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Olhar o PIB é inútil se você ignorar as alterações demográficas

O
PIB é o número que os mercados financeiros e os analistas econômicos esperam
com mais ansiedade do que qualquer outro. 
Trata-se daquela que é tida como a mais importante medida do sucesso de
uma economia.  O mercado de ações, o
mercado de câmbio e o mercado de títulos dependem desse número, assim como
presidentes e primeiros-ministros.

O
PIB é a régua com a qual mensuramos as economias. 

O
problema é que, por si só, ele é inútil. 

Os problemas

Este
ano, o PIB fez um importante aniversário: são 80 anos sendo o principal mensurador de sucesso
econômico.  A medição do PIB foi criada a
pedido do então presidente americano Franklin Delano Roosevelt na década de
1930, quando ele decidiu que, como todo intervencionista, necessitava saber em
mais detalhes o que estava ocorrendo com a economia americana para que pudesse
intervir mais decididamente. 

O
PIB é uma mera tentativa de somar todas as atividades que ocorrem dentro de um
país para então colocar um número preciso no valor total da produção.  Mas esse cálculo possui vários críticos e
detratores. 

Por
exemplo, o PIB não mensura trabalhos domésticos.  Gastos governamentais — algo que destrói riqueza em vez de criar
estimulam os números do PIB.  A mera
reconstrução de estruturas destruídas por terremotos, furacões ou enchentes,
algo que simplesmente leva o país de volta para o ponto em que ele estava antes
do desastre, é tomado como parte do crescimento do PIB.  O desperdício do dinheiro arrancado à força
do setor produtivo da sociedade com o pagamento de inúteis operações e
burocracias governamentais, algo que em nada contribui para o bem-estar da
população, também contribui para o crescimento do PIB.

Ainda
assim, o PIB vem sendo encarado como a melhor ferramenta disponível para
mensurar como está indo a população de um país. 
Se o PIB sobe, a população está enriquecendo.  Se o PIB cai, a população está empobrecendo.

O número que realmente importa

Mesmo
desconsiderando os problemas listados acima, e aceitando — para o bem do
debate — que o PIB é a melhor ferramenta de que dispomos para mensurar as
economias, o fato é que, por si só, o PIB é um número inútil.

E
é inútil simplesmente porque ele não leva em consideração as mudanças demográficas.  O
PIB desconsidera alterações na quantidade de pessoas que estão vivendo dentro
de um determinado país.  E o número de
pessoas que vive dentro de um país — ou, mais ainda, a alteração do número de
pessoas que vive dentro de um país — é o mais importante determinante do seu
crescimento econômico.

Com
efeito, o indicador que realmente importa é o PIB per capita.  É ele quem
indica se os indivíduos — em vez do “país”, que é um conceito totalmente
abstrato — estão enriquecendo ou empobrecendo. 
Se um país estiver vivenciando rápidas mudanças em seus níveis
populacionais, um eventual aumento do PIB pode não ser tão bom quanto
aparenta.  

Matematicamente,
o PIB de um país representa o valor total de tudo aquilo que foi produzido por
todos os seus habitantes.  Sendo assim,
se o número de habitantes de um país estiver crescendo, o número de pessoas
trabalhando, produzindo e consumindo também irá crescer.  Logo, o PIB terá naturalmente de
crescer. 

É
aí que surgem alguns detalhe que o PIB, por si só, não captura.  Por exemplo, é possível que um rápido aumento
populacional eleve o PIB total e, ainda assim, deixe a população geral mais
pobre.  Inversamente, uma diminuição na
população pode reduzir o PIB total e, ainda assim, deixar as pessoas mais
ricas.

Daí
a importância do PIB per capita: ele mensura a evolução da riqueza de cada indivíduo do país, o que o torna um
indicador mais acurado da real situação da economia de cada nação.

Tão
logo você passa a considerar o PIB per capita — e o Banco Mundial
fornece os números de todos os países desde a década de 1980
–, grande
parte daquilo que você imaginava saber sobre a economia global se comprova
incorreto. 

Por
exemplo, o Japão — cuja demografia está estagnada — vem apresentando um
desempenho bastante decente ao longo das últimas décadas.  Já o Reino Unido, que vem apresentando PIBs
auspiciosos, está bem pior do que os números indicam, e ainda não recuperou
seus níveis de riqueza vigentes antes da crise financeira.

Durante
muito tempo, os países desenvolvidos apresentavam comportamentos demográficos
muito similares, de modo que apenas o PIB já era suficiente para indicar quem
estava indo melhor e quem estava indo pior. 
Hoje, no entanto, as demografias desses países divergem
dramaticamente. 

