Segundo
a Amazon, fui um dos poucos compradores de O Capital do Século XXI, de Thomas
Piketty, que realmente leram o livro.
Seu
programa Kindle registra que, dos mais de 80 mil cópias vendidas, a grande
maioria dos leitores não passa da página 26, considerando que o livro possui
quase 700 páginas. Isso me lembra muitos socialistas que se dizem influenciados
por Marx, apesar de nunca terem lido seus livros; e que também odeiam o
liberalismo sem ter a menor noção do que se trata.
Um
amigo, ao me flagrar com o tal livro, não vacilou em fazer piada: “Lendo a nova
bíblia da esquerda?!”. “Pois é… Sou liberal exatamente por saber o que os
marxistas pensam”, respondi.
Mesmo
não sendo da área econômica, política ou do direito, sinto-me obrigado a ler
essas “coisas”, já que me interesso pelo assunto.
O
Capital do Século XXI é apenas mais uma reedição de alguns devaneios marxistas,
com o autor tentando relacionar dados selecionados com crendices ideológicas
impregnadas com uma das piores fraquezas humanas: a inveja.
Entre tantos
gráficos, Piketty não esconde sua interpretação moral sobre a riqueza e,
principalmente, sobre a herança. Chega a ser engraçado suas recorrentes
citações aos romances de Balzac para ilustrar e “comprovar” as distâncias entre
trabalhadores e herdeiros.
Seu
livro tem um único objetivo: julgar moralmente o direito de uma pessoa guardar
para si o fruto de seu próprio trabalho e decidir, por si mesma, qual o destino
desse fruto. A “moralidade” de Piketty chega ao nível de condenar os herdeiros
pelo sucesso dos pais!
Seu
raciocínio é muito simples: quanto mais rico, mais imoral. Exercendo a
arrogância típica dos socialistas, Piketty ignora completamente a história, os
esforços e os talentos de indivíduos, enlatando-os como se formassem uma única
e homogênea massa de pessoas de caráter condenável pelo simples fato de terem
enriquecido.
Piketty
tenta inúmeras vezes nos fazer crer que questiona Marx, aquele que “…escreveu
tomado por grande fervor político, o que muitas vezes o levou a se precipitar e
a defender argumentos mal embasados”, em suas palavras, mas em seguida enaltece
a coerência de algumas ideias do pai do comunismo.
Logo
no começo, o neomarxista francês dá o tom do livro:
“…o capitalismo produz automaticamente
desigualdades insustentáveis, arbitrárias, que ameaçam de maneira radical os
valores de meritocracia sobre os quais se fundam nossas sociedades
democráticas”.
Oi?
Um socialista que defende taxações e confiscos dizendo que o sistema de trocas
voluntárias entre indivíduos e empresas é arbitrário? Pois é… Ouço e leio coisas parecidas todos
os dias no Facebook, ditas e escritas por pessoas que nunca leram nada além de
panfletos da esquerda.
Piketty,
em sua tentativa de desmerecer a melhoria na qualidade de vida da população
mundial promovida pelo capitalismo, reduz o aumento da expectativa de vida a um…
“fato biológico”! Insiste, o tempo todo,
que a desigualdade é algo terrível por si mesma, ignorando, portanto, as diferenças entre os
diversos países do mundo no que se refere a estas “desigualdades”. Fica bem claro que sua preocupação não é com a
pobreza, mas sim com a riqueza. Eis um
socialista.
Em
seu esforço para distorcer a realidade, Piketty chega a citar o caso chinês do
que seria um exemplo de desenvolvimento social promovido pelo estado. Cita os investimentos em educação e em
infraestrutura, mas se “esquece” de que nenhuma escola ou ponte é construída
sem dinheiro, e que esse dinheiro vem da arrecadação de impostos, e que a
quantidade de impostos arrecadada depende do poder e da liberdade econômica da
sociedade como um todo.
