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As aplicações P2P quebrarão os monopólios e as reservas de mercado, e tornarão todos capitalistas

Nestas
últimas semanas, especialmente nos últimos dias, um dos assuntos de maior
repercussão na internet e nas praças das cidades Brasil afora guardou relação
com as proibições do aplicativo Uber em algumas cidades. Especialmente em São
Paulo
e Brasília.

Não é
o objetivo aqui prolongar tal discussão e buscar os contra-argumentos à
proibição do aplicativo.  Tampouco
rebater as falácias apresentadas a favor dos taxis legalizados (assim chamados),
ou rebater argumentos daqueles que defendem a regulamentação de serviços
similares.  Para ter uma melhor
compreensão das opiniões, recomendo alguns artigos: este
artigo
do site Spotniks; este artigo do
Instituto Mises Brasil; este
artigo
do site da Revista Trip (Nada será como antes) e, por último, este
artigo
do site Medium. 

O artigo
do Spotinks faz um pequeno resgate histórico de algumas tecnologias de
transporte urbano, e conclui que querer disputar contra a inovação e a
competição no transporte urbano moderno é ignorar todos os processos inventivos
que possibilitaram o nascimento do próprio transporte urbano moderno.

O artigo
do IMB descreve o funcionamento do Uber, argumenta que o setor de táxi é um
cartel protegido pelo estado, e mostra a reação — muitas vezes violenta — desse
cartel ao ver sua reserva de mercado ameaçada pelo livre mercado.

O
artigo do site Medium, por sua vez, apresenta uma série de argumentos
falaciosos, mas, para fins deste texto, tal artigo é útil, pois faz algumas
descrições precisas e interessantes de alguns aspectos do funcionamento do
aplicativo.

Por
último, a revista Trip apresenta um panorama mais amplo. Argumenta que estamos em uma Era da Disrupção, em que as tais “inovações
disruptivas” são cada vez mais rápidas e frequentes. Nesse contexto, o Uber
seria apenas mais um exemplo, em conjunto com Wikipedia, Netflix, Airbnb e outras
tecnologias.

Nesse
sentido, a disrupção traz sempre o medo da mudança; porém, em vez de se
acovardar e querer abolir as novas tecnologias (em uma clara demonstração de misoneísmo), o melhor é abraçá-las
entusiasmadamente e buscar utilizá-las de maneira mais adaptativa ao usuário.

Com
exceção do artigo da revista Trip — que se contrapõe ao artigo do site Medium —
, todos os outros abordam quase exclusivamente o aplicativo Uber.  E a abordagem é especialmente centrada em
livre concorrência, liberdade do usuário, reação dos cartéis, reação dos governos
etc. Portanto, não é necessário mais um artigo abordando esses tópicos; seria
redundante e desnecessário.

O
que se pretende fazer aqui é ampliar o escopo de aplicações analisadas
(especialmente aplicações peer-to-peer — “P2P”)
e fazer uma abordagem do uso destas novas técnicas e sua implicação na dinâmica
dos mercados.

Como a tecnologia P2P irá quebrar cartéis,
monopólios e trazer mais liberdade aos mercados

Pode-se
dizer que o Uber faz parte de um conjunto de aplicações (aplicativos ou sites)
em que a arquitetura de rede P2P é utilizada.

P2P
é uma arquitetura de redes de computadores na qual cada um dos pontos ou nós da
rede funciona tanto como cliente quanto como servidor, permitindo
compartilhamentos de serviços e dados sem a necessidade de um servidor central.
Só que, no caso de aplicações P2P, os usuários são clientes e servidores (não
os computadores).

Conforme
destacou Cesar na revista Médium, a tecnologia do Uber é o aplicativo que ele
usa conectando os pares: motoristas, usuários e o sistema de pagamento por meio
de cartão de crédito. Simplesmente isso. Elimina-se a necessidade de uma
companhia de táxi, de uma central de radiotaxi, do uso de dinheiro em espécie
(inclusive para troco) etc.

