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Quando moradia deixou de ser mercadoria: o desastre soviético

Blocos habitacionais da URSS, provavelmente da metade do século 20. Foto: mvstang @ Flickr

Moradia
não é mercadoria
” é uma frase muito repetida entre ativistas em defesa da
moradia popular.

Entendo
aqui ‘moradia’ como unidades de habitação, principalmente casas e apartamentos.
Já ‘mercadoria’ é algo produzido para ser vendido no mercado, destinado ao
comércio, e que não é uso do produtor.

A
vasta maioria das moradias hoje em dia pode ser considerada mercadoria, dado
que é produzida e vendida por incorporadoras e imobiliárias que não moram nos
edifícios que produziram. Assim, a proposta por trás dos
ativistas que repetem essa frase é a de fazer com que a moradia deixe de ser
produzida e vendida pelo mercado imobiliário, passando a ser planejada e
distribuída pelo poder público. O objetivo seria torná-la mais acessível dado o
atual déficit de moradias, que é uma
das causas dos altos preços do mercado imobiliário.


que essa proposta não é nova. Moradia já
deixou de ser mercadoria durante um momento muito peculiar da nossa história, e
de forma bem documentada, na União Soviética (URSS), abrangendo várias
cidades da Europa Central e Oriental durante a maior parte do século
passado.

Hoje, é possível entender quais foram as principais consequências
dessa política.

Várias
cidades da antiga URSS aboliram o sistema de preços e implementaram uma
economia planejada durante um período que durou entre 45 e 75 anos. Nesse
espírito, também foi abolido o mercado imobiliário. Consequentemente, o que determinava a
alocação de densidades e de usos residenciais, comerciais e industriais não
eram as demandas dos moradores na condição de consumidores imobiliários, mas sim
decisões burocráticas feitas com o intuito de minimizar os recursos investidos
em imóveis com o objetivo de prover “moradia universal”.

É
difícil entender este sistema, tão diferente ele era do que estamos acostumados
atualmente. Deixando de ser mercadoria, imóveis e terrenos não tinham preços. O
planejamento se iniciava com estudos técnicos que determinavam a
quantidade de terra necessária para construir apartamentos e fábricas. Ato
contínuo, uma vez que a terra fosse alocada para um determinado uso, ela não mais
podia ser vendida ou alugada para um terceiro, apenas devolvida para o governo
caso nada fosse construído.

Esse
princípio teve um grande impacto em indústrias que sofriam mudanças
tecnológicas: fábricas se expandiam, mas não podiam se realocar, pois teriam um
custo de mudança de terreno que não podia ser compensado por uma venda da
fábrica original.  Afinal, fábricas
também não podiam ser tratadas como mercadorias.

Mesmo
quando problemas tecnológicos e operacionais obrigavam administradores a mudar
de local, os terrenos deste anel industrial não eram reciclados, mas sim
mantidos industriais, só que com menos empregos e atividade industrial. A
política industrialista da União Soviética levou a uma extrema concentração de
indústrias dentro da região urbanizada.

Por
exemplo, em Moscou, 32,5% da cidade construída é usada para fins industriais
(embora parte esteja abandonada atualmente, pois a cidade ainda não conseguiu
se regenerar).  Em Paris, Seoul e Hong
Kong são apenas 5%.

O
mesmo processo era feito na determinação do uso comercial. É importante lembrar
que, na verdade, não deveríamos chamar tal atividade de “comércio”, mas
simplesmente de “serviços”, pois o comércio (pelo menos nas vias formais, já
que o chamado “mercado negro” funcionava de forma abrangente) não existe
quando se abole o conceito de mercadoria. Assim, muitos serviços como bancos,
corretoras de imóveis, seguradoras etc. simplesmente não existiam nessas
cidades. Adicionalmente, muitos serviços de educação, saúde e distribuição de
alimentos eram feitos dentro de instalações industriais e não necessitavam de
uma alocação específica de uso do solo na cidade.

A alocação
de moradia também seguia a mesma lógica, mas com um pequeno detalhe: a
quantidade de terra alocada para uso residencial foi mudando ao longo do
período soviético de acordo com o desenvolvimento de tecnologias que permitiam um
melhor aproveitamento da terra: a verticalização. Sistemas pré-fabricados de construção, que se
tornaram universais para a construção de moradia nos países da Europa Central e
Oriental dos anos 1960 em diante, permitiram blocos de apartamentos mais altos,
diminuindo a necessidade de terra do ponto de vista dos planejadores e gerando
cada vez densidades mais altas.

