Um
grande problema econômico enfrentado pelo mundo é de ordem semântica. O termo “regulação” passou a significar
apenas “regulação governamental”.
Aparentemente, ninguém parece estar ciente da alternativa: regulação por
meio das forças de mercado.
Trata-se
de um grande problema porque isso leva as pessoas a aceitarem acriticamente —
e sem se dar ao trabalho de pensar em alternativas — enormes e variadas
intervenções estatais que, no final, não apenas pioram e encarecem os produtos
e serviços, como ainda beneficiam
justamente os empresários mais ineficientes.
Todos
nós queremos vivenciar aqueles objetivos almejados pela regulação, como qualidade
decente, confiabilidade, preços razoáveis para os bens e serviços que
adquirimos. Só que, ao julgarmos que a
regulação governamental é a única maneira de obter tudo isso, acabamos sendo
submetidos a uma vasta quantidade de restrições e decretos que não apenas são
desnecessários e errôneos, como também são contraproducentes, pois privilegiam
justamente os piores e mais incompetentes.
A
realidade é que a regulação governamental não é o único tipo de regulação. Mais ainda: não apenas não é o único tipo,
como é o pior dos tipos existentes.
Regular,
como o próprio termo indica, significa tornar algo normal e ordeiro; significa
manter um padrão; significa controlar de acordo com as regras, assim como um
termostato regula a temperatura de uma geladeira ou de um ambiente refrigerado
por ar-condicionado.
Quando
se trata de regular o mercado, as próprias forças inerentes ao mercado fazem
isso. Quando o mercado é livre — isto é, quando não
há obstruções governamentais à entrada de concorrência — as forças do mercado
regulam o próprio mercado continuamente.
Quando
não há regulamentações que impõem barreiras à entrada da concorrência no
mercado (via agências reguladoras), quando não há subsídios a empresas
favoritas do governo, quando não há protecionismo via tarifas de importação
abusivas, e quando não há altos tributos que impedem que novas empresas surjam
e cresçam, as forças concorrenciais do mercado se encarregam de,
automaticamente, fazer sua própria regulação.
Nesse
cenário, quando empresas concorrentes oferecem um bem ou um serviço que elas
imaginam ser de grande valor para os consumidores, os próprios consumidores
voluntariamente escolhem entre as várias opções disponíveis, o que faz com que
as empresas concorrentes reajam de acordo com essas decisões dos
consumidores.
Esse
processo é o regulador do mercado.
Os mercados regulam os preços
Um exemplo de regulação de mercado tão onipresente que muitas pessoas nem
sequer a percebem é a maneira como as forças do mercado regulam os preços. Em setores robustos e relativamente livres de
intervenções estatais — como o setor de padarias, de restaurantes, de
fabricação de clipes de papel, e de produtos eletro-eletrônicos –, as forças
de mercado são as únicas reguladoras dos preços.
Os termos de troca oferecidos por alguns vendedores restringem os termos de
troca que outros vendedores poderão oferecer.
A questão é simples: qualquer empresa — seja uma padaria, seja uma loja de
aparelhos eletro-eletrônicos de última geração — vai cobrar para os seus
produtos o maior preço que puder, que seja consistente com o maior lucro
possível. Duas coisas colocarão um teto nesse preço máximo: a
concorrência e a disposição dos consumidores em aceitar os preços praticados
(fenômeno esse chamado de ‘valoração subjetiva dos consumidores’).
Para todo e qualquer empreendimento, são os consumidores que, em última
instância, decidirão o preço máximo que estão dispostos a pagar por esses
produtos.
Se a modesta padaria perto da minha casa está cobrando $50 por um quilo de
picanha, então o mais luxuoso supermercado do bairro não poderá cobrar um preço
muito acima desse e, ainda assim, vender um grande volume de picanha. Tampouco as mais humildes mercearias
conseguirão fazer isso. Todos irão
cobrar praticamente o mesmo preço.
O mesmo raciocínio se aplica também a barbearias, manicures, oficinas
mecânicas, borracharias, lava-jatos e restaurantes a quilo (excetuando-se, é
claro, aqueles restaurantes voltados especificamente para os clientes de maior
poder aquisitivo).
Haverá uma forte regularidade nos
preços de todos esses bens e serviços.
Essa regulação é efetuada à
medida que cada vendedor reage às ações de seus consumidores e concorrentes.
