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A ética do trabalho e a geração que não quer trabalhar

A maioria das pessoas diz que um emprego serve para ganhar dinheiro.  Sendo assim, se você não precisa de dinheiro, qual o objetivo de ter um emprego?

Aparentemente, boa parte dos jovens ao redor do mundo pensa assim.  A geração “nem-nem”, que não estuda nem trabalha, está crescendo a taxas assustadoras. [No Brasil, 20% dos jovens em idade ativa não estudam nem trabalham].

Nos EUA, que sempre foram o país de vanguarda em termos de empreendedorismo e que sempre prezaram por uma forte ética do trabalho, a situação vem degringolando ano após ano.  Estatísticas compiladas pelo The Wall Street Journal quase me fizeram cair da cadeira.  No ano 2000, 33% dos adolescentes americanos entre 16 e 17 anos de idade tinham um emprego.  Atualmente, este número é de 15%.  São cifras estupefacientes.  Porém, olhando em retrospecto, posso dizer que já vivenciei vários indícios casuais que confirmam estes números.

Recentemente, palestrei para um grupo de aproximadamente 200 adolescentes que ainda cursavam o ensino médio (não irei revelar o nome da escola nem sua localização).  Perguntei casualmente quantos deles já haviam trabalhado em um ambiente varejista, tendo de lidar diretamente com clientes e consumidores.  Absolutamente nenhuma mão se levantou.  Espantado, fiz uma pergunta mais ampla: quantos deles já haviam tido um emprego remunerado?  De novo, nenhuma mão se levantou.

Conversando com os pais, descobri que eles adotaram uma nova postura: seus filhos não devem trabalhar.  Eles devem ficar apenas na escola.  Eles devem aproveitar seu tempo livre praticando esportes e estudando.  Trabalhar é para as classes mais baixas.  Qual a vantagem de trabalhar?  Colocar os filhos para trabalhar implica que os provedores da família não estão conseguindo sustentar seus rebentos.  No que mais, o que seus filhos fariam com o dinheiro que ganhariam?  Comprariam mais iPhones?

E há também o problema das legislações trabalhistas e das restrições legais criadas pelos governos ao redor do mundo.  A partir do momento em que há uma lei que impõe um salário mínimo, fica difícil para um adolescente de 16 anos — ainda sem experiência e com baixa produtividade — encontrar um emprego cujo salário mínimo valha sua produtividade.  Nenhum empregador irá escolher um adolescente em detrimento de um adulto experiente e disposto a efetuar o mesmo trabalho pelo mesmo valor salarial.  No que mais, está cada vez mais difícil demitir as pessoas que você contrata, o que faz com que poucos empregadores estejam dispostos a se arriscar contratando adolescentes.

Por outro lado, o mundo digital fornece hoje enormes oportunidades para contratos autônomos de trabalho.  No mundo digital, ninguém dá a mínima para tolices como idade e salário mínimo.  Idealmente, um garoto se aproveitaria dessa “brecha” e entraria com tudo no mercado de trabalho propiciado pela internet.  O problema é que, sem aquela formação de caráter que leva as pessoas a adquirirem habilidades para usá-las lucrativamente, isso não irá acontecer.  Tornar-se um autônomo na era digital é algo que só ocorre quando uma ética do trabalho já está enraizada na pessoa.

Tendo de lidar com todas essas barreiras legais, a cultura simplesmente se adaptou.  Dado que nenhum pai voluntariamente toma uma decisão com o intuito de prejudicar seus filhos, os pais simplesmente decidiram que trabalhar é algo apenas para os filhos dos outros, e não para os seus.

Consequentemente, cada vez menos pessoas estão familiarizadas com a ética do trabalho.  Os jovens de hoje apenas se sentam em bancos de escolas e universidades, na maioria das vezes fazendo mais de um curso, e ficam nesta rotina até completarem 25 anos de idade, quando finalmente irão se apresentar, com um diploma, a empregadores que supostamente irão dar-lhes dinheiro como recompensa por terem permanecido tanto tempo na escola e na universidade.

E quando tal empregador não surge, a frustração pelo tempo perdido toma conta da pessoa, que tende a desistir da vida.

Por isso, falemos um pouco sobre o que poderia ter sido aprendido caso os jovens procurassem um emprego desde cedo, mas que não foi aprendido justamente porque não houve esta busca pelo emprego.

