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A teoria marxista da exploração não faz nenhum sentido

É
sabido que Marx popularizou a ideia de que os capitalistas exploram os
trabalhadores apropriando-se de uma parte de seu trabalho.  O argumento, quando despido de toda o seu linguajar
pomposo, é relativamente simples: segundo Marx, as mercadorias produzidas pelos
trabalhadores são vendidas por um valor que é igual ao tempo de trabalho
socialmente necessário para produzi-las; sendo assim, em um mundo justo, cada
trabalhador deveria ganhar um salário equivalente ao fruto integral de seu
trabalho, isto é, equivalente ao valor exato da mercadoria que ele produziu.

Consequentemente,
o capitalista, que não efetua trabalho físico, retém para si uma parte do
valor desses bens que os trabalhadores produziram, e ele consegue fazer isso
graças ao seu monopólio dos meios de produção (os quais, vale dizer, são bens
complementares indispensáveis ao trabalhador, sem os quais os trabalhadores
nada conseguiriam produzir).

Falando
mais especificamente, o capitalista remunera o trabalho com $100 (D), esse
trabalho gera mercadorias (M), e essas mercadorias são vendidas por $120
(D’).  Segundo Marx, isso só é possível
de ocorrer porque há uma parte do trabalho que não foi remunerada pelo
capitalista (D’-D), mas que de fato produziu mercadorias com um valor de troca. 

Essa
diferença é justamente a mais-valia, que é a mensuração exata da “exploração
laboral” — ou seja, o trabalhador prestou um serviço para o capitalista e não
obteve a devida remuneração.

A
solução de Marx?  Confiscar os meios de
produção da burguesia e repassá-los aos trabalhadores para que estes possam
reter o produto integral do seu trabalho sem que haja intermediários
capitalistas que se apropriam de parte do suor de seu rosto.


vários problemas com essa teoria marxista. 
Em primeiro lugar, ela parte do princípio de que todo o valor de troca
de uma mercadoria depende exclusivamente do trabalho incorrido em sua produção,
e não de sua utilidade marginal; o fato de que o valor de um bem é totalmente
subjetivo é ignorado pela teoria.  Há
também uma questão ainda mais problemática, que é a natureza distorcida que
Marx atribui ao capital: Marx assume que o valor do capital (por exemplo, o
valor de uma máquina utilizada na produção de uma mercadoria) também é
determinado pelo trabalho que foi incorrido em sua produção, e que o valor
desse capital se transforma, em função de sua depreciação, no valor da
mercadoria final; trata-se de uma espécie de contabilidade de custos que se dá
de acordo com o tempo de trabalho utilizado.

Eis
um exemplo dessa teoria.  Se uma
impressora de livros tem um preço de 100 onças de ouro (porque o tempo de
trabalho necessário para fabricá-la foi equivalente a 100 onças de ouro), e
supondo-se que ela possa imprimir 1.000 livros, então o valor que ela irá
imputar a cada livro será, segundo a teoria, de 0,1 onça de ouro.

No entanto, na prática, as coisas funcionam exatamente ao contrário: é
justamente porque os consumidores estão dispostos a pagar pelo menos 0,1 onça
de ouro por cada livro, que a impressora poderá ter um valor de mercado de 100
onças de ouro.  Se, no entanto, os
consumidores passarem a desejar menos livros impressos e passarem a desejar mais
livros eletrônicos, então essa mesma impressora — ainda que o tempo de
trabalho socialmente necessário para fabricá-la seja o mesmo, e ainda que os
consumidores sigam demandando livros impressos (só que agora em menor
quantidade) —  irá se depreciar
enormemente.

Estabelecida
a correta relação entre o preço dos bens de consumo e o preço dos bens de
capital, a questão seguinte passa a ser: dado que uma impressora pode imprimir
durante os próximos dez anos 1.000 livros com um valor de mercado de 0,1 onça
de ouro cada um, por que então a impressora jamais custará 100 onças de ouro,
mas sim muito menos?

Ignoremos
os eventuais custos subjacentes, pois não é aí que está a dificuldade, e
concentremo-nos na questão principal: por que ninguém pagaria hoje 100 onças de
ouro por um ativo apenas para receber de volta, ao longo dos próximos dez anos,
essas mesmas 100 onças?

Ou
ainda mais completo: por que ninguém pagaria hoje 100 onças de ouro por um
ativo apenas para receber de volta (ou
talvez nem mesmo receber nada
), ao longo dos próximos dez anos, essas
mesmas 100 onças?

A
resposta é simples: porque 100 onças de ouro hoje não têm o mesmo valor que 100
onças de ouro no futuro.  As 100 onças de
ouro que você possui hoje são
muito mais valiosas do que 100 onças de ouro que você talvez venha a ter no futuro.

As
onças de ouro em sua posse hoje representam uma capacidade de satisfazer
imediatamente eventuais necessidades que possam surgir, ao passo que as onças
de ouro a serem eventualmente recebidas apenas no futuro (e há a chance de que
isso nem ocorra) não conferem essa mesma segurança e nem muito menos essa mesma
capacidade. 

Uma
coisa é gastar 100 onças de ouro hoje adquirindo bens de consumo; outra coisa,
completamente distinta, é gastar essas mesmas 100 onças em um investimento que
nos permitirá recuperá-las apenas ao longo dos anos.  Sendo assim, o lógico é que compremos a
impressora hoje por, digamos, 90 onças de ouro com o intuito de receber 100
onças ao longo dos próximos dez anos — sempre correndo o risco de que tal
retorno pode não se concretizar.

No
entanto, se o capitalista compra por 90 para receber 100, então ele está
obtendo mais-valia.  Só que esta
mais-valia não está vinculada à exploração do trabalhador, mas sim ao tempo que
o capitalista tem de esperar para auferir essa receita e ao risco que ele tem
de assumir ao incorrer nesse processo produtivo.  Dito de outra maneira, assim como a
mão-de-obra é um fator de produção, o tempo e o risco também o são (se não
estamos dispostos a esperar e a assumir riscos, não há como haver produção, por
maior que seja a quantidade de trabalho abstrato em que incorramos).

Dado
que o capital que é adiantado na forma de salários e na forma de maquinário
para os trabalhadores supõe também uma espera e uma assunção de riscos para o
capitalista, não seria mais correto dizer que a “mais-valia” do capitalista
advém não de um assalto ao trabalhador, mas sim da remuneração desses fatores
de produção (tempo e risco)?

Ademais,
segundo Marx, bens que requerem o mesmo tempo de trabalho — seja o tempo de
trabalho prestado diretamente pelo trabalhador ou o tempo de trabalho incorrido
na fabricação dos meios de produção utilizados — para serem produzidos deverão
possuir o mesmo valor de troca, e, portanto, o mesmo preço.  (Vale notar que, na teoria de Marx, preço e
valor de troca só coincidem quando os trabalhadores são donos dos meios de
produção.)  Mas isso simplesmente não faz
nenhum sentido.

Suponha
que, para se produzir 100.000 toneladas de trigo são necessários 50 anos de
trabalho, e que para se construir uma casa também são necessários 50 anos de
trabalho.  Segundo Marx,
desconsiderando-se oscilações de curto prazo, ambos os produtos deveriam ter o mesmo preço — por
exemplo, 1.000 onças de ouro.

Logo,
se um trabalhador tem 100.000 toneladas de trigo, e outro trabalhador tem uma
casa, ambos poderão trocar estes bens entre si. 
No entanto, a questão essencial é outra: será que devemos supor que o
trabalhador em posse das 100.000 toneladas de trigo está disposto a trocá-las
pelo direito de receber uma casa daqui a
50 anos
?

(Lembre-se
que, segundo Marx, a transação é idêntica: o que está sendo trocado são apenas tempos de trabalho.  No entanto, em um caso, o fruto de trabalho
de 50 anos já está disponível (100.000 toneladas de trigo); no outro, a pessoa
terá de esperar 50 anos para receber seu bem.)

A
resposta é um óbvio não.  Uma coisa é uma
casa já produzida ser trocada por 100.000 toneladas de trigo também já
produzidas.  Isso pode perfeitamente
ocorrer.  Outra coisa, completamente
distinta, é imaginar que essas 100.000 toneladas de trigo serão trocadas hoje por
uma casa que só estará disponível daqui a 50 anos.  Tal troca não irá ocorrer simplesmente porque
ter uma casa hoje não tem o mesmo valor do que ter uma casa somente daqui a 50
anos. 

Somente
estaremos dispostos a comprar a promessa
de entrega da moradia
se obtivermos um desconto muito grande em seu
preço.  Por exemplo, se uma casa já
construída vale 1.000 onças de ouro, uma casa a ser entregue somente daqui a 50
anos valerá, digamos, 200 onças de ouro. 
Essa mais-valia (pagar 200 hoje para receber 1.000 em 50 anos) é
exatamente a taxa de juros (matematicamente, equivale a uma taxa anual média de
2,8%).

