justa punição, configuraria-se agressão. Não há como ser auto-defesa, pois seria brutalmente desproporcional ao suposto dano, não havendo a proporcionalidade da qual depende o uso defensivo da força, configurando-se, também, agressão.
Não há como voltar no tempo, o feto existe. De todos os cenários possíveis, o único que não viola o princípio da não-agressão é o nascimento do bebê.
Excelente artigo do Ron Paul. Ajudou a concretizar minha posição em relação este assunto tão polêmico. Abraços.
João Marcos Theodoro, me desculpe pelas palavras. Acho que foi o “que parte você não entendeu” que me fez ficar um tanto irritado. De qualquer forma, me desculpe e tentarei não mais escrever no “calor do momento”.
Mas vamos lá aos seus questionamentos:
Antes, vamos à sua definição inicial:
“o zigoto torna-se um indivíduo com direitos a partir do momento em que passa a conseguir sobreviver fora da mãe sendo alimentado por ela ou por outra pessoa, tendo sido tirado pelos meios tecnológicos mais próprios para não agredi-lo. Se não conseguir viver fora da mãe, não era um ser vivo formado e independente. Tem bom-senso ao interpretar ‘independente’.”
De início, interpretei que o impedimento, segundo essa posição, a ser detentor de direitos naturais seria o fato de seu entrelaçamento biológico com outro indivíduo, cuja tentativa de separação seria fatal.
Coloquei, então, a situação de gêmeos siameses inseparáveis, que não podem sobreviver separados. Você respondeu:
“Gêmeos siameses inseparáveis vivem, andam, se alimentam; não estão em formação. É totalmente diferente. Essa foi uma falsa analogia.”
Ora, mas a possibilidade de vida está presente apenas enquanto eles estão unidos. Como, após a separação os dois poderão viver, andar e se alimentar. O momento de análise é o pós-separação. Segundo a posição “eviccionista”, é aqui que se prova a “independência” de um ser em relação a outro.
Some-se a isso o fato de que o estágio de desenvolvimento não interfere na natureza de um ser. Um ser humano o é independentemente se tem os ouvidos, os olhos ou seus pés já formados. Não é isso que atribui um ser a sua espécie. O que o faz é o DNA.
E outra, o fato de o embrião poder viver fora de outro ser humano, mesmo que por certo tempo, o faz, segundo a sua posição, no decorrer deste tempo, um ser humano.
Se depois ele não puder mais então teríamos uma possibilidade da humanidade ser interrompida e depois retomada (nascimento).
E veja o que você disse:
“Eu sei que o zigoto é da nossa espécie; só não concordo ainda que ele detenha direitos.”
Se ele é da nossa espécie, ele é um ser humano. Os direitos naturais são intrínsecos não à capacidade locomotiva, nem à aparência, eles são intrínsecos à nossa qualidade enquanto seres humanos. São iguais para todos porque todos têm a mesma humanidade.
Biologicamente, como disse, essa humanidade é atestada com a presença de um DNA humano. Se um ser vivo tem DNA de uma ave, então ele é uma ave. Se ele tem o de um réptil, então ele o é. Se um ser vivo possui o DNA humano, ele não pode ser outra coisa senão um ser humano.
Repito que esses são conhecimentos básicos da biologia. Todos nós surgimos assim.
Se ele o embrião é um ser humano, detém todos os direitos advindos com essa humanidade.
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Pense nisso, João Marcos Theodoro – vamos assumir que o feto possa nascer na 30ª semana: Você acredita que o que antes era um “monte de células” passou a ser João Marcos Theodoro quando seus pulmões desenvolveram-se um pouco mais? Existia um “indivíduo em branco”, o qual só passou a ser você depois disso?
A resposta é não. Ele já tinha suas impressões digitais. Já tinha a cor de seus olhos. Já tinha o seu DNA. Ele era você.
Só porque você demorou um pouco de tempo pra conseguir sair do interior de sua mãe não significa que não era você.
Um abraço.
Tentando entender os argumentos de João Marcos Theodoro
Primeiro ele disse:
“Não criei vários critérios arbitrários. Para mim só é possível haver dois: ou há motivos racionais para se aceitar que o zigoto é um ser humano ou o feto só se torna ser humano a partir do momento em que passa a poder sobreviver fora da barriga da mãe e já está completo. Creio ainda que o segundo critério seja o mais razoável.”
Ou seja, se o feto for retirado do útero e sobreviver ele então é humano. Nesse caso a habilidade do médico ou da parteira, as condições do local onde o parto se dá fazem muita diferença na definição de quem é e de quem não é humano.
Depois ele disse:
“O critério é o feto poder sobreviver e terminar seu desenvolvimento fora da mãe, e tal critério só se aplica a esse caso específico. Se o feto consegue sobreviver fora da mãe, isso por si só não o torna o ser humano, apenas faz com que haja consequências legais para a mãe que o matar.”
Nesse ponto vc foge da questão primordial em relação ao aborto, que diz respeito ao feto ser ou não uma vida humana.
O eviccionismo que vc me apresenta (eu não conhecia) me parece ainda mais imoral que os outros tipos de abortismos.
Geralmente os abortistas consideram imoral atentar contra a vida humana, por esse motivo eles tentam desumanizar o feto. Comparando-o com um parasita invasor, com um pé de alface, com um ovo de galinha ou uma semente de árvore. A lógica deles é "o feto não é humano, não sendo humano não há problema em descarta-lo". A lógica esta correta se não há vida humana no feto não há que se falar em imoralidade muito menos em crime.
O que vc diz é "tanto faz se o feto é ou não é humano, o que importa é que ele possa viver fora do útero". A sua lógica diz que vidas humanas podem ser descartadas se elas não forem capazes de se sustentarem por si só. Sua solução é pragmática, porém imoral. Desconsiderar a importância de sabermos se o feto é ou não um ser humano para liberar sua morte é imoral.
Abortar não é a mesma coisa que ver uma pessoa se afogando e não se arriscar para salvá-la. Abortar não é uma omissão e sim uma ação. Uma ação com custos inclusive. Que no Brasil é pago com dinheiro dos impostos. A cada hipótese a mais de aborto legal no Brasil, mais nós pagaremos para que abortos sejam feitos nos nossos açougues públicos. Mas como eu disse abortar é uma ação, o feto não está se afogando, ele passará a estar se afogando se for tirado do útero fora do tempo. Tirar um ser humano do útero materno antes do tempo é como atirar em um lago um ser humano que vc tem consciência de que não sabe nadar. Vc sabe que ele não vai durar muito dentro do lago, ele não esta preparado, ele não tem a menor chance, mesmo assim vc o atira. Isso é assassinato premeditado.
Essa lógica me lembra a lógica do assassino profissional: “eu não mato ninguém, eu só puxo o gatilho, quem mata é Deus”.
Quem acompanha o Olavo já sabia disso há muito tempo
veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/a-incrivel-entrevista-de-um-ministro-do-supremo-barroso-confessa-que-anencefalos-eram-mero-pretexto-ele-quer-e-a-liberacao-de-qualquer-aborto-ou-ainda-quando-a-causa-e-progressis/
O primeiro país do mundo a legalizar o aborto foi a União Soviética, em 8 de novembro de 1920. Pela lei soviética, os abortos seriam gratuitos e sem restrições para qualquer mulher que estivesse em seu primeiro trimestre de gravidez.
Vocês ficam aí discutindo quando começa a vida…o ponto principal na mente esquerdista dentro da questão do aborto não é nada disso.O principal, que faz eles espumarem de ódio é que o aborto tem a ver com responsabilidade individual.Um adulto, maior de idade, vacinado, não doente mental tem toda a capacidade de saber o que é sexo, pra que serve, o que acontece, etc. A única forma de justificar alguém engravidar e depois querer abortar, é tirar toda a responsabilidade das costas da criatura, tratar ela como se fosse uma vítima das circunstâncias e não das suas próprias ações, coisa que a escória esquerdista não vai fazer nunca.
O discurso esquerdista é feito pra agradar gente que é incapaz de se responsabilizar pelos próprios atos, isso é o principal.
Lendo os comentários dos ditos “libertários” e “liberais”, vejo que, quando o assunto não é economia, vocês precisam BAIXAR MUITO A BOLA. Pra mim, Aa defesa da vida contra o aborto pode ser resumida a dois pontos:
1 – A vida começa na CONCEPÇÃO. Portanto, um espermatozóide não é uma vida, assim como punheta não é sexo. Argumente contra isso!
2 – O feto É UM SER HUMANO. Essa história de ele ser apenas “um potencial ser humano” é de uma canalhice sem igual. Qual a diferença de pegar um recém-nascido e jogá-lo no lixo ou de pegar um bebê que está prestes a nascer e dilacerá-lo ainda dentro da barriga da mãe? Ou ainda, ASSASSINAR (pois é assim que se chama) esse bebê com dias de gestação?
Enfim, fora do espectro econômico, o libertário médio se mostra quase sempre como um ignorante, um estúpido vaidoso, não muito diferente dos esquerdistas, comunistas e vitimistas militontos em geral. Uma decepção.
Tem DNA humano e se desenvolve perfeitamente como um humano normal. Poderíamos dizer que um bebê em amamentação também não é um humano, ainda mais um mais dependente como um prematuro. Não anda, não fala, totalmente dependente de terceiros para se alimentar e para se limpar. Como isto pode ser considerado um humano só por ter DNA humano e poder se tornar um adulto produtivo?
O assunto não é ser um potencial ser humano. Há a possibilidade de espermatozoides vivarem ou não seres humanos. Agora não há a mínima possibilidade de um feto virar um ser humano, pois ele já o é. Há a possibilidade de ele virar uma criança, um adolescente, quiça um adulto e atinja a velhice. Porém são transições de fases humanas. Um espermatozoide que não for assassinado pode ou não fecundar um ovulo e desenvolver um ser humano, se ele não fecundar ele será um espermatozoide até o final de seus (poucos) dias. Agora não há a mínima possibilidade de um feto virar outra coisa, de se transformar num humano de repente, ou não com o passar do tempo se este não for morto.
Autorizemos a morte de bebês e crianças também. Porque obrigar os pais a manterem-nas vivas? Pelo que sei criança é diferente de adulto como um velho é diferente de uma morula.
E o que seria uma criança além de células se dividindo. Com o tempo essas células podem até se dividir o suficiente para se tornarem um adulto. Mas com certeza essas células se dividindo só são células de feto originando mais células de feto e nunca que por essa divisão vai surgir células de criança. Ela vai passar a ser criança magicamente, assim como as células de criança só se dividirão em células de criança e abruptamente todas virarão células de adulto num determinado momento.
Realmente o espermatozoide é um ser humano em potencia e pode não o ser no futuro. Mas um embrião o é desde que é um embrião. São células se dividindo e o serão até a velhice se assim o chegar. Quando que este amontoado de células humanas se dividindo que formam um organismo completo serão um ser humano? Um adulto ainda é um grande organismo completo formado por células humanas se dividindo. Em todas as fases que não restam dúvidas de serem humanas não passam de amontoados de células se dividindo. Este critério não me parece bom para definir se já passou a ser um homem, pois este é um amontoado de células se dividindo. Células humanas, claro. Isto é o bastante?
Não, o espermatozoide é um ser humano em potencia, tem o potencial de se transformar num ser humano. Já um feto, um embrião, uma criança ou um idoso não tem potencial algum de se transformar num ser humano. Eles o são.