A única força que pode perturbar essa regularidade e gerar contínuos aumentos
nos preços é o governo, seja por meio de suas políticas de expansão do crédito
— o que aumenta a quantidade de dinheiro na economia e pressiona os
preços –, seja por meio de políticas que provocam desvalorização da taxa de
câmbio.
(No Brasil, o encarecimento do dólar afeta desde o preço do pão — pois o
trigo é uma commodity internacional cotada em dólar — aos preços dos aluguéis
— que são reajustados pelo IGP-M, que por sua vez é afetado pela cotação do
dólar –, passando por absolutamente todos os alimentos e remédios. Toda essa carestia, obviamente, afeta os
preços cobrados no setor de serviços).
Os mercados regulam a qualidade
O mesmo raciocínio vale para a qualidade.
Você não irá comprar, em uma padaria, uma picanha que não esteja fresca
caso acredite que irá conseguir uma de melhor qualidade no supermercado mais
próximo. Os comerciantes até gostariam
de conseguir vender uma picanha do mês passado que já esteja se deteriorando,
mas os consumidores, em conjunto com o interesse próprio dos outros vendedores, não deixarão isso
ocorrer.
As escolhas dos consumidores e as ações dos concorrentes restringem (isso é,
regulam) até mesmo a qualidade dos produtos que serão colocados à venda — para não falar dos que realmente serão
vendidos –, pois os consumidores irão denunciar e falar mal daqueles
estabelecimentos que vendem produtos de pior qualidade em relação aos
outros.
Em um mercado concorrencial, nenhum estabelecimento pode se dar ao luxo de
desapontar ou de tentar ludibriar os consumidores. Sendo assim, eles são obrigados a manter uma
qualidade decente, mesmo que não queiram.
Dessa maneira, as forças do mercado regulam a qualidade.
A regulação do governo afeta a
regulação do mercado
Toda essa regulação feita pelas forças do mercado se torna mais débil à
medida que o mercado se torna menos livre.
Imagine um supermercado que detenha um monopólio legal — isto é, impingido
pelo governo — sobre a venda de picanha.
Tal estabelecimento, na ausência de concorrência, poderá cobrar uma enorme
variedade de preços, oferecer uma enorme variedade de qualidade, e ainda assim
conseguir vender.
Legalmente, seus consumidores simplesmente não teriam alternativas para onde
ir.
O mesmo ocorreria se houvesse concorrência entre os supermercados, mas restrições
sobre a importação de produtos, seja por meio de tarifas protecionistas, seja
por meio da desvalorização da taxa de câmbio: a pressão sobre os produtores
domésticos para manter a qualidade e conter os preços seria reduzida. Ou seja, a qualidade e o preço são menos
regulados quando há obstruções à importação.
A liberdade de trocas faz com que a regulação exercida pelas forças de
mercado seja robusta. Quando há
concorrência entre supermercados e estes são livres para vender todo e qualquer
tipo de produto, de modo que os consumidores podem optar onde comprar ou
simplesmente não comprar, os preços e a qualidade dos produtos são estritamente
regulados. Essa benéfica regulação por
meio das forças de mercado se enfraquece à medida que o mercado se torna menos
livre.
É por isso que você consegue qualidade em restaurantes e padarias, mas não
consegue no mercado de telefonia celular, no mercado bancário, no mercado
aéreo, no mercado elétrico, no mercado de postos de gasolina etc., pois todos
esses são estritamente regulados pelo governo via agências reguladoras.
O que nos leva a um paradoxo: quanto menos um mercado é regulado — aliás,
esse não é o melhor termo; quanto menos um mercado é restringido — pelo governo, mais ele é regulado pelas forças do
mercado. Inversamente, quanto mais
restrições governamentais, menor é a regulação pelas forças do mercado. Há um trade-off direto entre
ambos.
Nunca haverá uma escolha entre regulação e ausência de regulação. Sempre haverá uma escolha entre dois tipos de
regulação: regulação feita por políticos e burocratas, ou regulação feita pelas
forças do mercado. Regulação feita por
decretos, ou regulação feita pela liberdade de escolha.
E quem exerce as “forças do mercado”?
