Ainda
há pessoas que acreditam que grandes empresas e seus capitães são defensores da
economia liberal. Sabem de nada,
inocentes. Eles são os primeiros a
recorrer ao estado; e têm todas as facilidades do mundo para fazê-lo.
Se
há uma coisa que empresário gosta é de sair do mar revolto do mercado e boiar
na piscina morna da proteção estatal. As opções do cardápio são várias: formar
um cartel legal, ganhar um monopólio, assegurar uma verba, um crédito
subsidiado, prestar serviços ao estado, veicular publicidade estatal, formar
comitês para regular o setor, proibir a concorrência, fechar as fronteiras ao
produto estrangeiro, passar políticas de preço mínimo, ser salvo da falência no
último minuto, e tantas outras quanto a imaginação dos políticos permitir.
Em
nosso país, uma das formas que as grandes empresas se blindam do mercado é o
BNDES. Ele empresta largas somas a juros subsidiados, visando objetivos
políticos do governo. A diferença entre os juros do mercado e os juros cobrados
pelo BNDES são uma transferência de renda direta para as empresas fazerem o que
quiserem — aplicar o dinheiro e ganhar juros maiores, por exemplo.
No
ano passado, foram mais de R$ 500 bilhões em empréstimos. E não
vá você pensando que o BNDES possa ajudar a todas as empresas. O mundo é cruel,
os recursos são escassos; é impossível que todas as empresas lucrem ao mesmo
tempo no longo prazo: todo ganho de uma é necessariamente a perda de outra.
BNDES: Desembolsos por porte de empresa (R$ bilhões) | Create infographics
Em
outros casos, grandes empresas recebem o direito de monopólio ou de cartel. É o
que ocorre com a telefonia, com companhias de luz, com os ônibus municipais. O
setor é cartelizado por determinação estatal. O resultado são empresas que
prestam serviços caros, de baixa qualidade e que ainda recebem R$ 1,6 bilhão todo
ano do governo. Haja capitalismo!
Essas
formas diretas de ajuda estatal chamam a atenção. Mas o favorecimento dos
grandes se dá também de maneiras indiretas, talvez mais nocivas, via impostos e
regulamentações. A mesma alíquota de imposto que incide sobre os lucros de uma
grande corporação, tirando-lhe parte de seu resultado, inviabiliza a
continuidade de um pequeno negócio que consegue taxas de retorno menores.
Toda
regulamentação ou imposto traz custos fixos. Gastos jurídicos, contábeis, de
auditoria — os quais uma grande empresa consegue diluir no seu enorme
faturamento. Para uma gigante do setor alimentício, a assinatura de um ou
vários nutricionistas de plantão sai barato. Também sai barato aplicar regras
da Vigilância Sanitária para mais uma cozinha padronizada de McDonald’s; para
uma pequena lanchonete, as mesmas exigências são proibitivas.
É
por isso que, quando o assunto é regulamentação, as grandes sempre estarão do
lado do governo. E sempre terão a mais bela das intenções: garantir a qualidade
do serviço e a segurança do consumidor. Elas
sabem que o custo extra, se existir (às vezes não existe porque é a própria
prática delas que é universalizada aos demais), será compensado com o mercado
cada vez mais padronizado e centralizado em suas mãos. Um mercado em que o
consumidor não pode escolher a relação risco/retorno que melhor se adéqua a
suas possibilidades.
Um
exemplo: em 2013, implantou-se a regulamentação de carrinhos de bebê. Os
produtores e vendedores de carrinhos baratos, feitos para não durar, se deram
mal. Mas adivinha qual a posição oficial da Burigotto, cujos carrinhos já
custam mais de R$2.000 e já vêm com todas as medidas mais exigentes de
segurança? Isso
mesmo.
Quando
a cidade de São Paulo ameaçou proibir (numa malfadada lei que não pegou) a
sacolinha de plástico nos supermercados, as grandes redes foram as primeiras a
entrar na onda da sustentabilidade e oferecer lindas sacolas de pano, para eles
um custo ridículo e já parte de uma jogada de marketing. Sentia-se o orgulho no
ar ao oferecerem os sacolões de pano personalizados. Já os mercadinhos de
esquina não ficaram tão felizes.
Das
duas farmácias na
minha vizinhança, em qual delas é mais comum encontrar um fiscal assediando o
estabelecimento com ameaças de multa: na filial da Droga Raia — que deve ter
tudo padronizado já na mesa dos arquitetos e dos advogados — ou a farmácia de
bairro cuja dona, que trabalha no balcão, provavelmente não tem uma equipe
jurídica e nem tempo para conhecer e seguir as infinitas regras?
