Nota do IMB
O
fenômeno das favelas no Brasil é complexo e não pode ser explicado de maneira
completa em um simples parágrafo introdutório.
No entanto, Mario Henrique Simonsen, em seu livro 30 Anos de Indexação, fez um excelente compêndio dos
fenômenos. Tudo começa com a destruição
do poder de compra da moeda.
Com
a inflação monetária e a consequente carestia se tornando galopantes ainda no
fim da década de 1950, a contabilidade das empresas e dos bancos tornou-se
extremamente distorcida (fenômeno detalhado neste artigo). Por causa do rápido aumento dos preços, as
receitas se tornavam nominalmente maiores em um curto período de tempo e,
consequentemente, prejuízos operacionais se transformavam em lucros ilusórios,
os quais eram pesadamente tributados. Simultaneamente,
o próprio custo de reposição de ativos aumentava acentuadamente. Isso foi aniquilando o capital de empresas e
bancos.
Como
consequência, os bancos reduziram a oferta de crédito, principalmente para a
aquisição de moradias, chegando ao ponto de, em 1963, a concessão de um
financiamento para a compra de um pequeno apartamento pela Caixa Econômica
Federal depender da expressa autorização do presidente da República.
Com
isso, os edifícios residenciais passaram a ser construídos por meio do
autofinanciamento dos condôminos, fenômeno que se manteve até meados da década
de 1990. Nesse arranjo, os prazos de
término das obras eram continuamente esticados, o que encarecia seus custos.
Para
completar, o incentivo ao investimento em imóveis residenciais para aluguel foi
destruído pelas sucessivas leis do inquilinato, que prorrogavam por prazo
indeterminado os contratos de locação residencial, determinando o congelamento
ou o semicongelamento dos alugueis.
O
resultado foi a atrofia da indústria da construção civil e a proliferação das
favelas, como manifestação ostensiva da crise habitacional.
O
artigo a seguir, embora não aborde este assunto, mostra um relato extremamente
interessante sobre o empreendedorismo das pessoas que foram prejudicadas por
essas políticas estatais e que, por total falta de opção, foram empurradas a
morar em favelas
___________________________________________
Uma
das características dos socialistas é oferecer provas contra si mesmos, seja
por meio de seus governos, seja por meio de seus discursos e livros.
Eles
próprios se encarregam de deixar bem claro o quanto são incompetentes,
delirantes e contraditórios, muitas vezes evidenciando o quanto são incapazes
de enxergar que muitos dos fenômenos sociais que eles enaltecem fazem parte, na
verdade, do argumento liberal, não do discurso socialista.
Acabei
de ler Um
País Chamado Favela, livro escrito por Renato Meirelles e Celso
Athayde.
Não
perderei o meu tempo falando sobre as primeiras 25 páginas (o livro tem 167)
dedicadas à tentativa de implantar no leitor adjetivos elogiosos ao livro antes
mesmo dele o ler. Não perderei meu tempo debochando das apresentações assinadas
por “grandes intelectuais brasileiros”, tais como Preto Zezé, MV Bill e…
Luciano Huck! Também não perderei tempo enumerando as distorções na leitura da
história recente do Brasil. Comprei o livro por causa das estatísticas que os
autores oferecem.
Resumidamente,
para 96% dos moradores das 63 favelas pesquisadas, não foram políticas públicas as responsáveis pela melhoria da
qualidade de vida. Para 14%, a família foi a causa, para 40% foi Deus o
responsável e para 42% a melhoria de suas vidas foi obra tão somente de seus
próprios esforços, ou seja, aquilo que os liberais gritam todos os dias — a
potência do indivíduo!
Além
de dados, a pesquisa que gerou o livro também oferece relatos de
empreendedorismo dentro de comunidades distantes das ações estatais,
salientando que foi justamente a distância entre indivíduos e governo que os
tornaram fortes e criativos:
Os jovens, em particular, são filhos e netos
daqueles cidadãos abandonados e maltratados pelo Estado. Criados a partir dessa
memória familiar recente, não enxergam o governo, qualquer que seja, como
provedor de bem-estar. Não raro treinados em modelos espartanos de
sobrevivência, convertem-se em homens e mulheres particularmente resilientes
que aprendem, enfrentam preconceitos e fazem acontecer.
O
que pode ser mais libertário do que isso?
A
despeito dos dados e testemunhos que comprovam que o pobre não é nenhum
incapaz, os autores se esforçam em tentar nos fazer crer que a melhoria na
qualidade de vida nas favelas foi obra do PT, chegando a afirmar, por exemplo,
que seus moradores só puderam planejar melhor suas vidas quando começaram a
receber contracheques impressos.