Somos nós. Você, eu e todos os
cidadãos. Nós é que decidimos, por meio
de nossas decisões de comprar e de se abster de comprar, qual indústria
sobrevive, qual deve ser extinta e qual deve trocar de gerência. Não é nada complicado. Se houver alguma política mais eficaz e mais
ética do que essa, favor avisar ao mundo sobre essa revolucionária descoberta.
Não existe algo como um livre mercado desregulamentado. Se um mercado é livre, então ele será
estritamente regulado pela liberdade de escolha de seus participantes. As ações de cada consumidor restringem e
influenciam as ações de empreendedores, de modo a fazer com que essas ações
sejam regulares e constantes — isto
é, relativamente previsíveis, ocorrendo entre limites compreensíveis.
Conclusão
Nenhum livre-mercadista nega a existência de empreendedores salafrários; nós
apenas acreditamos — e para isto baseamo-nos na sólida teoria econômica —
que, quanto mais livre e concorrencial for o mercado, mais restritas serão as
chances de sucesso de vigaristas, e mais honestas as pessoas serão forçadas a
se manter. E elas terão de ser honestas não por benevolência ou moral
religiosa, mas sim por puro temor de que, uma vez descobertas suas trapaças,
elas serão devoradas pela concorrência, podendo nunca mais recuperar sua fatia
de mercado e indo a uma irrecuperável falência.
Por outro lado, quanto maior for a regulamentação governamental sobre um
setor, mais incentivos existirão para a corrupção, para o suborno, para os
favorecimentos e para os conchavos. Em vez de se concentrar em oferecer
bons serviços e superar seus concorrentes no mercado, as empresas mais
poderosas poderão simplesmente se acertar com os burocratas responsáveis pelas
regulamentações, oferecendo favores e, em troca, recebendo agrados como
restrições e vigilâncias mais apertadas para a concorrência.
A regulação governamental não é o único tipo de regulação possível; as
forças do mercado também regulam.
Reconhecer isso, comunicar isso a terceiros, fazer com que o público
esteja ciente disso, e colocar isso em debate são medidas essenciais para que
haja uma maior liberdade econômica.
Os benefícios dessa mudança semântica — expandir o significado de
“regulação” para incluir nele a “regulação pelas forças do mercado” — são
equivalentes a perguntar qual funciona melhor.
A regulação por meio das forças de mercado funciona melhor, mas esse é
outro argumento. O primeiro passo é
reconhecer que as forças de mercado também regulam.
Mais um artigo simples e direto…..o difícil é a população se inreressar por isso.Enquanto tiver pessoas achando que o governo é obrigado a dar a elas o que elas pressupõe que tem direito,sendo as pessoas responsáveis por suas escolhas,esse estado continuara e ainda mais forte.
Como sempre, um excelente artigo!
Mas agora fiquei com uma pulga atrás da orelha, qual é a posição do IMB quando a regulação da mídia, proposta pelo governo? (
http://www.cartacapital.com.br/politica/regulacao-da-midia-nao-e-censura-dizem-especialistas-7324.html )
Procurei no site e não achei artigos relativos ao tema.
Essa questão da terminologia “regulamentação governamental” é importante. Alguns dias atrás, estava eu a discutir justamente sobre regulamentação governamental quando esbarrei no assunto CONAR. Ora, foi de pronto que a outra parte bravejou dizendo que o CONAR não era do governo, mas autorregulamentado. De fato, é verdade. Tive que corrigir dizendo que minha argumentação era sobre qualquer regulamentação paragovernamental. É um órgão que interfere na lógica do mercado.
A outra parte se negava a aceitar que o CONAR é uma entidade ruim para o país, pelo simples fato de não ser uma entidade governamental. Seu argumento era mais ou menos assim: “se você alega que o mercado, composto de pessoas da sociedade, regula normalmente todas as propagandas, o CONAR também é formado por pessoas da sociedade, e não configura intervenção estatal; é mais obra da sociedade unida que uma ‘ditadura’ ou coisa do tipo”. Tentei desmontar a tese de todo jeito, crivando com exemplos de campanhas publicitárias que deram errado, como o caso da Benetton, onde a marca sofreu um resultado negativo (curto, é fato) devido aos apelos de suas propagandas no mundo todo. Mas esses esquerdistas são “cabeças duras”.
Faço aqui um apelo: já ali aqui no mises.org.br alguns artigos falando dos efeitos da regulamentação da propaganda, mas não há um artigo específico direcionado para o CONAR*, sobre como ele é uma interferência nas leis de mercado, da mesma forma que argumenta este artigo onde insiro o comentário.
