Um
dos erros mais frequentemente encontrados na maioria das análises ideologizadas
da ciência econômica é aquele que pressupõe uma visão estática da riqueza.
Quem pensa que a riqueza é estática cai no
erro de considerar que, quando uma pessoa se torna rica, ela e seus herdeiros
serão ricos — e cada vez mais ricos — para sempre.
Não
é necessário ir muito longe para encontrar um exemplo recente deste erro. O economista Thomas Piketty, bastante
em voga nestes tempos de demonização dos ricos, demonstra em seu deliciosamente
equivocado livro Capital
no Século XXI — o qual, obviamente, foi muito elogiado
por Paul Krugman — que é muito provável que exista uma tendência dentro do
capitalismo de que a rentabilidade do capital se situe acima da taxa de
crescimento da economia, o que significa que a classe capitalista irá se
apropriar de uma fatia cada vez maior da renda nacional, agravando as desigualdades
sociais.
Pior
ainda: Piketty também considera provável que os mais ricos dentro da classe
capitalista tenham maiores facilidades para obter uma taxa de retorno superior
àquela conseguida pelos capitalistas de menor dimensão, o que agravaria esse “curso
natural” do capitalismo de fazer com que os super-ricos (e seus herdeiros) se
apropriem de fatias crescentes da riqueza total.
Para
demonstrar sua teoria, Piketty recorre ao ranking de bilionários elaborado anualmente pela revista Forbes e chega à
seguinte conclusão: se agregarmos toda a riqueza possuída pela centésima
milionésima parte da população mundial adulta em 1987 (ou seja, as 30 pessoas
mais ricas do mundo em 1987) e compararmos esta riqueza à riqueza da centésima
milionésima parte da população mundial adulta de 2010 (ou seja, as 45 pessoas
mais ricas do mundo), chegaremos à conclusão de que esta riqueza cresceu a uma
taxa média real anual de 6,8% (já descontada a inflação).
Isso é o triplo do crescimento médio anual do
conjunto da riqueza mundial (2,1%).
Os
super-ricos, portanto, estão cada vez mais ricos, segundo Piketty. E estão mais ricos não por causa de sua
exitosa gestão empresarial, mas simplesmente porque acumularam uma enorme
quantidade de riqueza que é capaz de se auto-reproduzir como se estivesse no
piloto automático.
Como
diz o próprio Piketty em seu livro: “Uma das lições mais impactantes do ranking
da Forbes é que, a partir de um determinado valor de riqueza, todas as grandes
fortunas têm suas origens ou na herança ou no valor gerado por uma empresa já
estabelecida no mercado, e crescem a taxas extremamente elevadas —
independentemente de se seu proprietário trabalha ou não trabalha.”
No
entanto, Piketty dá um salto lógico inadmissível: o fato de a riqueza da camada
mais rica da sociedade ter crescido a uma taxa média anual de 6,8% entre 1987 e
2010 não
significa que as pessoas ricas de 1987
sejam as mesmas de 2010 (ano em que ele escrevia seu livro).
E muito menos que sejam as mesmas de hoje.
E
isso faz toda a diferença em sua teoria.
Por
exemplo, se o indivíduo A foi a pessoa mais rica do mundo em 1987, tendo uma
riqueza estimada em 20 bilhões de dólares, nada impede que, em 2010, este mesmo
indivíduo já tenha se arruinado por completo, e que outro indivíduo, o
indivíduo B, tenha se tornado a pessoa mais rica do mundo, com uma riqueza
estimada em 40 bilhões de dólares.
Tendo
isso em mente, será que podemos concluir que a conservação e o acréscimo de
riqueza é um processo simples e automático, o qual não requer nenhuma destreza
pessoal da parte de seu proprietário? É
óbvio que não.
Por
sorte, não há necessidade nenhuma de ficarmos apenas especulando hipóteses
teóricas sobre o crescimento da riqueza dos super-ricos entre 1987 e hoje. Podemos
simplesmente analisar o que de fato ocorreu com os ricaços de 1987.
Será verdade que a riqueza deles cresceu
desde então a uma taxa de 6,8% ao ano, como afirma Piketty? Ou será que ela estancou ou até mesmo
retrocedeu, fazendo com que eles tenham sido desbancados por outros criadores
de riqueza?
