Nota da edição:
Nos Estados Unidos, é muito popular entre políticos socialistas – como Alexandria Ocasio-Cortez, Bernie Sanders e agora o candidato à prefeito da cidade de Nova York, Zohran Mamdani – denominar-se “socialista democrático” como uma estratégia de propaganda, de modo a desvincular suas imagens do autoritarismo ditatorial típico de regimes socialistas. O artigo a seguir mostra os vários erros contidos nessa teoria.
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Nova York está em alvoroço após o vereador da região do Queens, Zohran Mamdani, que se define como um socialista democrático, ter derrubado o ex-governador Andrew Cuomo e conquistado a nomeação democrata para a prefeitura, com base em uma plataforma defendendo o socialismo democrático que busca transformar funções econômicas importantes, como a distribuição de alimentos, em serviços administrados pelo governo, subvertendo a ordem espontânea do mercado dentro da sociedade civil.
No centro da plataforma de Mamdani está sua promessa de lançar uma rede de mercearias públicas, de propriedade da cidade e gerida pelo governo, como uma “opção pública de alimentos” voltada a reduzir os preços e eliminar os chamados “desertos” alimentares.
O socialismo democrático ganhou destaque após o colapso das economias de comando e controle do século XX. Com o descrédito do planejamento centralizado e o autoritarismo evidente dos regimes maoístas e stalinistas, os defensores do socialismo democrático procuraram dissociar sua visão dos antigos mecanismos socialistas de controle estatal. Sua estratégia retórica baseou-se em prefixar o termo “democrático” à palavra socialismo, como se o processo de tomada de decisão fosse capaz de redimir a essência coercitiva do sistema. Ao se distanciar dos legados totalitários do socialismo de estado, essa vertente reconfigura o socialismo não mais como um modelo de organização social, mas como uma ética participativa. Ela adota a linguagem da liberdade, da participação e da justiça, surgindo menos como um programa institucional concreto e mais como um imperativo moral: democratizar a economia, restaurar a igualdade e eliminar a alienação causada por hierarquias movidas pelo lucro.
Mas essa recalibração verbal não resolve, e sim oculta, a continuidade estrutural mais profunda com os modelos socialistas antigos. Essa manobra criou a ilusão de que o coletivismo coercitivo, quando filtrado pelo consentimento da maioria, deixava de ser coercitivo. O adjetivo “democrático” parecia suavizar o substantivo “socialismo” e, ao fazê-lo, não apenas encobria as dinâmicas coercitivas estruturais que permaneciam inalteradas, mas também, em um erro conceitual, realocava de forma equivocada o poder, ao compreender mal a verdadeira fonte da ordem que pretendia reformar. O resultado disso não é apenas um conjunto de reformas econômicas, mas uma inversão completa da lógica de organização da própria sociedade civil: a substituição dos marcos institucionais normativos pela politização procedimental da vida cotidiana, a troca da coordenação espontânea pelo controle eleitoral e o esvaziamento sistemático daquelas estruturas históricas, propriedade privada, common law (direito costumeiro), vida associativa e freios constitucionais, que tornam a sociedade civil possível desde o princípio.
Essa inversão, contudo, não é apenas retórica, mas arquitetônica em sua estrutura: o socialismo democrático não se limita a intervir na sociedade civil para alcançar determinados fins por meio de métodos democráticos, ele reprograma a própria lógica fundamental de funcionamento da sociedade. A sociedade civil, tanto nas perspectivas antigas quanto nas do Iluminismo inglês e escocês, não é um domínio da ação estatal, mas sim uma ordem espontânea de coordenação, contestação e continuidade, caracterizada como uma ecologia dispersa, na qual as normas e a ordem emergem da interação descentralizada, e não de decretos centralizados.
Dos fundamentos associativos ao duplo motor do socialismo democrático: “consentimento” populista e controle burocrático
Durante grande parte da tradição política ocidental, a sociedade civil foi compreendida, ainda que nem sempre nomeada dessa forma, como a arquitetura interna da própria vida política. Era o terreno de onde surgiam a coordenação, o juízo e a legitimidade; uma ecologia densa composta por funções, leis, associações e deliberação pública, que constituía o corpo político em si. Aristóteles não via separação categórica entre o cívico e o político: a polis era uma comunidade orgânica, unida por laços de finalidade comum. E, segundo ele, a soma dessas comunidades não forma um estado, pois este é uma associação de famílias e grupos voltada ao bem-estar, orientada para uma vida perfeita e autossuficiente, dentro de uma rede de ordem cívica.