Semelhante
ao Uber há uma verdadeira miríade de aplicações P2P existente hoje em dia.  Para ilustrar, vamos citar
alguns exemplos.

O
site Cabe na Mala conecta pessoas
que fazem compras à distância com viajantes que têm algum espaço sobrando na
sua bagagem. Quem estiver disposto a receber uma grana para trazer uma
encomenda pode participar. Elimina-se a necessidade de empresas de encomendas
ou dos Correios.

O Airbnb simplesmente conecta anfitriões e
potenciais hóspedes.  Nada mais é do que uma
nova forma de hotelaria caseira.  Obviamente,
o Airbnb representa uma forte concorrência às
redes de hotelaria no mundo inteiro
.

O
site Descola Aí se apresenta como o
primeiro portal de empréstimo P2P do Brasil. Basicamente, é uma aplicação em
que se pode alugar de tudo. Eles possuem até um vídeo explicativo.

Já o
site Banca Club
é o primeiro mercado de empréstimo P2P do mundo, com mais de 1.880 membros e
mais de R$ 22.700.000,00 em pedidos de financiamento.  Em suma, trata-se de uma comunidade de
empréstimos financeiros diretos em que qualquer um pode ser o cliente ou o
banqueiro, por assim dizer. Já
há sites concorrentes semelhantes, como o Fairplace.

Sites
como Mercado Livre, OLX e Ebay
são imensos mercados que funcionam basicamente como classificados online.  E, de certa maneira, podemos também considerar
a enciclopédia virtual Wikipédia como também tendo uma arquitetura familiar ao
P2P — no caso, a Wikipédia está bastante focada na construção de verbetes de
maneira colaborativa.

A
característica comum de todas essas aplicações é a arquitetura P2P. Tal
arquitetura facilita o encontro entre as pontas demandantes e ofertantes de
determinados produtos ou serviço, sejam estes uma corrida de táxi ou um
empréstimo financeiro.  A arquitetura P2P
reduz os custos de negociação, facilita o acesso a todos os usuários e permite
o encontro entre as duas pontas de tal maneira que torna quase obsoleta a
necessidades de algumas tecnologias de comércio do passado.

Por
exemplo, o Netflix e o YouTube são fortes concorrentes para as locadoras de
vídeo e para empresas de TV; o Uber, para as empresas de táxi; o Fairplace e o Banca
Club, para empresas de factoring,
agiotas e bancos; o Airbnb, para hotéis, pousadas, motéis e  pensões; o Mercado Livre e OLX, para os
jornais e revistas que vendem espaço para anúncios.

Mas há
outro argumento a ser feito.  É fato que
o sucesso dessas aplicações reside em uma série de vantagens, mas o principal
fator está, fundamentalmente, no fato de que uma rede P2P maximiza as
oportunidades para a ponta de ofertantes atender melhor às necessidades dos
demandantes. Isso está em total acordo com a abordagem feita por Ludwig von
Mises sobre o processo de mercado e as características de uma economia
capitalista.

Mises
dedica várias partes de sua obra para descrever tal processo. Segundo ele:

“A economia de mercado é o sistema social baseado na
divisão do trabalho e na propriedade privada dos meios de produção. Todos agem
por conta própria; mas as ações de cada um procuram satisfazer tanto as suas
próprias necessidades como também as necessidades de outras pessoas. Ao agir,
todos servem seus concidadãos. Por outro lado, todos são por eles servidos.

Cada
um é ao mesmo tempo um meio e um fim; um fim último em si mesmo e um meio para
que outras pessoas possam atingir seus próprios fins
.

Este
sistema é guiado pelo mercado. O mercado orienta as atividades dos indivíduos
por caminhos que possibilitam melhor servir as necessidades de seus semelhantes
. Não há, no
funcionamento do mercado, nem compulsão nem coerção…

…O slogan marxista “produção anárquica”
retrata corretamente essa estrutura social como um sistema econômico que não é
dirigido por um ditador, um czar da produção que pode atribuir a cada um uma
tarefa e obrigá-lo a obedecer a esse comando. Todos os homens são livres;
ninguém tem de se submeter a um déspota.

