No momento em que
iniciei esse texto, meu computador encontrava-se com uma planilha de Excel dos
jogos da copa aberta. Também aberto estava um browser no site da FIFA, tentando
comprar ingressos para os jogos da Copa do Mundo de futebol que são de meu
interesse. Além disso, meu perfil no Facebook se encontrava na página da maior
comunidade de compra e venda de ingressos no Brasil. Finalmente, algumas abas do
navegador estavam abertas em alguns sites de venda de “tickets” para o “World Cup 2014“. Faça uma pesquisa no Google e você encontrará
vários deles.
Ocorre que, até
o presente momento, eu não consegui nenhum ingresso de meu interesse no site da
FIFA. Nem mesmo ingressos para os jogos de interesse anteriores à primeira tentativa
de compra. Assim, para que eu pudesse realmente ir a um jogo da copa, tive de fazer uma
espécie de reavaliação dos “meios e fins”.
Como os gastos
de transporte, translado e hospedagens estão muito caros para meu critério de
valoração, restringi minhas expectativas e passei a considerar apenas quatro dos
sete jogos que ocorrerão na cidade em que resido. O único jogo externo que ainda
permaneceu como interessante para mim é o da final da competição. Mas, por motivos sobre os quais discorrerei neste artigo, não há a disponibilidade de ingressos para o jogo, deixando-o fora da minha alçada.
A partir do momento em que ficou
virtualmente impossível comprar ingressos pela maneira oficial, passei então a
fazer o que muitos fazem: procurar ingressos com a figura dos “cambistas”.
Minha
percepção é que a condenação da figura do cambista decorre essencialmente do
mau entendimento sobre o funcionamento dos mecanismos econômicos. Isso é ainda mais intenso no Brasil, país em que a “usura” foi condenada pelo parágrafo 3º do artigo 192 da Constituição
Federal de 1988, limitando os juros reais a 12% ao ano. Não obstante esse parágrafo tenha sido
revogado pela EC nº 40, ainda há toda uma miríade de artigos no Código de
Defesa do Consumidor e no Código de Direito Civil que dá margem para punir os
tais “juros abusivos”, chegando ao Superior Tribunal de Justiça, que emitiu súmula
limitando os juros[2].
No caso dos
cambistas, a lei que especifica essa prática como crime é a de nº 1521/51. E,
por essa lei, o cambismo é um crime
contra a chamada “economia popular”. Mais especificamente para eventos esportivos,
há o “Estatuto de Defesa do Torcedor”. Nele está tipificado o crime de cambismo, detalhado no artigo 41-F, que dispõe que vender ingressos de evento esportivo por preço superior
ao estampado no bilhete é crime punível com reclusão de um a dois anos e
multa[3].
Mas, afinal, por que
existe o cambismo e por que
muitas pessoas consideram uma prática danosa ao ponto dos governos taxarem-na
como crime? E por que o maior evento futebolístico do planeta também é
influenciado por essa prática?
Walter Block[4], em Defendendo o Indefensável detalha três
condições para haver a atuação do cambista: 1) venda de quantidade fixa de
ingressos; 2) que no ingresso esteja impresso o preço normal ou preço de face; 3) que o
preço do valor de face do ingresso esteja abaixo do valor do real “preço de
mercado” do evento.
No caso dos ingressos da Copa do Mundo, as condições número
1 e 2 são plenamente satisfeitas. O número de jogos é limitado, bem como o
número de pessoas nos estádios. Ademais, nos ingressos estão descritos seus respectivos
valores de face[5].
A terceira
condição é um tanto mais complexa. Observe as duas figuras abaixo, que ilustram as
disponibilidades de ingresso para os jogos em Salvador e em Cuiabá. Ambas foram obtidas no site da FIFA, por volta da 00h00min do dia 09/06/2014.
Nota-se que, em
Salvador, o jogo entre Bósnia e Irã tem alta disponibilidade (quadrado em verde)
de ingressos em três das quatro categorias. E tem baixa disponibilidade de
ingressos (quadrado em vermelho) na quarta categoria, justamente a categoria
mais barata.
Pudera:
um jogo entre Bósnia e Irã, com o devido respeito, não é o que poderíamos classificar
como um grande clássico mundial.
Já em Cuiabá, há disponibilidade de ingressos
em praticamente todos os jogos, e em especial nos jogos Bósnia x Nigéria e
Rússia x Coreia do Sul.
