| Joaquim Levy: ele sabe cortar gastos, mas também sabe elevar impostos |
Dilma
Rousseff passou toda a sua campanha à reeleição demonizando banqueiros, dizendo
que eles literalmente iriam roubar a comida do prato dos
pobres caso estivessem no comando da economia.
Inicialmente,
o alvo favorito de Dilma foi Marina Silva, cuja coordenadora da campanha, Maria
Alice Setubal — mais conhecida como Neca Setubal –, era herdeira
do Itaú.
Depois,
já no segundo turno, o alvo passou a ser Aécio Neves e seu eventual Ministro da
Fazenda, Armínio Fraga, que foi tratado como um moleque de recados do mercado
financeiro e acusado de gostar juros altos com o único objetivo de fazer a alegria
dos banqueiros.
Porém,
tão logo as urnas sacramentaram sua vitória apertada, Dilma deixou a retórica
de lado e foi se ajoelhar perante o todo-poderoso
presidente do conselho de administração do Bradesco, Lázaro Brandão — a
quem carinhosamente chama de “Seu Brandão” –, pedindo que ele liberasse um de
seus melhores funcionários, ninguém menos que o atual presidente do Bradesco,
Luiz Carlos Trabuco, para ser seu futuro Ministro da Fazenda.
Após
a recusa de Trabuco, Dilma seguiu ajoelhada e implorou por outro
manda-chuva do Bradesco: Joaquim Levy, diretor superintendente do Bradesco
Asset Management, braço dos fundos de investimento do banco. Levy
aceitou.
O
curioso é que Neca Setúbal nem sequer é banqueira; é apenas uma herdeira. Ela não trabalha com bancos; é
educadora. Já Lázaro Brandão, Trabuco e
Joaquim Levy são banqueiros no sentido mais clássico do termo.
Uma
conclusão: para Dilma, banqueiros maus só os do Itaú. Os do Bradesco aparentemente são dotados de
alguma sensibilidade social.
Uma
ironia: economista com doutorado pela Universidade de Chicago e detentor de inquestionáveis
credenciais ortodoxas — é conhecido como Joaquim
Mãos de Tesoura, pois por onde passou cortou gastos e trancou os cofres –,
Joaquim Levy não apenas é um grande amigo de Armínio Fraga, como também foi
seu aluno e deu conselhos econômicos para a campanha de Aécio.
Ou
seja, após dizer que se Marina Silva ganhasse as eleições os banqueiros do Itaú
comandariam a economia, e que
se Aécio ganhasse as eleições Armínio Fraga comandaria a economia ajoelhado perante
o mercado financeiro, Dilma ganhou as eleições e quem vai comandar a economia é
um Chicago boy do Bradesco, que foi
aluno de Armínio e que deu conselhos para a equipe econômica de Aécio.
Quem é
Joaquim Levy
Ainda
no final de 2002, quando Antonio Palocci estava à procura de quadros
qualificados — leia-se: não ligados ao PT — para compor sua futura equipe
econômica, Joaquim Levy foi recomendado a Palocci por Armínio Fraga. Além de Levy, Armínio também indicou Marcos
Lisboa e Murilo Portugal, os quais também foram prontamente efetivados.
Levy
tornou-se Secretário do Tesouro no primeiro mandato de Lula, função essa que
hoje é exercida pelo pavoroso Arno Augustin.
Nessa
função, Levy foi odiado pelos radicais do PT, que viam nele um tecnocrata imune
às demandas por mais gastança. Se, de um
lado, ele se mostrou inflexível a todas as propostas de aumentar os gastos, de
outro, ele não teve nenhum problema em aumentar impostos. A alíquota da COFINS subiu
de 3% para 7,6% ao passo que a base de cálculo da CSLL foi
alargada, o que aumentou a arrecadação.
Vista
por esse prisma, a indicação de Levy por Dilma realmente não é de todo
incoerente.
Mas
há pontos positivos. No início de sua
gestão no Tesouro, a TJLP, que é a taxa de juros dos empréstimos do BNDES, foi
elevada para 12%. Atualmente está em 5%. Ironicamente, também durante sua gestão, houve uma proposta
de capitalização do BNDES, que receberia uma injeção de dinheiro
público. Tal medida sofreu resistência
implacável de Levy, e não foi efetivada enquanto ele ocupou a função. Já o atual Secretário do Tesouro, Arno Augustin,
não apenas abriu completamente os cofres e liberou verbas bilionárias, como
também utilizou o BNDES em operações “contabilmente criativas”
para maquiar as contas públicas.
Com
mestrado em economia pela FGV e com doutorado pela Universidade de Chicago,
Levy já trabalhou no FMI e no Banco Central Europeu. Quando foi o secretário do
Tesouro de Lula, de 2003 a março de 2006, teve conflitos duros com a própria
Dilma Roussef, que era ministra de Minas e Energia. Quando a então equipe econômica quis implantar
um programa que limitaria o crescimento dos gastos com custeio, pessoal e até
mesmo com políticas sociais, Dilma veio a público irritada e classificou o
programa como “rudimentar”.
Disse
ela: “despesa corrente é vida”.
A
mandatária, pelo visto, não pode ser acusada de incoerente. Seu primeiro mandato presidencial foi pautado
exatamente por essa visão de mundo.
Levy
saiu do Tesouro em março de 2006 após a demissão de Palocci e foi para o Banco
Interamericano de Desenvolvimento (BID).
Mas voltou ao Brasil já em janeiro de 2007 para ser o Secretário da
Fazenda do estado do Rio de Janeiro no primeiro mandato de Sérgio Cabral. Após dois governos desastrosos do casal
Garotinho, as finanças do estado estavam em frangalhos. Levy conseguiu fazer um ajuste
fiscal e, ao equilibrar as finanças, fez com que o estado do Rio fosse o primeiro
estado brasileiro a receber o “grau de investimento” da Standard
& Poor’s.
Saiu
do cargo em março de 2010 e foi para o Bradesco, onde atua na direção de gestão
de fundos de investimentos e ganha algo em torno de R$250 mil por mês. Como ministro, ganhará R$26 mil. Não há motivos para crer que ele aceitaria
trocar esse belo emprego no Bradesco para virar um mero capacho de Dilma e
ganhar bem menos.
O
lado positivo é que Levy já mostrou que sabe equilibrar orçamentos e não tem
muito problema em segurar gastos. O lado
negativo é que ele costuma equilibrar orçamentos aumentando impostos.
E
já circulam pelos bastidores promessas de retorno
da CIDE, elevação da alíquota do PIS e da COFINS sobre produtos importados, e
aumento da tributação sobre cosméticos.
Já
se fala também na volta da CPMF (que
está sendo articulada por governadores do PT), na tributação de dividendos e
na extinção dos juros sobre capital próprio (também projetos
de deputados do PT).
Ou
seja, se o governo realmente decidir fazer um “ajuste fiscal”, pode preparar
seu bolso.
O resumo da
encrenca
Aparentemente,
o ano de 2015 já está perdido. O estrago feito nos últimos
anos foi enorme e o conserto não será nem rápido e nem indolor.
O
trio Guido Mantega (Fazenda), Arno Augustin (Tesouro) e Márcio Holland (Secretária
de Política Econômica) deixou um legado desastroso, de modo que o simples
anúncio da saída destes senhores já é motivo de comemoração.
As
últimas notícias econômicas são desalentadoras.
Em
primeiro lugar, a economia está, na melhor das hipóteses, estagnada há 15 meses. Dos últimos 5 trimestres, a economia encolheu
em três deles e ficou parada em um.
Mesmo
esse crescimento de 0,1% divulgado para o terceiro trimestre deste ano não é
nada alentador, uma vez que, em relação ao terceiro trimestre de 2013, o PIB do
terceiro trimestre de 2014 encolheu
0,2%.
O
endividamento das famílias (que segue
em níveis recordes) em conjunto com a carestia (que não dá sinais de
arrefecimento) derrubou o consumo das famílias.
Os
investimentos, que vinham encolhendo há 4 trimestres seguidos, apresentaram uma
ligeira retomada. Mas crescer 1,3% após
terem encolhido 12% em quatro trimestres seguidos não é nada alvissareiro.
O
problema é que os números são piores do que parecem: na comparação com o terceiro
trimestre de 2013, houve uma queda
de 8,5% nos investimentos do terceiro trimestre de 2014, o que indica que a
confiança dos empresários segue definhando.
E,
de fato, a confiança do empresariado atingiu o menor valor da série histórica.
Isso
se reflete na indústria, onde a carnificina se intensificou. Nos últimos 10 trimestres, a produção
industrial encolheu em 9 deles (em relação ao mesmo mês do ano anterior).
Já
a confiança do consumidor despencou para o
menor nível desde 2008.
A
taxa de câmbio se desvalorizou continuamente desde meados de 2011, com o real
se enfraquecendo quase 40% em relação ao dólar.
A
inflação de preços acumulada em 12 meses passa longe da meta, de 4,5%, desde
2011, e se mantém teimosamente acima do teto da meta, de 6,5%:
E
quando analisada mais pontualmente, a carestia se revela ainda mais
descontrolada. A inflação de preços
acumulada em 12 meses no setor de serviços está em 8,50%, e a de bens
não-duráveis, como alimentação e bebidas, está em 6,74%.
Já
a situação real das contas públicas do Brasil está entre as piores do mundo. Para começar, o superávit primário (receitas
menos despesas, sem incluir o pagamento de juros da dívida) deixou de existir,
e agora os déficits primários, que
não ocorriam desde 1997, passaram a ser a norma.