Mesmo quando os contratualistas da modernidade romperam com o naturalismo aristotélico, eles preservaram a identificação entre sociedade civil e o corpo político (commonwealth). Hobbes, apesar de todo o seu absolutismo, situava a unidade cívica no momento em que a multidão conferia sua autoridade a um soberano: “Feito isso, a multidão assim unida em uma só pessoa é chamada de commonwealth; em latim, Civitas, como a personificação de sua vontade combinada”. Portanto, mesmo Hobbes, para quem a soberania era absoluta, via a sociedade civil como o ato de constituição de uma comunidade política, e não como um conjunto de funções delegadas de cima para baixo a partir de um aparato administrativo.
De modo semelhante, Locke, embora rejeitasse as bases filosóficas de Hobbes, ainda concebia a sociedade civil como um todo orgânico, unido pelo direito comum e por uma estrutura judiciária compartilhada, dentro da qual as disputas eram resolvidas e a justiça aplicada. Ele escreveu: “Aqueles que estão unidos em um mesmo corpo, e que possuem uma lei e um sistema de justiça estabelecidos em comum, com autoridade para decidir controvérsias entre si e punir os transgressores, encontram-se em sociedade civil uns com os outros”.
O Iluminismo escocês aprofundou ainda mais essa visão. Adam Ferguson tratou a sociedade civil não como um acréscimo voluntário ao estado, mas como o tecido historicamente diferenciado da vida política, entendendo-a não como um domínio externo ao estado, mas como o próprio tecido diferenciado do corpo político, formado historicamente à medida que costumes, mercados, associações e funções evoluem em conjunto dentro de uma única ordem cívica. A lei e o sistema judiciário articulavam normas que as precediam, da mesma forma que essas normas dependiam da adjudicação e do reconhecimento jurídico para manter sua credibilidade e eficácia. A sociedade civil não era um campo de experimentação para a benevolência do governo, mas sim o tecido que disciplinava o interesse próprio, orientava o comércio e protegia a coordenação da corrupção. Ferguson escreveu que, na ausência desses princípios orgânicos de ordenação da vida civil:
“(…) os homens mergulhariam, se não fossem contidos pelas leis da sociedade civil, em um cenário de violência ou de vileza, que mostraria nossa espécie, alternadamente, sob um aspecto mais terrível e odioso, ou mais vil e desprezível, do que qualquer animal que habita a terra”.
Hegel marca a primeira grande ruptura filosófica, ou “outrificação”, entre o cívico e o político. Enquanto Ferguson via a sociedade civil como o tecido em evolução da vida política, um campo no qual normas, julgamentos e coordenação surgem da ação humana sem um plano deliberado, Hegel a reformula como uma etapa contraditória situada entre a unidade da família e o estado ético, um reino subordinado das necessidades e das particularidades. A legitimidade, que antes era endógena à vida associativa, torna-se exógena, conferida pela arquitetura racional do estado. As contradições internas da sociedade civil, segundo Hegel, só podem ser resolvidas pelo “estado racional universal”:
“Aqui, a família se desfaz, e os membros tornam-se independentes uns dos outros, permanecendo unidos apenas pelo vínculo da necessidade mútua. Esta é a fase da sociedade civil, que frequentemente tem sido tomada como o próprio estado. Mas o estado não surge até alcançarmos a terceira etapa, a etapa da vida ética, ou do espírito, em que tanto a independência individual quanto a substância universal se encontram em uma união gigantesca”.
A subordinação da sociedade civil em Hegel é herdada por Marx e pela tradição socialista. Marx preserva a ideia de sua incompletude ética, mas reorienta seu propósito para a abolição da sociedade civil burguesa, substituindo-a pela unidade proletária sob a ditadura do proletariado. Essa linhagem se mantém ao longo da Segunda Internacional, do centralismo leninista e, posteriormente, do estatismo social-democrata, todos os quais tratam a vida associativa como estruturalmente insuficiente e normativamente subordinada, algo que deve ser reorganizado pelo estado, seja por meio da tomada revolucionária do poder, do planejamento desenvolvimentista ou da incorporação administrativa via políticas de bem-estar social.
O socialismo democrático faz de sua novidade operacional um motor duplo. De um lado, na entrada, encontra-se o “consentimento populista”, enraizado em uma retórica moralizada de participação e igualdade, que transforma qualquer queixa, real ou imaginada, e qualquer promessa de provisão em um estoque elástico de autorização política mediada pelo estado. Enquanto isso, sua máquina operacional funciona por meio da padronização do controle burocrático: programas verticalmente integrados que reúnem em uma única estrutura administrativa a definição de regras, o financiamento e a execução. Esses dois subsistemas se retroalimentam. Cada nova rodada de provisão visível, seja na forma de escolas, clínicas médicas, mercearias, transporte ou relações interpessoais antes orgânicas, amplia o palco no qual o consentimento é organizado, fornecendo a “prova” de que o cuidado centralizado “funciona”. Cada expansão obtida pela politização do consentimento autoriza um novo alcance institucional. Esse ciclo recompensa promessas megalomaníacas de resultados e pune a manutenção silenciosa ou a organização independente e orgânica dentro da sociedade, elevando a autoridade em detrimento da adaptabilidade.