Ou
seja: ignora que centenas de milhões de chineses se livraram da extrema pobreza
simplesmente porque o estado
deu um passo para trás, lhes dando a liberdade para empreender
negócios visando o lucro, com direito de propriedade e com a possibilidade de
ficarem ricos.
Piketty
se “esqueceu” de muitas coisas. Esqueceu-se de falar sobre o papel do estado
nos problemas sociais e
econômicos dos países atrasados. Esqueceu-se de falar sobre os desajustes
fiscais, sobre a emissão irresponsável de moeda, sobre as arbitrariedades dos
bancos centrais, sobre as concessões de créditos e de subsídios a determinados
setores, empresas e até pessoas ligadas aos governos, o que sempre prejudica os
mais pobres. Sua única referência pejorativa ao estado se dá ao afirmar que foi
graças à corrupção do governo mexicano que Carlos Slim se tornou um dos homens
mais ricos do mundo.
Sua
facilidade em tecer julgamentos morais sobre a “riqueza excessiva” de
empresários, executivos e herdeiros é proporcional à sua indiferença com o
enriquecimento de políticos e ditadores mundo a fora.
Tentando
desmoralizar a natureza do capitalismo, Piketty faz uma pergunta: “Podemos ter
a certeza de que o ‘livre’ funcionamento de uma economia de mercado,
fundamentado na propriedade privada, conduz sempre e por toda parte a esse
nível ótimo, como que por magia?”.
Pelo
que sei, quem defende a “magia” nas soluções dos problemas do mundo são os
socialistas, com seus planos sempre muito poéticos no púlpito e muito trágicos
na realidade. Economistas liberais afirmam que todo e qualquer desenvolvimento
depende de um longo período de liberdade econômica, o que possibilita o
aperfeiçoamento espontâneo das interações entre mercado e sociedade, sem
milagres.
A
propósito, o mesmo Piketty que ignora os autores liberais mais importantes,
tais como Milton Friedman, Ludwig von Mises, Friedrich Hayek e Carl Menger, faz
questão de enaltecer Paul Krugman, o
pai da bolha imobiliária norte-americana, defensor da inflação como
ferramenta de crescimento, palestrante em evento da revista Carta Capital. Nessa altura do livro, não me surpreendeu ler
que, na prática, a “mão invisível” descrita por Adam Smith não existe porque “o
mercado sempre é representado por instituições específicas, como as hierarquias
corporativas e os comitês de remuneração”. De onde ele tirou isso?
Como
todo “bom socialista”, Piketty não deixaria de mirar seu furor ideológico na
cultura norte-americana, citando meia dúzia de séries de TV como exemplos do
culto à “desigualdade justa”. O francês se empolga:
“A sociedade meritocrática moderna,
sobretudo nos Estados Unidos, é muito mais dura com os perdedores, pois baseia
a dominação sobre eles na justiça, na virtude e no mérito, e, portanto, na
insuficiência de sua propriedade”.
Isso
é o que chamo de cretinice e desonestidade intelectual, por ignorar os mais
estridentes dados de melhoria de qualidade de vida e de inclusão social
registrados ao longo dos últimos 150 anos. Não por acaso, Cuba não é citada uma
única vez no livro.
Também
me provocou espécie alguns termos utilizados pelo economista, tais como
“extremismo meritocrático”, “fortunas indevidas” e “arbitrariedade do
enriquecimento patrimonial”.
Sua
motivação ideológica, sempre ancorada em sua própria interpretação moral do
mundo, nos oferece frases dignas de líderes estudantis:
“O problema é que a desigualdade (…)
conduz frequentemente a uma concentração excessiva e perene da riqueza (…) as
fortunas se multiplicam e se perpetuam sem limites e além de qualquer
justificação racional possível em termos de utilidade social”.