Utilizando
esse mesmo raciocínio, podemos concluir que os capitalistas adiantam bens presentes (salários) aos
trabalhadores em troca de receber, quando o processo de produção estiver
finalizado, bens futuros.  Existe
necessariamente uma diferença de valor entre os bens presentes dos quais os
capitalistas abrem mão e os bens futuros que eles receberão (se é que receberão).  E essa diferença de valor é a
mais-valia.  A mais-valia, portanto, não
é a apropriação de um tempo de trabalho não-remunerado, mas sim o juro derivado
do tempo de espera e do risco assumido até que o processo produtivo esteja
concluído.

São
muitas as pessoas que não entendem corretamente esse conceito de que os
capitalistas adiantam bens presentes para receber, após muito tempo, bens
futuros.  No entanto, basta verificar os
balancetes de qualquer empresa para verificar esse fenômeno.  Por exemplo, a General Electric investiu
(adiantou) US$685 bilhões para recuperar, na forma de fluxo de caixa anual, aproximadamente US$35
bilhões.  Ou seja, os capitalistas da GE
abriram mão de US$685 bilhões (e seu equivalente em bens de consumo que eles
poderiam ter adquirido no presente) para receber, anualmente, uma receita de
US$35 bilhões.  Nesse ritmo, serão
necessários 20 anos apenas para recuperar todo o capital adiantado. 

A
pergunta é: os capitalistas que adiantam $685 bilhões — que se abstêm de
consumi-los e que incorrem em risco para recuperá-los — não deveriam receber
nenhuma remuneração por isso?  Será que
durante os próximos 20 ou 30 anos eles deveriam se contentar apenas em
recuperar — isso se tudo der certo — tão-somente os $685 bilhões de que
abriram mão, sem receber nenhuma remuneração pelo seu tempo de espera e pelo
risco em que incorreram?

Em
suma, você realmente acredita que ter $1.000 hoje é o mesmo que ter $1.000
apenas daqui a 500 anos (e assumindo zero de inflação de preços), mesmo que
ambos os valores contenham o mesmo tempo de trabalho?

Pois
é exatamente esse o raciocínio por trás de toda a análise marxista da
exploração.  O que há de errado,
portanto, com a teoria da exploração de Marx é que ele não compreende o
fenômeno da preferência temporal como uma categoria universal da ação humana.

Os
capitalistas, ao adiantarem seu capital e sua poupança para todos os seus
fatores de produção (pagando os salários da mão-de-obra e comprando maquinário), esperam ser remunerados pelo
tempo de espera e pelo risco que assumem. 
Por outro lado, os trabalhadores, ao receberem seu salário no presente, estão
trocando a incerteza do futuro pelo conforto da certeza do presente.

O
fato de o trabalhador não receber o “valor total” da produção futura não tem
nada a ver com exploração; simplesmente reflete o fato de que é impossível o
homem trocar bens futuros por bens presentes sem que haja um desconto.  O
pagamento salarial representa bens presentes, ao passo que os serviços de sua
mão-de-obra representam apenas bens futuros.

A
relação trabalhista, longe de ser uma situação de exploração, é apenas uma
relação de troca entre bens presentes (o capital do capitalista) por bens
futuros (os bens que serão produzidos pelos trabalhadores e pelo maquinário
utilizado, e que só estarão disponíveis no futuro).

Böhm-Bawerk
expressou tudo isso de maneira bem mais resumida: “Parece-me justo que os
trabalhadores cobrem o valor integral dos frutos futuros do seu trabalho; mas
não é justo eles cobrarem a totalidade desse valor futuro agora.”

Leia também:

A teoria marxista da
exploração e a realidade
 

Por que a ideia de que o capitalista explora o trabalhador é
inerentemente falsa

Capitalistas e
empreendedores não exploram nenhum trabalhador
 

As falhas, incoerências e
falácias do arcabouço intelectual de Karl Marx


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156 comentários em “A teoria marxista da exploração não faz nenhum sentido”

  1. Verídico. Queria ter visto isso no Ensino Médio. É incrível como tudo se encaixa quando entendemos o capitalismo. A verdade liberta.

  2. Emerson Luis, um Psicologo

    O marxismo tem tatas falhas lógicas que é difícil alistar todas.

    O salário é debitado do lucro, não o lucro do salário como prega Marx.

    Outro erro é considerar como “trabalho” apenas o trabalho manual, separando-o do trabalho intelectual ou até negando implicitamente a existência deste, quando na verdade todo trabalho envolve ambos em alguma medida.

    Por fim, separa “trabalhadores” de “capitalistas” como se fossem espécies separadas, quando os capitalistas em geral trabalham muito e todo trabalhador pode formar capital.

    * * *

  3. @Emerson Luis, um Psicologo 08/05/2014 15:07:59,

    Na realidade, “separa(r) “trabalhadores” de “capitalistas” como se fossem espécies separadas, (enquanto) os capitalistas em geral trabalham muito e todo trabalhador pode formar capital” é provavelmente a maior falácia do marxismo e todo o resto pode ser decorrente em algum grau dessa falácia:

    O trabalhador pode acumular capital e virar capitalista e o capitalista pode trocar o incerto pelo certo e virar trabalhador. Isso ocorre toda a hora mesmo em uma sociedade não tão livre (como o Brasil)… e mistos das duas posições também são frequentes (por exemplo, pessoas que tem um emprego mas que investem em um pequeno negócio paralelamente).

    Ou seja, até uma pessoa sem instrução nenhuma entende que marxismo é bullshit. Só quem gosta do marxismo são os pseudo-intelectuais… e também só os que lucram com ele. Coincidência?

  4. Três padeiros, todos com 18 anos, recebem durante 10 anos salários iguais. O padeiro 1 gosta de festas e gasta a maioria do seu salário nelas, o padeiro 2 é casado e gasta todo o seu salário no sustento da família, o padeiro 3 poupa metade do seu salário e monta a sua padaria com 28 anos. Os dois colegas se oferecem para trabalhar na nova padaria,mas somente se o lucro for dividido por igual entre os três, eles não querem ser explorados. A maioria da população acha essa proposta justa, mas basta vc perguntar, o padeiro 1 escolheu as festas, o 2 montar uma família, o 3 não teve as alegrias das festas e da família, escolheu poupar e montar a sua padaria, é justo ele ganhar o mesmo que seus colegas? sempre que eu faço essa pergunta os que consideravam justo passam a ver a grande injustiça.

  5. Achei que o autor deixou a análise por demais complexa. Para demolir a mais-valia, basta lembrar que o operário da linha de montagem não é o único trabalhador; pelo contrário: muito antes de sequer haver uma linha de montagem, houve o investidor visionário, o empreendedor corajoso, o executivo competente, todos colaborando com sua especialidade específica para tornar o negócio possível, e cada um remunerado de acordo com sua produtividade. Agora, vai explicar o conceito de produtividade para um marxista…

  6. Acompanho os textos postados pelo site e gosto muito. Infelizmente ainda sou um ignorante nesses assuntos mas um dia espero chegar lá e começar a entender a fundo o sistema econômico em qual estamos inseridos. Mas enfim, sobre esse texto tenho uma dúvida. Pois tecnicamente o trabalhador não é pago pelo capitalista na hora, ele será pago apenas depois de ter servido como mão de obra(fator de produção), assim tal trabalhador só receberá no futuro e no futuro o seu trabalho também terá sido desvalorizado e o trabalhador terá um ganho menor do que o combinado no início. Assim o trabalhador também não sofre o mesmo problema que o capitalista? O problema da desvalorização e da incerteza? Muito obrigado, parabenizo mais uma vez e aguardo por uma resposta a minha dúvida.

  7. mauricio barbosa

    Atylla Arruda excelente exemplo,quem dera eu ter conhecido a TACE na minha adolescência pois hoje estaria em um patamar diferente patrimonialmente falando,haja vista eu teria valorizado mais o trabalho braçal e teria começado minha carreira profissional mais cedo,mas não fiquei iludido com essa teoria tosca da exploração marxista e desprezava começa-la por baixo achando-me um intelectual cheio de refrões anti-capitalista boçais…

  8. “Na comparação de uma coisa em relação as outras, valor é a medida real da utilidade, preço é a medida do desejo na escassez. Na troca, os valores têm sempre de ser superiores ao preço, do contrário, não há legítima troca.” – Marconi Soldate (livro a escrever).

  9. As únicas pessoas que ainda levam Marx à sério são adolescentes de 15 anos, e a direita.

    Se você é da direita, atenção! Pare de ler Marx! A não ser por uma curiosidade histórica, claro. Mas ninguém da esquerda segue Marx há muitos e muitos anos. Ele estava errado quando falava de economia e, principalmente, em filosofia.

  10. Não é correto dizer que a teoria marxista da exploração não faz nenhum sentido. Ela não faz nenhum sentido logicamente ou economicamente falando, mas algum sentido ela faz.
    Ela faz muito sentido no aspecto psicológico e político, porque é uma ferramenta muito eficaz para fazer com que as massas dêem mais e mais poder a certos grupos políticos, afinal, ela é extremamente sedutora ao ouvido de muitos que querem comprar a idéia de que se você não tem mais dinheiro do que tem é porque alguém (que nunca será você) tem toda a culpa por isso.

