Voltar

As “descobertas” de Piketty estão invertidas

Thomas
Piketty, um professor neomarxista francês, escreveu um livro de quase 700
páginas, publicado pela Harvard University Press.  Seu título é Capital no
Século XXI
, em homenagem a Das
Capital
, obra de Karl Marx escrita no século XIX.  Foi recebido com aplausos delirantes da
esquerda intelectual e já consta nas listas de mais vendidos do The New
York Times
e da Amazon.

Embora
seu livro seja ostensivamente dedicado ao estudo do capital e de sua taxa de retorno, Piketty aborda
o assunto sem aparentemente ter lido uma única página de Ludwig von Mises ou de
Eugen von Böhm-Bawerk, os dois principais teóricos deste assunto. Não há uma
única referência a qualquer um destes indivíduos em seu livro. Existem, no
entanto, setenta referências a Karl Marx.

Em
seu livro, Piketty argumenta que a poupança e a acumulação de capital feita pelos
capitalistas geram apenas a redução dos salários dos trabalhadores.  Segundo Piketty, o capital acumulado não tem
nenhuma ligação com o aumento da produção; o capital acumulado em nada
contribui para o aumento da produção.  Tudo o que ele faz é, supostamente, aumentar a
fatia da renda nacional que vai para os lucros ao mesmo tempo em que reduz, de
maneira equivalente, a fatia que vai para os salários dos trabalhadores.  

Logo,
dado que o capital acumulado não gera nenhuma produção adicional, o efeito de
uma mudança nestas duas fatias é uma correspondente mudança em termos absolutos
— ou seja, um aumento nos lucros reais dos capitalistas e uma diminuição nos
salários reais dos trabalhadores.

Para
evitar esta infindável e destrutiva acumulação de capital, bem como sua
consequente “espiral de desigualdade”, Piketty defende um imposto de renda
progressivo, cuja alíquota pode chegar a 80% “sobre rendas acima de US$500.000
ou US$1 milhão por ano”, acompanhado por um imposto progressivo que incide diretamente
sobre o próprio capital acumulado, cuja alíquota pode chegar a 10% ao ano.

As
alegações de Piketty sobre as fatias da renda nacional que vão para os salários
dos trabalhadores e para os lucros dos capitalistas podem ser refutadas simplesmente
ao imaginarmos as consequências de um aumento na poupança e nos investimentos dos
capitalistas, e então observarmos as consequências disso, tanto nos salários
pagos quanto na quantidade de lucro no sistema econômico.  Será possível observar que os salários pagos
necessariamente aumentarão e a quantidade de lucro necessariamente diminuirá,
resultados diametralmente opostos às alegações de Piketty.

Assim,
suponha que, inicialmente, a quantidade total de lucro no sistema econômico seja
de 200 unidades de dinheiro.  Suponha também
que o capital acumulado no sistema econômico seja de 2.000 unidades de
dinheiro.  Consequentemente, a taxa média
inicial de lucro é de 10%.

E,
finalmente, suponha que os capitalistas, que até agora vêm consumindo seus 200
de lucro, decidam poupar e investir metade
deste lucro de 200.  Eles, portanto,
passam a fazer agora um gasto adicional com bens capitais e com mão-de-obra no
valor de 100.

Muito
bem.  Qualquer fatia destes 100 que seja
usada para pagamentos de salários irá necessariamente aumentar o total de salários pagos no sistema econômico.  Ao mesmo tempo, o gasto adicional de 100 com
bens capitais e com mão-de-obra representa um acréscimo de 100 aos custos
agregados do sistema produtivo, custos esses que, por uma mera questão de
contabilidade, terão de ser deduzidos das receitas, desta forma reduzindo de maneira equivalente os
lucros agregados.

Esse
aumento nos custos pode ocorrer imediatamente ou ao longo de muitos anos,
dependendo de em quê estes 100 serão gastos. 
Em um extremo, se eles forem gastos inteiramente com itens que não
representam investimentos — como, por exemplo, despesas administrativas –,
eles aparecerão nos balancetes imediatamente como custos adicionais.  

Em
outro extremo, se eles forem gastos inteiramente em investimentos em bens de
capital — como, por exemplo, a construção de fábricas ou de instalações
(ativos) cuja vida depreciável seja de quarenta anos –, eles levarão quarenta
anos para ser computados integralmente como custos adicionais equivalentes de
produção.