Japão,
Alemanha e Itália possuem populações que estão ou encolhendo ou prestes a
começar a encolher.  Já Estados Unidos, Reino
Unido e França têm populações em crescimento. 
À medida que essas divergências forem se tornando mais pronunciadas, os
PIBs de cada um desses países se tornarão cada vez mais inúteis — e o PIB per
capita será a única medida relevante.

O
gráfico a seguir mostra a taxa de crescimento do PIB per capita, desde 2005,
para Japão (cinza escuro), Reino Unido (cinza claro), Estados Unidos (laranja),
China (azul), Brasil (roxo), e para o mundo (vermelho).

foto (3).PNG

O
Japão é o exemplo mais significativo porque é o país que apresenta as mais
dramáticas tendências demográficas.  Após
chegar ao ápice de 128 milhões de pessoas alguns anos atrás, a população
japonesa está hoje encolhendo, e rapidamente começará a encolher a um ritmo de
um milhão de pessoas por ano.

Por
isso, seu desempenho em termos de PIB per capita não é nada mau — ainda mais
quando se considera todas as notícias de jornal dizendo que o PIB do país está
estagnado há décadas.

Agora,
vejamos a evolução do PIB per capita dos países dos BRICS.  Brasil (vermelho), China (cinza escuro),
Índia (cinza claro), Rússia (laranja), África do Sul (azul). 

foto.PNG

A
China cresce robustamente mesmo em termos per capita.  A Índia também consegue se manter.  É também possível entender o recente desânimo
com o Brasil.

Agora,
vejamos a evolução do PIB per capita dos cinco países economicamente mais
livres do mundo de acordo com a Heritage Foundation: Hong Kong (vermelho),
Cingapura (cinza escuro), Austrália (cinza claro), Nova Zelândia (laranja), Suíça
(azul).

foto (2).PNG

Austrália
e Nova Zelândia são os países que apresentam os desempenhos mais estáveis e
consistentes.  Destaque também para a
Suíça, que, mesmo já sendo um país extremamente rico, ainda consegue manter uma
decente taxa de crescimento da riqueza per capita.

Por
fim, vejamos agora um gráfico contendo países ricos e de comportamento
demográfico divergentes: Estados Unidos (vermelho), Japão (cinza escuro),
Alemanha (cinza claro)m Itália (laranja), França (azul), Reino Unido (roxo).

foto (1).PNG

Ou
seja, se analisarmos o crescimento do PIB per capita de cada país — em vez de
olharmos apenas os tradicionais números do crescimento do PIB –, o desempenho
do Japão está longe de ser o pior do G7. 
De acordo com os dados do Banco Mundial, essa dúbia honra cabe à Itália.  O país está ainda pior do que os números do
PIB indicam.  A França também não faz
inveja a ninguém.


a Alemanha apresentou um incrível fôlego até o ano passado.

O
Reino Unido, por sua vez, vivencia uma situação interessante.  Seus recém-divulgados números do PIB foram
surpreendentemente fortes, e este ano o país apresenta uma das mais aceleradas
economias do G-7.  Segundo os números do
PIB, em julho deste ano, o Reino Unido finalmente retornou aos níveis vigentes
em 2008, antes da crise. 

Mas
a situação em termos per capita é outra. 
A população do Reino Unido é uma das que mais cresce em toda a Europa,
majoritariamente por causa de seus altos níveis de imigração.  Atualmente, o país tem 2,7 milhões a mais de
pessoas do que tinha há seis anos.  Sendo
assim, é compreensível que seu PIB tenha crescido, e também é compreensível que
seu PIB per capita ainda esteja
significativamente abaixo de onde estava em 2008

E,
como mostra o gráfico, o crescimento do PIB
per capita
tem sido bem menos extasiante do que os números do PIB sugerem.

Conclusão

No
mundo atual, países com economias similares estão em caminhos fragorosamente
divergentes em termos demográficos.  O
Japão é o exemplo mais extremo, com sua população em rápido declínio.  Em um futuro próximo, Alemanha, Itália e
Espanha também estarão no mesmo barco.  A
Alemanha apresentou um ótimo desempenho nos últimos anos, mas sua população já
chegou ao ápice e já se estima que, ao final desta década, entrará em declínio
(a população da Alemanha cairá para 50 milhões até 2050, menor do que a Reino
Unido).