Segundo
eles, não foi o fim da inflação e a estabilidade econômica que possibilitou que
pessoas de baixa renda tivessem acesso ao crédito, mas sim um pedaço de papel.
Num
dos capítulos, Renato Meirelles assume a narrativa para falar sobre a
trajetória de seu parceiro, Celso Athayde, começando com a seguinte frase: “Ele
não aprendeu com Keynes ou com Amartya Sen, mas com a vida, tocando pequenos
negócios no vasto universo de excluídos e daqueles em processo de inclusão”.
Sim,
ele cita dois gurus do socialismo para ilustrar a trajetória liberal de uma
pessoa que abre caminho por si mesmo na sociedade e que, voluntariamente,
direciona seu trabalho para os interesses das comunidades mais pobres,
explicitando, portanto, que os socialistas não conseguem sequer distinguir
socialismo de liberalismo.
Darei
um ajuda: oferecer seu tempo, seu trabalho, seu dinheiro ou apenas seu
interesse aos pobres não faz uma pessoa socialista. Uma pessoa se torna
socialista quando ela passa a cobrar que o Estado obrigue outras pessoas a
fazer caridade, exigindo que os mais ricos, apenas por serem mais ricos, devam
aceitar que o governo lhe tome dinheiro para supostamente dar aos pobres apenas
por estes serem pobres.
A
trajetória “social” de Athayde, relatada por Renato, culmina na criação da Favela Holding, iniciativa responsável
pela criação de um shopping center
dentro do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, empreendimento de R$ 22
milhões.
Os
autores desconhecem que isso se chama iniciativa privada e voluntária, o
pilar do liberalismo. Ignoram que qualquer iniciativa desse tipo, se fosse
empenhada pelo estado, custaria 10 vezes mais e ofereceria serviços ruins.
Ignoram que o sucesso de empreendimentos como os citados no livro se deve
principalmente por serem iniciativas de pessoas comuns e que, por isso, têm
mais condições de saber o que pessoas comuns precisam — o que o estado nunca
conseguirá saber.
No
livro, constam também outros casos, como o de Elias Tergilene, que começou a
vida vendendo esterco e que hoje tem diversos empreendimentos comerciais em
regiões degradadas de Belo Horizonte. A despeito do discurso “social”, Elias
apenas pensou empresarialmente, o que lhe possibilitou descobrir um novo nicho
de mercado. Pergunto: ele foi obrigado pelo governo a investir seu trabalho e
seu dinheiro na favela? Não. Foi ele, por iniciativa própria, que enxergou as
oportunidades comerciais que essas regiões guardam e que criou um modelo de
negócio adequado ao perfil de seus moradores. Isso não é socialismo. Isso é
capitalismo.
Em
vez de esperar pela ajuda do estado, o indivíduo tratou de, ele mesmo, fazer o
que acreditava que deveria fazer. Livre iniciativa. A mesma livre iniciativa da
também citada Vai Voando, empresa de venda de
passagens aérea que, a exemplo de Elias, costurou um modelo próprio de negócios
que, visando o lucro, possibilitou que dezenas de milhares de pessoas tivessem
oportunidade de viajar de avião.
A
mesma pergunta: foi o estado que obrigou essa empresa a oferecer produtos e
serviços mais baratos aos mais pobres? Não!
Reconhecendo
o potencial das favelas — a despeito da ausência do estado –, os autores
chegam a escrever: “Ali, portanto, por necessidade e vocação, funcionam alguns
dos melhores laboratórios do país em termos de prática empreendedora”. Quando
um liberal fala isso, ele é tachado de maluco — “Impossível um favelado se
erguer sozinho!”, gritam os socialistas –, porém, quando são os próprios
socialistas que atestam essa realidade, a pobreza deixa de ser vista como uma
condenação e passa a ser vista como uma situação reversível a partir do
conjunto de esforços individuais.
O
erro, contudo, está na insistência dos socialistas em pregar que o estado
deveria ajudar os esforços individuais. Não, não deveria. Todas as vezes que o estado
estende sua mão, ele retira do indivíduo a necessidade de ser forte e criativo,
empurrando-o na direção da dependência e da subserviência. Qualquer ação de
caridade deve vir de indivíduos, nunca do estado.