Por baixo da substituição da sociedade civil orgânica, desenvolve-se uma espiral jurídica da qual o socialismo democrático luta para escapar: ele passa da legibilidade à discricionariedade e, depois, à opacidade. Conduzir uma sociedade heterogênea com base em fins ideológicos requer um plano simplificado, mas essa simplificação entra em colapso diante da diversidade real. Para lidar com isso, o estado se expande e espalha a arbitrariedade entre assistentes sociais, inspetores, presidentes de conselhos, responsáveis por compras e as incontáveis mãos da administração pública. Exercida atrás de um vidro procedimental, essa discricionariedade gera opacidade, aplicações seletivas da lei, critérios em constante mudança e o poder silencioso das exceções. Tudo isso se soma à influência crescente da política sobre a vida cotidiana e as relações humanas.
O regime é “democrático” em sua autorização, mas indeterminado em sua operação concreta. Os cidadãos se deparam com regras claras em sua formulação, porém imprevisíveis em sua aplicação, de modo que a experiência vivida é a de uma arbitrariedade revestida de justificativa pública. Constitucionalmente, a propriedade é redefinida, deixando de ser um direito de experimentação, passando a ser uma permissão condicional e revogável, atrelada a mandatos de uso e obrigações de serviço. O direito administrativo substitui o common law: a formação de precedentes e a compreensão jurídica se deterioram; a adjudicação migra para tribunais criados para produzir decisões uniformes, e não para adequação e fundamentação racional; a autoridade legal se desloca da congruência com expectativas sociais para a imposição de jurisdições ideológicas. As associações não são abolidas, mas colonizadas, dependentes de subsídios, sincronizadas com a política eleitoral e convertidas em “parcerias” que funcionam como administração delegada. Os freios e contrapesos formais permanecem, ainda que, na prática, a separação entre criar regras, julgá-las e executar serviços entre em colapso. Assim, a ordem política torna-se mais majoritária em suas cerimônias e menos livre em sua estrutura.
O socialismo democrático, ao fundir a autorização populista com o comando burocrático, inverte a lógica da sociedade civil: a coordenação espontânea cede lugar ao controle eleitoral, e a propriedade e os precedentes legais são substituídos pela discricionariedade administrativa. A busca por legibilidade gera discricionariedade, opacidade, associações colonizadas e uma provisão cada vez mais politizada. A ordem política torna-se mais majoritária em suas cerimônias, ao passo que sua estrutura se torna menos liberal. As relações humanas passam a ser cada vez mais politizadas. O espaço para a liberdade autônoma e dissidente regride gradualmente.
Este artigo foi originalmente publicado no Mises Institute.
Recomendações de leitura:
A cidade de Nova York se tornará o novo paraíso socialista?
Socialismo democrático é totalitarismo
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https://t.me/thomaskorontai/13570
Nas ruas de Xiamen, homens e mulheres dormem nas calçadas, sem acesso a dinheiro, trabalho ou direitos básicos. São vítimas de um sistema que promete “confiabilidade social”, mas que na prática pune a desobediência com a fome e o exílio digital.
Ao ser colocado na lista negra, o cidadão é bloqueado nas carteiras digitais WeChat Pay e Alipay, que concentram praticamente todas as transações financeiras do país.
Sem elas, ele não pode receber salário, pagar aluguel, comprar comida nem marcar uma consulta médica – é a morte civil digital.
Na China, cada cidadão é reduzido a um número através de sua pontuação de crédito social.
Em cidades como Xiamen, apenas quem tem mais de 584 pontos pode visitar um hospital público.
Você pode ganhar 4 pontos por se vacinar, 20 por denunciar um vizinho como suspeito, mas perder 50 pontos por uma postagem considerada “desinformação”.
Quem deixa de pagar uma dívida judicial é incluído na Lista de Pessoas Desonestas Sujeitas à Execução, mantida pelo Supremo Tribunal Popular da China.
A partir daí, bancos e empresas privadas são notificadas para restringir suas contas, travar seu acesso ao transporte e cortar seus meios de sobrevivência.
O WeChat, que é ao mesmo tempo carteira digital, rede social e aplicativo de comunicação, denuncia automaticamente críticas ao governo. Depois disso, o usuário tem três dias para sacar o dinheiro restante antes de ser totalmente bloqueado.