*Fiz uma busca com o termo “CONAR” e não veio resultados.
Ultima vez que o mercado se autorregulou foi na crise de 29 (rs.)
Ironias e clichês a parte. Creio que o único papel que os governos deveriam prestar dentro do mercado é a segurança jurídica e a garantia de cumprimento de contrato feita por ambas partes, como acreditavam os liberais clássicos.
Cada palavra pode possuir diversos sentidos.
Quando vamos dizer algo importante para alguém, pode ser recomendável explicar o que queremos dizer com certas palavras-chave. E antes de responder a uma pergunta ou comentário (“O que você pensa sobre X?”), pedir que ele explique seus termos (“O que é X para você?”).
* * *
Setor de padarias livre? Nas terras tupiniquins, desde 1997, o Inmetro obriga que a venda de pão francês seja por peso. As fabricantes de balança agradecem.
E isso é o que eu lembro de cabeça. Deve haver vários outros obstáculos estatais no setor.
Artigo muito bom pela clareza e simplicidade. Dá para qualquer retardado entender que a intervenção do governo é sempre muito pior do que a intervenção do consumidor. É claro que essa regulação do consumidor não é perfeita, pois depende do nível médio de inteligência, capacidade de análise, percepção etc do consumidor. Exemplo disso é a diferença de qualidade de produtos do primeiro mundo e dos fabricados pela indústria brasileira. Em parte a diferença se deve à intromissão governamental que protege a indústria nativa com altas taxas de importação. Mas isso também ocorre pela baixa exigência do consumidor brasileiro. O mesmo fenômeno ocorre em relação a preços. O brasileiro aceita pagar os preços mais altos do mundo, acredito, quando se trata de adquirir um automóvel. Isso pode ser deduzido a partir do fato de que não é possível explicar a diferença de preços simplesmente pelo nível de impostos mais custo Brasil etc: é a burrice do brasileiro mesmo, que somada aos demais fatores faz com que um automóvel custe cerca de três vezes mais caro do que em qualquer país civilizado.
Como acontece a regulação do mercado de drogas cocaina, crack, prostituição infantil,
Meu monopólio é invencível.
Achei muito interessante o artigo. Mas fiquei receoso da solução integralmente nas mãos do mercado porque, creio, a população não está preparada para lidar com esse tipo de “poder da escolha” quando, em alguns casos, as ideias do empreendedor salafrário (como o autor se refere) é latente e compartilhada por outros empresários. Se todos, num mercado de difícil acesso, por exemplo, se unem para manter um preço em determinada faixa (cartel), como fazer? Como a livre escolha é capaz de sobrepor esse tipo de atuação sem o auxílio de alguma regulamentação ou fiscalização? Pensei de imediato na escolha por produto similar, mas isso não resolveria o problema no curto prazo.
Pessoal,
Sou adepto da diminuição da máquina estatal, não gosto do aparelhamento governamental de empresas estatais. Sonho com um governo mais técnico e com uma democracia mais direta, com intervenção mínima do estado na economia.
Mas aqui reside uma discordância minha no quesito acesso a mercados e troca de informações entre clientes. Isso significa que:
1- Existem mercados com altas barreiras tecnológicas, de conhecimento e de capital muito maiores (como as de telefonia, aviação, petróleo, se comparadas com padarias, açougues e barbearias). Nesses casos, a concorrência, que promove a prestação de serviços de maneira honesta e com qualidade, é muito menor do que nos setores com poucas ou nenhuma barreira de entrada. Nesses casos impera o oligopólio e o desconhecimento do consumidor sobre o que consome;
2- Os clientes não possuem, todos, esse perfil denunciador de produtos ruins, e, para determinada fatia de mercado que seja muito grande, essa comunicação se torna mais dificultosa ainda. Os produtores sempre irão culpar a concorrência por desinformação, assim como os clientes que estejam errados em suas reclamações podem também espalhar desinformação.
3- Algumas falhas técnicas são imperceptíveis ao consumidor, e por isso determinadas falhas em produtos podem causar danos ao consumidor que ele não saiba atestar a origem, principalmente nos casos de produtos em que há muito valor agregado. Além disso, o produtor facilmente coloca a culpa no uso ou em fatores externos, dificultando ainda mais a averiguação confiável das informações por pessoas comuns.