Como dito, há a tal “ética do trabalho”, um termo que sempre foi utilizado ao longo dos tempos.  Mas o que isso realmente significa?  Não dá para resumir em poucas palavras; você tem de trabalhar para adquirir esta ética.  Como vários titãs da segunda metade do século XIX tentaram nos alertar, nenhum indivíduo nasce querendo trabalhar.  Sendo assim, como então você adquire esta ética e passa a prosperar por meio dela?

Ter uma “ética do trabalho” significa estar disposto a passar por vários tipos de desconforto com o objetivo de realizar um trabalho com excelência.  Isso é algo que não surge naturalmente.  Tem de ser incentivado.  Nesse quesito, os pais são os principais modelos de comportamento a serem observados.  A tendência “natural” do ser humano é deixar de fazer aquilo que se está fazendo quando tal ocupação começa a se mostrar desconfortável, ou quando ela passa a exigir mais do que você imaginava.  O problema é que tal postura não leva ninguém a lugar nenhum.  Com efeito, se essa for a sua postura, você irá se acomodar cada vez mais, até chegar ao ponto em que se tornará um preguiçoso que só quer saber de ficar deitado no sofá — algo que descreve perfeitamente a atual geração.

Lembro-me muito bem de quando eu tinha 10 anos e estava trabalhando no telhado de uma casa com meu saudoso tio.  Era o auge de um verão escaldante.  Nós dois tínhamos de nos equilibrar sobre um telhado negro e acentuadamente inclinado, martelando pregos.  Após aproximadamente 30 minutos, pensei que iria morrer.  Ainda assim, continuamos trabalhando lá em cima por várias horas seguidas.  Finalmente, meu tio disse que era hora de fazermos um intervalo.  Rapidamente, corri para a mangueira do jardim, esguichei vários litros de água na minha cara e bebi uns dois litros.  Já meu tio simplesmente tomou uma xícara de café.  Aquilo foi inspirador.

Outra memória de minha infância foi quando meu irmão conseguiu seu primeiro emprego na construção civil.  O trabalho era pesado.  Ao final do primeiro dia, ele voltou para casa parecendo um zumbi.  Conversávamos com ele, mas ele não conseguia articular nenhuma palavra.  Ele foi para o seu quarto escorando-se nas paredes e capotou na cama.  Durante semanas, esta foi a sua rotina.  E então, com o tempo, ele foi entendendo o funcionamento da coisa até finalmente pegar o jeito.  E aí ele se tornou uma máquina.  Aquele verão lhe forneceu a ética do trabalho que ele carregaria consigo para sempre.

Outras lembranças de meus primeiros empregos incluem: perfurar poços artesianos sob sol escaldante; esfregar os resíduos de mel das mesas de um restaurante em que trabalhei como auxiliar de garçom; recolher pratos de papel de 500 mesas após o almoço distribuído por uma empresa que fornece comidas e bebidas, a qual havia me contratado para tarefas gerais; administrar os ânimos de um enxame de pessoas que brigavam entre si para conseguir comprar as calças de $10 que estavam em promoção e que haviam virado moda em uma rede de varejo; sentir o terror de que o piano que eu tinha de carregar escada acima iria cair em cima de mim e me esmagar; recolher pequenos alfinetes no chão de provadores em uma loja de departamentos; aprender a manusear a enceradeira em uma loja de porcelanas e, mais tarde, ter pesadelos em que eu derrubava uma prateleira inteira de cristais finos.

Em qualquer emprego — e especialmente naqueles que pagam pouco –, você rapidamente descobre que trabalhar é algo que fatiga, tanto fisicamente quanto mentalmente.  Você tem de se concentrar intensamente no que faz, e por muito mais tempo do que você realmente quer.  Você tem de fazer coisas das quais não gosta.  Você irá encontrar várias desculpas para se desconcentrar e se distrair, mas não poderá fazê-lo porque há tarefas que têm de ser efetuadas.  E, se você não fizer a sua parte corretamente, todos os seus colegas que dependem da sua parte irão descobrir que a parte deles ficou mais difícil por sua causa, e por isso todos irão odiar você.