Consequentemente,
é de se esperar que o PIB da Alemanha comece a sofrer.  A China se juntará a esses países no devido
tempo.  A Rússia também.  E, assim como o Japão, o PIB, por si só, fará
a situação parecer pior do que realmente é.

Outros
países apresentarão uma situação oposta. 
O Reino Unido, como vimos, deverá apresentar bons números de PIB por
causa de seu crescimento demográfico.  O
mesmo deverá ocorrer com a França.  E com
ainda mais intensidade com os EUA.

Por
que isso é extremamente importante? 
Porque investidores estão olhando para um número grande e importante
que, na realidade, não reflete o verdadeiro estado de uma economia.  Minha sugestão: ignore os números do PIB e
concentre-se no PIB per capita.  Esse indicador diz com muito mais acurácia
qual país está realmente indo bem.

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47 comentários em “Olhar o PIB é inútil se você ignorar as alterações demográficas”

  1. Acho que esse é um dos artigos mais importantes desse site. Há anos venho dizendo que o "estrondoso" crescimento do PIB brasileiro na década de 70 se deveu muito mais a fatores demográficos (além do forte crescimento populacional, houve a entrada da mulher no mercado de trabalho) do que a alguma política econômica.

    Aliás, a própria década de 80 (a década perdida) também apresentou números robustos para o PIB. Pudera: a população brasileira cresceu forte naquela época, e a mulher entrou com ainda mais força no mercado de trabalho. O crescimento do PIB veio como que por gravidade.

    É absolutamente irrealista querer que o Brasil cresça 5% ao ano durante a próxima década. Não com a nossa demografia. Também é irreal querer que qualquer país europeu cresça mais de 2% ao ano. Não com a demografia deles.

    Aliás, tudo indica que esse ano o PIB per capita será negativo no Brasil.

  2. Esse artigo tem dupla importância: além de nos informar qual dado macroeconômico que realmente importa, ajuda a desmascarar o embuste da “contabilidade” nacional.

    Ora diabos, que empresário leria seu balanço e julgaria que a recompra de patrimônio que ele já tinha e perdeu numa tragédia qualquer seria um sinal de que a empresa dele está se expandindo?

  3. Duas observações:

    (a) mesmo o PIB per capita não é suficiente, é preciso compará-lo ao PIB per capita global ou de algumas grandes economias como referência.

    (b) Mises rejeitava qualquer tipo de medição agregada como o PIB, e isso se aplica aos demais economistas que adotam a praxiologia, como Rothbart, mas não aos que rejeitam, como Hayek.

  4. Achei um artigo muito bem escrito, com palavras muito bem colocadas, e elegantemente elaborado.

    Com base no artigo, dá pra entender porque a Sociedade Esportiva Palmeiras está como está: Vendeu o Valdívia jovem por X e porteriormente (atualmente) o recomprou mais velhor, machucado e menos produtivo por 2X.

    Abraços

  5. Boa tarde a todos, sou leitor assíduo do site, embora não participe dos comentários dos posts e gostaria que algum dos amigos leitores, à luz da escola austríaca me recomendem uma boa universidade de economia para cursar, pois quero seguir carreira na área. Minha professora de alemão me recomendou a PUC-RJ, essa é uma boa opção?

    Grato.

  6. Concordo com o Antônio, se considerarmos que tal índice é usado como um indicador econômico indiscriminadamente nas ciências econômicas e sociais. Até o sociólogo Sorokin cedeu a essa tentação ao buscar correlações entre PIBs, indicadores sociométricos diversos e ciclos de crescimento e desintegração das civilizações (mas com a profundidade de seu diagnóstico social e cultural, incluindo o “fallacy of one-an-creativity cycle of a civilization” – cap. XII, de Modern Historical and Social Philosophies).
    Lembro ainda que foi publicado algo desse nível, no IMB, foi sobre as tentativas de prognosticar (grandes) ciclos econômicos do planeta, o que nos remete ao problema de se planejar cenários num modelo econométrico (quanto mais a obscena pretensão do Ministro do Fazenda da Argentina: numa planilha de Excel!). Apesar dessas dificuldades, visões macro, para macro estratégias têm que ser vislumbradas, inclusive no importante panorama histórico-cultural, para além do financeiro.
    Este artigo me chama a atenção para um macro indicador muito subestimado pelos historiadores e economistas amiguinhos de Governos: o crescimento populacional . Já muita coisa boa nesse tema foi publicado anteriormente. Nós agrônomos sabemos bem planejar índices de eficiência reprodutiva de matrizes animais porque sabemos muito bem como cada ativo adicional, cada bezerro ou leitão nascido, no início da evolução de um plantel, implicará notável diferença nas receitas para o retorno do investimento de capital de longo prazo e, consequentemente, para o sucesso no pagamento dos empréstimos da atividade. Que dirá do "ativo" Homem com seu poder criativo e produtivo (cujos "custos" são bancados voluntariamente pelo sacrifício dos pais). Agora conheci mais um instrumento de aferição ponderada dessa situação, via este velho e ainda conveniente PIB. O futuro agora é dos países que apostaram nos investimentos de capital, mas sobretudo em seu próprio povo, sem a estupidez das medidas de controle social e populacional.
    Doravante seria interessante observar a evolução de países com crescimento do PIB e índice de natalidade superior ao crítico, por exemplo, de 2,2 filhos por casal. Aposto como teremos boas surpresas!