Os dez homens mais ricos do mundo em 1987
Foi
em 1987 que a revista Forbes começou a elaborar seu ranking de bilionários.
Se você
olhar hoje aquela lista de 1987, provavelmente irá se surpreender: você não
conhecerá praticamente ninguém. E não, a
razão disso não é que a maioria daqueles bilionários morreu; a razão é que
praticamente todos eles viram seu patrimônio definhar de maneira considerável.
Comecemos
pelo homem mais rico do mundo em 1987: o japonês Yoshiaki Tsutsumi, que tinha
uma fortuna estimada em 20 bilhões de dólares. A última vez em que ele apareceu no ranking da Forbes foi no ano de
2006, e sua riqueza já havia encolhido para 1,2 bilhão de dólares. Descontando-se a inflação do período, isso
equivalia a 678 milhões em dólares de 1987.
Ou
seja, tomando por base o poder de compra de 1987, sua fortuna caiu de 20 bilhões
para 678 milhões entre 1987 e 2006, o que significa que sua riqueza encolheu
96% neste período. E, desde 2006, sua riqueza
continuou em irreversível declínio, de modo que ele hoje nem sequer figura no
ranking da Forbes.
No
entanto, segundo Piketty, a riqueza de Yoshiaki Tsutsumi deveria ter se
multiplicado por seis.
O
segundo homem mais rico do mundo em 1987 também era japonês: Taikichiro Mori. Na época, ele tinha uma fortuna estimada em
15 bilhões de dólares, o que o tornaria, em 1991, o homem mais rico do mundo,
superando Tsutsumi. Taikichiro Mori
faleceu em 1993 e legou sua fortuna a seus filhos: Minoru Mori e Akira
Mori. O patrimônio conjunto de ambos é
atualmente de 6,3 bilhões, o que equivalia a 3,075 bilhões de dólares em
1987. Ou seja, a riqueza encolheu 80%.
Não
consegui encontrar dados referentes às atuais fortunas dos homens (ou de seus
herdeiros) que ocupavam a terceira e a quarta posição da lista de 1987, os
também nipônicos Shigeru Kobayashi e Haruhiko Yoshimoto, com fortunas
estimadas em 7,5 bilhões e 7 bilhões de dólares respectivamente. No entanto, o fato de que ambos estavam
acentuadamente investidos no setor imobiliário japonês em 1987, e dado que este
setor vivenciou uma acentuada desvalorização no período — tudo combinado ao fato
de que não há quase nada na internet sobre eles (ou sobre suas famílias) –,
parece sugerir que ambos não tiveram melhor sorte do que seus conterrâneos
Tsutsumi e Mori.
O
quinto lugar da lista de 1987 era ocupado por Salim Ahmed Bin Mahfouz, cambista
profissional e criador do maior banco da Arábia Saudita (o National
Commercial Bank da Arábia Saudita). Naquele ano, o saudita gozava de uma fortuna estimada em 6,2 bilhões de
dólares. Em 2009, faleceu seu herdeiro,
Khalid bin Mahfouz, com uma riqueza estimada em 3,2 bilhões de dólares, que
equivaliam a 1,7 bilhão em dólares de 1987. Ou seja, um empobrecimento de
72,5%.
O
sexto lugar da lista era ocupado pelos irmãos Hans e Gad Rausing, donos da
multinacional sueca Tetra Pak. Ambos
detinham um patrimônio estimado em 6 bilhões de dólares. Atualmente (2019), Hans Rausing, já com 92 anos de
idade, possui um patrimônio estimado em 12 bilhões de dólares, e ocupa a discretíssima 112ª
posição entre os mais ricos do mundo. Gad morreu no ano 2000, mas estima-se que seus herdeiros possuem uma
fortuna de 13 bilhões de dólares. No
total, portanto, a fortuna de ambos passou de 6 bilhões de dólares para 25
bilhões. No entanto, descontando-se a
inflação do período, o enriquecimento de ambos foi muito menor: de 6 bilhões
para 12,90 bilhões, o que equivale a uma taxa média de rentabilidade anual de
2,5%. Muito abaixo dos 6,8% sugeridos por Piketty.