E,
no acumulado no ano, o déficit nominal
(receitas totais menos despesas totais, incluindo o pagamento de juros da
dívida) já alcançou R$224,4
bilhões, sendo que no ano passado, nesse mesmo período, ele havia sido de R$132,2
bilhões.
Nos últimos doze meses, o déficit nominal
foi de R$249,7 bilhões, o que equivale a 4,92% do PIB, a
maior taxa em 11 anos.
Este
patamar só é igualado ou superado por EUA, Reino Unido, Japão, Índia e África
do Sul.
O
gráfico abaixo mostra uma projeção, otimista, do FMI para todo o ano de 2014.
Este artigo explica em
mais detalhes as atuais manobras do governo para, na prática, acabar com o
superávit primário. O que importa, no
entanto, é que déficits no orçamento do governo (sejam eles primário ou nominal)
são financiados pela emissão de títulos do Tesouro. E esses títulos do Tesouro são
majoritariamente comprados pelos bancos por meio da criação de
dinheiro.
Portanto,
os déficits do governo são uma medida inerentemente inflacionária.
Será difícil reduzir a atual inflação de preços se o governo não equilibrar seu
orçamento.
Como
consequência desses crescentes déficits nominais, a dívida bruta do governo já
alcançou R$3,05 trilhões em outubro, equivalente
a 61,7% do PIB. Para que se tenha
uma ideia, no final de 2013, a dívida bruta do Brasil estava em 56,7%
do PIB.
Caso
essa rota não seja alterada, o Brasil pode perder o grau de investimento (investment grade) da Standard &
Poor’s. Como consequência, fundos
estrangeiros que investem no Brasil terão, por questões legais, de retirar seus
dólares daqui. Isso geraria uma saída
maciça de capitais do Brasil, com consequências desastrosas para a taxa de
câmbio e, consequentemente, para a inflação de preços.
E
o que tudo isso gerou? Essa série de notícias fala por si:
Emprego
tem o pior abril em 15 anos, mostra Caged
Brasil tem
menor abertura de vagas formais para julho em 15 anos, mostra Caged
Criação
de vagas até agosto é a pior da série histórica
Criação
de empregos formais tem pior mês de setembro em 13 anos
País
fechou 30 mil vagas formais em outubro, informa governo
A
taxa de desemprego só não sobe porque, como explicado em detalhes neste artigo, o número
de pessoas economicamente ativa e à procura de emprego está caindo. Se as pessoas param de procurar emprego, elas
não entram na estatística de desemprego.
Só
que a riqueza de um país não é determinada pela taxa de desemprego, mas sim
pela quantidade de pessoas que trabalham.
E, como mostra a linha vermelha abaixo, o número de pessoas empregadas
não avançou nada desde meados de 2012.
Com
todos esses feitos, o resultado não poderia ser outro: pesquisa
recentemente divulgada pelo IPEA — a qual foi convenientemente deixada
para ser publicada somente após as eleições — mostra que, após 10 anos, o
número de miseráveis voltou a subir no Brasil.
O aumento foi de 3,7%.
O que terá
de ser feito
Os
resultados acima mostram o fracasso de mais um experimento heterodoxo no Brasil.
Após
4 anos de intensa aplicação, a Nova Matriz Econômica —
que se baseia em política fiscal expansionista, juros baixos, crédito
subsidiado, câmbio desvalorizado e aumento das tarifas de importação para
“estimular” a indústria nacional — logrou apenas recessão,
queda
nos investimentos, queda
na produção industrial, aumento
nas falências, aumento
na inadimplência, desânimo
no setor de serviços e, como mostra o gráfico acima, estagnação na criação
de empregos.
A
troca da equipe econômica, com a demissão de Guido Mantega, Arno Augustin e
Márcio Holland, e a nomeação de Joaquim Levy, representa um reconhecimento tácito
desse fracasso por parte de Dilma.
Já
é um bom começo.
Mas
e aí? O que deve ser feito?
Atacar a carestia
A
primeira e mais crucial medida a ser tomada é atacar a carestia. Além de estrangular o orçamento das famílias
e de gerar incertezas no empresariado (estudantes de contabilidade sabem como
isso funciona), a inflação de preços é uma das responsáveis diretas pelo
definhamento do setor industrial, como foi explicado em detalhes neste artigo.
E
para atacar a carestia, duas medidas terão de ser tomadas simultaneamente:
controlar o orçamento do governo — ou seja, reduzir os déficits nominais — e
controlar a voracidade dos bancos estatais.
Ao
contrário dos países desenvolvidos — nos quais o Ministro da Fazenda é uma
figura quase que meramente decorativa, de modo que quem tem o real poder é o
presidente do Banco Central (você sabe quem é a presidente do Fed, mas não sabe
quem é o ministro das finanças dos EUA) –, no Brasil, o Ministro da Fazenda
tem uma importância quase tão grande quanto a do presidente do BACEN.
E
o motivo é simples: é ele quem comanda a política de crédito dos bancos
estatais. E é exatamente aí que Joaquim Levy
terá de agir com mais determinação.
Portanto,
a tarefa imediata de Levy, sem a qual
qualquer outra será ineficaz, é controlar os bancos estatais. Na condição de Ministro da Fazenda, ele tem
totais poderes sobre o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e o BNDES.
No
gráfico abaixo, a linha azul mostra o total de crédito concedido pelos bancos
privados (Itaú, Bradesco, Santander, HSBC, Citibank e outros pequenos). A linha vermelha mostra o total de crédito
concedido pelos bancos estatais (Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal,
BNDES, Banco do
Nordeste, Banco da Amazônia e demais bancos públicos estaduais, como Banrisul, BRB, Banestes etc.)
Vale
repetir: no nosso atual sistema monetário e bancário, quando uma pessoa ou
empresa pega empréstimo, os bancos criam dinheiro do nada — na verdade, meros
dígitos eletrônicos — e simplesmente acrescentam esses dígitos na conta do
tomador do empréstimo. Ou seja, todo
esse processo de expansão de crédito nada mais é do que um mecanismo que
aumenta a quantidade de dinheiro na economia.
(Mesmo
o BNDES, que antigamente utilizava apenas recursos do FAT, teve sua operação
alterada, e agora também se tornou uma máquina de criar dinheiro,
ainda que de maneira indireta. Funciona
assim: como o BNDES não tem todo o dinheiro que o governo quer destinar a seus
empresários favoritos, o Tesouro emite títulos da dívida com o intuito de
arrecadar esse dinheiro para repassar a esses empresários. Trata-se de uma operação que, além de
inflacionária, aumenta a dívida bruta do governo. Sobre os títulos emitidos, o Tesouro paga
juros de 11,25% (SELIC atual). Já o
BNDES cobra apenas 5% nesses empréstimos que repassa a empresários.)
O
gráfico acima, portanto, mostra quanto dinheiro foi criado pelos bancos
privados (linha azul) e pelos bancos estatais (linha vermelha) em operações de
concessão de empréstimo.
Olhando
o gráfico, algumas coisas se tornam imediatamente evidentes: 1) o crédito no
Brasil já se encontra efetivamente estatizado; 2) o crédito dos bancos
estatais, majoritariamente do tipo ‘crédito direcionado’,
é indiferente a alterações na SELIC; 3) os bancos estatais estão completamente
fora de controle, criando dinheiro e jogando esse dinheiro na economia de forma
exponencial; 4) são os bancos estatais os principais causadores da carestia
que estamos vivenciando no Brasil. Quanto mais dinheiro eles jogam na
economia, maior é a pressão sobre os preços.
Joaquim
Levy, portanto, terá duas opções: ou ele faz com que os bancos públicos reduzam
suas concessões de empréstimos, ou ele faz com que os bancos públicos elevem os
juros desses empréstimos (muito abaixo da SELIC e
apenas pouco acima da inflação de preços).
Caso
nenhuma dessas duas alternativas seja implantada, não restará outra opção senão
o Banco Central intensificar a alta da SELIC, a qual afeta apenas os bancos
privados. Dado que os bancos estatais são imunes
à SELIC e dado que eles são responsáveis por metade dos empréstimos feitos
no Brasil, a conclusão óbvia é que a SELIC terá de ser elevada de maneira ainda
mais intensa apenas para encarecer os empréstimos feitos pelos bancos privados
e, com isso, reduzir um pouco o processo de criação de dinheiro.
Caso
o BC faça isso, o crédito dos bancos privados ficará ainda mais restrito, e a
economia ficará ainda mais dependente do crédito estatal. É praticamente uma “sovietização” da economia
brasileira.
Além
de atacar os bancos estatais, o orçamento do governo também terá de ser
equilibrado. Os déficits nominais
(esqueça o superávit primário, um mero truque ilusório que não é utilizado por
nenhum país desenvolvido) terão de ser reduzidos. Melhor ainda se forem zerados. Quanto mais Joaquim Levy utilizar suas “mãos
de tesoura”, mais efetivo será o ataque à carestia.
E
Levy já deu mostras de que sabe fazer cortes; mas também já deu mostras de que
sabe elevar impostos. Oremos.
Caso
o governo não faça o ajuste fiscal e opte pelos juros, o setor produtivo — que
já está definhando — irá sofrer ainda mais.
Com o crédito mais caro, os investimentos produtivos não ocorrerão. Consequentemente, as exportações serão
afetadas. O rombo nas contas externas
(em níveis recordes) terá de ser coberto pelo aumento do influxo de
investimento estrangeiro direto e de capital especulativo. Por enquanto, esse influxo vem ocorrendo.
No entanto, caso
haja um revertério no cenário internacional e o influxo diminua, o ajuste será feito “pelo mercado”, isto é, pela
desvalorização da taxa de câmbio, o que irá intensificar ainda mais a inflação
de preços.