Racional.
A indústria do aborto se apoia, basicamente, em duas grandes mentiras:
1. O embrião humano não é um ser humano;
2. O aborto não prejudica a mulher.
Ademais, para os abortistas, ao que parece, a afirmação de que a mulher tem direito sobre o próprio corpo só é válida se esta não for o nascituro.
http://www.defesadavida.com/quando_comeca_a_vida_humana.pdf
culturadavida.blogspot.com.br/2012/05/as-3-taticas-de-dr-bernard-nathanson.html
Blood Money: http://www.youtube.com/watch?v=6i5m6j6ffrM
Eu nunca havia reparado que o IMB possui um artigo sobre aborto, descobri hoje por acaso.
Imaginei que a maioria dos libertários seria composta de pessoas pró-aborto… E qual não foi a minha surpresa ao ver tanta gente contrário ao aborto nos comentários acima.
Eu sou pró-aborto. Mas isso é irrelevante. Em uma sociedade onde existe um governo estabelecido e leis para todos o aborto será:
a) proibido
b) liberado
c) liberado com restrições (estupro, até certo período de gestação, etc)
OK. Em qualquer um dos casos uma parcela da população estará satisfeita/insatisfeita e a vida segue. E caso exista proibição, naturalmente que abortos clandestinos continuarão ocorrendo.
A minha dúvida é: como seria a questão do aborto em uma sociedade anarco capitalista? Se uma mulher quiser abortar por seus próprios meios, alguém tem o direito de impedi-la sem violar o princípio da não-agressão?
Temo estar chegando atrasado na discussão, mas vou deixar o comentário na esperança de que algum pró-vida queira debater comigo.
Gostaria de deixar claro que em nenhum momento endosso o suporte estatal/legal às minhas posições, minha exposição se limita ao campo ético-moral.
Considero que diferenciar um bebê de uma feto (ou qualquer outro estágio da gestação intra-uterina) para advogar tratamentos diferentes a ambos é completamente arbitrário, não importa qual seja o critério adotado. Li muito nos comentários sobre um tal “ser capaz de sobreviver fora do útero”. Ora, e desde quando uma criança sobrevive sozinha? Bebês são tão dependentes dos pais (principalmente da mãe) fora do útero quanto eram dentro.
Não sou obrigado a alimentar um mendigo saudável e forte que apenas não quer trabalhar, então por que seria obrigado a alimentar meu filho? Se o mendigo e meu filho são a mesma coisa e possuem os mesmos direitos, abandonar meu filho à fome seria menos ou mais condenável que abandonar o mendigo à fome? Ou será que meu filho e o mendigo não são realmente a mesma coisa em relação a mim?
De fato, todos os argumentos que sustentam a liberdade da mãe em praticar um aborto serviriam igualmente para justificar sua liberdade de abandoná-lo à própria sorte – o que para um bebê significaria a morte certa.
Do ponto de vista libertário, realmente não há nada que se possa fazer para obrigar uma mãe a cuidar de seu próprio filho ou impedir que ela o deixe morrer, e ela sempre poderá evocar o princípio da não-agressão para se livrar de qualquer responsabilidade pela subsistência de seu filho.
Mas que tipo de mundo seria esse, onde o infanticídio, desde que praticado pela mãe, na forma de abandono, fosse considerado aceitável?
É por isso que eu entendo que esse assunto está fora da alçada do libertarianismo, bem como tantas outras questões não-econômicas.
Não importa saber se o aborto elimina um ser humano ou um aglomerado de células. Se ocorre antes ou depois do início da pulsação cardíaca, da atividade cerebral, ou de qualquer outro aspecto arbitrário.
O que importa é que o aborto propositado, constituindo ação deliberada, encerra a possibilidade (o potencial) de existência de ser humano já em curso. Curso este que NÃO depende de outra ação deliberada para sua consecução, senão a manutenção da vida da própria gestante.
É tão grave eliminar um ser humano deliberadamente quanto eliminar o curso de ação que levará inexoravelmente à sua existência, salvo acaso contrário.
Fecundar o óvulo é análogo a empurrar uma pedra da ladeira. Ela vai cair. E vai continuar caindo, se ninguém interromper. A questão pragmática relativa à fase em que devemos parar o movimento da pedra é menos importante do que a questão filosófica de SE devemos parar este movimento.
Agressão contra o feto, antes de agressão contra o ser humano, é agressão contra o curso da vida humana. Não cabe o direito de reclamar a eliminação da vida gerada, tendo em conta que a conjugação (troca ou transferência de material genético) para a espécie humana depende da ação deliberada, propositada do encontro de duas partes.
Não concordo com esse texto de Ron Paul.
A liberdade consiste em opiniões adversas, mas se analisarmos de uma forma laica e sem preconceitos deveríamos considerar que o aborto estaria permitido em dois casos:
– Fruto de estupro.
– Ou quando o feto apresentar problemas muito graves que comprometam a saúde da mãe ou do próprio feto.
Sendo que nesta situação a decisão ficaria a critério dos próprios pais.
A complexidade é definir critérios legais e médicos que eu acredito que fogem ao contexto deste movimento neste momento.
Mas se usarmos o principio em que somos responsáveis por nossas ações voluntárias, tudo ficaria bem mais claro, ou seja, não poderíamos tirar um bebe que fosse gerado a partir de uma ação voluntaria. Bem como os pais teriam que cuida-lo até sua emancipação.
Lembrando que uma ação voluntaria neste caso se aplicaria a tudo menos os casos de estupro ou por motivos de saúde (força maior).
O problema ao meu ver é banalizar.
Fernando, O seu erro é comparar um novo ser humano, que é gerado a partir do momento em que existe um DNA único e exclusivo daquele organismo, com um fio de cabelo ou espermatozoide, cujo DNA é integralmente igual ao de seu dono.
Ou seja, zigoto é uma nova vida, e o espermatozoide ou ovulo, não. Logo, o aborto é assassinato, simples assim.
No mais, Ron Paul aqui foi brilhante como sempre.
Taí seu organismo microscópico, com 18 semanas
Realmente, não tem nada de humano…
ig-wp-colunistas.s3.amazonaws.com/obutecodanet/wp-content/uploads/2011/09/incredible_photos_a_child_is_born_640_20.jpg
Gravidez indesejada é fruto de promiscuidade… Quão difícil será que foi fazer esse julgamento? Será que adolescentes de “boa família” e casais em começo de carreira que ainda não querem ter filhos não fazem aborto? Se acham que não, deveriam checar mais uma vez.
E se a gravidez for de risco? É pró-vida obrigar a mãe ao sacrifício da própria vida, e o bebê ao abandono?
Para não mencionar os casos de violência sexual. Eu admiro muito as mulheres que decidem levar a gravidez adiante nesse caso, honestamente. Mas duvido muito, e dificilmente vão me convencer do contrário, que se acontecesse com a filha de alguma das pessoas que comentaram aqui, vocês insistiriam para ela ter o bebê.
Dando uma olhada rápida, surpreendentemente não há mulheres comentando. Eu realmente acredito que esta discussão, especialmente no aspecto político, não deveria estar a cargo de homens. O dia em que eu ouvir um homem implorando a uma mulher com quem fez um filho em um momento inoportuno para que ela não aborte, eu faço uma concessão. Mas simplesmente não há registros históricos de um acontecimento como esse.
E não, o motivo para isso não é que as mulheres querem ter todas as relações sexuais possíveis e dedicar nossas vidas a ganhar mais e mais dinheiro sem ter filhos. Pelo contrário. É porque nós abrimos mão de sonhos e planos pelos nosso filhos muito mais do que os homens. Porque nos dói muito mais deixar um bebê em casa com outra pessoa para ir trabalhar. Porque nos dedicamos muito mais às nossas crianças do que os pais fazem, e se há um caso diferente é exceção. Porque a responsabilidade que recai sobre nós sobre o nosso comportamento sexual é mil vezes maior que a que cai sobre os homens. Porque somos capazes de dar nossa vida pela de nossos filhos, sim. Mas um homem nunca faz isso. Então, não acho que os homens saibam do que estão falando e a posição de de ficar apontando o dedo é muito confortável para ser realista.
Ainda, é muita hipocrisia que essas mesmas pessoas advoguem contra os direitos trabalhistas como licença maternidade e ainda auxílios miseráveis do governo para as mães poderem mandar seus filhos para a escola. Como se já não fosse estúpido o suficiente abrir mão de metade da força de trabalho (cada vez mais bem qualificada), acham natural negligenciar os “fetos” de todas as mulheres abandonadas (sim, porque engravidar de um homem pode significar que ela confiou e foi enganada, não que ela deu para todo mundo) ou mesmo viúvas, que não terão condições de conseguir um emprego por serem mães. Esses fetos vão passar fome, ter doenças e, se chegarem à idade adulta, não ter educação o suficiente para serem produtivos.
Eu não sou pró-aborto. Nunca me comportei de forma a me arriscar a precisar de um. Se uma amiga estiver em um momento difícil e pensando em fazer um, vou aconselhá-la a não fazer. Mas não vou julgá-la se ela se decidir a ir em frente. Minha religião, meu preceitos morais são de que não se deve abortar, mas também de que não se deve julgar.
Além disso, há religiões que consideram comer carne animal um assassinato e atentado à vida, e eu tendo a concordar. Sem falar nas implicações econômicas da pecuária, utilizando uma quantidade absurda de água, energia e alimento que poderiam ser usados para alimentar seres humanos. Mas nem por isso penso em pedir para criminalizar quem come carne.
Em tempo: não sou esquerdista. Mas minhas escolhas políticas são antes de mais nada racionais, e eu não vejo como criminalizar o aborto torna a sociedade melhor.
“O dia em que eu ouvir um homem implorando a uma mulher com quem fez um filho em um momento inoportuno para que ela não aborte, eu faço uma concessão. Mas simplesmente não há registros históricos de um acontecimento como esse.“
Sério isso?
“Porque somos capazes de dar nossa vida pela de nossos filhos, sim. Mas um homem nunca faz isso”.
Sério isso?
“Ainda, é muita hipocrisia que essas mesmas pessoas advoguem contra os direitos trabalhistas como licença maternidade e ainda auxílios miseráveis do governo para as mães poderem mandar seus filhos para a escola”
e
“Em tempo: não sou esquerdista. Mas minhas escolhas políticas são antes de mais nada racionais”
Sinceramente não vejo qualquer hipocrisia em ser contra o aborto e ser contra a indevida intromissão do estado nos contratos de trabalho. Aliás, ser a favor de matar seres humanos “inconvenientes” e defender a arbitrariedade estatal sobre uma relação voluntária legítima é sim esquerdismo e pouco tem de racional.
O aborto, como qualquer outro aspecto da vida, deve ser de livre escolha, sem interferência de quem quer que seja.
Acredito que o Ron Paul se deixe um pouco influenciar por suas convicções religiosas, mesmo quando se põe a analisar dados científicos.
Acho que a pergunta no caso é, quando começa a vida humana? Para muitas questões é difícil estabelecer como preto ou branco, pois normalmente se trata de um processo contínuo e gradual.
Com relação ao período que conhecemos como vida humana (que decorre entre início da vida e a morte) existem dois critérios que se poderia adotar (na verdade há mais alguns, mas estes seriam os mais razoáveis), os dois igualmente válidos, mas que não deixam muita margem a fazer cherrypicking:
1) Vida é atividade cerebral.