Com
leis trabalhistas é a mesma coisa. Os custos fixos são diluídos na extensa folha
de pagamento das corporações, que contam ainda com setores jurídicos e de RH
para minimizar perdas e alongar os processos. Fora que seus ganhos de escala
permitem gastar a mais por funcionário do que o negócio pequeno, o qual, a bem
da verdade, depende de diversos prestadores de serviço informais — e que se
sofrer alguns poucos processos trabalhistas já ficará no vermelho.
Pra
completar, o mero fato de ser grande concede às empresas espaço de manobra
perante a justiça estatal. Os passivos
trabalhistas bilionários de grandes empresas e bancos no Brasil — um índice,
na verdade, de como nossas leis são ruins — estendem-se por anos a fio,
acumulando dívidas impagáveis. Mas como o governo não é burro, e não quer
promover descontentamento social à toa, e gosta de ter aliados grandes e fieis,
com uma ameaça na manga, o passivo continua ali. Passivos trabalhistas bem
menores em pequenas empresas já apresentam custos legais inviáveis.
A
grande empresa “não pode” quebrar (por que não?); a pequena pode. Megaempresários
e governantes convivem num amistoso cabo de guerra. Trocam ameaças e presentes,
trocam lobby, financiamentos e projetos de lei, dão e retiram apoio conforme
convém. Cada parte puxa do seu lado, mas nenhuma quer que a outra solte a
corda. E a corda é você.
E
o estado, o que ele ganha? Mais poder sobre a sociedade, mais previsibilidade,
menos dificuldade para monitorar, medir e taxar tudo o que acontece. A garantia
de que tudo o que você consome e todas as suas oportunidades de trabalho estão
devidamente pensadas e dadas de antemão, e que o projeto de poder de quem está
no topo conta com parceiros determinados a quem é possível coagir.
Se
algo fugisse do esquema, então as pessoas tomariam decisões por conta própria,
de forma caótica, não-direcionável; e suas escolhas nem sempre beneficiariam
quem já está no topo. E não podemos permitir que isso ocorra, certo?
_________________________
Leia também:
A diferença entre iniciativa privada e livre iniciativa – ou: você é pró-mercado ou pró-empresa?
Os reais beneficiados por um capitalismo regulado
Não basta privatizar – tem de desregulamentar e liberalizar
Como as privatizações criaram novas estatais no Brasil
Quando leio esses artigos me da uma revolta pois me sinto uma marionete nas mãos destes políticos diabólicos e suas maquinações vampirescas e é por isso que a política só atrai desonestos sendo a minoria deles honesta e eleição não passa de um circo de palhaçadas e nós os inocentes úteis deste sistema perverso.A bíblia diz para nós abençoarmos as autoridades e odiarmos os pecados cometidos por elas ou seja nós devemos abençoar todos os políticos enquanto seres humanos mas as práticas politiqueiras deles devemos condenar com veemência sem medo de perseguições,ameaças e acusações falsas porventura levantadas contra nossas críticas e lembrando que devemos fazer críticas construtivas,coisa que o IMB faz com autoridade e maestria,vida longa para o INSTITUTO MISES,esse farol e oásis de sabedoria neste mundo obscuro da política nacional e mundial.
Muito bom
Não entendi o fragmento abaixo:
“O mundo é cruel, os recursos são escassos; é impossível que todas as empresas lucrem ao mesmo tempo no longo prazo: todo ganho de uma é necessariamente a perda de outra.”
Sempre pensei que os que aqui escrevem, defendiam o jogo do ganha-ganha, e agora me aparece um artigo dizendo que é um jogo de soma zero?
Pode isso, Aranaldo?
Abraços!
Eles chamam de capitalismo quando o socialismo/intervencionismo se mostra fraudulento, mas foram os primeiros a apoiar.
Desculpe pela pergunta idiota.
O que a ideologia Libertaria acha do Laissez-Faire?
Aproveitando o momento em que vivemos, de campanhas: Se Presidente da República fosse, uma das primeiras coisas que faria, além de vender a Caixa Econômica Federal, o Banco do Brasil, a Petrobrás, o Correios e a extinção do BACEN, porque o transformaria em uma Agência de Conversão de Moedas, seria a extinção do BNDES.