Apenas pessoas (espontaneamente associadas
entre si ou não) têm condições de avaliar a necessidade e o merecimento de
outras pessoas e de acompanhar os desdobramentos de cada ação. O estado não tem
esta condição.
Outra
passagem interessante do livro é aquela em que os autores citam a solução encontrada
pelos salões de beleza quando o governo (sempre ele!) restringiu o
funcionamento dos bailes funk. “A solução foi diversificar os serviços. Quem
fazia chapinha passou a oferecer também depilação. Aos poucos, as melhores
profissionais venceram a crise e passaram a colecionar também clientes do
asfalto, gente moradora de Laranjeiras ou da Gávea”.
E
ainda há quem diga que o mercado não se autorregula, que o mercado não tem
capacidade de, por si mesmo, resolver seus problemas.
O
livro também nos mostra o ponto de vista dos consumidores pobres, desfazendo a
imagem de “coitadinhos humildes” que os socialistas pintam constantemente. Os
moradores das favelas calculam o custo-benefício de tudo; muitas vezes optam
pelos produtos mais caros e têm especial prazer em ostentar marcas famosas por
reconhecerem o valor agregado de seus produtos. Os dados expostos no livro
comprovam que o “desapego material” e a busca pela “vida simples” não passa de
um fetiche existencial da burguesia socialista. O pobre quer ser patrão. O
pobre quer ser independente. O pobre gosta de luxo e quer passar férias nos
Estados Unidos, não em Cuba.
Vale
ressaltar também que um favelado só tem o poder de escolher o que consumir
porque existe uma complexa rede de interesses individuais que sustentam
incontáveis empresas que brigam entre si pela preferência até dos mais pobres.
Sem
perceber, os autores reconhecem que, enquanto a “benevolência” do estado não
chega a esse grupo de pagadores de impostos, os favelados, o “capitalismo
opressor” sobe o morro com suas farmácias, supermercados, serviços de internet
e de TV a cabo, lojas de eletrodomésticos, de computadores, de celulares e de
material de construção.
Os
autores do livro chegam a registrar casos de megacorporações internacionais,
como a P&G, que, voluntariamente, vão à favela oferecer produtos e serviços
gratuitos como estratégia de divulgação de suas marcas — “Malditos
capitalistas!”.
A
infelicidade do livro é a insistente interpretação ideológica da realidade — a
capacidade dos indivíduos de se levantarem por si mesmos –, tentando nos fazer
crer que a favela precisa de estado, muito estado, estado em tudo; e que essas
comunidades devem ser protegidas, vejam só, dos interesses dos capitalistas.
Este
livro é um ótimo documento sobre o autobloqueio de grande parte dos socialistas
em reconhecer a potência humana; fazem questão de não enxergar que o único
papel que o estado assume é o de tornar a vida das pessoas mais cara,
complicada e perigosa.
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Leia também:
Contra o Homo Proletarius –
a ascensão dos pobres pelo empreendedorismo
A dignidade se dá por meio
da produção
A coragem se dá por meio do
empreendedorismo
Capitalismo para os ricos,
socialismo para os pobres
Eu nasci e fui criado em uma favela. Quando comecei a ler sobre escola austríaca e teorias libertárias, eu pensava “Brother! Essas coisas já ocorrem na favela.”
A favela é propagandeada como algo a ser evitado, como um lugar ruim de se viver e muitos não entendem o motivo delas serem cada vez maiores e surgirem com mais frequência. Entretanto, as pessoas não entendem que a favela proporciona o crescimento do mais necessitado, justamente por não ter muita interferência do Estado.
Excelente, talvez até compre o livro sabendo que posso tirar algo de útil nele.
Fico só pensando se o livro tivesse sido escrito por um liberal. Por um lado teríamos uma análise muita mais rica, mas por outro o livro seria classificado como mera propaganda ideológica.
Falar mal do Capitalismo é lucrativo, deixa os caras lucrarem com o negócio deles!
Fez lembrar de uns comentários ontem ou antes de ontem, aqui no Mises, sobre a suposta utopia de um lugar sem estado e como a favela seria um exemplo ou não. Esse livro responde a todas essas perguntas e deixa claro que o anarcocapitalismo é viável e a melhor solução.
Compram eletrodomésticos elegantes, são mercado consumidor e produtores de serviços cobiçados e podem ter de tudo que o restringido “capitalismo à brasileira” oferece. Eles mesmos constroem domicílios na favela e garantem seus direitos de propriedade – vá a qualquer favela e há gente construindo, alugando e vendendo casas ilegalmente bastando uma conversa com os locais para ter ciência da identidade de proprietários – oferecem moradia a quem quer começar uma nova vida (casas que são violados pelo Estado mais tarde por interesses paralelos pois não possuem seus documentos oficiais – e ainda há aqueles que têm a audácia de responsabilizar o estado pelo respeito à propriedade privada – para quem mora por lá, agentes do estado são bárbaros aos portões).