O indivíduo, por vontade própria, se integra num
sistema de cooperação. O mercado o
orienta e lhe indica a melhor maneira de promover o seu próprio bem estar, bem
como o das demais pessoas
. O mercado comanda tudo; por si só coloca em
ordem todo o sistema social, dando-lhe sentido e significado”. [Ação
Humana
, capítulo XV “O mercado”
].

Esse
é o núcleo central do argumento. Na abordagem de Mises, serão bem-sucedidos na
economia de mercado aqueles que, primordialmente, souberem criar mecanismos que
os permitam atender com mais eficiência às necessidades do público consumidor.
Tão simples quanto isso, mas ao mesmo tempo consideravelmente difícil.

Esse
é um dos elementos cruciais para entender a abordagem austríaca do processo de
mercado.  Também ajuda a entender o
porquê do sucesso de algumas novas aplicações. Ao facilitar o encontro entre as
pontas compradoras e vendedoras, ao reduzir as assimetrias de informação
tanto para quem vende quanto para quem compra, tais aplicações P2P trouxeram
para o tabuleiro do jogo econômico pessoas que tinham habilidades, capacidades
e capital para melhor servir seus concidadãos.

Isso
porque basta uma consulta nas aplicações, e os usuários podem saber quem está
vendendo o quê, onde, como, a que preço etc. 
O mesmo vale para os vendedores, pois o custo informacional reduziu-se
substancialmente. Agora eles possuem melhores mecanismos para colocar seus
conhecimentos em prática, desta forma melhor servindo seus clientes.

Ou
seja, colocando nos
termos de Hayek
, o conhecimento — que é difuso (está disperso pela
sociedade, e não concentrado em poucos indivíduos), subjetivo, prático e
pessoal — agora tem mecanismos mais fáceis, rápidos e baratos para se
manifestar: basta ser dono de um veículo e conhecer a geografia de uma cidade
para se transformar num motorista do Uber; basta ter um quarto vazio e desejar
alugar para se tornar um anfitrião no Airbnb; basta ter alguns recursos
sobrando e saber gerenciar seus riscos para se tornar um “banqueiro” do
Fairplace, e assim por diante.

A arquitetura
P2P democratizou o acesso ao empreendedorismo: todos podem se tornar
empreendedores capitalistas.  Isso é fantástico.

E o
mais interessante é que tais aplicações P2P não trouxeram inovações
tecnológicas revolucionárias.  Elas não inventaram
uma nova forma de se locomover, de emprestar dinheiro, ou de se hospedar.  No entanto, há gente por aí que tem
conhecimento aplicado e que pode dirigir e guiar tão bem (ou melhor) que um
taxista; gente que pode se arriscar um pouco a emprestar dinheiro e obter taxas
de retorno melhores do que as que os bancos oferecem; e gente que sabe hospedar
muito bem e pode até ganhar algum um bom retorno com isto.

Sendo
assim, poderíamos dizer que, de acordo com a abordagem de Mises e Hayek, tais
aplicações permitem que o conhecimento humano espalhado se manifeste de uma
forma bem mais eficaz, reordenando espontaneamente os mercados e fazendo com
que os seres humanos possam melhor atender às necessidades de seus semelhantes.

Essa
talvez seja a “disrupção” que tais aplicações trazem.  Trata-se, obviamente, de uma disrupção
salutar. Ironicamente, elas trazem um
pouco mais de “anarquia” ao processo produtivo, como talvez Marx gostaria de
dizer.

E, também
ironicamente, isso é algo positivo, pois tais aplicações permitem que, além de
consumidoras, as pessoas também sejam mais empreendedoras. Ou mais
“capitalistas”, poderíamos dizer.

Seja
dirigindo seu próprio carro, alugando uma parte de sua própria casa ou emprestando
seu próprio dinheiro, haverá mais oportunidades para o cidadão comum empreender
e, com isso, melhorar seu padrão de vida. 
E sem ter de pagar nenhuma taxa para nenhum cartório.