Só lembrando que já fui assinante de uma revista voltada para pequenos empreendedores nos anos 90 e me lembro bem das queixas dos micro e pequenos empresários sobre a alta carga tributária e burocracia para se empreender neste país e também me lembro bem de matérias abordando a falta de poder de barganha dos pequenos em relação aos grandes oligopólios,eram matérias de alto nível pena que a linha editorial da revista mudou para a pior,ficou mais mercantilista(Anúncios publicitários em demasia)e tenho saudades destas matérias e uma das reclamações dos pequenos era a falta de crédito e hoje conhecendo o IMB fico mais irritado em saber que estes filhotes do mal(Políticos,burocratas e Grandes empresários apadrinhados)ao invés de direcionar o crédito pra novos empreendimentos para aumentar a concorrência ficam esbanjando nosso suado dinheiro com a meia dúzia de apadrinhados oh raiva!Dá vontade de sair gritando pelas ruas e praças deste país denunciando essa mazelas,mas infelizmente o mundo caminha de mal para pior,enfim a cada fico mais desiludido com este mundo DEUS tenha misericórdia de nós e nos dê força para suportar tanta opressão vinda destes poderosos e das potestades do mal nas regiões celestiais.Enfim este é o meu desabafo,amigos…
E qual seria a solução para criar um ambiente com mais concorrência entre as grandes e os pequenos aqui no Brasil?
Perfeito. Gostaria apenas de salientar que, pelo que entendo, o livre mercado e algo que existe por acaso. Não foram os capitalistas que o planejaram. É, antes, uma consequência incontrolada do capitalismo. Empresários, grandes ou pequenos, podem sofrer dos mesmos defeitos morais. Os pequenos, naturalmente, não conseguem os privilégios descritos no texto, mas muitos deles bem que gostariam dessas benesses. Muitos tiram suas lasquinhas confabulando com prefeituras do interior ou se filiando a organizações como a maçonaria.
Esta última foto é a mais intragável de todas da história da era petista.
Aqui no Brasil, é fácil notar a ideia do artigo: por que os amigos do rei não gostavam da CPMF, que era ínfima em comparação com os demais, mas não faziam nenhum alarde por impostos muito piores.
O que ocorre no mundo é a indústria das leis e o que mais se ouve neste país são pessoas dizendo que deve haver lei para isso ou aquilo. Eu gostaria de um dia entender a mentalidade de um ser que pensa assim.
O brasil é o país mais desonesto do mundo. As pessoas têm orgulho de fazer coisas erradas.
Gosto de ler os artigos, e outros do instituto Mises Brasil.
Gostei do assunto e por isso quero fazer algumas considerações mistas com algumas indagações.
Também concordo que a organização do Estado tem sido utilizada por grandes corporações para cercear a concorrência como diz o artigo. Como evitar essa realidade, ou tendencia? Em minha opinião é ai que mora a moral da coisa. O estado tem que ter certas funções estabelecidas em constituição, das quais não pode abrir mão, como por exemplo, o estado não pode ser utilizado para criar barreiras a concorrência, mas como isso pode ser concretizado? Deve ser vedado ao estado criar leis que facilite a criação de mecanismo que interfere na concorrência, seja para grandes, ou para pequenos, para internos ou para externos ao mercado. Essa vedação do estado impossibilita legalmente as empresas de qualquer porte de utilizar o poder do estado para eliminar a concorrência.
Quanto aos bancos o assunto é fascinante. Não vejo logica em combater os bancos oficiais (estatais), porque o problema não está neles, mas no principio que os sustenta, no banco central e leis afins que regulamenta o sistema monetário de cada país e internacional. Enquanto os bancos puderem criar dinheiro com base no principio de que tem um banco central para garantir o sistema caso algo der errado, iremos ter o problema das expansões monetárias dos créditos fáceis – reservas fracionarias.
A pergunta, é possível proibir os bancos praticarem a reserva fracionaria, ou seja, é possível obrigar os bancos terem 100% de lastro para cada deposito realizado? Isso é viável do ponto de vista libertário?
Prosseguindo no assunto
Tudo começa pela constituição, com algumas clausulas pétrea que não permitem emendas, ou mudança de especie alguma. Não é assim que os socialistas tentam mudar o estado para torná-lo uma republica socialista? Um estado liberal também da mesma forma. Deve constar na constituição o principio da propriedade, da concorrência, etc. A constituição que não contiver princípios que respeite estas ideias e outras afim está fadada a acontecer igual aconteceu com o Brasil em termos sociais e econômicos.
Um outro principio que deve ser alvo de debate é o limite do estado, o que ele pode e o que não pode. Inclusive o principio da metamorfose na constituição deve ser evitado, pois isso abre a possibilidade de que cada grupo que pega a organização do estado vá criando leis e mecanismos que possibilita os grupos de empresários de utilizar o estado para proteger os seus negócios eliminado o máximo a concorrência de qualquer tamanho.