  7. meu caro leandro li um texto aqui mesmo do Von Mises em que se não me engano traduzido por voce. Ele dava a ideia de pib – duas vezes as dispesas do governo e seria uma das mais eficientes maneiras, é o ppb e o ppr em que:
    ppb = produto privado bruto;
    ppr = produto privado remanescente:
    ficando assim ; ” um produtor produz 1000 bananas o governo cobra de impostos 200 bananas o pib dele será de 1200 bananas o PPB dele será de 1000 bananas e o PPR será 800 bananas” . Não ficaria mais justo um PPR per capta? Ou um PPB per capta?

    Outra pergunta; no pib dados como corrupção tambem entram na contagem do PIB? Outros gastos inuteis ao povo como atrasos de obras tambem são contabilizados pelo PIB?

  8. O PIB per capita importa um pouco mais que o PIB por si só, mas mesmo assim não representa a realidade… O PIB per capta ainda sofre a influencia dos gastos governamentais (no numerador) e, por exemplo, uma guerra aumentaria ele, mexendo em ambas as variáveis, tanto o numerador quanto o denominador (ceteris paribus).

    Outro exemplo de engano causado pelo PIB per capita é quando há uma forte imigração. O PIB per capita tende a diminuir, o que não representa um quadro de estagnação. Os estrangeiros pobres vão contribuir para o aumento do denominador, mas ao melhorar de vida não estão representando uma piora da economia, mas exatamente o oposto (ceteris paribus também).

    Enfim, não se deve levar nem o PIB nem o PIB per capita como fator único para determinar a evolução de uma economia. O que vai definir o crescimento e a sustentabilidade é um conjunto de diversos fatores, inclusive alguns como nivel de qualificação da população e saúde geral. Muitos fatores são de difícil avaliação e determinar o sucesso de uma economia acaba sendo uma atividade subjetiva, exposta a compreensão de cada um.

  9. E mesmo o PIB per capita por si só não mostra o quanto aquela economia está melhorando (ou piorando) a vida das pessoas.

    Se o PIB per capita de um país cresce 1%, isso quer dizer que a renda média dentro daquele país cresceu 1%. Porém se a população cresceu, sei lá, 5% devido a imigração, e esses imigrantes tinham uma renda per capita metade da que passaram a ter uma vez que se mudaram para o novo país, então esse salto de 100% na renda dessas pessoas deveria ser contabilizado também, se quisermos falar em progresso proporcionado por essa economia. A renda que os imigrantes tinham antes de vir para o território deveria ser contabilizada.

    Acredito que se fosse possível medir dessa forma, Hong Kong teria um dos desempenhos mais impressionantes.

  10. O autor bem que poderia ter dado pelo menos só mais um passo à frente, e ter falado também sobre descontar pelo menos a inflação de preços do espaço de tempo que estiver sendo considerado. Pode até ser que não fizesse muita diferença no final, mas permitiria uma análise mais de acordo com a realidade. Muito embora tenha que se ressaltar que essa dedução não deveria ser feita no PIB per capita e sim no próprio PIB, que já deveria vir com a inflação do período descontada. Depende da boa vontade do interessado em fazer as contas e olhar esses dados, já que o Banco Mundial não disponibiliza essa facilidade.

    De qualquer forma, o artigo é muito bom e, diga-se de passagem, também é bem didático.

    Grande abraço.

  11. Enfim, não se deve levar nem o PIB nem o PIB per capita como fator único para determinar a evolução de uma economia. O que vai definir o crescimento e a sustentabilidade é um conjunto de diversos fatores, inclusive alguns como nível de qualificação da população e saúde geral. Muitos fatores são de difícil avaliação e determinar o sucesso de uma economia acaba sendo uma atividade subjetiva, exposta a compreensão de cada um.