Se você limpa banheiros de uma loja ou de um restaurante, você tem de se certificar de que sempre haverá papel higiênico ali, caso contrário os clientes ficarão furiosos.  Se você frita peixes, você tem de saber como administrar a quantidade de gordura, caso contrário você irá destruir o empreendimento.  Se você está instalando um cercado, você tem de saber cavar buracos profundos, caso contrário ela cairá em seis meses.  Se você lava carros, terá de aprender a fazer um bom serviço utilizando a quantidade mínima de água, sabão e cera, caso contrário você perderá dinheiro.  Você só aprende a evitar essas catástrofes de uma única maneira: completando sua tarefa.

Ninguém já nasce sabendo que há uma relação direta entre aquilo que fazemos e suas consequências.  Muito pelo contrário: a própria definição de imaturidade é a incapacidade de assumir responsabilidades (como nossos pais sempre dizem).  E como aprendemos essa relação entre nossas ações e seus resultados?  Não há maneira melhor do que pelo mercado trabalho.  Trabalhamos, vemos o resultado, e somos pagos por isso.  É algo direto.  É algo bonito.  É algo que faz nosso cérebro enaltecer a relação entre ações e resultados.

A escola nem sempre nos ensina isso.  Aliás, a “ação” na escola é algo bem limitado.  Tudo se resume a estudar, o que, na maioria das vezes, significa apenas imitar tudo o que a autoridade designada ordena.  No mundo real do trabalho, você tem de ser criativo.  Você tem de saber improvisar.  Você exercita um controle volitivo sobre o seu corpo, sobre o que ele faz, e então vê os resultados.  E os resultados não são abstrações como notas em um boletim escolar, mas sim algo muito concreto: salário na forma de dinheiro, o qual será utilizado para adquirir coisas que você quer.  E essa recompensa é oriunda do fato de que você se entregou por completo a uma atividade produtiva.

O trabalho é como uma universidade — uma verdadeira universidade que molda o caráter de uma pessoa e faz dela alguém melhor do que seria sem esta ocupação.

O que você leva de um trabalho depende daquilo que você traz a esse trabalho, e o que você traz tem de ser mais valioso para seu empregador do que aquilo que você irá levar dele.  Lembro-me de um vadio com quem trabalhei décadas atrás resmungando: “Sem chance que eu vou ajeitar gravatas por um salário mínimo!”.  Uma perspectiva muito interessante.  Ele queria mais dinheiro para fazer mais trabalho.  Mas não é assim que funciona.  A relação é inversa: você tem de trabalhar mais para ganhar mais dinheiro.  Se o seu intuito é prosperar, você tem de fornecer um valor maior do que aquele que você pode extrair.

O trabalho (e aqui eu devo especificar que me refiro exclusivamente ao trabalho no setor privado) é a melhor maneira de aprender esta lição imensamente valiosa, e carregá-la consigo por toda a sua vida.  Esta certamente é uma característica distintiva daquilo que chamamos de ética do trabalho.

Uma parte disso significa adquirir um senso de necessidade de servir ao próximo com o objetivo de ganhar algo em troca de seu serviço.  Essa é a essência intrínseca de um emprego, seja ele fritar batatas, catar papel ou lavar carros.  Você está fazendo algo para outra pessoa.  Se você fizer muito disso e adquirir excelência, você fará com que essa necessidade de servir ao próximo passe a fazer parte de sua mentalidade. 

E aí você pode dizer: ah, todo esse mundo comercial é uma farsa.  Aquelas pessoas que fornecem seus serviços apenas fingem que gostam de seus clientes, pois o que elas realmente querem é apenas o seu dinheiro.  E o cliente, por sua vez, também apenas finge que está satisfeito com o provedor, mas na realidade está desgostoso por ter de pagar pelo serviço. 

De fato, é possível pensar assim, mas considere o seguinte: se nos comportarmos de uma determinada maneira durante vários anos, com o tempo chegaremos a um estado em que nossa mente já estará condicionada a seguir este padrão.  Consequentemente, tornamo-nos sinceros em nossas atitudes.  Começamos a valorizar os outros por aquilo que eles fazem e por aquilo que nos fornecem.  Aprendemos a ter um bom um relacionamento com as pessoas, a valorizar as diferenças entre as pessoas, a observar qualidades únicas em cada pessoa, e a distinguir o mérito de cada uma delas.

Não há arranjo mais ético e mais justo do que esse.  Este é o arranjo ideal.  É o arranjo no qual as reais virtudes são aprendidas e apreciadas.