O aluno aqui está apenas dando embriões de ideias que podem ser desenvolvidas mais adequadamente por quem tiver mais capacidade e acuidade com os temas de economia.
É por causa dessas observações acima que odiei o artigo.O artigo só fala de deasregulamentações,porem o mesmo se esquece que o grupo mais poderoso do brasil são os regulamentadores,isto é,gente que esta trabalhando em orgãos publicos estatais a mais de 20 anos e para tirar essa cambada da boquinha não é assim tão facil,comovemos no video a seguir:
https://www.youtube.com/watch?v=ucv1PMxs7jw
Por isso que eu insito;o governo em primeiro lugar tem que privatizar todos os orgãos publicos,quebrar as pernas desses vagabundos da estatal,ai fazendo isso,ficara bem mais facil acabar com os regulamentadores. Um exemplo interessante disso são os correios,alem de desregulamentar a entrega de correspondencia,tem que privatizar os correios,isto é,vender a estatal no mercado,pois só desregulamentar não adianta,porque a estatal sempre ira usar o governo para se manter grande,como por exemplo os bancos públicos. Estou seriamente desconfiado que o mises anda recebendo generosas doações do governo,pois temos ja o terceiro artigo falando mal de empresario e passando a mão na cabeça de funcionário publico,não estou gostando do caminho que esse site esta tomando.
Privatizem todos os bancos públicos!
@Aluno’ 04/10/2014 13:30:33
Também concordo que a organização do Estado tem sido utilizada por grandes corporações para cercear a concorrência como diz o artigo. Como evitar essa realidade, ou tendencia? Em minha opinião é ai que mora a moral da coisa. O estado tem que ter certas funções estabelecidas em constituição, das quais não pode abrir mão, como por exemplo, o estado não pode ser utilizado para criar barreiras a concorrência, mas como isso pode ser concretizado? Deve ser vedado ao estado criar leis que facilite a criação de mecanismo que interfere na concorrência, seja para grandes, ou para pequenos, para internos ou para externos ao mercado. Essa vedação do estado impossibilita legalmente as empresas de qualquer porte de utilizar o poder do estado para eliminar a concorrência.
Se isso fosse de fato aplicado, o estado deveria ter vedado o direito de mudar essa regra. E isso nunca poderia acontecer, por que o estado é baseado na possibilidade de mudar as próprias regras e qualquer momento.
De qualquer forma, quem observa o observador? Enquanto houver estado sempre haverá uma maneira de se apoderar dele. A mera existência de um estado é incentivo o suficiente para que escroques e gente mal-intencionada busque controlá-lo.
Quanto aos bancos o assunto é fascinante. Não vejo logica em combater os bancos oficiais (estatais), porque o problema não está neles, mas no principio que os sustenta, no banco central e leis afins que regulamenta o sistema monetário de cada país e internacional. Enquanto os bancos puderem criar dinheiro com base no principio de que tem um banco central para garantir o sistema caso algo der errado, iremos ter o problema das expansões monetárias dos créditos fáceis – reservas fracionarias.
Você entendeu o negócio às avessas. Você está correto quando diz que todo o esquema com banco central e a prática de reservas fracionárias é fraudulento… Mas por que os bancos estatais não devem ser combatidos com base na sua suposição foge completamente ao meu entendimento. Os bancos estatais são os únicos que não estão submetidos ao mercado, podendo conceder crédito “podre” à vontade do governo da vez. Então, enquanto é verdade que o problema não está exclusivamente neles, eles são o que torna o problema ainda pior. Por mais fraudulento que o esquema seja, nenhum banco privado quer correr o risco de quebrar, ao passo que um banco estatal não poderia estar menos preocupado com isso.
A pergunta, é possível proibir os bancos praticarem a reserva fracionaria, ou seja, é possível obrigar os bancos terem 100% de lastro para cada deposito realizado? Isso é viável do ponto de vista libertário?
Dica: sempre que você imaginar algo que devesse ser “proibido” como quem escreve uma legislação nova para fazê-lo, você não está pensando como um libertário.
Então, não. Do ponto de vista libertário, não haveria nada impedido que um banco praticasse reservas fracionárias. No entanto, as pessoas podem simplesmente escolher não fazer negócio com tal banco. Se as pessoas compreendessem que reserva fracionária é semelhante a roubo e se as pessoas de fato tivessem alternativa a tal esquema, o mercado se encarregaria de fazer o resto.