Quanto
mais pessoas com espírito capitalista e empreendedor no mundo, melhor para
todos.  Haverá mais bens e serviços ofertados,
e, consequentemente, um padrão de vida em contínua elevação.

________________

Nota do autor

O autor gostaria de
registrar que não recebeu recurso de nenhum dos sites ou aplicativos
apresentados aqui. As aplicações citadas foram fruto de uma simples pesquisa na
Internet, com caráter meramente ilustrativo e para exemplificar. Há diversos
sites e aplicações semelhantes com arquitetura P2P que fornecem diversos tipos
de serviços. O autor registra também suas restrições em relação à veracidade de
algumas definições da Wikipédia, bem como já ter encontrado verbetes com
informações claramente erradas. Mesmo assim não se furta de usar a enciclopédia
on-line, tanto que buscou alguns verbetes na mesma para fins deste artigo.

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92 comentários em “As aplicações P2P quebrarão os monopólios e as reservas de mercado, e tornarão todos capitalistas”

  1. Criei um site peer-to-peer dedicado às pessoas que vão viajar e podem trazer produtos para outras pessoas e ganhar dinheiro com isso. Totalmente grátis.
    http://www.invershop.com

    Desculpem-me por usar esse espaço para publicidade, mas o assunto é pertinente. Abraços!

  2. Desculpa a pergunta não ter a ver com o artigo mas gostaria muito de saber a opinião de vocês sobre a tal “recuperação” da economia brasileira. O governo, sempre mentiroso, diz que o ano que vem é possível que melhore, com indícios disso no final do ano. Eu acho isso impossível com essa inflação, interferências estatais constantes. O que vocês dizem?

  3. Uma questão não abordada no artigo é o fato dessas estruturas P2P serem centralizadas, isto é, serem vulneráveis aos mandos e desmandos de políticos, que tem rabo preso ao status quo e não desejam nenhum tipo de mudança inconveniente.

    Se alguma desses aplicativos crescerem a ponto de incomodar, sempre haverá a intervenção governamental tentando “matar” tal disrupção.

    Podemos comparar todos esses aplicativos ao Napster, ou eles entram no “esquema” ou o “esquema” vai atrás deles. A única forma de ter uma disrupção permanente, mesmo que ela interfira com grupos poderosos politicamente, é ter a arquitetura de aplicativo totalmente descentralizada, semelhante ao BitTorrent.

    A medida que alguns desses aplicativos decentralizados caírem devido a intervenção surgirão seus "irmãos" decentralizados que se tornarão intocáveis a arrogância fatal dos políticos.

  4. Rapaz… Sensacional!

    Esta arquitetura é de uma eficiência… os burocratas e socialistas piram!

    P.S. Basta uma só tragédia, como em caso de um ofertante fazer besteira (seja lá qual for, que o estado aparecerá com discurso de que isso só ocorreu por causa da falta de segurança jurídica do serviço e blablabla. E o resultado vai ser a abolição de um aplicativo daqui… dali… e etc.

  5. Dhiego Da Silva Andrade

    A mão regulamentadora do estado chega a tremer quando vê essas inovações derrubando os monopólios e oligopólios que ele defende com punho de ferro.

  6. Genial, um dos melhores e mais acessíveis artigos que o IMB já publicou. Um prato cheio para atingir empreendedores ou amantes de startups.

  7. João Luiz Pisa

    Isso aí o titio Marx não conseguiu prever na sua época. A inovação e a aproximação dos indivíduos ferra com qualquer sonho socialista burro.

    Que venha a nova era!

  8. Seria interessante ter um aplicativo para vendedores ambulantes.

    A gente fica sabendo se tem um caminhão de pamonha passando perto de casa, ou um amolador de facas, ou um carrinho de Yakult, um sorveteiro, etc.

  9. Marcos Roberto Vicente dos Santos

    Caramba! Vibrei ao ler cada linha. Tá na cara que este é o rumo certo das coisas. Mas aguentar o vitimismo das classes, dói né?