Portanto,
é recomendável que o senhor Levy ajuste as contas do governo imediatamente. E que faça isso apenas cortando gastos, sem
elevar impostos.
Por
fim, vale enfatizar algo que este instituto sempre pregou: o gradualismo não funciona.
Seja no corte de gastos, seja na elevação de juros. No período 2002-2003, a SELIC foi elevada de
18% para 26,50% em um período
de apenas 5 meses. Esse ajuste
súbito ajudou a derrubar a inflação de preços de 17% para 5%, pois deu um
choque de confiança e alterou de maneira efetiva as expectativas de empresários
e consumidores. Atualmente, o Banco
Central elevou a SELIC de 7,25% para 11,25% em um período de longos 19 meses. Isso não afetou expectativas e nem gerou
confiança. Serviu apenas para encarecer
o crédito dos bancos privados e aumentar o espaço dos bancos públicos. Não fez
nem cócegas na inflação de preços.
Reduzir o endividamento
Outra
prioridade é reduzir a dívida bruta, que alcançou R$3,13 trilhões em setembro, equivalente
a 61,7% do PIB. Dado que, no final
de 2013, a dívida bruta do Brasil estava em 56,7%
do PIB, houve um aumento de 5 pontos percentuais em apenas 9 meses. E o que é pior: esse aumento nem sequer gerou
algum crescimento econômico.
Os
investidores estrangeiros já estão totalmente a par das mágicas contábeis
feitas pelo senhor Arno Augustin — demorou bastante, mas a ficha deles caiu
–, de modo que ninguém mais presta atenção na dívida líquida.
Caso
a dívida bruta do Brasil (que, entre os países em desenvolvimento, é menor
apenas que a da Hungria) não seja reduzida, as agências de classificação de
risco poderão reduzir a nota dos títulos da dívida brasileira. Se a Standard & Poor’s retirar o “grau de
investimento” do Brasil, fundos estrangeiros serão proibidos, por questões
legais, de investir aqui.
Consequentemente, terão de retirar seus dólares do Brasil. Essa fuga de capitais derrubaria ainda mais a
taxa de câmbio, afetando a carestia.
Portanto,
e de novo, é recomendável que o senhor Levy ajuste as contas do governo
imediatamente. E que faça isso apenas
cortando gastos, sem elevar impostos.
Corrigir o setor elétrico
Outro
pavor é a questão elétrica. O baixo nível dos reservatórios e a crescente
dependência das termelétricas indicam que o sistema elétrico terá custos
crescentes e dependerá cada vez mais das chuvas.
Toda
a bagunça atual começou em 2012, quando Dilma resolveu intervir e
‘microgerenciar’ o setor.
No
início de 2012, a presidente cismou que a conta de luz no país tinha de ser
reduzida em 20%. E, bem ao seu estilo,
decidiu que faria isso com uma simples canetada.
Ela
tinha duas opções: a mais inteligente e mais prática era reduzir as alíquotas
do PIS e da COFINS que incidem no faturamento das empresas do setor elétrico,
de modo que essas empresas pudessem repassar ao menos uma parte desse desconto
tributário para as tarifas de energia. A
menos inteligente e menos prática — e, obviamente, a que foi escolhida — era
antecipar para 2012 o fim dos contratos de concessão das empresas de geração e
transmissão (os quais terminariam entre 2014 e 2018) com o intuito de fazer novos
contratos e impor tarifas menores.
Aí,
deu no que deu. As ações das empresas,
principalmente da Eletrobras, despencaram, o governo teve de indenizar (com o
nosso dinheiro) as empresas cujos investimentos foram perdidos, a oferta de
energia acabou encarecendo e o setor elétrico está à beira do colapso.
Com
o ataque às geradoras e transmissoras, as distribuidoras ficaram sem
alternativa e tiveram de recorrer ao mercado de energia de curto prazo, no qual os
preços negociados são muito superiores em relação aos ofertados pelas geradoras
que ficaram sob intervenção. Para piorar, o país vive uma de suas secas mais
severas, o que afetou os reservatórios das hidrelétricas. Para aliviar, foram
acionadas as usinas térmicas, que produzem uma energia muito mais cara.
As
distribuidoras estão hoje desabastecidas e endividadas. Por isso, estão investindo o mínimo
necessário. Para socorrê-las, o governo repassou bilhões de reais do nosso
dinheiro. Essa conta, obviamente, terá que ser paga pelos consumidores. E isso
muito provavelmente ocorrerá por meio da elevação das tarifas.
A
sorte do governo é que, como o país está em recessão e a indústria está
encolhendo, a demanda por energia não está crescendo, e o risco de apagão segue
baixo. Porém, caso a demanda cresça, e
caso a atual situação se mantenha no setor elétrico se mantenha, o preço das
tarifas terá de subir.
Isso,
inclusive, gera uma situação paradoxal: o governo não deve querer que a
economia volte a crescer, pois isso poderia levar a um apagão.
Cesp
(SP), Cemig (MG) e Copel (PR) não aceitaram a chantagem do governo e suas
concessões começam a vencer em 2015. O
governo terá de resolver como fará as próximas licitações.
O
mau humor dos empresários e do mercado com Dilma efetivamente começou em 2012,
com a Medida Provisória 579, a qual alterou totalmente o sistema elétrico
brasileiro e deixou claro que o atual governo não tem nenhum respeito por
contratos.
Conclusão
Dilma
terá de limpar a bagunça que ela própria criou.
E terá de fazer isso tomando medidas impopulares. Mais ainda: terá de tomar medidas impopulares
ao mesmo tempo em que 1) passa por uma crescente insatisfação popular, 2) vê o
acirramento de ânimos e a difusão de movimentos secessionistas, e 3) provavelmente vivenciará um processo de impeachment.
Caso
ela seja bem sucedida em todos os desafios listados neste artigo, o máximo que
ela irá conseguir é retornar o país ao ponto em que ele se encontrava no início
de 2011.
Que avanço.











eu sou acionista de empresas eletricas,
de repente virei um burgues que merce ser espoliado,
me planejei para receber dividendos ao aposentar,
agora estao tentando mudar a lei novamente para tributar os dividendos,
Nao da pra confiar no Brasil,
Além dos aumentos de impostos citados no artigo, ainda temos aqui no PR aumento de IPTU acima da inflação e aumento da alíquota do IPVA.
Só alegria!
Caro Leandro, ótimo artigo. A possível aprovação da mudança da LDO teria quais efeitos a curto e longo prazo considerando esse contexto econômico?
Grande abraço!
“A taxa de desemprego só não sobe porque, como explicado em detalhes neste artigo, o número de pessoas economicamente ativa e à procura de emprego está caindo. Se as pessoas param de procurar emprego, elas não entram na estatística de desemprego.”.
Acredito que conforme o desemprego aumentar, isso irá disparar um gatilho.
Então os novos desempregados que atualmente estão sustentando as pessoas que não querem trabalhar (nem nem) dirão aos seus sustentados que eles agora tem que trabalhar.
Daí a taxa de desemprega deverá sofrer um incremento maior do que o total de novos desempregados.
“Caso ela seja bem sucedida em todos os desafios listados neste artigo, o máximo que ela irá conseguir é retornar o país ao ponto em que ele se encontrava no início de 2011.”.
Nesse caso chuto que, na melhor das hipóteses, voltaremos ao ponto que estávamos em 2009.
“Caso ela seja bem sucedida em todos os desafios listados neste artigo, o máximo que ela irá conseguir é retornar o país ao ponto em que ele se encontrava no início de 2011”
Ou seja, 8 anos jogados no lixo.
E viva o PT!
Mantendo a tradição, um ótimo texto do Leandro no fim do ano.
Leandro,
Parabéns pelo artigo e mantenha o trabalho vivo, pois o que mais nos falta no país são análises coerentes como estas.
Alguns motivos para a continuação do modelo desenvolvimentista e para o impedimento do retrocesso neoliberal:
1. Produto Interno Bruto:
2002 – R$ 1,48 trilhões
2013 – R$ 4,84 trilhões
2. PIB per capita:
2002 – R$ 7,6 mil
2013 – R$ 24,1 mil
10. Reservas Internacionais:
2002 – 37 bilhões de dólares
2013 – 375,8 bilhões de dólares
13. Taxa de Desemprego:
2002 – 12,2%
2013 – 5,4%
17. Salário Mínimo:
2002 – R$ 200 (1,42 cestas básicas)
2014 – R$ 724 (2,24 cestas básicas)
Fiz uma pequena seleção de 50 motivos para a continuação da política econômica. Os interessados podem ver outros motivos no seguinte site: https://fernandonogueiracosta.wordpress.com/2014/10/18/50-motivos-para-a-continuidade-do-governo-social-desenvolvimentista/
leandro, qual a logica de cortar gastos e aumentar arredacao via aumento de impostos
Ótimo artigo!
Creio que um pouco de desemprego, com o aumento da taxa de desocupados seria algo saudável. Haveria uma ligeira queda no consumo e a consequente diminuição de preços e da inflação. A diminuição dos salários pelo aumento da oferta de mão de obra seria boa para o empresariado, principalmente para a industria que a cada dia que passa está menos competitiva.
A verdade é que, no meu caso, o que mais atingiu o pequeno empresário foi o dedo podre de Lula mexendo no rendimento da poupança. O aumento da inflação agora já come a poupança. Se a poupança não rende o pequeno empresário recorre ao crédito, o que dificulta o empreendedorismo.