De
uma maneira ou de outra, estes 100 aparecerão como custos adicionais
equivalentes e, portanto, reduzirão
de maneira equivalente a quantidade de lucro no sistema econômico.

Isso
é regra contábil pura, algo que aparentemente o professor desconhece.

Assim,
as tão reverenciadas “descobertas” de Piketty estão, na realidade, invertidas.
A poupança e os investimentos dos capitalistas — que aumentam a proporção entre
capital acumulado e renda — aumentam
a fatia da renda nacional que vai para os salários dos trabalhadores e diminui a fatia que vai para os lucros.

No
que mais, essa maior oferta de bens de capital — resultante de uma maior
acumulação de capital, possibilitada por mais poupança e mais investimentos —
faz aumentar a produtividade da mão-de-obra
e aumentar o total de bens e serviços
que podem ser produzidos, incluindo uma oferta ainda maior de bens de capital.

Por
outro lado, a tributação desta poupança e deste capital acumulado — que é o
que defende Piketty — irá gerar efeitos exatamente opostos: menos
investimentos, menos salários, menos produção, mais escassez de bens e
serviços, mais carestia.

O
programa de Piketty é um programa de total destruição econômica, bem ao gosto
de seu mentor do século XIX. O mundo e,
acima de tudo, os assalariados do mundo necessitam é da abolição de impostos e de
regulamentações que obstruem o acúmulo de capital e o aumento da produção.  

As
bases sólidas para um aumento no padrão de vida geral e, mais especificamente,
nos salários reais são a acumulação de capital e o aumento da produção, e não o
igualitarismo e suas teorias e programas insensatos (quando não homicidas).  Tributação e confisco de renda geram apenas
prolongamento da escassez, sendo positivos apenas para os burocratas que
comandam esse confisco.

________________________________________________

Leia todos os nossos artigos sobre Piketty

O que houve com os ricaços
da década de 1980?
 

Thomas Piketty e seus dados
improváveis

Algumas frases aterradoras
contidas no livro de Thomas Piketty

O Jardim da Inveja de Piketty

Últimos Artigos

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

76 comentários em “As “descobertas” de Piketty estão invertidas”

  1. Emerson Luis, um Psicologo

    Será que Piketty já ouviu falar de Mises, Böhm-Bawerk ou mesmo Hayek?

    Não é piada: muitos economistas nunca ouviram ou leram nada deles ou sobre eles.

    * * *

  2. É incrível como é complexo de compreender que o capital não surge por inércia e não é motivado por esporte. Creio não nutrir mais comentários por Piketty após os 4 últimos artigos: trata-se ou de uma desilusão proposital ou de mera mentira conveniente a apologizar a maior participação do estado na sociedade.

  3. Antonio Henrique

    O objetivo deste Marx francês é iludir.
    O Sr. Piketty acha que descobriu um modo de fazer a expropriação comunista em favor do Estado de uma forma que ninguém perceba.
    Ao invés de tomar tudo, de todos, de forma violenta, logo na implantação do regime comunista, o Sr. Piketty decidiu tomar quase tudo, de todos que possuam alguma propriedade, de forma violenta, mas sem guerra. Ou seja, a maioria decide pela expropriação, e os expropriados não podem reclamar, pois a violência que ele propõem teria o aval da democracia.
    Como todo comunista, ele acredita que o estado é o único capaz de administrar as riquezas acumuladas.
    Para iludir as vítimas de seu plano maléfico, ele fica propalando que o plano é para combater a pobreza, as desigualdades, no afã de conquistar admiradores entre aqueles que serão expropriados, e também colocar a população pobre, em geral, contra as pessoa que ricas, como se estas fossem egoístas e responsáveis pela pobreza.
    É apenas mais um comunista sem disfarce.

  4. O sucesso de um cara ignorante e com uma solução tão estúpida e irresponsável como o Piketty é sinal de que há alguém interessado em preparar o terreno para a implantação do imposto global que ele propõe.

    E vale lembrar que o imposto de renda nos EUA também começou como uma proposta de incidir apenas sobre os ricos.

    Esse cenário é positivo para as moedas criptográficas.