No
mundo de Piketty, a maioria das fortunas de hoje estão nas mesmas famílias há
séculos e continuarão assim para sempre caso o estado não intervenha taxando-as
progressivamente, para que assim, só assim, prevaleça o “interesse geral em
detrimento do interesse privado” — Luciana Genro diria o mesmo.
Todavia,
nada me provocou mais espasmos do que ele confessando que não gosta do termo
“ciência econômica” por lhe parecer “terrivelmente arrogante”. Ele prefere a expressão “economia política”. Acredito!
“Impostos
não são uma questão técnica”, afirma Piketty; “Impostos são, isso sim, uma
questão proeminentemente política e filosófica, talvez a mais importante de
todas as questões políticas.” Piketty
ignora completamente o que diz a história política da galáxia: taxações e
confiscos beneficiam principalmente os burocratas que vivem de arbitrar essas
mesmas taxações e esses mesmos confiscos. Piketty ignora também o resultado de
todas as experiências socialistas: quanto mais se arbitra sobre a riqueza
privada, mais se
intimida o indivíduo comum a tentar enriquecer, provocando, assim, uma
desmotivação coletiva. A produtividade cai.
De
fato, a desigualdade diminui, afinal, a sociedade deixa de ser dividida entre
ricos e pobres e passa a ser formada apenas por pobres, vide Cuba e Coreia do
Norte, sociedades tragicamente igualitárias.
Piketty
não aprendeu que, em vez de rechaçarmos os ricos, deveríamos tentar mantê-los
voluntariamente junto de nós, para que eles possam gastar sua fortuna
consumindo nossos produtos e serviços, não dos outros. Piketty parece que não enxergou sequer o que aconteceu em seu próprio
país quando o governo decidiu sobretaxar as maiores fortunas: seus donos
simplesmente foram embora, foram gastar seus bilhões noutros países.
O
The Guardian referiu-se a Thomas Piketty como o “rock star da economia”. O The
Economist o chamou de “ícone pop”. Bem coerente. Mas eu prefiro minha
descrição: Piketty é o economista que faz os ignorantes se sentirem cultos, os
idiotas se sentirem inteligentes e os socialistas se sentirem honestos.
________________
Leia também:
Algumas frases aterradoras
contidas no livro de Thomas Piketty
Thomas Piketty e seus dados
improváveis
O que houve com os ricaços
da década de 1980?
As “descobertas” de Piketty
estão invertidas
Os três principais erros de Piketty
Problema de muitos socialistas que nem ideias diferentes sobre como utilizar os recursos eles tem, diferente de muitos liberais que aceitam ideias como vouchers, etc.
Deveria ser assim, é a favor de hospitais públicos e escolas/faculdades públicas? Então continua pagando impostos do jeito que é, caso seja contra, não pagará nenhum tipo de imposto, no entanto não vai usufruir de nenhum, simples assim.
“Piketty é o economista que faz os ignorantes se sentirem cultos, os idiotas se sentirem inteligentes e os socialistas se sentirem honestos.”
Resumiu tudo!!
Excelente artigo! Confesso que estou preparando o estômago para ler este livro!
Apenas um comentário
Quando se fala da China recuando e abrindo espaço para a população investir em busca de lucro etc., muitos esquerdistas acabam apontando para países na África em que não há um Estado e há apenas guerra/guerrilha.
Acho que devemos deixar claro que apenas um Estado menor não é suficiente, mas também propriedade privada respeitada, direito de defesa. A “não existência do Estado” (ou no formato “Estado mínimo”) não é condição suficiente para desenvolvimento.
Ótima análise. Fatos, não julgamentos morais. Agradeço ter lido a “nova bíblia da esquerda” por mim.
Excelente crítica do livro.
E é curioso como um arquiteto tem mais capacidade para refutar ideias neomarxistas do que um professor de economia.
É muito provável que este livro será o romance dos universitários de unha suja (e que provavelmente nunca irão lê mais de 20 páginas).