O
sétimo lugar era ocupado por um trio de irmãos: os irmãos Reichmann, proprietários
da Olympia and York,
uma das maiores imobiliárias do mundo. Sua riqueza também era estimada em 6 bilhões de dólares. No entanto, cinco anos depois, a empresa
protagonizou uma das mais estrondosas bancarrotas da história, a qual reduziu
seu patrimônio a apenas 100 milhões de dólares. Um dos irmãos, Paul, conseguiu se recuperar das cinzas e hoje a riqueza
de seus herdeiros está estimada em 2 bilhões de dólares, equivalentes a 925
milhões em dólares de 1987. Ou seja, uma perda de 84%.
A
oitava posição estava ocupada por outro japonês, Yohachiro Iwasaki, com uma
fortuna estimada em 5,6 bilhões de dólares. Seu herdeiro, Fukuzo Iwasaki, morreu em 2012 com um patrimônio de 5,7
bilhões, equivalentes a 2,8 bilhões em dólares de 1987: ou seja, uma perda
patrimonial de 50%.
Melhor
sorte teve o nono homem mais rico do mundo em 1987: o canadense Kenneth Roy
Thomson, proprietário da Thomson Corporation (hoje parte do grupo Thomson
Reuters). Naquele ano, Kenneth
desfrutava um patrimônio de 5,4 bilhões de dólares; quando morreu, em 2006,
havia conseguido incrementá-lo para 17,9 bilhões, equivalentes a 9,3 bilhões em
dólares de 1987. Neste caso, sua média de
retorno anual foi de 2,9%. De novo, muito
abaixo dos 6,8% certificados por Piketty.
Finalmente,
em décimo lugar estava Keizo Saji, com um patrimônio de 4 bilhões de
dólares. Saji morreu em 1999 com uma
fortuna de 6,7 bilhões de dólares, a qual, descontando-se a inflação do
período, equivalia a 4,6 bilhões em dólares de 1987. Ou seja, uma taxa média de retorno anual de
1,1%.
A extremamente complicada conservação do
capital
Ludwig
von Mises já alertava para a inevitabilidade deste fenômeno ainda na década de
1940:
Em uma economia de mercado, naquela em que
há liberdade de empreendimento, e ausência de privilégios e protecionismos
estatais, a riqueza de um indivíduo representa a recompensa concedida pela
sociedade pelos serviços prestados aos consumidores no passado.E esta
riqueza só pode ser preservada se ela continuar a ser utilizada — isto é,
investida — no interesse dos consumidores.Atribuir a cada um o seu lugar próprio na
sociedade é tarefa dos consumidores, os quais, ao comprarem ou absterem-se de
comprar, estão determinando a posição social de cada indivíduo. Os
consumidores determinam, em última instância, não apenas os preços dos bens de
consumo, mas também os preços de todos os fatores de produção. Determinam
a renda de cada membro da economia de mercado.Se um empreendedor não obedecer estritamente
às ordens do público tal como lhe são transmitidas pela estrutura de preços do
mercado, ele sofrerá prejuízos e irá à falência. Outros homens que melhor
souberam satisfazer os desejos dos consumidores o substituirão.Os consumidores prestigiam as lojas nas
quais podem comprar o que querem pelo menor preço. Ao comprarem e ao se
absterem de comprar, os consumidores decidem sobre quem permanece no mercado e
quem deve sair; quem deve dirigir as fábricas, as fornecedoras e as distribuidoras. Enriquecem um homem pobre e empobrecem um homem rico. Determinam
precisamente a quantidade e a qualidade do que deve ser produzido. São
patrões impiedosos, cheios de caprichos e fantasias, instáveis e imprevisíveis.
Para eles, a única coisa que conta é sua própria satisfação. Não se
sensibilizam nem um pouco com méritos passados ou com interesses estabelecidos.
Contrariamente
ao que muitos imaginam, e ao que Thomas Piketty pretende demonstrar, não é nada
simples conservar seu patrimônio em uma economia de mercado: este sempre estará
ao sabor (1) das volúveis e inconstantes preferências dos consumidores, (2) do
surgimento de novos concorrentes que podem acabar roubando sua fatia de
mercado, (3) de um possível reajuste (e posterior colapso) do preço dos seus
ativos e, é claro, (4) das políticas econômicas de sucessivos governos.
É teórica e empiricamente falso dizer que há um valor
acima do qual a acumulação de capital passa a ocorrer de modo quase automático.