  11. Se pararmos para pensar, o trabalhador, ou melhor, qualquer membro produtivo da sociedade, não recebe o valor integral do seu trabalho.
    Mas isso se deve à exploração do ESTADO, através dos IMPOSTOS, em suas variadas formas. A crendice marxista da mais-valia é só um dos embustes usados para justificar a implantação do regime mais explorador e totalitário de todos, o socialismo.

  12. Vale notar explicitamente que tirar tal mais-valia (definida pelo autor como a “taxa de juros” dos investimentos capitalistas) tira também grande parte do incentivo de qualquer produção.

  13. Melhor explicação do A Teoria da Exploração do Socialismo-Comunismo que eu já vi. Até eu, que li o livro, aproveitei esse artigo. Clarificou muitas coisas.

  14. Pois é, este é um trecho de um livro menos conhecido, chamado “O Capiau”:

    O Capiau acorda num domingo, está com pouco dinheiro. Pega um jornal de ontem emprestado de um vizinho e lê as ofertas de emprego até que se depara com algumas que o fazem pensar;

    Não é bem o que gostaria, mas ele vê mais ou menos quais seriam as tarefas dele e quanto de dinheiro estão oferecendo;

    Ele pensa, esboça um raciocínio de comparação “esforço x dinheiro”, acende um trago;

    Faz uma reflexão – “Esses Moço tão ganhando muito mais pra esse esforço que eu vou ter que fazê”;

    Ato reflexo, olha pros lados, e percebe que não há nenhuma arma apontada para ele;

    Observa a Jurema, sua Patroa, no quintal dando de mamá pro teu filho;

    Começa a cogitar também o fator “precisança” na análise das propostas de emprego. Isto fez com que o fator dinheiro se amenizasse um pouco e o fator esforço se tolerasse um pouco, dependendo do caso;

    Lembrou do dono do “buteco” onde pegou o maço a “fiado”, começou a imaginar como seria ele dono de um bar como o do Alemão. Parou quando pensou na grana que ia precisar.

    “…Ah, mas um churrasquinho igual o do Milton?” – e ficou reticente por um instante;

    O Capiau terminou seu trago, respirou fundo, e usou do seu mais profundo e real conhecimento do “mais valia” para a seguinte indagação:

    – Ô Jurema, “mais valia” eu vender churrasquinho, aceitar o emprego desse jornal, ou “mais valia” eu pegar o jornal da semana que vem?

    Só pra descontrair um pouco 🙂

  15. Prezado Matheus Jarel?, primeiramente não vim aqui para defender o socialismo e sim a insolência e deturpação de ideias. Bem como, disponibilizar um momento reflexivo no que tange a brutalidade do sistema vigente e sua tremenda desigualdade social. Se para você, minhas críticas não condizem com a realidade, terei de voltar na aula de história, o que na minha opinião, está faltando na sua formação.

    Pois bem, as primeiras fissuras do sistema feudal, deu-se por volta do século X, quando cessaram as invasões bárbaras no Ocidente. O fim das guerras contra os invasores acabou por provocar aumento da população dos feudos, gerando a necessidade de aumentar a produção, com isso, a procura por novas terras cultiváveis. Outro não foi o objetivo das Cruzadas, iniciada no século XI. Com as Cruzadas vieram às transformações. Lançavam-se as bases do desenvolvimento do comércio e consequentemente desagregação do sistema feudal. Formando uma nova camada social: a burguesia. Todavia, as terras das cidades pertenciam aos feudos, o que daria origem aos primeiros conflitos entre comerciantes e senhores. A estrutura política, econômica e jurídica da sociedade feudal era incompatível com a expansão comercial. A burguesia passaria lutar por transformações naquela estrutura, aliando-se com o rei, que pretendia ampliar sua autoridade. O resultado foi à centralização gradativa do poder real por meio de financiamento de exército mercenário. Em contra partida, os monarcas passaram a garantir os meios para expansão do comércio, organizando, inclusive grandes navegações. A burguesia que já tinha se estabelecido como poder econômico, agora também, com o controle político da sociedade. Nesse período, o crescimento urbano fomentou o êxodo rural, no qual, o crescimento das cidades significava uma possibilidade de ”libertação” dos servos.

    Não obstante, o acréscimo populacional nos burgos, fizeram com que os antigos servos aceitassem qualquer condição de trabalho, dado a disputa entre trabalhador contra trabalhador, ou seja, todos ansiando uma condição subsistente de vida. No caso da Inglaterra, essa alteração iniciou-se ainda no século XVI, quando as ”Leis de Cercamentos de Terras” foram sendo editadas por sucessivos monarcas ingleses. Essa alteração consistiu em uma crescente ação de privatização de terras que eram de uso comum dos camponeses. Esses que utilizavam as terras de forma comunal e dela extraíam madeira, caça e outros produtos viram-se privados dessa fonte de recursos. A incapacidade de produção em seus pequenos lotes de terras obrigou esses camponeses a abandoná-las – sendo então apropriadas pelos grandes proprietários – e a tentar melhores condições de vida nas cidades. Ainda sim, com condições precárias de vida os artesões possuíam as técnicas os insumos para produção. Entretanto, ao longo do tempo, foram instituídas as formas de produção registrada, onde o artesão teria que se submeter as normas de produção e divisão do trabalho. Logo, paulatinamente, os trabalhadores iam perdendo as técnicas de produção.

    Com a Revolução Industrial no século XVIII, os trabalhadores perderam o controle total do processo produtivo, uma vez que passaram a trabalhar (na qualidade operários) para os donos dos meios de produção. Esses trabalhadores passaram a controlar máquinas que pertenciam aos donos dos meios de produção (capitalistas) os quais passaram a receber todo o excedente de produção (mais-valia). As fábricas eram incapazes de utilizar toda a força de trabalho que se concentrava nas cidades, gerando uma imensa massa de pessoas que ficavam desempregadas, o chamado ”exército industrial de reserva”. Para os burgueses donos das fábricas, o excesso de força de trabalho servia para manter baixos os salários.

  16. É verdade que a preferência temporal explica por quê os trabalhadores optam por trabalhar para um empregador: o empregado prefere bens mais imediatamente do que arriscar investindo em capital e tentar a sorte vendendo sua produção no mercado para talvez ganhar mais no futuro.

    Mas me parece que este trecho ignora completamente os investimentos ruins ou a própria subjetividade do valor:
    “O fato de o trabalhador não receber o “valor total” da produção futura não tem nada a ver com exploração; simplesmente reflete o fato de que é impossível o homem trocar bens futuros por bens presentes sem que haja um desconto”

    Não é “impossível”. Um investimento ruim é justamente isso.
    Só porque você investiu para receber mais no futuro, não quer dizer que você irá receber. Exceto se você assumir que as suas receitas vêm do seu trabalho e esforço, e nela se acrescentam uns juros por cima, mas nada garante isso.

    Inclusive, uma das vantagens de ser um empregado é justamente não apenas às vezes receber o “valor total” da produção futura, mas às vezes receber muito mais do que o valor da produção futura!
    Isto é, se você foi contratado para produzir bonés, mas ninguém quer comprar esses bonés, você recebe o seu salário e pronto. Quem fica sem receber é o seu patrão, e ele não pode chegar pra você: “ei, dá pra me devolver esse salário que eu te paguei? é que o que você produziu não vendeu e tal”

    Nesse caso, não só o trabalhador recebeu o suposto “valor total”, ele recebeu muito mais do que o valor dos bonés, que é próximo de zero no mercado segundo essa experiência ilustrativa.
    Pense em quantos produtos encalham e em quantas empresas vão à falência (em muitos lugares do mundo a taxa de falência é em torno de 25%, se não estou enganado).

    A idéia é por aí, mas tenho a impressão de que ou o texto dá umas invertidas em causa e efeito em alguns trechos, ou faltou uma clarificação mais profunda de determinados conceitos jogados no texto (o que seria compreensível, porque é um assunto bastante extenso para ser resumido em um artigo).

  17. Toda semana compartilho artigos de vocês na minha página no facebook (hora do bananense). Os professores deveriam ler um pouco de economia com gente que realmente entende de economia, pois assim evitariam colocar tanta conversa fiada na cabeça dos alunos.