    Linus, concordo que temos inúmeros fatores envolvidos, isso inviabiliza a econometria planificada (graças a Deus!) mas não inviabiliza a visão macro das pesssoas (inclusive filosófica), conforme postei agora a pouco. O homem vive de esperança, sonhos e vontade de superação fundamentada em um racionalidade realista. Não espera cálculos de maximização de PIB = cálculos de maximização meramente utilitária. Se lança à bem aventurança, arisca, cai, levanta de novo com mais força e assim vai conquistando espaço de forma mais realista. Governo nenhum tem nada que ficar metendo nas decisões subjetivas das famílias então talvez melhor que os governantes pensem que é tudo muito subjetivo mesmo… mas cada um de nós precisamos de uma boa visão de mundo, até para ajudar expulsar maus governantes! Como disse São Tomas de Aquino: governantes que não visam o bem comum são impostores que devem ser alijados do poder.

    Quanto a carência do agronegócio vejam:

    http://www.rdnews.com.br/orgaos/produtor-deixa-de-plantar-por-falta-de-trabalhadores-e-estrada-diz-senar/51620

  12. Não entendi o porquê de um corte temporal tão restritivo. Apenas 8 anos? Seria interessante analisar a dinâmica dos últimos 30 anos, pelo menos.

  13. Emerson Luis, um Psicologo

    Um instrumento de medida só pode ser de real ajuda se:

    (1) ele medir corretamente o que se propõe a mensurar;

    (2) ele medir o que realmente precisamos saber e;

    (3) se soubermos interpretar e utilizar bem as informações obtidas.

    * * *

  14. Eu tenho uma dúvida sincera.

    Não faz sentido nenhum para mim a idéia keynesiana de que governos precisam gastar mais do que arrecadam para fazer o país crescer. Para mim comparando as explicações keynesianas, liberais e marxistas, a teoria liberal é muito mais lógica e cristalina.

    Lendo as notícias e relatos da Argentina e Venezuela, dá para ver que eles realmente estão em apuros, porém, olhando esse gráfico do crescimento do pib per capita: http://www.google.com/publicdata/explore?ds=d5bncppjof8f9_&met_y=ny_gdp_mktp_cd&idim=country:ARG:CHL:MEX&hl=pt&dl=pt#!ctype=l&strail=false&bcs=d&nselm=h&met_y=ny_gdp_pcap_cd&scale_y=lin&ind_y=false&rdim=region&idim=country:ARG:CHL:MEX&ifdim=region&hl=pt&dl=pt&ind=false O pib per capita da venezuela e da argentina subiu muito nos últimos anos, como se explica? Ou melhor, por que o aumento do pib per capita não implicou em aumento da qualidade de vida (ou de riqueza consumida pelos seus cidadãos)? O que mais seria necessário incluir na conta? Ou tudo é só maquiagem do governo?

  15. Acho que a renda per capita não explica tudo.
    Vejam o caso da Argentina até hoje, apesar das crises, tem a renda per capita maior que a brasileira.
    Por que então a sensação de riqueza e prosperidade no Brasil é bem maior?
    Quem explica é Ludwig von Mises magistralmente: o acúmulo de capital!
    Os acúmulo de bens de capital de uma economia é o fator mais importante para a real qualidade de vida da população.
    São as maquinarias em funcionamento, mais do que qualquer outra coisa, é que produzem as riquezas da nação.
    Essa é a melhor explicação do porquê no Brasil (ao menos por enquanto) vive-se melhor do que na Argentina, mesmo a renda per capita deles sendo U$5000,00 superior à nossa.

  16. Estava estudando a história do Brasil, e notei que de 1820 e 1900 nosso per capita praticamente ficou estagnado

    1820 : Per capita 908

    1900: Per capita 1.054

    Porem, olhando gráficos de crescimento baseado em per capita. Notei que a curva se assemelha muito com a americana, a imagem pode ser vista clique aqui

    O que me leva a concluir que o Brasil é pobre hoje pois sua largada inicial é baixa, evidentemente, se nosso ambiente macroeconomico fosse melhor, essa situação poderia ser sobrepuujada. Mas, olhando esses dados brutos, e considerando que o per capita é cumulativo, eramos para ter pelo menos o dobro do per capita atural, não fosse a largada diferente.

    Posso afirmar que essa largada nos condenou? Mesmo mantendo o mesmo ambiente macroeconomico posterior? Ou é uma analise muito simplista?

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