Os
planejadores soviéticos avaliavam apenas quantitativamente as necessidades de
moradia da população, sem se importar com a localização das construções na
cidade. Ao mesmo tempo, os grandes terrenos em que ainda não haviam sido feitas
construções eram encontrados mais facilmente nas periferias. Isso fez com que
as zonas residenciais mais recentes — e mais distantes do centro — normalmente
tivessem densidades mais altas por causa das alturas mais altas de edifícios
que foram possibilitados ao longo do tempo.

O
resultado urbano final em cidades nas quais isso teve maior impacto é o caminho
oposto ao da cidade europeia tradicional, que possui maior densidade próximo do
centro histórico — de maior demanda por moradia e por serviços — e que vai
gradualmente diminuindo à medida que dele se distancia.

Moscou,
onde essa política teve maior impacto, apesar de ainda possuir um centro
histórico que concentra empregos e serviços, é uma das únicas cidades do
mundo que possui periferias mais densas que as áreas centrais.

Ineficiência
urbana

Uma
das consequências urbanísticas deste tipo de planejamento foi o aumento
das distâncias de deslocamento, uma vez que os moradores das periferias são
obrigados a se deslocarem à área central onde se concentram os serviços. Se a maioria
dos moradores se concentra nas periferias, o resultado agregado será pouco
eficiente.

Se
compararmos Moscou a Paris, a qual teve uma alocação espontânea de moradia e de
serviços durante a maior parte do seu desenvolvimento urbano, a primeira possui
75% da área da segunda, mas com uma distância de deslocamento dos moradores 5%
maior. Brasília, que também teve um planejamento totalmente centralizado, tem
um desempenho ainda pior neste indicador: a distância de deslocamento dos seus
moradores é semelhante à de Nova York, mas a capital brasileira tem uma área
construída 10 vezes menor.

O
custo de oportunidade de se manter terrenos abandonados ou subutilizados em
regiões centrais da cidade — principalmente industriais, no caso de Moscou —
também é muito significativo, contribuindo para a escassez de terra para
moradia. Citando a economista
Emily Washington
, “Não faz sentido o uso industrial em terrenos
onde as pessoas estão dispostas a pagar um prêmio para ter moradias”.

O
trabalho do urbanista Alain Bertaud mostra
que, em 1991, quando o mercado imobiliário foi gradualmente sendo reintroduzido
na Rússia após o fim da União Soviética, os preços de moradias próximas ao
centro foram aumentando, mostrando uma clara falta de oferta de moradia nestes
locais.

Escassez,
burocracia e mercado negro

A
falta de um sistema de preços — que é crucial para transmitir informações
sobre oferta e demanda — também levou a uma grande escassez de moradias,
principalmente durante a primeira metade do período soviético.

Durante
a era Stalin, entre 1927 e 1955, a URSS não aumentou os baixíssimos índices de
área construída per capita que já existia em 1917, de 4m2.
A coabitação era frequente e necessária, com cerca de 35% da
população vivendo em apartamentos compartilhados até o final da URSS
. As
filas de espera para se conseguir moradia levavam em torno de
10 anos
. Era tanta burocracia envolvida no processo, que o governo russo
identificou 56 tipos diferentes de moradia que poderiam ser conseguidos por 120
procedimentos distintos.

Dado
que a compra, venda e troca de moradias era proibida (pois, lembremos, deixaram
de ser mercadoria), estabeleceu-se um mercado negro de sublocação, que alguns
autores estimam ter abrangido 10%
de todas as unidades da cidade
.

Também
era frequente a transferência ilegal de endereço, já que também era necessário
esperar alguns anos nas filas de registro para formalizar a troca. Apesar de
não existirem estatísticas oficiais a respeito de moradores de rua, relatórios
secretos da URSS reportam cifras em torno de 500
mil pessoas
.

Mesmo
assim, as principais cidades, como Moscou, eram símbolos para o resto do país e
para o resto do mundo, recebendo um investimento desproporcionalmente maior em
moradia quando comparada às demais cidades soviéticas. A quantidade e a
qualidade da moradia produzida, por exemplo, em zonas rurais e industriais na
Sibéria eram muito inferiores às dos centros urbanos. No entanto, para piorar a
situação, o controle quantitativo de moradia e a constante escassez nas cidades
devido à rápida industrialização criaram a política da propiska,
uma espécie de passaporte migratório interno, que proibia os moradores de zonas
rurais de migrarem para os centros urbanos.