  18. Brasileiro Nato

    Como podemos explicar os abusos cometidos na época da revoluçao industrial?
    Pessoas trabalhando por muito tempo e sem qualidade de vida?
    Quando estudamos o liberalismo nas escolas so vemos esses exemplos, que na Rev. Industrial as condiçoes de trabalho eram pessimas por que o estado nao intervia, e deixava os trabalhadores sem nenhum direito…

  19. Vcs tem que tomar cuidado sobre o marx porque o livro dele por ser muito confuso dá margem a muitas interpretações e se vc chega satirizando assim a teoria de marx o marxista estupido sai todo todo por vcs não entenderem o marx real. Por exemplo, na unicamp a teoria da mais valia é assim: as pessoas não tem conhecimento do valor do trabalho que desempenham e do valor do trabalho que os outros desempenham assim os indivíduos não se movimentam de um serviços para o outro pois não sabem se o serviço do outro é mais vantajoso do que o dele. Então o salário do trabalhador é um valor aleatório que o empresario.Então a mais valia é a diferença entre o valor justo de mercado e esse valor aleatório. Isso é uma leitura meio estranha que está sendo difundida nas escolas de economia Brasileira. Mais não adianta sempre que eles tiverem uma oportunidade de por marx na discussão eles iram por é sempre muito fácil mudar a interpretação de um texto que não diz nada com nada.

  20. Yonatan Mozzini

    É absurda a teoria marxista de que ocorre exploração e consequentemente furto institucionalizado do produto do trabalho alheio como algo inerente ao capitalismo. Apesar de haver exploração do governo aos pagadores de impostos – e esta sendo exógena ao sistema capitalista – e a exploração esporádica efetuada por alguns agentes imorais que não cumprem seus contratos para com outros agentes – o que também é um fator da natureza humana, infelizmente, sendo indiferente a qualquer sistema econômico –, o capitalismo é, sem dúvida, o sistema mais eficiente, moral e justo que pode existir.

    (É justo que todas as pessoas éticas e inteligentes devam sentir um enorme respeito ao terem contato e conhecerem a Escola Austríaca, o Instituto Mises e a grande maioria dos artigos publicados aqui. No entanto, honestamente, a ideia 'temporal' da justificação da mais-valia que este artigo apresenta é pouco abrangente, pois mostra fatores que geram apenas oscilações da mais-valia, mas não o porquê de sua existência; a explicação pura e a correta justificação da mais-valia tem origem com os neoclássicos, conforme a explanação que darei a seguir Os leitores não devem considerar o texto a seguir como refutação deste artigo do professor Rallo, mas sim uma correção técnica e uma melhor especificação.)

    Em primeiro lugar deve-se ter em mente que os tanto empregadores quanto funcionários enxergam um ao outro como bens intermediários a fim de obterem bens finais, ou insumos para a obtenção de dinheiro. Para o empregador isoladamente, seu funcionário não diferencia de uma máquina ou ferramenta; o custo de pagar por usar essa 'ferramenta' é o salário. Para o funcionário, o empregador também não passa de uma fonte para a obtenção de renda, e o custo de usufruir dessa fonte é, basicamente, abrir mão de seu tempo livre e produzir bens/serviços para a firma. Em linhas gerais é isso o que ocorre e, obviamente, não há exploração de um para o outro; ambos são beneficiados ao efetuarem essas trocas.

    Então, o empregador usa essa 'ferramenta', juntamente com outras, para gerar renda para si, que ele chamará de lucro. Qualquer empregador – por pior que seja seu nível de instrução – sempre irá contratar alguém que pelo menos 'pague' seu próprio salário e que lhe forneça algum rendimento extra, por menor que seja. Em outras palavras, esse trabalhador deverá fornecer algum nível de produto que seja maior que seu custo.

    A visão marxista do sistema capitalista pode ser ilustrada com o exemplo a seguir: na ilha está Robinson Crusoé, o capitalista, que contrata o proletariado Sexta-Feira para pescar para ele numa lagoa repleta de peixes que está dentro de uma parte da ilha que pertence à Crusoé. Sexta-Feira pesca 15 peixes ao dia, sendo que cinco ele paga a Crusoé e os outros dez toma para si; seu salário é igual a dez peixes. Marx chama essa diferença entre produção e salário de mais-valia. Além disso, Marx afirmaria que nesse caso houve uma mais-valia de 50% (taxa de mais-valia = lucro / salário; então, se 5 / 10 = 0,5 ou 50%). Para Marx, disso é que se origina a exploração e a injustiça do sistema capitalista, de um trabalho efetuado pelo proletariado que não é devolvido a este em rendimentos. Marx disse que essa disparidade, esse furto institucionalizado, entre produção e a renda de quem produziu é inerente ao capitalismo. Mas, já que Sexta-Feira é explorado, por que ele simplesmente não deixa de trabalhar para Crusoé e não ganha seu sustento trabalhando em outras atividades? O dramático Marx afirma que devido à expropriação da riqueza – a acumulação primitiva – efetuada pelos antepassados de Crusoé aos antepassados de Sexta-Feira, este agora está desprovido de seus meios de produção e se submete a trabalhar para Crusoé para não morrer de fome; trabalha por um salário que lhe fornece o mínimo de rendimento para este seguir vivendo miseravelmente e enriquecendo cada vez mais o capitalista. Então, os capitalistas acabam explorando esses trabalhadores que apenas possuem a mão de obra como fonte de obtenção de renda. Realmente, essa ideia é uma verdadeira armadilha para enganar leigos no assunto. Não é a toa que o marxismo vem aliciando milhares, senão milhões, de pessoas durante cento e cinquenta anos, fazendo-as crer que esse processo de produção é injusto.

    Neste artigo, o professor Rallo, com viés austríaco, por sua vez, tem uma visão completamente oposta a Marx, crendo que a justificativa da mais-valia se origina da remuneração justa do risco e do tempo do capital adiantado pelo empregador, isto é, a diferença entre o produto e a renda de quem produziu é a questão temporal. Vou explicar sua justificativa utilizando o exemplo anterior da ilha: Crusoé, o desbravador, aquele que chegou primeiro em determinado pedaço da ilha, encontra Sexta-Feira e ambos realizam um contrato: do que Sexta-Feira pescar, 60% dos peixes ficam para si, e o resto para Crusoé. Crusoé lhe adianta um salário de dois peixes pela manhã e espera passar algum tempo do dia para receber o fruto de seu contrato, tendo em mente é claro, que o valor que o salário que paga a Sexta-Feira deve cobrir o risco de, por algum motivo que seja, não receber no fim do dia seus devidos peixes.
    Bem, os austríacos, para poder justificar essa teoria, passam a explicar um sistema capitalista a partir de um cenário complexo, partindo de uma sociedade mais organizada, quase que colocando normas para a explicação da mais-valia, algo que necessariamente não existiria em uma economia capitalista primitiva ou simplificada. Na verdade, até atualmente, em várias situações, muitas vezes com acordos informais entre os agentes, esses detalhes de esperar algum tempo, correr o risco, etc, simplesmente não existem no mundo real. O exemplo mais claro disso são algumas comissões: não há risco nem tempo de espera significativos: do que a pessoa vender, de tal receita ela receberá alguma parte e ponto final. Assim, mesmo que Crusoé não adiantasse nenhum peixe a Sexta-Feira e não houvesse nenhum risco e nenhuma questão temporal a ser considerada (Crusoé pensa: se Sexta-Feira pescar alguma coisa, tudo bem, eu fico com uma parte e ele com outra; se ele não conseguir pescar nada, não há problema nenhum, não tenho perdas nenhumas), ainda assim haveria mais-valia; ele ainda assim iria cobrar alguma coisa para o Sexta-Feira por este obter produção para si da lagoa que pertence a Crusoé. Desse modo, os riscos, o tempo e o adiantamento de renda ao trabalhador ajudam a explicar apenas a grandeza da mais-valia em determinado mercado (quanto maiores os adiantamentos aos empregados, maiores os riscos e maior incerteza do negócio, maior será a mais-valia), mas não a sua origem. Então, o que explica a natureza da existência dela?

    Os autores neoclássicos, assim como os austríacos, fazem uma investigação apurada e analisam a realidade econômica mais precisamente. Consideram que há uma oferta e uma demanda no mercado de trabalho. Quem demanda trabalho são as firmas e elas contratarão trabalho até que o produto marginal do trabalho se iguale ao salário real. Numa linguagem simples, os neoclássicos afirmam que uma firma tende a perder a produtividade conforme aumenta o número de trabalhadores (mantendo-se constante a estrutura de capital) e que esta poderá maximizar seu lucro quando utilizarem mão de obra até o último funcionário que pelo menos 'pague' seu salário. Como exemplo, suponha outro cenário, que agora estejam Robinson Crusoé na ilha, com o mesmo pedaço de terra no qual há a mesma lagoa fértil de peixes, e que além de Sexta-Feira há mais quatro primos seus que irão pescar na lagoa. Crusoé estipula um contrato diferente: o que eles pescarem, metade é de Crusoé e a outra metade é de cada um; além disso, Crusoé ainda lhes garante pagar pelo menos um peixe a mais ao dia para cada um (o salário total de cada um é = ½ produção individual + 1 peixe). Então, faz um teste com o pessoal e obtém o seguinte resultado: Sexta-Feira pesca 10 peixes; A pesca 7; B pesca 4; C pesca 2. D pesca apenas 1, pelo fato de haver pessoas demais na lagoa. No fim do dia, Sexta-feira recebe 6 peixes, A recebe 4,5 peixes; B recebe 3 peixes; C recebe 2 e D recebe 1,5 peixe. Crusoé, após esse teste, observa a produtividade e conclui que irá contratar A, B e C, mas D não será contratado. D deverá estar fora deste mercado de trabalho, pois a economia da ilha não estará otimizando seus fatores de produção – o produto marginal é menor que seu salário real. Assim, após organizar sua empresa e otimizá-la, Crusoé obterá receita de 23 peixes e gastará 15,5 peixes com custo de mão de obra, obtendo, então, um lucro de 7,5 peixes.