Se Lula fosse menos burro, teria conseguido o que queria (atacar os desocupados que vivem de renda) tributando mais a herança e as poupanças de altos burocratas que são proibidos por lei de empreender. Mas Lula é burro que nem socialista ele serve para ser.
Excelente análise.
A minha dúvida é a seguinte, a economia já está debilitada. A indústria automobilística está demitindo por que as vendas despencaram. O setor imobiliário realizando feirões pelo país e não consegue desovar seus estoques.
Uma redução nos gastos públicos não agravaria a situação que já está ruim?
Eu não tenho dúvida de que a redução dos gastos públicos é necessária. A redução do tamanho do estado e não intervenção na economia seriam o ideal, mas sabemos que estamos longe disso.
O que eu questiono é se uma redução dos déficis nominais, não resultaria numa atividade econômica mais fraca, que pode reduzir a arrecadação, fazendo com que tenha que reduzir ainda mais gastos e assim gerar um ciclo que leve a uma longa recessão.
Estava mesmo esperando a genialidade do Leandro para fechar o ano com um artigo desse porte.
Excelente!
Sensacional!!!
Por causa desses e outros artigos que eu sou associado.
O lado bom do IMB é que eu fico turbinado, excitado para vencer e sair da corda bamba.
O lado negativo: não vejo oportunidades, o empresariado está com as mão atadas, sem poder estruturar as suas companhias, consequentemente, dar trabalho.
Resumo: Sou funcionário público municipal, ganho 900,00 bruto, minha esposa 1700,00 bruto, e eu não consigo sair da área pública, vi meus rendimentos cairem abruptamente nos últimos 8 anos. Eu era sócio de uma empresa que quebrou no governo Lula, e sinto na carne , a robalheira e má-intenção do crédito estatal:
A minha empresa tinha crédito com todos os bancos da época; Bradesco, Real, HSBC, Santander, Itaú e Unibanco – pois, estávamos escravos do cheque especial, capital de giro e outros emprestimos. Sabe qual foi o único banco que saímos devedores???
Pois é; o bandido do BANCO DO BRASIL. (0,00 Itau, 0,00 Unibanco, 0,00 Hsbc , 9.000mil Banco Santander, 0,00 Bradesco) Agora… BANCO DO BRASIL: 300.000 MIL
Nessa época eu tinha 25 anos e morava num pensionato, não tinha nada para dar de garantia.
Pergunta; será que os outros bancos sairam sem rombo porque éram privados??
Na época o Estelionatário do banco do Brasil só parou de mamar na teta porque a Anvisa fechou nossa fábrica.
É isso.
Desculpe o excesso
Belo artigo. Podemos supor que essa capitalização do BNDES foi a saideira do Mantega:
g1.globo.com/economia/noticia/2014/12/contrariando-novo-ministro-da-fazenda-bndes-recebe-novo-aporte.html
Agora tendo em vista as metas que o Levy anunciou:
g1.globo.com/economia/noticia/2014/11/novo-ministro-da-fazenda-fixa-meta-fiscal-de-12-do-pib-para-2015.html
Parece que teremos um ajuste bem lento e gradual. Parecem apostar que o crescimento voltará sozinho.
Obviamente, os ajustes que serão feitos estão muito longe do ideal. Com certeza não haverão cortes em funcionalismo público, diminuição de burocracia, desregulamentação, ou outras coisas necessárias. Sei que seria um tiro no escuro tentar prever isso, mas politicamente falando, estes ajustes não poderão ser feitos durante muito tempo. Em dois anos haverão as eleições municipais, e acredito que o PT vai querer melhorar a imagem negativa que o povo está tendo deles agora. Da mesma forma, é previsível que eles tentem fazer estímulos artificiais quando estiver próxima a eleição da presidência da república, mesmo que sejam necessários ajustes ainda mais severos passando o pleito. Não vejo a menor perspectiva de melhoria. Os impostos vão aumentar, a uma taxa acima da inflação, que já estará bem alta, comendo o que sobrar de nossos rendimentos. A conta da farra chegou. Apertem os cintos.
Parabéns por esta síntese perfeita sobre o nosso momento econômico atual, Leandro. Sinceramente eu te considero de longe o melhor analista econômico do país. Sempre uso seus artigos como parâmetro para estabelecer políticas para minha empresa sobreviver nesta guerra de trincheiras que é o ato de empreender no Brasil.
E a propósito, os EUA devem aumentar os juros no próximo ano, o que potencializa o problema de perdermos o investment grade. Coitado do Levy.
Aumento do crédito dos Bancos Públicos em detrimento dos privados é uma boa coisa, não ?
Já que é impossível pagar (usura), quanto mais for para os públicos menos choro quando quebrar.
O que o Ron Paul propõe é justamente isso, não ?
Acabar com o FED, seria sovietizar a economia ?
Eu concordo que é muito poder pra deixar na mão dos palhaços mas, queria saber o porque do padrão duplo.
Meu amigo disse:
– O PSDB dobrou a dívida em termos de PIB de 30 para 60% e nominal de R$150 para R$890 bilhões, mesmo vendendo estatais.
eu respondi:
– Que o governo do PSDB não podia se financiar via inflação, e que para pagar as despesas obrigatórias teve que pegar emprestado. Qual a melhor resposta para essa pergunta?
Leandro
Hoje eu ainda devo, mas, tenho muito conhecimento, como sou concurseiro, aprendi muito sobre as leis.
Pretendo aumentar a minha renda, poupar, investir e posteriormente pagar 30mil (6 a 7 funsionários e o Santander 8 mil)
Agora… O banco do Brasil eu pretendo entrar na justiça e provar a indecência do B.B
Quero pagar uma boa empresa de advocacia.
Davámos cerca de 15 % porcento do nosso faturamento bruto ao banco todos os dias, mês a mês, durante anos, quando viram que estavamos perdendo fôlego… eles fizeram um cotrato de garantia (detalhe; não tinhamos garantin) e me coagiram a assinar a dívida na época era d e140 mil (hoje uns 200mil já executado) agora… Choque-se:
Capital social da empresa áquela época: 10 mil reais. Isso mesmo 10.00 mil
Eu era social minoritário com 500 reis de cota (5%) quinhentos reais.
Pergunto::???? NÃO É UMA INSTUITUIÇÃO BANDIDA?
Como sempre, excelente artigo! Muito didático, muito claro e balisado por dados e suas fontes. Essa portunidade de montar os próprios gráficos e seguir o seu raciocínio é fantástica!
Eu gostaria de ver essa mudança nos juros dos empréstimos estatais e um leve aumento na selic, mas questiono se os privados não reagiriam aumentando ainda mais as suas taxas, jogando fora alguma vantagem competitiva por não acreditar que o volume de empréstimos cresceria por outras razões. Aumentando as suas taxas eles continuariam com as mesmas desvantagens atuais, mas então com lucros maiores. De certa forma isso não resolveria o problema.
Outra dúvida é relativa a PIS e COFINS, que são “sociais”. Se arrecadar menos, haverá menos verba para os produtos sociais a que se destinam, e nós infelizmente ainda precisamos deles, concorda? Estas reduções não seriam melhor aproveitadas se fossem graduais? outra redução que precisa ser como uma martelada, do meu ponto de vista, é sobre os encargos do empregador. Qual seria o impacto real na economia se um funcionário passasse a custar a metade, sem redução de salário?
Obrigado pelo conhecimento transmitido!
Parabéns pelo artigo Leandro, muito bom!
Mas, cortar gastos, reduzir o crédito público subsidiado e reduzir impostos… É a receita de sempre e que nunca é tentada, infelizmente.
O que a Dilma quer é só usar a credibilidade do Levy pra acalmar o mercado e seguir na linha desenvolvimentista. Vamos ver. Se o FED subir os juros.. Aí que o treco aqui vai feder.
Se bem que, considerando só o que virou o BNDES, talvez o ajuste não seja assim tão difícil de fazer. Fecha o BNDES e problema resolvido! 😀
Leandro,
Muito bacana a análise, gostaria de aproveitar a oportunidade, neste que é meu primeiro comentário por aqui, para parabenizá-los pelo trabalho no site.
Tenho lido os artigos no site há algumas semanas, o qual me deparei por acaso, em uma busca por artigos sobre a realidade sobre o desemprego no Brasil. (não me conformava com uma estatística tão díspar das demais, e foi aqui no site que encontrei a explicação satisfatória e lógica para esta questão).
Desde então tornou-se um hábito diário ler alguns artigos por aqui.
O que mais tenho a elogiar é a forma como vocês procuram ser sempre claros, objetivos e acima de tudo lógicos nas análises.
Continuem o bom trabalho, com honestidade intelectual e acima de tudo com o uso do intelecto.
Aos que fazem críticas e aparecem aqui para tumultuar, apenas gostaria de manifestar minha tristeza pela preguiça de pensar.
Um abraço,
Marcos
Olá Leandro,
Isso ainda se verifica no brasil: http://www.reuters.com/article/2013/07/27/us-brazil-imf-debt-idUSBRE96Q0CA20130727
O Governo não computa as dividas do tesouro em poder do BC como dívidas (” Nós devemos para nós mesmos”).
O FMI, discordando dessa medida, calculou a Dívida/Pib brasileira considerando essa parcela da dívida e o resultado foi um indicador com 10 pontos percentuais maior.
Isso ainda ocorre? Você sabe onde conseguir números atualizados da divida/pib calculado pelo FMI?
Abraços e parabéns pelo excelente artigo!
Ahh eu comentei e esqueci de dar meus parabéns pelo artigo.
Ótimo trabalho, continue!