Tudo começa pela constituição, com algumas clausulas pétrea que não permitem emendas, ou mudança de especie alguma. Não é assim que os socialistas tentam mudar o estado para torná-lo uma republica socialista? Um estado liberal também da mesma forma. Deve constar na constituição o principio da propriedade, da concorrência, etc. A constituição que não contiver princípios que respeite estas ideias e outras afim está fadada a acontecer igual aconteceu com o Brasil em termos sociais e econômicos.
Um outro principio que deve ser alvo de debate é o limite do estado, o que ele pode e o que não pode. Inclusive o principio da metamorfose na constituição deve ser evitado, pois isso abre a possibilidade de que cada grupo que pega a organização do estado vá criando leis e mecanismos que possibilita os grupos de empresários de utilizar o estado para proteger os seus negócios eliminado o máximo a concorrência de qualquer tamanho.[/i]
Como escrevi acima, simplesmente não há a menor possibilidade disso acontecer. Tudo é muito bonito quando começa, mas nada impede que as gerações futuras alterem o esquema. Isso aconteceu com os EUA: começou como uma nação com um estado federal mínimo e cheio de amarras, pesos e contrapesos para que não crescesse. O tempo passa e os EUA se tornaram a nação mais militarizada e intervencionista do mundo, com um estado federal muitas vezes maior do que qualquer estado do mundo. E sequer precisaram de muitas gerações para que isso acontecesse.
Se tem algo a ser aprendido com a lição dos EUA é isso: um estado mínimo nunca fica mínimo por muito tempo; um pedaço de papel, ainda que você rabisque “Constituição” no cabeçalho, não é garantia de nada.
O aluno aqui está apenas dando embriões de ideias que podem ser desenvolvidas mais adequadamente por quem tiver mais capacidade e acuidade com os temas de economia.
Tudo indica que o aluno aí ainda tem muito a estudar.
Primeiramente tenho que dizer que gostei muito das considerações do Aluno’ (04/10/2014 13:30:33) e do anônimo (04/10/2014 17:57:30). De maneira simplificada, pode-se dizer que elas representam pesos de algumas questões que tenho. Então, agradeço imensamente por ”levantarem essa lebre”.
Mas agora, vamos tentar vê-las em termos práticos. Sim, pois chegar à conclusão de que um estado mínimo não funciona, não é suficiente para encerrar a questão.
Por exemplo: é praticamente unânime por aqui a ideia de que tem que se desregulamentar. Mas os detalhes de onde, do quê especificamente e de como seria esse processo ainda não há discussões. Estou falando de desejos, planejamentos, esperanças, vislumbres, previsões ou quaisquer coisas assim. O que temos até o momento? Vamos torcer para que governantes iluminados tomem conta do poder e façam isso, como na Nova Zelândia? É que independente de qualquer coisa, ainda penso que começar por entender a Constituição e todo o imenso emaranhado das leis brasileiras -para aí sim saber de que forma diminuir a regulamentação- é, se não a plataforma mais sólida, um ponto de parada obrigatório para quem quer ver isso acontecer. Mas está muito fácil me fazer mudar de opinião.
E em tempo, não posso deixar de cumprimentar e agradecer o Joel pelo artigo, que é quase como uma denúncia. Não que eu deseje algum mal a ele, mas que ele seja importunado por essas informações para trazer-nos muito mais dessas “denúncias”.
Grande abraço e até a próxima.
O melhor artigo do IMB na opinião de vários é justamente um plano para um virtual presidente que defenda o livre mercado: http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=285
Na Nova Zelândia, o Estado não é pequeno. Esta é apenas uma lista de órgãos do governo: https://www.govt.nz/organisations/. O que lá aconteceu foi uma redução do Estado e uma profissionalização do mesmo, mantendo respeito à propriedade, à solidez monetária, ao livre-comércio e aos contratos. Acho que qualquer libertário apoiaria algo do tipo, mas está longe do ideal.
O que de mais prático e de perfeitamente fiel aos ideais da Escola Austríaca e do Libertarianismo seria quebrar o monopólio estatal. O governo pode existir em todas as suas dimensões atuais, mas não pode deter privilégios de cobrar tributos, de impor regulações monopolistas (www.mises.org.br/Article.aspx?id=643 e http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1200), de deter reserva de mercado em determinados ramos (www.mises.org.br/Article.aspx?id=1728) ou de fazer qualquer agressão contra a vida, a liberdade e a propriedade de indivíduos que não a façam.