O
fim da arquitetura

Uma
das propostas da política de moradia da URSS era promover a habitação coletiva
e a igualdade de moradia para todos. Nesse sentido, havia um modelo de bloco
habitacional a ser seguido durante cada época, e que não levava em conta as
preferências e particularidades dos cidadãos. Isso resultou na
pasteurização modernista da cidade soviética, a repetição de projetos
assépticos visando à redução numérica do déficit habitacional — o qual, mesmo
assim, não foi resolvido.

No
contexto soviético, pode-se dizer que isso decretou o fim da arquitetura
residencial, dado que uma única solução era escolhida para resolver a
necessidade de todos.

Muitos
podem criticar as “selvas de concreto” de cidades como São Paulo ou Nova York, nas
quais há uma variação radical no tamanho, forma e estilo de cada projeto
arquitetônico.  Mas o fato é que sua
variabilidade de edifícios — mesmo que dentro das legislações estabelecidas — permite
que cada cidadão possa escolher a arquitetura de sua preferência. O mercado
imobiliário, neste cenário, visa a atender as diversas preferências de
seus consumidores, as quais também mudam de forma dinâmica junto com os
hábitos e com as tecnologias existentes a cada época.

Um
forte indício disso é que, com o fim da vontade de se morar longe das regiões
centrais — tendência essa que impulsionou o espraiamento urbano até os
anos 1980 –, hoje existe uma tendência forte entre incorporadoras de
produzir apartamentos menores, bem localizados e com um relacionamento mais conectado
entre a edificação e a cidade. Tanto Nova York quanto São Paulo são
protagonistas em seus respectivos países em liderar este movimento de
transição.

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Vista da parte sul de Manhattan, em Nova York, do 102o andar do Empire State. Foto: luvi @ Flickr

Moradia é mercadoria

O
relato sobre moradias na União Soviética mostra empiricamente algumas das consequências
negativas de se fazer com que a moradia deixe de ser tratada como mercadoria. É
importante ressaltar que os problemas observados não foram resultado de
falhas técnicas no planejamento ou de um conceito errôneo de moradia adotado,
mas sim da eliminação do sistema descentralizado de preços, o qual, quando
funciona livremente, gera feedbacks constantes de informação
entre oferta e demanda.

Por
meio do sistema de preços, cada cidadão, ao voluntariamente alugar,
comprar, desenvolver (ou não) um determinado imóvel em uma determinada
localização, e fazer dele o que mais lhe aprouver, está fornecendo ao
mercado informações cruciais sobre sua preferência.  E, ao fazer isso, ele envia aos outros
indivíduos e empresas informações instantâneas sobre a situação deste mercado.

Tentar
abolir novamente o mercado imobiliário com o intuito de planejar a cidade
de uma forma diferente — e ao gosto de planejadores e burocratas — gerará
problemas da mesma natureza do modelo imobiliário soviético, pois tal medida arbitrária
não responde às demandas da população de forma dinâmica. Imóveis vazios ou
subutilizados continuarão existindo, embora dispersos pela cidade em vez
de estarem concentrados em uma região inteiramente zoneada.

O
déficit habitacional e os altos valores das moradias, alvos da luta pela
moradia popular, deveriam ser atacados em sua raiz, sem alterar a
característica dinâmica de preços. O que, afinal, torna nossos imóveis tão
caros? Um estudo realizado em 2005 pelos economistas Edward Glaeser
e Joseph Gyourko intitulado “The Impact of Zoning
on Housing Affordability
” aponta forte correlação entre regulação do uso do
solo e acessibilidade à moradia, podendo resultar em um aumento de até 50% no
valor imobiliário de uma determinada região.

São
inúmeros os motivos que contribuem para elevar os preços de moradia, desde
restrições artificiais de oferta (limites de densidade; de altura de
edificações; recuos de ajardinamento; leis de zoneamento) a alterações nos
projetos (como número obrigatório de vagas de garagem e leis que incentivam a
subutilização dos térreos), passando por custos na atividade de incorporação
(custos legais de passar pela aprovação dos órgãos públicos; custo do risco
legal de legislações que não deixam claro o que pode ou não ser feito em
um determinado terreno; custo de oportunidade do tempo entre a compra do
terreno e espera de um determinado projeto ser efetivamente aprovado na
Prefeitura; impostos e encargos trabalhistas).   