Alguém certa vez disse que uma sociedade capitalista é uma sociedade amigável.  Nada mais verdadeiro, dado que a essência do capitalismo é a cooperação voluntária, os serviços mútuos, e as transações comerciais que têm por objetivo a melhora de seus participantes.  Fazer parte disso é algo que nos transforma e nos remodela.  Faz de nós pessoas melhores.

Compare isso à existência entediada e despreocupada do indolente deitado em um sofá ou de um burocrata do serviço público que passa seus dias atrás de uma mesa.  É o setor privado e o seu espírito comercial que nos fornece aquilo de que mais necessitamos: a constante busca pelo auto-aprimoramento.

O que imediatamente nos impressiona em todos os empregos no setor comercial é como eles são necessariamente voltados para o futuro.  Leva algum tempo para se acostumar a isso.  Se você teve um dia ruim, sem muitos clientes e vendas, sempre haverá o dia seguinte.  Se você teve um dia ótimo, sempre haverá o próximo dia, e jamais é possível saber quão bom ele será.

E assim você aprende a viver em um mundo no qual “o que passou, passou” e o futuro sempre será incerto, mas possivelmente melhor.  No comércio, não há rancores e ressentimentos, pois o aparente inimigo de hoje pode vir a ser o seu cliente de amanhã, ou mesmo o seu colega de trabalho ou sócio.  O passado é meramente um conjunto de dados efêmeros; é no futuro que a ação e o entusiasmo estão.  E, dessa maneira, um emprego no setor comercial é completamente diferente do mundo da preguiça e da burocracia, no qual nem o passado e nem o futuro importam.  E é também muito diferente do mundo escolar e universitário, onde o passado é armazenado e jamais desaparece.

Com um emprego no comércio, ou mesmo empreendendo em qualquer outra área, você está continuamente ativo.  Você tem de estar antenado a todas as mudanças que ocorrem nos interesses e nos valores sociais.  Você está atuando em algo que passa a incorporar suas próprias características, algo que dá a você o direito de se gabar de sua competência, algo que conecta você aos outros.  Você se torna determinado, habilidoso, capacitado, útil e experiente.  Você passa a ter histórias para contar e dicas para dar.  Você se liberta das estruturas autoritárias que você herdou desde o nascimento, e passa a adotar as novas que você próprio escolheu.

Agora, tendo em mente tudo isso, faça a si próprio a seguinte pergunta: adolescentes realmente estarão em melhor situação caso não trabalhem?  Um recente estudo demonstrou que, no geral, a aposentadoria “leva a um aumento de 5 a 16% nas dificuldades associadas à mobilidade e a atividades do dia a dia, a aumento de 5 a 6% nas enfermidades, e a um declínio de 6 a 9% na saúde mental, tudo isso ao longo de um período de apenas 6 anos após a aposentadoria”.  E isso após toda uma vida de trabalho.  Os efeitos sobre a mente são muito piores para o jovem que nunca desenvolveu os hábitos mentais fornecidos apenas pelo trabalho.

Será que realmente devemos negar tudo isso a toda uma geração e em seguida esperar que essas pessoas simplesmente adentrem o “mundo real”, com 25 anos de idade, e já plenamente formadas e capacitadas?  Elas não estarão formadas.  Elas não estarão capacitadas.  Elas serão menos úteis, menos habilidosas, menos produtivas, menos moldadas em seu caráter, e menos preparadas para ser livres e responsáveis. 

Lamento, mas procrastinar e fingir que se está estudando não são substitutos para os reais desafios da vida.

 

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92 comentários em “A ética do trabalho e a geração que não quer trabalhar”

  1. Não é bem assim, é claro que é necessário trabalhar, mas cada caso é um
    caso. Tem gente que realmente tem dom para o estudo e esse estudo pode permitir mundos imensos. O importante é saber se a pessoa realmente esta estudando, podendo aplicar tanto num emprego, num trabalho ou até independente em casa. Às vezes tem gente que demora mais pra
    decolar, porém quando decola faz um sucesso maior. Sei
    que muitos dos jovens não fazem nada que preste, mas também há jovem que trabalha e ten emprego e continua sendo uma porcaria de ser humano.