Universitários semianalfabetos e preguiçosos, que nunca irão se dá o trabalho de lê um texto de Friedman ou Mises, mas que aceitam facilmente as ideias de professores de quinta categoria que veneram a ditadura de cuba e odeiam a liberdade americana.
“Piketty é o economista que faz os ignorantes se sentirem cultos, os idiotas se sentirem inteligentes e os socialistas se sentirem honestos.”
Fechou com chave de ouro 🙂
ótimo artigo! Mas cadê o podcast do Leandro??
O pior é que, além da manipulação acadêmica para elevar (e põe elevar nisso) o nível desses “intelequituais”, a mídia ocidental, formada majoritariamente por progressistas, fica a bajular esse bosta de Picketty, trazendo toda aquela cena "novíssima" (!) de "revolucionário que luta contra os exploradores capitalistas".
É por essas e outras coisas que eu leio, sim, ler mesmo (pois já não assisto TV), cada vez menos jornais. “Só sai merda”.
Também estou encarando a leitura deste livro. Acabo de iniciar a Terceira Parte.
Saliento que, antes dele escrever que “…o capitalismo produz automaticamente desigualdades insustentáveis, arbitrárias, que ameaçam de maneira radical os valores de meritocracia sobre os quais se fundam nossas sociedades democráticas”, cinco páginas antes ele afirma que não há nenhum destino inexorável para a desigualdade, ou seja, é impossível dizer qual o resultado de uma desigualdade crescente.
Além disso, em diversos momentos do livro Piketty desacredita pesquisas de economistas anteriores porque, supostamente, estes não teriam “distanciamento histórico” suficiente para analisar a questão. Entretanto, não tem nenhum remorso em pegar um punhado a mais de anos na sua série histórica e fazer previsões históricas de cem anos no futuro com base na manutenção do comportamento atual (padrão impossível de ser identificado nas séries históricas).
Bem analisado, o livro não passa de gráficos bem selecionados (mas sem nenhuma correlação importante) para tentar suportar uma argumentação muito mais “política” e “filosófica” (termos do autor) do que econômica ou científica.
Péssima crítica, cade a refutação dos dados apresentados? Eu vi apenas a tentativa rasa de uma análise de discurso para refutar toda e qualquer argumentação do autor baseado nas suas crenças.
No fim fostes apenas mais um que leu e não entendeu, tal qual vários esquerdistas idiotas.
Comprei o livro pelo kindle e ainda tô no início. rsrsrs
Mas acho que essa questão debatida é o cerne que explica o porquê da esquerda ter ganho o espaço que tem.
A direita “foge” desse assunto.
A questão moral é fundamental de ser analisada junto com a econômica, digamos assim.
Portanto, concordo com a frase de que o certo é “economia política” e não “ciência econômica”
E a questão da meritocracia é sim o valor mais importante a ser perseguido num senso de justiça.
Não cheguei lá no livro, mas é provável que a “solução” dele seja totalmente errada para alcançar esse objetivo.
Mas isso não diminui a importância da afirmação de que a enorme disparidade de renda está ligada ao simples domínio do capital e não a meritocracia.
E, sim, herança não é meritocracia.
O jeito certo de combater Piketty não taxando-o de invejoso, mas sim da forma como está no texto abaixo
Piketty diz que o “problema” do capitalismo é que o capital investido gera retornos mais altos do que os ganhos do trabalho. Se esse é o problema, eis então uma solução libertária para esse “problema”: corte radical de impostos, desestatização, abolição de tarifas protecionistas e desregulamentação de todos os setores da economia. Essas quatro medidas imediatamente criariam mais liberdade econômica, mais liberdade de entrada, mais concorrência e, por conseguinte, menores lucros e uma menor taxa de retorno sobre o capital investido.
Haveria mais liberdade para que trabalhadores comuns se tornassem empreendedores e capitalistas, gerando uma necessária concorrência para os setores já estabelecidos.