Ou seja, a vida termina com a chamada “morte cerebral” e se inicia com a formação do SNC.
Consequências: Aborto – OK até 12 semanas de vida, Doação de órgãos – OK, Pesquisas com células tronco de embriões – OK.
2) A vida se inicia na concepção.
Ou, seja, para sermos coerentes a vida se encerra com a morte da última célula do indivíduo.
Consequências: Aborto = Assassinato, Doação de órgãos = Assassinato, Pesquisas com células tronco de embriões = Assassinato.
Cada um tem o direito de adotar o critério que achar mais válido.
o link abaixo aborda os seguintes pontos:
1. a diferença entre “estar vivo” e ser um “ser vivo”.
2. o fato da igreja católica, até meados do século XIX, considerar que o aborto só era homicídio a partir do 40º dia de gestação.
3. uma semente se desenvolve por si mesma contanto que esteja em condições nutricionais propícias (isso é um ser vivo em potencial); já o embrião não se desenvolve sozinho, é a mãe que o desenvolve (por isso, nunca se conseguiu criar um ser humano fora de um útero).
4. “mas o embrião é parte do pai também”. ops! um embrião é feito a partir de uma enxerto do pai, não é uma parte dele, não precisa, por exemplo, da produção de serotonina periférica do sangue do pai. se formos falar em partenogênese, então, nem esse enxerto é necessário.
5. até quando o embrião não é suficientemente um ser vivo? dica: um ser humano sem atividade cerebral é considerado clinicamente morto. 😉
www1.folha.uol.com.br/fsp/mais/fs1304200804.htm
no mais, muito legal uma discussão sobre aborto com, praticamente, só homens se posicionando. eu também participo de um fórum de discussão só de mulheres sobre ejaculação precoce, disfunção erétil e exame de próstata (a propósito, sou a favor do último e contra as outras duas, mas não acho que devam ser criminalizadas, rs). muito enriquecedora essa troca. parabéns!:)
https://www.youtube.com/watch?v=qa8sc9y2B2Y
A Andrea definitivamente sabe muito sobre Kant, várias colocações foram ótimas e adicionaram muito conteúdo, mas algumas vezes não compreendeu o que buscava algumas perguntas, como quanto ao contexto em que ele vivia. Agora, entervista perfeita difícilmente se vê, ao final foi muito construtiva e quase perfeita a entrevista, obrigado pela entrevista.
Boa entrevista. Fiquei curioso sobre o que ela acha das críticas da Ayn Rand ao Kant. Ela o critica dizendo ter sido um místico, destruidor da razão, que contribuiu e muito para a ascensão dos coletivismos posteriores.
aynrandlexicon.com/lexicon/kant,_immanuel.html
Olá:
Eu gostaria de fazer o download do Podcast, mas aparentemente não está funcionando.
Quando eu clico no link para fazer o download, inicia o podcast no site.
Fantástico!
Dizem que Kant é o tipo mais difícil de leitura que existe. Particularmente, nem me arrisco, já tenho dificuldades suficientes com filosofia em geral.
Mas ouvir a Andrea falando é outro nível, tudo parece claro.
Artigo ótimo do Ron Paul
Existe uma forma de nao contradizer o princípio da não agresssão ao se praticar um aborto. Isso pode ser realizado estabelendo-se como critério o inicio da formaçao do sistema nervoso (ocorre em torno do 2 mes). Uma vez que nao tenha começado a se formar, simplesmente não haveria um ser humano supostamente consciente. Tal proposiçao se assemelha ao procedimento de desligamento de aparelhos ao se constatar morte cerebral do paciente mesmo com o organismo plenamente funcional. Em suma, o sistema nervoso que comporta a consciência de um individuo, visto que já há a tentativa de desenvolvimento de avatares físicos, como as pesquisas de “Interface homem-máquina” feitas ,por exemplo, pelo cientista miguel nicollelis.
é engraçado como os libertarios tem esse costume de chamar alguem de comunista ssomente pelo fato de não concordarem com eles em aspectos como: aborto,legalização das drogas etc, é uma coisa tão imbecil que é dificil de entender o por que de fazerem isso.
[/i]”quem não é anarcocapitalista é socialista”[/i]
Você somente provou o meu ponto. Obrigado.
A propósito, eu também sou ancap, mas eu sei que há vários tipos de sistemas econômicos entre o livre-mercado e socialismo marxista.
Socialismo é o controle dos meios de produção pelo Estado. Pode ser por vias diretas (empresas estatizadas) ou por vias indiretas (controle de preços e empresas reguladoras).
Um território ter 1% de imposto não é a definição de socialismo em nenhum lugar do planeta, somente na sua cabeça. Ao contrário, países socialistas possuem uma tributação baixa já que controlam as empresas e os salários.
Quando você abre a porta da sua casa para outras pessoas entrarem, você acaba responsável pelo o que essas pessoas fazem dentro dela.
Agora se alguém invadir sua casa sem sua permissão a culpa não será.
Quem é a favor do aborto é porque já nasceu mesmo
Silvia
Eu não sou a favor do aborto, nunca deixaria minha mulher ou filha fazerem, mas sou a favor que a mulher que QUEIRA fazer, que o faça.
Sim ao aborto: seu corpo, sua existência, seus atos…
sua propriedade corporal. Dentro desse contexto, o feto concebido detêm dos mesmos direitos que os seus?. Entrando no abordado, esse ser “feto” de forma involuntária, está dentro do seu corpo, e agora?…quem exerce o que sobre o quê?, mas esse corpo “feto”, só está inserido nessa associação, pois houve um inserimento de seus genitores, seus genitores,( seu óvulo, seu esperma), Chegamos ao clímax do contexto apresentado, cabendo apenas seus Deuses, digo…genitores, o poder de decisão de forma conjunta, conjugando o melhor na ação temporal, havendo a cada ser o poder de decisão. Mas não, nossa sociedade hipócrita, achando que sabem de tudo…dizem não ao aborto…, não participaram de nada, nenhum material biológico inserido na mitose…
em sua grande maioria, criar, educar, financiar, isso ninguém coloca a cara e adota, palavras são muito fáceis de serem profanadas, chega ser bonitinho “Deus, Papa, Padre…salvem as criancinhas…”, ações são complexas e medidas pelos seus interlocutores, cabendo o poder de decisão única e exclusiva deles…PAI E MÃE. “SIM AO ABORTO.
#SIMAOABORTO….cabendo apenas seus genitores o poder de escolha e isso acima de qualquer legislador com a merda de uma caneta em mãos!. É muito bonitinho, defendam a vida, defendam a moralidade, defendam a liberdade do ser inserido “feto”
….defendam…defendem até a página 2…dali em diante, por conta dos seus genitores?…assumam suas responsabilidades, o feto não têm culpa…sim, correto pensar dessa forma, o feto é não culpabilizado nessa ação, mas e como gerir o ocorrido? e agora?, aconteceu, vamos assumir e pronto, que sobraram apenas dois caminhos: aborta “feto” ou aborta durante a vida inteira e se der sorte, cai em uma fila de espera para ser adotado, ah essa adoção que nunca chega…eu , digo eu Rafael, prefiro morrer sem um cérebro interpretativo, do que viver com meu cérebro interpretando meu ambiente deplorável. E assim têm que ser, direito de escolha individual de seus genitores.
O liberalismo tem como doutrina fundamental a garantia das liberdades individuais, mas quando um individuo impõe sua vontade ou verdade sobre outro ele esta usando de ‘tirania’ e não de ‘liberdade’. A liberdade só pode ser entendida na sua essência quando existe respeito e consciência da liberdade do outro, bem expressa na máxima “Minha liberdade termina quando começa a do próximo”, ou na frase de Paulo de Tarso “Tudo posso nem tudo me convém”.
Um ser em gestação não pode ser ignorado como um individuo em potencial, pois o é!, e quando sua existência entra em risco por uma escolha da qual ele não pode se defender, e nem se opôr, o fundamento da liberdade cai por terra.
“Se o pai estuprou, pena de morte na criança, mesmo que o pai não seja punido!” ou “Matem o bebê porque eu sou irresponsável!” Porque os defensores do aborto não falam com todas as palavras o que defendem?
Tenho um primo de segundo grau que é fruto de um estupro, gente finíssima. Minha prima, sua mãe, o ama muito e não se arrepende de ter levado a gravidez adiante. Assim como ele existem outros.
Aborto é assassinato de indefeso, é o crime mais horrendo e covarde que pode existir.
O que poderia ser pior do que uma mãe assassinar o seu próprio filho?
Os conservadores não precisam ir muito longe para explicar seus motivos para a questão do aborto como explicações morais e religiosas, basta apenas ver o lado econômico que está na questão demográfica.
E como explicado por este site, essa questão no futuro pode ser o pior problema econômico.
Aborto é uma agressão a outro ser vivo e ponto. É ridiculo negar isso.
E como toda agressão, ela só pode ser moralmente aceita em casos de legítima defesa, no caso, um aborto só poderia ser moralmente aceito quando o feto oferece riscos de vida a mãe.
“a mulher deve exercer sua vontade sobre o próprio corpo”. adivinha só, ela JÁ FEZ ISSO, quando entrou VOLUNTARIAMENTE numa relação sexual, assumindo o risco EXPLÍCITO E CONSCIENTE de arranjar uma doença ou uma gravidez e de ter que arcar com isso sozinha depois.
O que acontece aqui é uma situação similar a você derrubar uma pessoa numa piscina, e ela não saber nadar. Foi SUA a decisão, foi SUA a ação, e é SUA a responsabilidade de tirar essa pessoa da situação de risco que lhe foi imposta, e dar um tiro pra ela ela morra e assim o risco “passe” NÃO é uma forma VÁLIDA de resolver. Não INTERESSA se pra tirar de lá você vai ficar cansado, ou com medo, ou correr perigo, é SUA a responsabilidade, pensasse nisso ANTES.
“ah, mas é um indivíduo que está se alimentando do meu corpo, contra a minha vontade”
Ele NÃO pediu pra ser colocado nessa situação de extrema dependência, foram SUAS ações que o colocaram dentro da sua propriedade, e que provocaram o fato de ele não conseguir subsistir fora dela. É arrastar alguém pra dentro de casa, trancar todas as portas e janelas, e em seguida dizer, “mudei de ideia, você não é mais bem vindo aqui”, e imediatamente lhe dar um tiro na cara, à guiza de se livrar de uma “invasão”.
então não, aborto NÃO É moralmente defensável, é SUA culpa ter um feto ali, foi a SUA ação que provocou o fato de ele não conseguir subsistir, e NÃO É uma saída válida matar o indivíduo em formação
anexo 1: espero que a palavra voluntariamente em destaque no texto deixe claro que NÃO estou falando de gravidez por estupro, onde NÃO É uma ação voluntária da mãe que provoca o surgimento do feto, e portanto, aqui sim, ele é um invasor
anexo 2: numa gravidez onde exista risco de vida para a mãe, aborto pode ser considerado, afinal ESSE não foi um risco que ela escolheu correr
anexo 3: um feto o qual foi dado o tempo necessário, e ele não desenvolveu atividade cerebral, não é, e NÃO SERÁ NUNCA um ser humano, e NESSE CASO, sua remoção é comparável com um tratamento de câncer por exemplo
conclusão: no fim das contas, o problema aqui é a mulher não ter pleno controle do corpo ANTES do ato sexual, por exemplo aos 16 anos (ou até antes, e que cada um arque com suas consequências), onde ela não pode fazer uma laqueadura no próprio corpo, mas pode votar pra escolher quem vai decidir sobre a idade da laqueadura pra todo mundo (!!!), assim mesmo para o homem, em relação à vasectomia. Além disso, não importa o que se diga, essa prática jamais será totalmente extinta, e portanto é uma batalha inútil, mas o que quero destacar aqui é que pessoas que não concordam com aborto estão sendo FORÇADAS, pelo estado e seu braço armado, a pagar o salário de gente que é favorável a isso, e pode forçar essa decisão em todo mundo, e pessoas que defendem o aborto estão sendo FORÇADAS, pelo estado e seu braço armado, a pagar o salário de gente que é contra, e pode forçar essa decisão em todo mundo. A discussão sequer deveria ser o aborto, mas porque que pessoas tem o direito de forçar suas preferências morais em outras (algo inerentemente imoral, diga-se de passagem).