  2. Sendo sincero, meus pais nunca deixaram eu e meus irmãos trabalharem. Fui arrumar meu primeiro emprego realmente com 25 anos (antes fui bolsista de universidade e estagiário em empresa). E, mesmo antes de ler este artigo, já falei à minha namorada que, com certeza, colocarei meus filhos para trabalharem desde cedo para aprenderem sobre a vida, sobre atendimento ao cliente, sobre o valor do trabalho e ganhar seu dinheiro suado. Parabéns pelo artigo!

  3. Uma dúvida: quem trabalha em empresa estatal é um “parasita” (para quem não tem costume é assim que quem trabalha no serviço público é tratado por aqui)?

  4. Isso tudo vale para a plebe. Aqui no Brasil, o negócio é fazer parte da nobreza. Ou seja, ser servidor público. Para isso, os jovens brasileiros vêm se preparando desde cada vez mais cedo. Os mais empreendedores já terminam a faculdade em condições de serem aprovados em concursos de primeira linha e ingressarem ainda bem jovens na nobreza. Como nobre, o jovem não precisará trabalhar nunca e terá sempre seu sustento e de sua família garantido. Terá tranquilidade e qualidade de vida impossíveis para os integrantes da “plebe ignara”. E tudo isso sem precisar da tal ética do trabalho ou outras qualidades do mundo real. Só precisa “estudar”. Sinto, mas essa é a realidade.

  5. Eu sempre fui um dos melhores estudantes da classe nos tempos de escola. Na minha primeira experiência no trabalho, que aconteceu por volta dos meus 18 anos, o choque de realidade que eu tive foi muito forte. As habilidades que te fazem ser bem sucedido na escola não são, necessariamente, as mesmas habilidades que te fazem ser bem sucedido no mercado de trabalho. Na escola, você precisa memorizar sem questionar uma porção de coisas inúteis para sua vida, com o intuito de fazer uma prova e passar, ou se você for um estudante preguiçoso, arrumar um nerd que lhe passe cola durante a prova. Como eu sempre conseguia excelentes notas, acontecia com frequência de eu conseguir a nota para passar de ano antes do fim do ano letivo, que me permitia passar os últimos meses de aula sem entregar trabalhos que valiam nota, sem me preocupar em estudar um pouco mais se não tivesse entendido a matéria, e assim por diante. Os alunos abaixo da média também acabavam fazendo isso, só que de maneira invertida: Começavam o ano folgando bastante, mas intensificavam os estudo no final.

    No mercado de trabalho, é exigido competência em todos os momentos possíveis. O fato de você ter tido um semestre com excelentes resultados não é desculpa para se tornar omisso no segundo semestre do ano. Aliás, a própria noção de ano letivo não é aplicável, a menos que você seja um professor. Perceber que as habilidades que você adquiriu durante os tempos de escola não são mais requeridas no mercado de trabalho dão uma estranha sensação de que você foi enganado quando te diziam que a escola está te preparando para a vida.

    No Brasil atual, com este sistema de que os alunos não podem mais reprovar de ano, que sempre é possível dar um jeitinho para burlar o sistema caso o teu desempenho seja medíocre, e ainda sem a possibilidade de aprender essas habilidades no único lugar que realmente pode ensina-las, vão intensificar cada vez mais os problemas do mercado de trabalho brasileiro.

  6. Poxa excelente artigo, uma verdadeira lição.
    Eu estudo engenharia e faço um curso de inglês, mas confesso que me senti mal, por não trabalhar, agora depois de ler este artigo.

  7. Tenho uma dúvida não relacionada ao artigo, visto o atual cenário econômico do Brasil, vale a pena comprar Euros, Dólares ou Ouro para proteger o poder de compra da inflação?

  8. Emerson Luis, um Psicologo

    Em contraste, uma sociedade socialista é uma sociedade hostil, dado que a essência do socialismo é a inveja, o comodismo, o colher o que outros plantaram, a negação da individualidade e da autonomia. Fazer parte disso torna as pessoas piores.

    * * *

  9. Comecei a trabalhar aos 15 anos como menor aprendiz ganhando 350 reais por mês. Pode parecer uma grande furada pelo valor mas hoje entendo como foi importante.

    Agora com 21 anos, na faculdade, vejo alunos com ótimas notas mas completamente despreparados para a realidade. Apenas decoram os conteudos e, infelizmente terão um triste surpresa quando não receberem “problemas prontos” e respostas fáceis.