    Vida longa aos libertários!

  10. Creio que a lei mais nociva criada em nosso país visando proteger um cartel foi a Lei de Informática nos anos 80. Esta medida nos tirou do boom da informática e nos atrasou em pelo menos 20 anos (uma vida inteira em termos tecnológicos)!

  11. Parabéns ao IMB. Mais uma vez larga na frente apresentando aos seus leitores algumas das aplicações da tecnologia P2P. Fica a sugestão para divulgação de outras soluções P2P, estas sim com muito maior potencial disruptivo, tais como Bitcoin (com foco na rede que o mantém), as alternativas P2P para eleições da ethereum (https://www.ethereum.org/), isso com real potencial para resolver nossos problemas oriundos de representação política e de moeda de forma muito mais eficiente e limpa, sem golpes e revoluções sangrentas.

  12. Vou mais além. Seria bom vocês fazerem um artigo sobre peerconomy, embora isso seja um assunto mais left-lib.

    Em síntese, é a lógica de aplicar P2P na produção material. Já existe para produção de software livre, e creio que no futuro vai passar a produzir coisas tangíveis.

    Como aconteceria: aos poucos seriam criados vários wiki sobre conhecimento aberto, universidades virtuais, detalhamento de processos, product hacking, design aberto, etc. E cresceria com as impressoras 3D.

    Qualquer um no fundo de garagem poderá criar o que quiser sem a necessidade da indústria convencional manufatureira, o que tornaria esta obsoleta. Claro que setores como o de microeletrônica e robótica ainda demorarão décadas pra passar pela mesma revolução, e estes continuarão normalmente, crescendo e dominando aos poucos a economia.

    A consequência disso é que todos poderão ser produtores e trocarem o que produzem. A produção tenderá a ser mais local ao invés da atual tendência globalizada. Se isso se concretizar, o sistema não mais poderá ser chamado de “capitalismo”, seria um livre mercado radical. E, por mais incrível que pareça, seria superior ao comunismo, pois teria a autonomia dos indivíduos ao invés da autonomia do coletivo abstrato.

  13. O fairplace já sofre represálias da máfia, que usa o banco central para impedir qq coisa nesse sentido (exigiram “explicações”).

  14. Fiquei muito triste no caso Uber pois o estado ao invés de dar apoio a concorrência táxi versus Uber, com todos os benefícios que a concorrência e a divisão do trabalho oferece , encampou o monopólio dos taxistas, entrando na contra mão da história, igual acontece no caso da terceirização que é a pura divisão do trabalho.

  15. Massa demais! Costumo argumentar com amigos que dependemos muito menos da vontade política e da educação econômica do que da tecnologia para vermos a riqueza do capitalismo florescer. E com a internet, a velocidade das inovações torna cada vez mais difícil haver controle governamental sobre as nossas capacidades e vontades.

    Os serviços comentados no texto são, sem dúvida, excelentes. Mas a meu ver, a inovação maior e mais difícil de ser capturada é aquela sempre analisada pelo Fernando Ulrich, o Bitcoin e seu protocolo Blockchain. Tem um artigo do Liberzone muito legal sobre o assunto:

    liberzone.com.br/anarquia-digital-o-nosso-futuro/

    Abraços a todos e parabéns ao autor.

  16. A guerra contra os socialistas deve ser no campo onde eles dão prioridade atualmente: o cultural. Sem controlar boa parte das universidades, escolas, mídia, a cultura, os liberais, libertários, continuarão como os personagens do esquete de Robot Chicken.

  17. Nenhum dos aplicativos supracitados são de fato P2P. Todos eles precisam de um servidor central que processa as informações e as requisições dos clientes, que, no caso do Uber, por exemplo, são tanto os passageiros quanto os motoristas. Esta arquitetura servidor-cliente torna fácil a derrubada dos serviços oferecidos. Uma das tecnologias implementadas usando protocolos verdadeiramente P2P é o bitcoin. A block chain, que grava os dados das transações realizadas, é armazenada de forma distribuída pela rede. Uma transação entre dois peers, por sua vez, é assinada digitalmente por outros peers. Por fim, as carteiras são salvas localmente.