A razão para
isso é que todos os jogos da primeira fase da competição apresentam o mesmo preço para
as quatro categorias de ingressos. Assim, jogos de menos apelo desportivo (como os
da Bósnia, por exemplo) estão com precificação superestimada. Por outro lado, para os jogos
do Brasil e os jogos de outras seleções tradicionais, os valores das partidas
de primeira fase estão subestimados.
Observe, por exemplo, que, na mesma praça em que sobra ingressos para Bósnia x Irã, não há mais entradas para o jogo entre
Espanha X Holanda (reedição da final da última Copa do Mundo). Igualmente, não há mais
ingressos para o jogo entre os poderosos e prestigiados selecionados de Alemanha
e Portugal.
Fica evidente
que os cambistas terão uma ótima oportunidade de atuação nestes jogos, ao passo que,
na partida entre Bósnia e Irã, é provável que os mesmos cambistas venderão
ingressos com deságio para qualquer torcedor, se é que haverá algum cambista que terá
tais ingressos. O mais provável é que nenhum deles compre ingressos para tentar
revender, dada a ausência de demanda em função do pouco apelo desses jogos.
Pois então. Devido à
impossibilidade de comprar ingressos no site da FIFA, decidi ir procurar ingressos para tais jogos no mercado paralelo, mesmo não tendo
interesse, a priori, em assistir a tais partidas ao vivo.
Para Espanha x Holanda
encontrei, no site mais demandado[6],
ingressos na categoria 3 a R$ 400,00. Para o jogo entre Portugal e Alemanha, a
entrada mais barata encontrada foi no valor de R$ 986,31.
Como ambos os
ingressos são categoria 3, cujo valor de face é de R$ 180,00, constata-se um
ágio de 122% no jogo Espanha x Holanda e de 447% no jogo Alemanha x Portugal.
E se você pensa que esses
ágios de 122% e 447% são aparentemente grandes, é porque ainda não viu os valores para a final da Copa do Mundo. Para esse jogo, um ingresso da mesma categoria 3 custa,
no site oficial, R$ 880,00. No site de ingressos, o valor mais
acessível para a Final da Copa do Mundo foi de R$ 11.867,00 (ver figura abaixo), o que dá um ágio de 1.248%. Esse ágio pode ser ainda maior, pois comparei apenas o
valor de face do ingresso com o anúncio mais barato encontrado.
Foi justamente
por achar esse preço obscenamente elevado, que a final
da Copa do Mundo saiu das minhas possibilidades. Mas repare que esse exercício
de valoração só foi possível justamente pela atuação de câmbio do site.
Eis aí a
função do cambista: ele atua em um mercado cujos ativos estão erroneamente precificados. Os cambistas reduzem aquilo que Walter
Block chamou de “racionamento sem alteração de preço” e geram uma situação de “racionamento pelo preço”.
Antes da atuação do cambista, os ingressos se esgotavam sem que aquelas pessoas que realmente desejavam os ingressos fossem capazes de obtê-los. Após a atuação do cambista, só terão os ingressos aquelas pessoas que realmente estavam dispostas a ir ao evento.
Tal análise, vale enfatizar, não faz juízos de valor. Ela é amoral. Ela não está preocupada em fazer julgamentos éticos e morais sobre a possibilidade de “pobres poderem ver jogos do Brasil na Copa”. Ela apenas se limita a explicar por que surge a figura do cambista.
Evidentemente, o cambista, como todo
empreendedor, incorre em riscos e opera em um ambiente de total incerteza. Se os
preços praticados forem muito elevados, os ingressos ficarão encalhados e o
cambista será então forçado a baixar o preço antes que o evento se inicie. O
cambista busca então comprar ingressos de quem menos os valoriza para vender
àqueles que mais dispostos estão a ir ao evento. O cambista “ajusta mercados”, atuando como especulador
em um ambiente que é definitivamente incerto.
E é minha
opinião que, justamente por não entender funcionamento de uma função tão antiga
quanto os próprios atos de negociar e comercializar, que as nossas autoridades criminalizam
e punem as figuras dos cambistas. Pela mesma ignorância, a população deprecia
tal atividade. E assim vemos notícias como essa de que a Policia Federal está
atrás de cambistas[7], e que está investigando inclusive as redes sociais[8].