[Nota do editor: além de todos esses
fatores, é crucial também ressaltar, para o Brasil, a política de crédito fácil
do governo federal voltada para o setor imobiliário.  Um financiamento de imóveis feito por bancos
estatais — Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil — paga juros muito
abaixo da SELIC. Trata-se de um banquete para os especuladores
imobiliários, e uma tragédia para os mais pobres, que sofrem as consequências
do aumento dos preços. Veja todos os detalhes aqui].

Tudo
isso contribui para um aumento significativo no preço dos imóveis em centros
urbanos altamente demandados.

O
resultado do estudo de Glaeser conclui que as cidades norte-americanas que
possuíam menos restrições do uso do solo tinham seus preços mais próximos dos
seus custos de construção, dado o equilíbrio de mercado entre oferta e demanda
por moradia. Em um centro urbano inserido em uma economia de mercado é
contraditório lutar contra uma grande oferta imobiliária e, ao mesmo tempo, a
favor de preços acessíveis.

Enfim,
para termos uma cidade eficiente, diversa, dinâmica e, ao mesmo tempo,
acessível, não devemos fazer com que a moradia deixe de ser mercadoria,
mas sim que ela seja uma mercadoria acessível a todos.

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77 comentários em “Quando moradia deixou de ser mercadoria: o desastre soviético”

  1. Humberto Morais Pereira

    “Não pago, nem pagaria, transporte público não é mercadoria!” – Lema gritado pelos Movimentos Passe Livre espalhados pelo Brasil…

    Acham que existe almoço grátis. Como se o Estado produzisse riquezas de alguma forma.

  2. Muito bom. Mas o texto me trouxe uma dúvida. Nas cidades planejadas, ou mesmo bairros planejados, os deslocamentos e a distribuição dos serviços não funcionam melhor?

  3. Excelente artigo. Mas uma importante contribuição do Instituto Mises para combater as visões “bem intencionadas” (?!) de planejamento centralizado da economia, guiado pelo Estado e seus funcionários, que sempre criam mais distorções e escassez do que o “capitalismo selvagem” e seu regime de livre troca ente indivíduos.

  4. Amarílio Adolfo da Silva de Souza

    É preciso ESCLARECER, de uma vez para sempre, que tudo no Planeta Terra é uma mercadoria, que possui dono, mesmo que esteja na “mão do governo”. É preciso entender isso e respeitar isso, para o bem e segurança de todos.

  5. Texto excelente, o autor somente se esqueceu de enfatizar que na maioria dos condomínios da imagem, moravam dezenas de família NUM MESMO APARTAMENTO. O governo soviético fazia isso, pois havia muito demanda, mas não tinha apartamentos para todo mundo nos centros urbanos.
    Foi na década de 60 que a política da Propiska começou a proibir de verdade cidadãos do campo irem para as cidades (essa política começou na década de 30, mas não proibia quase ninguém ir para as cidades).

    Deveria ter enfatizado isso para mostrar o fracasso que é uma economia planejada para os leitores.

  6. Eu já acompanho o blog Caos Planejado do Anthony Ling e ja havia lido o referido artigo quando foi publicado, recomendo tambem o artigo “Moradia na União Soviética” do blog Arquitetura da Liberdade para complementar este artigo. Aliás, o autor deixou de comentar o aspecto mais importante nestes projetos centralizados de moradia popular: os arquitetos e urbanistas de esquerda. Le Corbusier, o frances, deu uma passadinha na URSS nos anos 30/40 e lá deixou as suas marcas, pois a maioria dos projetos de apartamentos da URSS são dele, inclusive um projeto megalomaniaco chamado Palacio dos Sovietes. Recomendo o “Le Corbusier e a URSS” com atenção para os projetos idealizados pelo cara, projetos megalomaniacos financiados por farto dinheiro público, o que me fez lembrar Niemayer, o nosso arquiteto comunista com projetos megalomaniacos responsavel pelo novo Oasis de Ramsés no sertão goianio onde residem os faraós tupiniquins.