    O texto comprova o que vivi e vivo. O trabalho realmente agrega muito para o crescimento (pessoal e profissional). Excelente artigo.

  10. Permita-me discordar.

    O texto da ênfase exagerada aos "blue collar jobs" dai, por inferência, se tira que o trabalho mais "honrado e bonito" é aquele fisicamente extenuante.
    Uma falácia perigosa, haja vista a induzir algo nefasto, a glamourização do sub-emprego.

    Ninguém mentalmente e fisicamente apto deseja exercer trabalho braçal, não é bonito nem glorificante chegar em casa exausto, com dores musculares e calosidades nas mãos.
    Vivemos a era da hiperespecialização, será cada vez mais comum para a elite, que se entre no mercado de trabalho com ~25-27 anos ou mais, a depender da área e da condição dos pais como provedores, pois educação de elite custa caro e demanda grandes aportes financeiros que só os pais(excluindo-se bolsas/programas estatais etc) podem prover.
    Trabalhos elitizados, de ponta, com alta remuneração não são e nem nunca serão para todos.
    Esse fenômeno nada guarda relação com a geração baby boomer criada via welfare state. São fenômenos completamente diferentes.

    Outro erro é comparar a realidade dos EUA com a do brasil, lá os jovens trabalham menos na época da faculdade pois os empregos "no skill" de 5-6U$/H, caixas de fast-food e etc foram tomados por imigrantes. Tais empregos, que guardam relação com o tópico frasal do texto, antes considerados ritos de iniciação para classe média americana se transformaram em fontes de renda para prover famílias, seguem links para melhor compreensão:
    http://www.theguardian.com/world/2013/dec/05/fast-food-workers-strike-minimum-wage
    http://www.usatoday.com/story/money/business/2013/12/05/fast-food-strike-wages/3877023

    No brasil, em termos de classe média/média-baixa o caso é bem pior, houve uma explosão de cursos superiores sem qualidade por 250-300R$/MÊS sendo claramente impossível que o mercado acolha e remunere bem esses jovens, há poucas vagas para os formados nesses cursos e os salários na iniciativa privada são incapazes de gerar renda suficiente que permita a esses jovens recém formados formarem família e saírem de casa(o famoso assumir a responsabilidade), os que podem estudam para concursos públicos e moram em casa, os demais, enganados pela pérfida propaganda do diploma=emprego tendem ficar em casa parasitando até serem obrigados por força maior a trabalhar, normalmente em sub-empregos e com baixos salários mas sem sair de casa.
    Empregos de ponta com alta remuneração no brasil(excluindo-se lobby e politicagens) são infinitesimais e não entram nas estatísticas.

    Para os realmente pobres, os empregos braçais tiveram súbita e infelizmente insustentável valoração secundária a escassez de mão de obra criada pelo binômio assistencialismo + melhora(insustentável) da renda da classe baixa, fazendo-a migrar para classe média baixa com poder financeiro capaz de sustentar os filhos nos cursos superiores sem qualidade acima citados, criando uma legião de pobres almas iludidas.

    O castelo do PT, erguido com seus alicerces de areia, expansão irracional de crédito, assistencialismo, dependência do preço das commodities, sucateamento da indústria, BNDES, ausência de reforma tributária e trabalhista, ufanismo patético populista, maquina pública leviatãnica, marxismo cultural doutrinário nos meios de comunicação demonizando o empreendedorismo e o lucro, fisiologismo e corrupção em todas as esferas da administração pública criaram um zumbi bem vestido e maquiado que aos poucos foi perdendo a carne e agora já podemos ver o esqueleto.

    Para resumir, o inverno chegou e as cigarras já estão parando de cantar.

  11. Excelente! Meus sinceros parabéns ao autor. Tenho um filho de 16 anos cursando o ultimo ano do ensino médio e preparando-se para o vestibular. Ate ler esse magnifico texto, tinha a duvida se deixaria ou não meu filho trabalhar. Ele mesmo me questionou querendo arrumar um emprego. A princípio fui contrário, mas depois desses esclarecimentos voltei no tempo e enxerguei-me no passado com a mesma idade dele e já trabalhando. E o autor me fez refletir. Sou muito elogiado hoje pelo meu trabalho, e isso, realmente devo em grande parte aos primeiros empregos simples, repetitivos, de baixa remuneração, porém que me moldaram para a vida profissional. Mais uma vez, parabéns pelo texto.