E os próprios habitantes de lá tentam se defender do estado: http://www.instituto-atlantico.org.br/pt/projetos/cantagalo/apresentacao (O projeto Cantagalo vem tentando regularizar os imóveis da favela para evitar invasões do leviatã).
Podem comprar e oferecer todos os serviços do cidadão de baixo. Porém não podem ter água encanada e nem limpeza da prefeitura de seus suprimentos d’água. Responsabilizar o Estado pelo sucesso destas pessoas é um ultraje – por ele, ninguém de lá tomaria banho.
Estudei com o Renato Meirelles na faculdade de publicidade da FAAP, Pouco burguês. ( formados em 2003 ).
Em meu primeiro contato com ele, no primeiro dia de aula, no cafe copernico, dentro da faculdade privada mais cara do brasil, ele, fez questão de me dizer, de cara sem, ser perguntado, que seu maior ídolo, era o grande Jose Dirceu. O cara ! em suas palavras.
Depois dessa não tive grandes expectativas sobre o colega Renato, conhecido na classe como Renato Bunda ou mr. tv senado.
Muito mais velho que o resto da classe ele sempre tinha 02 perguntas para os professores e palestrantes, nunca 01 sempre 02.
Fico feliz em ver o estatus de guru da classe C que ele atingiu, pois para Renato Bunda a maior alegria é ser reconhecido.
Qualquer um da classe confirma minhas informações.
Existem pessoas que tem receio das teorias libertárias por não enxergar um exemplo prático, aí que entra a favela.
Quem constrói casas na maioria dos casos são pessoas onde o aprendizado da função se deu de forma totalmente informal, sem regulação do estado. Ou seja, é pedreiro por conta própria. Nem por isso as favelas se desmoronam, e se acontecer um caso do tipo, o autor da obra tem sua vida profissional condenada.
Então temos uma certificação de 2 lados, onde o bom pedreiro vai se qualificar e tomar cuidado para não fazer um trabalho ruim, pois sabe que isso pode condenar seu negócio. E o cliente, que sabendo que se trata de um empreendimento de alto risco, busca certificar que o profissional é bem qualificado, se já construiu outras casas antes, busca recomendação de amigos e etc.
Outra questão é sobre lei e ordem. Alguns perguntam como seria o caso de um lugar sem uma polícia, sem lei, sem um poder absoluto para organizar as pessoas. Na favela você não pode ligar para a polícia para denunciar o som alto do seu vizinho, então não existe o Estado com suas leis. Nem por isso a favela é cheia de caloteiro, assassinos e estupradores. Óbvio que existem conflitos, impasses e contendas, mas tudo é resolvido internamente.
Antes que pensem em traficantes substituindo a polícia nessa função:
1- Traficantes tem poder coercitivo não legitimado pelos moradores
2- Traficantes buscam proteger seu negócio, quanto menos interferir em outras questões, melhor pra eles
3- Traficantes não oferecem auxilio gratuito, quem pede ajuda fica em dívida (que é cobrada de forma arriscada). Logo a maioria da população evita negócios com traficantes, e evitam quem tem negócios com traficantes.
Infelizmente a favela não é um lugar 100% sem estado, seria muito melhor se fosse.
Outro ponto interessante é que muitos olham a favela como um lugar onde a qualidade de vida é ruim, e dependendo de quem estiver olhando, realmente não é desejável. Mas é uma análise errada, para ver o benefício da favela, tem que analisar em quais condições o indivíduo estava ao chegar na favela e quais foram as condições que ele chegou após se estabelecer nela.
“Reconhecendo o potencial das favelas — a despeito da ausência do estado —, …”
Tem tanto potencial, que se não for dominada por traficantes, será dominada por milicianos. Não existe essa liberdade empreendedora em toda parte. Onde existe, é porque o autoritarismo voluntário, também anti-estado, ainda não se instalou. O texto é excelente, mas parece que não aborda a falta de segurança nestes ambientes, e os “impostos” que sõa cobrados na boca do fuzil.