  7. Henrique Zucatelli

    Parei de ler o artigo para comentar:

    São Paulo também é uma cidade onde a densidade demográfica é beeem maior na periferia que no centro. Tanto é que o caos nas marginais e avenidas é regra e rotina da maioria para aqueles que, como eu, tem de se locomover constantemente (e as vezes mais de uma vez por dia) da zona leste a sul, da sul a norte, etc. Não sei se foi por planejamento estatal ou simplesmente por questões que envolvem o período da ditadura militar, onde o termo “favela” era o lar doce lar da maioria.

    Falando sobre ditadura, tenho uma importante pergunta a fazer (e cabe um ótimo artigo, procurei e não encontrei nada sobre esse assunto profundamente), e a despeito de eu ser leigo em história, por ser Engenheiro e Químico, quero e preciso saber:

    – É fato corrente que a ditadura militar foi um período de trevas sobre o Brasil; embargos, fechamento de fronteiras, substituição de importações e toda sorte de medidas estatais centralizadoras, comum a todos os governos com tendencias comunistas e socialistas.

    – E também é fato corrente que a maioria dos presos políticos eram acusados de serem comunistas, e aliás, faziam parte de grupos armados, extremistas, totalmente embasados no ideal revolucionário de Trotsky, Lenin, etc.

    Aí vem o paradoxo: Se os militares tomaram todo tipo de decisão de um governo comunista, por que raios prendiam e matavam comunistas? Qual o sentido disso? A quem eles estavam servindo (além deles mesmos, óbvio) para tomar posições tão contrárias, e por que ninguém fala sobre isso na mídia, e nem aqui no portal, pois é um assunto importantíssimo, dado que sentimos os reflexos desses anos de chumbo até hoje na economia.

  8. Tenta vender uma casa em Alphaville, para ver o que e’ bom! Tenta morar la e trabalhar em Sao Paulo, apra ver o que ‘e bom! Leiam “Falacias” de Thomas Sowell, no capitulo que trata do tal planejamento urbano. As experiencias americanas dao bem a dimensao do problema. Leiam um autor serio e culto que escreveu sobre o tema para melhor tirar conclusoes.

  9. Moradia não é mercadoria.

    Educação não é mercadoria.

    Saúde não é mercadoria.

    Transporte não é mercadoria.

    Mercadoria não é mercadoria.

    Os planejadores centrais não aceitam a escassez e acabam por aumentá-la.

    Também não reconhecem a complexidade do mundo.

    * * *

  10. Não concordo, apesar da construção de um imóvel demandar a necessidade da tecnologia, de serviços e materiais a terra deveria ser uma garantia fundamental dos seres humanos. É desumano privar um qualquer pessoa do direito de construir sua própria moradia éramos mais felizes no tempo da caverna. Pelo menos nesse quesito.

  11. Lendo isso me veio a seguinte duvida:

    Como era o mercado de trabalho na União Soviética? O trabalho era compulsório? Você nascia (em um hospital público), crescia com sua família (e outras) nesses cubículos fornecidos pelo governo, estudava em uma escola pública (obrigado pelo Estado, para que fosse adequadamente doutrinado) e te “arranjavam” (vá trabalhar ali camarada!) um emprego em algum setor?

  12. Por que tantos artistas são apologistas do socialismo? Um giro pelas utopias socialistas mostra que a primeira coisa que morre no socialismo é a beleza. Nem precisa ir à Europa Oriental para provar a tese. Só vá até a DCE mais próxima. Tudo que é bonito está manchado de preto grafite e coberto de lixo.

  13. Estou achando sensacional o Mises Brasil publicar e republicar artigos definitivos contra o socialismo para comemorar os 100 anos da Revolução Russa.

  14. A esquerda quer ajudar os pobres, mas não abre mão de sítio em Atibaia, Triplex no Guarujá, 9 milhões em previdência privada, dezenas de conteiners em galpão, acúmulo de salários, etc.

    Enfim, socialismo bom é aquele feito com o dinheiro dos outros.

  15. Caramba!

    Percebesse como são parecidos a arquitetura dos apartamentos residenciais da extinta URSS com a arquitetura dos apartamentos residenciais do Brasil.

    Nossos arquitetos parece que tem fetiche pela arquitetura horrenda dos países socialistas!

  16. O mercado é desumano. Encarece os bens no momento em que as pessoas mais precisam.

    Imagine que ocorra um furacão, e centenas de milhares de famílias pobres perdem suas casas. A demanda por moradia aumenta. Neste caso, é legítimo que as hospedarias aumentem o custo de hospedagem em 200%?