    Os neoclássicos, apesar de estarem cheios de pressupostos extremos e irreais (todos maximizam lucros e utilidades, as informações são perfeitamente conhecidas, entre outros), conseguem acertar a origem da mais-valia. Suas conclusões teóricas e matemáticas concluem então que a renda que as pessoas recebem é igual ao produto que elas agregam na economia; elas recebem rendimentos conforme sua produtividade. Então, se uma pessoa recebe R$ 100 ao mês e outra R$ 100.000 ao mês, não há injustiça econômica: elas recebem conforme o que agregam de valor na economia. O que faz com que as pessoas ganhem mais ou menos e que haja aquela disparidade entre valor de produção e remuneração da produção é a diferença da quantidade de capital que as pessoas possuem. Assim, um neoclássico afirmaria que aquele que ganha R$ 100 provavelmente possui apenas como capital humano a sua mão de obra (e esta sendo desqualificada) e mais nenhum outro capital; o que ganha R$ 100.000 ao mês possui em seu poder um montante elevado de capital, seja capital físico (terrenos, máquinas, galpões, etc) e/ou capital humano (cursos, experiência, imensas habilidades, etc.). Essa teoria de viés neoclássico acerta ao mostrar as disparidades de montante de capital entre as pessoas como explicação das disparidades entre o que se produz e a renda de quem produziu, chegando à origem do motivo, apesar de não lhe dar muita especificação.

    Por fim, a visão corrigida é esta: existe mais-valia pelo fato de as pessoas possuírem (e utilizarem) diferentes montantes de capital. No entanto, qualquer vantagem competitiva pode ser considerada como algum capital. (Ex.: O indivíduo A fornece uma demanda de trabalho para B, e B apenas repassa a demanda que recebeu para C, cobrando uma pequena margem. Nesse caso, o único capital que B utilizou é a preferência (ou boas relações) com A.) Então, não é exatamente o fato do quanto elas, em si mesmas, agregam de valor à economia, mas sim do que o capital que pertence a elas que está agregando valor à economia. Assim, se o criador do Facebook recebe uma renda de US$ 7 milhões ao ano, não é porque a pessoa dele agrega isso de valor à economia, mas sim o capital total dele, tanto a estrutura física e virtual quanto o seu inseparável capital humano (sua inteligência, instrução, experiência, referências, e por aí vai).

    Resumindo, tudo o que as pessoas recebem de renda é a remuneração proporcional ao seu capital. Apenas isso. Mas, e se perguntarem, qual é a origem do capital delas?
    • Obtiveram através de crimes: roubo, furtos, corrupção em geral (inevitável fator humano, sendo externo a qualquer sistema econômico);
    • Sorte: nasceram mais ricas, mais habilidosas, mais bonitas, mais inteligentes que o resto da população; nesse caso, deve-se também procurar a origem nos seus pais; ou também ganharam de alguma maneira, por sorteio, por doação, etc;
    • Apesar de serem pessoas de qualidades naturais medianas, foram poupadoras e diligentes, investindo parte da renda que obtiveram em diversas fontes (montaram algum negócio, utilizaram para adquirir capital humano em estudo, etc.);
    • Possuem referências, indicações e influências com determinadas pessoas: do governo, da alta sociedade, de pessoas estratégicas, etc. (isso também pode ser considerado como capital humano);

    Vejam esta frase do artigo:
    "Dado que o capital que é adiantado na forma de salários e na forma de maquinário para os trabalhadores supõe também uma espera e uma assunção de riscos para o capitalista, não seria mais correto dizer que a “mais-valia” do capitalista advém não de um assalto ao trabalhador, mas sim da remuneração desses fatores de produção (tempo e risco)?"

    Resposta: Sim, da remuneração do capital, dos fatores de produção, mas não necessariamente tempo e risco.

    "A mais-valia, portanto, não é a apropriação de um tempo de trabalho não-remunerado, mas sim o juro derivado do tempo de espera e do risco assumido até que o processo produtivo esteja concluído."

    Quase sempre também isso conta, mas não é o motivo da existência dela; quanto maiores os riscos e o tempo, maior o volume de capital envolvido. Não é necessário que haja nenhum tempo de espera e risco para que haja mais-valia. A frase anterior melhor explicada seria:

    A mais-valia, portanto, não é a apropriação de um tempo de trabalho não-remunerado, mas sim a remuneração correta para o proprietário do capital (incluindo tempo de espera e risco) que foi utilizado para a realização do processo produtivo.

  21. Fiquei na dúvida sobre a “fábula” do padeiro, pelo que foi dito a análise partiu de três padeiros que ganhavam a mesma quantidade de dinheiro. MINHA DÚVIDA É:

    E se nós partirmos de uma análise de três pessoas, com discrepantes níveis de salário, o seu sucesso será determinado pelo quanto ele conseguirá poupar e de seus objetivos futuros? está se desprezando a desigualdade de oportunidades? como a escola austríaca lidava com essa questão de desigualdade de oportunidades?

    Lembrando: sou liberalista, mas essa dúvida sempre me persegue, gostaria de respostas inteligentes, por favor.

  22. Diogo Francis Ferreira Lima

    A ideia difundida e infundada para justificar a manutenção dos nossos sindicatos “pior sem eles” faz parte desse contexto e pior, são eles responsáveis em sua grande maioria, pela distorção dos pensamentos de Marx.

  23. Eduardo Dalagnol

    Espero que o autor deste artigo seja um capitalista milionário. Do contrário não seria alguém que se pode chamar de esperto.

  24. Esse artigo é ouro, deveria ter um lugar fixo no site.

    Eu tenho lido uns livros de esquerda pra “ver qualé” (pura panfletagem) e me embasar melhor intelectualmente contra o marxismo, mas depois de ler esse artigo (e a Escola Austríaca no geral) eu vejo que nada nessa ideologia faz sentido pois tudo deriva desse princípio mentiroso de exploração do trabalho e luta de classes.

  25. Caros, alguém pode me ajudar a validar um argumento, estou tentando explicar a um amigo leigo o porque a mais valia não faz sentido. Li o texto, e apesar de ter entendido, achei muito teórico a explicação da preferência temporal e do valor-subjetivo.

    Optei por falar o seguinte: "a produtividade do trabalhador é um fenômeno tanto humano quanto das máquinas e instrumentos que o empresário disponibiliza com seu investimento, portanto, não faz sentido em falar que o trabalhador deve ficar com toda a produção".

    Vocês acham que este argumento está correto? Obrigado.

  26. Infelizmente a esquerda tem quase o monopólio sobre a informação no Brasil. Controlam todos os setores. E nada mais brasileiro do que vender o coitadismo, o vitimismo, dizer que você é um pobre inocente explorado.
    Toda essa ladainha da esquerda só faz sentido porque o capitalismo e a livre iniciativa nunca chegaram perto daqui. O que você tem é um capitalismo de estado, onde os “empresários” aliados dessa corja tem as tetas do governo pra mamar e muitas barreiras pra impedir qualquer concorrência. Sejam construtoras, imprensa, frigoríferos, siderúrgicas… Basta olhar a lista dos brazilians na Forbes e ver a ligação estreita e muitas vezes histórica desses “capitalistas” com quem está no poder. E nunca antes na história “destipaíf” houve tanto $ fácil pra eles como nos 12 anos dessa quadrilha. Agora tira essa mamata e me diz quantos sobreviveriam? É por isso que essa anta não tomou um impeachment e essa máfia já não foi pra cadeia, conseguiram aparelhar o país todo e agora ninguém tira essa quadrilha do poder.

  27. Tese do texto: “A mais-valia, portanto, não é a apropriação de um tempo de trabalho não-remunerado, mas sim o juro derivado do tempo de espera e do risco assumido até que o processo produtivo esteja concluído.”

    Convém mostrar alguns exemplos que foram dados pelo autor para defender a sua tese:

    “Uma coisa é gastar 100 onças de ouro hoje adquirindo bens de consumo; outra coisa, completamente distinta, é gastar essas mesmas 100 onças em um investimento que nos permitirá recuperá-las apenas ao longo dos anos. “

    “No entanto, se o capitalista compra por 90 para receber 100, então ele está obtendo mais-valia. Só que esta mais-valia não está vinculada à exploração do trabalhador, mas sim ao tempo que o capitalista tem de esperar para auferir essa receita e ao risco que ele tem de assumir ao incorrer nesse processo produtivo. “

    Vejamos o lugar do trabalhador….”LUGAR”..porque não me parece que ele tenha um, olhando para a tese defendida e para os exemplos dados:

    Se invisto hoje, o trabalhador só pode ser remunerado quando o processo de produção E VENDA estiver finalizado. Quer dizer então que, o coitado do trabalhador terá de esperar pelo futuro, e estará dependente da procura ao produto que ELE NÃO DECIDIU PRODUZIR… Isto porque podem surgir necessidades de custo que a empresa deve colmatar, e portanto, não pode o detentor do capital pagar ADIANTADO.

