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Não há nada de errado com a publicidade infantil


falei sobre publicidade
infantil em outras oportunidades
, principalmente com o viés econômico. Vou
aproveitar este momento em que o ENEM
ressuscitou o tema
para falar mais sobre o lado pessoal da coisa.

Publicidade
infantil é ótima e deveria continuar. Sim, ninguém adora propaganda; é sempre
aquele tempo chato entre os blocos do programa, mas ela ainda assim tem seu
atrativo. Outro dia, meu filho veio todo feliz cantar a “música do esqueleto”,
que logo vi se tratar de uma chamada publicitária do Disney XD. Eu, quando
criança, adorava cantar uma música do Limpol da Bombril; ainda
sei alguns trechos de cor.

Quem
tem filho ou já foi criança — cada vez mais raro hoje em dia — sabe a alegria
que o McDonald’s representa. A comida gostosa, o brinquedo, o espaço de
brincadeira; é tudo o que a criança mais quer. Hoje em dia não gosto muito de
Mac, mas tenho memórias felizes lá, e não vejo nada de errado se meu filho
também as tiver. Claro, não sou eu quem fica incentivando a ida ao Mac. Meu
papel agora é outro: ser a voz que diz “hoje não”, que a comida lá é pouco
saudável, que em casa é melhor. Argumentos pouco persuasivos para uma criança
ansiosa por cor, brinquedo, açúcar, gordura, folia e sal.

Agora,
de vez em quando jantar no Mac, é claro que sim. Saúde não é tudo; prazer e
alegria também importam, e nesta vida não existe a harmonia perfeita de todos
os bens. No fim das contas, as próprias crianças descobrem que gostam mais de
umas coisas e menos de outras. Em minha casa, cenourinha é campeã de audiência
e o único que toma refrigerante sou eu.

Os
apelos da propaganda e da biologia se somam a idiossincrasias e criatividade de
cada indivíduo e família. É importante ter alguém para limitar esses apelos:
limitar a tela, a guloseima, a rede social e a roupa da moda.  Mas querer aboli-los é ir longe demais, e é
sempre em vão. A
civilização se constrói sobre a limitação dos instintos, mas também depende
deles.

A
propaganda dá à criança um contato com realidades da vida. A realidade dos
desejos, por exemplo. O mundo, dentro e fora de casa, é um lugar de assédios,
de muitos bens concorrentes que disputam nossa atenção, nosso gosto, nosso
tempo e nosso bolso. Consumir não é feio. É parte necessária da vida. É bom.
Aprender sobre preço e restrições monetárias também.

A
propaganda nos indica alternativas existentes e suscita nosso desejo. Aprender
a lidar com ela, e com a real distância entre o prometido e o entregue, é parte
da vida. Não foi fácil para mim, aos quatro anos, aceitar que do Frutilly
não saía um fantasminha, ou que o Halls não me refrescava como prometido, ou
que os produtos da Apple não me transformaram num cara descolado e super
criativo. Mas foi (e continua sendo) educativo.

Acho
que por trás da proibição da publicidade infantil (lei infeliz que passou, mas
até agora não pegou) há ansiedade e vaidade de pais e mães. Ansiedade porque
queremos o melhor para os nossos filhos, e vivemos sob o medo irreal de que um
detalhe aquém do ideal terá impacto deletério no longo prazo deles. Com filhos
vindo mais tarde e em menor quantidade, tudo tem que ser absolutamente
perfeito. Só que essa mesma ansiedade que exige perfeição deixa o pai incapaz
de dizer um “não” ao pedido do filho, preferindo assim terceirizar a
responsabilidade impossível que atribuiu a si mesmo. A esses, más notícias: as
birras não vão parar; nem as gordices.

E
vaidade porque, com mais recursos e mais tempo livre, queremos dar a nossos
filhos uma infância idealizada que existe em nossa imaginação: a rejeição ao
plástico, a exigência de que tudo seja educativo (Mozart para bebês), de que
toda história tenha mensagens positivas (mas eles gostam mesmo é de mortes!) e
não ofenda a ninguém, a alimentação perfeita. Queremos impor uma ideia de
infância sobre a infância real.

Na
infância real, o que importa mesmo é se divertir, é brincar e, sim, também
competir com os amigos e imitar coisas do mundo adulto etc.  No final das contas, ninguém consegue se ater
ao plano — embora nem sempre o admita em público — e as frustrações e
hipocrisias se acumulam. 

A
criança vive hoje numa bolha segregada da realidade. Proibimos palmada,
proibimos propaganda, queremos proibir guloseimas, damos medalha para todos
indistintamente ao mesmo tempo em que impomos padrões adultos de produtividade
e uso do tempo, não toleramos o choro porque ele indica que não somos
perfeitos, afastamo-las de todo e qualquer risco. Segregamos as crianças por
idade, limitamos o tempo de brincadeira livre.