Se o mundo for inundado por mais empreendedores capitalistas, a taxa de retorno do capital — que é o grande pecado do capitalismo, segundo Piketty — seria instantaneamente diminuída.
http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2001
Eu tentei várias vezes começar a ler o livro. Afinal de contas, para poder criticar é preciso conhecer. Porém, eu sempre fico com um receio desgraçado, pois tenho certeza que é uma leitura que vai me deixar estressado.
Surpresa!
Há poucos meses encontrei esses oásis:Mises. Arquiteta que sou, fiquei surpresa em constatar que este breve texto sobre o novo _Highlander-lefts_ foi escrito por um colega.
Atordoada com as esquisitices dos _reds_ que estão nos arrastando para o caos social,neste espaço encontrei muitas respostas.
Hoje,com o conhecimento obtido aqui e em leituras auxiliares me sinto mais segura para refutar e contra argumentar com esses heróis-da-riqueza-alheia.
Porém, sinto um pouco de dificuldade com os artigos postados de forma aleatória, haveria algum roteiro de leitura recomendado pelos moderadores para melhor compreensão dos temas abortados?
Mises foi um fofo!
Falta muito embasamento, de fato, para a esquerda. Para a direita também. Isso é um problema sério, que concluí, depois de “árdua tarefa”, depois de “muitos estudos”. Esse problema é tido no debate como “matéria inaugural”. Se chama: PREGUIÇA. A maldita assola a mente dos discípulos de qualquer extremo nesse espectro político-ideológico: direita, esquerda, foice e GANCHO (martelo, não!). Nocaute na esquerda!
A esquerda é acomodada, cita os parlamentares (da estirpe de Jean Willys e Maria do Rosário) que os representam, quer construir um cenário atual com teorias de um século e meio de fracassos. A direita, por sua vez… Ah, que vergonha essa direita. Seus “profetas” são gente mesquinha, foram na modinha Constantino, pularam para a linha mais próxima a Olavo por um prestígio maior (?). No final das contas, são todos farinha do mesmo saco.
Quanto à publicação, queria saber mais, do autor, sobre esse tal cenário empreendedor na China… (risos)
Comprei o livro pelo kindle e ainda tô no início. rsrsrs
Mas acho que essa questão debatida é o cerne que explica o porquê da esquerda ter ganho o espaço que tem.
A direita “foge” desse assunto.
R: Então você lê muito pouco…
A questão moral é fundamental de ser analisada junto com a econômica, digamos assim.
R: Sim, mas desde que não seja a sua, a minha ou a concepção pessoal do Piketty, do que seja moral. A controvérsia é importante para ser debatida, não para ser sustentada por pretensa ciência.
Portanto, concordo com a frase de que o certo é “economia política” e não “ciência econômica”
R: Pensamento retrógrado, pois está balizado na negação da existência de leis que regem a Economia, uma tentativa de endossar uma pretensa engenharia social que almeja, inclusive, refundar a consciência humana.
Mas isso não diminui a importância da afirmação de que a enorme disparidade de renda está ligada ao simples domínio do capital e não a meritocracia.
Sim, mas e a causa disto? E se o simples domínio não-meritocrático do capital for um subproduto de uma economia com forte intervenção estatal? A solução do Piketty desmoronaria, uma vez que ele atribui ao vilão da história o papel de salvador.
E, sim, herança não é meritocracia.