João, uma pergunta de quem provavelmente não entendeu o texto: pela descrição e citação dada, não me parece que os autores do livros propoem mais intervenção do estado ou socialismo, ou criticam o capitalismo. Pela sinopse dada pela livraria cultura também não. Talvez deixei passar algo despercebido? Há algumas citações do livro que mostre isso?
(É uma dúvida honesta. Não sou estadista, socialista, etc. Sou só mais um que saiu do subúrbio carioca sacrificando muitos fins de semana estudando e trabalhando, ficou desempregado várias vezes e nunca foi pedir o seguro, que descobriu a escola austríaca assistindo Peter Schiff explicar o que acontecia nos USA. Digo essas coisas porque já vi bastante animosidade quando questionam textos aqui)
Tempos atrás vi num programa de TV (não me lembro qual) que numa cidade do interior paulista (não lembro o nome) a sociedade civil resolveu atuar na reintrodução do ex presidiário na vida comunitária da cidade. Juntaram-se empresários e outras pessoas e passaram a oferecer emprego e apoio aos egressos do sistema prisional que havia no município. O resultado foi um altíssimo índice de recuperação, algo espantoso quando comparado com o que acontece com o resto do país.
Quando o Estado entra a sociedade civil sai.
Não gosto da ideia de usar como “exemplo” favelas como lugares com pouca intervenção estatal.
Imagina explicar para um cidadão comum as vantagens de um estado menos intervencionista e vc utilizar o exemplo de uma favela ?. Acho que não vai trazer boas conotações.
Ademais, concordo com o colega que disse que as favelas estão longe de estarem totalmente livres da intervenção estatal. Além do mais, as próprias milicias e traficantes agem como um estado paralelo lá dentro.
Fugindo um pouco do assunto do texto, mas hoje saiu uma notícia de que o estado de Indiana nos EUA aprovou uma lei de liberdade religiosa que dá aos indivíduos a liberdade de não querer vender um determinado produto a uma pessoa por conta da religião.
Como a EA veria isso?
Wellington Kaiser, palestrante do proximo seminário de Escola Austríaca?
Engraçado (e contraditório) que sempre que algum morador de favela tem espaço para expor suas ideias na “grande mídia” é sempre adotando o discurso de vitimização e dizendo que o estado não chega lá em cima com os serviços básicos e que eles são esquecidos pela esfera pública e blá blá blá…. Ou seja, eles clamam por estado… Eles querem, eles pedem… A postura é de quem apenas empreende para poder sobreviver sem a ajuda do estado… Se esse pessoal é beneficiado pelo estado mínimo, acho que eles ainda não possuem essa noção…
A “Favela” não tem NADA A VER com algum formato ideal de Anarco-Capitalismo que tantos desejam.
A Favela nada mais é do que a incompetência do Estado em prover os cidadãos com suas necessidades, e deixa isto acontecer com uma espécie de “Compensação”.
Em muitos casos, a favela se origina de um terreno em que pertence ao Estado, mas que antes, era uma propriedade privada, e que foi tomada a força pelo Estado, seja por n motivos. Já começa aí a contradição.
Para o Estado, principalmente o bananense, imóvel tem “função social”, ou seja, até o Estado aceita perder propriedade para colaborar com este ideal.
Sem contar que, quanto mais indivíduos, mais eleitores, e maiores chances de se perpetuar o poder dominante, não importa os embustes pra isto.
O morador da favela quer usufruir os mesmos benefícios do morador do “asfalto”, mas como o Estado ainda não vai oferecer este serviço, muitos vão obter seja pelo roubo chamado “gato”, socializando os prejuízos com os pagadores deste serviço, seja por coerção, como por exemplo, ameaças para uma extensão de luz ou água, vindas de um morador do “asfalto”.
Quando o Estado finalmente consegue oferecer os serviços básicos, o morador usa a “vitimização social” para conseguir preços mais baixos, socializando novamente os prejuízos.
É conseguido também, algumas melhorias estruturais, e diante de alguma tragédia, socorro e assistência imediata, todos vindo do Estado, todos socializados pelos pagadores de impostos.
Ou seja, anarco-capitalismo mesmo, somente em trocas voluntárias, e olhe lá, pois dependendo da favela, a milícia ou o tráfico impõe restrições dignas de capitalismo de Estado.
O socialista é uma pessoa naturalmente mentirosa. Além de distorcer completamente a realidade em que “observa”, tenta por todos os meios possíveis convencer pessoas ignorantes a defender o seu distorcido ponto de vista. Além disso, o socialista tem mania de ditadura, o que faz dessa pobre pessoa uma amante do estado e, consequentemente, do atraso geral da sociedade.