  17. Felipe Naltchadjian

    Quando vejo essa crítica direta e oportunista ao modernismo Russo eu fico perplexo pelo simples motivo de que é muito difícil rebater esse argumento com um breve parágrafo ou uma simples frase. Eu que sou arquiteto e urbanista leio e releio a minha Bíblia de cabeceira – A história da Arquitetura Moderna – de Leonardo Benevolo e sempre saio com mais dúvidas do que certezas. O Benevolo usa um termo incrível que define esse tipo de iniciativa onde as cidades se desenvolveram sob a batuta de regimes totalitários. Daí nasceu a expressão “totalitarismo racionalista” e de fato foi quando a arquitetura se perdeu. Não se pode esquecer que em um período de cem anos antes à explosão do modernismo Russo, Hausmann revolucionava as cidades europeias com a reforma de Paris, influenciando governantes das principais capitais do continente a seguirem seu modelo de cidade industrial que nada têm a ver com esse modelo cartesiano adotado pelo comunismo. Os primeiros capítulos do livro de Benevolo inclusive, descrevem a destreza de Hausmann em contornar os devaneios especulativos que por pouco não mudaram o destino urbanístico e arquitetônico da cidade Luz, portanto não é a intromissão do Estado que traz prejuízos ao futuro das cidades, mas políticas equivocadas, apenas. O Estado não precisa estar presente em todas as etapas de conclusão das obras de uma cidade, não precisa ser o dono do imóvel, mas pode negociar a terra, por exemplo. Vejamos o caso brasileiro, onde o Estado só aparece quando a coisa pegou fogo e tudo se concentra nas mãos do setor privado. Surgem absurdos por todos os lados. Onde a lei não permite verticalização, surgem condomínios com casas de catálogos. Do lado de fora, exclusão social, cinturões de pobreza, problemas na infraestrutura, etc. Onde o Estado se mostra ausente, surgem favelas, grilagem, ocupações irregulares dos mananciais, miséria, violência e problemas ambientais generalizados. Há também os modelos de conjuntos habitacionais do tipo torre, que quanto à essência, em nada se diferem desse modelo Russo de super quadras como estampado no artigo original. Em nada ! O que existe de fato como alternativa ao modelo totalitário depende de um conjunto de fatores e uma vontade política capaz de superar os obstáculos rasos criados pelo sensacionalismo barato em torno do comunismo. A forma realmente é muito ruim, o autor acerta a mão em criticá-la, mas não se deve atribuir a culpa ao Estado sem antes monitorar resultados igualmente desastrosos praticados por políticas liberais inconsequentes. No Brasil, sobretudo na cidade de São Paulo, podemos encontrar inúmeros exemplares de tecidos urbanos adoecidos por erros sequenciais cujo efeito não apenas se abate sobre os cidadãos diretamente, mas por criarem raízes cada vez mais profundas, tendem a continuar sua propagação predatória em outras localidades. O vício gera outros vícios !

  18. Lembrando que devido a tanta regulamentação do Estado quanto a moradia, todos os anos temos casos de mortes devido a desmoronamento. e deslizamento de terras em várias partes do Brasil.

    g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2022/02/02/sobe-o-numero-de-mortos-pelas-chuvas-no-estado-de-sp.ghtml

    g1.globo.com/mg/minas-gerais/noticia/2022/01/10/carro-com-cinco-pessoas-da-mesma-familia-e-soterrado-na-grande-bh.ghtml

  19. Eu, na minha ignorancia, acho Brasilia um modelo de concetração urbana. Um lugar onde é facil de se deslocar, onde é facil de achar o que se pocura, um local com espaços bem deliados de trabalho, laser, moradia, que permite cada público se integrar perfeitamente e desenvolver negocios e projetos cuturais. Brasilia deveria ser um marco a inspirar e a ser copiado pelas demais cidades do Brasil.