É contra o aborto? Não aborte, simples assim. Gosto muito de todos os textos do instituto, mas esse foi um lixo.
Com certeza esse cara escreveu baseado na sua falsa moral religiosa.
“A política é a rejeição da santidade da vida”.
Não concordo. Política foi importante na evolução humana, essa interação entre as pessoas não surgiu por acaso. Era preciso união, persuasão, entre outras coisas, ou política, para garantir a sobrevivência das várias tribos no início da humanidade, ou mesmo antes quando aínda éramos primatas.
Porém concordo que para os dias de hoje a política e seu intervencionismo na vida privada é uma monstruosidade, totalmente inadequada ao nosso modelo atual de desenvolvimento. É preciso repensar, adotar novas estratégias para o desenvolvimento humano. Acredito em evolução, e nosso modelo atual de Estado evoluirá para algo mais benéfico às demandas da humanidade moderna.
Libertarios defensores incondicionais da vida, liberdade e propriedade deveria ser contra o aborto visto que o feto não e uma mexa de cabelo ou unha que pertence o corpo da mulher mas uma outra vida.
É moral e intelectualmente justo fazer com que uma criança indesejada carregue o fardo pelas ações irresponsáveis de terceiros?
O que você propõe, é justamente que esta criança carregue o maior fardo que alguém pode carregar, que é justamente não ser fruto do desejo. É o desejo que nos investe de sentido, de vida psíquica… sem ela somos sim, um bolo de carne.
Se compararmos o número de abortos que ocorrem no Brasil ( 1~1,5 milhão ) com o número de pais na fila de adoção (36 mil), podemos ter uma pequena estimativa de quantas crianças nunca seriam investidas de afeto/desejo/sentido.
Conheço pouco ainda do libertarismo e há não muito tempo atrás repetia discurso socialista, que hoje abomino alias. Aproveitando a deixa do aborto, gostaria de perguntar se o Libertarismo tem algum posicionamento sobre o suícidio assistido livre. Observe que não estou me referindo a eutanásia, mas sim a qualquer pessoa civilmente capaz possa ter o direito de optar pelo fim de sua vida com apoio médico. Esse é um tema que depois de estudar a fundo, por uma perspectiva de fora do mainstream acadêmico de psicologia brasileiro, me fez ver como a psiquatira e psicologia moderna são visões culturais limitadas, baseadas em uma visão mecanicista da mente humana e que acabam por reduzir o ser humano a simples elemento biológico, fruto de reações químicas/ interações com o seu meio (determinismo social, biológico, cultural, etc.) a fim de explicar comportamentos, sentimentos, ações e etc, como doenças/transtornos, e não como escolhas dos indivíduos. Assim, tratamentos forçados são tolerados e comportamentos que não violam o PNA são proibidos. Isso, para mim, é uma forma de retirar dos indivíduos a sua liberdade e aliena-la para os “doutores da ciência” e claro, o estado.
A antipsiquatria é muito crítica acerca disso e afirma que o individuo deve ter plena liberdade para escolher seu tratamento e até sobre o fim de sua vida, além de criticar a existência das doenças mentais. Isso é rechaçado pela psiquiatria moderna e caiu em descrédito, há alguns autores da literatura médica que defendem tal posicionamento mesmo sem serem parte da antipsiquatria, e eu achei o tema muito pertinente com as discussões aqui, acho que o direito a liberdade nesse caso, se sobrepõe a vida, até porque todos decorrem da propriedade que se tem sobre seu corpo, e caso se queira destruí-lo, então porque não se poderia o fazer?
“gostaria de perguntar se o Libertarismo tem algum posicionamento sobre o suícidio assistido livre”
Sim, o posicionamento é que se alguém deseja por fim à própria vida, esse alguém é livre para fazê-lo (ou para dar o seu consentimento para que outros façam isso para ele).
Note que este ponto não admite outra interpretação, pois é uma derivação lógica direta do PNA. Se alguém disser que não concorda com o direito de suicídio de um indivíduo plenamente capaz, então esse alguém não pode ser chamado de libertário.
Era liberal e há pouco tempo me tornei libertário sentindo em definitivo a extinção do estado em minha mente. Mas além de libertário também estudo filosofia espírita e ao PNA, Princípio de Não-Agressão, é necessário acrescentar a Caridade como contrapeso. Vou deixar para quem se interessar descobrir por conta própria a conceituação da Caridade no âmbito do Espiritismo.
Por incrível que pareça a Filosofia do Espiritismo (que não é religião) dá enfase às leis naturais, o jusnaturalismo! Por exemplo o pertencer a si mesmo muito relacionado à argumentação do corpo (material) como propriedade!
Para os cientistas uma célula igual vida, para outros, muitas células em conjunto formando um organismo e com funções já estabelecidas, igual um ser sem vida
O problema é que para a biologia, para a religião, para a filosofia, e para várias outras visões, a vida (ou a definição dela) começa em um momento diferente para cada uma. Assunto delicado mesmo. Ninguém pode afirmar que o surgimento da vida é um consenso universal.
A genética é realmente incrível. Faz com que nós, seres humanos, julgamo-nos acima de qualquer outra forma de vida. Quando o assunto é vida humana, a conversa muda completamente, e todos tomam partido. Mas se for qualquer outra forma de vida que não seja humana, me parece haver uma certeza clara sobre sua falta de importância. E assim a natureza trabalha, fazendo com que o ser humano acredite ser intocável, para defender a própria espécie.
Fico imaginando, um cenário claramente hipotético, onde apareça na Terra uma forma de vida muito mais “evoluída e racional”, será que ela iria tratar o ser humano como uma vida insignificante, da mesma forma que tratamos as demais? Ou será que esta “evolução e maior racionalidade”, fará com que ela perceba como o homem é medíocre. Talvez eles tenham pena da gente. Mas talvez o homem ainda se ache tão superior, que esta nova raça poderá entrar em conflito com o homem, para se proteger de sua ignorante arrogância.
Curioso.
É péssimo para a minha reputação repetir uma frase tão batida e sem criatividade. Mas: ‘Excelente artigo!’
Mas, o IMB prestigia mais as seções de comentários na fanpage do Facebook do que as dos artigos daqui do site. Não compartilhou conosco uma ótima ilustração do que acontece neste imbróglio, e que eu concordo plenamente:
“É inegável que haja um conflito de dois direitos, o que cria naturalmente uma zona de tons de cinza.
Parece que o cinza deve ser bem mais forte pró-vida do que pró-incômodo, no entanto. A vida precede o incômodo.”
Sendo assim, é bom cada um recolher-se à sua humildade e ver que essa é uma questão muito polêmica, e que nunca nenhum ser humano conseguirá reunir em si todo o pensamento do que é mais correto, o mais perfeito ou um que seja totalmente coerente.
Mas é absolutamente compreensível e faz todo o sentido, principalmente para efeitos práticos, que o liberal/libertário acabe sim tendendo um pouquinho mais para defender o lado pró-vida do que o lado que tenta descriminalizar o (o que está longe de garantir direitos ao) aborto. Mesmo que, em alguma medida, isso signifique o Estado intervindo como o impositor do que é “bom”.
P.S.: Entretanto, tentem fazer isso com um pouquinho só de educação e respeito pelo outro. Ficar acusando de assassinato uma mulher ou uma equipe por realizar um aborto não ajuda no diálogo. Além do mais, a vida humana é muito maior do que esses corpos físicos que vocês estão acostumados a usar, embora vocês não consigam perceber. Não existe esse negócio de ‘tirar a vida’, principalmente no caso aborto. Espiritual demais para vocês, mas eu realmente não entendo o que de fato vocês estão lamentando. (Dica da titia Consciência)
Ta aí um assunto delicado que realmente não é consenso para os libertários e vale a pena ser discutido, portanto darei meus pitacos sobre o assunto tentando sugerir alguns pontos de convergência:
1) obviamente para qualquer libertário aborto (e qualquer outra coisa) não é responsabilidade do estado (que não deveria existir), logo o estado não pode usar dinheiro de impostos para prover aborto pelo SUS por exemplo, quem for fazer que se vire, nisso acredito que todos concordamos (com exceção de eventuais esquerdistas visitando o site). Agora, deve o estado ou a lei em uma sociedade ancap impedir as pessoas de fazê-lo?
2) Casos de estupro. O PNA não impede legítima defesa, logo, uma mulher que tem sua propriedade invadida, ela não pode expulsar o ser que está em seu corpo contra sua vontade? é claro que muitos podem argumentar que quem invadiu foi o pai e não o feto, mas 50% do DNA do feto é do pai e não anula o fato de que o feto está ali contra a vontade da mãe. Minha opinião é que nesse caso poderia ser gerado um consenso pró-aborto, só sendo muito apegado a questões religiosas para ser contra.
3) Isso pra mim não é tão óbvio de aceitar quanto o caso do estupro, mas gravidez de risco não cairia no mesmo caso de legitima defesa? Se a mãe e o pai concordarem que não vale arriscar a vida da mãe pela vida da criança não poderia ocorrer aborto?
4) Questões de quando começa a vida não há consenso científico, então, na dúvida não devemos estipular um prazo de dias ou semanas que seja permitido, isso é bobagem. Mas eu faria uma concessão para a pílula do dia seguinte, o que vcs acham?
5) Em caso de aborto ser crime, a quem caberia fazer a denúncia em uma sociedade ancap? Tipo, o pai, a mãe e o médico fazem o procedimento mas teria que existir uma outra pessoa que se sentisse ofendida, descobrisse o caso, e levasse a julgamento em nome da criança?
Ontem eu vi uns fetos em desenvolvimento andando na rua com AK-47, abordando as mulheres e dizendo; “Deixa eu entrar ou eu atiro!”
Pobres mulheres que não sabem que foram engravidadas coercitivamente ou por processos ~não invasivos~…
Bom dia a todos!
Só eu que percebi, ou este artigo/CVR de Ron Paul está incompleto? Não existem só dois tipos de pessoas no mundo – certas e erradas. E mesmo as certas cometem erros, como as decididamente tortas acertam de vez em quando. Explico:
– Não existem só casos de promiscuidade em gravidez acidental. Camisinhas vazam ou estouram, pílulas falham, e o mais comum: há milhões de mulheres com o ciclo reprodutivo imprevisível, onde a menstruação adianta ou atrasa ao sabor do vento.
– Não é só em situações casuais que acidentes ocorrem. Muitos casais fiéis e estáveis passam por isso, e não tem a mínima condição financeira, temporal, etc de cuidar de uma criança, ou de ter mais um filho, caso já tenha.