  18. Boa Noite a todos.

    Meu primeiro post no site.

    Gostaria de questionar uma duvida ou uma sugestão, pois alguns comentaram aqui que as impressoras 3D são um caminho diferenciado que ira baratear o acesso as demais pessoas que queriam alguma coisa para si própria ou produzi-las e vende-las, mas estive pensando no caso da primeira arma feita pela a impressora 3D nos EUA.

    Não sou contra sua produção ate porque daria ao cidadão de ter uma com baixo custo e alta capacidade de customização, mas em relação aos atos ilícitos, o uso perturbado da facilidade de produção para sua comercialização ilegal? Veja um amigo meu, e eu estávamos pensando em criar uma empresa nesse segmento e fico no receio de investir e vir o Estado e me dar uma martelada e parar toda a minha operação, dizendo que não e regulamentada, que vai contra a lei do desarmamento e assim vai, e sofrer o mesmo destino da Uber.

  19. Os aplicativos P2P apenas potencializam a concorrência, em nada modificando as bases capitalistas de troca de mercadorias e serviços, muito menos revolucionando-o. No máximo, comprometê-lo num primeiro momento, gerando crise de continuidade para depois se estabilizar com a eliminação dos concorrentes incapazes. Vamos ver o caso do Uber, por exemplo. Se hoje eu conto num determinado momento do dia com 2 táxis para me deslocar na cidade, com o Uber vou poder contar com 948.664.168.461. Ótimo. Muito legal. E no que essa explosão de oferta vai resultar? Na pulverização da demanda na mesma proporção, óbvio, e na impossibilidade de alguém poder sobreviver com a renda obtida com esse negócio. A não ser que, de uma hora para outra, a demanda urbana por táxis passe a viabilizar economicamente não cem, duzentos, mil ou 2 mil serviços de táxis, mas 948.664.168.461 carros que de uma hora para outra viraram um táxi. Isso em meio à queda tendencial da taxa de lucro prognosticada não por Marx mas pelo próprio Adam Smith.

    O que pode advir desse processo? Nada, a não ser o aumento da crise capitalista que não consegue mais produzir renda e lucro para quem produz com pequeno capital. Taí a classe média desesperada e faminta que não me deixa mentir, e que há muito tempo se refugiou nos empregos públicos do Estado que vive combatendo.

    Fim.

  20. poxa eu estava querendo emprestar dinheiro e ganhar um pouco com os juros, alguém conhece outro serviço igual o Fairplace? pelo que eu vi no site, eles não vão continuar.

  21. Para que os governos não interfiram, a própria Internet deve se descentralizar, utilizando geração de energia descentralizada (placas solares/eólicas/etc) com conectividade p2p, mais ou menos num arranjo onde cada router seria um “nó”, onde “vizinhos” se conectariam globalmente. Descentralizar de ponta a ponta, incluindo a parte física, será essencial.

  22. Saquei qual é a do pessoal.

    idgnow.com.br/internet/2015/07/06/artigo-uber-e-netflix-sao-a-ponta-do-iceberg-da-economia-compartilhada/

    Para muitos ai, capitalismo seria essas empresas malvadonas que gozam de privilégios estatais.

    Já os apps p2p seria algo como um “socialismo 2.0”?

    To vendo que a esquerda daqui um tempo vai dizer que graças aos seus princípios esses apps passaram a existir ahuahua

  23. Bom dia. Escutei que, entre outubro e dezembro deste ano, o dinheiro chinês será oficializado como moeda internacional de reserva.
    Se for verdade, quais as consequencias para o Brasil
    Grato
    Amauri

  24. Olá, gostaria de recomendar também uma plataforma inovadora no Brasil de P2P chamada Encontre um Nerd (www.encontreumnerd.com.br).