Em suma, o Estado deve ser apenas uma instituição, competindo sempre com a livre iniciativa nos serviços que presta. Se qualquer um detiver o poder “legitimado” de impor algo, não será utilizado para o bem. O homem é o lobo do homem, logo não é positivo haver um terceiro lobo sem consentimento de ambos para mordê-los.
Parem de promover o Estado a substantivo comum. O Estado não merece tanto.
Olá,
Muito se fala na mídia tradicional, por economistas tradicionais, que a política atual do governo de estimular o crescimento via consumo se esgotou e de aumentar o número de parcerias e concessões com a iniciativa privada de forma a se investir na precária infraestrutura do país. Isso seria viável? Supondo que tivéssemos um governo bem menos sacana e sedento de poder, como o atual, isso não funcionaria e estimularia as empresas a investirem?
É claro que temos caso de fracasso e de relativo sucesso nessa iniciativa (fracasso: metrô de salvador, relativo sucesso: linha 4 do metrô/SP)
Aguardo os comentários!
Agora eu fiquei confuso.
Até onde sei, o pessoal da Heritage Foundation, por exemplo, que é muito enfático ao defender o livre mercado e a liberdade econômica, são financiadas por instituições ligadas a grandes grupos norte-americanos.
Me causa estranheza supor que grandes empresas financiariam ideias contrárias a si mesmas.
Pelo que eu vejo, Heritage Foundation e vocês não estão de lados opostos da economia política.
Ou estão?
Isso me lembra outra coisa: quem financia vocês?
“A grande empresa “não pode” quebrar (por que não?); a pequena pode.”
Ótima observação! Essa ideia é sempre citada pelos intervencionistas, mas nunca explicada.
* * *
Eu mesmo sou totalmente favorável à extinção do BNDES e total desregulamentação do sistema bancário. Esse BNDES só serve para pegar recursos públicos para doar para sanguessugas que vivem às custas do dinheiro público. Boa parte dessas “grandes empresas” existentes no Brasil surgiram graças a doação do BNDES.
Já viram o tamanho do livro sobre a legislação do ICMS no qual cada estado tem suas leis de impostos estaduais? Geralmente são maior que uma Bíblia. Vai no site IOB e coloca icms ou imposto, você vai ver cada livro sobre detalhes de impostos com preços na base de cem reais.
E tem gente que ainda acha que 100% da culpa é do estado. e não conseguem enxergar que o estado e os grandes empresarios são as mesmas pessoas, só trocam de posições ao passar dos anos.
Logo, nunca irão conspirar contra si. Claro! Se ilude quem pensa o contrário, que do dia pra noite vai mudar o mundo, que vai acabar com os impostos, que vai derrubar o governo, que o país vai ser 100% liberal, economia 100% liberal… acho que começar tentando pelo caminho do estado mínimo já seria um bom começo, pelo menos factível.
Tem uma crítica, por parte da esquerda, que diz que este modelo (capitalismo de estado) é inevitável ao capitalismo, pois as grandes empresas sempre tendem a capturar o estado, seria como esperar que uma ANATEL não fosse capturada pelas empresas de telefonia. O que vocês dizem sobre isso?
Para mim, qualquer empresário, seja ele pequeno ou grande, VAI querer estabilidade, VAI querer fatia de mercado. O que não é errado! faz parte da coisa!
Quem tem um negócio, é óbvio que, se existe um meio de garantir a sua fatia, e ter certeza que faça chuva ou sol, o investimento inicial estará garantido, ele vai utilizar-se desse ‘trunfo’ para crescer!
Conheço uma história que é típico do ser humano:
Num determinado bairro havia um dono de um mercadinho, e todos da região comprava pão nesse mercado. O pão era péssimo, mas como não tinha outro lugar, todo mundo comprava.
Um padeiro que morava na região, mas fazia pão para uma padaria sofisticada no centro da cidade, vendo a oportunidade, saiu do trabalho e montou uma mini padaria no bairro.
Resultado:
Todo mundo passou a comprar pão com ele, e o pão era coisa de primeira para o bairro, fazia-se fila na porta.
O dono do mercadinho, foi até a mini padaria tentar negociar com o padeiro para ele vender seu pão no mercadinho dele!
O padeiro, vendo que não era um bom negócio para ele, até porque todo mundo já comprava pão com ele, não fazia sentido vender no atacado pra ele, sendo que os clientes eram os mesmos, rejeitou a proposta.
Passaram-se uns meses, a casa do padeiro foi invadida, e ele escapou da morte por pouco!
Resultado, padeiro sumiu no mundo, e o comerciante voltou a lucrar vendendo o péssimo pão de antes.