    Ora bem, se seguirmos esta brilhante lógica, seria justo o trabalhador receber no dia da sua morte, ou seja, ele finaliza ali os seus trabalhos para a empresa, é feito o balanço dos ganhos e perdas da empresa, e depois é-lhe dado o dinheiro merecido e justo, no tempo correto, depois de termos esperado pelo tempo certo para concluirmos que o negócio foi bem feito e que o empregador pode pagar a “mais-valia” ao seu trabalhador. Então, acho que faz todo o sentido o trabalhador ficar à mercê do jogo do capitalista, esperar pelos resultados e receber o que tem a receber no dia da sua morte. Por que não haveria de fazer sentido? Até porque o proprietário também, em sua casa, no seu quotidiano, passa grandes necessidades para obter o mais básico, comida, água, luz…piscina, Porsche… Este dinheiro que o empregador despende nada tem a ver com o seu capital de investimento na empresa…Zero!!!! O trabalhador deve esperar…não é ele todo esperança? Sempre? Ele foi feito para esperar religiosamente…

    Acho que o presente do trabalhador deve ser hipotecado pelo futuro do capitalista… claro que sim… Ambos têm o mesmo poder, as mesmas necessidades, o mesmo capital…. No meio disto tudo o trabalhador é aquele que troca as fichas no fim da roleta russa andar à roda, é aquele que retira duas fichas (se der para ele) para poder sobreviver, enquanto o proprietário tem as 100 para poder apostar mais na seguinte jogada, que ainda é de mais risco, e porque precisa de mais capital para arriscar… e se perder, ainda tem de ter para os gastos da piscina e do Porsche…

  28. E ainda falta considerar a habilidade do trabalhador.

    Digamos que D. Maria, costureira leve 2 horas para fazer um vestido e D. Teresa leve 4 horas para fazer o mesmo vestido. D. Maria receberá por cada vestido, apenas a metade do valor de D. Teresa?

    Ela pode até cobrar mais barato, pois tem capacidade para fazer mais vestidos num dia, portanto sua remuneração total será maior. Será que o velho Marx sabia que existem incompetentes?

  29. Há, no texto, algumas simplificação das teses de marx.
    Como exemplo, vou citar uma aqui.

    Na crítica ao programa de Gotha, ele elucida a questão sobre o citado fruto integral do trabalho em uma sociedade com os meios de produção coletivizados:

    “Tomemos, em primeiro lugar, as palavras «o fruto do trabalho” no sentido do produto do trabalho; então o fruto do trabalho coletivo será a totalidade ‘do produto social.

    Daqui, porém, é preciso deduzir:

    Primeiro: uma parte para repor os meios de produção consumidos.

    Segundo: urna parte suplementar para ampliar a produção.

    Terceiro: o fundo de reserva ou de seguro contra acidentes, transtornos devidos a fenômenos naturais, etc.

    Estas deduções do “fruto Integro do trabalho” constituem uma necessidade econômica e sua magnitude será determinada de acordo com os meios e forças existentes e, em parte, por meio do cálculo de probabilidades; o que não se pode fazer de modo algum é calculá-la partindo da eqüidade.

    Fica a parte restante do produto total, destinada a servir de meios de consumo.

    Mas, antes dessa parte chegar à repartição Individual, dela é preciso deduzir ainda:

    Primeiro: as despesas gerais de administração, não concernentes à produção. Nesta parte se conseguirá, desde o primeiro momento, urna redução considerabilíssima, em comparação com a sociedade atual, redução que irá aumentando à medida que a nova sociedade se desenvolva.

    Segundo: a parte que se destine a satisfazer necessidades coletivas, tais como escolas, Instituições sanitárias, etc.

    Esta parte aumentará consideravelmente desde o primeiro momento, em comparação com a sociedade atual, e irá aumentando à medida que a nova sociedade se desenvolva.

    Terceiro: os fundos de manutenção das pessoas não capacitadas para o trabalho, etc.; em uma palavra, o que hoje compete à chamada beneficência oficial.

    Só depois disto podemos proceder à “repartição”, Isto é, à única coisa que, sob a influência de Lassalle e com uma concepção estreita, o programa tem presente, ou sei a, a parte dos meios de consumo que será repartida entre os produtores individuais da coletividade.

    O “fruto íntegro do trabalho” transformou-se já, imperceptivelmente, no “fruto parcial”, ainda que o que se retira ao produtor na qualidade de indivíduo, a ele retorna, direta ou indiretamente, na qualidade de membro da sociedade.

    E do mesmo modo como se evaporou a expressão “o fruto íntegro do trabalho”, evapora-se agora a expressão “o fruto do trabalho”, em geral. No seio de uma sociedade coletivista, baseada na propriedade comum dos meios de produção, os produtores não trocam seus produtos; o trabalho Invertido nos produtos não se apresenta aqui, tampouco, como valor destes produtos, como uma qualidade material, por eles possuída, pois aqui, em Oposição ao que sucede na sociedade capitalista, os trabalhos individuais Já não constituem parte Integrante do trabalho comum através de um rodeio, mas diretamente. A expressão “o fruto do trabalho”, já hoje recusável por sua ambigüidade, perde assim todo sentido.

    (…)

    Dessa forma, toda a construção de premissas sob as quais se fundamenta o raciocínio do texto estão partindo de deturpações e simplificações estapafúrdias. Essas simplificações foram veementemente combatidas pelo autor quando ainda vivo, e como se sabe, são próprias de pessoas que, como a maioria dos que estão aqui, não tem o mínimo conhecimento da obra do autor, tanto em seu viés filosófico, quanto em relação a suas teses econômicas.

    Para haver o debate, e para que ele seja construtivo, este pelo menos deve ser justo, e não pautado em deslealdade intelectual e deturpações. Isso só contribui para reafirmações ideológicas simples que não contribuem inclusive para o desenvolvimento das teorias e das ciências, sob seus mais diferentes pontos de vista.

  30. Ricardo Rocha Brandão

    Meu, marxistas são tão bizarros — não é à toa que todos eles se apresentam sob anonimato, vide os dois espécimes acima (anônimo e “alfaiate”) –, que eles conseguem a façanha de fazer keynesianos parecerem razoáveis.

  31. Não tem haver com o texto, mas estou com uma dúvida? Reduzir imposto estimula o consumo. Fato! Mas permanentemente, ou provisoriamente?

    Mas reduzir imposto e, ao mesmo tempo, estimular o crédito é uma ‘bomba relógio’. E isto nós já vimos. Qual a opinião de vocês? Embasem!

  32. Amarílio Adolfo da Silva de Souza

    Marx foi o maior homicida da história humana ou um dos três maiores. Como homem de “ideias” foi o maior assassino indireto, com certeza: responsável por, no mínimo, MEIO BILHÃO DE MORTES HUMANAS. Se isso é “algo bom”, então sigam-no. Eu prefiro chamá-lo de assassino.

  33. Victor Hugo Piovan

    Boa noite, excelente artigo, e que dificilmente entrara na cabeça dos marxistas. Esses dias estava discutindo e debatendo com um, mostrando as malezas do estado e do banco central,emprestei a ele um livrinho básico do petter shiff, e até ai ele foi concordando.
    Depois de tudo discutido, ele entra com um papinho de que é contra o lucro, que não aceita de maneira nenhuma o dono da fabrica ganhar 50.000,00, e o trabalhador 1.000,00 , e o culpa por exploração.
    Qual seria a melhor forma de rebater esse argumento entre lucro x salário?

  34. Acho essa teoria as vezes confusa. Essa ideia de bens futuros por bens presentes é correta quando falamos de adiantamento de bens de capital. Agora sobre o salário não faz muito sentido, talvez em ciclos de produção longo sim, mas se estivemos falando de ciclos curto ninguém irá entender.

    Um trabalhador recebe um salário após ter completado 1 mês de trabalhado, e se estivemos falando de um setor com ciclo curto de produção não faz sentido nenhum falar que houve adiantamento do bem futuro e tal.

    Agora faz sentido se estivemos falando que o empresario adiantou todos os bens de capital para a produção do funcionario e por isso merece uma taxa de retorno.

  35. Cerca de 60 %das medias e pequenas empresas fechalm at’e o Segundo ano. Isso quer dizer que os empegados dessas empresas receberam pelo trabalho efetuado e o capitaista SIFU! O risco empresarial eh grande. Ha setores de enoreme riskco. Por exemplo:nunca fundem empresas de aviacao, frigorificas e bancarias. Praticamente todas quebram aos longo dos anos. Falam do PROER, mas o PROER nao salvou os banqueiros (perderam tudo), salvou os bancos porque o dinheiro da sociedade estava la dentro.