Com efeito, a realidade chega a ser oposta: quanto maior for o patrimônio pessoal de um indivíduo, mais complicado será fazê-lo crescer. As oportunidades para reinvestir todo o seu
capital a altas taxas de retorno são muito escassas, a menos que se queira arriscar
e se aventurar em outros mercados, nos quais não se tem nenhuma vantagem
comparativa.
As
mesmas razões que fazem com que um estado grande seja um péssimo gestor de
capitais servem para explicar por que os bilionários vão ficando sem ideias e
aptidões para gerenciar sua fortuna — até o ponto em que não mais são capazes
de se reinventarem continuamente, acabando por ver seu patrimônio reduzido, nem
que seja apenas pela inflação.
Não é à
toa que a sabedoria popular a este respeito vale mais do que as elucubrações de
muitos economistas míopes: from clogs to clogs in three generations[1],
o que significa que a riqueza acumulada por uma geração já estará totalmente
dissipada na terceira geração.
Atualmente,
com efeito, nem sequer são necessárias três gerações. Bastam três décadas para se perder quase
tudo.
Para concluir
Hoje, os sobrenomes Tsutsumi, Mori, Reichmann, Iwasaki e Saji são praticamente
irrelevantes. Da mesma maneira, em 1987,
muitos dos homens mais ricos da atualidade — Bill Gates, Jeff Bezos, Larry Page, Amancio Ortega, Larry Ellison, Sergey Brin, Mark
Zuckerberg — estavam trabalhando em uma garagem, ou estavam fazendo faculdade,
ou estavam brincando no jardim de infância. Nenhum herdou sua atual fortuna. Veremos quantos deles seguirão na lista dentro de três décadas.
[1] Clogs é um tipo de sapato barato, feito inteiramente de
madeira e comumente utilizado por operários que realizam trabalho pesado.
Verificamos o mesmo fenômeno de olharmos a lista das 500 maiores empresas de 2004 (não trinta, mas apenas dez anos antes). Muitas caíram de posição ou saíram da lista, foram absorvidas por outras ou faliram. Poucas empresas ficam muito tempo na lista, principalmente na mesma posição.
Também vale lembrar o quanto a situação dos pobres nos países capitalistas (alta ou média-alta liberdade econômica) melhorou desde 1987. Até no Brasil estão melhores!
* * *
Meu patrimônio em 1987: 0,000000001 bilhões de dólares.
Meu patrimônio em 2014 (já descontada a inflação no período): 0,00000001 bilhões de dólares.
Crescimento de 1000%. Bem melhor que esses empreendedores aí. 😛
Tem a questão também de se adaptar as inovações do mercado. como Ludwig von mises citou em seu livro, a mentalidade anticapitalista.
“O herdeiro de um milionário goza de certa vantagem pois começa em condições mais favoráveis que outros. Mas sua tarefa na disputa pelo mercado não é fácil e pode ás vezes, tornar-se mais cansativa e menos recompensadora do que a de um recém-chegado.
Ele tem de reorganizar sua herança de modo a ajustá-la ás mudanças de condições de mercado. Assim, por exemplo, os problemas que o herdeiro de um “império” ferroviário teve de enfrentar, nas ultimas décadas, foram certamente mais complicados do que os encontrados por alguém que, vindo do nada, tenha entrado no transporte rodoviário ou aéreo.”
Isto prova que o mercado se ajusta, não precisamos de governo interferindo.
Quem tem competência se estabelece, se o governo não atrapalhar.
“Dizem que não se deve dar o peixe ao povo, que deve ensiná-lo a pescar. Mas, se lhe tiramos o barco, os anzóis, a vara de pescar, temos que começar a lhe dar o peixe.” Pepe Mujica
Sugestões para refutar essa pérola?
“No entanto, Piketty dá um salto lógico inadmissível: o fato de a riqueza da camada mais rica da sociedade ter crescido a uma taxa média anual de 6,8% entre 1987 e 2010 não significa que as pessoas ricas de 1987 sejam as mesmas de 2010.”.
Tentou criticar o livre mercado e se deu mal. Normal.
Tudo na terra tem começo, meio e fim! ESSA LEI É UNIVERSAL e IMUTAVEL!