Penso que vai acontecer aquilo que eu previ: Dilma será oferecida em holocausto para a volta de Lula em 2018. Ela vai tomar todas as medidas amargas que dizia que Aécio tomaria, e arcará com o inevitável ônus de impopularidade. Quando o nível de rejeição de Dilma atingir um nível crítico, o PT encenará uma ruptura com ela e se concentrará na campanha pela volta de Lula em 2018 como salvador da pátria. Lula assumirá com as contas no azul, tudo pronto para nova gastança, e Dilma sumirá pela porta dos fundos.
Há 2 cenários possíveis.
Primeiro cenário, o otimista, brilhantemente escrito por este artigo: A Digníssima Presidente finalmente deu-se conta do monstro gigantesco que sua gestão produziu. Portanto, teve que chamar alguém para limpar a sujeira e tentar arrumar a casa. Vai doer e vai levar tempo, mas não há outra saída.
Segundo, mais assustador, e, na minha opinião, o mais provável: O Sr. Levy é somente a famosa “figura do espantalho”.
Isto é: como estamos passando por um monte de escândalos, muita gente está fazendo barulho, os gastos estão fora de controle, a inflação está subindo, estão “atacando o governo” (veja só que “desrespeito”: ficar “atacando o governo”)…
Solução da Sapiente Presidenta – vamos botar um cara “neoliberal” ali.
Nós, que somos do governo, portanto sempre estamos corretos, vamos continuar gastando mais ainda, afinal “despesa corrente é vida”, precisamos manter o “estímulo para a economia”, precisamos “manter o emprego a qualquer custo”, precisamos “incentivar as indústrias”.E se a despesa vier às custas do contribuinte direto para os bolsos da Máquina Governista, melhor ainda!
Depois, quando o caos definitivo chegar, basta debitar a culpa inteiramente na conta do Sr. Levy. Afinal, ele é “Mr. Chicago Boy, ortodoxo, aluno do Armínio Fraga, neoliberal, banqueiro, financiado pelo capital internacional”.
Basta o governo dizer: “Viram como foi ELE que produziu toda essa desgraça? Portanto, precisamos avançar de vez para o ‘novo modelo social’. Precisamos acabar de vez com o liberalismo!”
Após esse passo, o caminho da servidão estará pavimentado para a Ditadura do Proletariado.
Em 2015,além de tudo, teremos a bolha imobiliária estourando de vez.
Leandro,
Voltando a postar, já que você me cobrou no seminário!
Fiquei com uma dúvida sobre o seguinte trecho:
“Além de atacar os bancos estatais, o orçamento do governo também terá de ser equilibrado. Os déficits nominais (esqueça o superávit primário, um mero truque ilusório que não é utilizado por nenhum país desenvolvido) terão de ser reduzidos. Melhor ainda se forem zerados.”
Como é esse truque ilusório que não é utilizado por nenhum país desenvolvido? Você poderia explicar e falar dos superávits dos últimos anos em relação a isso?
Parabéns, Leandro! Belo artigo, como sempre.
Posso citá-lo em meu site? Alguma restrição?
Obrigado!
Fala Leandro!
Como de costume, mais uma de suas análises brilhantes e sensatas! Só posso agradecê-lo.
Bom, faz tempo que vemos a Selic mostrando-se um instrumento insuficiente para controle da inflação. Ela, sozinha, não significa muita coisa. Só o governo não enxerga isso. A única conseqüência que vemos é a intensificação da estatização do crédito no Brasil, enquanto os preços seguem sendo pressionados pelo despejo de dinheiro na economia.
Algo me diz que esse estímulo ao crédito subsidiado só vai diminuir quando a inadimplência disparar. Tu tens informações a respeito da adimplência em instituições públicas vs. privadas? Tenho curiosidade de saber se ela vem aumentando e em que ritmo.
Por fim, confesso que recebi a notícia da nomeação do Sr. Levy com muita cautela. Como tu pontuaste muito bem, ele tem um perfil de cortar gastos mas, com esse governo gastador, acho difícil ele conseguir “fechar essa torneira” da qual jorra dinheiro para programas sociais e empresas lobistas do governo. Há de se ponderar que, se suas ações forem muito ortodoxas, facilmente ele se tornará impopular junto a base governista. Em resumo: na minha opinião, se ele fizer o certo, perde apoio político e se ferra; se fizer o errado, afunda o país ainda mais e se ferra. Ele terá um caminho com muitos espinhos, sem dúvida. De qualquer forma, o simples fato de o lunático do Mantega ter saído de cena, não deixa de ser um alento.
Novamente, obrigado pelo artigo. Há anos que não perco um artigo sequer aqui no IMB 🙂
Abraço,
Li em algum site que o plano macabro do PT seria 2 anos de “ortodoxia light” com Levy para depois mudar a chave e voltar para o “desenvolvimentismo”, gastar até o talo e reeleger Lula em 2018!
Pelo amor de Deus: será que 2 anos se fazendo de bonzinho esse governo conseguirá recuperar aquela euforia internacional com o Brasil e melhorar o crescimento e assim se perpetuar no poder? Digam que não por favor!
Qual o sentido do governo nomear um ministro para restaurar o mínimo de “austeridade” e ao mesmo tempo querer reduzir o superávit primário?
[off] “O que nos aguarda” é o título e o id é 1984. Coincidência macabra.
Prof Leandro,
Brilhante artigo.
Apenas, duas observações: O BNB e o BASA são bancos federais controlados pela União (não vejo razão para a União ter tantos bancos comerciais) e;
Nesse montante da dívida pública bruta de 3,13 trilhões você já incluiu as tais operações compromissadas do Banco Central? Elas já passam de R$ 900 bilhões.
Salvo algum equívoco, até onde pude pesquisar, são operações que ocorrem quando os bancos preferem títulos de curtíssimo prazo (o nosso caso atual) que o Tesouro não emite, pois este prefere trabalhar com títulos pré e com prazo mais elástico.
Então o BACEN aparece e resolve o problema. Vende um título federal de sua carteira para o mercado com cláusula de recompra no curto prazo e com rendimento atraente, mediante um contrato “derivativo” firmado com um banco comercial qualquer. Essas operações mascaram a realidade de que a dívida está alargando a sua maturidade. Na realidade, se somarmos as operações compromissadas, a dívida de curto prazo que alimenta o nosso “over night” já atinge uns 40% do total. O economista Nakano comentou a respeito no mês passado.
Fico por aqui,
Um grande abraço,
Zeca
Excelente artigo, era o que eu escreveria mais cedo, porém saiu esta notícia a pouco:
veja.abril.com.br/noticia/economia/bndes-pode-elevar-juros-a-partir-de-2015-diz-luciano-coutinho
Parabéns Sr. Leandro seu artigo discorreu precisamente os passos do governo, e já estão se cumprindo.
Agora a minha pergunta, até onde haverá gotas de sanidade de Dilma em seu deserto de ignorância? Até onde ela pretende levar Levy?
Leandro, obrigado pelo excelente texto e também pela sua atenção na resposta às dúvidas dos leitores.
Vamos supor que o cenário mais provável ocorra, que é a diminuição na oferta do crédito pelos bancos públicos e o aumento na taxa Selic.
Qual o efeito disto em uma economia debilitada como a Brasileira atualmente? Não iria prejudicar demais um setor produtivo já em crise?
Eu imagino que esta atitude só daria resultados positivos se acompanhasse uma mudança na política de gastos do governo e uma melhoria no ambiente de negócios como forma de compensação, o que é uma hipótese praticamente impossível tendo em vista a própria característica do partido.
Outra dúvida é em relação a taxa selic. Até que ponto um aumento súbito impactaria o custo com pagamento de juros da dívida? Isto aumenta o déficit nominal de forma relevante?
Diante de todas estas atitudes prováveis por parte do governo, quais os resultados no mercado imobiliário, tendo em vista que estas medidas prejudicariam ainda mais o setor e poderia ser o estopim para uma correção brusca de preços? Acredita que o governo vai manter a torneira de crédito aberta para este setor específico?
Olhem o recado que o governo está mandando:
Aumento da taxa de juros:
http://www.correiodoestado.com.br/economia/banco-central-eleva-taxa-de-juros-para-1175-ao/233910/
A torneira dos bancos públicos vai continuar aberta:
granos.agr.br/noticias/economia/03-12-14-governo-autoriza-liberacao-de-r30-bi-ao-bndes-por-meio-de-medida-provisoria
Leandro, obrigado por esta excelente explicação.
Estou engatinhando no conhecimento sobre economia. São várias duvidas, mas como sei que existem inúmeras outras dos leitores pra responder, destaco apenas duas.
1- ''O gráfico acima, portanto, mostra quanto dinheiro foi criado pelos bancos privados (linha azul) e pelos bancos estatais (linha vermelha) em operações de concessão de empréstimo.''
Quanto citou ''foi criado'', não é literalmente a criação de dinheiro pelos bancos privados?
2- ''Saiu do cargo em março de 2010 e foi para o Bradesco, onde atua na direção de gestão de fundos de investimentos e ganha algo em torno de R$250 mil por mês. Como ministro, ganhará R$26 mil. Não há motivos para crer que ele aceitaria trocar esse belo emprego no Bradesco para virar um mero capacho de Dilma e ganhar bem menos.''
Você teria uma opinião mais detalhada sobre a renúncia de um executivo com salario de 250 por um de 26 mil? Foi ironia? Sua resposta com simples ''sim''é suficiente, entenderei…
Desculpe minha ignorância. Aliás, a escuridão da mesma vendo sendo iluminada a cada artigo seu sobre economia. Obrigado.