É mérito da pessoa que amealhou um patrimônio deixa-lo à sua descendência. Quem tem que julgar se o herdeiro é digno do que herdou é o mercado. Se ele não fizer jus a essa herança, irá perdê-la para outros, do contrário, no mínimo irá manter a herança ou mesmo amplia-la. Além disso, um herdeiro que não contribuiu em nada para a construção do patrimônio que herdou é um tipo específico de pessoa, não são todos. Como bem mostra o artigo, o Piketty peca pela generalização e age como se todo herdeiro não fosse digno da herança, e aqueles que ajudaram seus familiares a ampliarem o patrimônio, ou contribuíram, de alguma forma, como ficam? E outra, a questão do mérito não é tão objetiva assim como o Piketty alude, muitas vezes, o simples fato de se ter filhos é um incentivo para que as pessoas amealhem algum patrimônio em nome da sua prole. Os filhos, ainda que nada contribuam diretamente para a formação patrimonial dos pais, tem o mérito de serem o incentivo para eles construírem este mesmo patrimônio. Além disso, uma outra questão, qual o mérito do burocrata do governo, ao confiscar a herança de alguém? Este sim, não contribuiu em nada na construção do patrimônio que almeja confiscar, nem direta e muito menos indiretamente houve contribuição alguma do burocrata confiscador, na formação do patrimônio em litígio.
Minhas sinceras felicitações ao autor por possuir a fortitude intestinal necessária para ler uma coisa dessas de ponta a ponta.
Vi um documentário sobre a torre de DAVI, acho q foi em ogotá ou caracas, não lembro. Não a presença do Estado. A sociedade do prédio se autorregula. Não traficantes, violência e o mercado é livre. Achei bem interessante. Existe toda uma regulação própria e totalmente baseada em costume. Todos trabalham honestamente.
Segue o LINk sobre a Torre de DAVID em Caracas
globotv.globo.com/globonews/globonews-documentario/v/torre-de-david-mostra-a-vida-na-maior-favela-vertical-do-mundo/3741949/
Ótimo texto! O que será que Piketty está fazendo com o dinheiro que está recebendo com esse livro? Está sendo coerente, doando 80% para a receita federal? Ou está investindo para manter e aumentar seu montante e deixá-lo de herança aos seus filhos?
“De fato, a desigualdade diminui, afinal, a sociedade deixa de ser dividida entre ricos e pobres e passa a ser formada apenas por pobres, vide Cuba e Coreia do Norte, sociedades tragicamente igualitárias.”
Os países socialistas sempre têm uma pequena elite de planejadores centrais e controladores da maioria que são “mais iguais do que os outros”: Fidel mora em uma mansão, o dono da Coreia do Norte tem sobrepeso em um país de famélicos, Lula vive no luxo, etc. Os “igualitários” se consideram superiores à maioria e merecedores de privilégios.
* * *
Sei perfeitamente que meu comentário foge totalmente do tema. Porem gostaria de saber a posição do IMB sobre dois assuntos que chamaram atenção nos últimos dias: O assassinato dos cartunistas na França e a pena de morte submetida ao brasileiro na Indonesia.
Interessante sabermos a posição libertaria desses fatos: Liberdade de expressão e pena capital. Obrigado.
Ontologic:
“Lendo a nova bíblia da esquerda?!”. “Pois é… Sou liberal exatamente por saber o que os marxistas pensam”,
Não vou fazer como os marxistas, vou terminar de ler o artigo!
Abçs
Para mim a melhor definição de socialismo foi a que encontrei em um site americano de discussão política:
“The Gospel of Envy” (traduzindo: “o evangelho da inveja”).
Boa noite, muito bom artigo. Permita-me fazer alguns comentários sobre tributos que é a minha área de especialização.
1. “Piketty ignora completamente o que diz a história política da galáxia: taxações e confiscos beneficiam principalmente os burocratas que vivem de arbitrar essas mesmas taxações e esses mesmos confiscos.”
Quando você cita os burocratas acredito que você está citando a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) por meio da qual é direcionado os recursos previstos no orçamento do governo para saúde, educação, fundos de participação do estados e municipios, etc. Você é contra destinação que a LDO dá aos recursos arrecadados é isso? Ou você acha que não deveriam haver SUS, escolas públicas, universidade públicas, INSS, etc? A iniciativa privada vai prover? (sobre o “estado social” ver cap. 13 do livro – lá ele discute as universidades e as aposentadorias).