  12. Belo texto. Há um erro nesse trecho:
    “Ele queria mais dinheiro para fazer mais trabalho. Mas não é assim que funciona. A relação é inversa: você tem de trabalhar mais para ganhar mais dinheiro.”

  13. O negócio é se preparar bem pra um concurso bom logo de cara. Tipo um técnico da camara federal e depois passar pra analista ou consultor lá dentro.

  14. Pois é, a mitologia da “educação” está lá no topo da lista das idiotices populares, fazendo companhia a nomes ilustres como ambientalismo, regulação, rico-mau-pobre-bom, etc. Se eu tivesse um real pra cada vez que escuto “estude, filho, estude que faz bem”, com aquele tom de sabedoria profunda…

    Aqui no Brasil, pôr a mão na massa é “coisa de pobre” desde os primórdios. Gente decente é bacharel. Um aspecto cultural que provavelmente não ajuda muito a construir uma sociedade amigável e próspera.

  15. Faço curso de Direito, formo este ano, e digo para vocês, de uma sala de 40 alunos 33 querem concurso público, sou o único “DOIDO” que pretende trabalhar por conta, aplicando meu conhecimento no dia a dia, mais infelizmente a máfia da OAB ainda rouba um salário meu anual para isto. Tudo bem, não irá mudar, mais é importante promover estas discussões.

  16. Na realidade não é bem assim.
    Infelizmente o mundo que vivemos é burguês, regido por normas, tabelas de salários etc.

    Alguém que se formou na melhor faculdade, fez intercâmbio etc. Já entra na empresa ganhando um salário que muito pai de família sonha em ganhar, enquanto que quem rala não é sequer lembrado e reconhecido.

    Exército é outra merda, quem faz Rio Branco ou Ita já sai de lá como oficial e quem começou de baixo nunca será oficial.

    O governo é a mesma história, meu primo nunca trabalhou na vida, passou em um concurso e em seu primeiro emprego já tem 20 funcionários sob seu comando.

    O problema é que a maioria das pessoas que trabalham se acomodam, para de estudar, fazer planos e depois de um tempo não aprendem mais #$#@$ nenhuma. A grande verdade é que o ser humano quer que o mundo termine em barranco.

  17. Concordo com o artigo quanto um trabalho na iniciativa privada ser muito melhor para a pessoa e para sociedade, mas acho que faltou lembrar que a função primeira do trabalho é o nosso sustento. Tendo isto em vista, podemos entender por que, HOJE, estudar é tão importante. O mercado privado não te remunera com um salário alto pelo simples fato de você ter um diploma, ele exige tempo, tempo em que o trabalhador, em muitas vezes, irá receber um salário baixo (no Brasil os salários são baixos, isto podemos ver no artigo “O imposto sobre as grandes fortunas e os baixos salários no Brasil”), já no setor público ele só te exige o diploma para te remunerar com salários gordos. Agora é só analisar; se você tem a opção de iniciar no mercado de trabalho ganhando muito ou pouco, qual opção você vai preferir (caso você seja ainda solteiro vivendo na casa de seus pais ainda tem possibilidade esperar para ter um salário que te dê seu sustendo). No curto prazo acho que a escolha da maioria será pelo setor público, principalmente quando você tem uma família para sustentar.

  18. Cara, você é autista? Desde quando trabalho é algo “ético”, desde quando trabalho é algo “honroso”? Deixa eu te contar um segredo, se você gosta de trabalhar, você é exceção, as pessoas não são iguais a você, trabalhar sempre foi coisa pra necessitado ou pobre, não existe glória em trabalhar em um ambiente estupido cheio de gente que quer te comer vivo e no final o patrão começar a enrolar na hora do pagamento.

    Trabalhar não é prazeroso, é uma necessidade, e se alguns jovens mais afortunados não querem, aprenda a respeitar a decisão dos outros.

  19. Tendo em vista o trabalho ser para o sustendo, mas os salários serem baixos, será que os jogens que estudam muito em vez de estarem fungindo simplesmente do trabaho não estão tentando ecapar do trabalho que não lhes dá um sustento?