Mas é só quando compreendemos a
natureza da atividade do cambismo e da valoração subjetiva, que entendemos por que os operários que trabalharam na construção do novo
Maracanã e ganharam ingressos para algumas partidas revenderam esses mesmos ingressos para os cambitas[9].
Foi justamente por causa da existência desses cambistas que o pobre operário
paraibano (que não quis se identificar na reportagem) vendeu seu ingresso a R$ 250,00 e agora
provavelmente poderá presentear seu filho com uma bicicleta no dia do
aniversário dele. Para esse indivíduo, o ato de presentear o filho com uma bicicleta
vale mais do que assistir a um jogo da Copa do Mundo.
Na minha posição de
torcedor demandante de ingressos, quem sou eu para julgá-lo? No entanto, e lamentavelmente,
o ato de valorar mais o presente para o filho fez com que o governo o julgasse um criminoso: afinal, o que ele fez (vender o ingresso) é perfeitamente
enquadrado no estatuto do torcedor como um crime.
Assim, termino mostrando
que, salvo alguma catástrofe, vai haver a Copa do Mundo no Brasil. E haverá outras
edições desse fascinante torneio. E as mesmas razões que sempre existiram para
explicar a existência dos cambistas também estarão presentes para explicar
por que eles sempre estarão lá. Para azar dos governos. E para nossa sorte.
[1] Aqui
cabe uma importante ressalva. A condenação da usura não é de
todo um monopólio da Igreja Católica no decorrer da história. Há condenação da
usura registrada no Código de Hamurabi (1700 a.C.). Também na Lei das Doze
Tábuas (núcleo do direito romano) já havia condenação dos juros, ao menos
explicitamente na Tábua Terceira. Há passagens do Alcorão, o livro sagrado
islâmico, que também rechaça a usura.
[2]
http://direitobancarionabahia.blogspot.com.br/2012/01/stj-aprova-sumula-regulando-juros-de.html
http://www.dji.com.br/normas_inferiores/regimento_interno_e_sumula_stj/stj__0379.htm
[3]
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/l10.671.htm
[4]
http://www.mises.org.br/EbookChapter.aspx?id=175
[5]
http://atarde.uol.com.br/esportes/copa/noticias/fifa-divulga-modelo-de-ingresso-para-a-copa-do-mundo-1585144
[6]
Há outros sites de compra e venda de ingressos. Optei por esse pela simples
razão de ser em português e ter opção de entrega com envio prioritário.
[7]
http://veja.abril.com.br/blog/radar-on-line/futebol/conseguiu-ingresso-para-algum-jogo-da-copa-entao-sua-ficha-sera-analisada-pela-pf/
[8]
http://veja.abril.com.br/noticia/esporte/antes-da-copa-cambistas-de-ocasiao-vao-parar-na-policia
[9]
http://oglobo.globo.com/esportes/copa-2014/cambistas-revendem-ingressos-que-operarios-do-maracana-receberam-de-graca-12684283





Não dá pra utilizar uma tese economica para justificar a imoralidade de cambistas, desculpe-me. O mecanismo econômico procede, o que não ignora o fato do cambista ganhar dinheiro sem que nada seja adicionado ao produto, e as custas de um prejuizo do comprador. São atividades inescrupulosas e tem de ser rechaçadas. Pouco me importa se pela premissa fundamental “liberdade”, premissa totalmente inadequada para analizar a sociedade integralmente em todos os seus aspectos, essas atitudes podres devam ser toleradas, pouco me importa a suposta base economica e o suposto bem que os cambistas fazem.
Cambismo é a prova viva que controle de preço nunca vai funcionar. Gerará escassez na maior parte dos casos, e em outros desperdício.
Já comprei ingresso da mão de cambista mais barato do que o preço antecipado na portaria porque o evento não deu todo o público esperado.
Os papéis de diversos agentes econômicos são muito incompreendidos pelas pessoas em geral. Buscar o lucro é visto como algo ruim em si mesmo, comportamento de malvados.
* * *
Muitos acreditam que os cambistas comprariam todos os ingressos de determinado evento para vendê-los mais caro posteriormente. Mas fazem tal julgamento por pura ignorância. Muitos eventos possuem lotes, que avaliam o interesse do público para determinado evento. Se um cambista comprou ingressos no primeiro lote, ele está assumindo um risco MUITO MAIOR do que se tivesse comprado no terceiro ou quarto lote. Dessa forma, é natural que seu lucro seja maior. Por outro lado, se o interesse do público for mal avaliado, o cambista pode sair no prejuízo.