Abraços,
Feliz 2015, e nos brinde com mais artigos seus.
Muito bom o artigo, Leandro.
Feliz por ler este primoroso artigo de sua autoria.
Abraço.
Li o artigo do Leandro e minutos depois vêm a seguinte notícia:
BC subiu a taxa Selic pela 2ª vez seguida
Obrigado Leandro:
''Caso nenhuma dessas duas alternativas seja implantada, não restará outra opção senão o Banco Central intensificar a alta da SELIC, a qual afeta apenas os bancos privados. Dado que os bancos estatais são imunes à SELIC e dado que eles são responsáveis por metade dos empréstimos feitos no Brasil, a conclusão óbvia é que a SELIC terá de ser elevada de maneira ainda mais intensa apenas para encarecer os empréstimos feitos pelos bancos privados e, com isso, reduzir um pouco o processo de criação de dinheiro.
Caso o BC faça isso, o crédito dos bancos privados ficará ainda mais restrito, e a economia ficará ainda mais dependente do crédito estatal. É praticamente uma “sovietização” da economia brasileira.''
E agora Leandro, como nos defender?
Chaves morreu, me refiro ao mexicano e com s no final.
Até 2010 eu vivia na ilusão que seria sim possível que o Brasil alcançasse padrões desenvolvidos.
A partir de 2010, após muita leitura e experiência “do lado de dentro” do governo, minha ilusão desapareceu, hoje enxergo bem.
Vejo um território com imensas riquezas naturais, metais preciosos, solo agriculturável, muita água e clima favorável. Vejo um território com grande potencial de produção de alimentos para todo o mundo.
Vejo um território com o maior potencial de produção de riquezas no mundo.
Não vejo um país (abstração do território) preparado para produzir estas riquezas.
Não vejo uma nação (nível ainda mais abstrato) preparado para produzir riquezas.
Vejo como J.O.M. Pena estava certo, o brasileiro é um povo com origens nos morenos, o brasileiro é paixão não é razão, pouco se interessa pelo aprimoramento contínuo de sua própria pessoa. “Sobreviver” para os morenos sempre foi mais “tranquilo” que para “sobreviver”os nórdicos.
Vejo que o mundo é dividido com blocos supranacionais com poder de intervenção em vários países.
Vejo que seria um risco para os interesses destes blocos que um território tão rico viesse a se organizar e constituir uma nação consolidada ciente de sua importância no contexto mundial.
Vejo como o coletivismo se adequou bem ao brasileiro ao longo dos últimos 60 anos, mondando sua personalidade.
Soma-se a isto a isso a necessidade do cultivo da idolatria por um povo sem referencial histórico. O resultado é o desenvolvimento planejado de um moderno sistema colonial de exploração.
Este sistema (democracia socialista) é gerido por grupos de gestores (partidos políticos) onde os gerentes são bem remunerados para que mantenham a alienação de todo um povo.
A alienação é necessária para que este povo forneça a mão de obra para extrair deste território toda riqueza possível, sem que beneficie o próprio povo.
Gestores normalmente têm ideologias, os adeptos de Stalin e Lenin são os “melhores”.
O Cultivo destas ideologias é incentivada para manter o controle, afinal pouco interessa se na década de 2020 for criada um bloco socialista na América Latina sob o comando do Foro de SP, desde que seja mantida ativa a colônia.
Vejo que tudo faz sentido, ambientalismo, feminismo, gayzismo, socialismo, Marx, Gramsci, Lula, Obama, etc… são ferramentas de alienação popular efetivas.
Vejo que mais uma vez admiro o individualismo e a práxis que me fazem enxergar oportunidades em toda e qualquer situação.
Vejo nos Austríacos o que mais se aproxima da verdade.
Parabéns ao Instituto!!!
Leandro,
Vc acredita mesmo que cortes profundos serão feitos ? mesmo que concorde que deveria ser cortado gastos com cargos comissionados, secretarias, ministérios, agencias reguladoras, burocracia, corrupção, caixa 2, financiamento de artistas engajados, bolsa BNDES, salários e benesses de políticos etc.. o grande grosso da despesa do governo advêm de gastos com previdência e juros da divida. Não creio que o governo realizará tão cedo uma reforma na previdência e sobre a divida que o governo tem junto ao sistema bancário e investidores ? o que fazer ? renegociar ? dar calote (rsss) ?
Obrigado pelo grande artigo.
Leandro, parabéns! Mais um texto de grande valia para os leitores.
Gostaria de saber qual o cenário mais provável para a economia brasileira nos próximos dois anos. Será que a moeda brasileira desvalorizara ainda mais em relação ao dólar e euro?
Como sempre, as análises do Leandro Roque são claras e bem sustentadas.
Diante de uma análise dessas, eu gostei muito de saber que o Joaquim Levy será o novo ministro da Fazenda. E dá para ser bastante otimista com relação ao que deve ser feito.
Pra começar: com relação à necessidade de se reduzir o endividamento, já sabemos da fama de durão que ele tem com relação à política fiscal. Então podemos esperar que ele vá no mínimo estancar quaisquer avanços nos gastos públicos, além de tomar outras medidas que visem a tão sonhada redução dos déficits nominais do governo. E por conseguinte, sendo ele o responsável pela política de crédito dos bancos estatais, será uma grande surpresa se ele não conter firmemente os avanços da emissão de dinheiro dessas instituições. E daí, de uma maneira indireta, vai acabar também atacando a carestia. Já a correção do setor elétrico, que não deve ser muito da alçada dele, é que deve ficar mais a cargo da Dilma, então, sabe-se lá o que vai acontecer.
É certo que o ajuste fiscal é pensado apenas em termos de se alcançar algum superávit primário; e as medidas tomadas não devem necessariamente causar um grande choque. Ainda assim, ter um Joaquim Levy na Fazenda já é por si só um grande avanço, e digno de cumprimentos.
Agora (e por último sempre o mais importante), digno de elogios imensamente mais calorosos, é este ótimo e presciente artigo. Prezado Leandro, meus parabéns e meu muito obrigada por mais este – e como sempre – edificante e excelente artigo.
Grande abraço!
Leandro,
Embora seja fã ardoroso de seus percucientes artigos, sou obrigado a discordar de seu comentário “injustamente” irônico no seguinte trecho de sua sempre brilhante análise: “Uma conclusão: para Dilma, banqueiros maus só os do Itaú. Os do Bradesco aparentemente são dotados de alguma sensibilidade social.”
Não! Há colossal diferença entre os banqueiros do Itaú e os banqueiros do Bradesco: o símbolo do Itaú é azul e amarelo (= PSDB) e o símbolo do Bradesco é vermelho e branco (= PT).
Visto por este prisma – o qual, por ser tão relevante, é o que pauta as decisões presidenciais… – está explicada a preferência pelos banqueiros do Bradesco.
No mais, quero aproveitar a oportunidade para agradecer-lhe pelas aulas de economia e pelo prazer da leitura.
Leandro,
Parabéns pelo texto, como sempre, muito elucidativo.
Abraço,
Saiu anteontem, bem escondidinho na imprensa (com um negrito meu):
Aneel fixa repasse de R$ 1,18 bi a distribuidoras de energia
Recursos são destinados à cobertura de gastos que as empresas estão tendo no curto prazo relacionados à compra de energia elétrica mais cara
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) fixou em R$ 1,18 bilhão os recursos a serem repassados às concessionárias de distribuição de energia elétrica até 8 de dezembro referentes à competência de outubro, segundo despacho publicado nesta terça-feira no Diário Oficial da União.
Os recursos são destinados à cobertura de gastos que as empresas estão tendo no curto prazo relacionados à compra de energia elétrica mais cara, em momento de estiagem e forte geração termelétrica.
Ou seja, só pra outubro, o governo está repassando mais de R$1 bilhão. Imagina o tamanho total dessa fatura.
Prezado Leandro,
Parabens pelo artigo.
Refleti sobre este teu paragrafo:
Saiu do cargo em março de 2010 e foi para o Bradesco, onde atua na direção de gestão de fundos de investimentos e ganha algo em torno de R$250 mil por mês. Como ministro, ganhará R$26 mil. Não há motivos para crer que ele aceitaria trocar esse belo emprego no Bradesco para virar um mero capacho de Dilma e ganhar bem menos.
Uma humilde hipotese que me ocorreu sobre o motivo dele aceitar o cargo é uma certa pressão do comando do Bradesco para que tente pelo menos salvar, fazer o que for possivel nestas condicoes….afinal nao é crível imaginar que BBDC4 e BBDC3 irao bem no longo prazo em um país economicamente destruído.
Esta talvez seja a unica vantagem de um cidadao comum em comparacao a uma grande empresa: ele pode ir embora, já um bancão não!