  5. É lamentável saber que cada dia que passa, é um dia a menos a vida útil da liberdade. Vale lembrar que a a liberdade econômica é a base para todas outras liberdades, se perdermos essa, perderemos todas outras.

  6. Sempre deixo pra ler os artigos da semana no sábado e estou ansioso para ler este, pelo simples fato de ser de autoria do George Reisman. Ele nunca decepciona!

  7. Quais as consequências para os investimentos e poupança se for o estado o acumulador? Se quem investe nas empresas for o estado e não o capitalista(tipo o estado nazista), quais as consequências quanto aos salários e bens de capital?

  8. aumentam a fatia da renda nacional que vai para os salários dos trabalhadores e diminui a fatia que vai para os lucros.

    Mas não necessariamente os lucros investidos vão para aumentar os salários dos trabalhadores e essa é a crítica do Piketty. Além do mais, enquanto os ricos continuarão com ativos que aumentam seu patrimônio( acumulo que os assalariados não tem), o capital investido renderá juos, o que consequentemente aumentará a diferença entre os salários dos trabalhadores e a renda dos capitalistas.

  9. Só há um porém, para acumular capital não é necessário um patrão, uma empresa onde os trabalhadores administrem por um sistema de votos pode muito bem acumular capital e ter suas decisões tomadas por meio de um sistema democrático de administração.. Da mesma forma que o socialismo falha porque a informação está dispersa e um agente centralizador não consegue saber a demanda do povo, uma empresa grande tende a ter o mesmo problema, de forma menor, um patrão não recebe toda a informação necessária do processo produtivo, ela está dispersa na imensidão de uma empresa, o argumento de Mises e hayek serve para grandes empresas também, quanto maior uma empresa mais ineficiente ela tende a ser se a tomada de decisões for centralizada. Por isso que a maioria das grandes empresas só vivem porque tem algum protecionismo, subsídio, ou monopólio.. O seu tamanho imenso as torna ineficientes naturalmente. Uma cooperativa onde os trabalhadores tomem decisões será superior a simples empresa privada, e nela não há um patrão, que também é um custo.. O patrão é um custo desnecessário em uma economia de mercado, seu papel é a tomada de decisões, que pode ser substituída por um grupo de trabalhadores que estão muito mais a par do processo de produção do que um patrão mandando do seu escritório. Isso não é socialismo, é sistemas de cooperativas QUE já existe, e as empresas sobrevivem muito bem, melhor que aquelas com patrões tomando todas as decisões e os funcionários apenas obedecendo.

  10. E assim Ayn Rand se tornou uma profetiza, os socialistas/igualitaristas estão finalmente as portas da concretização da sua tão aclamada social-democracia, onde os ricos e capitalistas terão a maior parte de seus bens confiscados democráticamente, restando-lhes apenas dedicar uns 10 meses do ano para pagar a carga tributária nacional e pasmém, o imposto global de 80% de Piketty, se não um maior. Aliás, outro dia vi um trailer de um filme que suponho que seja baseado no “brilhante” best-seller de Piketty:

    Analisando o filme,ainda que como um leigo, qualquer libertário nota o óbvio, vilões capitalistas, anti-herói capitalista dividido entre o bom caminho – estatismo – e o mal caminho – capitalismo, tentando se decidir se quer vender sua alma por dinheiro se entregando aos selvagens instintos que levam o homem a irracionalidade capitalista, ou lutando contra seus impulsos e enfrentando os perigosos capitalistas no intuito de reestruturar seu país nos racionais modos do socialismo.
    Gostaria de ver uma análise do Leonardo Faccioni em seu blog sobre esse intelectualíssimo filme, que é um verdadeiro resumo de todo pensamento igualitarista predominante nos últimos 80 anos no mundo.

  11. Eu ia escrever um texto mais ‘agressivo’ sobre esse Piketty, mas como estamos em plena era do marco civil da internet e outras leis dracônicas de cunho esquerdista, me conterei.

    Mas resumo tudo em uma única frase: nós estamos lidando com psicopatas.

    E desses podemos esperar qualquer coisa. QUALQUER COISA MESMO! Rússia, Coréia do Norte, Cuba, Venezuela e outros sabem bem do que falo. E enquanto a humanidade não souber se defender adequadamente da psicopatia, não haverá chance nenhuma de alvejarmos um mundo melhor.