Concordo plenamente que o papel do cambista é justamente ajustar os preços do mercado aos interesses dos consumidores.
Concordo com o texto, porém não está incluído o fato de que muitas vezes há “esquemas” entre o cambista e as Federações (Fifa, governo, CBF, etc), impedindo que qualquer pessoa possa exercer a função de câmbio.
Não esqueçam a farra dos ingressos fornecidos à deputados e senadores para assistir aos jogos da copa das confederações em Junho/2013:
Autoridades ganham ingressos para a estreia da seleção
Ou seja, para os amigos, que já são sujos o suficiente por viverem vidas nababescas com dinheiro espoliado, vale tudo, mas para os ‘inimigos’, a lei.
Eu tenho uma dúvida. Por que os preços de ingressos sempre são feitos dessa maneira? Fixo por categoria, e sem alteração ao longo do tempo. Há alguma legislação ou norma de alguma agência que estipule os preços ou estipule COMO devem ser precificados os ingressos de eventos?
Porque pra mim faz muito mais sentido que os ingressos fossem precificados altos no anúncio do evento, e à medida que fosse se aproximando o dia, os preços fossem caindo gradualmente, pra completar a lotação, de maneira bem parecida com a das passagens aéreas, mas eu nunca vi isso acontecer, pelo menos não aqui no Brasil.
Alguém saberia me dizer?
Concordo plenamente com o autor do texto.
Infelizmente, a maioria das pessoas não possui conhecimento ou não procura pensar o porquê existem certas coisas.
Acho válido ressaltar, que caso a FIFA ou qualquer outra empresa não queiram cambistas, basta efetuar a venda obrigando “obrigatoriamente” nominal dos ingressos (nome, cpf ou passaporte) e fazer a devida identificação na entrada do evento.
Bem, por que não fazem isso, é só pensar um pouco…
É um absurdo o estado se imiscuir até nesses casos criminalizando o cambista. Ninguém vai morre se não for ao estádio ver um jogo ou não conseguir ingresso para um show do Justin “Biba”. Enquanto houver quem pague existirá o cambista e isso não é crime.Paga quem pode e quem quer. Já comprei ingresso para shows abaixo do preço de bilheteria simplesmente aguardando o início do show.
Se o João cair de quatro não levanta mais…
Excelente texto.
É impressionante como mesmo com essa situação exemplificada tão didaticamente a maioria massacrante das pessoas ainda abominam os cambistas.
Alguem sabe se já teve alguma venda de ingressos para algum show em que tenha havido leilão de forma oficial? Seria interessante alguma banda famosa fazer um show e vender os ingressos em forma de leilão em algum site. Fica a dica pra alguma banda libertária. Se é que isto já não foi feito… até poderia ter a fiscalização de alguma empresa certificadora, tipo Arthur Andersen, sei lá… 🙂
(Off-Topic)
Pessoal, alguém já assistiu o documentário “A Corporação (2003)”?
http://www.youtube.com/watch?v=Zx0f_8FKMrY
Gente, eu acho que esse documentário TENTA invalidar a lógica do livre-mercado.
E tem argumentos INTERESSANTES (para um não libertário obviamente).
Eles demonizam as empresas com argumentos do tipo:
“O problema não está no lucro e sim na ‘externalidade’ que as corporações causam.”
A figura da ‘pessoa’ da corporação passa por uma analise em que o a patologia final é a psicopatia.
Citam exemplos de males como:
– Cortes de Vagas
– Destruição dos sindicatos
– Produtos Químicos Sintéticos (Grande causa de câncer)
– Lixo Tóxico
– Marketing altamente manipulativo
etc…
Deem só uma olhada no que é dito em 1:02:36
Depois deem uma olhada no que é dito em 1:03:54 (Seria Michael Walker, Diretor Executivo da Fraser Institute um ‘Libertário’?)
Há, só mais uma coisa: Não se surpreendam, Michael Moore aparece neste documentário…
P.S: Dar uma analisada no conteúdo do documentário pode ser uma boa maneira de refutar argumentos Keynesianos. Não sei se eu conseguiria, visto que eu sou um aspirante a libertário…
ABRAÇOS LIBERTÁRIOS!!!