Olá, Leandro. O texto é ótimo mesmo. Na verdade são os textos que mais gosto de ler por aqui. Achei o seu texto tão bom como os do Ricardo Galo que também são muito bons. Não comungo com algumas idéias colocadas por aqui, mas isso faz parte. Permita-me fazer algumas reflexões e uma pergunta final (pedindo vênia já pelo tamanho do texto).
a) Uma das pessoas que mais conhece de finanças públicas é o Mansueto. Nos textos produzidos por ele, fica claro que a estrutura de gastos do Brasil é complexa e estanque. Numa resposta nesse mesmo artigo, você diz que se poderia atacar os gastos com cortes de ministérios, agências reguladoras, etc. Tirando eventuais questões de princípio (mais ou menos Estado), o fato objetivo é que a rubrica para esse tipo de gasto não é expressiva, como mencionado diversas vezes pelo Mansueto. Não adianta, mesmo diminuindo pela metade os ministérios, não seria nem 0,2% do PIB (não estou certo do número, mas é bem baixo), isso se fosse, pois os funcionários não podem ser mandados embora e teriam que ser realocados em outros órgãos. Isso me leva ao item "b";
b) O Brasil, quando da Constituinte, escolheu uma estrutura de Estado e de nação. Isso foi uma escolha política. Talvez por sofremos uma ditadura, por sermos um país extremamente injusto e desigual, resolveu-se criar um modelo de Estado. Esse modelo de Estado está na nossa Constituição, e ele obviamente produz uma estrutura de gastos. Desde a década de 80, a nossa carga quase dobrou em proporção do PIB e não há nada que impeça que esse ritmo continue. Em qualquer governo, Collor, Itamar, FHC, Lula, Dilma, a carga aumentou. Há pessoas extremamente inteligentes como o Samuel Pessoa que dizem que isso é fruto da nossa escolha política em 1988. Há até mesmo um livro chamado "Por que o Brasil cresce pouco?" que defende que se fez uma escolha por um país com possibilidade de crescimento menor, porém mais inclusivo (pode-se concordar ou não se isso é verdadeiro ou não, mas parece essa ter sido a escolha). Assim, o Brasil nunca poderia ter taxas de poupança ou investimento como países asiáticos que possuem modelos de Estado e de estruturação da sociedade diferentes. Apenas para se ter uma ideia 75% do orçamento da União é para pagamento de pessoas (aposentadorias, benefícios sociais, servidores, etc), e nesse gasto não tem como mexer;
c) Podemos conjecturar sobre Estado Mínimo, o que deveria ser feito, porém o fato objetivo é que temos uma constituição. Se o governo não paga benefícios previdenciários, o Judiciário manda restabelecer. Assim, ou cumpre-se a ordem, ou comete-se crime de desobediência ou retira-se a independência do Judiciário. Se quiser mudar a Constituição por EC (além de correr o risco de ver essas Emendas declaradas Inconstitucionais, e aí voltamos ao primeiro problema) e o Congresso por pressão popular, ou não, não aceitar, ou se aceita ou se fecha o congresso;
d) Além do mais, os gastos tendem a crescer mais (como os 10% do PIB para educação – hoje em dia estamos em 6%) o projeto de 10% para saúde, aumento sensível dos gastos previdenciários com o envelhecimento, etc. Pode-se argumentar, tem-se a solução, Estado Mínimo, mas isso com as regras atuais seria inconstitucional. Portanto, no meu entendimento, se quisermos ser objetivos e realistas, em algum momento a Constituição, o nosso pacto social, terá que ser rediscutido. Assim, acho que ficaria mais claro se as pessoas defendessem abertamente a rediscussão do nosso Pacto Social. Conscientes dos riscos de se rediscutir uma Constituição, pois nunca se sabe o que pode sair numa constituinte, já que num ambiente desses diversas forças políticas, sociais organizadas, etc, tentam prevalecer os seus interesses.
Esse tema me interessa bastante, e gostaria de saber a sua visão.
Abraço!
blog pensamentos financeiros
Leandro, excelente análise, parabéns!
Pelo histórico de “desempenho” da Búlgara, o melhor é torcer para não retornarmos aos anos 1980.
abç!
Se já não bastassem as maquiagens contábeis, o congresso acabou de flexibilizar mais ainda a meta de superavit primário.
http://www.valor.com.br/politica/3804386/congresso-aprova-mudanca-na-meta-fiscal-de-2014-apos-18-horas
Leandro, primeiramente agradeço mais uma ótima análise. Logo que vejo que saiu um texto seu é inevitável parar o que estou fazendo para lê-lo.
Agora essa mudança na meta fiscal será algo preocupante? Preocupante claro que sim, mas digo exageradamente ou o mercado de alguma maneira já antevia essa aprovação?
Não consigo imaginar algum investidor com mais de dois neurônios que veria no Brasil algum tipo de potencial para investir. O governo deixa cada vez mais claro que aqui não se pode confiar em nada.
Bom dia Leandro!
Muitos países desvalorizaram suas moedas,afim de melhorar sua economia. Qual ou quais os mecanismos que eles usam para a desvalorização
grato
Amauri
E a zona continua…
Com baixo interesse de geradoras, leilão de energia decepciona
O leilão A-1 de energia existente, realizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) na manhã desta sexta-feira, 5, durou menos de 20 minutos e confirmou a expectativa de que os preços de referência estabelecidos pelo Ministério de Minas e Energia (MME) não eram atrativos para os geradores. Apenas duas empresas estatais, Furnas e Petrobrás, ofereceram energia.
Foram negociados 622 MW médios para 2015, mas a demanda das distribuidoras, de acordo com estimativas de especialistas, era bem maior: entre 2.500 MW e 3.000 MW médios.
Os representantes do governo confessaram que o resultado do certame ficou aquém do desejado. Para atender à demanda excedente, o governo federal pretende promover um leilão de ajuste na primeira quinzena de janeiro do próximo ano.
[…]
O principal desafio dos leilões de energia de curto prazo desde o ano passado é exatamente obter geradoras interessadas em participar com venda de energia nessas competições.
Os preços máximos definidos pelo governo federal para serem praticados nesses leilões têm ficado muito aquém das previsões de mercado para preços de energia de curto prazo. Assim, as geradoras têm optado por obter mais ganhos com as negociações no mercado de curto prazo num momento em que a escassez de chuva para abastecer reservatórios das hidrelétricas e forte geração térmica acionada elevam as possibilidades de ganhos no curtíssimo prazo.
Gosto dos textos do Leandro, pois são cheios de dados e referências. Só acho que ele economizou demais na caneta ao comentar sobre como o Governo deve equilibrar as contas. Cortar gastos, tudo bem, mas aumento de receita do Estado é um atentado à economia e à sociedade.
As vezes eu acho que esse vai-e-volta no keynesianismo x escola de Chicago é o plano perfeito. O primeiro vem, gasta loucamente, e o segundo aparece como salvador da pátria para arrecadar loucamente. Com as contas “arrumadas”, o primeiro cresce o olho e vem gastar mais. E assim vamos, sangrando aos poucos, praticamente de forma “indolor”.
Daqui a pouco, a gente esbarra numa carga tributária equivalente a 50% do PIB, num endividamento público insustentável, e um monte de maluco vai se perguntar: “nossa, como isso foi acontecer?”
Depois desse artigo no final de 2014, desejo a todos que em 2019 tenham um Feliz 2010!
Claro que estou falando em termos econômicos. Nossa felicidade não depende exclusivamente de fatores econômicos, fatores não-econômicos contam tanto ou mais.
Passar por uma estagflação é uma ótima oportunidade para treinarmos nossa autodisciplina, revermos nossos valores e objetivos na vida, alicerçar nossa autoestima e satisfação naquilo que é permanente e não no que é transitório, valorizar mais nossos relacionamentos e a vida em si mesma, etc. Tudo isso minimizará nosso sofrimento e nos tornará pessoas melhores e mais felizes!
Para finalizar, um vídeo:
* * *
http://www.institutoliberal.org.br/blog/de-chicago-para-joaquim-levy/ isso ai é verdade, li em outro lugar e citaram como fonte.
Leandro, depois que eu li o seu artigo (que é um raio-x da atual situação do país), eu percebo como nós liberais estamos sozinhos no que diz respeito a sermos os únicos a fazer o diagnóstico correto da coisa. Ontem em uma discussão em um grupo de amigos no facebook, um colega meu postou a notícia da Dilma ter oferecido a vice-presidência do Banco do Brasil ao garotinho. Eu comentei: ”mas as coisas são assim mesmo. O objetivo de qualquer estatal nunca foi o de prestar serviços decentes e atender as demandas dos consumidores, muito menos prestar qualquer tipo de transparência à sociedade (ou alguém acha que os políticos que comandam essas instituições tem algum interesse em deixar claro o que se passa lá dentro?) O objetivo principal das estatais é servir aos apadrinhados políticos, com ofertas de cargos em trocas de favores, fora a espoliação de dinheiro dos trouxas (leia-se: nós) para sustentar toda essa farra, sem qualquer tipo de benefício real pro povo. só não enxerga isso quem não quer”. Em seguida, um outro colega meu me respondeu: ”quem pensa no povo são os empresários, ta serto”.
Conclusão? ganhou várias ”curtidas”, foi reverenciado, e eu, que fiz a coisa certa, fui criticado e apedrejado. É difícil continuar assim…
Excelente artigo de excelente leitura, mais simples impossível !
Era o artigo que estava aguardando para fechar o ano, ficando por dentro do que está acontecendo com a economia bananense.
Mais uma vez, e, espero que não seja a última rs;
Parabéns, você é o cara ! Que vocês continuem com esse trabalho maravilhoso, de informar o cidadão comum, com simplicidade nos textos, tudo que, de fato, acontece com nossa economia.
Parabéns pelo artigo Leandro, você está fazendo um ótimo trabalho. Gostaria de perguntar duas coisas a você:
1. Estou vendo no site do Banco Central que o IPCA dos preços monitorados estão evoluindo, o que sugere que os preços represados estão aos poucos sendo flexibilizados. O que eu gostaria de saber é: Ainda há muito a ser corrigido nos preços monitorados pelo governo?
2. Você sempre analisa variáveis relevantes de conjuntura e elabora artigos muito bons… Gostaria de saber se você tem um livro, ou um curso em São Paulo, para me indicar sobre elaboração de conjuntura econômica.
Obrigado.