Proponho
o caminho inverso: relaxe, cuide dos seus filhos com moderação e amor, deixe-os
verem propaganda, saiba dizer não, e aproveite.

Se
outro pai quiser criar a bolha para segregar seus filhos do mundo real, que
crie; só não a imponha ao universo inteiro.

Texto originalmente publicado no site do Spotniks

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75 comentários em “Não há nada de errado com a publicidade infantil”

  1. Lamentável descobrir que a opinião virtualmente unânime entre os estudantes foi de oposição ferrenha à propaganda infantil, em partes porque o Enem parte da própria premissa absurda de que o estado sempre deve tomar uma proposta de intervenção sobre temas referidas, em outras pois é mais fácil de escrever e se encaixa à narrativa proibicionista e em outras porque todos os textos de auxílio – sempre importante conferi-los quando em provas do estado, pois revela a tendência de seus elaboradores e do ministério da educação – não só partiam da premissa que a proibição é legítima como apenas se limitavam a questionar como seria feita.

    Excelente artigo novamente, Joel; apesar da sincera (e espero que respeitosa) discordância minha sobre a legitimidade da agressão física às crianças pelos pais (na crença minha de que a criança não é uma zona de exceção da ética do direito natural e que a necessidade da agressão física ao filho para desenvolver disciplina se equipara em absurdidade à necessidade de agressão física ao parceiro e aos amigos como forma de discipliná-los), é sempre interessante ver todo tipo de abordagem que pode ser dada a um tópico tão íntimo como família. Devo, porém, confessar que quaisquer soluções estatais para o problema da violência contra crianças, como você demonstrou em outros episódios, tende a ser muitíssimo mais trágicas ao desenvolvimento do indivíduo que o próprio problema – que já é grande por si só.

    A criança vive hoje numa bolha segregada da realidade. Proibimos palmada, proibimos propaganda, queremos proibir guloseimas, damos medalha para todos indistintamente ao mesmo tempo em que impomos padrões adultos de produtividade e uso do tempo, não toleramos o choro porque ele indica que não somos perfeitos, afastamo-las de todo e qualquer risco. Segregamos as crianças por idade, limitamos o tempo de brincadeira livre.

    Ótimo insight.

  2. A geração que sobreviveu ao pior da publicidade infantil (“você não vai ser o último a comprar, vai? Peça para a mamãe”) acha que as novas gerações estúpidas demais para sobreviver a ela, portanto, quer proibir.

  3. “Não foi fácil para mim, aos quatro anos, aceitar que do Frutilly não saía um fantasminha, ou que o Halls não me refrescava como prometido, ou que os produtos da Apple não me transformaram num cara descolado e super criativo”. E também não foi fácil para muitas pessoas aceitarem que o Red Bull não dava asas, mas ainda bem que existe o estado para protegê-las dessas frustrações:

    exame.abril.com.br/marketing/noticias/red-bull-pagara-us-13-mi-a-clientes-que-nao-ganharam-asas

  4. Os textos sobre a publicidade infantil do Instituto Mises me ajudaram bastante na redação, é claro que eu não pude me expressar de uma forma libertária já que no ENEM temos que ser esquerdistas, Incorporei um social-democrata, fui um esquerdista sereno, mesclei ideias de esquerda com ideias liberais.

  5. Odeio MC Donalds. Mas adoro o Burguer King. Minha filha também. Para mim tem que acabar com os abusos, tipo, peça para o papai, ligue agora, compre já, etc.

  6. Aproveitando o interlúdio propiciado pelas oportunas remembranças da terna infância que o [como sempre] excelente artigo propiciou-nos, eis aí um ar de benfazeja nostalgia aportado pelo que outrora compunha nossa livre iniciativa: Clube do Jingle

  7. O que é importante frisar é que proibindo a propaganda infantil, a mídia se torna mais dependente das propagandas governamentais e estatais, em detrimento da publicidade privada e isso também gera uma censura bem velada, pois somente os meios de comunicação que agradam ao governo é que recebe as verbas da publicidade.

  8. “..Não foi fácil para mim, aos quatro anos, aceitar que do Frutilly não saía um fantasminha, ou que o Halls não me refrescava como prometido…”

    Também inclua nesta lista a super força que o Ovomaltine prometia nas propagandas antigas. 😀

  9. Hoje no Brasil existe a imposição para as crianças de lendas enfadonhas, tipo: Sitio do Pica Pau Amarelo. O Estado criou uma cota de programas tupiniquins na tevê fechada. O interessante é observar que os pequenos são muito mais afim de estorias de terror americanas. Nosso folclore é ridículo, só os adultos educadores que curtem um Marx pensam ao contrário. Entre Cuca, Saci e festa de halloween, perguntem qual é mais bacana. Mesmo assim querem impor goela abaixo em prol da dita cuja cultura brasileira.