Não sou contra à atuação dos cambistas. Já comprei vários ingressos nos eventos em que tive interesse e dinheiro para bancar o tal “ágio”. Agora, o que tem que se verificar é que muitos dos ingressos não são vendidos aos cambistas pelas bilheterias. As vezes existe repasse de lotes de ingressos via facilitação de dentro da organização do evento. Sendo assim, a quantidade que seria disponibilizada para a venda direta é bem menor do que a anunciada o que por vezes ajuda na valorização da venda pelos próprios cambistas.
Concordo com o texto no sentido de que é a pré-determinação do preço e a escassez que permitem o cambismo. Corrijam-me se eu estiver errado, mas o indivíduo adquire centenas de ingressos para segurá-los – causando escassez – e revendê-los a um preço mais alto de forma análoga a que um empreendedor adquiri terrenos em uma área estratégica e segura-os – causando escassez – até valorizar. Porém, isso só é possível, no caso dos ingressos, caso estes tenham um preço pré-fixado menor do que o real (do que as pessoas estão dispostas a pagar), e, no caso do empreendedor, se o possuidor original dos terrenos desconhecer o valor que as pessoas estarão dispostas a pagar pelos seus terrenos no futuro. Caso contrário, antes mesmo do cambismo os valores já seriam elevados, e antes mesmo da área se tornar atrativa os terrenos já seriam caros.
Ou seja, é tudo uma questão de “preço errado”(?)
Há alguma lei que obrigue o preço estar estampado no ingresso? A FIFA não poderia vender os ingressos da mesma maneira que aerolinhas vendem passagens de avião, isto é, com preços dinâmicos, que variam em função da disponibilidade?
Vender todos os ingressos ao mesmo preço é idiota. É óbvio que surgirão cambistas. Reclamar e querer criminalizar essa atitude natural e necessária dos cambistas é mais idiota e ignorante ainda.
“Antes da atuação do cambista, os ingressos se esgotavam sem que aquelas pessoas que realmente desejavam os ingressos fossem capazes de obtê-los. Após a atuação do cambista, só terão os ingressos aquelas pessoas que realmente estavam dispostas a ir ao evento.”
Não questão de “estar disposto a pagar”. O autor fala como se fosse questão de “querer” e não de ter dinheiro para pagar. Os mais pobres não tem dinheiro
Então, reformulando a frase:
“Após a atuação do cambista, só terão os ingressos aquelas pessoas que realmente TEM DINHEIRO para ir ao evento.”
O problema ocorre quando existem barreiras no mercado. Seria eficiente se o número de demandantes fosse tão grande que um demandante não pudesse determinar o preço do mercado e o número de ofertantes fosse da mesma forma grande, de forma que um vendedor não determine o preço.
Além disso, não deveriam existir limitações para entrada de novos players.
Concordo com o artigo e acredito ser legítimo o trabalho do cambista quando ele se esforça e investe comprando um bem esperando lucrar com sua valorização futura.
Contudo, acredito que é sim um problema quando um (pequeno grupo) cambista “compra” MUITOS ingressos ao mesmo tempo, de forma que se torna um vendedor poderoso o suficiente ao ponto de determinar os preços do mercado, formando assim um “oligopólio”.
Vejo o cambista como um vendedor de facilidades qualquer, ele simplesmente permite que você assista qualquer jogo de futebol do mundo sem que faça qualquer tipo de planejamento, basta chegar aos arredores do jogo, comprar o ingresso e entrar no estádio.
As pessoas não aceitam bem os cambistas pelo mesmo motivo que não aceitam a escassez em qualquer outro produto.
A precificação subvalorizada dos jogos da Copa, no entanto, não é uma questão de desconhecimento ou de cálculo econômico, mas, sim, de marketing. Acontece que pegaria muito para a Fifa se eles cobrasse ingressos muito caros, ainda mais em um país que leva socialistas à sério.
De acordo com as características do cambista, principalmente nesse evento, tem razão o que o artigo diz, porém, ele ultrapassa os limites, pois extrair além do excedente do consumidor, é um poder de barganha que em microeconomia chamamos de falhas de mercado.
Trecho desta matéria:
A demanda por ingressos acabou sendo tão reduzida que cambistas ofereciam preços inferiores aos da bilheteria: no mercado paralelo, um ingresso de R$ 120 chegava a ser vendido por R$ 80.
É o livre mercado fazendo seu trabalho. É o risco cobrando sua conta. O “cambista” é um agente econômico como outro qualquer, cujas atividades podem dar lucro ou prejuízo.