– Muitos relacionamentos estáveis terminam de forma intempestiva durante uma gravidez, onde a mulher que era manteúda se torna arrimo, muitas vezes sem auxílio de parentes e amigos.
Posso terminar o dia citando ínúmeras nuances do cotidiano para salientar que a vida não é tão simples, e não cabe a quem está fora do contexto pessoal de cada mulher escolher por ela.
O aborto é bom? Não, é péssimo. Mas é uma saída que pode evitar que uma vida já adulta caia em sofrimento ou desamparo além do que já é.
Um abraço.
Obrigado pelo artigo, me esclareceu bastante no assunto, já que sempre acreditei na vida humana como feto, e não conseguia conciliar isto com as liberdades das mulheres.
O que faltou foi o autor falar dos casos de estupro… qual seria a moralidade nestes casos? Quem teria mais direitos… feto ou mãe? O artigo centrou bastante nas responsabilidades pessoais, porém temos as vítimas de estupro que também fazem parte das estatísticas de aborto.. e agora?
Parabéns pelo artigo, liberdade é diferente de libertinagem.
“Proteger os ovos de tartaruga e exterminar os fetos humano faz sentido, sim. Afinal, um ovo de tartaruga é apenas uma futura tartaruga, e o feto humano pode ser um futuro juiz do STF.” > http://www.midiasemmascara.org/artigos/cultura/16851-2016-12-03-23-34-33.html
Se pudesemos chegar a este nível de discussão….
Tem gente que propõe como alternativa ao aborto, o uso de anticoncepcionais. No entanto, estes anticoncepcionais são anticoncepcionais só no nome…na verdade são abortivos. E não são fanáticos religiosos que dizem isso, mas a própria bula dos medicamentos:
Essa discussão fica aos libertários pró-vida: depois de descobrir que a pílula é abortiva, o que fazer? Proibir a pílula? Fazer como o padre disse: obrigar as marcas pílula a colocar um aviso dizendo que a pílula é abortiva?
Eu como católico distributista, defendo a medida mais radical, que é a proibição dessas pílulas abortivas… Se querem criar medicamentos de prevenção à gravidez, então que criem anticoncepcionais genuinos, e não abortivos com nome de anticoncepcionais…
Mas antes da proibição, primeiro fazer uma campanha mostrando que a pílula é abortiva…. o que eu não vejo a Igreja fazer…
Qual deveria ser a pena para uma mulher que toma uma pílila do dia seguinte? A morte? Pois pra mim esta deveria ser a pena para alguém que mata um recém nascido a sangue frio.
Qual deveria ser a pena de uma mulher que usa DIU? Como fiscalizar isso? Sensores nas vaginas de todas as mulheres?
E uma mulher com, digamos, problemas para engravidar devido a erros na fase de nidação (fixação do óvulo fecundado no útero)? Ela deveria ser considerada uma assassina em série por tentar engravidar várias vezes?
Médicos que ajudam mulheres a engravidar e, no processo, jogam vários zigotos fora, deveriam ser tratados como agentes do holocausto? E os casais que os procuram como cúmplices?
E fetos anencéfalos? Podem ser abortados? Ou a mãe deve ser obrigada a carregar o filho na brarriga por nove meses sabendo que terá que enterrá-lo logo após o nascimento?
Odeio a ideia de aborto como anti-concepcional, ou mesmo eugenia, mas me parece complicado afirmar que um zigoto é o mesmo que um recém nascido…
Não acho que o Estado deva regular tudo. Há tempos li num muro “Estado, não interfira no meu útero”, realmente acho que se a mulher quiser abortar ela pode faze-lo desde que saiba que está matando o seu próprio filho. Ela não engravidou a toa, sabe como os bebês são feitos e o SUS já faz campanhas e distribui preservativos e contraceptivos nos postos de saúde. Tudo bem sexo inseguro, engravidou, tirou, mas e se houver contaminação por AIDS? Já era, contamina e será condenada a tomar ARV pelo resto da vida. Essa questão entra na mesma lista de doenças sociais como as drogas, o abandono de crianças, o aquecimento global… Só me resta, eu que quase não nasci, que ser mãe é ser promovida no curso da vida.
Àqueles que que usam o argumento de que a vida começa na concepção e, por isso, seria tão imoral destruir um zigoto quanto se matar um recém nascido.
Digamos que eu aceite isto por ser, ao meu ver, o único critério objetivo nesta discussão. Ainda encontro vários problemas práticos irreconciliáveis com este critério.
Qual deveria ser a pena para uma mulher que toma uma pílula do dia seguinte? A morte? Pois pra mim esta deveria ser a pena para alguém que mata um recém nascido a sangue frio.
Qual deveria ser a pena de uma mulher que usa DIU? Como fiscalizar isso? Sensores nas vaginas de todas as mulheres?
E uma mulher com, digamos, problemas para engravidar devido a erros na fase de nidação (fixação do óvulo fecundado no útero)? Ela deveria ser considerada uma assassina em série por tentar engravidar várias vezes?
Médicos que ajudam mulheres a engravidar e, no processo, jogam vários zigotos fora, deveriam ser tratados como agentes do holocausto? E os casais que os procuram como cúmplices?
E fetos anencéfalos? Podem ser abortados? Ou a mãe deve ser obrigada a carregar o filho na barriga por nove meses sabendo que terá que enterrá-lo logo após o nascimento?
Odeio a ideia de aborto como anti-concepcional, ou mesmo eugenia, mas me parece complicado afirmar que um zigoto é o mesmo que um recém nascido…
https://www.youtube.com/watch?v=qa8sc9y2B2Y
Vamos lá, terceira tentativa.
Àqueles que que usam o argumento de que a vida começa na concepção e, por isso, seria tão imoral destruir um zigoto quanto se matar um recém nascido.
Digamos que eu aceite isto por ser, ao meu ver, o único critério objetivo nesta discussão. Ainda encontro vários problemas práticos irreconciliáveis com este critério.
Qual deveria ser a pena para uma mulher que toma uma pílula do dia seguinte? A mesma de se matar um recém nascido a sangue frio?
Qual deveria ser a pena de uma mulher que usa DIU? Como fiscalizar isso?
E uma mulher com, digamos, problemas para engravidar devido a erros na fase de nidação (fixação do óvulo fecundado no útero)? Qual deveria ser a pena dela por ela tentar engravidar várias vezes seguidas sem êxito?
Médicos que ajudam mulheres a engravidar e, no processo, jogam vários ovos fora, qual deveria ser a pena deles? E os casais que os procuram seriam cúmplices?
E fetos anencéfalos? Podem ser abortados? Ou a mãe deve ser obrigada a carregar o filho na barriga por nove meses sabendo que terá que enterrá-lo logo após o nascimento?
Odeio a ideia de aborto como anti-concepcional, ou mesmo eugenia, mas me parece complicado afirmar que um zigoto é o mesmo que um recém nascido…
Apenas para deixar claro para os legalistas de plantão, estou interessado no debate, em opiniões embasadas. Não adianta se esconder atrás da legislação, se eu estivesse interessado nas leis, não postaria esta pergunta, procuraria no código penal. Portanto, se não tem sua própria opinião a respeito, se limite a não responder e, por favor, não polua o comentáio com temas não relacionados aos meus questionamentos, pois isto é atitude de esquerdista covarde.
Lel 16/12/2016 03:24
Você está tirando implicações diretamente de dentro do seu orifício anal.
Que boca suja, Lelzinho!
Ora! Foi você mesmo quem escreveu que quem usa a definição de gravidez começando na fecundação é um imbecil. Que “eu já vim com uma ideia preconcebida na minha cabeça e não consegui entender que a prática do Aborto só é Aborto depois da Nidação”. Que “a discussão nem ao menos era sobre o início e desenvolvimento da vida humana.”
No alto da sua torre de marfim, se recusa a entender que grande parte dos movimentos pró-vida define o aborto como começando a partir da fecundação.
Se recusa a entender que a própria Igreja Católica define aborto como o assassinato da vida a partir da concepção.
http://www.vatican.va/archive/aas/documents/AAS-80-1988-ocr.pdf
Página 78.
Se depois de um documento oficial de uma das principais organizações pró-vida mundiais (se não for a principal), você não se convencer… Só posso acreditar que seu intuito foi, desde o começo, apenas desviar o foco das minhas perguntas, apenas cagar o debate todo.
Beginning of pregnancy controversy
https://en.wikipedia.org/wiki/Beginning_of_pregnancy_controversy
Eu li mais sobre o assunto do que o seu cérebro de macaco subdesenvolvido consegue imaginar. Inclusive essa página no Wikipédia. E é por isso que eu falo sobre as definições das palavras relacionadas à reprodução humana numa boa, pois eu sei do que eu estou falando. Ao contrário de você que lê tudo às pressas para tentar me responder.
Nussa Lelzinho, quanta criatividade, nunca tinha ouvido esta. Cérebro de macaco subdesenvolvido. Até ri aqui! Boa, boa…
Lelzinho, a culpa não é minha se você leu tanto mas não entendeu bulhufas!
Se você está escrevendo tanta merda, é por causa do estado precário da educação no Brasil que, ano após ano, forma mais e mais analfabetos funcionais. Não tenho nada a ver com isso.
se focar exaustivamente no primeiro estágio da vida humana (quando a mulher nem ao menos está grávida e portanto não consegue realizar um aborto) para logo depois darem um salto lógico inexplicável e propor que pode-se abortar até X semanas (o valor de X depende do abortista que está na discussão).
É falácia Red Herring atrás de falácia Red Herring.
Blá, blá, blá. Se a Igreja Católica, grupos pró-vida, vários comentários neste mesmo artigo, etc., defendem que matar zigotos é errado, o que você quer que eu pergunte, sua anta? Sobre o jogo do Paysandu? Óbvio que vou perguntar sobre zigotos!
Você é quem quis, desde o começo, mudar o tema para definição de gravidez, mesmo eu escrevendo que isto era irrelevante para a discussão. Isto sim é Red Herring. Além disso, a falácia que você descreveu seria, no máximo, uma falácia do espantalho, caro pseudo intelectual.
Você acha moral matar a nova vida até a nidação e, como todo bom covarde, se esconde atrás de “ainda não tenho opinião formada”. Que conveniente!
Afinal, se diz que é contra a pílula do dia seguinte, dá mérito às minhas perguntas. Se diz que é a favor, pode ser taxado de abortista por todos aqueles que defendem que a gravidez começa na concepção, estando eles errados ou não.
Qual a saída mais fácil? Se dizer isento e evitar ataques dos dois lados. Quanta covardia! Justamente você, um estudioso sobre o assunto, que já leu mais livros sobre o tema do que um dia eu serei capaz de imaginar. Você, praticamente um especialista no assunto, não tem opinião formada… Tá serto…
Você não é um libertário genuíno, você é uma bosta de um left-lib, a escória progressista que está destruindo por dentro o movimento libertário.
Lel, a sua síndrome do pequeno poder está afetando seriamente a discussão ao achar que você pode cagar regras sobre o Mundo inteiro baseado em uma definição de libertarianismo hipotética advinda de dentro da sua cabeça que sofre de síndrome messiânica.