4- O interesse ambiental é difuso, tendo em vista que alguns bens não são privatizáveis, logo não há como garantir a isenção sem uma fiscalização confiável;
Sendo assim, ao meu ver é necessária regulação institucional para que haja informação de qualidade sobre os produtos e que seja pró ativa ao dano ao consumidor. Regulação essa que pode acontecer por agências privadas ou públicas.
Podemos medir os prós e contras de cada tipo de regulação:
1- Agências privadas possuem o interesse no exercício da regulamentação pois suas receitas dependem disso; logo, possuem maior interesse na manutenção de uma boa imagem do que uma instituição pública que sempre existirá, caso o governo queira assim;
2- Agências privadas que são remuneradas pelo mesmo empresariado podem possuir interesse divergente entre manter a integridade das verificações e emitir o certificado, tendo em vista que quem é certificado é quem paga. Mesmo que haja interesse na manutenção da imagem da agência privada, esse interesse entra em conflito com o fator remuneratório. Agências públicas são remuneradas pelo governo e não possuem esse risco de conflito de interesses, mas, como toda instância do governo (alguns diriam, instâncias humanas), é corruptível.
3- Agências privadas possuem maior interesse na melhoria dos seus processos regulatórios, tendo em vista que há interesse em melhoria da qualidade do serviço prestado e eficiência/produtividade para angariar receita. Aliando-se ao fato de que quando há concorrência entre essas agências, as empresas poderão querer se certificar na maior quantidade possível, o que irá atestar a qualidade de determinado produto e ampliar a concorrência e auto denúncia entre as agências concorrentes. Para agências públicas, a melhoria dos processos internos de regulação acontece por imposição política e por remuneração variável, o que dificulta o processo, se comparado às agências privadas.
OBS: Em um governo técnico e com democracia direta, a corrupção e o desinteresse na qualidade da prestação dos serviços regulatórios, bem como a corrupção e ineficiência de toda e qualquer atividade estatal, se tornaria mais difícil, pois o povo poderia demitir o governo ruim, ao passo que votaria as melhores propostas em um governo com pessoas qualificadas em vez de carismáticas. Isso tornaria o cidadão um “cliente” mais participativo nas prestações de serviço do Estado. Mas esse modelo de governo ainda não existe, e pelo modelo que aí está a prestação de serviços de regulamentação pelo Estado é ruim, mesmo se fosse por meio de concessão.
Sendo assim, prefiro a regulamentação institucional à regulamentação desinstitucional de mercado, porém prefiro que essas instituições sejam privadas, com co-responsabilização judicial em casos de danos ao consumidor, como uma garantia a mais de que a gana em emitir certificados a qualquer custo seja inferior ao desejo de se manter uma certificação íntegra.
O sistema de mercado é o mais perfeito que a humanidade pode conseguir. Devemos incentivar o empreendedorismo e eliminar o estatismo.
Eis aqui um ótimo exemplo de regulação de preços pelo mercado:
http://www.valor.com.br/empresas/3134586/cade-condena-cartel-dos-paes-no-distrito-federal
Concordo com o direcionamento geral do texto, sim o mercado regula pela livre opção de seus clientes e pela livre entrada de concorrentes, mas o que me incomoda é que na pratica, acontecem acordos entre empresas amigas para nao baixarem preços, venda abaixo da margem de lucro pra quebrar concorrencia enquanto existe gordura financeira e omissao aos consumidores dos metodos (seja na producao, seja nos insumos) utilizados. Existem varias tecnicas pouco eticas para driblar o livre mercado e que nao passam pela utilização de amparo governamental.
Oh boy… e qual a relação disso com conluio ou cartel, que era justamente o seu ponto?
xxxx Meu ponto é: quando as praticas pouco eticas acabam se transformando em ferramentas de maior produtividade a empresa ou empreendedor vai ter todo incentivo financeiro para adota-las.
