O ano de 2026 marca o centenário de uma das principais figuras da história do movimento libertário. Murray Rothbard nasceu em 2 de março de 1926, em Nova York.
Sua formação primária foi em economia e, como discípulo de Ludwig von Mises, Rothbard expandiu a teoria dos ciclos econômicos e desenvolveu diversas pesquisas em história econômica aplicando a teoria austríaca. Como um bom economista, percebeu cedo que o domínio da teoria econômica pura não era o bastante. Era necessário explorar problemas relacionados e fundamentais da filosofia, da teoria política e da história.
O que distingue sua trajetória é algo raro: sua intransigência intelectual. Em um ambiente acadêmico cada vez mais moldado por incentivos políticos e pela busca por respeitabilidade institucional, Rothbard recusou-se a suavizar suas conclusões. Não aceitou comprometer seus princípios. No dia a dia, compromissos são necessários; mas, na busca pela verdade, compromissos não podem ser aceitos.
Por causa dessa postura, ele jamais ocupou as posições de prestígio que seu gênio justificaria. Não acumulou fortuna. Não recebeu os grandes prêmios que instituições supostamente dedicadas ao livre mercado distribuíam generosamente a reformistas moderados. Não foi agraciado com homenagens proporcionais à magnitude de sua obra.
Ainda assim, permaneceu alegre. Todos os que conviveram com ele o descreveram como uma pessoa leve e feliz. Rothbard podia ser devastador em seus textos, implacável na crítica, cirúrgico na lógica. Mas, na vida privada, era espirituoso, generoso, afável, quase sempre bem-humorado. Não demonstrava ressentimento nem nutria inveja.
Por uma espécie de justiça histórica, mesmo nunca tendo sido recompensado financeiramente à altura de suas contribuições, seu legado vive forte e sua obra é mais influente do que nunca. A força de suas ideias no debate público mostra-se mais relevante do que a de acadêmicos prestigiados de sua época, e instituições como o Mises Institute e o Instituto Mises Brasil trabalham para manter seu legado vivo.