Murray Rothbard, Walter Block e Fernando Chiocca, todos eles eviccionistas, ou seja, na prática liberando o aborto até os 5 meses sob a tecnologia atualmente disponível. Nenhum deles é um libertário genuíno, sabe-se lá o que isso queira dizer. Claro que não Lelzinho, claro que não… (melhor não contrariar malucos)
Você está tentando impor a sua Legislação Hipotética como sendo a única correta na discussão. Você é o único na discussão que não consegue aceitar que a Legislação atual tenha diferentes penas do que você imagina na sua cabeça iluminada e também não consegue aceitar que outras pessoas proponham penas diferentes da sua.
What? A única vez que expus minha opinião sobre a legislação foi sobre assassinato de recém nascidos, o que você tentou usar para mudar completamente de assunto.
Eu até disse que não pretendo desrespeitar lei nenhuma, mesmo discordando.
De resto me limitei a perguntar sobre o que os outros pensam.
Não tenho culpa que, se o congresso aprovar amanhã uma lei obrigando a sodomia, você vai sair por aí dando a bitola! Já que você parece ser incapaz de discordar de lei alguma.
Você sofre da Síndrome Messiânica, mas não se preocupe, esquerdistas, SJWs e políticos também sofrem disso.
Caramba, você corre para defender assassinos frios de recém nascidos da pena capital, e eu é que sou esquerdista, um social justice warrior… Incrível! É muita projeção!
O engraçado é que somente você na discussão que acha que os todos outros estão errados e você está correto.
Errado, não acho que todos os outros estejam errados. Apenas você.
O Padre Paulo Ricardo, por exemplo, eu sei que a definição que ele usa para gravidez está errada. Mas eu consigo perfeitamente entender a posição dele da sacralidade da vida a partir da concepção e consigo entender que ele usa uma definição diferente de gravidez. Consigo entender que, para ele, quem mata um zigoto é um abortista, um assassino, assim como para toda a Igreja Católica. Consigo entender que, a partir deste ponto de vista, é irrelevante se a gravidez começa na concepção ou na nidação. Não concordo com tudo que ele diz, acho algumas coisas absurdas, mas o entendo e respeito.
Já você prefere ficar esperneando, falando que ele é burro, não entende nada de reprodução humana, é bobo e tem cara de melão. Que você não é abortista, porque não é, não é e não é!
autista imbecil
autista analfabeto funcional
2 síndromes psicológicas
autistar
Sério, qual seu problema com autistas?
Ciúmes pela capacidade mental deles ser superior à sua?
Amiguinho, quem não possui a mínima ideia do que está discutindo é você. Existem alguns grupos pró-vida americanos que são contra até mesmo o uso da camisinha e da pílula anticoncepcional.
Sim. E, segundo eles, você é um abortista. Que é o que estou dizendo há vários comentários.
o DIU causa microfissuras (pequena irritação) no útero da mulher. Se ela for denunciada, como já propus no outro caso, o prazo limite para ser descoberto é muito maior.
Hum, nova profissão interessante esta proposta por você*, o fiscal de vagina.
*Sim, eu sei…
Já que você fez mais de 10 perguntas e eu somente fiz 1 pergunta não respondida, antes de te responder, me responda mais uma pergunta: qual seria a sua pena para uma mulher que sofre um aborto involuntário após X semanas? (onde X é o número de semanas em que você acha que o aborto/homicídio deve ser crime)
Olha Lel, sua pergunta foi interessante e até que eu a responderia com todo o prazer, até para descobrir se tive algum erro no meu raciocínio. Mas, sinceramente, cansei desta merdalhada que se tornou esta conversa.
Você não vai admitir que errou, eu também não vou, e nós vamos apenas continuar esta espiral de xingamentos até o primeiro cansar e o outro se coroar vitorioso.
Por isso, esta será minha última resposta para você. Aparentemente nenhum de nós vai ganhar mais nada com esta conversa (se é que algo de proveitoso saiu dela).
Você ganhou, eu desisto. Pode se coroar a rainha do barraco.
Que saudades do Leonardo Couto, este sim uma pessoa civilizada, honesta, capaz de ter um debate construtivo.
Mentira. Você defendeu a eugenia de seres humanos com cérebros incompletos (anencéfalos). “Não importa” se tal eugenia é para “o bem-estar da mulher”, você é eugenista. Ponto.
A sua desonestidade é tão grande, a sua sanha em me atacar é tão grande, que você se esquece (esquece?) que você mesmo seria um eugenista, segundo seu próprio raciocínio. Afinal, dependendo do caso, você também defende a liberação do aborto de anencéfalos e segundo você mesmo, isto seria eugenia, mesmo sendo para se resguardar “o bem-estar da mulher”, seja lá o que você queira dizer com estas aspas.
Isto posto, já que você gosta tanto de citar o Código Penal e a Lei, gostaria de apontar sua estupidez abissal, citando o Ministro Marco Aurélio, em sua decisão sobre o tema:
Apesar de alguns autores utilizarem expressões "aborto eugênico ou eugenésico" ou "antecipação eugênica da gestação", afasto-as, considerado o indiscutível viés ideológico e político impregnado na palavra eugenia.
[…]
Cumpre rechaçar a assertiva de que a interrupção da gestação do feto anencéfalo consubstancia aborto eugênico, aqui entendido no sentido negativo em referência a práticas nazistas. O anencéfalo é um natimorto. Não há vida em potencial. Logo não se pode cogitar de aborto eugênico, o qual pressupõe a vida extrauterina de seres que discrepem de padrões imoralmente eleitos. Nesta arguição de descumprimento de preceito fundamental, não se trata de feto ou criança com lábio leporino, ausência de membros, pés tortos, sexo dúbio, Síndrome de Down, extrofia de bexiga, cardiopatias congênitas, comunicação interauricular ou inversões viscerais, enfim, não se trata de feto portador de deficiência grave que permita sobrevida extrauterina. Cuida-se tão somente de anencefalia. Na expressão da Dra. Lia Zanotta Machado, "deficiência é uma situação onde é possível estar no mundo; anencefalia, não".
De fato, a anencefalia mostra-se incompatível com a vida extrauterina, ao passo que a deficiência não. A corroborar esse entendimento, Cláudia Werneck – representante da "Escola da Gente", que tem como objetivo a inclusão, na sociedade, de pessoas com deficiência – asseverou que a anencefalia, por conta da total falta de expectativa de vida fora do útero, não pode ser considerada deficiência e, portanto, não cabe questionar se existe negação do direito à vida ou discriminação em função de deficiência. Nas palavras peremptórias da representante da entidade que se dedica a combater discriminação contra deficientes, "é impossível constatar discriminação com base na deficiência quando não há expectativa de vida fora do útero".
http://www.stf.jus.br/arquivo/cms/noticianoticiastf/anexo/adpf54.pdf
Portanto repito que, em seu completo descontrole emocional, você está mentindo! Reforço minha total aversão às práticas eugenistas nazistas, chinesas e cubanas, regime este sob o qual mulheres são obrigadas pelo governo a interromper a gravidez diante de bebês com defeitos congênitos, mesmo a mãe querendo continuar a gestação. E se alguém honesto (diferente deste merda deste Lel), porventura, encontrar alguma inconsistência no meu posicionamento, peço que me avise.
Em sentenças mais recentes, diversos juízes vêm autorizando a pratica do aborto em casos de fetos anencefálicos. Numa dessas sentenças, há o registro de que “não se está admitindo por indicação eugênica com o propósito de melhorar a raça, ou evitar que o ser em gestação venha nascer cego, aleijado ou mentalmente débil. Busca-se evitar o nascimento de um feto cientificamente sem vida, inteiramente desprovido de cérebro e incapaz de existir por si só”.
http://www.portalmedico.org.br/Regional/crmpb/artigos/Abt_eug.htm
Por último e, com base em tudo que foi escrito, gostaria de deixar explícita a sua natureza sádica, esta sim comprovada.
Ora, ao tentar me xingar de eugenista sádico (e falhar) por eu defender que mães e pais devam decidir se levarão adiante a gestação de fetos anencéfalos ou não, você obviamente está se declarando contra minha posição, ou seja, você é a favor de obrigá-las a carregar seus filhos no ventre por 9 meses, mesmo sabendo que, na maioria dos casos, não chegam nem a nascerem vivos. Dos que sobreviverem ao parto, poucos vivem por mais de um dia*. Você defende que este casal, porque o pai também irá sofrer, tenha sua liberdade tolhida e seja obrigado a enterrar seu próprio recém nascido poucas horas após o parto. Como pai, consigo pensar em poucas torturas piores que esta. Você é uma pessoa nojenta, que se diz tão preocupada com a dignidade humana do feto, mas não vê qualquer dignidade nos pais. Você é mais sádico do que eu jamais conseguirei ser.
Ainda segundo Aurélio, em sua opinião corroborada por mais 7 Ministros do STF:
O sofrimento dessas mulheres pode ser tão grande que estudiosos do tema classificam como tortura o ato estatal de compelir a mulher a prosseguir na gravidez de feto anencéfalo. Assim o fizeram, nas audiências públicas, a Dra. Jaqueline Pitanguy e o Dr. Talvane Marins de Moraes. Nas palavras da Dra. Jacqueline Pitanguy, "obrigar uma mulher a vivenciar essa experiência é uma forma de tortura a ela impingida e um desrespeito aos seus familiares, ao seu marido ou companheiro e aos outros filhos, se ela os tiver". Prosseguiu, "as consequências psicológicas de um trauma como esse são de longo prazo.
Portanto, segundo o que você escreveu, ou você é um eugenista, ou um sádico, ou os dois. Pare de atribuir a mim seus defeitos.
*There is no cure or standard treatment for anencephaly and the prognosis for patients is death. Most anencephalic fetuses do not survive birth, accounting for 55% of non-aborted cases. Infants that are not stillborn will usually die within a few hours or days after birth from cardiorespiratory arrest.
E não, Vitória e Marcela não eram anencéfalas coisíssima nenhuma. O único caso até hoje de bebê anencéfalo que, confirmadamente, conseguiu sobreviver à infância é o seu.
noticias.uol.com.br/ciencia/ultimas-noticias/redacao/2012/04/13/medicos-ainda-nao-estao-preparados-para-fazer-diagnosticos-como-o-de-vitoria-diz-especialista.htm
Uma História Severina
https://www.youtube.com/watch?v=65Ab38kWFhE
Aborto anencefálico: não é crime (decide o STF)
https://professorlfg.jusbrasil.com.br/artigos/121928488/aborto-anencefalico-nao-e-crime-decide-o-stf
ABORTO DE FETO ANENCÉFALO: nova perspectiva após decisão do STF
http://www.cjf.jus.br/ojs2/index.php/revcej/article/viewFile/1936/1860
O direito à vida vs Anencefalia
drmunir.jusbrasil.com.br/artigos/325427478/o-direito-a-vida-vs-anencefalia
A anencefalia e o princípio da dignidade da pessoa humana no regime neoconstitucional brasileiro
http://www.ambito-juridico.com.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=10385
Aborto de anencéfalos: direito a vida e impacto sucessório
http://www.ambito-juridico.com.br/site/index.php?artigo_id=11924&n_link=revista_artigos_leitura
Aborto anencefálico: Direito e religião
http://www.ambito-juridico.com.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=8463
Entenda o que é anencefalia
www12.senado.leg.br/noticias/materias/2010/11/03/entenda-o-que-e-anencefalia/
A legalidade do aborto eugênico em casos de anencefalia
http://www.ambitojuridico.com.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=1924
https://en.wikipedia.org/wiki/Anencephaly
E aqui você comete a 4ª falácia da discussão para colocar a cereja e assim coroar o bolo de bosta que foi seu comentário. A falácia do Espantalho.