Esta rotatividade de pessoas ocupando o posto de mais ricos do mundo explica muito porque os grandes empresários, tão logo ocupam o posto de líderes do mercado, logo pedem regulamentações, tarifas protecionistas e qualquer outra coisa que limite a concorrência. Uma verba de campanha eleitoral é muito mais barata do que uma potencial perda de capital tal como as sofridas pelos campeões de 1987. E a proteção a empresas nacionais é facilmente justificável perante a população: Proteger empregos, desenvolver a indústria nacional, se proteger contra a dependência estrangeira e outras baboseira do tipo. Os efeitos negativos disso também são disfarçados facilmente com maquiagens contábeis ou simplesmente jogando a culpa para o livre mercado e/ou o imperialismo americano, seja lá o que isso signifique.
E o brasileiro ainda se acha muito esperto quando consegue trazer algum equipamento eletrônico do Paraguai ou de Miami sem pagar imposto. Trágico.
Muito bom. Thomas Sowell e John Stossel também já trouxeram muitos dados sobre fortunas que são totalmente contrários ao senso comum.
A idéia de que ricos sempre herdam suas fortunas, que o pobre não tem chances de enriquecer, que os pobres e os ricos são sempre os mesmos geração após geração, etc, não têm qualquer relação com a realidade, que é praticamente o contrário.
A esmagadora maioria dos milionários vieram da pobreza, bem como uma quantidade significante de ricaços perdeu tudo rapidamente.
Isso sem contar manipulações e má interpretações das estatísticas, que são frequentemente denunciadas por Thomas Sowell.
Faz-se estatística do 1% dos mais ricos americanos, mas pode acontecer do cara ter recebido um pagamento de um enorme investimento de longo prazo, e não ser uma renda constante e frequente, mas um evento raro.
Faz-se estatística de x% de pessoas que recebem salário mínimo, mas a grande maioria delas são adolescentes de classe média entrando no mercado de trabalho, e não o cenário pintado pela esquerda de que são milhões de famílias vivendo de salário mínimo. Adicionalmente, praticamente todos esses que recebem salário mínimo já estão recebendo mais no ano seguinte, e não são uma massa constante das mesmas pessoas que recebem salário mínimo ano após ano.
Enfim, o cidadão comum desconhece todos esses dados, mas está pronto para engolir as ladainhas do professor de geografia bestão de como é impossível enriquecer (segundo o bestão, enriquecer é uma isca que o capitalismo malvadão põe para iludir as pessoas enquanto elas enriquecem os já ricos e opressores no processo), de como é impossível os ricos deixarem de ser ricos, e todo esse blablabla.
É muito mais difícil ensinar teoria econômica para as pessoas tirarem suas conclusões educadas, então ao menos continuemos com esse esforço de apresentar números e fatos… quem sabe assim a galera comece a parar de escutar o professor de geografia e comece a duvidar dessa luta de ricos vs pobres.
Estranho isso. Aqui se critica muito o atual arranjo econômico/estatal do mundo justamente por favorecer os “grandes” através de privilégios advindos de associação direta e indireta a determinados “canais” estatais em benefício próprio, gerando consequências como oligopólio, reserva de mercado etc. Como, então, defender o puro mérito dos super-ricos, utilizando como argumento justamente algo que se defende aqui que atualmente não existe: o livre mercado?
Outra coisa, o autor critica suposto “salto lógico” do outro autor. E pergunta, já respondendo:
“Tendo isso em mente, será que podemos concluir que a conservação e o acréscimo de riqueza é um processo simples e automático, o qual não requer nenhuma destreza pessoal da parte de seu proprietário? É óbvio que não.”
OK, não. Mas essa negação e toda sua argumentação seguinte, apesar de provar sua tese, não refuta outra, implícita (o que de certo modo a reforça):
“A riqueza, independentemente do ‘dono’, tende a se concentrar”.
Traduzindo:
Parte 1: o artigo passa a impressão de que há um livre mercado real, genuíno e até mesmo cor-de-rosa, sendo que a opinião corrente aqui me parecia dizer o contrário. “(…) há sim no mundo vários ricos que enriqueceram (…)”. Veja seu tom nessa afirmação. Você trata os “sem ligação” como exceção. Nem acho que seja tão grave assim; minha observação inicial foi apenas na intenção de expressar minha estranheza com a aparente contradição de “tom” que o artigo introduziu ao pensamento do site.