É isso que acontece!
Quem pode mais, chora menos!
Infelizmente o mundo ideal não existe.
Se as grandes empresas tem carta para obterem vantagens, elas irão usar!
Eu só vim relatar o meu pessimismo, pois solução para males, confesso que não sou inteligente o suficiente para encontrar.
E é isso, mexer no bolso/fatia de mercado do próximo, é guerra na certa.
Não vejo tanta diferença das empresas hoje para o tráfico de drogas com demarcação de territórios.
E é óbvio, se eu tenho um negócio a muito tempo, percebo que um concorrente menor está ganhando terreno, primeira coisa: tento compra-lo! se não consigo?
Bom, aí é quem pode mais chora menos.
Com o capitalismo estatizado é fácil não gostar dele, uma vez que os que estão próximos dos governantes são os mais beneficiados, enquanto os demais pagam a conta e ainda enfrentam dificuldades para adentrar no mercado, tamanha são as regulamentações… O discurso anticapitalista prevalece porque ele é míope. Os anticapitalistas tratam-o como algo homogêneo, como algo único, enquanto que, na realidade, existem várias formas de capitalismo. Entender isso é libertador.
Assim como o câncer chamado Petrobrás, o câncer BNDES foi uma criação do ex-ditador Getúlio Vargas, lá nos anos 1950. Faço minhas, as palavras do finado Paulo Francis: “Getúlio Vargas é um vampiro. Imortal até que alguém lhe enfie uma faca no coração.”
Não sei se este artigo foi postado de forma proposital ou se foi mera coincidência, mas hoje de manhã eu assisti uma matéria no Bom Dia Brasil falando sobre esse novo mercado de hospedagem, onde uma pessoa cede um espaço da sua casa para um turista ou pessoa que vai passar uma noite em tal local, e toda a negociação é feita através de um aplicativo de celular (AirBnB).
E claro, falou da intenção do governo de regulamentar e colocar um imposto neste novo segmento de mercado, pois os donos de hotéis começaram a cholar na Embratur, usando o argumento de que 20% de seus rendimentos são destinados a pagar impostos. Ou seja, é mais “cômodo” pedir para o governo taxar aquele setor, do que pedir para que o governo abaixe os impostos.
Para quem quiser ver:
g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2015/08/governo-estuda-forma-de-regularizar-sites-e-aplicativos-de-hospedagem.html
Propaganda política agora do PDT, com o glorioso Carlos Lupi:
”Querem privatizar as águas da Cedae, um patrimônio dos moradores do estado do RJ, tornando-a uma empresa que só visa o lucro, a apenas nas mãos de alguns. Diga não à privatização. O PDT é contra a privatização!”
é de cair o saco….
Empresas grandes não têm mais nada a ganhar com a concorrência de mercado, só perder. Qualquer dificuldade que um empresário mal caráter conseguir colocar para dificultar uma ameaça a sua empresa ele vai colocar. Patrocinar políticas intervencionistas que o favoreça pode ser uma delas. Mas como eu disse, tem que ser um mal caráter mesmo.
Já que estamos falando de grandes empresas e a sua ligação com os governos para destruir o mercado, teria algum artigo comentando os subsídios, ajuda financeira e investimentos de capital feitos pelos empresários americanos em países socialistas?
Uma dúvida. Alguém tem a fonte de onde tiraram os números para o gráfico de empréstimo do BNDES?
Lendo artigos do instituto Mises agora vcs entendem porque eu virei anarcocapitalista?
Desculpem os minarquistas, mas Estado Mínimo eu tenho minhas dúvidas se se manteria por muito tempo.
Eu sei que não é o o local correto, já que não conheço outro local melhor para debate, mas o que os liberais tem à dizer sobre o fato de que as maiores petroleiras do mundo são Estatais?
rapaz… eu achava q sabia das coisas. Mas vc manja dos paranauê ein, amigo??
Castigo dos brasileiros está apenas começando.
Um aspecto marcante que observo nesta atual crise econômica e política que enfrentamos no Brasil é o contínuo e incessante discurso, inclusive na grande mídia, das “propostas do governo”. A toda hora anuncia-se um novo conjunto de medidas, a cada dia alguma autoridade anuncia alguma nova iniciativa para “estimular a economia”, a todo momento cobram-se novas ações do governo, novas “políticas públicas” (estas palavras transformaram-se num mantra repetido por todos à exaustão).