  12. Só pelo fato do autor do artigo (e dos liberais em geral) refutar o livro desse sujeito como se nele houvesse alguma teoria econômica, o tal Piketty e a esquerda já saem ganhando. Me entristece ver o modo como os liberais lidam com a esquerda. O Mises escreve um livro chamado A Mentalidade Anticapitalista. O pessoal lê, e no outro dia aparentemente esquece tudo.

    O livro do Piketty é nada mais que auto-ajuda para invejosos, ressentidos e descontentes. Não há absolutamente nada de científico nele. Há apenas mentiras para justificar mais autoritarismo estatal e para legitimar os sentimentos de inveja, ódio e ressentimento, que são os fundamentos da esquerda. O mesmo ocorre com TODOS os outros livros e escritos da esquerda.

    Não há nenhuma divergência teórica entre esquerdistas e liberais, há um abismo moral, há apenas a diferença de VALORES.

  13. Entrevista: Gregory Clark
    ‘O sucesso é hereditário’

    Em The Son Also Rises, o economista Gregory Clark questiona a perenidade dos efeitos das políticas de transferência de renda e sugere que a genética é uma explicação para o sucesso (e o fracasso) dos indivíduos

    Ana Clara Costa
    Historiador econômico Gregory Clark
    Gregory Clark, da Universidade da Califórnia: mobilidade social é baixa do Brasil à Suécia (Divulgação)

    Em seu novo livro The Son Also Rises (O Filho Também Prospera, ainda sem previsão de lançamento no Brasil), o economista escocês Gregory Clark, da Universidade da Califórnia, afirma, com base em informações genealógicas e estatísticas coletadas em nove países sobre milhares de famílias, que a ascensão social duradoura – aquela que beneficia não apenas um indivíduo, mas também seus descendentes – é um fenômeno raro e pouco influenciado pela adoção de políticas sociais. Segundo Clark, a prosperidade, a longo prazo, parece estar determinada por fatores culturais, e talvez até genéticos. "Governos podem fazer muitas coisas para melhorar a vida das pessoas, mas nenhuma política parece capaz de quebrar a divisão estrutural da sociedade em linhagens de sucesso e de pobreza", diz em entrevista ao site de VEJA.

    Clark sugere que políticas de transferência de renda e mesmo de melhoria no acesso à educação, colocadas na perspectiva de dois ou três séculos, se mostram irrelevantes no sentido de mudar a posição de famílias e grupos na pirâmide social. A teoria é tão controversa quanto a que deu origem ao seu livro anterior, publicado em 2008, intitulado Um Adeus às Esmolas (não foi lançado no Brasil, mas sua versão em português pode ser encontrada em Portugal, pela editora Bizâncio). Nele, o autor atribui o desempenho econômico e social de uma nação às características individuais de seus cidadãos, independentemente do sistema econômico vigente. De Londres, Clark falou com o site de VEJA por telefone. Confira trechos da conversa.

    Seu livro sugere que a mobilidade social duradoura é rara tanto em sociedades claramente estratificadas quanto em sociedades que parecem ser mais dinâmicas. Isso significa que o esforço de um indivíduo jamais será premiado de maneira justa?
    Eu não afirmo que não haja recompensa para o esforço individual. O que eu constatei é que as habilidades que levam uma pessoa a ter sucesso acadêmico ou financeiro parecem ser herdadas e passadas de geração em geração. E é muito difícil para qualquer sociedade quebrar essa dinâmica. Na minha interpretação, as sociedades não se diferenciam da maneira esperada em relação às oportunidades que oferecem para o progresso de seus cidadãos. Ao pesquisar a mobilidade social no longo prazo, com base em listas de sobrenomes, constatei que tanto as sociedades tidas como mais abertas quanto as mais estratificadas são, na verdade, bastante semelhantes nesse ponto.