Tem um vídeo da Marilena Chauí em que ela expressa indignação pelo fato de que muitos brasileiros acreditarem que sua situação econômica melhorou devido aos seus próprios esforços e não devido aos programas governamentais.
A ideologia definitivamente possui o poder de fazer as pessoas enxergarem o oposto do que estão vendo… Ah, não! Esqueci que, segundo os marxistas, o marxismo não é uma ideologia, apenas o liberalismo e o conservadorismo!
* * *
Outras livrarias para comprar esse livro:
http://www.buscape.com.br/prod_unico?idu=1857312939&ordem=prec#precos
* * *
O Professor Doutor em neurociência, Carl Hart, apresenta sólidos resultados experimentais sobre como o capitalismo brasileiro promove apartheid social. Duvido que vocês libertários possam refutar os resultados do professor Hart com argumentos aprioristicos!
http://www.bbc.com/portuguese/brasil-40039961
Como o Alberto já explicou, o tal “capitalismo brasileiro” pelo fato de ser a mescla bizarra de intervencionismo estatal, clientelismo, protecionismo, e keynesianismo fiscal e monetário vai gerar o tal apartheid social mesmo.
Mas é sintomático que o apelo à autoridade ainda esteja tão em voga entre os comentadores: “professor”, “doutor”, “professor doutor”, “professor doutor em neurociência”, minha nossa. O pessoal deve ter alguma frustração quanto a isso.
Sabe o quê isso me parece? Parece argumento de petralhas frustrados com a adjetivação que os coxinhas de 1989 davam ao político molusco nas eleições presidenciais daquele ano, de “analfabeto”, em contra-oposição à formação do seu sacrossanto candidato, o carateca piloto de jet ski, Fernando Collor (aliás, um baita “doutor”, hein? Economista, formado, com diploma e tudo. Pena que não serviu para nada). Aí, o quê acontece? O petralha frustrado passa sua vida em busca de “heróis” esquerdistas que advoguem suas pautas e depois vem com a mesma empáfia dos coxinhas colloridos daquelas épocas vomitar sua “autoridade”: “o doutor fulano falou isso”, “o professor doutor ciclano comentou aquilo outro”, putz. Isso é tão demodê, tão Guerra Fria… parece discurso da Marilena Chauí…
E, de mais a mais, difícil levar a sério um cidadão que se envolveu com crimes e drogas (coisas tão caras aos coxinhas que ficam sambando na Av. Paulista), e ainda teve um filho que nem sabia que tinha – e que também se envolveu com crimes e drogas (aliás, nisso os petralhas e coxinhas vão concordar – enquanto os coxinhas vão usar isso como um demérito, os petralhas vão elencar o mesmo fato como uma prova inconteste de alguém que conseguiu “vencer as agruras do capitalismo fascista burguês racista neoliberal e se tornar um professor doutor em neurociência”…), complicado isso…
O quê o pessoal deveria entender é que o cidadão pode ser o ganhador da Medalha Fields, mas se ele disser que 2 + 2 = 5, isso NÃO será verdade porque ele tem a “autoridade” do título.
Será que é tão difícil de entender isso?
No mais, dane-se o apartheid social: a gente já vive “apartado” de qualquer jeito mesmo. Graças ao “capitalismo brasileiro” que o “professor doutor em neurociência”, oh, descobriu que gera esse fenômeno e o Alberto aí explicou exatamente o porquê.
Cada um que aparece…
Não sou nenhum defensor de Estado grande, mas tenho razões para crer que a falta de um Estado forte no que se refere ao poder de determinar diretrizes territoriais, em geral, e urbanísticas, em particular é uma tradição nossa.
A literatura especializada demonstra que a falta de Estado, o laissez-faire urbanístico característico do mundo em desenvolvimento, provoca incentivos para que as moradias se amontoem e produz escassez extrema de espaços públicos.
A desordem, a falta de espaços de uso coletivo e a alta densidade das favelas são resultado da inação dos Estados em matéria de política e controle da ocupação territorial.
Para uma referência que desenvolve o argumento recomendo Shlomo Angel — “Planet of Cities”.
O maior problema das favelas é se livrar de milícia/tráfico e do monopólio dos cartórios.
De poder ter mais segurança e garantias jurídicas, tanto sobre suas integridades fundamentais, como sobre seus direitos de propriedade.
Com isso resolvido – e não passa somente por menor(não) intervenção estatal, mas tb de uma educação focada em ética e moral – a prosperidade dessas regiões será possível.