Todavia, o que precisamos no momento é exatamente de menos governo, de menos intervenção estatal. E isto não é apenas uma opinião liberal, é uma constatação óbvia de que sem estabilidade jurídica e econômica, sem clareza do horizonte político e institucional, os investimentos privados (principalmente os estrangeiros) vão permanecer paralisados no Brasil. Não são propostas geradas nos gabinetes de Brasília que vão tirar o Brasil desta grave crise: é o trabalho e o investimento das empresas e pessoas.
É mais um exemplo do esquerdismo estatizante crônico que impregnou a grande maioria das mentes no Brasil.
Nosss fera este artigo.
Vai pra minha categoria de favoritos.
” A grande empresa “não pode” quebrar (por que não?); a pequena pode. Megaempresários e governantes convivem num amistoso cabo de guerra. Trocam ameaças e presentes, trocam lobby, financiamentos e projetos de lei, dão e retiram apoio conforme convém. Cada parte puxa do seu lado, mas nenhuma quer que a outra solte a corda. E a corda é você. “
FEra meu
Boa noite,
Gostaria de perguntar a respeito de regulamentações, que, como sabido servem de grande instrumento para embarreirar novos operadores no mercado.
No entanto, confeso minhas limitações cognitivas, quando leio que o melhor seria o total abandono das regulamentações.
É que, em um mundo complexo como o de hoje, seria de se esperar que todos os consumidores dispusessem de simetria de informação em relação a todos os tipos de serviços em que tem interesse?
Foi dado o exemplo do setor aéreo, com suas barreiras.
Mas, se não houvesse qualquer restrição (refiro-me especificamente as de ordens técnica, que digam respeito à segurança das pessoas), e viesse uma empresa Tabajara Air (com boa aparência, com marketing etc), vendendo passagem mais baratas, mas com comprometimento das manutenções das aeronaves.
À luz da teoria libertária, como um cidadão comum poderia lidar com essas situações, uma vez que, provavelmente, muitos dos riscos relacionados, ele não tem nem como imaginar que existam para poder avaliá-los?
Tenho outras dúvidas, mas, por ora , fico com essa.
Abraços
Se a empresa se recusar a pagar, primeiramente o nome dela irá para um “Serasa”, afetando suas linhas de crédito e tudo mais.
Se MESMO assim a empresa continuar tentando resistir (algo ilogocioc mas vamos continuar com esta masturbacao mental).
O juiz do tribunal privada exigirá ao banco que tem conta da empresa a Transferência de recurso se tiver dinheiro em conta bancária.
Ou acionará uma agência privada para alienação de bens (apropriar de terrenos, imóveis, bens diversos e etc…)
Entenda caro. Na sua confusão mental você quer achar que alguém terá o poder de enfrentar todo o restante dos agentes econômicos para forçar a sua “forma de ser”. Mas na pratica ninguém faz isso porque na pratica ninguém tem PODER para isso. Especialmente em uma situação onde não existe monopólio de justiça.
Amigo,
Seus fatos sao verdadeiros, mas a conclusão eu descordo. Empresas e empresários, não são os que saem atras dos créditos governamentais. Eles saem atras de credito barato. O problema não esta nas grandes empresas, mas no mecanismo que nosso sistema politico encontrou de desviar dinheiro para seus bolsos e suas campanhas. Para nossos politicos não importa qual e o projeto, o que importa e o tamanho do empréstimo, pois a cada saída de caixa dos bancos públicos, todo sistema politico e remunerado, portanto nada mais justo do que querer emprestar grandes quantias de cada vez, e para pessoas ligadas a eles, pois so assim receberam a sua parte. Os empresários não são os que montam esse tipo de esquema, pois estão no mercado para produzir, nossos governantes desde a epoca da Coroa, crio esse sistema para que toda vez que um empresário queira usar dinheiro publico, a corte toda e remunerada, foi assim com Barao de Maua, e assim e hoje.
Parabéns ao Joel. Outro belo artigo. A escolha da foto não poderia ser melhor. Coloco uma sugestão ao autor ou à equipe do MISES: levantar junto ao BNDES o valor dos empréstimos de cada uma daquelas “carinhas” que aparecem na cena da foto.
Pobre Brasil… não tem saída. Aos brasileiros honestos, restará o aeroporto mais próximo…
Façamos o seguinte se tiver algum empresário que não faz giro de qualquer fundo estatal que se apresente aqui. Mas não pode fazer uso deste fundo em cinco anos e com receita operacional crescente! Mas vcs tem merda na cabeça ou o mundo real é um lugar tão cruel que vcs tão tomando toneladas de Clozapina para produzir estas fantasias!