    Leia também:
    Piketty: 'Para que o processo virtuoso do capitalismo continue, é preciso cuidar da desigualdade'

    Mas o que dizer dos momentos em que grandes massas de pessoas deixam a pobreza, algo que se observou, por exemplo, no Brasil recentemente?
    É preciso diferenciar melhoras no padrão de vida de mudanças na posição relativa das pessoas na estrutura social. Veja o caso da Suécia, uma sociedade em que as pessoas têm um sistema de educação aberto e acessível por meio do Estado. Ainda assim, numa perspectiva de longo prazo – que é aquela que eu adoto, como é importante enfatizar – o nível de mobilidade social não cresce. Peguemos o Chile como contraponto e o fenômeno se repete. Os sobrenomes das famílias chilenas que eram proeminentes no período colonial continuam sendo até a mais recente geração. O governo socialista de Salvador Allende não melhorou a mobilidade social, assim como o ditador Augusto Pinochet não a reduziu. E assim foi também nos Estados Unidos, na Grã-Bretanha ou em outros países da minha pesquisa.

    Não lhe parece lógico o fato de não haver muita mobilidade na Suécia, levando em conta que a desigualdade é muito menor?
    Lá, de fato, não há muita diferença entre o topo e a base, como há em sociedades como a brasileira. Mas o que eu estou destacando é a posição relativa das famílias, ou seja, a relação entre as camadas da sociedade. E essa posição relativa é algo que as sociedades não conseguem mudar por meio de políticas públicas. Eu não estou dizendo que um país não terá sucesso transferindo renda e dando serviços à população. O que digo é que é inútil usar esse argumento para tentar acelerar o processo de mobilidade, ainda mais se interpretarmos esse processo de mobilidade como algo que vai além do dinheiro. Então é preciso ter uma noção dos limites desse tipo de política. Pode levar mais de 10 gerações para que um indivíduo de classe mais baixa atinja o topo e permaneça ali juntamente com sua descendência.

    Se os efeitos sustentáveis dessas melhorias demoram gerações para serem percebidos, isso também significa que pode haver uma rápida regressão?
    Sim. Os pobres da Dinamarca e da Suécia têm vida bem confortável. Têm casa, acesso à educação de qualidade, mas continuam sendo pobres. Não tendem a mandar filhos para a universidade e tampouco se tornarão profissionais de alto nível. É ainda muito previsível que as crianças de famílias de alto padrão social e educacional permanecerão nesse mesmo patamar nas próximas gerações. Governos podem fazer muitas coisas para melhorar a vida das pessoas, mas nenhuma política parece capaz de quebrar a divisão estrutural da sociedade em linhagens de sucesso e de pobreza.

    Seu livro parece sugerir até mesmo a existência de um componente genético no sucesso das pessoas.
    Minha pesquisa sugere que não se pode descartar de antemão a hereditariedade como determinante do sucesso de um indivíduo na sociedade. Não temos evidência para excluir a genética desse processo. Pelo contrário: parece difícil exclui-la. Há uma conexão surpreendentemente forte entre passado, presente e futuro. Com base em registros de sobrenomes, podemos olhar uma família e estimar se 200 ou 300 anos à frente ela ainda vai estar bem ou não. Não é muito fácil lidar psicologicamente com esse tipo de constatação. Instintivamente nos fascina a ideia de que tudo é possível e que temos o controle sobre tudo. Meu livro constata que, sim, muitas coisas acontecem por causa do nosso otimismo, nossa energia, coragem e inteligência. O problema é que não sabemos o quanto desse otimismo e dessa coragem nós teremos ao longo da vida — e de onde vêm essas características. É uma ilusão pensar que tudo é possível. Porque, no fim, muita coisa parece estar programada. Na Grã-Bretanha, por exemplo, quando se faz um levantamento sobre a riqueza das pessoas, é possível prever, por meio da riqueza do tataravô de um indivíduo, se ele estará numa boa posição hoje e nos anos que virão. E isso não significa que o tataravô tenha que, necessariamente, deixar uma herança. Tal indivíduo pode nem ter conhecido o tataravô, mas os dados mostram que há uma ligação muito forte entre o sucesso de ambos, mesmo sem nenhum dinheiro em jogo.