  36. Alexei Dimitri Diniz Campos

    Olá! Gostaria de dizer, que apesar do tema e da hipótese defendidos serem incorretos, o texto apresenta uma temática e alguns argumentos interessantes. Legal!

    Mas meu caro, se eu não explorar os outros, por menor que seja a exploração, eu não realizo nada que eu mesmo não faço. Vou dar o exemplo simples. Amizade. Quem nunca usou da amizade para pedir favores? Não estou dizendo que é errado pedir favores, é concebível tal processo.

    Você considera uma pessoa muito sua amiga quando os pedidos de favores estão dentro de certos limites. Nem muito (abuso) nem pouco (se a pessoa não pede nada, não exige um pouco de você, você acaba sentindo que não há trocas, e acaba por desvalorizar o relacionamento). O próprio ato de conversar é uma exploração, pois alguém fala, alguém ouve, e sempre acaba por alguém ouvir mais do outro. Claro, a longo prazo isso tende a “zerar”, mas nem sempre.

    Como eu disse uma vez no IMB, Marx foi um judeu, pertencente às classes mais ricas da Europa. Seu objetivo quando escreveu o Manifesto Comunista, e também sua célere obra O Capital não era educar um povo que ele considerava ignorante. O objetivo dele era destruir o então decadente Império Russo. Estudando um pouco de história, você irá descobrir que os judeus (não como nação mas como “força”) sempre tiveram uma rixa com os russos, e muitas vezes isso motivou os conflitos mundiais.

    Isso quer dizer que ele estava errado sobre existir mais-valia? NÃO, como eu mesmo disse acima, seu texto apresenta argumentos bons, pontos interessantes e convence até uma boa parcela dos leitores, mas tal como Marx, o problema é que a hipótese defendida estava INCORRETA (O Comunismo), o que deturpa certos pontos, e gera afirmações que são falácias. Daí a múltipla interpretação do Capital.

    Voltando ao seu texto, sim, temos que levar em conta a história. Historicamente, as pessoas quando migraram do campo para a cidade se viram forçadas a isso. Ninguém sai de uma situação relativamente boa para uma de falsa promessa sem nenhum respaldo ou pelo menos de esperança. Como na cidade as pessoas precisam explorar umas as outras, já que os alimentos são produzidos no campo, elas precisam compulsoriamente trabalhar.

    O problema era que inicialmente elas não faziam ideia de que tipos de produtos ou serviços poderiam ou não vender, e dessa forma, só lhe sobraram a possibilidade de se alocar como empregados. Como o empregador precisa explorar sua mão de obra para remunerar outros tipos de gastos, como impostos, etc, e o seu próprio lucro, ele aproveita a crescente mão-de-obra e paga salários baixos e periodicamente demite pessoas, já que não existiam sindicatos e greves.

    Como o passar do tempo, o salário dos trabalhadores já não atendia mais seus anseios, pois as pessoas SEMPRE vão querer consumir mais, e SEMPRE vão querer executar trabalhos mais leves. Daí, surgiram os luditas, greves, sindicatos, etc, etc…

    Mas voltando ao trabalhador. Ele também explora seu patrão. Já que para ele seu serviço não lhe serve para nada, ele vende ao patrão sua mão-de-obra, que o paga com a promessa de ganhar mais com isso, tanto o EMPREGADOR para com o seu lucro quanto o FUNCIONÁRIO para com seu salário.

    Pois, afinal, o trabalhador possui gastos de alimentação necessários a sua existência, e de sua família, bem como seu lazer pessoal, e daí temos a mais-valia do trabalhador para com seu empregado.

    MAS tal como determinados produtos possuem seu preço determinado pelos consumidores, a mão-de-obra também possui seu preço determinado pelo grau de retorno E pela quantidade de mão-de-obra existente. Como atualmente há uma forte proteção aos direitos trabalhistas, o lado forte da balança passa a ser a do empregado, e ele possui mais opção de escolha de empregador do que o empregador de funcionários.

    Atualmente, observamos que existe uma maior liberdade do que antigamente para sair da condição de empregado para a de empregador. Exige-se menos capital atualmente do que antigamente para montar uma empresa. Como os direitos trabalhistas são maiores, os salários são maiores.

    É importante observar que a condição de PJ não classifica apenas uma pessoa como empregador, já que no final das contas ela exerce o mesmo papel de um empregado.

    Agora, vamos aos pontos de sua explanação:

    ‘Dado que o capital […] não seria mais correto dizer que a “mais-valia” do capitalista advém não de um assalto ao trabalhador, mas sim da remuneração desses fatores de produção (tempo e risco)?’

    Tempo e risco são fatores apessoais. Em outras palavras, quem fica com a remuneração de tempo e risco são pessoas.

    Lembra de débito e crédito? São a mesma coisa. Apenas uma distinção, para saber da onde entra e da onde sai.

    Logo, o fato de um empregador usar tempo e risco como fatores são o “outro lado da balança” da mais-valia: se um funcionário vai receber menos do que ele pressupõe gastar com seu trabalho, ele não trabalha. A não ser que seja um consumista acéfalo.

    Outra vez eu li em comentários no IMB que o preço da mão-de-obra de certo setor era fortemente determinado por si mesma. Logo, o seu custo e projeções futuras possibilitariam ao empregador determinar se a mais-valia obtida dessa relação iria sustentar o risco e o tempo demandado por si. E vale a pena. Do contrário, tal atividade seria extinta, tal como ocorreu com as máquinas de escrever.

    ‘Utilizando esse mesmo raciocínio […] adiantam bens presentes […] bens futuros […]. E essa diferença de valor é a mais-valia. A mais-valia, portanto, não é a apropriação de um tempo de trabalho não-remunerado, mas sim o juro derivado do tempo de espera e do risco assumido até que o processo produtivo esteja concluído.’

    JURO, essa é a palavra chave. Juro e mais-valia são em essência a mesma coisa. E esse é o ponto onde sua argumentação fica interessante.

    Da onde que o banco extrai os juros? Do próprio tomador de empréstimo. Logo, não é criado valor, é transferido valor. O que o banco faz para que esse valor exista, ou seja, a remuneração de seus consultores, empregados, etc, é o outro lado da moeda.

    Você deveria estar pensando. Mas seguindo seu raciocínio, a mais-valia surgiria da relação empregador-cliente, e isso desmantelaria por baixo a teoria marxista.

    É aí que a conversa segue um rumo desconexo. E o dinheiro que a pessoa tomou como empréstimo? Esse dinheiro serve para a pessoa de alguma forma, em geral, para comprar um bem que dê a ela um retorno maior do que o valor tomado como empréstimo. É aí que entra a mais-valia empregado-empregador.

    Quando uma pessoa assume um empréstimo bancário, ela o pagará com seu trabalho, que para ela nada vale, para assumir um valor que a possibilite adquirir um produto que a satisfaça, seja na forma de lazer, seja na forma de status-quo. São essas coisas que remuneram os juros, o tempo e outras questões apessoais.

    É aí que mais-valia e valor subjetivo das coisas se confundem, pois são lados opostos da mesma balança. Se você perceber, o boom de consumo e o de desenvolvimento tecnológico estão intimamente ligados. Isso não quer dizer que uma sociedade extremanente consumista seja muito desenvolvida; afinal, ‘coeteris paribus’ é uma teoria, e na verdade, tudo varia, e geralmente questões políticas e culturais mandam com mais intensidade.

    Você deve estar pensando, mas você está viajando, está confundindo conceitos. Não, meu caro, estou levando em conta toda a história da economia, estou levando em conta a discussão Keynesianos x Liberalismo. São duas visões da mesma realidade. É esse o motivo de ainda existirem Keynesianos, de esse pensamento ser ufanado em determinados momentos, e do mesmo ocorrer com o liberalismo.

    Se uma pessoa fosse extremamente objetiva, ela se mudaria desse país, porque aqui a mais-valia é muito grande. A pessoa paga muitos juros, impostos elevados, inflação alta e é pouco remunerada.

    Lembrando que na mesa de negociação de salários, quem determina o preço da mão-de-obra é quem possui mais direitos trabalhista e é mais sindicalizado.

    ‘O fato de o trabalhador […] não tem nada a ver com exploração […]’

    Cara, esse negócio de futuro e presente é relativo. A maioria das empresas comerciais e de serviços recebe o valor da mercadoria antes mesmo de pagar salários e inclusive antes de pagar fornecedores. É por isso que são as atividade mais facilmente executadas, porque a pessoa não precisa de calculadora o tempo todo, já que há quase sempre dinheiro entrando.

    Se você analisar o percentual de empresas que prosperam, irá perceber que o comércio possui o maior percentual de pessoas com baixa escolaridade.

    Aliás, se não existisse exploração, o valor presente e futuro de um bem seria o mesmo, já que não há mais-valia na relação.