  25. Acho fantástica a atitude destes empreendedores. Porém, a verdadeira revolução destes serviços será quando os mesmos forem possíveis de existir de uma forma totalmente descentralizada – como bitcoin, torrent etc. Enquanto estes serviços forem hospedados por uma única pessoa ou empresa, esse indivíduo será perseguido pelo estado e forçado a fechar as portas. Infelizmente os empreendedores do futuro terão que, além de fornecer bens e serviços, se preocupar com uma forma de fornecê-los sem sofrer a perseguição estatal.

  26. Ei, esses sites pra vc virar banqueiro não funcionam mais. Li o artigo e fui feliz juntar um dinheiro, mas não é mais possível.rs Onde aplico meu dinheiro agora? Alguma dica?

  27. Tanto do artigo como de todos os comentários, não há como enquadrar o p2p como capitalista, a não ser que alguém, por exemplo no UBER, tenha 10 carros e contrate 10 motoristas(assalariados) para trabalharem para ele, o que de nada seria diferente de uma empresa de taxis atual. Sem a mais valia não há capitalismo. Portanto, o p2p seria um sistema de milhares de agentes econômicos autónomos, cada um trabalhando para si próprio e certamente sem condições de acumulação de capital, finalidade primeira do capitalismo. A verdadeira esquerda socialista aprova, pois não há a privatização(acumulada) dos meios de produção. Cada indivíduo estaria criando seu próprio emprego, sendo, a rigor, simultaneamente patrão e empregado. Schueler.

  28. Gostei muito do artigo que, assim como o título, é conclusivo, determinante e implacável. Porém, o que é difícil de aceitar é que políticos, burocratas, detentores de monopólios, participantes de cartéis, etc., vão "vender" essa vitória da livre comercialização entre indivíduos assim, praticamente de graça.

    Não é a mesma coisa mas, certa vez li que na época das privatizações, implementadas por Margaret Thatcher, também se faziam promessas de que todos poderiam se tornar pequenos acionistas e de que o livre mercado traria uma variedade de produtos e serviços, entre outras coisas. Mas não foi exatamente isso o que aconteceu, e o mercado acabou voltando a se tornar concentrado e até tributado.

    Como o fato de que uma aplicação ser P2P não significar necessariamente que ela é descentralizada, não é muito difícil imaginar o que pode acontecer. No caso do Uber por exemplo, que é o que atualmente levanta as discussões em um nível mais amplo, os motoristas de hoje apreciam a liberdade, a autonomia, a flexibilidade, etc., que eles desfrutam e que faz com que cada um aja como se fosse dono do próprio negócio. Mas se amanhã o mercado começa a ficar muito concorrido e os políticos começam a oferecer benefícios aos prestadores do serviço, em troca de algumas regulamentações e tributações, pode ser mais vantajoso passar para esse lado "protegido" do que deixar continuar tudo livre como está. Não estou dizendo que é isso que vai acontecer, só estou supondo pois este caminho apresentado pelo artigo está muito fácil e instantâneo. A 'inovação disruptiva' tem que encontrar um jeito de mudar a mentalidade estatista também.

    Mas o artigo é deveras entusiasmante e é inegável (e não podemos dispensar esse luxo de) que está tudo ficando mais fácil. Ótima percepção e análise. Parabéns ao autor.

    Abraços!

  29. O que o governo cubano fez foi propiciar a educação e formação desses médicos sem qualquer custo para eles. Não conheço os detalhes do acordo do Brasil com Cuba, apenas sei que parte do dinheiro remetido para Cuba vai para as famílias dos médicos.
    Sobra a exploração: concluindo sua exposição, o lucro vem da receita da venda do produto, PROPICIADA PELO SERVIÇO DO FUNCIONÁRIO. Sem ele não haveria venda, receita e, por fim, LUCRO.