    Sua teoria deságua, então, numa espécie de fatalismo?
    Meu livro mostra que as estruturas sociais não são tão maleáveis quanto gostaríamos que fossem. Mas isso não nos autoriza a esquecer os mais humildes. Deveríamos, pelo contrário, ter mais compaixão em relação a quem está na base. Se mudar a posição relativa das pessoas na escala social não é um objetivo fácil, melhorar o seu padrão de vida é, sim, factível.

    veja.abril.com.br/noticia/economia/o-sucesso-e-hereditario

    xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Não creio que o sucesso seja algo hereditário,mas concordo em muitas coisas que o autor diz. Como essas suas palavras : “Se mudar a posição relativa das pessoas na escala social não é um objetivo fácil” Concordo ! Mas ! Esquerdistas,Governos populistas acham fácil acabar com a pobreza e a desigualdade social. Eles piamente acreditam ser capazes de acabar com a pobreza e desigualdade social. Como este tal de Thomas Piketty . Isto é tudo fruto de ideologias arrogantes,burras,mentirosas e totalmente fora da realidade. Lula piamente acredita que pode acabar com a pobreza no Brasil e milhões de brasileiros acreditam que com ele os pobres vão sempre estar melhorando de vida e deixando de ser pobres.

    Certo esteve sempre Jesus Cristo quanto afirmou. “Porque sempre tendes os pobres convosco, e podeis fazer-lhes bem, quando quiserdes; mas a mim nem sempre me tendes”Marcos 14:7.
    Esquerdistas detestam essa afirmação de Cristo que sempre teríamos pobres.

    Sucesso não é hereditário como afirma o economista Gregory Clark Vejam este caso.
    tes.r7.com/futebol/copa-do-mundo-2014/fotos/veja-os-salarios-dos-30-atletas-convocados-por-felipao-para-a-copa-do-mundo-14052014#!/foto/1

    Este parecem muito mais um caso de sorte. Eles tem sorte de ter grande talento para o futebol,no momento que o futebol,esporte riquíssimo, pode pagar fortunas aos jogadores,imagine se estes homens tivessem nascidos no século XV. Que riqueza lhe trariam seu talento nato para o futebol ? O mundo é muito mais complexo do que pensamos ou imaginamos ?

  14. Pessoal, queria tirar duvidas off-toppics:
    A cultura de um povo afeta de forma significatica de que forma uma economia funcionara? ?… resumindo:sabemos que os nordestinos sao menos empreendedores que os do sul-sudestdo nosso pais, caso fosse instalado um sistema da escola austriaca nessas duas regioes, nao necessariamente o nordestinos darao certo com o sistem austriaco,certo?

  15. Piketty é um economista moderno, completamente conectado com a maneira científica de fazer economia: retractionwatch.com/2014/06/30/how-often-do-economists-commit-misconduct/

  16. Estou com uma dúvida que pode estar no site, mas não encontrei a resposta.

    Muitos críticos da distribuição de renda atual gostam de elogiar o modelo de uns 30-40 anos atrás. Segundo eles, nessa época, o salário dos altos executivos não era tão superior ao dos trabalhadores quanto hoje. Um exemplo dessa comparação pode ser vista no documentário “Capitalism” do Michael Moore. No filme, ele relata a rotina de trabalho do pai dele em uma montadora de carros e enfatiza como o trabalho era rentável. Depois ele culpa o Reagan por ter acabado com esse sistema.

    Outro exemplo, inclui essa postagem que eu encontrei ainda agora em um grupo de economia no facebook:

    “Ao contrário dos postulados ortodoxos os salários não são determinados por relações de produtividade (essencialmente), a questão central das distorções de salários é dada pelo poder decisório sobre o trabalho alheio. As mudanças na geopolítica mundial e as mudanças no poder de barganha dos sindicatos entre outros fatores é o que explica as distorções absurdas de salários. Quando se observa a evolução da renda média dos 90% MAIS POBRES dos EUA teve-se uma queda na renda real no período de 1980 a 2012 de mais de 6%. Em contrapartida, a renda dos 10% mais ricos cresceu mais de 80%, sendo mais de 50% dessa renda captada pelos 1% mais ricos. EM MAIS DE 30 ANOS COM TODOS OS GANHOS DE PRODUTIVIDADE E INOVAÇÃO PRINCIPALMENTE NA ÁREA DE TI, TEVE-SE QUEDA DA RENDA REAL, SERÁ QUE AS PESSOAS PERDERAM PRODUTIVIDADE?

    Minha pergunta é: qual foi a causa dessa mudança nos padrões salariais?