Parte 2: na segunda parte tento mostrar (ou que alguém me mostre o contrário) que ao provar que os mais ricos não são os mesmos, como se isso fosse o mais importante, o autor não refutou um ponto importante colocado pelo outro autor: que a riqueza vem se concentrando.
Anônimo aqui em minha terra fortunas foram dissipadas como por exemplo,jogo de baralho,os herdeiros não tem a mesma competência do pai,problemas de saúde,negócios mal feitos,sociedades mal feitas,empréstimos bancários,hipotecas,enfim podemos elencar vários motivos para essa alternância na história de cada fortuna formada e dissipada,mas o resumo da história é o mesmo pois,em um livre-mercado ou não, só permanece quem é competente,agora é lógico que em um livre-mercado essa distribuição é mais justa do que é hoje.
Trecho de artigo de Elio Gaspari, que faz propaganda do livro de Piketty, “um monumento de pesquisa e elegância”: “Obsessivo, mergulhou até nas listas de bilionários das revistas de negócios, mesmo ressalvando que têm pouco valor científico. (Os brasileiros que compraram ações de Eike Batista sabem que é isso mesmo.) Se os números dos bilionários da “Forbes” merecem pouca fé, as carteiras de investimentos das universidades americanas merecem toda. Os patrimônios mobiliários daquelas que têm fundos com mais de um bilhão de dólares cresceram 8,8% ao ano entre 1980 e 2010. Já as pobrezinhas, com menos de 100 milhões, ficaram com 6,1% ao ano. Harvard, com US$ 30 bilhões, teve rendimentos de 10,1% anuais. (As reservas da Universidade de São Paulo encolheram.)”
Eu gostaria de saber se algum dos senhores conhece alguma bibliografia que critique a ideia de impostos progressivos porque eu acho o assunto muito interessante mas infelizmente eu me formei em um lugar que defende impostos progressivos e eu não conheço o suficiente a visão contrária que francamente é a que mais me agrada.
Para corroborar. O império X é o maior exemplo, na atualidade, do que foi colocado no artigo. Eike que o diga…
Harrod E Domar usaram capital investido, no caso do F acebook, seria os 20.000 do Brasileiro Eduardo Saberin.
Mas Pikety usa o vslor de mercado do FB, que não é valor investido, e sim o valor presente dos lucros futuros dos proximos 10 a 20 anos. Compara pêra com maçãs, ao pegar o PIB do ano passado como denominador.
Vejo você reclamando do tom dos argumentos, mas pra começar você nem intendeu o que o autor do texto quis dizer.
Esse texto serve apenas para mostrar que a riqueza não se acumula sozinha e fica multiplicando no automático, como Piketty disse. (dinheiro faz dinheiro).
O dinheiro faz dinheiro quando bem administrado.
O que esse texto mostra é que um vez bilionário, esse Super Rico terá que trabalhar ainda mais para administrar sua riqueza.
No livre mercado é natural alguém se tornar muito rico, afinal se é faz um bom trabalho ele será recompensado.
“Famílias mais ricas de Florença são as mesmas em 1427 e 2011“
Essa crítica não faz sentido. O que Piketty quis demonstrar é que a parcela mais rica da população concentra hoje uma fatia maior da riqueza mundial do que concentrava em 1987. Ora, isso não tem nada a ver com o fato de o fulano X ou Y estar no topo da lista… O fato é que essa parcela minúscula da população aumentou três vezes a sua riqueza em relação à riqueza mundial. Piketty não está preocupado com X ou Y, mas sim com a sociedade tomada em seu conjunto.
Prezados membros do instiuto, existe algum artigo ou paper em português lidando com a MMT (Teoria Monetária Moderna), que é a nova moda dos acadêmicos keynesianos, pela ótica da EA?
obrigado
A maneira mais garantida de se tornar um bilionário por tempo indefinido é se tornando um ditador e transformando uma economia capitalista em uma socialista.
Durante esta transição, você lucra horrores.
Foi o que fez Fidel Castro, que sempre foi um dos mais ricos do mundo desde a década de 1960. Detentor dos meios de produção, explorador dos trabalhadores cubanos e fiel praticante da real mais-valia, já que paga praticamente nada aos trabalhadores e com isso possui custo com mão de obra zero, ou seja, escravidão. Fidel
“Burguês” Castro. Era deste burguês que Marx falava
O que houve economicamente com o Japão?