Aliás, o que é “mão-de-obra ilegal”? Somo alguém trabalha ilegalmente? Se eu quero trabalhar sem carteira assinada, pois preciso sustentar a minha família e estou sem opção, o sujeito que me oferece um emprego e salva a minha vida é um bandido? E eu sou um ilegal por não estar repassando o arrego pra máfia estatal? É isso mesmo?
xxxx sera que sim? sera que nao?
mao de obra desregulamentada é linda. quando a pessoa sabe onde ta se metendo e faz isso querendo fazer é otimo…contratos individuais de trabalho mega flexiveis, sem salario minimo, concordo com tudo.
o problema é que nao da pra esquecer que existe uma porcentagezinha significativa de pessoas psicopatas/sociopatas (e a maioria nao é nem violento, apenas amoral) que meramente nao se importam com os meios, apenas com os fins (e surpresa: CEO’s e advogados lideram carreiras com maior indice). fonte: Universidade British Columbia. Entre a população em geral, até 4% são considerados psicopatas. Entre os CEOs e altos executivos, o índice chega a 16%.
Aliais a propria presença de Estado ja demonstra que, sim, tem pessoas que acham belo e moral te obrigar, enganar e roubar e ta tudo muito lindo. Essas pessoas tem uma preferencia por politica hoje, mas ausencia de Estado apenas as deslocariam para outras carreiras, elas nao sumirem do mapa.
“se causou danos ambientais na republica dominicana”
Lágrimas…. E o que você já fez pela República Dominicana?
xxxx Mui adulto ein.
“devido a falta de legislação daquele local”
Nossa! Políticos se esquecerem de apertar as regulações sobre um determinado ponto do globo! Haverá um colapso! Parem tudo ou iremos morrer todos!
xxxx Da pra se focar na ideia? O que pautei foi que os processos muitas vezes globalizados, podem descambar, nao raramente, pras pratica que envolvam a brecha local de forma a empresa obter vantagem atraves de praticas potencialmente prejudiciais (e por favor, nao seja relativista pra dizer “o que é prejudicial”? daria pra assumir a duvida relativista pra tudo nessa vida )
“se tem um componente que ja foi banido em outros pontos do mundo por aumentar significativamente casos de câncer”
Isso é a coisa mais fácil de ser detectada. Qualquer empresa que fizer isso estará se arriscado bestamente em troca da nada. Só alguém muito imbecil para fazer isso (e, obviamente, imbecis sempre existem).
xxxx É mesmo??? Tartrazina continua sendo usada aos montes como corante; e existe um lobby forte no congresso para que se deixe livre o uso de agrotoxicos organofosforados (que aliais mata um monte de agricultor por intoxicacao ja que nem sabe usar aquilo com segurança);
Uma empresa soh sofre danos mediante midia negativa…mas nao midia-boato… se nao existe mecanismos de punição e exposição pra algumas praticas a pratica continua independente da denuncia…nao sera um “ouvi dizer que teve rato na coca cola” que vai diminuir as vendas.
“ou de executou processos de sonegação e evasao que deram maior margem para aplicar na producao daquele produto”
Santo Deus! Um empreendedor conseguiu não ter de pagar o arrego pra máfia! Encarcerem este bandido! Se ele não der dinheiro pra Renan Calheiros, Delcídio Amaral, Eduardo Cunha e Dilma, ele é um bandido salafrário que tem de ir em cana!
xxxx Nao jovem, foco errado. Sou a favor da maior redução de impostos possivel; meu ponto é que justamente o empreendedor quem mais se da mal na historia.. apenas as corporações maiores sao as que tem mais acesso pra fugir de impostos devido a contatos e expertise de mecanismos e advogados (por exemplo criacao de offshores para gerar uma falsa prestação de servicos que “enche” o caixa dessa empresa-satelite). No final, ja que o governo continua existindo na pratica a baixa arrecadação vai provavelmente fazer com que o governo aumente o tributo em algum canto pra arrecadar o que falta (obvio que discordo disso, mas o mecanismo de evasao acaba causando mais danos aos que tentam fazer direito).
Entenda: o dono da mercearia manter para si próprio aquilo que ele ganhou com o suor do próprio rosto está longe de ser “sonegação” ou evasão. Aliás, chamar isso de sonegação, evasão ou mesmo roubo é um ato totalmente imoral.
Sonegar imposto significa simplesmente não dar dinheiro para bandidos. E isso é uma obrigação moral de qualquer cidadão decente. Imposto é roubo, estado é quadrilha, e empreendedor que consegue escapar da máfia e manter para si próprio os frutos do seu trabalho é um herói.
Se você acha que manter para si os frutos do próprio trabalho é um evasão ou sonegação, então me desculpe, mas você beira a sociopatia.