O resultado é devastador: jovens instruídos, ex-profissionais e empresários dormem em praças e túneis, expulsos da vida digital e, por extensão, da vida real.
Essa engenharia de controle, disfarçada de modernidade e segurança digital, já inspira modelos jurídicos e institucionais no Ocidente, inclusive no Brasil, onde o Supremo Tribunal Federal avança rumo a um sistema de vigilância e punição comportamental.
Essa nova ordem não precisa de muros nem de prisões – apenas de algoritmos.
A prisão agora é a céu aberto.
(Isso não é propaganda. É o que os iluministros do STF e pessoas da esquerda que elogiam tanto a China, querem no Brasil enquanto vivem suas vidas nababescas nos EUA, Portugal e afins. Mas, sancionados por Magnitsky até o talo, dificil. Depois não querem ser chamados de violadores de direitos humanos. Isso é o comunismo-socialismo.)
Fontes por favor?
Fontes do Earl:
Canalecos de YouTube, tablóides sensacionalistas e mentirosos, mídia paga pelo Ocidente para criar narrativas falsas, IPETC (Instituto de Pesquisas e Estatísticas Tirei do Cu), etc..
Pros admiradores e entusiastas do regime do dragão chinês depois do Barroso sair do STF :
https://t.me/rafaelfontananews/11911
O próximo togado a pisar neste espaço – o substituto de Barroso – adentrará um cenário contaminado, desgastado e sancionado.
Longe de desfrutar do respeito e admiração de décadas atrás, o novo ministro assume um tribunal visto no resto do mundo como um ajuntamento de ditadores de toga, violadores de direitos humanos.
O novato, portanto, assumirá com um alvo nas costas, observado de perto por Washington, será considerado um aliado de narco-ditaduras e cartéis que estão combatidos com missies e drones.
Para popupar tempo, vamos resumir: o novo indicado por Lula pisará este carpete imundo trazendo a pecha de cupincha, de pilantra e ditador.
Pense duas vezes ao aceitar, camarada, pense bem.
Mais e mais fakes news do gado da extrema direita.
As redes sociais precisam ser reguladas para acabar com essas mentiras,pois internet não é terra sem lei.
Regular para somente as mentiras da esquerda prevalecerem, ne. Vc nao engana ninguém por aqui.
Isso mesmo, Klaus!
Choca em demasia o ovo do ofídio, certamente a teus olhos o filhote será “bonitinho”. O problema é que, quando crescer, não devorará apenas a quem abominas, quando a escassez de comida vier, poderás bem ser o próximo; é difícil passar um dia ou dois sem convencer-me que o afegão médio merece grande parte do que ocorre e até mais a vir! Não há pedagogia melhor que o sofrimento aobre a própria pele, quase sem trégua. Só nos resta manter a esperança para o ano vindouro e que tenham enfim, aprendido a não votar com o estômago ou os órgãos genitais, como fizeram (e podem fazer) em 2022.
https://t.me/MafinhaBarba/4554
Você fez o Barroso chorar desistindo do STF. BolsonaroSP tá feliz com isso? Coitadinho do Barroso e agora ele vai ficar sem cargo e sem visto.
A direita não tinha uma vitória tão absurda quanto essa desde a eleição do Bolsonaro. Afinal, todo mundo sabe que o impeachment da Dilma só saiu porque o Temer e o centrão quiseram, não foi por causa dos protestos, muito menos do Kim Kataguiri. Só trouxa acredita nisso.
Agora, a desistência precoce do Barroso é 100% responsabilidade do Eduardo Bolsonaro. E, querendo ou não, é uma vitória assombrosa que, se analisada sem fleuma e sem a ânsia de descobrir “quem será o novo nome”, já mostra que o futuro é muito sombrio para quem ajudou a máquina de perseguição da direita.
Nunca na história da política pós-redemocratização uma força política havia conseguido forçar a saída de um ministro do STF. Isso é uma ferida aberta na Corte. Quem não percebe isso está iludido. O poder do bolsonarismo, mesmo depois de tantos ataques, é inigualável.
O PT, que por anos confrontou o STF, não chegou nem perto disso e foi completamente sobrepujado. Quando eu digo que o bolsonarismo é a força política que vai ditar o Brasil nos próximos 50 anos, é disso que estou falando. É simplesmente inacreditável. E, com certeza, é só o começo.
Sim meus amigos pessimistas e derrotistas broxas. É claro que vai ser escolhido um ministro ruim como Messias e Pacheco. Todo mundo sabe disso, mas isso não importa mais. Uma porta foi aberta e nunca mais vai ser fechada. Isso que vocês tem que entender. Quando sangra é porque é humano. E a corte tá com uma ferida aberta que não vai fechar.