  30. Você e seu sócio na empresa de sistemas investiram dinheiro e, principalmente, trabalho, como relata. Com o crescimento do negócio, ganharam dinheiro que possibilita a contratação de funcionários para suportar a continuidade do crescimento. Perfeito. Entretanto, esse dinheiro ganho não configura um lucro no sentido econômico. É um capital resultante de seu investimento e trabalho, como seria uma herança ou mesmo ganho na loteria. Portanto, até esse ponto, esse dinheiro não é lucro e sim um capital. Pois bem, esse capital lhe dá segurança de aumentar seus custos e contratar um(ou mais) funcionários para o crescimento da sua empresa e, consequentemente, aumentar seu faturamento e seus GANHOS, aí sim SURGINDO O LUCRO. O que quero evidenciar é que os salários são essenciais para os lucros, mas, obviamente, se não houver lucros, os salários acabam.

  31. Antes de mais nada, parabéns pelo ótimo artigo!

    Mas sou obrigado a fazer uma ressalva quanto ao uso do termo “arquitetura P2P” nesse texto.

    Nesse artigo o autor se refere a sistemas que pulam o intermediário entre fornecedor e consumidor (tipo e-bay), assim como sistemas que facilitam para que qualquer pessoa se torne um fornecedor de algum serviço (tipo Uber ou airbnb). Ótimo, só que isso não é bem o que “arquitetura P2P” significa.

    Todos os sistemas citados pelo autor são centralizados. O que significa que há servidores e pessoas responsáveis por esses sistemas/empresas. Há uma “autoridade”. Em outras palavras, há um “ponto único de falha”. Se algum governo usar de seu poder coercivo para matar a empresa e capturar os servidores por trás do Airbnb, o sistema desaparece.

    Em sistemas verdadeiramente p2p, não há servidores, não há autoridades. Não há ninguém a quem o governo possa apontar armas para pará-lo. O mais clássico exemplo de um tal sistema é o BitTorrent. Um exemplo já bastante discutido nesse site é o Bitcoin, assim como outras cryptocurrencies. Um outro exemplo seria o OpenBazaar, ainda em desenvolvimento: uma versão verdadeiramente p2p do e-bay.

  32. Guilherme Borges Cunha

    Gostei muito do texto, porém gostaria de atentar o autor a um detalhe que acredito que seja causado por algum desconhecimento: os exemplos de serviços e aplicações citados no artigo não são baseados em redes com protocolo P2P. Eles podem até ser baseados no conceito colaborativo do P2P, mas ainda não são redes P2P, pois dependem de um servidor centralizado, que está sujeito aos interesses da empresa que o controle e sujeitos às amarras estatais. Verdadeiros exemplos de serviços e aplicações baseadas em P2P são o La’Zooz (semelhante ao Uber), Storj.io (armazenamento em nuvem descentralizada e criptografada) e o Maelstrom (navegador de Internet baseado em P2P). Esses e serviços que citei estão mais de acordo com as teorias dos economistas austríacos, especialmente com o anarcocapitalismo, já que não estou sujeitos aos interesses de terceiros além de os próprios usuários, muito menos sujeitos à influência estatal.

  33. Vamos ver se entendi, não há ironia, é uma real dúvida.
    As plataformas de compartilhamento só são imunes ao ataque estatal na medida que o único “argumento” da esquerda for derrubado:
    Eles acham que é errado os “porcos capitalistas” do Uber juntarem milhões de dólares.
    Assim quando houver apenas os motoristas no negócio ou seja quando não for retido os 20% do aplicativo a coisa se resolve.
    Isso já existe, como citado, no caso do torrent.
    Enfim, na medida que a relação entre o consumidor e o motorista for direta, os taxistas serão varridos do mapa porque não haverá justificativa para proibir?

  34. Hoje descobri um novo serviço parecido com os citados no artigo:

    https://www.biva.com.br/

    Esse não deve ser expulso como foi o FairPlace do Brasil, pois está autorizado segundo
    uma resolução do Banco Central.

    E os empréstimos feitos pelo sistema são garantidos pelo FGC, gerando assim um risco moral.

    Enfim, só queria citar esse exemplo, sendo que ele é menos livre que o FairPlace pois está associado a máfia chefiada pelo Banco Central.

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