    Outra coisa interessante é que certamente os melhores profissionais são da iniciativa privada, mas a maioria dos melhores recem formados são do setor público (que com o tempo perderão a vantagem que tinham para seus concorrentes de mercado, pela própria natureza do setor público). Compare a qualidade de um recem formado contratado por uma empresa (caso esta não possa lhe oferecer um salário alto), com o recem formado aprovado num concurso do poder Judiciário.

    Mas certamente este recem formado servidor público, logo logo se tornará um improdutivo funcionário, tendo em vista que o setor público não tem os meios para desenvolver este trabalhor ao qual no setor privado seria muito melhor aproveitado.

  20. Para mim é muito óbvio o porquê dessa geração “nem-nem” não trabalhar e querer ficar só “estudando”: estão se “preparando” para serem funcionários… do governo.

    Os pais pensam: se ficar em casa vai ter mais tempo para “estudar”. Anos de estudo. Principalmente aqueles “estudos” para passar em concursos.

    E um governo cuja intenção seja esticar suas garras em toda a vida da população vai precisar de MUITA gente…

  21. Por que o Neymar ganha milhões, enquanto os cortadores de cana ganha menos de um salário mínimo por mês? É por que o primeiro é trabalhador e os últimos são vagabundos?

  22. Divirto-me muito lendo esses artigos de vocês.O ódio absoluto contra os servidores públicos revela um desconhecimento profundo da realidade, beirando a paranoia.O real é racional,sabiam? Se existem servidores públicos, é porque há uma razão muito importante pra isso: SERVIR O POVO DA MELHOR MANEIRA POSSÍVEL, SEM DISTINÇÃO DE RAÇA, SEXO, IDADE OU RENDA.Ao contrário da iniciativa privada(que somente oferece serviços de qualidade a pessoas ricas, brancas e bonitas), o serviço público é democrático.

  23. Meester Marcelo

    E as bolsas de valores? Fazer dinheiro em cima de dinheiro através de especulação, sobretudo dos grandes conglomerados. Também defendo a liberdade econômica, com o fim do BNDES e Banco Central, mas é preciso ter bom senso.

  24. Se trabalho duro significasse riqueza, os negros brasileiros seriam a raça mais rica do mundo, porque trabalharam pesado por mais de 300 anos sem receber nada (e ainda trabalham duro ainda hoje, recebendo migalhas)…

  25. Gostei muito do artigo, pois reflete a minha realidade! Sou advogado recém-formado e fui aprovado no meu primeiro Exame de Ordem, ainda no nono período do curso. Até o momento, porém, e já há seis meses, ainda não exerci a minha profissão. Vou fazer 25 anos em outubro. O texto reflete a minha vida, pois nunca precisei trabalhar! A única experiência que tive foi como estagiário no TJ e no MPF. Por que ainda não trabalhei? A resposta é uma velha conhecida por todos: estou estudando para concursos. Nem mesmo procurei emprego na iniciativa privada. Se me orgulho disso? Não mais. Estou com baixa autoestima, sentindo-me covarde e fraco. Não imaginei que seis meses só em casa estudando pudesse ser tão difícil. Nem minha namorada me olha com o mesmo tesão de antes. E eu a entendo. Minha família está na expectativa da aprovação, isso é o pior de tudo. Mas não aguento mais ficar em casa só estudando! Isso está acabando comigo, sinto-me um inútil. Trabalhar é uma necessidade moral, espiritual. Não há prazer melhor do que o de sentir-se útil!

  26. Achei muito oportuno o artigo na atual cojuntura q o pais passa, hoje vivemos numa inversão de valores causado por esse modelo de governo, o q tem que ficar claro para o povo e que se continuar esse modelo o Brasil vai quebrar e voltaremos a algum tempo não muito distante em que os salários do funcionalismo publico atrazava 2,3,4,5 meses em fim nao ha cargos pra todo mundo e preciso investir e incentivar o empreendoderismo

  27. Me arrependo ate hoje de ter começado a trabalhar somente aos 24 anos, pois meus pais diziam que eu “tinha que estudar”.
    Hoje tenho imensas dificuldades por causa disso. Mas meu filho, hoje com 17 anos, já está trabalhando como aprendiz. Não passarei essa minha dificuldade para a próxima geração

  28. Comecei aos 5 vendendo alface na rua, trabalhei em dezenas de negócios e sempre aprendendo,sorte de quem trabalha duro.

    O trabalho glorifica o homem.

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