  10. Fiz o ENEM.

    Na redação fiz questão de deixar claro que a Conanda deveria meter o rabo entre as pernas e ficar quietinha.

    Claro que não utilizei essas palavras. Nessa bosta desse Enem tem que ser politicamente correto.

    Pior do que a redação foi a prova de história. Ao invés de abordarem temas relevantes, aproveitaram o momento para fazer “campanha de conscientização” para políticas de ação afirmativa para negros e, basicamente, me perguntavam se eu sabia ler (pois bastava interpretar oq estava escrito e marcar o x no óbvio). Isso é alienação.

    Me senti usado, ridicularizado.

    Arrebentei na prova de história/geografia sem estudar nada o ano inteiro. E não se trata de inteligência pois não estudei nada para Física/Química/Biologia e meu desempenho foi péssimo nessas áreas. Oq faz todo o sentido.

    Voltando à redação… quando bati o olho no tema, lembrei de ter passado o olho nuns textos do IMB que abrangiam esse assunto. Argumentei sobre liberdade. Falei que a Conanda não poderia interferir em questões particulares da família.

    Pensei em colocar o hino do Vascão lá, mas não tinha espaço.

    Valeu IMB!

    Essa é a primeira vez que comento aqui. Gostaria de agradecer aos que dedicam o tempo para engrandecer este espaço. Tem sido de muita serventia para mim.

  11. Um dos efeitos gerados pelas intervenções estatais, que eu sempre procuro apontar, é o da perda da responsabilidade dos indivíduos.

    Quando o Estado intervém nas vidas dos milhares de indivíduos, um dos objetivos é “fazer o que os cidadãos não podem/sabem fazer”. As consequências podem ser devastadoras, já que o Leviatã interfere na ação humana, não deixa que indivíduos façam suas escolhas, com isso, o produto da não escolha pode ser aceito como algo positivo pelos próprios indivíduos, ou seja, os cidadãos possivelmente não irão querer escolher, agir, mas farão justamente o contrário, vão querer que o Estado resolva ou escolha para eles. Perdem a responsabilidade!

    Sociedade sem responsabilidade é um amontoado de indivíduos vivendo no caos.

    Quando existe uma nação de indivíduos responsáveis o que mais se vê é pessoas que sentem o peso dos atos realizados, sabem o que faz. Consequentemente, procuram proteger a si mesmos e aos seus próximos, pois reconhecem que o peso de tal atribuição não é de outro, somente deles mesmo. Quando sabem que a escolinha do bairro não está em boas condições, os indivíduos do local correm para mudar o quadro com intuito de torná-lo positivo, pois sabem que seus atos gerarão bons frutos e farão com que seus filhos sejam beneficiados, assim como em outras esferas da vida.

    Quando vejo o Estado (principalmente o governo) tomando conta do papel de pai dos filhos dos outros, o que vem em mente é o impacto negativo na autonomia dos pais, que podem dizer: “Não preciso fazer isso porque o governo já o fez”. E futuramente dirão: “Maldito governo, não cumpriu com seu dever, agora meu filho se foi”.

  12. Quando olhamos para uma dimensão do problema, realmente a propaganda é mais um item em nosso crescer cultural. Porém quando observa-se que estas propagandas estão embutidas aspectos nutricionais danosos as crianças. Tais como: aumento da obesidade, aumento de produtos industrializados provocando cáries, diabetes, e outras doenças hoje tão presente ao mundo infantil. Devemos ignorar essa situação em detrimento dos aspectos crescer cultural e escolha induzida e culpar os pais, que normalmente trabalham o dia todo, por não estarem educando bem seus filhos. Deixando tudo com está e valendo-se da ética de cada propaganda. Ou atuar regulando este tipo de propaganda, tanto no ambiente governamental municipal, estadual e federal? Só para variar isso também é mais uma escolha conforme dizia nosso velho mestre Von Mises.

  13. Concordo imensa e veementemente com quase tudo que o autor escreveu. Excetuando-se apenas a parte em que ele diz, “Sim, ninguém adora propaganda; é sempre aquele tempo chato entre os blocos do programa, mas ela ainda assim tem seu atrativo“. Tenho verdadeira paixão pela publicidade, e admiro muito as pessoas que trabalham nela. Por exemplo, vejam só se essa campanha da DisneyXD – que está linkada no artigo -, até para adultos, não é fixante e divertida. E se a outra da Bom Brill não vale a pena ser vista e revista inúmeras vezes (e daí para se perder em outras é só um clique). Lógico que nem todas são geniais ou têm esse propósito. Mas inclusive o próprio autor fez questão de mostrar o seu bom relacionamento com a publicidade, e reconheceu o grande valor dessa atividade.