    Pesando comigo mesmo, eu acho que um dos fatores que pode ter contribuído fortemente para essa discrepâncias salariais é o próprio avanço tecnológico aliado a globalização. Os avanços tecnológicos aumentaram a produtividade do trabalhador médio, isso é certo. Porém, a renda não aumentou em decorrência disso porque esses mesmos avanços viabilizaram o off-shoring e o outsourcing.
    A tese do Ha-Joon Chang – de que as barreiras migratórias explicam em parte as diferenças salariais entre diferentes países (motorista de ônibus sueco ganha mais que um motorista de ônibus indiano)- se mostra conveniente para esclarecer a queda de renda do trabalhador americano. o impacto de parte da produção americana migrar para países subdesenvolvidos equivale a uma invasão de mão de obra barata que vai competir com os americanos e puxar média salarial para baixo.

    Qual seria a explicação do ponto de vista da EA? 🙂
    Aguardo ouvir a opinião de vocês.

    Obrigado. ^^

  17. Bruno Henrique Peitl

    Por mais absurdo que seja o que ele fala, esse cara é muito badalado. Ele está se transformando na menina dos olhos do mainstream. Todo blog de economia em que eu entro, vejo alguém falando desse cara, muitos deles de forma elogiosa. Não me causaria expanto se ele levasse um prêmio Nobel em breve.

    Então, não adianta muito ficar escrevendo um artiguinho aqui e outro ali criticando seu trabalho. Alguém precisa fazer um trabalho profundo, sério, extenso e irrefutável contra o que ele escreveu e o quanto antes, antes que alguém comece a pôr em prática as ideias dele. Da mesma forma que não foi com meia dúzia de artigos que a Escola Austríaca refutou Marx, mas com volumosas obras escritas por vários dos mais brilhantes economistas da época.
    E a grande pergunta seria ainda: Quem hoje seria capaz de levar a cabo tal tarefa e ser levado à sério? Que economista liberal vivo hoje estaria a altura de tal feito?

  18. No artigo o autor diz que os investimentos gerarão aumento de custos de produção e consequentemente dedução das receitas. Mas a finalidade dos investimentos não seria aumentar as receitas, ou lucro ? Sendo assim, por que a taxa de lucro agregada se reduz, sendo que o objetivo dos investimentos seria no caso aumentar o lucro ?

  19. Luís Gustavo Schuck

    Acabei de entrar no capitulo 1 deste livro. Me pareceu honesto pelo menos ele dizer que Marx fracassou MESMO. E ainda adicionou que ele se deixou influenciar pela política em suas declarações/conclusões…

    Mas tenho uma dúvida, se alguém puder me explicar: imaginando que Piketty esteja certo e o capital receba maiores rendimentos que a produção, porque todo o mercado buscaria justamente o capital (de terceiros, via empréstimos) para investir em sua produção? Me parece que seria impossível pagar este capital através da produção…

    Ainda, não seria mais fácil guardar 10% de seu salário e aplicar no banco e através destes rendimentos mais elevados do que seu trabalho começar a diminuir seu tempo de trabalho e aplicar cada vez mais?

    Sou bancário e atendo clientes PJ e sempre me pareceu que aqueles que tem capital realmente tem mais opções em fazer investimentos (tipo criar empresas), MAS ao mesmo tempo aqueles que são empreendedores tem uma vida muito mais atribulado com preocupações e responsabilidades, sem falar no risco de seu negócio. Muitos correm muito para fazer caixa e poder pagar a folha em dia….

    Enfim como disse é só o começo do livro…

  20. Jairdeladomelhorqptras

    Pergunta off topic, mas gostaria que o Leandro ou outro me respondesse, se possível.

    Investimento correto é aquele oriundo da poupança. Certo! Sem dúvidas.

    A minha dúvida é quando buscamos investimento estrangeiro. Este capital é poupança efetuada no exterior. Quando ele chega no Brasil não ocorre expansão monetária? Não é inflacionário? Gostaria de entender como entra o capital estrangeiro e o que o diferencia de uma expansão monetária inflacionária. Sei que a resposta deve ser fácil. Mas não a alcanço. Desculpem a minha ignorância econômica.

    Obrigado

Rolar para cima