De 6 bilionários entre os 10 mais ricos para 0 entre os 20…
O que vcs acham daquela Alexandria Ocasio Cortez? Ela vai ser candidata para a presidência dos EUA?
Concordo, se por um lago a riqueza não cresce automaticamente, o mesmo não pode ser dito da miséria e ignorância. Estas sim são herdadas e automaticamente se multiplicam no nosso planeta. Pergunto, não valeria uma intervenção do Estado na educação para nivelar as oportunidades? Até para nos aproximarmos da Utopia do livre mercado?
Aproveitando o tema do texto, acaso vocês já viram falar de uma tese marxista chamada lei da queda tendencial da taxa de lucro? é um daqueles malabarismos que aponta para o diagnóstico do fim apocalíptico do capitalismo.
Caro Juliano,
Gostei mutíssimo da resposta ao colega comentarista Renato Baena.
Só me pergunto -tenho dúvidas- se um certo tom sarcástico (assim me pareceu) era necessário. Afinal, devemos transmitir nossas idéias agregando mais pessoas ou as afastando?
Um grande abraço
A mente das pessoas está confusa. O Estado brasileiro se fundiu tanto com o mercado que as pessoas não conseguem diferenciar grandes empresários ricos de políticos de carreira, estes sim são os mesmos de sempre…………………………………….
Da mesma forma, a probabilidade de um empresário que se mantém muito tempo na lista dos grandes estar de conchavo com o governo é grande. Vide Odebrecht…………….
Alguém pode me ajudar com minhas dúvidas em relação a uma sociedade anarco capitalista?
1) Eu poderia comprar uma cidade, e mais uma e mais uma e cobrar impostos sobre os cidadãos das mesmas?
2) Quem construiria um hospital no sertão do Nordeste, aonde há miséria e não será lucrativo um hospital no local?
3) Poderia produzir uma bomba nuclear em casa e andar de tanque em ciclovia?
OBS: Não sou comunista nem nada, estou quase me tornando ancap, mas ainda tenho dúvidas sobre. Obrigado a quem me responder.
Mises esquece da maior força do capitalismo, a bolsa de valores.
O que faz um bilionário não é o quanto a empresa produz, vende ou lucra. Mas a capacidade de atrair investidores.
Só ver um tal de Eike que nunca tirou uma gota de petróleo e foi o 7 homem mais rico do mundo. Tudo à custa de milhares de investidores que acreditavam em enriquecer rápido com a alta das ações. Quem perdeu dinheiro foram os pobres, pois os grandes investidores venderam tudo na primeira oportunidade.
Uber nunca lucrou até agora e as ações não param de crescer, por muito tempo a Apple valeu mais que a Microsoft que vendia e lucrava muito mais.
As ações da Petrobras durante o governo Dilma chegou a ser vendida por menos de 5 reais, valor muito menor que os ativos que a mesmo possuía.
E o mais engraçado é o povo do misses acreditar que os bilionários não podem vender suas empresas pois o preço das ações irão desabar. Hoje Bill Gates só detém 1,6% da Microsoft, Bezos vende todo ano 1 bilhão em ações da Amazon e as ações não param de subir.
Off topic.
Acabei de sair de um Uber com o motorista reclamando que os preços das corridas está baixo demais e não está compensando rodar por aí.
Lembrei na hora do site com artigos onde é afirmado que o capitalismo foi feito para beneficiar o consumidor. Aqui há uma guerra entre uber e 99 pelo mercado. A 99 fornece desconto agressivos e Uber também começou a dar os descontos.
Mas o legal é que o próprio motorista reconheceu que para o passageiro é excelente. “Eu mesmo uso os aplicativos como passageiro e os preços são ótimos”.
Corolário: É mais fácil manter uma grande fortuna em uma economia fechada, burocratizada, mercantilista, socialdemocrata (“bem-estar social”).
Será que é por isso que os multimilionários e os bilionários promovem pautas esquerdistas que visam reduzir a liberdade econômica de todas as formas possíveis?
* * *
“Todo monopólio só se mantem com a ajuda do governo”
vergonha Brejil privatiza tudo.