Desde o começo da discussão eu fiquei em cima do muro em relação à pílula do dia seguinte (não falei para proibi-la e nem em legalizá-la). Você está me acusando sem provas, está cometendo Calúnia. Mesmo se o padre estivesse correto sobre isso (o que não está), eu não seria um abortista. Já você, é um assassino abortista declarado pelas suas próprias palavras.
Olha Lel, Lênin te aplaudiria de pé! Até te pediria algumas dicas, tamanha sua capacidade de projetar nos outros aquilo que você mesmo é.
Fala a verdade, você não assistiu o vídeo do Padre Paulo Ricardo coisíssima nenhuma, não é mesmo? Mentir é feio, Lelzinho! Principalmente quando você é pego na mentira…
Eu, diferentemente de você, assisti o vídeo. Nos últimos 2 minutos o Padre fala especificamente sobre o DIU e, adivinha, segundo ele o DIU é abortivo! O que faz de você um… ABORTISTA!
Mas claro que você não vai mudar sua posição sobre o DIU assim, de uma hora para a outra, somente para não ser tachado de abortista por, segundo você, um Padre equivocado que nada entende sobre reprodução… Ou será que vai?
Não, espera, você vai dizer que não é um abortista, mas apenas um assassino de seres humanos em seus estágios iniciais, mesmo ambos sendo a mesma coisa para o Padre!
Só tenho uma coisa para te dizer sobre isso: Abortistas como você são um pedaço de bosta. São a escória resultante do pós-modernismo.
Aaaaaaaaai, como te explicar Lelzinho, seu bandjido mophóbics (entendedores entenderão)!
Debater com você foi como jogar xadrez com um pombo.
Você não fazia a menor ideia do que estava fazendo, derrubou todas as peças, cagou no tabuleiro e ainda vai sair de peito estufado, cantando vitória.
Cara você é um ateu mas é júnior do mesmo jeito. Se a diferença é tão grande, como que é tão difícil policiar isto? Se fosse fácil, algum país desenvolvido ( ou seja, em condições de implantar com rigorosidade está lei de criminalização do aborto ) já o teria feito não? pelo menos em algum momento de sua história? EUA, ITÁLIA, ALEMANHA, FRANÇA, DINAMARCA, SUÉCIA, CANADA, AUSTRÁLIA, JAPÃO?
Porque será que essa discussão não cola em lugares desenvolvidos? Será porque você iria criar mais problemas que soluções? é difícil simular isso?
ESSA PSEUDO-DEFESA PELA VIDA, AINDA MAIS AQUI NO BRASIL O PAÍS ONDE A VIDA DOS EX-FETOS QUE JÁ NASCERAM VALE MUITO POUCO PRA TANTA GENTE, É UMA TENTATIVA PREGUIÇOSA DE TENTAR SE ENGANAR, DE SE ILUDIR EM UMA PSEUDO-LUTA PELA VIDA. ENQUANTO ISSO AS MEDIDAS E LEIS IMPORTANTES VÃO FICANDO EM SEGUNDO PLANO….
Nossa, esse artigo continua a ser um atrator de cretinices sem tamanho.
Mas, respondendo em particular ao comentário de frederico 06/01/2017 19:47
Como assim “me dá um argumento”? Tem essa porra desse artigo INTEIRO, você o leu por acaso? E onde diabos ele fala em religião para ser contra o aborto?
Que tal VOCÊ tentar refutar o Sr. Ron Paul? Aguardo ansiosamente!
Interessante notar como o próprio Ron Paul parece “refutar” uma parte substancial dos comentários aqui:
"Very early pregnancies and victims of rape can be treated with the day after pill, which is nothing more than using birth control pills in a special manner. These very early pregnancies could never be policed, regardless. Such circumstances would be dealt with by each individual making his or her moral choice."
Fonte: Liberty Defined: 50 Essential Issues That Affect Our Freedom, Ron Paul.
Portanto, ao que me parece, Ron Paul é pró-escolha nos primeiros dias da nova vida. Vários comentários concordariam que ele é um abortista imundo, um falso libertário. Em um artigo dele! Que ironia…
E sim, concordo com o Padre Paulo Ricardo que tomar a nidação como critério para legalizar o aborto é tão arbitrário quanto usar o critério dos 3 meses. Ainda vejo a fecundação como sendo o único critério objetivo e acredito que, neste ponto, o Ron Paul tenha opiniõs arbitrárias e, de uma certa maneira, inconsistentes.
“…para determinar se um país é desenvolvido é seu IDH e sua renda média, índices que são altíssimos em ambos os países. O marido poder bater ou não na esposa é uma questão totalmente secundária para determinar se o país é desenvolvido. ”
Um país onde o espancamento de mulheres por seus maridos é legalizado realmente possui um Desenvolvimento Humano notável. (é isso que IDH quer dizer, não é ?)
Gente que afirma coisas como essa se proclama “humanista” porque é contra o aborto. Fetos tem direitos. Mulheres já nascidas, não.
Prezados,
Discutir a liberdade de um âmbito puramente econômico não é propriamente tratar da liberdade como um todo.
Como um existencialista (no sentido sartriano da palavra), defendo a liberdade de escolha sempre. Toda pessoa é livre para escolher sempre. Até mesmo quando isso implica em “não escolher”. Portanto, reduzir a questão do aborto a uma questão estatista e esquerdista não é realmente tratar da questão.
Se a “existência precede a essência”, conforme defendem os existencialistas, então a liberdade precede a isto que se chama essência vital. O aborto não é uma questão de “direito” como foi levantado aqui, ele é uma questão de liberdade.
Toda a escolha envolve também responsabilidade. Portanto, ao se tomar uma decisão deve se arcar com as consequências desta, mas dizer que isso não deve ser feito porque a doutrina libertária diz que é uma “filosofia da esquerda intervencionista” é reduzir a questão a nada.
A liberdade precede a economia!
Aborto é assassinato de indefeso, é o crime mais horrendo e covarde que pode existir.
O que poderia ser pior do que uma mãe assassinar o seu próprio filho?
Me lembro de assistir uma entrevista do D. Bertrand de Orleans e Bragança e em determinado momento ele falar a respeito da fúria legislativa, e de como o Estado não deve legislar sobre certas coisas, por exemplo, a vida. Não caberia ao Estado legislar se pode ou não pode abortar, pode ou não pode fazer eutanásia, etc… Sei que a posição dele, ainda mais como católico, é totalmente contra a interrupção da vida e do aborto, mas concordo totalmente com a afirmação dele. Não cabe ao Estado definir o que o indivíduo pode ou não fazer. Nesse caso, melhor seria se nem criminalizasse nem legalizasse, mas se omitir de qualquer posicionamento a respeito, até porque não é função dele definir tais coisas. Creio que cada indivíduo deve seguir seus próprios valores morais, no que tange esse assunto. Deve seguir aquilo que acredita ser o mais correto.
Numa sociedade sem estado, acredito que haveria sim direito ao aborto, pois não haveria ninguém para “dar o contra” numa clínica que resolva oferecer esse serviço. Aí seria aquela velha história: “É contra o aborto? Não aborte, simples”.
Os doze países primeiros colocados em educação possuem algo incomum: todos possuem aborto legalizado (Alemanha; Singapura; Coreia do Sul; Canadá; Finlândia; Japão; Estados Unidos; Nova Zelândia; Holanda, Grã-Bretanha; França; Austrália….). Fazer parte deste time requer políticas árduas. Não existe exceção. Ninguém chegou de 15º ao primeiro colocado sem liberar aborto. O tema é mais complexo de que ser contra ou a favor.
Um ponto chave na discussão do aborto frente ao libertarianismo é como proibir o aborto sem gerar uma obrigação positiva na mãe. Ao se obrigar a mulher a levar a gravidez até o final, abre-se as porteiras do direito positivo, que vai contra toda a teoria libertária e abre precedente para todo tipo de autoritarismo. Na minha opinião, a teoria do “expulsionismo” (evictionism) do Walter Block resolve bem essa questão, não é nem pró-vida nem aborcionista.
“Já é hora de os defensores da liberdade e da responsabilidade pessoal colocarem mais pressão sobre as pessoas promíscuas e sexualmente irresponsáveis para que elas tomem medidas adequadas para evitar a gravidez. ”
É aqui que o autor depois de escrever tanto tentando se passar uma pessoa racional mostra que sua opinião não passa de moralismo, religiosos ou não. Céus! Ele falou “promíscuas” de um jeito no contexto do discurso que eu quase o vi mandando as mulheres fecharem as pernas como qualquer fanático religioso que nunca transa faria! Eu quase o ouvi dizer que mulheres ou homens “promíscuos” devem ser punidos com gravidez!
Como ele, sendo um obstetra, ousa dizer que gravidez é resultado de irresponsabilidade? Mulheres mesmo fora do período fértil podem ovular durante uma relação sexual, camisinha pode se romper, anticoncepcional pode falhar. Quer dizer que se isso tudo acontecer a mulher deve ser punida com uma gravidez, um filho indesejado?
Eis a crueldade do moralismo religioso. Moralistas religiosos não aguentam que pessoas tenham o prazer sexual de graça! Algo tão bom tem que ter punição.
Ah o feto não vale tanto quanto a pessoa humana adulta. Não vale como a mulher que o carrega em seu útero. Como está no útero dela o homem não tem direito sobre o feto como ela tem. E sabe por quê? Porque se ela decidir fazer o aborto não há lei nem doador de espermatozóide que a impeça. É apenas a condição natural que torna a mulher a única com direito de decidir sobre essa questão. A vida está no útero dela.
E que comparação ridícula é essa: comparar fetos com crianças nascidas? Feto está ligado ao corpo da mãe para respirar! Não tem nada a ver com crianças nascidas.
Sou a favor do aborto em qualquer caso até 12° semana de gestação. Meu critério para isso é que o feto não possa sentir dor. Mas legal ou não as mulheres continuarão abortando sempre que quiserem como sempre fizeram ao longo da história desde que descobriram as ervas abortivas. E não a lei que possa impedir isto. Porque há uma lei natural que dá as mulheres esta opção de interromper a gravidez se está for a vontade dela: produzir vida em seus próprio corpos.
Quando os moralistas bregas vão entender isto? Tá difícil viu!
Outra coisa: o autor fala muito da irresponsabilidade dos que praticam aborto, mas uma criança de 9 anos grávida por meio de estupro ( ou não) tem uma gravidez de risco. Em nome do feto a vida dessa criança deve ser posta em risco? As mulheres vítimas de estupro tem que levar adiante uma gravidez? Ter o filho de um estuprador? Uma mulher com gravidez de risco é uma irresponsável?
Eu não sei qual a realidade no país do autor, mas aqui no Brasil as mulheres que praticam o aborto não são as “promíscuas” como o moralista brega aí falou. A maior parte delas é casada e pasmem, religiosas! Principalmente católicas. E os conservadores idiotas achando que são as feministas, vadias, “promíscuas” que abortam. Fico apenas rindo da ironia.
Isso mostra que além da lei não ser capaz de impedir que uma mulher faça um aborto a igreja também não consegue impedir.
O autor diz que aborto é coisa de esquerdista. Por acaso Ayn Rand e Simone Veil eram esquerdistas? Não, né!