    E justamente isso deixou uma outra coisa nas entrelinhas. A indiferença com a publicidade por parte dos pais, também é um fator que tem muito peso nesse desejo de proibição. Ninguém mais está muito aberto aos fascínios da publicidade e a desejar as maravilhas que ela oferece, e que não fazem parte do cotidiano, porque essa é uma forma de não se expor tanto a um leque de experiências que podem ser desgastantes. Consequentemente perde-se a capacidade de compreender e de traçar paralelos, assim como a de ter e servir com exemplos. Então, proibir ou coibir ao máximo a publicidade infantil é um caminho rápido e fácil para levar a criança à essa mesma condição de indiferença, onde ela não tem que lidar com tantos (e os próprios) desejos, frustrações e escolhas. Quando na verdade, justamente por essa exposição, é muito importante sempre procurar manter uma relação saudável com a publicidade.

    Prezado Joel, parabéns tanto pela objetividade e lucidez do artigo quanto pela coragem e clareza do título, que desperta a vontade de sair gritando aos quatro ventos para ver se as pessoas entendem.

    Grande abraço

  14. O marketing é uma área do mundo dos negócios que é preciso muito estudo por parte do consumidor. Schopenhauer nos ensinou os estratagemas para nunca perder um debate (e aprender quando outras usam sofismas e falácias contra nós, de forma que possamos nos defender). De forma análoga, em meados do século XX, várias pesquisas surgiram sobre como funciona o subconsciente das pessoas (inclusive crianças), e começaram a aplicar esses conhecimentos, no caso do mercado, utilizando as famosas mensagens subliminares, potencializadas por sons, imagens e emoções.

    Estamos sendo bombardeados por subliminares hoje em dia. E quem não souber identificá-las, ficará refém dos desejos estimulados artificialmente em nossas mentes.

    Não estou dizendo que deva existir regulação. Mas faço o apelo para que as pessoas instruam a si próprias e às pessoas queridas para que sejam soberanas em relação ao desejo de consumir.

  15. Emerson Luis, um Psicologo

    “Proponho o caminho inverso: relaxe, cuide dos seus filhos com moderação e amor, deixe-os verem propaganda, saiba dizer não, e aproveite. Se outro pai quiser criar a bolha para segregar seus filhos do mundo real, que crie; só não a imponha ao universo inteiro.”

    O problema é que temos cada vez menos opção: as leis microgerenciam como devemos levar nossas vidas e determinam o que deveria ser nossa responsabilidade individual decidir.

    A agenda politicamente correta é imposta não apenas aos que querem ser controlados, mas a todos.

    * * *

  16. Excelente artigo.

    A propaganda direcionada para a criança é uma questão polêmica. Mas acredito que a responsabilidade de educar é dos PAIS

    Ser pai é saber impor limites. NÃO É função do Estado e nem dos publicitários. Creio que a “censura prévia” seria um remedio pior do que a doença. Deixem as empresas de marketing trabalhar! Propaganda boa atrai o público e propaganda ruim afasta (lembrei daquela empresa de roupas e da celeuma gerada pelo menino negro com a camiseta “coolest monkey in the jungle”.

    Para os abusos, multa. E os pais não deveriam delegar a responsabilidade pela educação dos filhos a terceiros.

  17. O que acho interessante nessa questão da publicidade Infantil e da censura em geral é que hoje em dia (não falo de 5 anos atrás, estou me referindo há 10, 15 anos que se arrasta isso) as pessoas que mais polemizaram e criam “mimimis” relacionados a essas regras estúpidas são justamente a geração dos anos 70 e 80 (mais as de 80) pra cá, isso é fato! Se analisarmos com cuidado a situação essa conclusão é factível. Eu nasci em 1991, me lembro que já no final dos anos 90 existia alguns grupos de pressão no Brasil que tentavam tutelar a sociedade, como os evangélicos e alguns políticos como o Magno Malta. Mas as restrições nos anos 90 passavam longe das restrições que foram impostas pós 2005. E esse pessoal que ficava ditando regras não era gente de idade nem mesmo pessoas da geração de 50 e 60, pois essas tiveram filhos que passaram pelos anos 80 e 90 sem problema nenhum. Quem eram os novos pais no início dos anos 2000? Gente da geração de 70 e início de 80. Esse grupo foi o mais hipócrita na minha concepção. Se a geração que cresceu nos anos 60 e aqueles que viveram os anos 70 representando a contracultura e a rebeldia, essa geração dos anos 80 foi a que representou a hipocrisia e o mimimi. Hipócritas porque viveram um período sem as regulações de hoje em dia, e mimimi porque acham que são a voz de todos os pais, é igual ao pessoal do movimento negro e feminista que se julgam os porta-vozes da sociedade que acham representar. Violadores da liberdade!

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