Essa foi gozada:
Mantega é expulso de bar paulistano sob xingamentos de brasileiros cansados da crise e da roubalheira
“Como reduzir os gastos públicos no Brasil?“, por Mansueto Almeida.
Leandro,
Primeiramente deixa eu me esclarecer aqui, e dizer que eu penso assim como você também. Meu otimismo é apenas pensando no curto prazo (talvez pensando em um futuro bem distante), e dentro de expectativas limitadas. Atualmente não dá para se ter muita ilusão por aqui, nem com muito esforço.
E, como eu gosto muito de nomes, eu gostaria de te perguntar: o quê você acha dos escolhidos pelo Levy? Se você conhece algum, se a equipe é boa, se alguém é melhor que o antigo, se você teria outros nomes melhores… Imagine aí que você é o novo ministro da Fazenda, e em quem faria parte da sua equipe. Como “ônus”, se preferir, pode até indicar alguém para o banco central. Mas não precisa responder, se eu estiver sendo muito impertinente.
Abraços!
Leandro Roque gênio! 5 anos engolindo vômito macroeconômico em sala de sala preparam a “nova fornada” de economistas concurseiros estatólatras para continuar as insanidades apresentadas… Ainda bem que temos a Escola Austríaca para proporcionar análises sensatas pelos que ainda tem um pingo de bom senso e discernimento. Abraços e parabéns pelo excelente texto.
Levy já começou bem….
Governo vai anunciar aumento de tributos nos próximos dias
Leandro, olha só essa notícia:
economia.estadao.com.br/noticias/mercados,apos-medidas-de-levy-dolar-fecha-no-menor-nivel-desde-dezembro,1622476
A reportagem está dando a entender que o aumento dos impostos foi o responsável pela valorização do real? Quer dizer que se quisermos ter o real num nível mais civilizado de valorização, o governo deve elevar a carga tributária lá pra casa dos 50, 60% do PIB? É isso que diz a reportagem ou eu entendi errado?
Leandro,
O artigo está excelente, e seus comentários ainda são praticamente uma aula. Obrigado!
Leandro
Não sou nenhum expert em economia, por isso me perco fácil nessas discussões. Um colega me mandou esse artigo do Fernando Nogueira, tido por ele como refutação de toda a teoria liberal, você poderia por favor abordar o que o camarada diz aqui e traduzir pra língua de meros mortais? Apontando os eventuais problemas? Desculpe se estou pedindo muito, mas é uma curiosidade profunda de entender esse troço.
https://fernandonogueiracosta.files.wordpress.com/2012/01/fernando-nogueira-da-costa-economia-monetc3a1ria-e-financeira-capc3adtulo-12.pdf
E a obscenidade continua…..
carplace.uol.com.br/gasolina-teor-de-etanol-deve-subir-para-27/
obs: eu desconhecia que a gasolina premium também continha esse teor de álcool, pra mim era a única realmente pura. Ou seja, paga-se mais de 4 reais o litro para levar uma gasolina com 25% de álcool.
Um amigo meu disse que quem votou no Eduardo Paes aqui no Rio, tem mais é que pagar a passagem que aumentou pra 3,40, e quem votou no PSDB em SP tem mais é que ficar sem água. Eu a partir desse mês vou passar na casa dele pra recolher o dinheiro para bancar o aumento da gasolina e de todas as peças danificadas do meu carro por causa dessa gasolina com álcool, já que ele votou na Dilma…
Leandro, costumo ler os artigos mas nunca comentei por aqui.
Tenho um colega de trabalho, formado em economia e petista convicto. Já mandei alguns artigos do IMB para ele ler, e a resposta é sempre a mesma: “a vida das pessoas melhorou com o PT”. Aí eu desisto de discutir.
Minha dúvida em relação à este artigo: o Levy e a sua equipe realmente não conseguem entender o que pode acontecer com as ações que estão sendo tomadas? Passo longe de ser um especialista, mas a minha impressão é que estão fazendo exatamente o contrário do que a lógica manda. Qual seria o motivo disso? Birra?
Grande abraço, continue com estes excelentes artigos.
Ouch!
Percepção de piora na economia é recorde, diz pesquisa
De acordo com pesquisa Datafolha, divulgada neste domingo, mais da metade (55%) dos brasileiros acha que a situação econômica do país vai piorar nos próximos meses. O patamar é o maior desde que a pergunta começou a ser feita pelo instituto em 1997. Em dezembro, apenas 28% acreditavam que o cenário econômico iria piorar.
O medo em relação à alta dos preços contribuiu para o pessimismo dos brasileiros. Segundo o levantamento, oito em cada dez brasileiros acreditam que haverá um aumento da inflação – 81% contra 54% em dezembro. Esse porcentual também é recorde para o período.
O receio de que o desemprego vai aumentar também cresceu. De acordo com o Datafolha, 62% dos brasileiros acreditam que o desemprego subirá, o maior porcentual desde julho de 2002. O porcentual supera os 39% apurados em dezembro de 2014.
A alta da inflação e a aposta em um maior desemprego devem ainda comprometer o poder aquisitivo da população, destaca a pesquisa. Para 57% dos entrevistados, os brasileiros devem ter uma redução de poder de compra nos próximos meses.
Mais de 70% dos brasileiros acreditam que País está em recessão, diz consultoria
A confiança do consumidor caiu fortemente e 73% dos brasileiros acreditam que o País está em recessão. Esses são alguns dos dados de uma pesquisa global divulgada esta semana pela consultoria norte-americana Nielsen, referente ao quarto trimestre do ano passado. No fim de 2013, 51% dos brasileiros consideravam que a economia estava encolhendo.
A América Latina foi a única região do mundo onde os sentimentos sobre recessão pioraram, ao subir 12 pontos porcentuais de um ano para o outro, atingindo a média de 73%.
Confiança dos empresários na economia é a menor para janeiro em 16 anos
O empresariado de 32 setores da indústria de transformação, extrativista e da construção civil começa 2015 com uma baixa confiança na economia brasileira. A expectativa verificada em janeiro é a menor para o mês desde 1999, conforme o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), divulgado nesta terça-feira, 20, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Leandro sempre leio seus artigos,são bem didáticos e bem facil de entendimento,minha pergunta é,para ser um bom economista,além de ler bastante e conhecer as ferramentas que hoje é usado para medir e calcular,para que “os economistas atuais” não venha com metódos matemáticos que não tem nem como debater,como eu consigo juntar esses dois lados para se tornar um bom economista?
Tentei fazer economia…porém meu ex-professor veio com um livro de mais de 700 páginas,não gosto muito de teoria mas,vendo o professor Alex Catharino dando aula e explicando o que é a EA,achei muito interessante e sem muito rodeo,direto ao ponto.
Como posso aprender a Teoria vivenciando a prática,em seus artigos vejo muito isso.
Quais principais cálculos são importantes aprender,a teoria eu creio que eu estou no caminho certo,baixei o Ação Humana do Mises,sempre que tenho dúvidas em algo,busco algum capitulo relacionado a minha dúvida.
Obrigado e continue compartilhando seus conhecimentos conosco.
Leandro Roque, descobri pelo facebook o site e adorei. Os produtos, só pelos títulos, já deveriam estar à disposição na Feira do Livro de Porto Alegre, seja para esquerdistas, seja para direitistas, pois só conversa de igual para igual quem têm cabedal educacional para sopesar prós e contras em qualquer área.
Escrevo-lhe perguntando: o aumento dos juros nos EUA pelo FED já em 2015 não poderá fazer o dólar chegar ao patamar de R$ 4 reais ou mais (cotação de um dólar americano = x reais?) se somarmos que alguma das 3 agências de ratings rebaixem ainda mais a nota do Brasil? Dessa feita: a teoria de dólar alto da Consultoria Empiricus não seria de ser só uma teoria? Pessoas físicas podem aplicar livremente em dólar? (Há IR sobre tal aplicação?) Seria uma forma de pessoa física se proteger neste momento tal qual padrão ouro?
Parabéns pelo trabalho, muito interessante e respeitando todas as vertentes de pensamento.
Que a tua dedicação, zelo e empenho seja sempre reconhecida, moral e financeiramente.
Leandro você é um profeta.
Do artigo acima de dezembro de 2014:
"Dilma terá de limpar a bagunça que ela própria criou. E terá de fazer isso tomando medidas impopulares. Mais ainda: terá de tomar medidas impopulares ao mesmo tempo em que 1) passa por uma crescente insatisfação popular, 2) vê o acirramento de ânimos e a difusão de movimentos secessionistas, e 3) está sob a iminência de um processo de impeachment.
Caso ela seja bem sucedida em todos os desafios listados neste artigo, o máximo que ela irá conseguir é retornar o país ao ponto em que ele se encontrava no início de 2011.
Notícia de hoje, março de 2017:
"Conforme os cálculos do IBGE, o PIB encerrou 2016 no mesmo nível do terceiro trimestre de 2010. "É meio como se estivesse anulando 2011, 2012, 2013, 2014, que tinham sido positivos", afirmou Palis."
veja.abril.com.br/economia/economia-encolhe-72-em-dois-anos-e-volta-ao-patamar-de-2010/
Silvina Bataki, a nova ministra das Finanças da Argentina, veio com algumas promessas, anunciadas recentemente:
– Equilíbrio fiscal;
– Congelar a entrada de novos funcionários públicos;
– Manter o acordo com o FMI;
– Manter juros reais positivos para atrair investimentos;
– Atacar “preços abusivos” e controlar os reajustes (pela regulamentação do Tribunal de Defensa de la Competencia);
Essa notícia traz um detalhe a mais.
A questão é: vai ser Joaquim Levy ou Antonio Palocci?