    A exploração decorre de alguém que faz algo e de uma pessoa que não faz algo. Quem fica com a diferença? Quem não faz. É por isso que se você prestar atenção, os mais ricos são aqueles que menos fazem alguma coisa. Eles passam o tempo deles gastando, conversando e executando atividades supérfluas, da mesma forma que os trabalhadores fazem em seu tempo livre; a diferença, é claro, está nas quantias em questão.

    PEÇO atenção, entretanto, para aqueles que acham que estou desmerecendo a classe empregadora. Não estou dizendo que não fazem nada. Estou dizendo que executam outras tarefas, as quais são remuneradas por aquelas executadas pelos seus empregados. Um exemplo muito claro é o RH. Uma empresa, se não prestar serviços dessa classe, utiliza o RH como ferramenta, e não como fim; logo, sua remuneração advém do fruto das operações da empresa.

    Estou dizendo que as atividades de apoio não agregam valor ao produto final? NÃO ESTOU DIZENDO isso. Mas dizer que todo o valor advém dessas funções é deturpar a realidade.

    Para finalizar, esquecem de dizer que a inflação na verdade é o aumento geral dos preços, causados pela ânsia dos empregadores em aumentar sua fatia de remuneração. Mas na verdade não houve aumento da mais-valia; Em outras palavras, o aumento do salário do trabalhador foi menor do que o aumento dos preços, e sua produção não aumentou na proporção esperada. Por fim, a demanda cai e o preço volta ao valor anterior. Logo, não se pode dizer que mais-valia decorre puramente da relação cliente-empregado, ela existe em todas as relações.

    Conclusão: mais-valia = exploração = trocas = relações.

  37. Achei o artigo um tanto repetitivo e não abordou a questão concorrencial e de ganhos de escala, pois se uma empresa adota um sistema de produção mais eficiente do que outras (treinamento da mão-de-obra “explorada”, tecnologia, etc), produzindo a um custo mais baixo, naturalmente ela vai explorar essa vantagem competitiva e colocar o produto no mercado a um preço mais baixo, com ganhos unitários e “mais-valia” consequentemente menores. À medida que outras empresas adotarem tais técnicas, buscando capturar uma participação de fatia de mercado, se não houver um aumento de demanda, o preço do produto no mercado cairia e consequentemente a suposta “mais valia”.

  38. Outra maneira de explicar isso é que ninguém troca algo por outra coisa se os dois tiverem o mesmo valor. Se alguém troca 10 reais por um produto X então este produto vale mais que os 10 reais, pois não faria sentido alguém fazer uma troca se esta CONSIDERA que os dois tem o mesmo valor. Quando o trabalhador vende sua força de trabalho para o capitalista, este considera que o salário vale mais que seu tempo e sua energia, se valessem a mesma coisa por que então fazer esta troca? Com isso, o capitalista é só mais um nesse jogo, onde considera que o lucro vale mais que tudo que ele investiu, o tempo, energia (quando houver) e a segurança de uma renda.

  39. Boa tarde.

    Estou em dúvidas, porque estou pensando que está faltando algumas coisas essências para uma crítica ao marxismo. Mas é possível que algo tenha passado despercebido em minha leitura, estou aberto a explicações que possam mudar meu ponto de vista. Marx é, sobretudo, um filósofo, o conceito de mais-valia não funcionaria sem o conceito de alienação. Acredito que tenha entendido que o burguês assume um “risco” com seu investimento e que venha a receber esse investimento no futuro. Mas, mesmo que o burguês tenha passado por isso, mesmo que ele tenha também trabalhado duro dentro dos meios de produção, provavelmente ele ainda recebeu muito mais do que o trabalhador e, no final, os meios de produção serão sua propriedade, não dos trabalhadores que vendendo sua força de trabalho pagaram, os investimentos, por essa propriedade. O burguês tem o poder das decisões, das ordens e de quem deve permanecer ou não. A força de trabalho do trabalhador foi assim alienada, porque é uma força vital e um tempo que não voltará para suas mãos na medida certa em que ele produziu. Isso é apenas um dos muitos aspectos que Marx nos chama atenção. A maneira como essa classe de grandes proprietários conduz, de várias formas, nossas vidas é um outro aspecto, mas isso já seria outro assunto.

    Um forte abraço.

  40. Quando o empresário junta sua iniciativa e sua capacidade para empreender, ele agrega capitais próprios e/ou de terceiros, matéria prima ou insumos, e contrata força de trabalho. E nesse processo – se tiver sucesso – ele estará se enriquecendo e simultaneamente criando bens e riquezas, utilidades, satisfazendo necessidades, remunerando trabalhadores, contratando fornecedores, transportadores, distribuidores, locadores, financiadores, armazenadores, assistentes técnicos, anunciantes, dentre outros, e pagando impostos, taxas, encargos sociais. E cada um desses agentes econômicos estará contratando outros. É o efeito multiplicador da economia.

    Historicamente, nos países onde não haja uma mentalidade anticapitalista, as rendas de todas as classes aumentam.

    É claro que há uma desigualdade de renda. Mas esse é um dado da própria condiçãol humana, pois se todos somos intrinsecamente desiguais em nossas ambições, aptidões, coragem, vontade, dinamismo, inteligência, capacidade, etc, então qualquer pretensão socialista de nos igualar é uma vã tentação. Aspiração aliás que levou dezenas de milhões à morte pelo mundo.

  41. Antes do Plano Real nós brasileiros tivemos seis planos econômicos fracassados – o Cruzado I, o Cruzado II, o Bresser, o Verão, o Collor I e o Collor II. E porque os seis planos anteriores fracassaram e o Plano Real deu certo? Os anteriores fracassaram porque seus economistas adotaram ideias econômicas – como tabelamento, congelamento de preços e várias outras intervenções governamentais – todas medidas já experimentadas e fracassadas ao longo da História Econômica. E por que aqueles economistas adotaram ideias econômicas cuja ineficácia já se sabia? Foi porque aqueles economistas, quando passaram pelas Universidades, lhes foram sonegados todos os livros que denunciavam o fracasso das políticas econômicas intervencionistas. E a literatura econômica então disponível para todos era sobretudo a keynesiana e a marxista. Eu próprio fui vítima dessa sonegação intelecutual na Universidade Brasília, onde estudei. Só depois de bastante tempo de formado é que fui ter acesso aos livros de Mises, Hayek, Henry Hazlitt, Friedman, Roth Bard, Thomas Sowell e outros. Já o Plano Real deu certo porque sua orientação econômica foi bem distinta daquela dos planos anteriores, além do fato de que o governo FHC foi adotando medidas complementares mais liberalizantes durante todo o seu período.

  42. Bom dia !! Alguém pode me ajudar com essas duas questões?

    1 a fase científica da economia tem bases em 3 pontos. Quais são. Justifique cada um e os pensadores econômicos.

    Basta o nome é a idade de cada um.

    2 porque o pensamento Nazista nao deu certo?

    Utilizem ?

  43. A sua tese é inteligível, mas ela parte do princípio de que o capitalista é o legítimo detentor dos meios de produção. Passa, a partir daí, analisar, a posteriori, a relação entre salário, preço e lucro, misturando nisso conceitos relativos a especulação financeira como retorno sobre investimento, fator de risco e juros.

    A falha da sua tese é justamente interpretar como premissa verdadeira a posse legítima dos meios de produção pelo capitalista, com base em uma análise empírica (a posteriori) que toma este dado colhido da realidade como premissa teoricamente valida.

    Se tomamos como exemplo um caso em que os trabalhadores detenha os meios de produção, por exemplo numa cooperativa, a sua teoria cai por terra.

    É justamente ao eliminarmos a figura do capitalista, intermediário detentor dos meios de produção, que mais claramente enxergamos sua relação parasitária com o sistema produtivo.

    Desconfio que você não tenha lido O Capital, caso tenha lido recomendo que releia, pois parece que alguns conceitos não forma compreendidoo.

    Ademais recomendo não confundir a teoria sobre a natureza do sistema produtivo (um estudo abstrato e a priorie) com as reconalizações, a posteriori, que pretendam explicar o sistema produtivo em termos de mercado especulativo, buscando deduzir uma teoria da prática, coisa impossível e que só pode conduzir ao erro.

  44. E quando o contribuinte age diretamente em vendas que no seu montante são 10, 20, 50.. N vezes maior que seu salário?

    Fora isso, de brinde vem desaforo no trabalho, desestimulo do patrão e algumas outras situações anti-éticas que muitos passam todos os dias?

  45. “O que há de errado com a teoria da exploração de Marx é que ele não compreende o fenômeno da preferência temporal como uma categoria universal da ação humana.

    Os capitalistas, ao adiantarem seu capital e sua poupança para todos os seus fatores de produção (pagando os salários da mão-de-obra e comprando maquinário), esperam ser remunerados pelo tempo de espera e pelo risco que assumem. Por outro lado, os trabalhadores, ao receberem seu salário no presente, estão trocando a incerteza do futuro pelo conforto da certeza do presente.”

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