Esse país, com essa população amante de políticos, está realmente perdido.
xxxx Sim, eu entendo e eu tambem luto pra que cada vez mais a ideia de Estado fora da vida do cidadão seja valorizada. No entanto vc parece exergar a sonegação como um modo de combate ao Estado vindo de baixo. Eu, apesar de entender e ate concordar, vejo que a sonegação é algo que funciona muito mais facilmente pros mais ricos e como efeito rebote lasca o empreendedor.
Sim, imposto é roubo e estado é quadrilha e a existencia desses mostra que nem todo mundo é bonzinho. Eu trabalho com empresa de tecnologia e tambem por dentro da politica e nao, nao sou amante de politicos jovem. Sou de direita soh nao sou anarcocapitalista.
“Denuncia no ReclameAqui funciona muito bem pra serviços e danos visiveis no curto prazo de facil correlação (tomei um suco de pozinho, tive um choque anafilatico), nao pra alegações nos diversos processos de produção globalizados ou danos de longo prazo.”
Por quê?
xxxx Por que? Porque as pessoas tem a tendencia a serem procrastinadoras e nao criticas. O cerebro é programado pra escolher a opção de pensamento/acao que demande menor uso de energia com maior segurança de sobrevivencia. Dessa forma, as pessoas se assustam muito com que possa causar danos imediatos (tomo suco e tenho alergia) mas nao tanto com coisas futuras (resolução de ano novo: emagrecer 10kg.. pelo 3o ano na lista). Existe outro mecanismo de comportamento que é: se ninguem ta fazendo é pq nao precisa/nao deve/nao pode ser feito, comportamento de manada, a tal validação social… dessa forma coisas ruins que estejam acontecendo tem a tendencia de continuar acontecendo sem que muitos se incomodem com isso (caso de moradores de rua por exemplo). A ideia do consumidor padrao é que se o produto esta ali servido é pq deve estar tudo ok.. ora, se fosse prejudicial, se tivesse algo de ilegal envolvido, “alguem” ja teria feito algo.. é o “deixa que eu deixo” sabe?
Alem disso é muito custoso (embora em teoria seria lindo) fazer verificações investigativas para cada escolha de compra/serviço…sao centenas dessas escolhas por mes…
Recentemente vi um video que (watch?v=URvWSsAgtJE) onde um homem produz o seu hamburguer do zero: planta os legumes e folhas, pega o sal evaporando agua do mar, faz trigo, coleta mel, faz o pao, mata o frango.. durou 6 meses e 1.500$… no mundo real cada um dos processos eh entregue a um individuo/empresa especializado… para o consumo “consciente” de um hamburguer(ja que a alegação é que os clientes acabariam por regular o mercado) eu teria que checar todos os processos produtivos pra saber se ta tudo ok com umas 15 empresas … nao é humanamente viavel fazer verificações de indole para cada compra. as pessoas simplesmente nao vao fazer,.. um ou outro vai encontrar problemas e vai denunciar algo e parecer um maluco conspiracionista.
Eu gostaria de saber como funcionaria a transmissão de futebol se hoje, no Brasil 2016, o governo deixasse de se intrometer.
Eu estava em uma discussão e veio uma parte complicada para refutar, que é a da exclusividade: Emissora X compra a transmissão exclusiva da Liga dos Campeões, então Y, pra cobrir, vem e tem exclusivo a transmissão da Europa League. Em meio a essa situação, a emissora G compra a exclusividade de transmitir o Brasileirão. Ainda temos a emissora P compra a exclusividade da Premier League e Bundesliga. Por fim, incluímos as Operadoras de TV por assinatura, sendo que Y, P e G tem um acordo com a principal operadora, não permitindo X entrar no negócio.
Diante disso, quer dizer que para eu poder assistir todos os esses eventos tenho que ter 2 operadoras de TV por assinatura.
Então eu pensei assim: “oras, o consumidor vai então escolher a Operadora do seu agrado e pronto, mesmo tendo que perder algum campeonato”. Mas a história é que a outra parte disse que sendo assim, prefere o governo regulando esse mercado. Infelizmente não consegui rebater ele que pra piorar defende a estatização da transmissão do Brasileirão, mas isso não foi difícil rebater.
Ainda ele trouxe um exemplo, que foi: essa situação “é a mesma coisa quando a Cielo tinha exclusividade da Visa e a Redecard da MasterCard. O comerciante tinha que ter as duas e ainda pagar taxas extorsivas por elas.”