Ser contra o aborto é quase sempre coisa de idiotas fundamentalistas religiosos que acreditam que a vida do feto é sagrada porque Deus ( entidade que eles não podem provar que existe. É só convicção. Muuuuito racional!) assim falou.
A ideia de que existem deuses para mim não passa de uma manifestação do grande cérebro bovino coletivo. Igrejas são concretizações do coletivismo religioso burro!
E esse coletivismo religiosos idiota atropela a mulher (individuo) que não acredita na ideia ridícula de que existem deuses. Ela é obrigada a se submeter ao julgamento do coletivismo burro. Afinal os coletivistas religiosos retardados mentais não ficam felizes em controlar só a eles mesmos. Eles querem submeter todo mundo. Se são contra o aborto então eles que não façam aborto! Eles não tem o direito de usar o estado para punir a mulher que não acredita nas babaquices religiosas deles!
Além de dizer que aborto é coisa de esquerdista o autor ainda diz que é uma espécie de autoritarismo do estado. Hãã?? Proibir o aborto é autoritarismo religioso e esse autoritarismo se torna também autoritarismo estatal quando o estado é usado pela religião para criar leis que punam a mulher que aborta. Quem tá usando o estado para passar por cima da liberdade individual das mulheres que querem abortar são os retardados antiaborto. Não venha com suas racionalizações ridículas. Vc não conseguiu disfarçar o seu coletivismo, o seu moralismo religioso e o pior, vc mostrou que certos liberais só são contra a intervenção estatal quando isso lhes convêm. Quando isto não é conveniente usam o estado para passar por cima dos indivíduos. E passar por cima das escolhas das mulheres parece que é conveniente para muitos “liberais”.
Se um feto e um bebê já nascido são equivalentes então porque 1 em cada 5 abortam mas pouquíssimas tentam matar suas crianças já nascidas. Alguns podem argumentar que é porque existe punição por matar uma criança nascida. Não preciso nem explicar que pensar isso seria uma idiotice. Seria acreditar que 20% das mulheres são psicopatas que matariam crianças a sangue frio se não houvesse punição, mas muitas pesquisas mostram que o número de psicopatas não é tão alto assim. A única explicação é que o feto não é sentido pela mulher como tendo o mesmo valor que uma criança nascida. Há o condicionamento religioso que faz com que as mulheres se sintam culpadas, as vezes, quando fazem um aborto. Mas elas não sentem o feto e o filho nascido como equivalentes.
Uma coisa que eu não sei que nome dar pode ser “deus”, destino, vida, acaso, ou o corpo, não importa o nome, faz com que abortos espontâneos aconteçam. Desde que se descobriu métodos de abortar que muitas mulheres o fazem voluntariamente. Clínicas de fertilização descartam embriões (ué, eles não são vidas humanas?) então esse negócio de criminalizar o aborto é apenas isto: coletivismo religioso, moralismo, autoritarismo estatal, controle do corpo da mulher. Mas como so passa por cima da liberdade individual das mulheres então tudo bem, não é mesmo? Já percebi que mesmo o liberalismo não se importa muito com a liberdade das mulheres. Liberdade só no for conveniente aos homens.
Enquanto vcs discutem, quase 1 milhão de mulheres abortam, morrendo milhares (o aborto já é a terceira causa de morte materna no país). Todo esse palavreado mudará algo? Cerca de 22% das que fizeram aborto são mulheres entre 35 a 39 anos, de união estável e que não desejariam ter mais filhos, seja por questão econômica ou social, e que fazem o uso de métodos anticoncepcionais, porém o mesmo falha, já que não existe método anticoncepcional 100 % eficaz. Chamá-las de promíscuas forçou um pouco, essa generalização foi infeliz. Sem contar que boa parte delas são católicas ou protestantes.
Um bando de homens ( indivíduos do sexo masculino) falando ética e moralmente sobre o aborto, embora na grande das vezes as causas do aborto são derivadas de ações de indivíduos do sexo masculino e não apenas pela prática ou interesse da mulher em se livrar de um filho.
Há outros fatores que na maioria dos discursos escorregadios não foram mencionados:
Há coitos não autorizados pela mulher mesmo numa relação conjugal comum. O homem de alguma forma, engravida sua parceira.
Há coitos em que o método contraceptivo falha. Aqui supõe-se que previamente se a mulher utilizava-se de métodos anti-filhos ela de fato não estava a fim de tê-lo.
Há coitos não autorizados advindos de homens, mais conhecidos como estupradores;
Há casos em que o feto não se desenvolve de maneira adequada e que o seu estado humano enquanto ser vivo gerará desdobramentos à ele e a mãe;
Passa uma placa de passagem do tempo…
… filhos não abortados nascem
filhos não abortados serão deixados em abrigos e hospitais pq a sociedade conjurou que seria crime restringir sua vida enquanto fetos;
Mães cuidam sozinhas de filhos não abortados pq a sociedade conjurou que seria crime restringir sua vida enquanto fetos;
Pais abortam filhos vivos sobre diversos pretextos que não cabem aqui explanar.
Mães e vós se desdobram com filhos não abortados que devido a arranjo onde se encontram, sem condições, declinam para a marginalidade. A sociedade aborta o filho não abortado.
Mães cuidam de filhos não abortados com problemas mentais, motores e neurológicos, pq a sociedade conjurou que seria crime restringir sua vida .
E há um milhão de homens querendo legislar e emular sobre aborto, sendo eles os principais envolvidos no crime.
Quem pode opinar sobre o útero alheio?
essa politica de aborto , fez muito bem pra França , hj tem mais crianças chamadas de muhamed do outra qualquer o slam vai dominar a europa, prefiro o Brasil do jeito que esta.
“O argumento de que o aborto é legítimo pois a criança depende da mãe para sua sobrevivência não precisa ser limitado ao útero; ele pode facilmente ser estendido a crianças recém-nascidas e até mesmo a incapacitados e idosos”
Alguém poderia me explicar está parte?
Artigo com argumentos sólidos, parabéns. Entretanto, considerando a afirmação, que ao meu ver, rege o artigo:
“E se há alguma função para o estado, esta deveria ser a proteção dos direitos naturais dos indivíduos.”
O Estado deveria se limitar a referida proteção mesmo, mas o que ocorre é que a responsabilidade de criação (seja moral ou financeira) recai sobre a mãe (em termos gerais) sobre penas previstas em nossas leis, enquanto ao pai o Estado reservou apenas o dever de pagar um valor, na maioria dos casos insignificante, para cumprir com sua “auto responsabilidade”. Sabemos que cada caso será judicialmente definido de um jeito, mas a maioria das famílias de pais ausentes ou de casais separados se resume a isso.
Ou o Estado cobra os deveres iguais de pais e mães ou permite o direito apenas àquela que vai verdadeiramente criar a criança. Cabe destacar que um estado que permite o registro da criança apenas com o nome da mãe está bem distante de igualar direitos de pais, mães e filhos.
Quanto a decisão conjunta dos pais em subtrair uma vida ai realmente deve imperar o poder da auto responsabilidade imposta pelo Estado.
Este é o link da entrevista que gravei com o Dr. Raphael Câmara pra falar sobre o assunto.
http://www.youtube.com/watch?v=jy8Loe-OFzs
ABORTO NÃO !!! É infanticídio
A CIÊNCIA COMPROVA: ABORTO É HOMICÍDIO – Código Penal Art. 121,12 Infanticídio
Espermatozoides vivos correm pela trompa de falópio para fertilizar, fecundar o óvulo vivo e nos trinta dias a mulher já faz o teste de gravidez que é positivo. Aparelhos sofisticados comprovam atividade cerebral e cardíaca, o feto se torna autossustentável no útero absorvendo sua nutrição com todos os sentimentos, emoções de um adulto, CF art. 5º uma pessoa de direitos passa a existir se nutrindo da mãe. O feto que é uma personalidade, passa a receber proteção da lei 11.804/08 que lhe garante alimentos gravídicos. Código civil art. 2º PU A aquisição de personalidade, o marco zero, é a partir da concepção. fecundação. A diferença de um feto para um adulto é o tempo de nutrição. C. P. art. 124 a 128. O feto que é uma personalidade, um indivíduo, mata-lo é infanticídio. O código civil manter as 3 possibilidades de abortos: Quando há risco de vida para a mulher, casos de anencefalia e estupro comprovado. Mas cuidado pois tem mulher grávida do companheiro que por motivos de raiva, alega que foi estupro para jogar o filho na caçamba de lixo. Jeremias 1:5, A diferença de um feto para um idoso é o tempo de nutrição. Eclesiasttes 11:5-Assim como você não conhece o caminho do vento, nem como o corpo é formado no ventre de uma mulher, também não pode compreender as obras de Deus, o Criador de todas as coisas.
http://www.youtube.com/watch?v=8Y36YDuSAKU – – O Grito Silencioso Completo
br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20180804145033AA2Hoyp – Aborto Não
http://www.youtube.com/watch?v=VViMUOQiP0Q – Jezabel não é mulher, mas espírito malignowww.youtube.com/watch?v=EF-EvzYVkBY – Edil do RJ Otoni de Paula contra
Comentário do dia 22/10/2019
Belo artigo, mas eu gosto mesmo é de ler os comentários!
pra voces que sao pro-vida… me respondam uma coisa: eu imagino que a maioria dos pro-vida sao aqueles mesmos que comem carne, pera la…. pro vida ? e come carne ? e a vida dos animais ? me respondam isso
“pro vida ? ”
Pro vida de humanos inocentes. Destaco o inocente ai porque não é qualquer humano que eu defendo, sou 100% a favor da pena de morte.
“come carne ?”
Sim e de preferência mal passada
Eu não ligo para os fetos e nem para as mães deles. Mas por que eu seria contra a escravidão se eu nascesse no século 19? Ora, da mesma forma que eles acham “justo” escravizar os negros africanos, eles podem achar justo escravizar os brancos italianos ou qualquer outro tipo de condição (negros africanos, brancos italianos, míopes, gagos, bonitões, vascaínos, etc). Sendo que eu não tenho nenhum poder que possa me garantir que eu não serei o próximo a ser escravizado, eu devo defender* que ninguém seja escravizado e devo ser contra a escravidão pois ,se eu for à favor, o meu desejo corre o risco se virar contra mim
*com a intenção de formar uma coalização contra os que são favoráveis e, principalmente, contra aquele que decide: o Estado.Só falar que defende não adianta muita coisa.
O feto é uma vida humana. Eles inventaram uma condição, a de “não ter senciência”, (em alguns países) para falar que essa vida humana não é uma vida. Da mesma forma que eles inventam a condição da “não senciência” eles podem inventar qualquer outra condição, como “a ser velho e dar preju à previdência” ou de “ser jovem de classe média”, para falar que uma vida não é uma vida. Da mesma forma que ocorreu no exemplo da escravidão, nada me garante que, em um dia, essas condições poderão ser as condições as quais a minha pessoa se encontra
No fim, é o meu único argumento para ser contra o aborto. Imagino que, na realidade, seja até um exagero falar que “se o governo deixa matar fetos, ele pode deixar matar qualquer um”, mas isso é apenas uma aposta, com 99% de chances de ser exagero…porém, 1% é muita coisa
Dizem por aí para se prepararem para a baderna por causa disso..
pleno.news/mundo/politica-internacional/suprema-corte-dos-eua-derruba-direito-legal-ao-aborto.html