    Em contraponto, Salvador por exemplo, com toda sua história de quase 500 anos e cultura de luta por liberdade, tem 70% de favelas cheia de becos. Recife sendo a terceira cidade do Brasil com mais edificios, tem quase 70% de favelas com aparencia de maior pobreza que Salvador. Aracajú, planejada, parece uma cidade europeia – o desenvolvimento espalhado por todo o espaço urbano não cria ilhas de supervalorização. Salvador e Recife tendo uma parte digamos mais chique numa faixa em frente ao mar, impõe custos elevadíssimos de aquisição de imoveis neste lugar, reduzindo a integração cultural e comercial entre as pessoas. Ainda criando um mercado de imoveis mediocres nestas areas com preços que se encaixam no orçamento da classe média. O que não ocorre em Aracaju, onde você vê excelentes imoveis a preços justos em qualquer lugar da cidade, como existe opções, existe concorrencia e preço justo. Isto, pq o lugar foi planejado. Deixasse a coisa toda as custas do povo, ou das incorporadoras cartelizadas, seria Aracaju igual Recife e Salvador, uma cidde chique em frente ao mar extremamente cara cerca de favelas por todos os lado (exceto o do mar). Tal qual Aracaju-SE, cito também Palmas-TO.

    Eu realmente não acredito que a iniciativa privada pura e exclusivamente, com ou sem regulação do estado, consiga construir cidades valorosas em nosso país. A não ser que, a propria iniciativa privada tenha autonomia para construir novas cidades do zero em locais onde hoje não existem cidades. Mas, aproveitar o espaço que ja existem as cidades e mordeniza-los com fins a criarmos cidades melhores, isso eu nao acredito nao.

    Posso obviamente estar enganado. Mas, do que eu conheço do Brasil, tudo se resume a seriedade de gestão, principalmente publica entre ter a opção de valorizar gerenciamentos urbanos sérios e impor isso aos cidadãos e empresas e entre não faze-los e deixar ao deus dará. Existem locais onde as pessoas são mais educadas, trazem de berço algum padrão de melhora qualidade onde isso se dissemina pela coletividade, pelos poderes públicos e pelos empreendedores. E existem locais onde esses valores não existem. Tudo isso implica em melhor e pior estruturação do espaço urbano desses locais.

  20. Precisei vivenciar várias políticas habitacionais para chegar a uma conclusão: Fuja de governos de esquerda que querem te moldar, te quebram as pernas depois lhes vendem as muletas (estas fabricadas nas indústrias dos companheiros, claro! – nesta analogia, quebrar as pernas é conduzir uma parcela da população à dependência do Estado, e os vendedores de muletas são os hermanos empreiteiros) como solução para o problema. Vou citar exemplos de programas habitacionais que vi com meus próprios olhos:

    1 – anos 1990, governador Joaquim Roriz, asesentamento de Samambaia – DF: Muitos falam mal dessa política, onde o governo fazia doação dos lotes para aquela parcela da população inscrita nos programas de moradia e que cumpria com os pré-requisitos estabelecidos, é certo que houve burla por parte de alguns, mas o que se percebeu ao longo dos anos, foi que esse modelo possibilitou o fortalecimento da economia local, pois, aquele que ganhava seu lote, agora estava ávido por construir seu imóvel, então contratava materiais e serviços da própria região para levantar sua edificação, assim a economia girou e se fortaleceu. Há qu se ressaltar que as estruturas públicas, ruas, avenidas, escolas, hospitais, ficaram à cargo do governos, tanto o que implementou o loteamento, quanto os seguintes;

    2 – anos 2000 – Minha Casa, Minha Vida – Por muitos intitulado de “Minha casa, Minha Dívida”, o programa de governo contou com algumas artimanhas para que o pobre, “dignamente”, pudesse aderir seu tão sonhado imóvel: dilatação do prazo do financiamento, zero de entrada, e subsídio escalonado de acordo com a renda comprovada, e o próprio banco (CEF) realizando os financiamentos. Receita de sucesso para ganhar a confiança daqueles que estavam ávidos por moradia. Porém, os imóveis foram construídos por empreiteiras – geralmente de outra UF – ou seja, a economia local não foi favorecida; verticalizados – menor custo para a empreiteira e os proprietários que se virem pra organizar depois; materiais empregados de baixa qualidade – o empreiteiro quer mais dinheiro no bolso e portanto ele que escolhe o que vai na obra; imóveis menores que a necessidade das famílias – famílias de 5 pessoas residindo em 55m². Além do subsídio que, inflacionou o mercado imobiliário como um todo – as classes mais favorecidas, com patrimônio constituído, foi ao delírio – vc já tinha um imóvel, que se valorizou, e poderia ir ao banco fazer um financiamento para um upgrade, com o prazo dilatado, outro detalhe é que as instituições que fazer essa operação de crédito, têm o cliente por longos anos, oferecendo seus serviços e por consequência lucrando com suas taxas.

    Governos deveriam se meter menos na vida da população, o mercado se ajusta.

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