Espero ter sido claro, por mais obscuro tenha sido meu pensamento do Livre Mercado dentro das transmissões de futebol.
Libertários,
Mais uma dúvida minha sem relação com o tema; Talvez em algum artigo esteja mais claro, mas não o encontrei, busco ler 2 artigos do site por dia;
Fica a sugestão de um canal direto com os responsáveis pelo site. Acredito que, quanto mais pessoas esclarecidas e convencidas do ideal libertário, mais facilmente iremos propagar as ideias.
Para mim, ficou claro que uma das mazelas do estado é a autorização aos bancos de criação de crédito bancário através de dígitos eletrônicos. Isso desregula toda a economia e cria artificialmente situações na economia que se desmancham mais cedo ou mais tarde quando o mercado voltar a se regular.
Isso, ok.
Dúvidas a respeito:
1° – Qual o real risco disso, visto que nosso dinheiro “circulante” em papel moeda é cada vez mais escasso já que as operações se tornam cada vez mais apenas interbancárias?
2° – Como seria o mundo sem a criação de crédito bancário? Não poderia chegar a um momento que esse dinheiro se valorizasse de tal maneira que não houvesse mais lastro capaz de sustentá-lo? Ou, o lastro não é necessário?
Obrigado;
Do um maior moral para que os bancos e os correios comece a se autossustentar por conta própria sem sem receber ou dar qualquer coisa ao governo, mesmo sendo estatais é hora de eles mesmos assumir a responsabilidades pelas suas próprias finanças sem receber ou dar para qualquer governo e também adorei a ideia de fechar as plataformas improdutivas que só consome dinheiro dos impostos e não produz nenhum lucro. Uma solução boa para resolver os problemas da educação é terceirizar o ensino, o governo pagar uma escola particular em regime de concorrência forte para ensinar os alunos, assim não tem que lidar nunca mais com professor grevista. No momento de crise nas contas públicas nós brasileiros dependemos muito dos aumentos das exportações, não através do governo, mas sim do povo brasileiro em geral por isso começem a aprender ingles.
Leandro eu vi em alguns artigos que a escola austriaca não defende o cambio flutuante. Mas isso não é anti-libertario visto que cambio flutuante não segue as leis de mercado?
Tinha que ser mais ajeitado isso é tudo desorganizado. a culpa é da prefeitura que não tem planejamento.
Esse idiota do canal do otário é um comunista, leninista, kenesianista, disfaçado de captalista e rabo preso de um milhão de políticos e burocratas para enganar e induzir as pessoas a causar a inflação no brasil através do FGTS, da previdência e defendendo o aumento de uma porada de funcionarios públicos e cortes de impostos sem levar em conta o defice do governo que é alto demais que causará com certeza muita inflação. não existe previdencia pública no brasil existe um governo que rouba do trabalhador sem autorização das pessoas para depois pagar como suposta previdencia somente a metade do que foi roubado, a outra metade da contribuição já foi gasta para sustentar algum vagabundo de algum burobrata, o que foi roubado foi roubado e aumentar o valor da previdência só iria aumentar a inflação de todos, via deficis governamentais. Por isso a melhor aposentadoria garantida até depois da morte é a poupança, a poupanca garante investimentos tanto para o dono quanto para a empresa que pegou emprestado esse dinheiro do banco para investimentos e geração de empregos o INSS já foi roubado e o usado, e o povo querer usá-lo só vai alimentar a inflação via deficis públicos.
Sensacional artigo. Dia desses procurei descrever o processo de formação de preços com uma comparação bem simples:
https://bordinburke.wordpress.com/2016/05/30/como-formam-se-os-precos-e-os-casais/
O livre mercado não é autorregulado apenas pela lei da oferta e demanda, mas também por instituições privadas de controle de qualidade. Os consumidores vão preferir produtos e serviços certificados por auditorias confiáveis e as empresas que quiserem obter e manter determinados selos precisarão aceitar os requisitos.
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Bom dia,
No caso do Brasil. Um país em que em muitas atividades temos pouca concorrência, gerando quase que monopólios, e também há muitos carteis, como por exemplo os postos de combustíveis (que se organizam constantemente em vários estados em cartéis), como aplicar essa ideia de livre mercado? Já que não haverá concorrência.