2. “Piketty ignora também o resultado de todas as experiências socialistas: quanto mais se arbitra sobre a riqueza privada, mais se intimida o indivíduo comum a tentar enriquecer, provocando, assim, uma desmotivação coletiva. A produtividade cai.”
Nós somos desmotivados a não ganhar mais porque nossa renda vai cair na alíquota de 27,5% da tabela progressiva de imposto de renda? Seu pensamento é o seguinte: “bom já que o governo vai me tributar mais, eu vou trabalhar menos e continuar ganhando menos. Prefiro continuar ganhando menos e ser menos produtivo”. Tenho a leve sensação de que sua lógica está furada. =)
3. “Piketty não aprendeu que, em vez de rechaçarmos os ricos, deveríamos tentar mantê-los voluntariamente junto de nós, para que eles possam gastar sua fortuna consumindo nossos produtos e serviços, não dos outros.”
E se o seu produto não fosse escolhido por ele? Lembre-se do “véu da ignorância” de John Rawls.
4. “Piketty parece que não enxergou sequer o que aconteceu em seu próprio país quando o governo decidiu sobretaxar as maiores fortunas: seus donos simplesmente foram embora, foram gastar seus bilhões noutros países.”
Isso chama-se “base erosion profit shifting” no qual há um esforço mundial para “fechar o cerco” sobre os paraísos fiscais de modo a evitar que as rendas sejam transferidas a outros países (pag 504 da trad. brasileira)
Estou aberto ao debate! Abraços!
É Pikaretty!
Não percam tempo lendo livros de esquerda. Prefiram os de Matemática, com exceção dos que dizem, como a rede globo, que “menos é mais”.
Mais um tapa na cara do Pikaretty: exame.abril.com.br/economia/noticias/o-estudante-que-desafiou-piketty-com-um-comentario-em-blog
Apesar dos imensos esforços intelectuais levados a cabo pelos excelentes trabalhos dos principais teóricos liberais, pelo autor do artigo e na quase unanimidade dos comentários, a economia NÃO é uma ciência exata, é uma ciência social e política com arrogância e prepotência de se achar exata por se utilizar de modelos matemáticos e econométricos consistentes, mas com premissas e variáveis frágeis. Thomas Piketty fez um trabalho brilhante de pesquisa e análise de mais de 20 anos, levantando cuidadosamente dados econômicos de mais de um século, muitas vezes obtidos com grande resistência e dificuldade. Além dele muitos outros autores já chamaram a atenção para as crises cíclicas do capitalismo, as quais são provocas em boa parte pela brutal concentração de renda retida por 0,3% da população mundial. A ONU, a OCDE, o BID, o Banco Mundial e até mesmo o FMI também reconhecem o problema em seus relatórios, alguns há várias décadas, só não enxerga quem não quer e faz do liberalismo uma religião, cometendo o mesmo, ou mais grave erro, dos socialistas. Tenho certa tristeza por ver toda uma geração de jovens de classe média e alta, educados nas melhores escolas, moradores dos melhores bairros, defenderem com grande empenho um modelo econômico e social que está falido há mais de 50 anos. Se o estado não pode cobrar impostos dos muito ricos, os quais estão muito distantes das classes sociais desses mesmos jovens, se não pode regular a economia para reduzir as desigualdades brutais de nossas sociedades, qual o sentido dele existir? Apenas para proteger a propriedade e os contratos dos herdeiros de grandes fortunas?! Neste caso deveríamos seguir os dogmas liberais e acabar de vez com o estado, deixando a imensa parcela miserável e pobre da população negociar seus “direitos hereditários exclusivamente meritocráticos” diretamente com a parcela abastada e rica…
Bom artigo. Gostei do trecho abaixo:
Sou liberal exatamente por saber o que os marxistas pensam”, respondi.
Mesmo não sendo da área econômica, política ou do direito, sinto-me obrigado a ler essas “coisas”, já que me interesso pelo assunto.
Eu comprei e li o livro completo, em cerca de 30 dias.